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Ponto de Vista | Brasil Está Envelhecendo: Os Desafios de uma Nova Sociedade
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Ponto de Vista | Brasil Está Envelhecendo: Os Desafios de uma Nova Sociedade

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Neste “Ponto de Vista”, vamos discutir sobre envelhecimento populacional e gostaríamos de convidá-la para participar. A proposta do programa é discutir a transformação da estrutura etária da população brasileira: o país está tendo menos filhos e envelhecendo, o que pode modificar a forma como a sociedade se organiza. A ideia é entender como uma população com proporcionalmente mais idosos pode impactar a previdência, o mercado de trabalho, a economia, a estrutura das famílias e a demanda por serviços de saúde.

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Olá, o Brasil está envelhecendo, conforme os dados do IBGE referentes ao censo demográfico de 2022, pessoas com 60 anos ou mais já representam 15.8% 8% da população total do nosso país, totalizando aí 32 milhões de indivíduos. Essa mudança é resultado principalmente da redução dos níveis de fecundidade e do aumento da longevidade. Além disso, pode trazer impactos para a saúde, previdência e para o mercado de trabalho. No ponto de vista de hoje, vamos discutir os desafios de uma sociedade que está envelhecendo. A nossa convidada é Luciana Alves, que é professora do Departamento Demográfico do IFI da Unicamp, que é o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e também ela é pesquisadora do NEPO, o Núcleo de Estudos de População. Luciana, seja muito bem-vinda ao ponto de vista e eu já vou fazer a minha primeira pergunta. Quando a gente falou desses números na abertura, né, quando a gente pensa, por exemplo, que nós tínhamos em 1991 4. Mais agora a gente tem 10.9, eh, o Brasil ele está tendo menos filhos ou as pessoas que estão vivendo mais ou essas duas mudanças estão acontecendo ao mesmo tempo? seja bem-vinda. Olá, muito obrigada pelo convite. Queria agradecer a quem nos assiste eh pela oportunidade de tá discutindo esse tema tão importante que é o envelhecimento populacional no Brasil. Sim, é um fenômeno, né, que está que acontece as duas coisas. Primeiro, a gente tem uma queda da fecundidade. Uma queda da fecundidade que já vem acontecendo desde lá dos anos de 1980, que se acentuou a partir dos anos 2000. Essa queda da fecundidade, ela é a grande responsável pelo aumento da proporção de idosos na população e consequentemente, né, um o maior aumento do do volume, né, do número absoluto de idosos. e eh a queda da mortalidade infantil, né, que a gente observa também desde lá dos anos de 1940, que se acentuou, né, essa queda, ela foi muito mais expressiva, eh, nos tempos mais recentes, a partir de 1991, 2000. E essa queda da mortalidade infantil também é a grande responsável pelo aumento da longevidade da população. Então, a gente tá experimentando na população brasileira tanto o aumento da proporção de idosos e o aumento da do da sobrevivência desses idosos, que é o que a gente chama de eh longevidade. Mas quais são os aspectos sociais envolvidos neste número? As pessoas estão tendo filhos mais tardiamente por quê? Estão decidindo ter menos filhos também por e também nesses aspectos porque a gente tá com essa expectativa de vida eh um pouco maior do que há muito tempo. Por exemplo, a gente pensava hoje a mulher de 60, por exemplo, era mulher de 40 antigamente. O que que tá envolvido nisso, professora? São vários fatores. Vou começar a falar da mortalidade infantil, que é a responsável pelo aumento da longevidade da população. Eh, bom, a sociedade, eh, você tem mudanças, né, na sociedade, mudanças, eh, estruturais importantes, né, saneamento básico. Isso ao longo do tempo, a gente teve uma melhora aí da das ações de prevenção, avanços da medicina, eh vacinação e tudo isso são fatores que são responsáveis por controlar a mortalidade infantil ali até o primeiro ano de idade. E isso se reflete basicamente no aumento da esperança de vida ao nascer. E mais nos tempos atuais, a gente também tem um fenômeno que é a redução da mortalidade nas idades mais avançadas, ou seja, eh o a própria evolução, né, da a controle de mais doenças, eh a busca das pessoas por eh atividades eh hábitos de vidas mais qualidade de vida, hábitos de vida mais saudáveis, uma, né, uma busca por uma melhor alimentação, atividade física. física e controle de doença, porque inevitavelmente à medida que as pessoas envelhecem, ela ela passa a experimentar maior número de doenças crônicas, mas que isso não é um grande problema se você tem o diagnóstico e se você tem o controle delas. E isso acontece em todas as regiões do nosso país ou há uma disparidade de região para região? Isso existe uma disparidade, né, por região, de região para região. Obviamente que o Brasil é um país de uma extensão geográfica muito grande. Você tem eh regiões mais desenvolvidas, vamos colocar aí região Sul, Sudeste, né, e Centro-Oeste, e regiões, eh, como Norte e Nordeste, que ainda a gente tá no processo de transição demográfica, né? Comecei falando da queda da mortalidade infantil, da redução da mortalidade nas idades avançadas, mas obviamente isso não acontece de forma homogênea entre as regiões brasileiras, as regiões que eu citei, né, região Sudeste, Sul e Centro-Oeste, você vai ter uma queda mais eh acentuada, né, porque você tem um um serviço de saúde mais desenvolvido nessas regiões, você tem menos desigualdade, são regiões que as pessoas pessoas têm maior escolaridade, maior renda e consequentemente isso se transforma em atitudes, né, em você se eh adotar algumas medidas que fazem de prevenção, de controle, que faz uma redução também da mortalidade nas idades mais avançadas. Se você reduz mortalidade nas idades mais avançadas, você também vai ampliar, né, esse tempo de vida das pessoas que atingem ali seus 60 anos. Voltando um pouquinho lá na fecundidade, né, que a gente começou a transição demográfica, essa mudança de altas taxas de fecundidade e mortalidade para baixas taxas, né, de mortalidade e fecundidade. Eh, a fecundidade ela também vem como uma mudança da da sociedade, né? A, eh, a população muda, a sociedade muda, os indivíduos mudam. Basicamente você tem uma ampliação da escolaridade das mulheres ao longo do tempo, né, dos tempos mais recentes. Eh, entrada da mulher no mercado de trabalho, né? Então você tem uma entrada da mulher no mercado de trabalho, maior autonomia feminina e uma mudança importante. E consequentemente eh você tem eh mudanças culturais também, fatores socioeconômicos, né? as mulheres começam a ganhar mais. Eh, e aí você tem uma mudança aí mesmo no nesse padrão, né, de de reprodutivo. As mulheres começam a ter menos filhos e também adiar a sua fecundidade. Elas têm mais eh começam a fazer a sua fecundidade em idades um pouco mais a posterior do que em anos lá no início da década, né, que a gente tinha em 1930, eh, 1920, 1930, enfim. Mas isso quando a gente pensa nesse tema, né, os desafios dessa nova sociedade que envelhece, mas precisa envelhecer com qualidade, porque também tem uns impactos disso. Uhum. Dessa mulher que começa a ser mãe mais tarde, porque tem outros aspectos. Hum. E quando essa família pensa, a gente lembra que lá na década de 80, de 90, se falava muito em planejamento familiar, né, que era justamente para eh para se equacionar aquela quantidade enorme de filhos. Nós já encontramos o equilíbrio ou ainda não do planejamento familiar? Sim, a gente inclusive já tá com os níveis de fecundidade abaixo que a gente considera do nível de reposição, que é de 2.1, eh, em média filhos por mulher. Então, o Brasil hoje, né, no último censo, a gente ainda não tem os dados eh completos, né, pra gente afirmar, mas o Brasil já tá eh eh em torno aí de 1,5 filhos em média por mulher, ou seja, é bem abaixo da da daquilo que a gente chama de reposição do número de filhos para Mas isso é um é um número, professora, do nosso país ou é uma tendência global? Então, é, não é um número, né, estabelecido mundialmente, né, como o valor mínimo pra gente considerar uma, eh, reposição da população. Bom, com a queda da fecundidade, a gente tem vários desafios, né? Eh, primeiro deles, eh, você vai ter menos pessoas na população, então você tem uma tendência hoje a ter uma menor quantidade eh de eh de crianças e de adolescentes jovens, vamos cham de jovens, né? a gente considera aí esse grande grupo de 0 a 14 anos, ele tá reduzindo. Consequentemente você tem eh a demografia, ela se pauta muito naquele naquele padrão que é a pirâmide etária, né? E a estrutura etária brasileira lá em 1940, 1950, 1960, era uma pirâmide etária mesmo, com uma base alargada. O que que isso significa? significa que você tem um um grande número de pessoas ali nas faixas mais jovens. Na medida que você tem eh a queda da fecundidade láem a partir de 1960, você começa a ter um estreitamento dessa base e você tem a população que passa então compor aí com maior volume o grupo da faixa etária adulta e e e nos tempo mais recente, né, da faixa de dos, as pessoas estão sobrevivendo mais, além delas chegarem grande volume ali entre 15 e 59 anos, Porque no Brasil a gente considera como idosos a população acima de 60 anos, né, que o Brasil compõe aí o grupo de países em desenvolvimento. E o marco é 60 anos, mas a gente também pode analisar até 64 anos, mas se você cortar em 60 e mais, você ainda vai ter um volume ainda maior, né, do que esses dados que você me apresenta. Quais aspectos então a gente leva em consideração quando a gente fala do 60 mais ou do 65 mais? Ou talvez a gente vai ter que mudar essa esse parâmetro? Então essa é uma discussão interessante, né? Ela é uma discussão que acontece, mas se a gente eh geralmente, né, a demografia eh considera acima de 60 anos, porque isso é uma definição que vem da da ONU, né, das organizações. Sim. das Nações Unidas, então a gente prec a gente considera acima de 60 anos. Ou seja, se você cortar em 60, você ainda vai ter um volume ainda maior, né, do que acima de 65 anos, né? Então você vai ter um volume grande de pessoas idosas. sobre o ponto de vista, eh, pensando, né, vamos em de uma forma muito mais geral, políticas públicas e tudo. Ora, se você tem o menor número de crianças, seria grande oportunidade de você resolver acesso à creche, à escola para todo mundo, eh, e várias políticas de melhoria da do bem-estar e qualidade de vida dessas pessoas. Por outro lado, você tem uma quantidade grande de pessoas que a gente chama ali, que é a de 15 a 59 anos, né? população que compõe a população economicamente ativa. Então você teria ali uma ampliação de possibilidades de eh de pessoas eh produzindo, né, e aumentando aí a as riquezas do país, mas que isso também não depende só do número de pessoas, depende de uma série de outras possibilidades, né, desenvolvimento econômico, oportunidades no mercado de trabalho, né? Eh, e a olhando pro pro topo da pirâmide, um grande número de pessoas acima de 60 anos. Então, sobre o ponto de vista da dos tempos mais recente, o que que a gente tem? Esse o fenômeno, né, do aumento do envelhecimento, ele já vem acontecendo, mas 2022, pros demógrafos, isso não é uma surpresa, né? O IB já é nós já vínhamos eh assinalando, apontando essa essa direção, mas agora a gente chega num num número expressivo, né, de pessoas nessa idade. Então isso se abre várias questões, tu vai ter, né, impactos em vários setores da sociedade. Então vamos saúde é um deles, família é outro, né? O setor econômico, o setor social, previdência. Mas professora, vamos lá então, por etapas, né? A gente já tá inclusive com essa discussão, por exemplo, em relação à aposentadoria. Creio que pra sociedade em comum ela foi assim o primeiro impacto quando a gente pensa nessa mudança dessa nova sociedade. Olha, já aumentou-se a idade com que se aposenta no país, já com visão nessa tendência, correto? Mirna, eh, a principal, eh, forma, né, regime de previdência no Brasil é o de repartição simples. O que que é isso? Eh, que a população que tá no mercado de trabalho hoje, ela vai eh sustentar, né, vamos chamar assim, as pessoas que tão eh nas idades as mais avançadas, que são os aposentados, correto? quando você tinha eh um grande volume de pessoas eh nessa, né, nesse grupo de população, a gente ainda tem a gente ainda tem um grande volume de pessoas naquele grupo de 15 a 59 anos que compõe a população economicamente ativa e que tá no mercado de trabalho eh e enfim e que vai sustentar eh vai subsidiar a aposentadoria para que um dia a gente chegue lá e tem um o número de pessoas que também vão eh subsidiar a nossa aposentadoria. Mas o que que acontece com a com a transição demográfica, né? Uma questão demográfica, você vai tá diminuindo o número de de pessoas eh nessa faixa de idade e por outro lado, você vai passar a ter um grande grupo de pessoas nas idades mais avançadas. A gente então quando se pensa eh na previdência assim, ó, a gente precisa eh amplia, a gente tem experimentado várias reformas aí ao longo do tempo para tentar já preparar, né, para amenizar um pouco o impacto tanto dessa mudança da estrutura etária, porque é isso, além das pessoas estarem chegando nas idades avançadas, que são os potenciais pessoas que a que o grupo da faixa adulta vai tá subsidiana em termos de aposentadoria, essas pessoas estão vivendo mais, entende? Então, uma das estratégias, eh, porque o principal regime é o de repartição simples, né? A discussão da previdência é uma discussão ampla, porque você tem eh eh você também tem um grupo de pessoas na população economicamente ativa que não estão no mercado formal de trabalho. E se você não tá no mercado formal de trabalho, você não tá contribuindo paraa previdência. Então você tem uma parcela dessa grande população que poderia estar fazendo essa poupança, está fora, né? E lembrando que você tem também eh parte dessa eh da população que contribui paraa previdência também eh subsidia o o BPC, né, que é o programa de prestação, né, o benefício de prestação eh continuada. Você disse também, professora, sobre as famílias e a gente já tá inclusive nessa preocupação quando se fala em políticas públicas. Tanto que eu vou especificar Campinas mais precisamente, apesar de ser ainda insuficiente, nós temos uma chamada, né, um um local de acolhimento que alguns batizam de crece do idoso, mas há uma tendência para que as cidades eh elas tenham efetivamente esse serviço para que o seu familiar possa trabalhar o dia todo, durante o dia, aquele idoso, por exemplo, fazer ativ atividades, tomar o seu remédio corretamente, não ficar sozinho e no final da tarde ter esse convívio com a família é uma tendência e os municípios, estados e o governo federal tem que ter esse olhar para isso também. Com certeza. Eu acho que um dos caminhos eh é exatamente esse. Eu acho que discutir essa questão, ela é fundamental nos dias atuais. Eh, e é aquilo que eu falei, a gente tem várias camadas e a gente tem várias gerações, né? Você começou o programa me perguntando, a pessoa que tem 60 anos hoje é diferente das pessoas que tinham 60 anos há 20, 30 anos atrás. Exatamente isso. Então, você tem com a queda da fecundidade, naturalmente você tem uma redução do tamanho das famílias, né? é a redução do tamanho da E a família ela é o principal cuidador do idoso. A família no Brasil é o que faz o cuidado prioritário, né? É o que que fornece. Você tem a família como esse principal cuidado, mas você vive um cenário hoje que você tem uma redução do do tamanho da família, né? E quando e geralmente quem faz o cuidado é mulher. Então, eh quem é essa pessoa? que essa mulher hoje tá no mercado de trabalho compondo uma renda familiar quando ela não é o chefe de domicílio e ela precisa de cuidar do idoso, né? Então são várias camadas. Quando não é, por exemplo, o idoso que cuida de outro idoso. Por exemplo, uma mulher de 80 tem uma filha de 60, isso que tem uma neta às vezes de 40 ou quase 50, eh, é 40, 30 e poucos que tem duas idosas para cuidar. Exatamente. E é e aí é que a gente fala, né, quando você tem essa redução da família, você tem às vezes menos disponibilidade, né? Sim, você tem um filho ou menos irmãos para para para fazer esse cuidado. E esse potencial cuidador, normalmente ele tem idades mais avançadas. Eh, eles também muitas vezes precisam do seu cuidado, né? Porque eh existe essa questão, como eu falo que são, esse é um eixo muito importante. É quem cuida de quem cuida. É um trabalho muito invisibiliz de invisível mesmo dentro das famílias, não remunerado muitas vezes, porque às vezes é um irmão, aquela pessoa que necessita de cuidado, mora com esse irmão, esse irmão não vai receber eh um salário por prestar esse esse esse serviço de cuidado. Então, eh, o que eu acho é que, né, a política para abordar essa questão do cuidado, ela é uma política mesmo que ela tem que ser muito articulada. Eh, eh, né, o a creche, os hospitais dia é uma saída, mas grupos de convivência, né, estabelecer grupos de convivência que também é qualidade de vida, que também é qualidade de vida. Eu acho que tem que ter eh atendimento domiciliar eh articulado com atenção primária, né? A ações articuladas também mais com o Sistema Único de Saúde, porque a gente também precisa de ter eh uma forma de de eh fomentar essas atividades que sejam eh que não seja só no privado, né? Eh, o cuidado privado ele é muito caro, né? Então você, se você pensar assim, ah, eh, você tem instituições de longa permanência, você tem, mas as instituições de eh de longa permanência eh filantrópicas, elas têm um critério de inclusão que é até um salário mínimo. Sim. E se você pensar no cuidado por uma família que não tem quem, com quem deixar aquele idoso em casa, porque ela não tem quem cuida, porque a o principal cuidador tem que ir pro mercado de trabalho ou aquilo que você falou, o o cuidador ele já é numa idade mais avançada e muitas vezes ele também precisa em algum momento de uma certa ajuda para para esse cuidado. Então você tem uma instituição privada que é muito cara, então você tem uma parcela dessa população, mesmo que trabalhe, se ele tiver que pagar todo dinheiro vai ser não dá conta de pagar, porque você tem, né? Então você tem uma série de custos que envolvem, então a eh atividades que envolvem eh centro dias, atendimento domiciliar, né? Eh para auxiliar esse cuidador, quem tá cuidando ou quem, né? Creches, sim, dias, né? hospital dia. Mas o mais importante de tudo, né, quando eu falo articulado com atenção primária, é a gente promover saúde e qualidade de vida, porque você manter essas a pessoa idosa o mais ativo possível é uma das melhores medidas, né, de de adiar o seu cuidado para idades muito mais avançadas, né? Então, eh esses anos adicionais de vida, eles têm que vir eh, com qualidade de vida e saúde, né? né? Eu acho que isso é um aspecto muito importante, né, na nessa Sim, mas de que forma então tudo, todas essas perspectivas que a gente fala, inclusive essa possibilidade do Brasil lá em 2070 ter mais de 75 milhões de pessoas idosas, é preciso pensar já nessa política pública para essa população Uhum. ou não dá pra gente paulatinamente eh instituindo essas políticas públicas ou corremos o risco, professora, de chegar lá em 2070 e ter que reagir a problemas? É, eu acho que eh a gente tem que pensar que envelhecer faz parte do ciclo de vida, né? Ele é uma uma evolução, um avanço da sociedade, as pessoas chegarem e dados mais avançados. Eu acho que as políticas eh elas precisam ser intensificadas. A gente sabe que elas já acontecem, né? Mas ela tem que ser intensificada, porque a gente tem que criar, a gente tem que pensar nessa fase atual como uma oportunidade pra gente avançar em relação às políticas de envelhecimento, que a gente tá numa transição, não é isso? A gente tá numa transição, a gente ainda tem ali, vamos, vamos dizer, uma parcela grande da população na faixa adulta. Eh, porque se você chegar, como você acabou de falar em 2070, com um número expressivo de de pessoas idosas, sem nenhum tipo de política para dar suporte a isso, né? Porque eh eu acho que realmente eh a gente vai transformar algo que é um avanço da sociedade, que foi fruto de avanços de de medicina, de cuidado, né, de saúde, eh, em uma crise, um caos, né, colocando já existe algum país que tenha passado por essa transição e que conseguiu consolidar uma política pública para os idosos, que o Brasil pode olhar e falar assim, isso serve para nós. Eu acho que vários países, né, eh, do hemisfério norte já vem, né, colocando em práticas políticas para contemplar e essa população idosa, né? Eh, vamos lá, Suécia, eh, Japão, Alemanha, né? Então você tem diversas políticas de pessoas que dão suporte, porque é muito comum nesses países também as pessoas morando sozinho no seu domicílio. Sim, né? Então você tem várias estratégias para tá dando suporte a a essa pessoa que mora sozinha, né? né? Ela mora sozinha, mas ela eventualmente vai ter uma ajuda com relação a algumas atividades, compras, eh acompanhamento em determinados espaços, né, com consulta. Eh, bom, com a inovação tecnológica, você tem dispositivos que tão na casa dessas pessoas que conseguem detectar quedas, enfim, várias várias políticas para atendimento, né? Que isso, mas aí a gente tá falando de primeiro mundo, né? A nossa a nossa realidade, nossa realidade, a nossa realidade é muito diferente, né? se a gente conseguir garantir eh um suporte eh de acompanhamento domiciliar. Então, por exemplo, você tem a atenção primária hoje que já tem as suas equipes, que visitam os os domicílios, isso poder, saúde da família, saúde da família poderiam estar identificando. Eles fazem isso, né, já de uma forma, mas é aquilo, eh, inevitavelmente vai ter um um uma sobrecarga maior na saúde, não é? saúde. Então, eh, a saúde na ah com esse volume de pessoas chegando em idades mais avançadas e vamos colocar com maior número de doenças crônicas, se não forem controladas, eh essas doenças eh vão trazer outras consequências como incapacidade funcional, fragilidade, né, eh, e, e dependência funcional. Sim. essas pessoas elas vão sobrecarregar muito mais o sistema eh de saúde. Então você ter eh equipes que começam já desde cedo identificar eh grupos de risco, eh fazer uma abordagem, né, a a esses fatores que não esperar chegar, não esperar chegar é muito mais prevenir do muito mais fácil prevenir eh do que eh remediar. Então acho que um aspecto importante, como se fosse, professor, é como se fosse fazer então um trabalho de atendimento ou já uma atenção especial a partir dos 40 para que esse indivíduo chegue aos 60 minimamente com a saúde preservada para viver a sua idosidade. É isso. Isso. Isso. Porque você, a saúde é uma um processo acumulativo, né? Eh, você acumula ao longo da vida hábitos saudáveis, pratica atividade física, alimentação saudável. Quando você chega, eh, são determinantes importantes de melhor saúde nas ideas. suas pesquisas eh confirmam isso. Então, você investir na faixa de idade adulta, né, é um elemento muito importante eh para você eh tanto prolongar os seus anos e viver eles de forma eh mais mais saudável e também ter um entendimento das coisas. Sim. o que, quais são as atividades que eu preciso fazer para me manter o máximo o um um mais eh ativo possível. Porque nesse contexto você também tem os dados do último censo comprovaram isso, um grande número de idosos morando sozinho. Sim. você tem um aumento de de domicílios no Brasil com pessoas eh que moram apenas uma pessoa no domicílio. E se você também fizer análise paraas idades, né, pros idosos, você vai ter eh um aumento também importante. Então, como é que esses idosos que não têm ali uma outra pessoa, né, uma pessoa que vai tá eh não monitorando, mas te acompanhando, vai te deixar acompanhar, você tá usando a medicação adequada, você tá tendo a sua alimentação adequada, eh, como que essa pessoa que vai morar sozinha, né, assim, como que ela vai morar sozinho e se manter e de uma melhor forma possível. Sim. Então, eh eh a questão do ciclo de vida, daquilo que a gente acumula, é um um dos fatores, né, importante para quando as pessoas chegam acima de 60 anos, elas continuem ativas, eh, desfrutando, podem eh optarem por estar no mercado de trabalho por mais tempo, por como uma complementação de renda ou porque elas desejam eh continuar autônomas, né, independentes, ampliar sua renda. enfim, por uma série de circunstâncias, né, e e de consequências. A gente começou falando justamente dessa tendência e de como nós devemos nos posicionar nessa nova sociedade. Eu vou aproveitar aqui no ponto de vista, professora, eh, que para quem pegou o programa no meio para quem, poxa, qual é o trabalho do de quem? Do demógrafo é isso? Isso. Explica pra gente um pouquinho desse trabalho. Quando vocês fazem essa análise de números com aspectos sociais, o que que é levado em conta? É o demógrafo, né? Ele estuda populações, né? Então ele eh a a demografia estuda populações que são eh regidas, né, ou modificadas eh pelas suas três componentes demográficas, a fecundidade, a mortalidade e a migração. Então o a demografia é uma ciências sociais aplicadas. Então o que que ela faz? Ela ela ela não é só uma uma área do conhecimento que vai tá produzindo estatísticas, informações, né? O que a demografia vai fazer é trazer esses números, fazer um diagnóstico, apontar necessidades, apontar em quais eh em quais eh faixas de idade ou de, né, ou de eh ou da população ou de políticas. eh é o identificar as demandas e as necessidades de uma população. E a demografia tem várias áreas, né? Então você tem a educação, você tem a saúde, você tem a questão da saúde reprodutiva, migração, ambiente, população e ambiente. E aí vai. Por um lado, a gente tá falando aqui da população que envelhece. Quando a gente pensa também na questão da fecundidade, a tendência do nosso país chega a ser preocupante ou não? É, eh, neste, se você pensar neste momento, eh, nem tanto, né? Porque eh a gente ainda tá naquele cenário que a gente chama de bônus demográfico, porque a gente tá eh com uma menor eh o menor nível de fecundidade, mas a gente ainda tem uma grande parcela da população naquela faixa de idade que da população economicamente ativa. Então você ainda tem, né, por exemplo, ao contrário de outros países, que você já tem uma uma redução dessa população economicamente ativa e que aí realmente falta eh população ou pessoas em alguns setores, né, da economia, né, tanto que os governos começam até a estimular, né, que novos, que as pessoas que as mulheres engravidem e tudo mais. Isso é exatamente. Brasil ainda não está nessa fase, mas mais uma vez, se você eh pegar as projeções, né, a gente eh ainda para nós é uma um tempo que não vamos eh estar lá para ver, mas o cenário é realmente de uma de uma estrutura etária com pouquíssimas crianças, pouquíssimas pessoas na faixa de idade eh adulta e muito eh envelhecido. Então aí essa população economicamente ativa, né, com muito poucas pessoas, isso pode criar um problemas, né? Então assim, alguns países você vê a incentivo a algumas especialidades a migrarem, né? Médicos, enfermeiros, então a gente vê isso. Mas o Brasil ainda tem um tempo, o que é bom, né? porque ainda há tempo de de movimentação, de de reorganização e, por outro lado, a gente já perdeu também um tempo importante para já vir caminhando nesse sentido. E nós, enquanto sociedade, o que que cada um de nós podemos e devemos fazer quando a gente pensa nessa nova sociedade? Eu acho que a sociedade ela é muito importante porque ela cria demanda, né? Eu acho que assim, para além do que é a produção de dado, eh, a gente precisa ouvir mais as pessoas que estão envelhecendo, que já estão numa faixa de idade mais avançada. Quais são as suas demandas, né? sob o ponto de vista assim, o que que ela as pessoas consideram como algo vulnerável, algo que precisa avançar. Então, pensando, vamos pensar, né, rapidamente num os idosos do município de Campinas, a gente sabe que tem várias eh, né, iniciativas que são realizadas eh aqui, mas para além do que já é realizado, o que que essa o que que essa população tem de demanda? É demanda da saúde? a demanda por mais centro eh de convivências, né, de de atividades culturais que promovam convivência, atividade física. Eu acho que tem um aspecto que de você identificar, ah, cidades, como é que é a cidade? A cidade ela permite que eu que eu que eu possa ir e vir de uma forma adequada com, né, com com calçadas eh acessíveis, com transporte público que é acessível, que eu posso ir e vir sem grandes riscos, né? Eh, porque eu acho não basta dar a gratuidade, tem que criar as condições. Criar as condições, né? por exemplo, eh, as atividades culturais e de convivência com, né, que permitam, viabilizam você se socializar, elas precisam ser descentralizadas, isso é fato, e elas precisam ser cada vez mais próximo de onde as pessoas moram. Então, onde que as pessoas moram eh com em idades mais avançadas hoje, mas que isso se estenda para toda a cidade, porque a gente também pode ter um perfil, né, no município de Campinas. de onde as pessoas com idades mais avançadas estão vivendo, né? Eu não eu não sei te dizer agora aqui, né? Sim. Mas é, você vai ter pessoas de de idades mais avançadas e vivendo em várias regiões. E o que que é feito nessas regiões pra gente eh eh incentivar a maior eh socialização? Vou dar um exemplo básico. A gente volta falando da saúde. Alguns centros de saúde, por exemplo, quando a gente vai marcar uma consulta, o pediatra quase não tem vaga. A consulta demora. Em outros aconsegue-se o pediatra rapidinho, porque o clínico ele tem uma maior demanda, porque aquela população daquele bairro, daquela região é adulta, né? É por aí também que a gente tem que pensar. É por é por aí, exatamente, né? você pensar aonde eh os os grupos populacionais vivem, é onde você precisa reforçar, né? Então, é onde você precisa fazer eh eu eh descentralizar mesmo, né? Tem uma questão também que eu acho que é muito importante e que a gente até fala menos, embora no nosso dia a dia a gente identifica, é a questão da inclusão digital. Você tem idosos eh que são mais jovens, chegando aos 60 anos hoje, completamente capazes de fazer uma consulta pelo aplicativo, né, de agendamento, WhatsApp, mas você tem uma parcela da população que não tem eh não tem essa facilidade, né, de trabalhar com Sim, vou dar um exemplo prático. Conta de energia. Eu mesmo passei isso recentemente em casa. Olha, a conta de energia precisa. Olha, mas mãe, tem ali no aplicativo da da concessionária. Não, mas o aplicativo permite que você consiga pedir só a sua conta. Aham. Mas eu não aí não, mas eu não consigo instalar, mas eu não consigo cadastrar. E aí, e o que que a pessoa não é melhor eu então ir lá no posto de atendimento pessoal porque eu não consigo fazer isso. Isso. E às vezes é um deslocamento que para aquela pessoa eh que já tem algum problema de mobilidade, né, eh não é algo tão fácil, né? Será que nossos idosos vão eh será necessário a gente pensar também em voltar a de certa forma estudar para que eles possam tranquilamente, por exemplo, acessar a tecnologia para serviços. Isso, exatamente. Eu acho que a capacitação, né, a gente gosta de usar essa palavra capacitação, mas eu acho que o ensinamento, né, de manuseio de tecnologia é algo imprescindível. Sim. E eu vejo, né, eh, algumas iniciativas na universidade, né, eh, na Unicamp, Unicamp tem, é, mas é muito pouco. A Unicamp também é aquilo que a gente acabou de falar, a Unicamp fica longe da, né, de outras regiões de Campinas. Sim. eh, que a gente possa, por exemplo, ter, a gente, vamos dar um exemplo, a gente tem aqui em Campinas o CPROCAMP, que tem vários postos, várias unidades descentralizadas, que tivesse, por exemplo, esse curso de tecnologia para idosos em cada um desses, por exemplo. Isso, isso é, e aí vai, né? Acho que a secretaria promove, a secretaria do idoso promove algumas atividades de baile da terceira idade, mas eu acho que isso é fantástico. Isso tem que continuar sendo incentivado, porque isso também é promoção da saúde. Sim. Sim, né? Porque se você pensar numa pessoa que talvez eu, conforme eu disse, um grupo de pessoas que tão vivendo sozinhas, moram sozinhas, então você te eh fazer que a pessoa eh eh ela pode ser autônoma e independente, mas que ela socialize, que ela tenha, ela saia de casa para fazer a porque socializar e manter relações pessoais, né, e sociais é um um aspecto da saúde importante, né? Então isso tudo porque é é aquilo que a gente tem que pensar. O aumento da do número de idosos e aumento da longevidade da população, ela não pode ser vista como um problema, como a crise, ela tem que ser vista como uma oportunidade. E oportunidade a gente cria, sim, né? senão eh realmente eh as coisas se, né, ficam muito mais complexas, ou seja, dá tempo pra gente, de certa forma minimizar as barreiras e vencer os desafios para uma sociedade que envelhece. Dá tempo. Eh, eu acho que eh tem que ser uma coisa articulada, né? Eh, os atores, né? todos os atores, eh, os indivíduos idosos, as pessoas que estão na na estudando envelhecimento na universidade com os os políticos, né, com a política pública, os planejadores de política pública. Eu acho que eh essa escuta e essa integração, ela tende a a realmente a a ser muito necessária e fundamental nesse processo. Professora, eu agradeço a sua participação e já fica aqui um convite quando eu tiver novos dados que possa inclusive a gente lembra que todos esses dados ficam disponíveis justamente para que municípios, estados e a federação utilize quando pensa nas políticas públicas. Com certeza. Exatamente. Muito obrigada e até mais. Muito obrigado. Eu que agradeço. E o ponto de vista fica por aqui. Lembrando que toda semana tem estreia aqui na TV Câmara Campinas e claro as reprises na nossa programação. Até um próximo ponto de vista.
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