TV Câmara Campinas
TV Câmara
Campinas
Saúde mental

TV Câmara Campinas debate humor autodepreciativo entre adolescentes

Psicóloga Evelin Freire explica, no programa Ponto de Vista, como memes sobre fracasso e ansiedade podem sinalizar sofrimento emocional em jovens.

Por Redação TV Câmara Campinas
Psicóloga Evelin Freire durante entrevista sobre humor autodepreciativo entre adolescentes no programa Ponto de Vista da TV Câmara Campinas
Psicóloga Evelin Freire durante entrevista sobre humor autodepreciativo entre adolescentes no programa Ponto de Vista da TV Câmara Campinas

O programa Ponto de Vista, da TV Câmara Campinas, publicado em 19 de setembro de 2026, dedicou os 36 minutos de edição ao humor autodepreciativo entre jovens, fenômeno que ganhou espaço nas redes sociais por meio de memes e piadas sobre fracasso, ansiedade, cansaço, inseguranças e temas mais delicados. A entrevistada do episódio foi a psicóloga e pesquisadora de riscos digitais na adolescência Evelin Freire.

Segundo Freire, o ambiente digital funciona como uma extensão do espaço físico e amplia riscos porque reforça determinados comportamentos em uma dimensão maior. Enquanto uma piada do cotidiano acontece e se dissipa, o conteúdo publicado na internet permanece disponível de forma contínua.

Enquanto o humor natural do dia a dia é eu rindo aqui de alguma coisa, dentro da internet a gente tem o caráter que fica sempre disponível. A partir disso, a gente tem um humor autodepreciativo como um fenômeno que não é legal pro indivíduo.

A psicóloga explica que, dentro da psicologia, existem diferentes estratégias de enfrentamento e cada pessoa encontra a sua própria forma de lidar com o sofrimento. Para algumas pessoas, rir de uma situação difícil pode reduzir a sensação de anormalidade. Para outras, o mesmo humor pode aumentar o sofrimento, já que o algoritmo das redes sociais entrega mais conteúdo do mesmo tipo quanto mais ele é consumido, o que pode prejudicar quem já está fragilizado.

Sobre o motivo desse humor ter encontrado tanto espaço nas redes sociais, Freire associa o fenômeno à necessidade humana de pertencimento. Segundo ela, desde a época do Orkut já existiam grupos voltados a esse tipo de identificação, e hoje o mesmo padrão se repete no Instagram e em outras plataformas, incluindo o crescimento do Discord.

Identificação e riscos para adolescentes

A psicóloga cita os vídeos no formato POV, que geram identificação imediata e recebem comentários como "literalmente eu". Ela pondera, porém, que nem sempre um discurso autodepreciativo publicado on-line reflete uma intenção genuína, podendo ser apenas uma estratégia de enfrentamento ou, em outros casos, esconder um sofrimento real.

Freire destaca que adolescentes são mais vulneráveis a esses conteúdos do ponto de vista neurobiológico, já que o córtex pré-frontal, responsável pelo controle de impulsos, ainda está em formação nessa fase, enquanto áreas como a amídala já atuam em maior intensidade. Essa diferença de maturação cerebral torna os jovens mais impulsivos e mais suscetíveis aos efeitos do conteúdo consumido nas redes.

A psicóloga menciona ainda que um julgamento recente envolvendo a Meta reforçou a discussão sobre a responsabilidade das grandes empresas de tecnologia, as bigtechs, no tratamento desse tipo de conteúdo voltado a adolescentes. Segundo ela, punições têm sido aplicadas para que essas empresas assumam um papel mais responsável em relação ao público jovem.

Assista à íntegra

A matéria completa foi ao ar no PONTO DE VISTA da TV Câmara Campinas. Assista ao vídeo original: Ponto de Vista | Humor Autodestrutivo: Escape ou Gatilho?.

Vídeo relacionado

Acervo TV Câmara

Ponto de Vista | Humor Autodestrutivo: Escape ou Gatilho?

35:50 · 64 views visualizações