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Bom, é isso aí, pessoal. Quadro de Olho na educação. E olha só, hoje um assunto super legal, super bacana, porque nós vamos falar sobre mulheres na física quântica. Pois é, conosco aqui a Camila, premiada. Eu vou falar já sobre, não é, a conquista dela, antes de mais nada. E aí, beleza? Tudo bem, Camila? Bom, bom, você conseguiu um feito importantíssimo aí, né? Conta pro pessoal em casa que certamente tá curioso, vencedora na categoria de melhor pôster no evento Mulheres na física quântica. É isso. Então, André, foi um evento bem legal. é um congresso que tem todo ano, chama Chiqui, que reúne os principais nomes, principalmente aqui do estado de São Paulo, de pesquisadoras, professoras que trabalham com a quântica. Então, ter ganhado esse prêmio para mim foi uma honra, um reconhecimento, né, dentro da quântica e principalmente desses nomes renovados de mulheres incríveis que reconheceram o meu trabalho. Bom, tô dando uma olhadinha aqui, Camila. É, ele foi promovido aí pelo Instituto de Física da USP. É isso, exatamente. Foi lá no IF. Coisa grande, hein? Coisa grande. Qual foi a sensação, a emoção sua quando você ganhou o prêmio? Ah, na hora eu fiquei até sem acreditar quando chamaram meu nome assim. É, é, é difícil explicar, mas é, é ter seu trabalho reconhecido, sabe? Foi uma honra muito grande. Conta sobre é esse seu pôster. Exatamente. Conta sobre o seu trabalho, o que que é. A gente tá vendo inclusive imagens também aqui no quadro de olho na educação. Então eu trabalho com esse STM, que é um STM principalmente voltado ao ensino, porque os os STMs mais usados em pesquisa, eh, ele trabalha em ultra alto vácuo, em salas com eh temperatura de milikvins, então é tudo muito gelado, tudo muito controlado. C ess que é o microscópio de tonelamento quântico, ele trabalha em aqui na em temperatura ambiente, pressão normal. Então, se a gente tem uma amostra que ela não vai degradar com oxigênio, a gente pode usar ele, porque a gente também consegue resultados muito bons. Então aqui no poster dá para ver que a gente consegue ver até a densidade de estados do dos átomos, né, que essa imagem com essas essas bolinhas para cima, né, são a é uma é uma composição de topografia e densidade de estado dos átomos. Então, não é somente um, não é somente o outro, é os dois. quase grego, tá? Eu tentei, eu fiquei pensando ali colégio, acho que o máximo que eu tirei em física foi 2.1, 2.3. Acontece, mas eu eu fiquei pensando em como simplificar, né, para para conseguir falar melhor, porque se eu for usar todos os jargões aí que ninguém vai entender nada mesmo. Por falar e falar grego, eu tô vendo que tá tudo em inglês. Isso. Eu preparei o o poster em inglês, mas a apresentação apresentei em português mesmo. Boa. Quanto tempo, Camila? para fazer tudo isso. Como que foi? Eu tô no terceiro ano da minha iniciação científica e foi um caminho a até chegar aqui. Eu brinco que na física experimental vai dar tudo errado antes de dar certo. Então você vai ter a ideia, ela vai dar errado, aí você vai ter que refazer, sentar, estudar, tentar fazer de novo. Vai dar errado. Na hora que dá certo a gente até agradece. Você fez sozinha? É, eu faço junto com o professor Leandro. Hum, perfeito. Mas não foi assim um trabalho em grupo, foi individual. É, é individual. É o Alessandro, que é o técnico aqui do laboratório, também me auxilia bastante, mas de como um grupo mesmo foi individual. Como surgiu a ideia? A aqui, né, no processo seletivo para iniciação científica, os projetos já vêm elaborado pelos professores, então a gente se se inscreve neles. E lá na Unicamp, eu tive uma palestra, né, sobre o STM, sobre quântica. Quando eu vi esse projeto, eu gostei na hora e me inscrevi e deu certo. O professor também é formado em licenciatura, então a gente deu um bom time. E você é estudante da Unicamp? Isso, eu faço licenciatura. E aqui na Ilon eu faço a minha iniciação científica. Hum, entendi. Qual foi o grande desafio aí de toda para você concluir esse trabalho e conquistar esse prêmio que certamente você vai levar pra vida inteira, né? Olha, todo ele é um desafio, mas eu acho que o principal é a funcionalização dessa sonda, porque ela vem pr pra gente, né, enrolada como se fosse uma corda de guitarra, mas ela é uma liga de 90% platina e 10% irídio. E a gente corta ela com alicate mesmo. E aí tem toda uma técnica de puxando, tentando deixar o mais fina possível. E a partir daí nada pode tocar nessa pontinha, porque se tocar nessa pontinha você perdeu sua sonda. E eu ainda recubro essa pontinha com o polipol. Então toda essa parte foi a mais difícil. Tanto é que a gente teve que desenvolver um porta-amostra que ele é como se fosse uma peça de Lego gigante com tampinhas para eu poder guardar essas amostras, essas sondas, né, com a pontinha para cima para nada relar nelas. Bom, e você disse que o evento reuniu aí inúmeras pesquisadoras de tantas e tantas gerações, né, Camila? Como foi isso para você? Fala um pouquinho mais sobre isso que é importante demais também. Sim, eu acho que é importante a gente dar visualização para as mulheres, né, nessa área, que é uma área que tem tão poucas, mas as que tem são mulheres de respeito e renomadas na nessa área. Teve a Paula Homem, que é a reitora da UFBC, a Crissa, que é a professora da USP de São Carlos, a Vivian que é professora da Unespas outras que com certeza tão esquecendo o nome, a Ingrid que é aqui do CNPEN também, uma mulher incrível e para mim foi realmente assim, eu eu acho que eu estou me repetindo, mas foi uma honra estar junto com ela. Quem sabe daqui a um tempinho eu esteja eh conversando com uma outra entrevistada, ela falou: "Olha, tava lá, Camila Fernandes". Nossa, vai ser uma honra gigantesca. Vou ficar muito feliz. Imagine que legal. Sensacional, né? Nossa, seria incrível. Bom, qual que é o recado que você deixa pras meninas, pras jovens, pras mulheres? como eh um recado assim para para incentivar mesmo quem tem a intenção de entrar nessa área, mas fica: "Puxa vida, será que vale a pena? É um ambiente muito masculino. Como é que é isso? Como que você pode falar sobre isso? Quando a gente pensa num cientista, eu acho que a primeira figura que vem na nossa cabeça de todo mundo é um cara com o cabelo todo bagunçado, grisalho, com jaleco, sozinho, fazendo ciência sozinho. E a ciência não é assim, a ciência em coletivo. E as mulheres precisam ocupar esses espaços porque nós somos muito criativas, muito estudiosas e é isso que a ciência precisa, criatividade, curiosidade e estudo. Então, venham pra ciência. O que tá faltando para cada vez mais mulheres conseguirem entrar nesse espaço? Eu acho que é mais divulgação e oportunidades mesmo. Divulgação porque a gente acaba vendo mais mulheres nas áreas das humanidades, mas nada impede elas de vir para as exatas também. como a Ilon te ajudou também, como tem te ajudado em todo esse processo. Olha, a Ilon, ela tem dado todo o aporte de equipamento, né, as salas de estudo, além do das amizades incríveis que eu fiz aqui. E o legal da Ilon é que é um curso eh multidisciplinar, então às vezes eu tenho dúvida de alguma coisa ou da área da química mesmo, porque eu sou da física. E aí a gente tem contato com outros estudantes e consegue fazer essas trocas, né? Porque a ciência a gente não faz sozinha, a gente faz conversando e trocando. E esses congressos são importantes por causa disso também. A gente vê o que a as outras pesquisadoras estão pesquisando, que a gente tá pesquisando, vai trocando ideia e vai construindo. Qual é seu próximo desafio, Camila? Você já tá pensando em algum outro concurso, em algum eh em alguma outra premiação? Tem alguma coisa em vista aí? Eu tenho alguns congressos em vistas esse esse semestre ainda, mas eu acho que agora eu vou focar mais em tentar entrar no meu doutorado. Vai fazer doutorado? Que é? Com certeza. Eu eu pretendo continuar nessa área de materiais. Puxa vida. Então é é uma área que você abraçou mesmo, né? Ah, eu adorei. Desde que eu comecei me apaixonei. E tira uma dúvida minha, porque às vezes as pessoas têm impressão de que nossa senhora, meu Deus do céu, uma coisa de outro mundo e tudo mais. Quantas horas você estuda por dia? Contando o tempo que você fica na universidade, enfim. Olha, eu chego a estudar umas umas 6 horas por dia, contando que eu tenha duas duas aulas de de 2 horas, então 4 horas na universidade, mais umas 2 horas por dia. Mas assim, nada que constância, né? Não é, é, não é que o assunto é muito difícil, mas você precisa ter a constância de não ter repetição, foco, né? Boa. É isso aí. Estamos entrevistando, galerinha aqui no quadro de Olho na Educação, a estudante Camila Fernandes, que foi a grande vencedora na categoria de melhor pôster no evento Mulheres na Física Quântica. Também aí já falamos, foi promovido pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo, a USP. Meus parabéns. Obrigada. dá uma resumida pra galera que chegou agora um pouquinho sobre a sua premiação pra gente encerrar o quadro de olho na educação e você foi super bem aqui também. Bom, eu apresentei o meu projeto de iniciação científica lá no Congresso Chique da USP, que contou com nomes renovados da física, né, a da de pesquisadoras renomadas da física quântica. E o meu projeto acabou sendo o escolhido com melhor pôster, melhor apresentação. E o qual que é a parte que você mais gostou desse pôster aqui? Ai, eu gosto muito dessa imagem que é de microscópio eletrônico de varredura, que é o círculo. Isso. E aí essa parte mais clarinha, né, é o que seria o platino e o irídio. E essa parte mais escura é o que é o orgânico, que no caso é o polímero que eu uso para revestir, que é o polipol, que ele é orgânico. Então dá pra gente ver essa diferenciação e como forma essa camada de revestimento. O que que é esse negócio verde? Ele falou que eu torço pro Guarani, então me chamou a eu sou palmeirense, mas é o meu portaamostra, como eu falei, é uma peça de leguinho gigante. É. E aí eu coloco as sondas de forma que elas fiquem sempre com a pontinha para cima. Lembrando que, como você disse, né, Camila, eh, aí tá tudo em inglês, mas você apresentou eh em português, né? E ali tá a conclusão. É isso. A gente consegue ver que o aonde, né, a as imagens que eu fiz com o polipirol, comparado com as a as imagens que eu fiz sem um polipirol, teve um estreitamento na nas galcianas, né, nessa distribuição. Isso indica que essa corrente de tonelamento do microscópio, ela foi mais certeira, teve menos distorção, menos ruído. Então é um indicativo positivo. E agora repetir testes para fechar certinho essas análises. Valeu, Camila. Muito obrigado pela sua entrevista pra gente concluir então as suas considerações finais aqui no quadro de Olho na Educação. Olha, de consideração final é uma chance pra carreira científica, eh, se se integre, tem vários eventos para trazer meninas do ensino médio para conhecer ciência. Então, tente buscar e venha para essa área porque é muito gostoso. É difícil, não vou mentir, mas é gostoso. Exatamente. Vamos deixar essa área mais feminina. Sem dúvida. Sem dúvida. Bem bacana. E é uma área que quem fizer certamente vai se dar bem na vida. Não tero não tenha dúvida disso. Obrigado, Camila. Obrigada. Valeu. Bom, pessoal, eu sou André Aranha e é claro que você já sabe. Tô sempre, ó, de olho na educação. Ciao