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Bom pessoal, é o quadro de ânio na educação. Olha eu aqui de novo, dessa vez para falar sobre educação e cinema, porque tem um projeto bem legal que circulou aí pelas escolas de Campinas, levando é muito aprendizado, criatividade, né, pra garotada, os estudantes. Aí uma forma bem interessante de entender e da debater sobre inúmeros assuntos. É o cine infância. Estou aqui inclusive com a Fernanda Viana, que é idealizadora e curadora do projeto. Antes de mais nada, como vai? Tudo bem, Fernanda? Tudo bom, obrigada pelo convite. Bom, para falar um pouquinho aí sobre eh o Cine Infância, que eu tive a oportunidade de acompanhar aí uma parte, é bem legal, bem bacana, né? Sim. Cine Infância é um projeto de cineclube nas escolas públicas em Campinas que acontece desde 2023. E a gente realiza sessões nas escolas, a gente leva os filmes, faz um bate-papo sobre o filme e depois a gente traz uma atividade que tenha relação com o filme, sempre pensando na diversidade, sempre pensando em trazer mais e possibilidades pras crianças. Bom, como surgiu essa ideia? Conta pra gente. Então, eu sou produtora audiovisual, trabalho com cinema e sempre gostei muito de cineclube, dessa ideia de não somente ver o filme, mas ver e depois conversar, debater sobre o filme. Isso. E aí a ideia de formação de público, como que a gente também leva isso paraas crianças, né, de as crianças terem esse hábito de assistir filmes que não estão somente na sala de cinema, né, filmes diferentes, filme que filmes que tragam outras abordagens e também conversar sobre o filme, não é só aquela ideia de comer pipoca, ver o filme e embora para casa. Então, essa formação de público nesse sentido, então a gente tem circulado por várias escolas em Campinas, já circulamos também pela região metropolitana em oito cidades na região metropolitana de Campinas e tem sido bem legal. Pois é, isso que você falou, eu acho bem interessante, né? Porque eh o debater depois o filme, eu acho que que é extraordinário, né? Inclusive, eh, a gente percebeu, né, várias crianças levantando a mão, perguntando, questionando, né? Sim. A gente, quando eu faço essa curadoria, a gente sempre pensa que diversidade que a gente quer trazer para as crianças, diversidade cultural, diversidade social, histórica, então são filmes que muitas vezes são produzidos em várias partes do Brasil, não só nos grandes centros, que vão, né, filmes de outras partes do Brasil que trazem outras abordagens, outras referências. Eh, também a questão de estética são, muitas vezes a gente tem filmes de documentário, de animação e de ficção, não só o desenho animado. Então, a gente traz tanto essa variedade, diversidade na temática, na narrativa, no conteúdo, quanto na forma também, na questão estética. E isso traz eh paraas crianças esse olhar, como que eles percebem isso, o que que eles vê de diferente que muitas vezes eles não têm essa oportunidade de ver num cinema no shopping, por exemplo. Quanto tempo tem cada filme que vocês apresentam? Os filmes sempre são curtametragens, até 15 minutos, para justamente a gente conseguir, né, ter esse tempo dessa exibição, ter esse bate-papo e atividade para não ser muito longo e para eles entenderem também que é possível você contar uma história em 15 minutos, em 10 minutos. Então o curtametragem é um formato bem interessante pra sala de aula justamente por a gente estar em escolas, a gente também não consegue trazer um filme de 1 hora e meia. É, não tem jeito, né? É isso. Qual foi o tema do filme de hoje? Hoje foi um filme que aborda a questão da acessibilidade. Eh, a gente tá numa escola bilíngua de surdos, então a gente trouxe um filme que trata da questão das crianças surdas e a questão do bullying, a questão do preconceito. Então, foi isso, trabalhar tanto essa essas formas de não violência, de respeito, de entendimento, de empatia com o outro, né? e entender um pouco eh desse mundo dos surdos. Então, a atividade que a gente trouxe foi de uma música para pessoas surdas. Como eles não ouvem, eles tiveram essa sensação das ondas vibrando, né, da vibração e sentiram isso no próprio corpo. Então eles não ouviram a música, mas eles sentiram a música no corpo, tanto as crianças surdas quanto as crianças ouvintes, para eles também terem essa possibilidade de experimentar e de vivenciar, né, e de ter a empatia com o outro. Bom, nós estamos na escola Júlio de Mesquita Filho, que fica aqui no Jardim São Vicente, em Campinas. Portanto, o Cine Infância aí é um projeto realizado com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Campinas, por meio aí da Secretaria de Cultura e Turismo e também do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas. um projeto bem legal, um projeto bem interessante, que é um projeto itinerante, né, que já havia sido selecionado aí em outras edições, foi inclusive eh também contemplado, olha só que coisa bacana, pelos editais da lei Paulo Gustavo, né? Bem legal isso, né, Fernando? Sim. Uhum. Sim. A gente foi contemplado tanto pela lei Paulo Gustavo de Campinas, então a gente rodou em oito escolas em Campinas quanto a Lei Paulo Gustavo Estadual. E aí foi a oportunidade que a gente teve de ir para oito cidades na região metropolitana de Campinas. Bom, como disse a Fernanda, toda a sessão do Cine Infância envolve, além da exibição do filme, um momento também de bate-papo com os com os estudantes, né? Tudo feito aí de forma lúdica, descontraída, planejada, bem legal, especialmente para o público infantil, coordenada aí antecipadamente em cada escola. Bem legal também para conscientização, né, Fernanda? Sim, o que a gente tenta fazer é a abordar para todas as faixas etárias. Então, a gente já fez atividades com nenén de colo com as famílias. Foi uma atividade que a gente fez junto com as famílias, neném de um aninho, né? A G1, a G2, Q3, 2, 3 anos, a G3 de 4 a 5 anos até o 5º ano. Então, a gente tem todas as faixas etárias, né, até o fundamental um, pra gente trazer toda essa diversidade para essas faixas etárias, eh, desde o menorzinho até 11 anos. Boa. O cinema na educação infantil pode ser utilizado como um recurso lúdico e e também pedagógico, que torna o aprendizado mais interessante, prazeroso e significativo, né? Por meio dos filmes, as crianças entram em contato com imagens, histórias, sons e personagens que facilitam a compreensão dos conteúdos e despertam a curiosidade. Tô dando uma olhadinha aqui. Esse tipo de atividade ajuda a sair da rotina da aula tradicional. Olha só que legal, pessoal. E cria também um ambiente mais dinâmico, favorecendo a atenção e a participação dos alunos. Tem um outro detalhe também, quando eles chegam em casa, é legal os pais perguntarem como foi lá o cinema na escola, que assunto. Sim, muitas vezes a atividade que a gente faz é alguma coisa que eles podem levar para casa, seja a construção de um brinquedo, seja a bexiga, como foi hoje. Então eles têm essa oportunidade de levar para casa e fazer em casa também. E a gente sempre incentiva, levem para casa, podem levar, podem experimentar isso em casa com a família de vocês, com os amigos, para que isso também se multiplique, né, nesse sentido. Então, é bem interessante a gente ver eles querendo levar para casa e querendo contar, querendo eh compartilhar essa experiência. Não sei se você vai saber de cabeça, mas quantas escolas vocês foram assim, mais ou menos, se não souber, em 4 anos. Vamos fazer a conta então. Oito escolas por ano vezes 4 32 pelo menos. Sim. E olha que eu sempre falo que sou ruim de exatas, hein? Que o meu negócio é humano. É que eu tô com um filho que vai fazer 6 anos e ele é super fera em matemática, então eu fico desenvolvendo com ele e tal. Mas essa também não foi tão difícil, né? [risadas] É sim. Boa. E qual o recado que você deixa pro pessoal que está conosco assistindo ao quadro de Olho na Educação e pais, muitos pais responsáveis assistem ao nosso quadro para entender cada vez mais sobre a importância da da cultura, do cinema, eh, para o desenvolvimento dos estudantes. Então, o que eu mais acredito é pensar o cinema brasileiro como a melhor maneira de se aprender, aprender sobre si mesmo, sobre a sua cultura, sobre a sua história, sobre o nosso povo, né? Então, várias manifestações culturais, várias questões estão nos filmes brasileiros. Muitas vezes as pessoas priorizam os filmes americanos por várias questões, OK? Mas que a gente não esqueça que a gente tem muita coisa muito rica, muito bem feita, muito muitas muitos diretores e atores muito talentosos e pensando justamente em produzir filmes que tragam questões relevantes, porque o cinema ele pode ser entretenimento, mas não só. Ele também é uma ferramenta de educação, é uma ferramenta que ajuda a mostrar eh as a a realidade de outra maneira e fazer a gente pensar. Então eu acho que vamos dar um um crédito pro cinema brasileiro. Como tá o cinema brasileiro, Fernanda? Perdão. Como tá na sua opinião? assim, tem crescido bastante. O que eu vejo é que com eh atualmente a gente tem tido bastante investimento eh com políticas públicas e isso ajuda muito a que mais pessoas tenham acesso a fazer filmes, porque a gente pode fazer filmes tirando dinheiro do próprio bolso, mas não é o ideal. O ideal é que a gente consiga ter maneiras de financiamento privado ou público, mas do poder público também, que ajude, que ajude a pensar nessas maneiras de viabilizar, porque o cinema ele não é só, como eu falei, o entretenimento, ele gera emprego também. Então a gente eh quando para fazer um filme, se você presta atenção nos créditos, quantas pessoas que tem ali, então tem às vezes funções que a gente nem imagina tem ali. Então ele tá gerando emprego, tá fazendo a economia rodar e tá é isso, fazendo também a economia [risadas] circular. Inclusive, eu gravei recentemente um Conexão Cultural, quem não assistiu na programação, tá sempre rodando, mas eh tem também no YouTube, né, sobre justamente o cinema, como nascem os filmes. É é é a Retranca, né, que é o título da do programa Como nascem os filmes. A gente entrevistou, não é? Cineastas, documentaristas, como disse a Fernanda, realmente tem todo um processo, é igual televisão, né? Às vezes as pessoas chegam e assistem ao a matéria, né, ao quadro e tudo mais e e até por falta de conhecimento, acho que é aquilo, né? Mas tem todo um trabalho antes, tem a produção, passa pela produção, tem uma reunião de pauta antes que envolve uma série de pessoas. Daí tem o trabalho do repórter cinematográfico. Hoje estamos aqui com meu grande amigo Valdecir Saraiva, o carioca. Tem a nossa participação, tem a edição, né, de de texto, depois tem a edição de imagem, né, toda a finalização editor de imagem, que no caso aqui do do Deução é o Ricardo Brunet, também um dos mais competentes do Brasil. Então, quer dizer, é toda e e essa situação que você falou. Então, é importante demais também pro cinema, né? Ter eh mais destaque, cada vez mais aparecer cada vez mais, gerando mais empregos, fomentando inclusive a cultura e a arte. Uhum. Claro que o Cine Infância também é um projeto bem legal que tá sempre precisando de de patrocínio, dar um amp sempre é muito bom, né, Fernanda? Sim, sim. É porque, infelizmente, a gente não consegue circular as escolas sem ter algum tipo de recurso, né? Eh, porque a gente compra o material, a gente eh todos os filmes que a gente usa, a gente paga um direito de exibição pra gente exibir esses filmes. A gente não pega o filme do YouTube, eu quero usar esse filme e coloco lá. Não tem sempre uma negociação com o detentor dos direitos do filme, porque é um trabalho dessa pessoa. Eu não posso pegar esse trabalho e usar sem dar nenhuma satisfação. Então, a gente tem sempre esse cuidado de ter essa negociação e a gente paga um direito de exibição para pro detentor dos direitos do filme e compra material, tudo que a gente traz aqui eh vem desses desses patrocínios, né, desses incentivos eh financeiros. Valeu, Fernanda. Muito obrigado e parabéns pelo trabalho de vocês. Obada. Boa. É isso aí, galerinha. Eu sou o André Aranha e claro, né, você já sabe, tô sempre, ó, de olho na educação. Ciao [música]