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[música] Bom, é o quadro de Olho na educação, pessoal. E olha, hoje um assunto super importante, porque nós vamos conversar sobre a importância da socialização infantil. Pois é, um assunto que muita gente tem dúvida, muita gente às vezes pensa que é de um jeito, mas pode ser de outro jeito. Conosco aqui a Laura, que é psicóloga, Laura Rios Moreira, tudo bem? Muito obrigado por nos receber aqui, Laura. Tudo bom? Prazer. Prazer é nosso. Bom, a gente está aqui no Paica, né, que é o programa de atenção integral à criança e ao adolescente. Primeira perguntinha para você, como funciona o trabalho aqui no Paica pro pessoal que não conhece? Claro. Tudo bom, gente? Bom, o Paica é uma OSC, a gente atende crianças e adolescentes autistas. Eh, nós temos um trabalho com as crianças entre 2 até 14 anos e é um trabalho eh interdisciplinar. Então a gente passa, enfim, as crianças passam por fisioterapia, terapia ocupacional, psicopedagogia, psicólogo, pedagogia, educação física, por várias áreas. E também os pais têm um atendimento para eles, opa, que é com arteterapia e com uma psicóloga que faz um trabalho em grupo. Além disso, recentemente, mais ou menos um mês, a gente começou com o grupo de habilidades sociais para os adolescentes, que ocorre nessa sala que a gente tá aqui agora, que a gente atende adolescentes de 15 a 18 anos. faz um trabalho em grupo com eles para trabalhar as habilidades sociais. Bom, inclusive você aí, a sala é super bem estruturada, bonita. A gente tava até brincando, né, Laura? Tá cheirando novo ainda, né? A sala é nova. Isso, nova essa sala a gente, acho que ela ficou pronta no começo do ano. Novinha. Então é, é desse ano. Desse ano, sim. Como eu disse, Laura, muita gente tem dúvida sobre esse assunto, né? a socialização da criança. Eh, que que você pode falar sobre isso? Até para fazer um alerta aí aos pais, as crianças autistas também, né, que a gente vai conversar bastante a respeito disso. Depois vou pedir para você falar eh um pouco mais sobre as atividades que são realizadas, mas que que você poderia falar sobre isso, por favor, Laura. Claro, sobre a importância da socialização, a gente muitas vezes acha que ela é importante só às vezes assim, ai não é para trabalhar com a pessoa, com te, só que a socialização ela é importante para qualquer pessoa em qualquer momento da vida. Então, na infância é importante paraa aprendizagem, porque é a partir da socialização, do contato com o outro que a criança aprende, tanto enfim, questões escolares, mas também sobre comportamentos e esperados pela sociedade, comportamentos necessários pro convívio social, como se relacionar com as pessoas no dia a dia. Eh, então a gente aprende a partir da socialização. A escola, por exemplo, é um ambiente social. Você tá lá com seus colegas e a professora. E a socialização ela acaba sendo importante durante toda a vida, seja na adolescência, na hora de desenvolver a identidade, ambiente de trabalho, seja às vezes quando se for fazer uma viagem. Então a socialização ela é algo que passa pela vida inteira da pessoa e desenvolver as habilidades necessárias para socializar é importante assim durante toda a vida. Bom, inclusive durante toda a vida, eh, inclui também eh, o nascimento, desde o nascimento, né? Isso. Como que é isso? Então, desde o nascimento, eh, quando a criança nasce, ela já começa a ter contato assim com a família dela, que é o primeiro ambiente social que ela tem contato. E é o primeiro ambiente social que ela aprende a, enfim, ser quem ela é. Então ela só vai pra escolinha às vezes com uns 4 anos, mas antes disso ela já tá com os responsáveis por ela. Se tem irmão, tá com os irmãos. E é nesse contexto que ela cria os primeiros vínculos sociais e onde ela desenvolve as primeiras eh percepções e noções do que que é eh enfim, o que que é a sociedade, o que que é esse comportamento social. Bom, tô dando inclusive uma olhadinha aqui nas minhas informações que vai muito além de estar perto de outras pessoas, né? Uhum. Também aqui, né, Laura, é importante que a convivência seja saudável e é preciso que a criança desenvolva autoconhecimento, autoestima e segurança emocional. Acho que isso é importantíssimo. Segurança emocional, né? É importantíssimo. É, uma das questões importantes quando a gente fala de socialização é a criança perceber as próprias emoções, expressar as próprias emoções e também perceber as emoções do próximo e entender essas expressões do próximo sobre as próprias emoções, sabe? E isso é muito importante, porque quando a pessoa consegue reconhecer, nomear e expressar as emoções, traz uma segurança para ela. Então é, e essa parte de socialização tá super envolvida nisso, porque também é no bem social que a gente sabe que é nomear felicidade, que é nomear tristeza, por exemplo, quando a criança cai e rala o joelho, os pais falam: "Nossa, você tá chorando, você tá triste". Aí ela sabe que ai esse sentimento se chama tristeza. É. Ah, isso é importantíssimo. Qual a importância do esporte assim na socialização? O esporte ele trabalha eh desenvolve o trabalho em grupo. Então, quando você pratica uma atividade física, eh principalmente para uma atividade em grupo, assim como futebol, vôlei e por aí vai, você tem que saber se comunicar com seus colegas de time, saber reconhecer às vezes uma linguagem não verbal, que às vezes tá no vôlei, você vai ter que olhar pro seu colega, trocar um olhar com ele e saber que tem que passar a bola para ele. Então, eh, no esportes trabalha essas questões. questão também de você saber esperar a sua vez, né, no vamos a temp, você não pode ficar o tempo inteiro com a bola de um lado ao outro do campo. Você tem que passar, esperar alguém te passar na própria luta também saber perder, né, artes marciais ou a natação, você chegar um pouco, né, às vezes você não chega em primeiro. Tudo isso lidar com emoções também é importante aprender desde criança, na hora. Com certeza. Porque você aprende, quando você perde na natação, por exemplo, você acaba desenvolvendo essa tolerância à frustração, que é importante quando você se torna, por exemplo, adulto e aprende a perder em alguma outra área da vida. Olha aí, que interessante, gente. É isso. Certamente é muito importante. Bom, atividades em dupla é legal, né? Eh, brincadeiras. queria que você falasse um pouquinho mais sobre brincadeiras, abordando também eh as questões que são realizadas aqui, as atividades. Você já deu eh já falou um pouquinho, né, no início da nossa entrevista. Agora eu falo um pouquinho mais sobre as atividades aqui. Perfeito. Eu falar um pouco sobre o trabalho que a gente faz aqui no grupo de adolescentes, tá? Tá bom. Porque o foco aqui são as habilidades sociais, a esse trabalho. Eh, as brincadeiras elas são importantes porque a gente aprende dentro de um ambiente lúdico habilidades que a gente vai usar no ambiente do dia a dia. Então aqui a gente tem alguns recursos terapêuticos que são ah alguns baralhos, alguns outros jogos que são focados para esse desenvolvimento de habilidades sociais, eh psicoeducação emocional, no caso do autismo, reconhecer o que é o autismo, né? Mas também assim, joga o tabuleiro do dia a dia, a gente consegue usar, porque com eles a gente também vai trabalhando, por exemplo, a frustração, trabalha, trabalha em grupo, esperar a vez, eh, às vezes a questão de agilidade, tem um jogo que eu joguei essa semana com os adolescentes que ela era pura agilidade assim, e isso vai desenvolvendo essa questão para trabalhar no dia a dia também, sabe? Então, a brincadeira é um ambiente lúdico que a gente aprende habilidades para levar pro dia a dia. Bom, eh, eu tô vendo que você tá falando bastante sobre saber lidar com a frustração e eu realmente leio muito sobre isso, que eu tenho um filho de 6 anos. Ah, legal. Então, quer dizer, eu me interesso muito além, claro, é de ser o apresentador aqui do quadro de Olho na Educação. Aliás, o aniversário do Francisco é hoje, dia 13 de agosto, dia que nós estamos gravando o programa. Você certamente tá assistindo eh em outros dias aí o programa, o quadro de Olho na educação. Como lidar com essa frustração? Eu acho que isso que você tem dito aqui, Laura, é super importante, porque, cara, é o que você falou, vai servir não só pra criança agora, a perder uma luta de taondô, perdeu um jogo de futebol ou o meu filho é bugrino, o Guarani perde, fica frustrado, ele vai levar pra vida inteira, né? Com certeza. Como que é isso? Bom, eh, essa questão da frustração, a gente pode trabalhar, é importante trabalhar desde pequeno, por quando a gente é criança, ah, o que frustra a gente são coisas, entre muitas aspas pequenas. Pra gente é pequeno, mas paraa criança é aquilo é a pior coisa do mundo para ela. Então ela perdeu um jogo pra gente, ah, só mais um dia, mas paraa criança aquilo impacta muito o desenvolvimento dela. E se naquele momento ela não aprende a lidar com isso, quando chegar na vida adulta e tiver coisas assim, vamos dizer, que impactam mais, então, poxa, não consegui uma vaga de emprego que eu queria, ele não vai conseguir lidar. E aí a gente tem outras situações, como a gente tem visto recentemente, pessoas que não sabem lidar eh com término de relacionamento, por exemplo, e aí aumenta o feminicídio e a pessoa não lidou com aquela frustração. É, exatamente. E descontou no outro. Então a importância de trabalhar desde cedo é assim, saber nomear primeiro. Então a criança tá triste, nomeia que ela tá triste, nome que ela tá com raiva, não deixa, não precisa necessariamente impedir ela de sentir aquele sentimento, mas ensina alternativas. Ah, está com raiva. Você não vai quebrar o brinquedo porque você perdeu. Expressa de outra forma, fala como você tá sentindo. Nomeia isso que é importantíssimo para entender que esse sentimento existe, ele vai aparecer, que momento que ele aparece, o que que eu posso fazer com isso que não seja. Então, esse é o X da questão, né, Laura? Porque muitos pais têm dúvidas quando a criança começa a fazer birra, que é normal. Ah, não vai. como lidar com essa [limpando a garganta] situação. Então, aí cada birra depende um pouco de você. Eh, o mais importante é você antecipar para evitar que a birra aconteça. Ah, perfeito. Olha aí, pessoal. Então, por exemplo, eu sei que meu filho, quando eu vou no shopping com ele, ele passa na loja de brinquedo, ele quer um brinquedo, ele quer aquele brinquedo, antecipa com ele, olha, a gente vai na loja de brinquedo, vamos comprar tal, tal coisa, brinquedo e assim, se a criança chorar, fazer a birra, enfim, reconhece para ela que ela tá triste, nomeia aquilo com ela. É preciso ter paciência consigo mesmo, com a criança, porque vai ser cansativo [risadas] e importante assim é não eh ceder o que ela quer. E então assim, se ela tá chorando para ter teu brinquedo, por mais que você fique 15 minutos com ela chorando porque ela quer o brinquedo ou mais, é ter um pouco de força naquele momento que é difícil, a gente sabe como que é trabalhoso isso. E vai sempre, enfim, antecipando para ela o que vai acontecer, vai eh criando combinados. Então, olha, você quer aquele brinquedo da loja? Vamos fazer o seguinte, no Natal você vai ter ele. Olha, faltam dois meses pro Natal. Isso. Então, é saber antecipar, saber prever, fazer combinados. Eh, porque a criança ela vai entendendo e com o tempo e muita paciência ela vai aprendendo um pouco sobre essas questões e como lidar com as emoções dela também. Boa. Então, as considerações finais aqui da Laura, estamos no Paica, que é o programa de atenção integral à criança e ao adolescente. Por favor, Laura, suas considerações finais aqui no quadro de Olho na Educação. Bom, eh, eu acho que pensando tudo que a gente falou até agora, né? é reforçar essa questão da importância das habilidades sociais, de eh oferecer paraa criança, pro adolescente, ambientes sociais para ele. Então, se puder matricular no esporte, coloca no esporte, na escola, eh, de preferência a tempo em conjunto com outras pessoas, então, em conjunto com amigos, com a família, importantíssimo isso. E sempre é importante, enfim, dar esse ambiente social, porque é nesse ambiente que ela vai desenvolver habilidades pro dia a dia e ajudar a criança a nomear as emoções durante esses convívios sociais, sabe? Que isso é importantíssimo. Valeu, muito obrigado. Bom, é isso aí, pessoal. Eu sou André Aranha e vocês já sabem, né? Tô sempre, ó, de olho na educação. [música]