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[música] [música] Em 2009, o Supremo Tribunal Federal derrubou a exigência de diploma para o exercício do jornalismo no Brasil. Entre os argumentos estava a defesa da liberdade de expressão. 17 anos depois, a discussão voltou a ganhar espaço com a proposta de restabelecer a obrigatoriedade da formação superior. Mas o que mudou desde a decisão do STF? As justificativas usadas na época ainda são válidas hoje? E qual o atual cenário da profissão? É sobre isso que vamos discutir hoje, no ponto de vista com o segundo vice-presidente da FENAGE, a Federação Nacional dos Jornalistas e atual presidente dos sindicatos dos jornalistas profissionais do estado de São Paulo, Thiago Tangi. Thiago, seja muito bem-vindo ao ponto de vista. Olá, Camila. É um prazer estar aqui. Muito obrigado. Muito importante falar aqui com o povo de Campinas, né, com todo mundo que nos acompanha. Thiago, para começar, eu quero relembrar o que aconteceu em 2009. É a decisão do Supremo Tribunal Federal. que decidiu derrubar, né, a exigência do diploma para o exercício do jornalismo. Eh, o que aconteceu naquela época? Por que isso aconteceu? Perfeito. Esse é um debate, né, que, como você disse muito bem, eh, foi passado há algum tempo, mas ele voltou à tona. E não é por acaso que ele voltou à tona, né? Então, em 2009, eh, o STF, por meio de uma decisão monocrática e depois uma decisão referendada ali pela corte, derrubou a obrigatoriedade do diploma como um critério de acesso à profissão, né? Então, durante muito tempo pra gente exercer, né, a profissão de jornalista, a gente tinha que passar pela faculdade, né, e a partir daí você poderia exercer a professor jornalista. Então, eu particularmente sou formado em jornalismo, né? E também eu sei que muitos colegas são formados em jornalismo, continuaram mesmo após a queda do diploma. Me formei em 2012, foi bem na época ali da queda do diploma. Mas naquela época o debate era o seguinte, eh, a Constituição diz que a gente tem, né, todo cidadão, toda cidadã tem plena liberdade de expressão, né? Então, por conta disso, eh, não seria possível que houvesse algum tipo de barreira, por assim dizer, para fazer com que essa liberdade de expressão caísse. Mas aí acontece uma uma série de coisas interessantes que vale a pena compartilhar aqui, né, com o povo de Campinas, com todo mundo que nos acompanha. Bom, 2009 chegaram as redes sociais, né, chegaram os smartphones, chegaram ali hoje, né, TikTok, Instagram, enfim, todas as redes sociais. E a gente percebeu o seguinte, as pessoas talvez nunca tiveram tanta oportunidade de ter liberdade de expressão, né? E isso não tem a ver com a profissão de jornalismo. Uhum. Porque qual que é a diferença? E aí, pessoal, quem tá em casa vai saber muito bem. Você pode um comentário, né, na rede social expressando sua opinião. Se você é a favor, se você é contra, sem problema nenhum. Se você quiser, você pode sair da sua casa, ir num restaurante e fazer um vídeo falando, né, se o restaurante era bom, se o restaurante era ruim. Você pode ir no jogo de futebol da ponte do, né, do Guarani, de qualquer time de São Paulo, de qualquer outro lugar do Brasil e falar o que que se der do jogo, né, fazer uma análise tática do jogo sem problema nenhum. E isso tá permitido, né? Então a nossa luta é para que se volte o diploma como critério de acesso à profissão, mas a profissão jornalística, que é diferente de opinião, né? Então hoje a liberdade de expressão, né, que a gente defende absolutamente, ela continua. Mas a diferença aqui que a gente tá falando é do critério jornalístico, né? Porque a gente sabe que o jornalismo ele tem técnica, né? Quando a gente vai pra faculdade, a gente aprende uma série de questões ética, né? Como fazer uma reportagem, ouvir os dois lados, ouvir as fontes. E isso é algo que a gente tem que ter realmente, né? Uma formação. Sem essa formação, a informação ela tende a ficar pior, né? E no final das contas, quem paga isso é a sociedade, né? Com menos informação de qualidade, o que acontece? Mais fake news, mais desinformação. A gente não tem acesso a uma informação que ela é importante, né? Então, a informação é muito diferente da opinião, né, e a informação jornalística em específico. É por isso que hoje os sindicatos, né, e a Federação Nacional dos Jornalistas tem essa luta, né, para que seja por meio do do Supremo, né, que decida, ou também, e talvez seja mais importante, por meio de uma proposta em menda da Constituição, uma PEC, né, a gente volte a restabelecer o diploma. Então a gente assim, essa luta ela começou lá em 2009, mas ela se intensificou de fato nos últimos anos a partir da Federação Nacional de Jornalistas com a presidenta Samira de Castro. E a gente tem, né, feito esse esforço e acho que tem sido muito importante. A gente tem conversado com parlamentares, tem conversado muito em Brasília e conversado com a categoria de jornalistas em todo o Brasil que obviamente acho que tem uma boa recepção com isso, mas acho que hoje uma boa parte da sociedade também tem se despertado para esse tema. Sim. E você já abordou um pouco sobre isso, mas pra gente aprofundar um pouco mais, eh, quando se fala em diploma, né, de jornalismo, não se trata apenas ali na formação de aprender só a escrever, produzir reportagens. Quais conhecimentos e princípios, como você comentou, princípios éticos fazem parte da formação de jornalista? Perfeito. Isso é muito importante, né, colocar porque de fato quando a gente estuda, né, 4 anos uma faculdade de jornalismo, o que a gente assim durante esse tempo a gente aprende algumas questões técnicas, né? Então, como fazer uma matéria, né, seja ela televisiva, em rádio, em site, né, agora impresso, eh, mas sobretudo, né, como que essa matéria, como que esse texto, como que esse vídeo ele chega pra população com uma informação de qualidade, de interesse público, né? Porque a nossa profissão de jornalista, ela tem uma especificidade que é o seguinte, né? A gente tem que ouvir muitas pessoas e ouvindo essas pessoas a gente consegue levar, né, a informação da maneira assim da melhor maneira possível para que o leitor, o espectador que esteja em casa, ele entenda aquele assunto a partir de diferentes pontos de vista, né? Então o nosso papel aqui não é dizer uma verdade, não é dizer outra verdade, mas é tentar mostrar a realidade a parte de diferentes pontos de vista. Então, por isso que a gente tem que ouvir muitas pessoas, a gente tem que acessar muitos dados, a gente tem que ter acesso pleno à informação e isso a gente faz com técnica, né? Então é muito importante que as pessoas possam diferenciar isso. Acho que talvez seja essa coisa mais importante do debate, né? Quer dizer, a opinião ela tá garantida, né? As pessoas podem se expressar nas redes sociais da maneira que elas quiserem, elas podem produzir conteúdo, criador de conteúdo, influencer. Isso continua valendo, né? O que a gente coloca é que, na verdade, a gente tem que só diferenciar, né, esse tipo de conteúdo com o conteúdo jornalístico, que é um conteúdo de fato específico, né? Então o a nossa nosso dever, né, e é um dever que quando a gente sai da faculdade tem que fazer até um juramento, que é o que é importante, né, que a gente tem assim, tem tem que ter um compromisso ético, né? Então quando a gente apura uma informação, a gente pode gostar ou não, a gente pode ter uma opinião inclusive pessoal diferente daquela informação, mas a gente divulga aquela informação se ela de fato ela foi bem apurada, ela foi checada, né? Então isso que é importante que a gente, né, possa levar aqui pro público. Então eu acho que isso é algo muito importante. E aí essa PEC, né, que a gente defende, uma PEC que a a FENAD formulou lá atrás, 2009, inclusive, logo após aquela do diploma, ela inclusive passou já pro Senado Federal, ela foi aprovada no Senado Federal e hoje tá em tramitação na Câmara dos Deputados, passou por todas as sessões possíveis, né? Então agora, na verdade, ela tá para ser votada e é uma PEC muito simples, muito simples. Ela é uma PEC que tem assim, ela é desse tamanhão de paradas, porque na verdade coloca realmente, né, o restabelecimento do do ensino superior e o diploma de jornalismo como critério de acesso profissional e não penaliza as pessoas que durante esse tempo, 2009 até hoje, tiraram, né, o registro profissional a partir do Ministério do Trabalho sem entrar na faculdade. Então, essas pessoas não serão penalizadas. Isso é muito importante a gente colocar aqui, porque de fato é algo que olha pro futuro, né? Ela não retroage. Então acho que isso é assim é é algo muito tranquilo e agora de volta ao debate eu acho que fica muito mais sensível, né? Muito mais factível para as pessoas entenderem. Uhum. e você comentou sobre o trabalho do jornalista, né, que ele coloca ali diferentes vozes, diferentes pontos de vista, eh, de uma forma imparcial, sem expressar necessariamente a própria opinião dele. Eh, esse tipo de informação que chega até a população é uma informação de maior qualidade do que as outras que a gente vê, eh, principalmente em rede social, né, divulgadas? Com certeza, Camila. Assim, eu acho que o esforço do jornalista é ter muito tempo e dedicar muito tempo a ouvir diferentes vozes, ouvir diferentes pontos de vista, né? ouvir diferentes opiniões, consultar especialistas, consultar dados e a partir daí produzir algo, né, que seja mais ou menos consolidado para levar a melhor informação de interesse público pra sociedade. Eu acho que isso talvez seja a coisa mais importante que a gente tem que entender, né, de separar aquilo do conteúdo jornalístico de um de outro conteúdo qualquer que hoje a gente vê, né, [risadas] milhões, literalmente, sei lá, bilhões de conteúdos que existem nas redes sociais, né? Hoje a gente eh talvez nunca tenha tido tanto acesso a conteúdo, a informação. E talvez seja por isso mesmo que é importante, né, que a gente fortaleça o jornalismo, porque o papel do jornalista é realmente assim ajudar, né, a mediar e as pessoas e assim a navegar por tanta informação e entender o que de fato é uma informação verdadeira, o que de fato é uma informação que tem, né, uma uma base real, o que de fato é uma informação que foi checada, o que de fato é uma informação que tem interesse público, né? Então isso acho que é muito importante. Óbvio que as pessoas que estão em casa, pessoas que estão nos acompanhando, podem ter a opinião, podem ter, né, a avaliação que elas tiverem e acharem adequadas, né? Mas eu acho que o papel do jornalismo é ajudar a fazer isso, né? Porque com informação mais qualificada a gente consegue levar o debate público, né? Então quando a gente fala sobre desinformação, não é só a questão de mentira, né? Não é só a questão de assim essas coisas que obviamente elas acontecem, mas é muito mais que a gente possa realmente ter um debate público qualificado. E acho que isso que significa democracia. né? A democracia é que todo mundo tem acesso às mesmas condições, inclusive de informação, né? Eu acho que hoje quando a gente fala de acesso à informação, isso não deixa de ser um direito humano básico, sabe? A gente tem que ter acesso à informação de qualidade pra gente formular a nossa opinião. E formulando a nossa opinião, a gente com certeza faz com que o debate seja muito melhor, né? O debate seja muito mais aprofundado. Eu acho que isso é fundamental. Então, é por isso que eu acho que assim, hoje e a gente tem debatido muito, né, a valorização do jornalista. A gente sabe que hoje, por uma série de razões no mundo, né, uma é uma questão global, o jornalismo passou por muitas mudanças, né? Então hoje a gente sabe que as redes sociais elas têm um papel importante e tá sendo feito de jornalismo às vezes de qualidade, né? Muitas vezes de qualidade nas redes sociais com jornalistas profissionais, mas a gente sabe também que isso causou uma mudança estrutural, né, na comunicação global e no Brasil, obviamente também. Então, acho que esse é o momento da gente reafirmar nossa profissão e entender que inteligência artificial, redes sociais, né, tudo isso obviamente faz parte aqui da nossa realidade, mas o papel do jornalista e do jornalismo continua fundamental. Sim. E de 2009 para cá, né, como você comentou, eh, o Brasil mudou muito, o mundo mudou completamente, né, com internet mais avançada, rede social. Isso também eh mudou a forma como a população consome eh as informações, as notícias, eh tanto que eh notícias escritas muito longas, né, o pessoal eh tem mais dificuldade ali de conseguir acompanhar. Então mudou um pouco esse cenário? Com certeza, Gamel. Isso é é um fato, né? Então a gente sabe que durante praticamente um século, né? Durante o século XX, você tinha um modelo muito consolidado da comunicação. Então você tinha os jornais, as revistas, né? as televisões, os as rádios e hoje isso ainda continua, obviamente, né? Então, as pessoas ainda no Brasil e no mundo, né, a televisão ainda é tem um papel fundamental paraa comunicação, as rádios têm um papel fundamental paraa comunicação, né? Hoje, mal ou bem as pessoas ainda têm acesso aos impressos, né? Sejam jornais, seja as revistas, mas óbvio que o consumo diminuiu nesse sentido e o digital cresceu muito, né? Mas isso não significa que fazer jornalismo no ambiente digital se é diferente fazer jornalismo nesses outros meios, né? Eu sou uma pessoa que adoro revista, adoro folhar, né, o papel, mas a gente sabe, claro, que esses hábitos eles são hábitos de consumo, né? O que não muda, na verdade, é o seguinte. O papel do jornalista em levar informação de qualidade, levar informação de interesse público, levar informação que realmente, né, melhore ali a qualidade das do acesso das pessoas que vão ter essa informação. Então, hoje nas redes sociais eu tenho visto eh experiências muito interessantes, sabe, de fazer a linguagem do TikTok, né, a linguagem do Instagram mais aplicada ao jornalismo. Isso é possível de ser feito, né? Acho que a gente tem que tentar dialogar com as pessoas, mas eu acho que também sem a gente perder a perspectiva, né, de se produzir conteúdo de qualidade, em profundidade, a gente sabe que às vezes não é fácil, às vezes a gente sabe que a gente não tem tempo para isso, mas eu acho que é importante, sabe, a gente a gente dedicar pelo menos uma parcela, né, do seu dia ou da semana em acessar conteúdos que você vai ter uma maior profundidade naquilo que você quer, né, entender, porque com isso acho que você consegue formular melhor sua opinião, né? Acho que no quando a gente tá na a rede social que tem muito conteúdo assim, às vezes a gente até esquece, né? A gente vê um conteúdo, não lembro que que que qual foi o último que a gente viu e é normal, acho que faz parte da dinâmica, mas eu acho que até por isso é importante que a gente também, né, separe um tempo ali para entender que o conteúdo jornalístico ele tem um determinado papel que não é entretenimento, é o entretenimento é importante, é válido, é é faz parte da nossa vida, mas acho que o conteúdo jornalístico tem essa outra característica. E tem uma coisa importante, Camila, que a gente tem que colocar, que é o seguinte. E quando a gente defende a volta do diploma, né, o que a gente coloca é que as pessoas que, porventura não são formados em jornalismo, elas obviamente podem continuar trabalhando, né, num ambiente de jornalístico, por exemplo, omitindo opiniões, né? Então, às vezes você tem especialistas, né, especialistas, eh, quem gosta de futebol, né, às vezes tem comentaristas que foram exjogadores de futebol e essas pessoas obviamente tem esse tem um papel, né, tem um papel importante ali, tem um papel que faz parte da às vezes da dinâmica, as pessoas gostam de consumir esse conteúdo, isso tá garantido, né, inclusive na PEC ali, a PEC fala sobre isso, mas o que a gente realmente quer colocar em evidência, né, é que o trabalho jornalístico e o papel do jornalista, ele não é só ser preservado como uma reserva de mercado, né? Ele tem que ser evidenciado e valorizado como algo importante para democracia no Brasil e no mundo. Eu acho que isso talvez seja, né, uma grande questão aqui pra gente poder refletir. Uhum. E na rede social, né, com esse grande volume de informação que você comentou, que a gente acaba recebendo todos os dias por ali, na sua opinião, a população acaba confundindo eh o conteúdo que é jornalístico ali sério, de um conteúdo que eh não tem a a mesma responsabilidade. E isso também pode acabar manchando até mesmo essa credibilidade do jornalismo que a gente diz como sério, né? Com certeza. Com certeza. Eu acho que, infelizmente, mais uma vez, esse não é um fenômeno só no Brasil, é no mundo, né? Você vê muitas eh canais, eventualmente, principalmente nas redes sociais, mas hoje também no WhatsApp, né? Em em em canais de mensagem, eh algumas mensagens que parecem ser jornalistas, tem toda a carinha ali, parece que é um texto jornalístico, né? Tem o começo, meio e fim, tem informações ali, mas que a gente vê que são informações que elas não são verdadeiras, né? E isso é um grande problema. Então eu acho que quando a gente trata também dessa questão do diploma, né, vai resolver todos os problemas, talvez não vá, né, mas eu acho que ela tem um papel fundamental que é o seguinte, eh, ao se ter profissionais que t uma formação jornalística, né, passaram 4 anos na faculdade, né, entenderam as questões técnicas, as questões éticas, é provável, né, que você consiga, você consiga separar de fato, né, aquela informação que foi produzida, foi apurada, né, foi escrita por um professor profional que tem, né, essa, né, passou por esse processo, né, tem esse diploma que de certa maneira o qualifica para produzir essa informação. daquelas pessoas que tão tentando fazer um jornalismo, que na verdade não é jornalismo, né? Que na verdade às vezes não é só opinião que é pior, né? É você fazer uma informação que é mentirosa, é uma informação que ela é falsa e ela tem um um assim, ela ela é feita com consequência, né? Não é só a mentira pela mentira, né? É fazer uma mentira que na verdade muitas vezes pode afetar outra pessoa, pode afetar, enfim, né? Porque você tá querendo se beneficiar por algo particular. E isso é o contrário do jornalismo, né? O jornalismo ele busca o interesse público, né? Então, por isso que a gente tem que apurar tanta informação, por isso que a gente tem que ter credibilidade, por isso que a gente tem que ter ética, né? Porque a gente tem que fazer uma informação que seja de fato, não é no o interesse privado, né? O interesse que ele é público. Então eu acredito que esse é um ponto fundamental, né? Pra gente lutar de fato contra a desinformação, pra gente lutar contra as chamadas fake news. Mas assim, esse ambiente, né, que a gente não sabe muito bem, esse é verdade, não é? Sabe, às vezes a gente pergunta um monte de coisa com inteligente artificial ainda, muito mais. Então eu acho que o papel do jornalismo é esse, né? Fazer essa mediação e tendo um critério profissional, né? E tendo a volta restabelecimento do diploma, eh, vai resolver tudo de uma hora para outra? Não vai, mas eu tenho certeza que vai aprimorar muito, né, as condições ali para que a gente possa ter mais informação de qualidade. Sim. E com essas eh novos adventos na inteligência artificial, novas formas de produção de conteúdo, como que a população pode se respaldar para conseguir ter confiança ali no que ela tá consumindo? Olha, acho que isso é o papel fundamental do jornalista, porque de fato a gente até debate, né, fala: "Ah, a inteligente artificial vai tirar o trabalho dos jornalistas, isso pode acontecer." É um debate a ser feito, mas eu não tenho dúvidas que o jornalista de carne ossoso, né, ele tem a capacidade, né, de entender e apurar e fazer ligação e mandar e-mail e conversar com o especialista justamente para tentar entender se aquilo é verdadeiro, se aquilo é falso, se aquilo foi criado, né, a partir de uma IA ou se aquilo de fato tem alguma materialidade, né? O papel do jornalista ele continua, né? Então acho que isso talvez seja a coisa mais importante que a gente tem, né? Porque apesar da tecnologia, apesar de todas as transformações, o CN do jornalismo, né, quer fazer esse trabalho de apuração, quer fazer esse trabalho de, né, pegar as informações que muitas vezes elas estão ali, né, esparsas e tentar trazer um senso a essa informação. Isso é não só continua como se fortalece, né? Porque agora eu acho que é isso, a gente navega, né, com tanto conteúdo e muitas vezes conteúdo gerado, né, por tecnologia. Então, conteúdo que é 100% gerado por tecnologia e muitas vezes esse conteúdo, claro, pode ser um conteúdo que seja válido, mas muitas vezes é um conteúdo que leva desinformação, né? Então eu acho que de fato o papel do jornalismo, mas sobretudo o papel da jornalista e do jornalismo se afirma com isso, né? É o papel do jornalista é ser de fato mediador, né? E e de fato ajudar a sociedade a levantar esse debate, né? E também falar: "Olha, isso daqui não é verdade, né?" Então eu acho que quando a gente tem a formação profissional, isso nos fortalece, né? Eu acho que a gente, da mesma maneira que a gente tem profissionais que depende de uma formação superior, né? Porque não é porque a pessoa é melhor do que a outra, mas é porque ela se preparou para isso, né? Porque ela teve ali uma série de conceitos que ela entrou em contato e a partir desses conceitos ela conseguiu se formar profissionalmente, né? Então no jornalismo não pode ser diferente porque senão a gente cria uma distorção que é muito ruim, né? E é uma distorção que de fato vai gerar problemas, não só, né, no no na na questão ali do ah do que tá vendo no jornal, na TV, não, não é isso, né? A gente tá tratando de problemas muito sérios, muito profundos, né? Então acho que isso é uma coisa importante pra gente tratar. Sim. E mesmo com a não obrigatoriedade do diploma, muitas pessoas ainda se formam todos os anos em jornalismo. Mas como que tá a carreira atualmente? Qual o atual cenário da carreira de jornalismo no Brasil? Perfeito. É, de fato, é isso. É muito interessante, porque faz desde 2009 que o diploma não é obrigatório, mas todos os anos milhares de pessoas do Brasil todo se formam em jornalismo, né? Eu mesmo me formei, muitos colegas se formaram após, né, essa decisão que que aconteceu. Então isso demonstra uma coisa importante, né? Demonstra que as pessoas eh os jovens, né? E depois serem formados têm interesse no jornalismo, né? O que é muito importante, tem interesse em se formar como jornalista, porque entende que é importante ter essa esse essa formação, entende que é importante passar para uma faculdade, entende que é importante que o ensino superior o qualifique, né, para você poder entender, assim, entender desde o básico, né, mas também entender discussões ali que fazem parte do jornalismo, né? Então a questão ética ela é muito importante, né? Debater, sabe, na na sala de aula, debater com os colegas, questões concretas, sabe? Então, ó, até até mesmo criticar e é muito legítimo, né, que a gente olha, eh, tem uma matéria que foi publicada, foi ela foi correta, né, ela poderia ter sido feita de uma outra maneira, ela poderia ter sido melhor apurada, isso a gente passa na faculdade, que é muito importante, né? Mas é óbvio também isso, a gente tem que tratar que hoje a profissão de jornalista ela passa por desafios, né? Ela passa por desafios. Então a gente convive hoje com o enxulamento, né, dos postos de trabalho, que é algo muito preocupante. A gente vive a precarização das condições de trabalho, que é muito preocupante. A gente luta para ter melhores salários, salários dignos, né? Mas isso é uma coisa que é uma luta constante, é papel de sindicatos fazerem, né? Mas a gente percebe que isso no Brasil e no mundo vem acontecendo, né? Então por isso que a gente acredita que o a valorização do jornalismo passa obviamente pra gente ter direitos, pra gente ter salários dignos, né? pra gente poder exercer nossa profissão com de fato liberdade, com segurança. Mas o diploma, né, de certa maneira é algo também que restabelece, né, a valorização, que restabelece a dignidade profissional, né, e que nos fortalece, né? E eu acho que ao nos fortalecer, a gente consegue ter um papel ativo na sociedade, né? é um papel que de fato a gente consiga levar pra sociedade ao que, né, as profissões são que tem tantas profissões que elas têm um papel muito relevante, né, para que a gente consiga ter uma sociedade cada vez mais desenvolvida, né, cada vez mais democrática, né, cada vez mais inclusiva. Então o jornalismo também passa por isso. Então eu acredito que é fundamental, né, que a gente faça esse debate, que a gente entenda, né, que de fato a profissão de jornalista é uma profissão essencial, né, nos tempos que nós vivemos, por tudo que é aquilo que a gente colocou aqui, mas é uma profissão que ela tem que ser permanente permanentemente valorizada. Uhum. E essa perda, né, de postos de trabalho e também as mudanças nas formas eh de contratação, como que essa precarização eh tem afetado os profissionais da área também. Perfeito. Isso é muito importante da gente tratar, né? Então, o estado de São Paulo é o estado que hoje mais concentra jornalistas, né? Obviamente porque conta com as maiores empresas, né? Você tem os jornalistas atuando em diferentes segmentos, né? Então, claro, você tem o segmento de sites, né? De revistas, de jornais, o segmento televisivo que é um segmento que emprega muitos jornalistas, né? O segmento de rádio, segmento de assessoria de imprensa, né? Porque a gente considera que jornalistas são, né? Jornalistas são assessores de imprensa, assessoras de imprensa são jornalistas. Então assim, isso é algo que a gente sabe que o estado de São Paulo ainda é um grande empregador de jornalistas, mas a gente enfrenta sérias, né, sérios desafios que a gente tem que tratar aqui. Então, uma questão que pra gente é muito cara, né, e é muito importante as pessoas entenderem, inclusive esse é um debate que a gente tem que fazer, é essa questão da precarização da relação de trabalho e do contrato de trabalho. Hoje o que a gente vê é o seguinte, a carteira de trabalho, pessoal, ela ainda existe, né? A gente pode, tem gente que faz piada até, mas a CLT ela é importante porque a CLT consolida direitos, né? E hoje, infelizmente você tem muitas empresas, você tem muitos jornalistas que trabalham sobre um regime que não é da CLT, é o regime chamado PJ. Quer dizer, a pessoa é quase uma empresa, só que na verdade ela tem horário para entrar, tem horário para sair, ela bate ponto, ela tem chefia. Então, na verdade ela é uma empregada, né? Ela tem, ela é assalariada, ela não é uma empresa, né? Então, a gente vê isso em outros, em várias outras profissões, mas no jornalismo isso muito nos atinge. E qual que é o problema disso? O problema é precarização, né? Então a gente tem, essas pessoas não conseguem negociar salários, né, permanentemente, porque a pessoa ela ela tem que negociar com os patrões. A gente sabe qual é a dificuldade concreta disso, né? Todo mundo sabe. A essa pessoa, ela não tem jornada de trabalho, né? Essa pessoa, ela vai ter um problema muito grande em relação à sua aposentadoria, né? porque ela não muitas vezes não se recolhe os tributos necessários. Então isso assim hoje inclusive há um debate, né, um debate no Brasil que é muito importante ser feito, que de fato a gente tem que afirmar as condições de trabalho de de toda a população, obviamente, mas a nossa categoria específica, né? A gente tem que afirmar as condições de trabalho, a gente tem que afirmar a carteira de trabalho, né? Porque nós jornalistas somos trabalhadoras e somos trabalhadores, né? A gente trabalha nas empresas, a gente é assalariado, né? Então, por conta disso, a gente tem que ter direito. Pra gente poder fazer essa profissão, que ela é tão importante, tão fundamental pra democracia, a gente tem que exercer essa profissão com direitos. E é por isso que um sindicato existe, é por isso que uma federação de jornalistas existe, para que a gente possa se reunir, para que a gente possa conversar e para que a gente possa dizer em alto e bom som, né, que a gente tem que ser valorizado, a gente tem que ter salário digno, a gente tem que ter condições dignas de trabalho, né? A gente tem que ter uma carga de trabalho que seja, né, condizente ali com o que tá na lei, inclusive. Então, acho que isso é muito importante, né? Então, a gente vive um desafio, é fato, mas eu acredito que quando a gente consegue se unir, né, em torno ali de desses objetivos, a gente se fortalece muito. Sim. E Thiago, diante desse cenário, né, na sua visão, eh, os cursos de jornalismo precisam se reinventar a partir dess de todas essas mudanças, né, não só de mercado, com eh rede social, inteligência artificial, mas também para conseguir atrair novos profissionais pra área. Isso é uma questão muito interessante, Camila, porque de fato assim eh a gente percebe, houve uma queda, né, sobretudo eh nas faculdades de ensino privado, né, de de novas matrículas. Isso é é um fato que a gente acompanha, mas por outro lado assim a a procura pela pelo curso dealismo, ele continuou. Agora é óbvio, né, que com todas essas mudanças tem coisas que eu acho que elas permanecem, né? Tem coisas que elas permanecem. Então, os princípios da profissão, olha, você pode estar em qualquer fazendo jornalismo em qualquer lugar, né? Numa rede social, numa TV, numa revista, num jornal impresso. O princípio ele eh o princípio ético, né? O princípio da apuração jornalística segue o mesmo. Agora, é óbvio que é muito importante que a gente consiga e na faculdade, né, e que a gente tenha também essa formação para poder se capacitar tecnicamente, né, para que a gente consiga ter entender e ter acesso, né, a esse debate sobre as tecnologias, né, esse debate que a gente desenvolve, inclusive do ponto de vista, né, eh, da dos outros, né, do da, né, das outras matérias ali que fazem parte do currículo, né, jornalístico. são matérias ligadas a a humanidades, né, tudo mais, mas eu acho que isso é algo que tem que ser constantemente aprimorado, né? Porque obviamente que hoje eh quando você, né, quando eu me formei, você tinha ali uma grade curricular que ela ela dizia muito a respeito do jornalismo técnico, né, que tava sendo colocado. Então, se se priorizava a questão dos impressos, né, você tinha ali até a questão do design, mas com uma lógica, com com os recursos disponíveis na época, né? Hoje, obviamente, a gente tem muito mais recursos disponíveis e a gente tem que saber, né, como utilizá-los da melhor forma possível, né? Então, é óbvio que é necessário que haja, né, que os os cursos eles olhem, né, essas mudanças, mas façam isso também de uma maneira crítica, né? Quer dizer, eu acho que uma coisa que é importante é, por exemplo, falar sobre inteligência artificial. É importante que os cursos abordem essa essa questão, obviamente, né? a gente não pode fazer de conta que isso não existe, mas também acho que a gente não pode eh aceitar, né, esses recursos como se fosse algo já dado, né, porque a gente tem que olhar para isso criticamente, né? Entender de fato, olha, eh, todo mundo tá usando IA, então, mas todo mundo tá usando faz sentido, né? Porque às vezes a gente percebe e isso é uma coisa que essa é outra coisa muito importante. É apesar da IA existir, o papel humano do jornalismo, ele segue fundamental, porque a IA o que ela faz? Ela pega muita informação e sintetiza ali essa informação que ela existe. Só que nós jornalistas humanos, a gente produz nova informação, né? Uma coisa que até o momento OA não consegue fazer. Então eu acho que isso é algo que é importante. É óbvio que a gente tem que debater isso nos cursos de de formação jornalística. a gente tem que ter essas questões, mas ao mesmo tempo acho que uma visão crítica, né? Uma visão que tem um debate, uma visão que a gente que jornalisticamente que a gente sabe muito bem, olhe diferentes perspectivas, diferentes lados. Então eu acho que isso é muito importante porque acho que isso qualifica, né, o profissional que vai se formar, isso faz vai faz vai fazer com que o profissional ele tenha uma perspectiva ampla da profissão, né? Mas ao mesmo tempo ele tem uma visão, sabe, de entender que muitas tecnologias, né, muitas muitas questões estão colocadas, elas têm que ser realmente analisadas a partir de um critério crítico, né, não um critério de que isso é algo que tá colocado e e a gente não tem o que fazer em contrário a isso. Eu acho que isso é muito ruim, né, a gente aceitar simplesmente as mudanças, porque muitas vezes são mudanças que não são positivas, não só pra nossa profissão, mas pra sociedade, né? Sim. E Thago, se a nossa realidade, porventura, vier a mudar, eh, a PEC que vocês estão lutando, você e a Fenage, para ser aprovada, né, eh voltar à obrigatoriedade do diploma. O que na sua opinião precisa ser feito para restabelecer o respeito eh da profissão, do jornalista, eh, perante a sociedade, eh a valorização também desse trabalho. Perfeito. Então, assim, a gente tem muita esperança que de fato a PEC, que já voltou à discussão, né? Então, esse debate voltou a debate público nacional, isso é fundamental, né? Então, a gente acredita realmente que é possível que é que a PEC ela seja votada, né? que a PEC seja aprovada e que o diploma seja restabelecido. Então, acho que a partir disso abre-se um novo cenário, né? Quer dizer, então as pessoas que porventura não têm o diploma, né, podem continuar exercendo a profissão, sem dúvida nenhuma, e serão respeitados por isso, obviamente. Mas eu acredito que eh até para um ponto de vista não só simbólico, mas ponto de vista concreto, né, quando se coloca o retorno do diploma como um critério de acesso à profissão, eu acho que em primeiro lugar isso já gera, né, acho que eh simbolicamente pra sociedade também essa questão de que há a valorização da profissão, né, que há o respeito da profissão, né? Então acho que isso é muito importante, né? E obviamente, claro, a gente não não pode ter um debate, né, nesse período que vai, né, serão alguns anos ali entre diplomados e não diplomados. Obviamente que não se pode ter, né, nenhum tipo ali de eh discriminação, né, isso não pode acontecer. Mas eu acho que com certeza, né, quando você tiver o, né, o o diploma como um critério estabelecido, né, isso vai fazer com que as pessoas passem a refletir, a sociedade passe a refletir, fala: "Olha, há uma profissão, a profissão jornalista, essa profissão é uma profissão importante, né, essa profissão, ela tem um diploma, né, e esse profissional ele tem um papel a cumprir, né, o papel de garantir a livre circulação de informações, né, de garantir com que as informações de interesse público elas passem pra sociedade, né, para garantir que o debate público melhore para garantir que a gente saiba o que é informação jornalística e o que é opinião, o que é desinformação, né? Então, acho que é um é um passo importante, sabe? É um passo importante que eu tenho certeza que vai ter impacto, né, na valorização das da dos profissionais, vai ter impacto nos direitos, vai ter impacto nos salários. Eu não tenho dúvida disso, né? Então, acredito que esse primeiro passo será fundamental para que a gente consiga avançar. Sim. E a gente falou muito de precarização, né, da carreira. Acho que é importante a gente pontuar também sobre os ataques sofridos por muitos jornalistas que nos últimos anos tem acontecido, tem aumentado muito. Perfeito. Muito, é muito importante essa pergunta, Camila, porque de fato eh o papel do sindicato, né, da Federação Nacional de Jornalistas é defender condições de trabalho. Então isso passa por salários, passa por direitos, mas passa também pelo fato de que a gente enquanto profissional tem que exercer nosso trabalho sem sofrer nenhuma ameaça, sem sofrer nenhum assédio, sem sofrer nenhum ataque, né? Então, a gente sabe que nos últimos anos, né, sobretudo eh de 2019 até 2022, a gente passou por um período muito difícil em que foram documentados. A FENAGE faz um relatório anual, né, um relatório de violência contra jornalistas e durante e nesse período os casos explodiram, né? Então, obviamente isso tem relação com a conjuntura política do país, né? É, hoje felizmente os casos diminuíram, mas eles ainda existem, né? Então, os jornalistas eles ainda são ameaçados, né? ainda sofrem com processos judiciais, que são processos que às vezes, né, o mesmo autor que não gostou de de uma matéria, uma eem matérias apuradas, né, adequadamente, faz uma um mesmo processo judicial no Brasil inteiro para que esse para que esse jornalista tenha aqui, né, de comarca em comarca para responder o processo, um constrangimento, né, uma tentativa de cerciar de censura, né, a gente vê essa questão digital, né, recentemente, ataques a profissionais de imprensa, né, e principalmente ataques a jornalistas mulheres, né? Então, ataques misógenos, ataques machistas que tentam desqualificar a profissional pelo fato dela ser uma jornalista mulher. Então, isso é um absurdo, né? Infelizmente algo que não acontece só no Brasil, a gente há no mundo essa questão, mas eu acho que é por isso que, né, o sindicato, a federação e outras entidades jornalísticas estão cada vez mais unidas, né, para que a gente possa ter respostas para isso. Felizmente, né, recentemente o Ministério da Justiça tem abrigado, né, de de receber denúncias contraataques jornalistas, né, a um observatório de violência contra jornalistas. Isso é importante, é um primeiro passo, mas agora acho que a gente tem que ter também passos concretos, né, de que pessoas que ataquem jornalistas, né, pessoas que assediem jornalistas, que ameaç jornalistas, essas pessoas elas não podem achar que vão ficar impunes, né? Uma coisa, pessoal, e isso é muito importante colocar, uma coisa é a crítica a uma reportagem que você faz, né? Você discordar da de uma opinião, né? Você tá lá na TV, tem um jornalista falando ali que, né, que seu time foi bem, seu time foi mal, você fica bravo. Isso é uma coisa que é legítima da democracia, concordar e discordar. Mas quando você passa a atacar o trabalho jornalístico, né, atacar o jornalista de uma maneira muitas vezes física, né, não só digital, não só verbal, mas física, aí isso passa a ser um crime, né, e a gente não pode aceitar isso. Então, a gente tem que lutar obstinadamente para que a gente exerça a nossa profissão como qualquer outra. Então a nossa profissão, ela tem que ser garantida e garantida, inclusive que a gente possa fazer isso com plena liberdade e a liberdade passa para um ambiente seguro para nós jornalistas. Perfeito, Thiago, pra gente encerrando, né, 17 anos depois, sem essa obrigatoriedade do diploma, né, desde 2009, qual que é a principal lição que esse período deixa eh pro jornalismo brasileiro? Esse tema precisa voltar a ser debatido, como está sendo debatido atualmente. Sem o jornalismo de formação, dá para ser feito o jornalismo? Perfeito, Camila. Então, acho é muito importante esse debate. Eh, a gente tem muito prazer de poder compartilhar esse debate, né, com o povo de Campinas, com todo mundo que nos acompanha. E acho que talvez a principal lição é essa. O jornalismo passou por mudanças, né? A profissão jornalística passou por mudanças. A profissão jornalística, ela hoje, né, ela é diferente, talvez do que foi em 2009, mas uma coisa permanece, o papel do jornalismo, papel do jornalista pra sociedade, uma sociedade verdadeiramente democrática, para uma sociedade que realmente quer discutir e fazer debates de qualidade. O papel do jornalismo não mudou nesse sentido, né? O papel do jornalismo se afirmou nesse sentido. Então eu acredito que hoje quando a gente tá debatendo, né, a volta do do diploma como critério de acesso à profissão, eu acho que na verdade é colocar que o jornalismo não morreu, o jornalista se afirmou e agora de fato que a gente tem que lutar por essa afirmação e valorização. Esse talvez seja a grande lição que nós tiramos, né? O jornalista e a jornalista continuam fundamentais paraa sociedade, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Perfeito, Thiago, muito obrigada pela participação aqui no ponto de vista. Algo mais que você queira acrescentar sobre o tema, fazer suas últimas considerações finais? Ah, eu agradeço muito. Estamos à disposição para debater, para conversar, para ouvir, né? E quem tiver contribuições, quem quiser conversar conosco, tanto o Sindicato de Jornalista de São Paulo quanto a Federação Nacional de Jornalistas, vai ser muito feliz em poder fazer esse debate, porque acho que esse é o papel de jornalista também, né? ouvir as pessoas, entender as questões e ajudar no debate público. Então, a gente tá à disposição. Perfeito. Muito obrigada mais uma vez e obrigada a você que nos acompanhou até aqui em mais uma edição do [música] Ponto de Vista. Até o próximo programa. [música] [música] [música] [música]