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Bom, pessoal, o quadro de olho na educação e olha, hoje a gente vai falar sobre um assunto super importante, porque abordaremos os 40 anos da Covest. Pois é, vamos falar aqui com o professor José Alves, que tá um pouco tenso, um pouco nervoso, que é a primeira vez você vai falar com a gente aqui, né, professor? Claro que é uma brincadeira. O professor já tem cadeira cativa aqui no quadro de olho na educação, sempre com assuntos importantes. Tudo bem, professor? Tudo bem, André. Um prazer falar com você mais uma vez. Boa. Sobre um assunto certamente tão importante, porque 40 anos não é para qualquer um, né? Inclusive, eu fiz uma reportagem agora recentemente falando a respeito dos 40 anos da Convest e foi muito legal então fazer 40 anos de um vestibular próprio, né, de ter uma identidade própria, isso representa muito também dentro da história da própria universidade. E ao longo desses 40 anos, foram cerca de 2.2.000 pessoas que prestaram vestibular. É muita gente, né? E obviamente que desse universo, né, nós temos aí um um tanto de de estudantes aprovados ao longo desses anos todos, né, que ultrapassa os 150.000 pessoas que entraram na universidade. Então, tudo isso é contar a história de vidas de pessoas, porque consequentemente alguém que presta o vestibular, que se inscreve para um vestibular, tá com aquela expectativa assim, que carreira eu vou seguir, né? Será que vai dar certo ou não? Então tem toda essa essa grande jornada que ia fazer um vestibular com características muito próprias, muito específicas e que se tornou um vestibular de referência nacional que é o vestibular da Unicamp. Não, e vem gente de todo o Brasil, né, professora? É impressionante. A gente fica sabendo de casos, de gente que vem de todos os estados, cidades, o Brasil, todo mundo, evidentemente, eh, gostaria de ter essa oportunidade de fazer um curso na Unicamp. Ao longo desses 40 anos, quais os principais desafios? Bom, o primeiro principal desafio foi de fato criar um vestibular próprio, né? E aí temos que retomar a frase do professor Ruben Alves quando ele escreve pro reitor que se é fato que nós temos que selecionar os alunos, não significa que nós tenhamos que selecionar da mesma forma. Então antes da criação do vestibular da Unicamp, todos os vestibulares eles eram exclusivamente de de múltipla escolha. Hoje também fazemos. Mas o que tem de diferente? Que antes o vestibular de múltipla escolha ele era na decoreba, ele não era interpretativo. Olha só. Então, lembra aquelas coisas, você deve, bom, acho que pelas idades nós devemos ser algo, eu sou mais velho que você, mas você ainda deve ter resquício de escola que fazia exercício. Exceção é com X, com C. É óbvio que isso é importante do ponto de vista de ortografia, mas é óbvio que isso não explica o contexto, a leitura. Então, o principal desafio e a principal marca da identidade do vestibular da Unicamp é a leitura e é a interpretação e é a produção de textos. Então a gente deu um peso paraa redação muito grande. Então isso também ajuda a qualificar aqueles que são os ingressantes do vestibular da Unicamp. E aí a medida do tempo foi crescendo, né? Foi trazendo sempre pautas muito contemporâneas e os desafios, eu diria que os desafios nunca são vencidos, porque a cada prova nós temos um novo desafio, que é também colocar uma prova que seja de referência, uma prova que vá selecionar os estudantes para entrar na universidade, mas eles também vão servir para quê? pros professores ensinarem em sala de aula. Então, a marca da Unicamp, ela vai além daquilo que faz no seu vestibular. Bom, tô dando uma olhadinha aqui no no release, professor. Ao longo dos anos, várias políticas foram estabelecidas aí para assegurar o direito à educação superior para todos os grupos, né? Como que é isso? Gostaria que que você falasse mais a respeito dessa situação, porque é uma tecla que a Unicamp bate bastante, né? Sim. Então, desde 1977 foi o primeiro vestibular e em 2003 começou a pauta, né, no cenário nacional por uma por uma série de questões relacionados a ao direito à cidadania e de que certos grupos não tinham acesso à universidade. Quando a gente olha os nossos dados aqui de ingressantes nos primeiros vestibularários, nós chegamos a ter eh índices escandalosos de pessoas que tinham renda acima de 40 salários mínimos, um índice bem alto de pessoas que entravam. Então isso era uma um quadro que se perpetuou por muitos anos. A partir de 2003 foi criada a primeira política de inclusão com a bonificação do pais, que era para fazer com que alunos de escola pública estivessem aqui. Com isso a gente tinha o que era muito em comum, né, professor? O que era muito em comum, foi a primeira universidade a criar. E aí nós criamos um modelo com as com a bonificação e a UERGE, a estadual do Rio de Janeiro, criou as cotas propriamente ditas. Então esses eram os dois grandes modelos. inicialmente nas políticas de ação afirmativa. Depois, ao longo do tempo, a gente percebe que a bonificação ela funciona, mas ela não produz um índice mais alto, porque depende de da quantidade de crescer muito o número de candidatos vindos de escola pública. E aí ao longo do tempo nós adotamos em 2019, como é do conhecimento, as cotas para pretos e pardos, o vestibular indígena, cotas para PCDs e para pessoas transente. Então, a universidade quer ter no seu contexto toda a diversidade da sociedade, né, que ela possa estar representada aqui dentro. Bom, olha só que que coisa impressionante, né? Tem a gente tá vendo inclusive as imagens do museu, né, que foi lançado também, mas e eh como eu disse, eu fiz a reportagem, eu fiquei impressionado porque vestibular lá de 1900 e bolinha, né, professor? Olha só, primeiro vestibular, 1654 candidatos para 50 vagas cursos de medicina. Ah, sim. Que coisa, né, cara? É, esse foi anterior inclusive à existência da Unicamp. A existência da Unicamp foi porque foi em 1961. Isso. Isso. Então, foi antes desses 40 anos. Isso. Então, isso é uma é o primeiro grande vestibular que teve do curso que existe hoje, né? Mas não existia nem a Unicamp, nem a Convest, né? Mas foi o primeiro vestibular. Bom, e também a criação do vestibular próprio, né, em 1986. Aí sim já isso daí foi a criação da da convest em 87. Aí a gente se separa da Fuveste. A gente fazia a prova com a Fuveste, que este ano tá fazendo 50 anos, né, que faz o vestibular da USP, porque nós precisávamos fortalecer a identidade da nossa universidade, porque muitas vezes o candidato se inscrevia, mas colocava lá um curso aqui de Campinas, mas não necessariamente vinha se matricular, né? Então, houve aí também esse essa percepção de que ter um vestibular próprio ajudava a consolidar a identidade da universidade. Então nós estamos pensando, né, se 77 fazia vestibar com FEST, né, nós, a Unicamp tinha 10 anos, era uma universidade que tava ainda começando, engatinhando, né? E aí quando ela tem 20 anos, nós temos um vestibular próprio, que daí o nosso vestibular, de fato, ele é muito mais radical do ponto de vista de proposição. Tanto é assim que o Enem vai sair a partir da equipe que tá fazendo o vestibular da Unicamp. Então, não podemos esquecer que o o reitor que cria a conveste é o professor Pinote, mas ele cria no final da da do mandato dele. O reitor que implementa o primeiro vestibular é o professor Paulo Renato, que veio a ser ministro da educação e que criou o provão, depois Enem, né? Então é esse é o e é e e foi nessa experiência dele, levou o grupo da Unicamp para trabalhar no INEP para poder fazer a prova que hoje é o Enem. Bom, bora falar um pouquinho sobre esse memorial, porque realmente é fantástico. Tem coisas eh históricas aí. Eu particularmente achei muito legal. Como que é? Quem pode visitar? Como surgiu a ideia de fazer esse eh memorial aí, professora? Bom, eu sou um historiador, né? E obviamente que ao fazer os 40 anos, eu queria muito poder estar aqui, poder contar essa história e poder registrar essa história, né? Porque a história do vestibular, ela é uma história também que vai perpassar as políticas de educação pública no Brasil. Pensar que o vestibular foi criado em 87, 88 nós temos a Constituinte. Então ele foi criado também nesse espírito da redemocratização, de poder debater todas as pautas, é o fim da ditadura e trazer um vestibular sempre muito dinâmico, né? Eh, e aí como que a gente conta essa história? as pessoas estão trabalhando aqui. Então o foco foi ver as pessoas que ainda estão aqui, que estão trabalhando, que cooperaram, que ajudaram a criar, que conte as primeiras histórias. Hoje nós temos uma sede maravilhosa, um espaço aqui que é extremamente confortável para você fazer a correção, mas já teve de tudo, já teve teto do ginásio que fazia a prova voando, já teve goteira em cima de prova, já teve todas essas questões, mas o fundamental em em 40 anos de prova nunca sumiu uma prova. Nunca assumiu uma página que a gente não tenha corrigido, nunca houve um candidato que furou o esquema de segurança. Então, tudo isso para nós é motivo de muito orgulho de falar dos nossos funcionários. E aí uma parte que eu acho a mais enriquecedora é exatamente o depoimento dos vários funcionários que trabalham aqui. Eles contam a sua vivência, o seu cotidiano, como é que foi chegar aqui e trabalhar, quais são os seus momentos mais marcantes. Então tudo isso tá registrado, qualquer pessoa pode vir, é gratuito. Tem só que agendar aqui no nosso horário que a gente trabalha aqui, né, das 9 da manhã às 5: da tarde, né? Então nesse período aí pode vir, podem vir escolas. Quando for escolas aí, obviamente tem que fazer um agendar pra gente poder ter uma estrutura, mas se for uma visita isolada de alguém aqui da comunidade da universidade, tranquilamente só chegar. Tem o fone porque tem os você ouve os áudios, tem você tem um documentário que tá também no YouTube. E esse mesmo memorial também está no YouTube, tá no canal da da Unicamp, né? Eh, ou no site aqui mesmo da Convest, você pode acessar esse material e ver aí da sua casa, né? E aqui tem um tem um quis, né, pr as pessoas ficarem brincando. Tudo isso é parte para ser bem. Foi bem. Eu fui bem. Acertei aí. Acertei 100%, professor. Ou tá muito fácil ou você tá muito muito muito grande campo de vestibular aqui. Bom, eh, deixa eu te fazer uma pergunta. Eh, a gente tá falando desses 40 anos, não é? E o que que você espera para os próximos 40 anos? Como você enxerga assim o vestibular da Unicamp daqui a 40 anos? É muito difícil responder essa questão, mas o espírito do vestibular é respirar sempre o futuro. Então o espírito do vestibular é respirar esperança. Então no sentido que a gente vai estar sempre acompanhando as tendências da educação. Nós vamos ter, inclusive aqui no segundo semestre um seminário internacional com especialistas que virão para falar como é que é o sistema de seleção na China, na França, nos Estados Unidos, na Argentina, no México. Nós vamos ter esse debate aqui, porque nós também sabemos que fazemos parte. Nosso vestibular é uma referência nacional e internacional e nós queremos estar sempre antenados em relação a ter condições de selecionar os melhores estudantes. Muitos criticam vestibular e faz sentido criticar no sentido de que é uma prova, seleciona, deixa muito gente de fora. Mas mesmo que tivéssemos vagas para todas as pessoas, as universidades de referência, as universidades de ponta, como é o caso da Unicamp, sempre vão selecionar. Existem países em que não há falta de de acesso à educação. Todos os cidadãos têm direito ao ensino superior, mas as universidades principais tem algum filtro para poder definir quem é que vai chegar ou não, porque como é que a gente vai definir os critérios para as pessoas estarem aqui. Então, eh, eu imagino que o vestibular, então, muito rapidamente retomando a sua pergunta, vai estar sempre antenado às demandas da sociedade, as demandas da universidade, porque também a universidade passa por grandes transformações, grandes impactos tecnológicos, né, que tem vindo aí com inteligência artificial e outras questões, mas o nosso compromisso fazer ciência, fazer ciência de qualidade, fazer produzir novos conhecimentos, nunca pode ser esquecido e é isso que a gente vai fazer fazendo vestibular pelos próximos 40, 50 ou 100 anos. Boa, professor. Essa pergunta e essa resposta certamente serão usadas daqui a 40 anos pro pessoal falar: "Puxa vida, será que é isso mesmo? Será que o professor já tava enxergando o futuro? Pode ter certeza. Eu não sei se estarei mais aqui, né? É, eu acho que eu pelo menos acho que não. É, você tá com quanto, professor? 55. É, eu tô com 47. Eu estaria com 87 anos. Você deve estar. É, tal, se eu estiver aqui, eu faço questão de ver eh essa pergunta e essa resposta certamente será eh usada. Bom, pra gente encerrar o nosso tempo já acabou, passou rapidão. Quais as suas orientações finais aí, professor? Bom, nós aproveito o quadro, né, que estar aqui para dizer que nós vamos abrir as inscrições para o vestibular dos 40 anos no próximo dia 3 de agosto, do dia 3 até o dia 31 de agosto. É muito importante que vocês venham pra universidade porque a convcha existe, porque existem os candidatos, existem os vestibulantes, existem as pessoas que sonham em estar nessa universidade. Temos dois cursos novos, né? temos a criação do curso de inteligência artificial e ciência de dados e o curso de relações internacionais que abrem este ano. Então isso tudo é parte das novidades já antecipando para vocês que serão divulgadas a partir do dia 3 de agosto, quando começam as inscrições do vestibular. Esse sim o vestibular dos 40 anos. Valeu professor, mais uma vez obrigado. Obrigado você André. Obrigado a todos vocês que nos acompanham. Boa. Muito obrigado, professor José Alves conversando conosco. Bom, pessoal, eu sou André Aranha e você, claro que já sabe, né? Tô sempre, ó, de olho na educação. Ciao