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Bom, é isso aí, pessoal. Quadro de Olho na Educação. E olha só, hoje certamente mais um assunto super importante, porque nós vamos falar sobre dificuldade de alfabetização. Pois é, isso acontece e acontece muito. Por isso é sempre importante os pais também, evidentemente, estarem atentos. Conosco aqui a Luciana Curado, que é orientadora pedagógica, também é psicóloga. Tudo bem? Muito obrigado por nos receber. Obrigada a você pelo convite. Vamos lá, vamos, vamos entender um pouco sobre a alfabetização. Bom, como eu disse, de fato acontece eh não é tão anormal assim, né? Não, não, não. O processo de alfabetização, ele é ele é um marco no desenvolvimento da criança, né? né? Então a gente precisa saber o acho que o mais importante é o que esperar, até quando a criança precisa, estar alfabetizada. Acho que essa é uma grande dúvida que a gente tem. até os 7 anos, 8 anos, vamos dizer, o segundo ano do ensino fundamental, é importante que a criança já esteja lendo e escrevendo com uma certa segurança. É claro, ortografia, eh, gramática, isso a gente vai desenvolvendo ao longo das outras séries, mas é importante que ela já tenha um domínio ali de leitura escrita, já saiba qual a intenção daquela escrita, por que a gente utiliza a escrita nesse segundo ano do fundamental. Bom, e é importante que os pais estejam também sempre atentos, né? Acho que isso é é fundamental, né? Sim, sim. A família tem um papel muito importante na alfabetização da criança. Não é só a escola. É claro que na escola a gente trabalha com os professores com estratégias mais lúdicas, né? Olhando todo o desenvolvimento das crianças. Você não vai conseguir alfabetizar a turma de uma vez só, né? Cada criança tem seu tempo, tem a sua história, tem a o seu estímulo de casa. E aí você tem que traçar diferentes estratégias para atingir o desenvolvimento daquela criança. A família tem um papel fundamental, que é propiciar em casa um ambiente eh de leitura. Olha só, importante. Então, tenha o cantinho da leitura, tem um cantinho para que as crianças façam as atividades, às vezes fazer na mesa da cozinha, não é legal. Legal. O o momento da refeição. Exatamente. Uma mesa baixinha, um cantinho, os seus livrinhos, uma escrivaninha, lápis, caneta, papel, letras do alfabeto na parede, recursos para que a criança possa utilizar para fazer a tarefinha que a gente já começa a mandar para casa desde o primeiro ano, né? Uma outra dica super importante é o brincar. Escolha um dia da semana, dois, para ter o jogo da família. Então, hoje a gente vai jogar bingo de letras. A gente vai brincar de caçar eh objetos pela casa e a gente vai fazer lista. Acho que quando a criança percebe a intencionalidade da escrita, então, por exemplo, vai ter o aniversário, me ajuda aqui que a gente vai fazer uma lista com o nome dos seus amigos que você quer convidar. Vamos lá, põe aí o nome. Ah, eu gosto da Maria. Vamos lá, escreve do seu jeito, Maria. E a criança vai percebendo que aquela lista tem uma função, que é ver quem ela vai convidar, para onde ela vai. É um treino. É um treino e um entendimento para que que serve a escrita. Na nossa época alfabetizar, entender a letra era decorar, né? B com a bar, b. Hoje não mais. Mudou. E a gente tem para melhor, porque a criança quando ela tá envolvida, quando tem eh significado, a chance dela aprender se desenvolver e ter uma escrita funcional é muito maior. Como detectar aí os sinais eh que a criança não tá conseguindo encarar o mesmo alerta, né? Vamos lá, como a gente pode pensar, nem todo mundo da turma vai se desenvolver ao mesmo tempo, vai se alfabetizar ao mesmo tempo, porque cada criança traz a sua bagagem. O que que a gente faz? fica alerta aos progressos. Pode ser que o seu ritmo seja um pouquinho diferente do seu colega, mas você tá sempre progredindo, né? Então, a sua escrita tem melhorado, a sua leitura tem melhorado. Tá tudo bem, vamos acompanhar. A criança ficou muito tempo sem progredir, tá com a mesma dificuldade, não avança, sinal de alerta. Então a gente enquanto professor, enquanto escola, busca, encaminha para outros profissionais, se faz uma avaliação disso, como as crianças estão, o que é preciso fazer pra gente mudar a estratégia, pra gente pensar em novas estratégias e avaliações e fazer algum tipo de diagnóstico, se for o caso. Bom, tô dando uma olhadinha aqui. Achei isso aqui bem interessante. Dificuldade em conectar as letras com os sons, dificuldade em rimar ou eh brincar com o som, né, da das palavras, né, Lu? Isso. Eh, a criança tem que ter uma consciência fonológica para poder se alfabetizar, né? Então, ela tem que entender que aquele som é representado por uma letra e às vezes existe alguma coisa que compromete esse entendimento aí. Então, por isso que a gente encaminha para um outro profissional para avaliar. Não tem nada, descartamos tudo. Vamos trabalhar com mais estímulo, vamos orientar a família, né? Vamos brincar mais com essa criança em casa e na escola também. E a resistência à leitura é um problema também? É um problema, vamos dizer que é uma dificuldade, né? Você precisa, E aí que eu acho que entra, muitas vezes a gente, enquanto pai e mãe, a gente senta, vai mexer no celular e pede pra criança ler o livro da tarefa. É, [risadas] não é o modelo, não é o exemplo. Talvez, não, um momento de leitura, contar um livro antes de dormir faz toda a diferença. Contar uma historinha a hora da nossa leitura, vamos lá, fazer isso é um hábito na sua casa vai estimular a criança. E o professor sempre atento, sempre planejando, sempre trazendo estratégias para promover naquela criança o interesse, né? É, não é porque ele não tem interesse em ler que ele vai ser deixado de lado e a gente vai trabalhar com a turma que tá lendo. Ele precisa ser trazido para perto, ter um olhar diferenciado para isso. Então ele vai ser o ajudante do dia, ele vai até a biblioteca levar o livro, ele vai escolher um gibi. Eu já tive alguns casos de criança de 5º ano que não queriam ler o livro, mas amam ler o gibi. Não deixa de ser uma leitura. Então, ok, você leva o livro, eu gibi, tá bom? E aí a gente conseguiu estimular isso e que a leitura fosse ficando algo mais prazeroso pra criança. Pois é, muito bacana, bem interessante isso que eu ia abordar contigo, porque de fato quando coloca brincadeira junto, como você falou, eh você estou aí também do do gibi e tudo mais, eu acho que também tem aí um incentivo a mais paraa criança começar a gostar da da leitura. aquele negócio chato, chato. Eh, a caligrafia por por si só, né? A cópia, eh, a redação, escreva sobre suas, escreva sobre suas férias, não faz sentido pra criança. Então, se você traz estratégias lúdicas e algo que a criança sinta prazer em fazer, a produção vai ser muito melhor, né? Então, a gente tem que trazer o brincar para isso. Às vezes, formar a figurinha colorida e ali você escrever aquela sequência de figuras formando uma história é muito mais prazeroso do que você sentar e pensar em 15 linhas sobre as minhas férias, né? Então, a gente vai trazendo estratégias lúdicas, porque a criança ela não brinca, ela lê para brincar, não brinca para ler, ela lê para brincar, né? Mais ou menos isso. A gente, a brincadeira vem sempre em primeiro lugar, tá? Olha só que bacana. Olha que curiosidade interessante. Essencial. Não adianta querer pular fases, queimar etapas, né? E geralmente entrou no segundo ano, as famílias, né, e algumas escolas mais tradicionais mudam o mobiliário, é caderno, é lápis, é tempo de sala de aula. Esquece que ainda é uma criança que tá brincando. E se você troca isso por um bimbo de letras, por um jogo, por uma forca, por outras estratégias, a criança tá lendo, tá escrevendo, mas tá brincando, se divertindo, não? E o interessante também, né, Luciana, eh, você vai responder se sim ou não, mas uma boa alfabetização, ela acaba influenciando a a vida toda, né? eh, no restante aí ensino médio, eh, o trabalho, tudo, né? Então, assim, é super importante que haja de fato uma boação, um significado por trás disso. Quando a criança ela entende que através da escrita ela representa sentimentos, desejos, vontades que ela se expressa ali simbolicamente, ela consegue colocar no papel, ela vai usar isso pra vida toda de uma forma constante, né? Então não é só repetir, é ter intenção naquilo que você lê e escreve. Como funciona? Eh, um amiguinho pode ajudar o outro? Como é que é? Pode. A gente gosta muito nas séries iniciais de trabalhar em com as carteiras juntas, né? Em duplas. um ajuda o outro, eles fazem algumas atividades em conjunto, né, para expor depois. Eh, existe um momento de troca, pequenos grupos e eles têm que produzir algo em conjunto. Então, é permitido que eles estejam nessas duplas justamente formada com uma intencionalidade para que eles produzam melhor. É a pedagogia com intenção, né? a estratégia com intenção de ajudá-los a fazer desse momento algo divertido. Como lidar com aquelas crianças que não, puxa vida, não gosto de ler, não quero saber? Pequenas frases na prática, não. Ao invés de oferecer um livro enorme, começa com livros com mais figuras. Muita gente eh não dá o devido valor ao livro que não tem nada escrito, mas não deixa de ser uma leitura. pede pra criança contar para você o que ele tá vendo ali. Você registra para ela, vamos inventar uma história diferente hoje com esse livro que não tem nada escrito, né? Então, vá trazendo desafios, que a criança não se sinta eh insegura, ela não lê direito, então ela não quer ler grandes frases, começa a ler palavras curtas e você vai motivando a criança assim soltar e mostrar que ela sabe. Eu vou te dar um exemplo. Meu filho, ele tem 5 anos e meio, vai fazer seis. Sim, cara, é uma coisa impressionante até em cima disso que você tá falando. Ele adora futebol, não é? apaixonada por futebol bugrino já, evidentemente, né? [risadas] E assim como Walter, o nosso cinegrafista, né? E ele assim, ele quer saber todos os times. Então ele pega um papelzinho, ainda não sabe ler, escreve Francisco, aquelas coisas também escreve guarani. Mas aí ele pega o símbolo dos times, eh, eu desenho junto com ele, eu escrevo e ele fica sorteando. Papai, esse aqui é o Corinthians, esse aqui é Portuguesa, esse aqui é o Santa Cruz, esse é o Palmeiras. Isso ajuda também. Você tá alfabetizando seu filho. Lá. [risadas] Ele tem um interesse por times. Você aproveitou esse interesse, você tá fazendo uma simbologia do, né, do símbolo do time com o nome que você escreveu. Ele sorteia e ele já tá lendo ali, não de forma concreta, mas ele sabe que o Corinthians começa com C, que tá ali. Você arrasou na estratégia, sem saber, fez gol. Porque é isso, a criança quando ela percebe que tem interesse e que é algo que ela ele pergunta isso. Ai, papai, eh, Flamengo é com F. Ele pergunta isso. Isso. Perfeito. Perfeito. Que coisa impressionante. Perfeito. Eu achei que era só uma brincadeira. Não é uma brincadeira, mas uma brincadeira que tá despertando nele. Interesse pelas letras, interesse pelo cin pois. E com a Copa do Mundo agora ele quer que pegue os países Brasil, Argentina. Ag. O álbum. O álbum também é legal. jogadores. Muito legal. Olha que bacana, olha que dicas. Legal. É colecionar. Você vai ter, tem aquela tabela atrás, né, do álbum que você vai fazer num x, no número da figurinha. Você tem que ter um controle daquilo e depois você vai ler o nome. Depois quando você troca com o seu amigo, olha, eu tenho, né, sei lá, o Felipe, o jogador aqui, eu quero trocar pelo André. Tudo isso, a escrita, ela permeia o nosso mundo todo. Pra gente é muito fácil bater o olho e ler tudo. Pra criança pensa a gente no Japão e vendo todos aqueles símbolos que a gente olha e não entende nada. Se a gente fica lá um tempo, for sendo alfabetizado naquela língua, a gente vai começar a ler. É descobrir o mundo, né? É, é encantador ver uma criança descobrindo o mundo da leitura e da escrita. É encantador. É, vou focar mais nessa brincadeira também porque olha, depois eu mostro até o vídeo para você. Ele tem todos os times, assim, é uma coisa impressionante. E ele sempre vai na letrinha, papai. Eh, o Santos é com S, o Guarani é com G, o Vila Nova é com V. Legal. Muito legal. Muito legal. Que bacana. Começa a colar essas figurinhas na parede, aumenta para fazer um cartaz. Vai deixando isso exposto na casa. É isso. Você tá mostrando para ele que o que ele produz, o que ele faz é muito importante, não? E que legal. E os pais que estão conosco, conosco aqui assistindo ao quadro de Olho na Educação também, eh, podem pegar esse tipo de brincadeira. Outras, né? O meu gosta muito de futebol, mas de repente outros gostam de outra coisa e pode usar também, né? Basquete, é qualquer esporte, qualquer situação também, né? cores. Olha aqui a cor amarelo. Começa com a Uma dica legal. Uma mãe, eu fiz com uma mãe, a criança deu um boom na assim na alfabetização, na intenção, na vontade de escrever lista de compras. Olha, preciso ir no mercado, tô aqui lavando a louça, não consigo. Vai me ajudando, vou te falar. Então, a gente vai precisar comprar dois leites. Ai, não sei escrever leite. Não tem um ali. Copia. A criança ia lá e copiava. saía com uma lista enorme. Ela entendeu que aquela lista ia ser usada pela mãe no mercado. A mãe pegou a lista, falou: "Olha, ainda bem que você anotou aqui para mim, senão eu ia esquecer". Ela entendeu a intenção da escrita, começou a fazer lista para tudo. Olha, [risadas] escrevia do jeitinho dela, mas a mãe sempre, olha, você pensou certo, eu entendi o que você quis escrever aqui, né? E nessa brincadeira de fazer a lista, de fazer compras, a criança se desenvolveu super e teve um bom envolvimento aí no nesse processo de alfabetização. Que bacana, Luciana, muito bom papo, ótima conversa. Acho que deu para tirar algumas dúvidas, né, o pessoal de casa. Mais alguma coisa que você acha importante? Acho sim. O que eu queria mais frisar é brinquem com seus filhos. Essa brincadeira, por exemplo, né, que você já deu aí o exemplo de timid, que é o interesse dele, é essencial. Brincando, a criança se sente valorizada, mais segura, capaz do que é desafiado. Olha, ele já sabe que o G do guarani tá ali com o símbolo do guarani. Aproxima a gente, né? tem uma conexão com o nosso filho e tudo isso traz paraa criança é algo que ele vai levar pra vida toda. Eu sou capaz, eu consigo, eu tenho o meu emocional amadurecido para lidar com o mundo que vem por aí. É brincando que a criança se fortalece nessas questões. Valeu, muito bom, viu, Luciana? Muito obrigada. Obrigada a você, André. Obrigada. Pois é, pessoal. Eu sou André Aranha e você já sabe, né? Tô sempre, ó, de olho na educação. Ciao [música]