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Saúde é Vida | Setembro Amarelo: Campanha de Conscientização Sobre Saúde Mental
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Saúde é Vida | Setembro Amarelo: Campanha de Conscientização Sobre Saúde Mental

109 views Publicado 06/09/2026 HD · 36:05

Descrição do vídeo

A psiquiatra Sandra Peu explica que quase 100% dos casos de suicídio envolvem algum transtorno mental, como depressão, transtorno bipolar ou dependência química, quadros marcados pelo aumento da impulsividade. A entrevista trata do Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria com o Conselho Federal de Medicina, e defende diagnóstico precoce e menos preconceito sobre doenças mentais. Edição do quadro de entrevista médica sobre saúde da TV Câmara.

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Olá, começa agora mais uma edição [música] do Saúde à vida e hoje vamos abordar um tema delicado, mas de suma [música] importância. Setembro Amarelo é a maior campanha nacional de prevenção ao [música] suicídio e valorização da vida organizada anualmente pela [música] Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de [música] Medicina. Convidamos então para abordar esse tema a Dra. Sandra Peu. Ela é psiquiatra e já está conectada aqui com a gente. Seja muito bem-vinda, Dra. Sandra. Olá, tudo bem? Muito obrigada pelo convite. Tudo bem? Nós que agradecemos a sua participação por ter aceito também o convite para falar desse tema que ao mesmo tempo ele é delicado, né? Mas como a gente sempre fala aqui, é muito importante levar essa informação e deixar um pouquinho mais eh com acesso, né, e facilidade para as pessoas entenderem de fato o que é essa campanha, doutor. Então a gente vai começar falar um pouquinho sobre essa campanha mesmo, sobre o lema, né, que foi definido aí pela Organização Mundial de Saúde deste ano e como que funciona então essa campanha, por favor. Bom, nós temos uma campanha em que é necessário buscar ajuda. É importante que a gente consiga entender a mensagem principal de uma campanha do setembro amarelo. A campanha Setembro amarelo junta toda a informação de impacto de prevenção de suicídio pro mês de setembro. Não quer dizer que a gente não vai fazer a prevenção durante o ano todo. É importante fazer, mas somar as informações eh de prevenção, somar a informação de como fazer diagnóstico precoce de doença mental, como buscar tratamento das doenças mentais e diminuir o preconceito sobre as doenças mentais. Se a gente faz tudo isso num só mês, a gente tem muito mais impacto. A Associação Brasileira de Psiquiatria traz isso e entendemos que é uma atividade que é mundialmente levada à Organização Mundial de Saúde e que no Brasil, eh, a Associação Brasileira de Psiquiatria engloba toda a responsabilidade técnica. Certo? E, doutora, a gente fez um levantamento, né? Quase 100% dos casos de suicídio estão relacionados aos transtornos mentais, né, como depressão, o transtorno bipolar e também o uso, né, de substâncias. Queria que você falasse um pouquinho sobre esses transtornos, né, quais são os principais, né, que levam a essa dependência, a essa tristeza. Depois a gente vai falar um pouquinho sobre as diferenças, né, de cada um deles, mas queria que você pontuasse quais são os principais transtornos mentais nesse cenário que a gente vive, né, atualmente. Olha, Ciene, quando a gente pensa em suicídio, exatamente o que você disse, praticamente 100% das circunstâncias em que a pessoa morre por suicídio, ela passava por um problema de de doença mental, por um problema de saúde mental. Não que as pessoas que falem de suicídio necessariamente vão morrer e tem uma doença mental. Então a gente precisa realmente fazer esse diagnóstico, entender quem é a pessoa que está em alto risco e quem não está. Dessa forma a gente vai observar. Eh, e quando eu falo a gente precisa ter uma comção técnica, quem faz diagnóstico é médico. E, para tanto, o médico vai observar diante dos sinais e sintomas dessa pessoa se ela tem características principalmente das doenças mais frequentes. O transtorno bipolar e o abuso de auto outras drogas é muito relevante quando a gente pensa em pessoas que falando do de suicídio, falando da vontade de morte, podem de fato ir ao ato. Por quê? porque são doenças muito relacionadas com o aumento da impulsividade, que é um fator de risco. é outras doenças como transtornos de personalidade em que a impulsividade também é maior ou então quando a gestão da capacidade de gerir os impulsos e a relação com a realidade muda, por exemplo, esquizofrenia também a gente pode est nessa circunstância aí de aumento do risco da da do risco de suicídio. Quando a gente pensa em depressão, não podemos colocar depressão toda de uma forma só. Ela pode ser unipolar, isso é, a pessoa só passa pelo polo da depressão, dos sintomas de depressão. E existe também a depressão bipolar. A depressão bipolar, ela acontece ou simultaneamente em sobreposição ou em períodos separados de de euforia para quem tem transtorno afetivo bipolar. Nessas situações em que a depressão e a euforia eh são sintomas de uma pessoa adoecida por transtorno bipolar, esta pessoa tem maior risco de morte por suicídio inclusive, né? Então a gente tem que fazer uma diagnóstico precoce, tratar adequadamente, tratar errado também não resolve. E aí, diante dessa observação de diagnósticos a partir de sinais e sintomas, fazendo bom direcionamento, a gente consegue de fato prevenir suicídio. E doutora, você comentou então sobre essa questão da depressão, que tem um dos sinais que é a euforia, né? Mas como identificar, como que uma pessoa, né, que está ali naquele naquele ciclo, né, ao redor, um amigo, um parente, como que as pessoas que estão de fora, elas conseguem eh notar alguns sinais que podem caracterizar então que essa pessoa está passando por um problema, né, de de um adoecimento mental, um transtorno, como que a gente consegue, quem tá de fora, eh enxergar isso? Vou começar falando da depressão unipolar. Ela só vive em um polo só o polo da depressão. Lembrar também que ninguém tá sempre deprimido. A pessoa pode ter intensificação de sintomas, melhoras de sintomas e diferenciar contigo a o que é depressão de tristeza. Tristeza é parte da vida. Tristeza diante daquilo que a gente eh se apresenta e tem sofrimentos na vida. um luto, uma circunstância de aborrecimento, uma frustração, a gente fica triste. E é natural da vida ficar triste. Depressão não é só tristeza, ela vem com tristeza, às vezes inclusive apagamento das sensações emocionais, mas vem também com dificuldade de memória e atenção, alteração do sono com insônia ou hipersonia, a pessoa fica com sono toda hora. alterações eh do apetite. A pessoa pode perder o apetite ou começar a comer demais para se livrar daquela sensação desconfortável. a pessoa pode eh ter queda do dinamismo, então a energia para fazer as coisas que tinha antes cai e fazer as coisas do dia a dia fica muito mais difícil e mais pesado. Ao mesmo tempo, a pessoa pode ter dificuldades na construção do pensamento. E dentro dessas dificuldades, além das questões de memória e atenção, ela pode começar eh ter percepções distorcidas do que tá acontecendo. A sensação de culpa é muito importante quando a gente pensa em depressão. Eh, eu não valho, talvez eu seja um peso. Eh, meus amigos talvez não gostem de mim porque eu não sou suficiente, eu não tô dando conta e às vezes até dá conta, né? Mas tá fazendo as coisas e fica tudo mais difícil e a culpa vem, né? Eu não mereço estar aqui, tudo dá errado por minha causa. E a prospecção, a condição de pensar mais adiante também pode ficar comprometida. Então, os planos pro futuro, eles são mais difíceis de serem construídos. Além disso, o negativismo, o ponto de vista pessimista fica muito mais intensificado. Então, quando a gente fala de depressão, não é só tristeza. E isso também costuma eh ficar presente durante alguns dias, pelo menos umas duas semanas, isso se apresenta às vezes um dia mais intensamente, outro dia com menos intensidade, mas isso vai ao decorrer de alguns dias. precisa ter causa desencadeante. Nem sempre. Às vezes tem causa desencade e às vezes não tem. Às vezes era só faltava uma gotinha para entornar a água do copo, mas às vezes o copo entorna sem precisar nem de uma gotinha. pensando em depressão de quem tem um transtorno afetivo bipolar, a gente tem que pensar eh que existe a necessidade para esse diagnóstico da presença de sintomas de euforia ou hipomania ou mania franca. Às vezes, em mania franca, as pessoas podem ter, inclusive sintomas psicóticos, são mais incomuns na depressão, mas na mania podem acontecer. Então, h uma ruptura com a realidade em relação ao entendimento da realidade e em relação às percepções sensórias, eh, ouvir voz, eh, falar coisas que não tm sentido. Em geral, quando a gente tá em euforia, eh, a os discursos sem sentido são de maior grandeza, uma autovalorização, uma capacidade, um entendimento de autocapacidade maior do que seria esperado, eu consigo, eu faço e acaba sendo um pouco impulsivo isso, né? Então, a pessoa acaba se colocando mais em risco também. E para ter mania precisa est com humor para cima. Quer seja um humor que seja irritado, quer seja muito alegre. Acontece, né? A pessoa fica numa alegria que não tem porquê. E às vezes ela fica até inclusive exposta, porque ela se desinibe, ela começa a ter comportamentos de risco, faz compras indevidas, eh faz aumenta o uso de álcool ou outras drogas, outras substâncias de abuso e se coloca em risco, dirige, mas sem cuidado. Então, quando existe o transtorno bipolar, a gente precisa de episódio de euforia. E em geral, o transtorno bipolar também durante a vida dessa pessoa vai ter os episódios de depressão. Então nós temos dois tipos. o a depressão unipolar, onde só temos sintomas de depressão, mais intensos ou menos intensos, e o transtorno afetivo bipolar com sua depressão, eh, que vai aparecer enquanto um polo da bipolaridade. E nesse sentido, doutora, né, uma vez esse paciente diagnosticado, né, eh, como que é feito toda a questão do tratamento, porque é algo delicado. Primeiro, tem também que essa pessoa, esse paciente enxergar que ele precisa de ajuda, né, para iniciar o tratamento adequado. Então é um desafio também isso, né? Antes de falar do tratamento, então eu vou convidar todo mundo a participar dessa ajuda importante que alguém que tem uma doença mental vai precisar. Quem tá do lado, quem é familiar, quem trabalha junto, quem tá na escola junto, conhece qual é o padrão de funcionamento de uma pessoa, sabe mais ou menos quais são os hábitos, o jeito dela falar, o jeito dela agir, as escolhas, os gostos. Quando se percebe que esses comportamentos estão diferentes, a pessoa tá mudando o jeito dela, né? Então começa a falar que as coisas estão mais difíceis, mudou, tá se atrasando porque perdeu o horário de dormir, não tá dormindo bem, tá cansado na aula, chega no trabalho já, meu Deus, não aguento mais. Eh, começa a conversar e de repente é uma amizade que você tem e a pessoa começa a desabafar, olha, não, não vejo mais sentido na minha vida, as coisas estão complicadas, né? Ou então até quando a gente fala da parte eufórica do transtumo bipolar, por exemplo, em que a pessoa começa a ter comportamentos de exposição social, né? Ai tava namorando com não sei quem agora tá namorando com todo mundo e comprou alguma coisa que não fazia sentido financeiramente e tá se expond, tá se colocando em risco. Tá na hora da gente conversar com essa pessoa e falar: "Olha, eu tô aqui para te ajudar. vão procurar uma avaliação e quem melhor avalia é o psiquiatra. Do mesmo jeito que a gente não vai fazer óculos, né, fazer uma avaliação de uma receita de um óculos sem ter um oftalmologista, eh, a mulher não vai fazer o seu preventivo senão com um ginecologista. Eh, também pra gente fazer um bom diagnóstico, inclusive de uma observação preventiva. É importante que haja o psiquiatra e sensibilizar, diminuir o julgamento, eh trazer essa pessoa para junto, diminuindo a possibilidade dela sofrer preconceitos. É importante que ela se sinta acolhida, respeitada e que ela tenha a ajuda para marcar uma consulta, para procurar um serviço que tem o psiquiatra. E às vezes até para ir, às vezes ela precisa muito que alguém passe na casa dela, vamos, eu vou te levar, eu tô com você. Essa ajuda é fundamental. Bom, vamos falar agora um pouquinho de tratamento, não só de tratamento do da depressão ou do transfet bipolar, mas vamos falar do tratamento geral das doenças mentais. A doença mental para ser tratada precisa ter um diagnóstico. Então, precisamos de um psiquiatra que dê esse diagnóstico. Ah, psicólogo pode dar diagnóstico? Não, o psicólogo tem uma formação diferente. Ele é essencial no cuidado da saúde mental, inclusive das doenças mentais quando a saúde falta. Ele é essencial, mas ele não tem condição técnica da formação dele de estabelecer um diagnóstico de doença. Isso é uma competência médica. A partir de uma boa avaliação. O que que é uma consulta psiquiátrica? É uma boa conversa. É uma conversa aí que em vez de ter o estetoscópio, que é aquele aparelhinho que a gente que o médico bota na orelha, vai ouvir o pulmão, vai ouvir o coração, a orelha do psiquiatra tem um treinamento especial e ele vai conseguir compreender a partir do que o paciente fala, às vezes do que o acompanhante fala, do que ninguém fala, do que se demonstra pelas movimentações do movimentações do corpo, pela construção histórica da vida daquela pessoa, ele vai estabelecer um diagnóstico. Diante do diagnóstico, vai se observar o quanto invasivo é esse problema que o paciente tá passando. Às vezes, problemas pouco invasivos e de capacidade de boa e que o paciente tem uma boa capacidade de gestão do problema, o médico pode simplesmente acompanhar, encaminhar inclusive paraa psicoterapia. E a partir disso, o paciente pode retomar a vida normal. Outras circunstâncias em que a doença tem um momento em que ela tá mais invasiva ou ela tem um curso invasivo, né, que ela vai ser mais complicada de lidar, ou doenças em que a gente espera que vai evoluindo para piora, por exemplo, os quadros de demência, a expectativa é que eles evoluam para piora, né? Então, a gente vai ter cada um uma estratégia individual de abordagem do paciente. Muitas vezes nós precisamos tratar com medicações. São medicações de controle especial, inclusive porque elas vão ajustar os neurotransmissores do cérebro para que a gente consiga, tal qual quando a gente usa um óculos, a gente começa a enxergar direitinho, porque a gente ajusta erros da refração do olho. A medicação ajusta os erros da organização das dos neurotransmissores, que são as substâncias que a que fazem com que a gente pense, com que a gente sinta e que a gente responda de uma forma comportamental. Essas medicações, todo mundo pergunta, mas causa dependência? A pessoa fica viciada quando toma remédio psiquiátrico? Bom, para o tratamento da absoluta maioria parte dos das doenças mentais, não existe risco de dependência química. São medicações antidepressivas, antipsicóticas, eh ansiolíticas. A gente coloca no grupo aqui que pode inclusive ter dependência, que são os benços de azepínicos, né? Algumas medicações para induzir sono também podem causar dependência, mas são de uso pontual. restrito e ocasional. O tratamento da doença mental em si, ele não causa dependência. Outra pergunta que meus pacientes fazem quando eu começo a fazer uma prescrição. Esse remédio é bom para mim por quê? Bom, o remédio tem que ser bom por quê? é eficiente para meu paciente. O paciente não tem prejuízos por conta de efeitos colaterais e o meu paciente tem que funcionar, ele tem que trabalhar, tem que ir pra escola, tem que namorar, tem que ter eh passeio, ele tem que ter uma vida boa, ele tem que ter uma vida bem constituída, tem que retomar o melhor do que ele é na vida dele. Então não pode ter efeito colateral que bagunça a vida do paciente. E o terceiro efeito importante é que o remédio tem que caber no bolso, tem que ser eh tem que ser escolhido diante da realidade daquele paciente, né? Tendo esses três aspectos, a gente começa a tratar. Em geral, o remédio não é tomou, resolveu. Ele precisa de alguns dias para começar a funcionar. Depois desses dias, a gente espera uma consolidação, dependendo da doença. Algumas a gente entende que é crônica e vai usar remédio pro resto da vida. Algumas a gente espera consolidar, teve o tempo de consolidação. Aí o que a gente faz é esperar um período que varia 6 meses, 9 meses, no caso, por exemplo, de ansiedade, de depressão. Em primeiro episódio, teve esse período, a gente vai tirando a medicação e continua acompanhando esse paciente. Se ele volta a ter um outro episódio, a gente conversa tudo de novo e às vezes é necessário manter a medicação. Ah, porque a pessoa é viciada. Não, não é porque a pessoa é viciada, mas é porque ela tem um erro genético que faz necessário, do mesmo jeito que eu preciso de óculos, porque geneticamente tava estabelecido que eu ia ter milpia. Para corrigir a minha milpia e viver melhor, eu boto o meu óculos. As pessoas usam medicações como diabetes, com pressão alta e para o controle de transtornos mentais pro resto da vida. Mas para quê? para estar bem e lidar bem com as adversidades da vida e não cair em adoecimento. Doutora, perfeitamente essa sua colocação sobre as perguntas que os que os pacientes, né, fazem, porque a gente fazendo algumas pesquisas, a gente observa que ainda as pessoas têm um receio e também um preconceito, né, quando fala em medicamento, quando fala em doenças mentais e até de psiquiatra dos especialistas, porque eles ficam com essa sensação de que eles não são loucos, que essa doença é de louco. Então, o que que a gente pode falar para mudar esse cenário? Cine, você tem muita razão e é justamente para isso que o setembro amarelo é apresentado. Nós fazemos o setembro amarelo contra o preconceito. O setembro amarelo, inclusive, é a principal campanha do mundo contra o preconceito. O setembro amarelo tá aí para falar em relação ao preconceito que as pessoas têm de ter uma doença mental, né? Ah, mas eu não sou louco. E realmente a maior parte das pessoas que buscam o psiquiatra, elas não têm problemas da loucura, né? E mesmo quem é louco, pelo amor de Deus, vamos tratar para que você tenha o melhor desempenho. O que a gente chama de loucura, popularmente falando, às vezes é a rotura da com a realidade, né? E isso é bem a menor parte de um consultório de saúde mental é a maior parte da população tem esse tipo de doença. Inclusive o brasileiro, eh, se eu não tô enganada, é o povo mais ansioso, com diagnósticos de ansiedade generalizada do mundo. Nível de depressão também aqui é alto e isso não tem nada a ver com romper a realidade. Então, o médico psiquiátrico não é médico de louco. Com certeza também atende casos psicóticos que respeitosamente nós trazemos ao máximo possível e às vezes as pessoas retomam a vida completamente, mas não é exclusivamente pessoas que estão eh sem capacidade de gerenciamento da própria vida e assim ficarão, né? sobre medicação, o meu paciente precisa funcionar muito bem e a maior parte das medicações não causa dependência. E isso é importante que cada um saiba. Remédio psiquiátrico para um bom tratamento não é para viciar, é para deixar a pessoa com a melhor capacidade de desempenho que ela pode ter na vida. Ela tem que construir a vida dela, as relações interpessoais da melhor forma. A gente pode pegar um quadro bem drástico, uma situação bem terrível, que é rara inclusive perto da população geral, mas que a gente pode pensar que para uma pessoa às vezes a melhor, o melhor que ela pode fazer é começar a cuidar da própria higiene e da própria alimentação. Isso é coisa mais doença muito mais invasiva. A medicação e o tratamento psiquiátrico vai ajudá-la com isso. Já a maior parte da população, a maior parte da população com bom tratamento, com a escolha de um bom medicamento personalizado para aquela pessoa, ele não só vai dar conta de tudo que dava conta antes, mas ele vai ter condições de fazer isso com prazer, com capacidade, com responsabilidade, com produtividade. Então, nós não formamos superheróis, não formamos pessoas que têm superperes. Não adianta procurar o psiquiatra porque você tem que passar no concurso e acreditar que o remédio vai fazer você passar no concurso, não é isso. Mas dentro da sua capacidade de desempenho, se existe uma doença mental te limitando, a psiquiatria tá aí justamente para ajudar você ter esse melhor desempenho. E o Setembro amarelo vem trazer essa notícia, vem dizer para você que tratar as doenças mentais precocemente não só reduz o risco da morte por suicídio, que é a causa mais o desfecho mais trágico que a gente tem na psiquiatria, né? Mas também um bom tratamento qualifica a pessoa para ter uma condição de vida plena e prazerosa. E doutora, falando também, né, sobre os canais de apoio, né, como Centro de Valorização da Vida, que também tem todo um trabalho com equipes, né, multidisciplinares para ajudar esse paciente e também a família como um todo, porque é essa integração mesmo, né, que a campanha ela faz, porque precisa desse apoio da família, dos amigos, como então que esse trabalho é feito como que essa junção, né, dos profissionais, eles podem ajudar esse esse paciente, além, é claro, de levar isso também paraas escolas, eh, pro ambiente de trabalho, porque a gente fala muito sobre, como você mesmo mencionou, sobre a ansiedade, né, que o povo brasileiro é ansioso. Tem a questão do burnout, né? O burnout, a gente fala muito sobre isso também nessa questão do ambiente de trabalho, como que então as pessoas elas conseguem se ajudar e buscar essa ajuda também nos centros de apoio. Você trouxe um ponto interessante, Cassinha. Eh, a Associação Brasileira de Psiquiatria também desenvolve muita pesquisa e nós temos uma posição muito difícil de falar publicamente, inclusive porque a população não gosta muito de ouvir isso. Quando a ciência se depara com algo que parece emocionalmente confortável. O Centro de Valorização Lav do CVV faz um trabalho que ele não é de punho médico. A formação do voluntário, que é uma pessoa eh de 18 a 65 anos aproximadamente, são pessoas que eu tenho certeza que são, na sua, a imensa maioria muito bem intencionadas. É um curso extremamente curto e baseado em estratégias de psicoterapia. Rogeriana, de Carl Rogers, né? É um é um pensador, né? Um um técnico de de psicologia, né? Ele faz uma estratégia de psicoterapia e eles se utilizam dessa terapia. Car Rogers acredita que a pessoa eh mesmo com doença mental, ela tem capacidade de autogerenciamento e de fazer escolhas. Então, se você liga para o centro de valorização na vida, tirando toda a dificuldade que às vezes há de contato, tirando toda a dificuldade às vezes de esperar a a fila de espera para ser ouvido. E ser ouvido, sim, às vezes esvazia a pessoa da intenção de morte, mas quem escuta do outro lado não tem uma qualificação técnica para poder intervir num real risco de suicídio. Muita gente liga pro CV e não necessariamente por intenção de morte. As pessoas às vezes ligam para desabafar e isso faz sentido. OK? Mas as pessoas que têm real risco de morte, as pessoas que estão sofrendo uma doença mental, elas podem ter autopercepção e a percepção dos contextos com alguma distorção. Eu falei sobre culpa, eu falei sobre pessimismo, eh as pessoas podem ideias de ruína e essas ideias, né, o desespero, o desalento, todas essas ideias, elas precisam ser avaliadas e com por médico. Elas precisam ser conduzidas por médico, pro profissional médico. a hora que uma pessoa que não é médico, nem é psicólogo para poder fazer um bom encaminhamento, recebe isso. E diante da estratégia do CDV, eh, acontece que as pessoas não são orientadas a buscar atendimento médico, não são orientadas a buscar atendimento de urgência. Se alguém liga pro CV dizendo: "Eu estou com meios para a morte. Eu vou fazer isso porque eu quero morrer". O voluntário que tá lá, ele não pode dizer paraa pessoa não fazê-lo. Ele não pode chamar uma ambulância do SAMU e mandar pro local, inclusive porque as ligações são anônimas. Quem tá ligando não precisa dizer quem é e nem aonde está. A gente perde a janela da possibilidade de intervenção quando coloca um serviço como CVV e não deixa bem orientado se existe risco de morte, se existe o momento agora. em que a vontade de morte é grande, o que precisa ser feito? A pessoa não pode ficar só. Se for possível, ela busca alguém estar junto. Se for identificado que alguém próximo a você tá com vontade de morte, não a deixe só. Afaste dela todos os meios para que ela não se machuque. Se existe algum meio para se machucar, afasta adjunto dela e assim que possível leve ela para uma avaliação médica de urgência e emergência. Ah, mas a pessoa não tá aceitando. Chama o SAMU. Chama o SAMU 92. Não deixe para lá. Não releve. Pode ser um risco grave. E o CVD não tem capacidade de fazer essa gestão, infelizmente. E a gente consegue com artigos científicos, com avaliações técnicas, fazer uma comprovação de que é um serviço insuficiente para a prevenção de suicídio. Pode ter outros bens, tem outras facilidades, mas para a prevenção de suicídio não serve. O que a gente precisa é de gente do lado e apoio imediato com atendimento médico. Diante dessa situação delicada demais, a gente vai expandir a rede de apoio. Você trouxe a necessidade do apoio da família, de quem tá trabalhando junto, do amigo. Sim, é extremamente importante. Às vezes é difícil lidar com alguém que tem depressão e muitas vezes porque depressão é uma doença multifatorial e que tem um conteúdo genético, não é para quem quer, para quem pode, é que nem diabetes, não é qualquer um que vai ter diabetes, é só quem tem uma carga genética e que diante de outros fatores vai começar seus diabetes. A depressão também ela é multifatorial. E aí aug, ela precisa de outras questões, mas às vezes nas famílias, muitas pessoas da família tem a mesma doença mental e é difícil para uma família totalmente adoecida se cuidar mesmo assim, fortalecendo vínculos familiares, valores, considerando que durante o período de que tá tudo bem, como tá todo mundo são, né, fazer uma construção de uma estratégia de esperança. de auto apoio, sempre saber que sempre tem um caminho, sempre tem um jeito, sempre tem mais uma forma de considerar a o que tá passando agora, as dificuldades, o sofrimento, a dor e que para quem tá doente é muito muito grande. Às vezes é muito difícil. Quem tá pensando em morte fica com o pensamento muito mais canalizado e não consegue observar as variáveis que existem outras possibilidades. E aí tá a família, tal amigo, tá o colega de trabalho para junto apoiar, apoiar. E apoiar não é só escutar, não é só receber com empatia, com carinho, né? dar o suporte, mas ajudar também a buscar o tratamento adequado, o tratamento psiquiátrico adequado e manutenção desse tratamento para não deixar a bola cair aí, interromper e depois tudo voltar. O que eu gosto de fazer uma comparação é a seguinte. Se por acaso alguém da família da gente começa a dizer: "Ai, eu tô com dor no peito, eu tô tendo uma coisa, ai, tá, tá vindo a coisa uma agonia pro meu braço agora. Eu tô passando mal, eu tô passando mal. Pode ser gases, mas pode ser um infarto. A gente não fica esperando alguém que a gente ama pensando: "Ah, meu Deus, me fale sobre isso, deixa eu te dar mais abraço". A gente vai acolher essa pessoa, entender o que ela tá passando e vai chamar o SAMU, vai levar pra emergência, vai mandar pro médico avaliar e falar: "Doutor, isso é infarto ou é outra coisa que não é tão importante? Pode ser que chegue na emergência e sejam gases, pode dar dor no peito com gases e ok, que bom que não era o infarto. E também uma pessoa que chega para você e fala: "Olha, eu tô com vontade de morte, minha vida não vale a pena. Eu não tenho mais nada para construir na minha vida. Eu tô arrumando meus bens para dividir paraos meus familiares. Eu vou encaminhar meu gato, eu vou mandar pra casa de não sei quem." Então, comece a se organizar com plano pra morte. Não tá na hora de esperar para ver o que vai acontecer. Também tá na hora de acolher essa pessoa e levar pro atendimento médico. Então o que fica de mensagem, doutora, é que a gente não pode ignorar nenhum sinal, prestar atenção mesmo no que está acontecendo com a gente, principalmente e com quem está ao nosso lado, né? porque é algo simples, é essa percepção que vai fazer toda a diferença, né, para esse paciente. Quero agradecer imensamente a sua participação por trazer esse tema tão delicado, né, e deixar essa mensagem importante aí sobre essa conscientização. Dout. Sandra, muito obrigada mais uma vez. Eu que agradeço muito o convite e convido vocês para participar ativamente contra o preconceito no setembro amarelo. Obrigada. Muito obrigada mais uma vez. Bom, o programa Saúde à Vida fica por aqui. Esse conteúdo você pode assistir na íntegra pelo portal tvcamaracampinas.com.br. Temos um encontro marcado na próxima edição. [música] Até lá. [música] [música] [música]
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