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Saúde é Vida | Transtornos de Aprendizagem
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Saúde é Vida | Transtornos de Aprendizagem

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A otorrinolaringologista e foniatra Juliana Bertoncelo, coordenadora de ambulatório e membro do Departamento de Foniatria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial, diferencia transtorno de dificuldade de aprendizagem: a dificuldade nasce de fatores externos, como método de ensino inadequado ou má alimentação, enquanto o transtorno é uma alteração neurológica persistente, já que a mesma área cerebral que processa a linguagem comanda a leitura e a escrita. A entrevista com foniatra sobre transtornos de aprendizagem infantil orienta pais e educadores sobre sinais de alerta e o momento de buscar avaliação especializada.

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Olá, está no ar o Saúde à Vida com foco em bem-estar, dicas e orientações com especialistas dos mais variados temas. E no programa de hoje vamos trazer informações sobre os transtornos de aprendizagem, como identificar e qual o momento de buscar ajuda. Convidamos a Dra. Juliana Bertoncelo, ela que é otorrinolar engologista e foniatra. também é membro do Departamento de Foniatria da Associação Brasileira de Otorrino, Laringologista e Cirurgia Cérvico-facial e também coordenadora do ambulatório. Seja muito bem-vinda, Dra. Juliana, um prazer recebê-la aqui no Saúde à Vida. O prazer é meu, é uma honra aí poder tá participando aí de uma uma TV que pode ter uma abrangência, né? e d uma abrangência para um tema que é tão importante e tão pouco falado, né? Então, o prazer é meu. Exatamente, doutora. Justamente, né, a gente traz esses temas para ter essa a esse esclarecimento mesmo, né, principalmente eh diferenciar um pouquinho dos outros transtornos, né? Então, durante aqui o programa, a gente vai falar um pouquinho mais sobre isso, mas para começar de fato, né, eh, o que são esses transtornos de aprendizagem, doutora? O que que a gente pode falar sobre isso? Eu acho que, primeiro de tudo, é importante a gente diferenciar um transtorno de aprendizagem de uma dificuldade de aprendizagem, né? Então, quando a gente tem uma criança que não tá indo bem academicamente na escola e tá com algum problema escolar, primeiro de tudo, nós vamos pensar no fator externo que tá acontecendo. Então, essa criança tem acesso à escola de uma maneira adequada, ela, como ela vai chegar nessa escola? Ela tá bem alimentada para poder chegar nessa escola? O método que essa escola tá ensinando para ela é um método que chega, né? É um método tranquilo. Todos nós tivemos uma professora muito brava ou um uma professor um professor também às vezes que falava uma língua que parecia que aquilo não era nossa, né? Então isso também pode acontecer. Então, quando a gente tá falando em fatores que são externos, nós estamos falando de dificuldade, quer seja o acesso, quer seja o acesso ao livro, quer seja o acesso à própria escola, quer ser o método que não pode ser o método que seja mais eficaz para aquela criança. Quando a gente tá falando de transtorno, nós estamos falando de algo que é inerente àquele indivíduo. Transtorno vai ser tudo aquilo que dificulta o seu dia a dia. Então, um trânsito, né, de uma maneira exacerbada, tá dificultando muito a sua chegada no seu trabalho todo dia. Isso é um transtorno para você. Então, quando a gente tem alterações do neurodesenvolvimento, e aí nós estamos querendo dizer alterações que são neurológicas, tá? e que causam uma dificuldade persistente no dia a dia acadêmico de leitura e de escrita dessa criança. Nós estamos falando de um transtorno. E aí, a partir do momento que a gente identifica esse transtorno, nós vamos precisar também descobrir que transtorno é esse, porque existem vários tipos de transtorno de aprendizagem que podem afetar aí eh a vida acadêmica e depois profissional dessa criança e depois que vai se tornar um adulto. Certo? Certo, doutora? Então, falando sobre, né, esse transtorno dessa diferença, né, eh vamos entrar então nas características, então pra gente conseguir, né, ter essas informações, né, de separadas aí por tópicos. Então, quais são essas características, né, o que que a gente pode observar desde então essa a infância, né, os primeiros momentos dessa criança? Perfeito. Sabe o que que é muito importante a gente saber? Não só os pais saberem disso, mas os profissionais da educação e também os profissionais de saúde, é a gente pensar que a área cerebral que a gente tem, que é destinada à linguagem, principalmente nosso hemisfério esquerdo, ele é a mesma área que é destinada à leitura e da escrita. A gente brinca que Deus não sabia onde que ia colocar a leitura e a escrita quando criou a leitura e a escrita e colocou na mesma área da linguagem. Então, a primeira coisa que a gente vai ter que prestar atenção é no desenvolvimento de linguagem dessa criança. Toda criança, ela precisa atingir marcos. Nós não estamos falando de comparação entre uma criança e outra, mas nós estamos falando de marcos da espécie. Então, o que eu costumo dizer é o seguinte: ninguém vai esperar eh para procurar ajuda ou procurar um auxílio médico se uma criança tá com 3 anos e não tá andando, né? E por que que essa criança pode estar com 3 anos, não está falando e a gente acha que isso é normal e que a gente pode esperar? Não, a gente não pode esperar. Uma criança, ela começa o seu ato de se comunicar desde intraútero. Então, já respondendo aos sons dentro da barriga da mãe. Quando essa criança nasce, ela vai olhar depois, né, a partir dos já do nascimento, na hora que ela tá mamando, ela vai fazer aquela comunicação de olhar com a mãe. Com 4 meses, essa criança vai começar um balbucio, aquela história do mamanhês que você começa a falar: "Ai, que lindinho!" E você parece que ele tá cantando junto com você. Com se meses essa criança vai começar o que a gente chama de lalação, que é o má pá pá pá, que vai ser um passo aí para essa criança executar fonemas. Ao redor aí dos 9 meses, 10 meses, começam as primeiras palavrinhas. Com um aninho tá falando palavrinhas. E com dois aninhos ela vai ter que tá falando pelo menos frases com duas palavras. Então, estar atento aos marcos de desenvolvimento de fala e de linguagem de uma criança já é o primeiro passo pra gente estar atento também de como essa criança vai se desenvolver aí na leitura e na escrita, que é um próximo passo acadêmico. É, existe um quadro que a gente chama de transtorno e desenvolvimento de linguagem, que até agora nesse mês a gente tem o mês da conscientização sobre TDL, que é um transtorno de desenvolvimento de linguagem, eh, que é uma alteração neurológica, sim, né, mas que não vai ter nenhum marco, não tem nenhum exame de sangue, não tem nenhuma radiografia, não tem nenhuma ressonância que eu possa fazer e que possa me concluir que eu tenho TDS. O que vai me dar sinais dessa dificuldade vão ser justamente esses marcos que não estão chegando. E aí o que que é muito importante para você ler e para você escrever? Você tem que ter o conceito básico de que uma palavrinha ela é formada de pequenos sons. Então, quando eu tô falando pato, eu já entendi que é feita de a t o. Isso o nosso organismo, ele foi aprendendo ao longo do tempo. Lógico que a fala ela é ensinada, a gente escuta e a gente involuntariamente a gente vai aprender. A leitura escrita não, ela tem que ser ensinada, mas o primórgio pra gente poder ler e escrever é a gente entender que esse som é que as palavras são feitas, esses sonzinhos. Então, a criança que atrasou algum marco de linguagem já é uma criança que você tem que ficar atenta para um provável, um potencial transtorno de aprendizagem. O segundo fato que a gente, talvez esse até seja o primeiro fato que a gente tem que ter muito em mente são as a o histórico familiar, tá? as os transtornos de aprendizagem, eles têm uma característica familiar muito importante. Então, existe um trabalho que mostra isso, que o principal que eles pegaram milhares de crianças que foram avaliadas e o fator principal ali, né, um um elo que une é o histórico familiar. Então, é muito comum que na mesma família a gente encontre, geralmente até mais em meninos do que em meninas, mais histórico de eh dificuldade na escola. E aí essa dificuldade às vezes ela é tida como preguiça, como ah, ele não é uma pessoa inteligente. E a gente tem que ter na cabeça que não tem nada a ver uma coisa com a outra. inteligência e transtorno de aprendizagem, cognição e transtorno de aprendizagem são coisas completamente diferentes. Então, resumindo, uma criança que tem um histórico familiar, uma criança que atrasou a fala, uma criança que começou ali na alfabetização ou mesmo no ensino infantil e tá tendo dificuldade em fazer rima, tá tendo dificuldade em brincar com sons, tá tendo dificuldade em aprender o nome das letras, o nome dos números. Essa é uma criança que a gente já tem que ficar muito atenta. E, doutora, falando sobre essa questão, né, do desse mapeamento também do histórico familiar, existem hoje alguns fatores de risco ou então algum estudo relacionado aí às causas desse transtorno ou não? Olha, então o que que a gente precisa pensar? os transtornos de aprendizagem. Quando a gente diz transtornos, principalmente o transtorno de desenvolvimento de linguagem, que é esse que eu falei para você, que 7% das crianças, nesse oy, né, que é um estudioso, ele mostra que 7% das crianças em idade escolar, elas podem ter, que é essa dificuldade de linguagem, mas que nem sempre vai se manifestar com alterações na fala de cara. Essa criança, ela pode às vezes atrasar para falar ou falar no tempo certo, mas falar muito enrolado, ou não falar enrolado, mas faltar palavras, ou é aquela criança que tem aquele discurso que ali é meio desconexo, parece que a gente não vai entendendo, né? Então você estar atento a fatores familiares, que é o histórico familiar dessa criança é um fator importante, tá? Mas a gente tem que pensar que essas alterações são transtornos de neurodesenvolvimento. Então acontece desde ali da nossa embriogênese, né? É óbvio que fatores externos, aí a gente tem a epigenética, né, que é o que pode acontecer no meio que pode alterar essa genética. Então, crianças prematuras, né? crianças eh que são filhas de pais, eh usuários eh de droga ou de álcool durante a gestação, algumas medicações, ou seja, tudo que coloque também essa gestação em risco, desenvolvimento em risco, ele aumenta sim eh a chance dos transtornos de aprendizagem, mas você tem aqueles que eles são alis genéticos mesmo. essa criança, é, independente dessa criança ter nascido uma família estruturada, com muito acesso à leitura, com muito acesso à escrita, essa criança iria ter de qualquer forma esse transtorno de aprendizagem. O cérebro dela, a leitura e da escrita, vai funcionar como se ele estivesse entendendo uma outra língua. Por mais que ela goste eh, daquele assunto, né? Vamos supor que é uma criança que ader quer estudar o descobrimento do Brasil, ela é super interessada em história, tá? Mas na hora que ela vai ler aquele texto, aquilo para ela é como se aquele texto tivesse escrito em chinês, tá? Então, independente do histórico daquela criança, talvez ela fosse, não, ela iria ter esse transtorno do mesmo jeito, mas fatores externos como prematuridade, qualquer fator que possa alterar aí a saúde materna, né? ou aí depois o baixo acesso à escola, o baixo acesso ao ensino de qualidade, tudo isso também um acesso precário, por exemplo, as terapias fonodiológicas desde o início, isso tudo vai piorar o quadro dela, tá? Outra coisa, crianças que às vezes aí dormem muito mal, né? A gente vê aí hoje o uso de tela exacerbado, independente de categoria social, né? A gente vê que isso faz com que exista nessa criança uma síndrome do pensamento cada vez mais rápido, então uma dificuldade de concentração. Isso vai alterar o circuito da dopamina, o sono dessa criança vai est alterado e a gente sedimenta as informações, quer seja escolares ou qualquer tipo de aprendizado que a gente tenha durante a noite. Então a gente precisa de um sono reconfortante pra gente poder formar memória e essa memória ser uma memória de longo prazo. Então pra gente poder aprender, tá? Eh, eu acho que é isso. Me perdi um pouco no que você me perguntou. Quer me perguntar de novo? Não, é isso mesmo, doutora. Inclusive, né, como eh foi falado sobre essa questão da dificuldade, né, essa diferença, né, do transtorno ou apenas uma dificuldade, por exemplo, de aprendizagem, eh, muito se fala sobre essa questão mesmo quando vai falar sobre a os familiares, né, dos hábitos e também da desse dessa triagem, né, para saber desse histórico familiar, como você mesmo mencionou. Algumas pessoas falam: "Ai, mas é porque não estuda muito ou tem preguiça". Então, é nesse ponto que os pais, né, os responsáveis e até mesmo os profissionais da educação tem que tomar cuidado nessa nesse momento da criança, né? Saber identificar esse processo da dificuldade acaba auxiliando nesse diagnóstico precoce, né? É aí que acontece então o retardamento desse diagnóstico. Exato. Então assim, a gente na foniatria tem uma máxima que a gente diz, não existe criança preguiçosa, tá? A criança, ela é naturalmente curiosa, ela quer aprender. Se esse essa aprendizado ele não tá acontecendo de uma maneira adequada, é nossa obrigação, como profissional de saúde, como profissional de educação, como pais, entender o que que tá acontecendo com essa criança, tá? Porque uma criança, por exemplo, que não tá indo bem na escola, tá? tá com a dificuldade de leitura e da escrita, mas ela é extremamente inteligente em outras áreas. Ela é tem uma capacidade de montar construtiva muito boa. Nada impede que a criança tenha, por exemplo, altas habilidades. Ou seja, essa criança vai ter um repertório muito bom em alguns aspectos, mas que ela seja disléxica, né? Então, a criança pode ter um transtorno de desenvolvimento de linguagem e ser disléxica. Pode, pode, porque isso é uma alteração neurológica pontual que vai acontecer dentro do cérebro dessa criança. Então, antes de rotular uma criança como preguiçosa, como burra, que se fazia antigamente, né, se é nova, mas na minha época tinham várias pessoas, ah, ele largou a escola se porque ele era burro, será? Ele tá super bem sucedido hoje em dia na em vendas, ele faz coisas muito bacanas ali na área que ele escolheu profissional. ninguém também escolhe a sua profissão por acaso. Então, quando a gente pensa em indivíduos que têm um transtorno aí de aprendizagem, a gente pensando aí, principalmente no PDL, nesse lado do cérebro esquerdo, não tão eh funcionante, a gente vai ter uma contrapartida do nosso cérebro do lado direito, que é o a área da criatividade, que é o a área da música, a área às vezes de esporte. Então você pode procurar que essa criança ela vai ser boa em outras áreas, tá? E isso também é muito importante. A gente não pode taxar um aluno ali ou uma criança ou um paciente, né, eh, de incapaz antes da gente entender como o cérebro daquela criança tá funcionando. E aí a gente joga pro nós, pra nossa realidade de Brasil, que não é fácil, né? Porque o quanto eu vou entender se essa criança tá com uma dificuldade que tem a ver o acesso que essa criança tá tendo na escola, acesso aos professores, o acesso ao material escolar, o acesso à alimentação, que isso pode tá eh influenciando uma aprendizagem dela, o quanto eu vou diferenciar isso de um transtorno. Então, eu vou ter que entender isso tudo, né? Eu vou ter que entender o contexto que essa criança vive, eu vou ter que dar esse suporte que ela precisa, mas eu também tenho que entender neurobiologicamente o que acontece com essa criança. E quanto mais cedo a gente faz isso, melhor é o prognóstico, porque a gente sabe que o cérebro, principalmente da criança, ele é ávido por formar novas conexões, né? Então, quanto mais cedo eu entendo como essa criança tá funcionando, eu vou saber que método vai ser mais fácil, qual que vai ser o o oos trabalho terapêutico adicional que a gente vai ter que dar para ele e as adequações escolares, que essas adequações escolares elas precisam ser feitas, tá na lei, né? Tá na lei aí eh 12.254, se não me engano, que fala sobre a necessidade de inclusão tanto do TDH como da dislexia. E aí a gente coloca os transtornos de aprendizagem, tá? A obrigação é nossa de dar aquela criança a estratégia e um instrumento adequado para ela aprender e não dela se moldar aquele ambiente e aprender daquela forma. Eu sempre falo, tira o seu óculos, tá? E vai pra sala de aula. Ué, mas por que que você vai aprender sem óculos? Ah, porque eu decidi que você vai aprender sem óculos. Você enxerga. Enxergar, você enxerga, mas você enxerga mal. Por isso você precisa dessa reabilitação que são os óculos, tá? E a essa criança é a mesma coisa. Entender, ela entende, escutar, ela tá escutando, mas como essa informação tá chegando para ela? Então, ela merece ter essa informação traduzida pra forma que ela compreenda. E, doutora, como que então se fecha, né, esse diagnóstico, né, para iniciar um tratamento, um acompanhamento, porque no início do do programa, né, você mencionou, não tem não existe um exame específico, né, para fazer. é realmente esse mapeamento, essa triagem e entender exatamente o que se passa com essa criança. São realizados alguns testes de aprendizagem, como que funciona na prática? Sim, é assim, toda a escola ela vai ter já também os seus métodos de triagem e de avaliar se essa criança tá indo bem ou se essa criança tá indo mal, né? Isso desde o infantil acontece, como eu falei para você, uma criança que não sabe o nome dos coleguinhas direito, ela não decora o nome do coleguinha, ela não decora o nominho da letra, ela não decora o nominho do número, ela não faz rima, ela não sabe brincar com as palavras, opa, é uma criança que eu preciso acender a luz e preciso já mandar essa criança paraa investigação, né? Com quem que a gente vai investigar? Isso depende do acesso mais fácil a quem você terá. Às vezes o fono audiólogo é o primeiro passo, é a primeira porta de entrada. Ótimo que seja, tá? Porque ele extremamente apto também a identificar essas alterações que estão relacionadas à linguagem, tá? Às vezes esse eh a escola vai ou os próprios pais dão esse sinal e eles vão procurar um pedagogo, por exemplo, acho que ele não tá aprendendo bem. Ótimo que seja o pedagogo também, porque ele também tem métodos e maneiras para ver se essa criança tá atingindo os parâmetros ou não. Uma vez que essa criança teve acesso aí eh a essa avaliação clínica, provavelmente essa criança vai ser avaliada por mais de um profissional. Por quê? Porque não existe um teste único que comprove, não existe uma forma única de você avaliar. Na verdade, vão ser testes diferentes, né? com olhares diferentes e aí a gente vai acabar chegando esse diagnóstico clínico do transtorno de aprendizagem, certo? Eh, lembrar que paraa gente falar também que uma criança tenha transtorno de aprendizagem, o que se diz ali também eh sobre a a dislexia propriamente dita é que essa criança tem que ter tido acesso a pelo menos 2 anos aí do ensino formal, ela tem que ter tido o reforço adequado e mesmo assim ela mantém as alterações, tá? Existem sim testes formais que os pedagogos fazem. Existem sim testes formais que os fonudiólogos eles vão fazer para se colocar a criança dentro de um parâmetro ou não. Mas o que que é importante? Não existe uma só causa de um transtorno de aprendizagem. Ele é como se fosse um guarda-chuva e que a gente vai ter que descobrir quem que é o pai aqui, tá? Porque uma criança com TDH pode tá tendo dificuldades por conta dessa desatenção, mas nem todo TDH vai causar um transtorno de aprendizagem, tá? TDH, aquele transtorno de hiperatividade e desatenção. Quando a gente tá falando de alterações de leitura mesmo de escrita, elas no geral estão relacionadas a esse circuito de leitura de escrita que TDAH pode piorar, mas não causar esse transtorno de aprendizagem por si só, tá? Então, a via de acesso é escola, familiar, esteja na dúvida, vai procurar quem estiver mais próximo de você, quer seja um formodiólogo, quer seja o pedagogo. E aí o médico uma hora vai entrar nessa nessa história, né? Porque a gente tem que descartar fatores orgânicos que possam estar causando isso. Por exemplo, dentro doino, uma perda auditiva, tá? Eh, dentro da neurologia, essa criança pode estar tendo crises convulsivas eh de pequeno mal, saindo da órbita e ninguém tá vendo. Essa criança pode ter outros tipos de transtorno, como TDAH. Então, é importante depois que essa criança tenha um acesso médico paraa gente poder fazer diagnósticos médicos também. Mas esse acesso à avaliação, ele pode ser feito de vários modos. E a escola precisa ser uma grande parceira, porque na maioria das vezes é a escola que vai fazer esse apontamento. E doutora, eh, sobre essa questão, né, da escola, né, dos pais e também o a escola como um todo, orientar esse responsável, porque tem que ser também em conjunto, né? é uma equipe multidisciplinar no tratamento, no acompanhamento, mas também a escola e a família precisam eh falar a mesma língua pro bem-estar dessa dessa criança, né? Então esse é o primeiro passo para esse acompanhamento mesmo. Sim, exato. Primeiro passo, assim, a família, o SUS tem uma coisa que maravilhosa, que é a cadernetinha da criança. Nessa cadernetinha da criança, a gente pode ali até ir anotando todos os marcos que essa criança tem que atingir. Não tenham dúvidas, pais. Se essa criança não atingiu um marco, leva para poder investigar. Investigar não quer dizer diagnosticar. Investigar é saber se tem algo que está errado e se a gente pode melhorar isso ao longo do caminho. Segundo a escola, a escola é onde talvez a criança hoje em dia passe a maior parte da sua vida e quanto melhor o profissional, mais capacitado o profissional dentro da escola, mais apto ele vai estar para acender essa luz. Ele também não vai dar diagnóstico, mas ele tá acendendo a luz e falando: "Olha, esse marco ele não atingiu será que a gente tem que se perguntar porquê?" Então essa união família escola, ela é de extrema importância, porque depois os outros profissionais entrarão, a fornalóloga para fazer terapia, o pedagogo para poder eh auxiliar ali nas estratégias que essa criança vai ter que adquirir. Às vezes o terapeuta ocupacional, o psicomotricista, o médico, vão ser milhares. É, é, é literalmente multidisciplinar. Mas se a família não está apta e não tem essa coesão escola família, isso fica muito mais difícil, tá? Porque o prognóstico de uma criança, eh, ele vai depender também do que tá acontecendo ao redor dela. Então, quanto mais acesso a livros essa criança tem, quanto mais preocupada essa família tá, quanto mais cedo essa criança chegar para poder fazer um diagnóstico para ela poder iniciar a terapêutica, melhor isso vai ser. E doa, e esse acompanhamento ele ao longo da vida, né, o diagnóstico logo assim na primeira infância, né, no começo então da vida escolar dessa criança. É, mas tem algum momento que isso vai terminar, vai acabar realmente, vai e ter essa integração social, não vai mais afetar também a saúde emocional, porque acredito que é algo que acaba também impactando, né, negativamente, infelizmente, pra criança e também pra família como um todo. Então, como que funciona esse esse acompanhamento? Tem um limite de acompanhamento, doutora? Olha, eu brinco o seguinte, eu sou milpit de lente. Você que que você tem na sua visão? Astigmatismo. Eu vejo tudo duplicado. Isso. E uma vez milp e uma vez aigmata. Sempre milp, sempre astigmata. Eu tô de lente, tô reabilitada. Você tá de óculos, está reabilitada. Um transtorno de aprendizagem, como ele é um transtorno de neurodesenvolvimento, ele é para sempre, mas isso não quer dizer que o sintoma dele ele seja exaustivo o suficiente para poder tá repercutindo negativamente na vida dele, tá? Qual que é a nossa intenção? Quanto mais cedo eu diagnostico, quanto mais cedo eu faço as intervenções terapêuticas, quanto mais cedo a escola também me entende para me dar um feedback diferente e os instrumentos diferentes para eu poder eh lidar com a vida. Talvez eu fosse eu, eu fosse ter um destino ruim, com pouco acesso a qualquer trabalho, eh me sentindo cada vez, que é o que você falou, mais desmotivado, cada vez mais incompetente, mas o que eu quero dessa régua é trazer essa regra o mais invisível possível, certo? Então, e é importante que a criança ou que o adulto que saiba o que ele tem. Eu falo muito isso com as meusantes, com meus eh com as minhas crianças, principalmente is que estão entrando aí no fundamental dois, se empoderem de falar: "Eu tenho transtor de aprendizagem, então eu preciso de meios diferentes para eu poder aprender, né? E é muito importante essa equipe multidisciplinar lidar com essa criança, porque a repercussão não é só acadêmica na nota e ela tá careca de saber que ela tá indo mal. E você ser sempre rabo, sempre tá achando que você tá em algo errado com você, que você não é suficiente. Isso mostra, tem milhões de trabalhos que também mostram que é afeta drasticamente a autoestima, aumenta drasticamente aí o subemprego, né? aumenta drasticamente aí a capacidade, a probabilidade também desse indivídu eh acabar indo para lados que não são legais na vida, né? Porque ele também não se entende encaixado e compreendido ali dentro. Então eu acho que a nossa obrigação e graças a Deus acho que tem mudado muito à medida que a ciência também tá evoluindo, que a gente tá tornando, por exemplo, isso que vocês estão fazendo agora, né? informando a população, informando os profissionais, a tendência é que a gente consiga incluir cada vez mais. Existem milhares de disléxicos na vida. O Einstein, por exemplo, tá? Existem Jun Sacamoto, que é um eh, li uma reportagem dele outro dia, um dono de restaurante, um chefe de cozinha japonês famosíssimo em São Paulo que é disléxico. E eu falo para vocês, se você então notou essa dificuldade, o seu cérebro esquerdo não é lá uma brastemp, o direito vai compensar. Então, o que essa pessoa faz de bom? Então também é muito responsabilidade nossa como saúde, como escola, como pais profissionalizar esse indivíduo, né, descobrindo o que que ele é bom, o que que ele vai fazer bem, quais são as aptidões dele para que isso eh essa essa dor se minimize, né? Porque o transtorno ele sempre vai existir. O que a gente quer é que ele seja praticamente invisível no que diz respeito aos sintomas, tá? E se não for, ok, eu tenho instrumentos para poder lidar com isso. E doutora, é importante, né, a gente sempre fala aqui, ressalta também sobre a questão dos rótulos, né, porque os as pessoas elas automaticamente se rotulam com isso, né, vendo por um lado negativo e não olhando lá pra frente, né, no futuro. Então, ela fica numa bolha achando que não vai melhorar, que é a pior pessoa do mundo e acaba se rotulando. Isso abre eh portas também abrem, né, portas para as outras pessoas também terem esse preconceito. Então a gente sempre reforça aqui no programa eh para ter essa mudança de cenário e essa mudança eh da visão também, né? Enxergar isso com outros olhos. Sim, a gente fala tanto sobre empoderamento hoje em dia, né? E esse empoderamento ele tem que eh existir em todos esses níveis, né? Então, não é porque eu sou milp que eu sou incapaz, não é porque eu tenho dislexia que eu sou incapaz. E isso é extremamente importante. Transtorno de aprendizagem não quer dizer deficiência cognitiva, muito pelo contrário, é só eu entender aquilo com uma outra língua. Eu tenho dificuldade em estabelecer essa língua, né? Então, a pessoa saber do que ela tem, dos seus direitos, faz também com que ela seja capaz de procurar estratégias que sejam melhores para ela, né? Eu acho que isso é essencial. Tá certo, Dra. Juliana, muito obrigada. Desculpa ele de falar o índice de depressão, o índice de depressão, de ansiedade, né, de outros transtornos psíquicos é muito grande, né, nessas pessoas, né, porque é o que você sempre falou, o rótulo ele é muito ruim, né? O diagnóstico ele para ele salvar. O diagnóstico é para você abrir a janela e falar: "Aquele caminho é um caminho mais fácil". O rótulo não. O rótulo ele sempre deturpa. E doutora, o que a associação, né, brasileira, ela, a gente falou sobre as campanhas, essas conscientizações também, né? Eh, como que vocês então fazem essa integração da dos pacientes mesmo, quem sofre com isso, das famílias, né, para abrir esse leque aí de alternativas e também sobre as orientações da medicina avançada, né? Então, queria que você fizesse esses esclarecimentos aqui sobre a Associação Brasileira mesmo nesse cenário, né, nesse passo importante aí da comunicação sobre esses transtornos. É, a Associação Brasileira de Outro Laringologia, né, e cirurgia cérvico-facial, é uma associação que, graças a Deus, ela tem muito esse intuito informativo da população, né, porque informação é o que salva. Então, se você entra, a gente tem várias campanhas, desde eu tô aqui no pediatria, desde a poniatria, sobre marcos de desenvolvimento, sobre o teste da orelinha, que a gente sabe que é essencial. Quanto mais cedo a gente diagnostica essas crianças com perda auditiva também mais fácil se torna a reabilitação, né? E nós temos um grande compromisso também que com formar, né? Nós temos que formar novos profissionais, que seja na nossa área notino e, né, formar foniatras, mas nós temos também que formar novos indivíduos, né? Então, não só dessa na em em ambulatórios de formação, de foniatria, que isso também é muito importante, mas de informar, informar profissionais de saúde, informar escolas. Então, o que a gente mais faz hoje em dia é reunião, né? Então eu recebo esse paciente, eu ajudo no diagnóstico desse paciente, eu vou me reunir com a FONO, vou me reunir com a TO, vou me reunir com a escola. E essa reunião, eh, esse trocar de informações, isso é extremamente importante, porque é isso que vai fazer a gente virar o jogo, né? E pais vêm formados e mudam sociedade, né? a gente tem diversos eh diversas esqueci o nome, gente, eu tô brincando que eu tô na menopausa, falta nome igual igual os transtornos de aprendizagem aí. Eh, mas a gente tem diversos movimentos, como o passo a passo pelo TDL, como juntos pelo TDL e são movimentos feitos por pais, por mães, justamente para poder repartir as dores e mostrar para eles também novos caminhos que é sempre possível. E a o que mais vai salvar essa criança é a informação. Então, quanto mais a sociedade como um todo estiver bem informada sobre PDR, sobre aprendizagem, mais leve o futuro dessa criança. E ressaltando então, Dra. Juliana sobre a importância de não ignorar os sinais, né, não ignorar a essas dificuldades que a criança apresenta. Então, prestar atenção mesmo no comportamento e realmente no que essa criança está precisando, porque a informação, como você bem disse, é a primordial, né? E o diagnóstico precoce, ele vai fazer toda a diferença aí no futuro, né? Pra vida adulta também dessa criança, né? Com certeza. Uma coisa é uma criança que a gente pegou pequenininha e que eu já espero que ela possa ter uma dificuldade de aprendizagem. Essa criança tá sendo acompanhada desde sempre. Outra coisa é uma criança que nunca teve diagnóstico de nada, foi passando, passando, passando, passando, passando e aí chega no sexto ano, ela não dá mais conta, tá? Não é que a gente não vai conseguir fazer com que essa criança evolua, ela vai evoluir, mas com certeza ela não vai evoluir atingindo o potencial que a gente gostaria que ela que ela atingisse, né? Então, a gente lidar com aquilo que a gente tá esperando é sempre muito mais fácil. Tem na cadernetinha ali do SUS os passos de desenvolvimento, tanto auditivo como de fala de linguagem. A gente tem também um site que chama CDC, né, que é um site norte-americano, mas que ele tem tradução pelo no no Brasil, que a Sociedade Brasileira de Pediatria fez essa tradução, que mostra o desenvolvimento parte a parte, fase a fase, tá? na dúvida, procura ajuda. Perfeitamente, doutora. Muitíssimo obrigada pela sua participação, né, por trazer todo o seu conhecimento e esclarecer essas dúvidas, né, de muita gente e deixar, é claro, essas dicas e orientações aqui no nosso programa. Então, quero agradecer e, por favor, faça suas considerações finais aqui no Saúde à Vida. Eu quero agradecer muito essa oportunidade. Eu acho que como profissional de saúde e e profissionais que lidam com a educação, a gente tem obrigação, eu acho, de informar, né? E quero deixar uma frase para vocês que eu uso muito. Diagnóstico não é destino, tá? O diagnóstico é você abrir essa cortina e falar: "Esse caminho vai ser mais fácil. Nesse caminho ele vai chegar mais longe." Tá bom? É isso. E fiquem atentos aí. Nosso nosso mês de conscientização pelo pelo TDL. A Sociedade Brasileira de Otorino tem um congresso que a gente vai falar agora também muito sobre isso e ela tá aí também eh para vocês, né? Entrem lá na no site da Associação Brasileira de Otorrino, que a gente também tem sempre informações de muita qualidade. A gente segue a gente no Instagram também. Perfeitamente dado o recado. Doutora. Muito obrigada mais uma vez pela sua participação. Bom, o nosso programa chegou ao fim. Espero que você tenha gostado. Obrigada pela companhia e pela audiência. E você pode conferir esse conteúdo na íntegra pelo portal tvcamaracampinas.com.br. Temos um encontro marcado na próxima edição. Até lá. เฮ เ
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