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Ponto de Vista | Devemos esperar um “Super El Niño”?
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Ponto de Vista | Devemos esperar um “Super El Niño”?

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Neste “Ponto de Vista” falamos sobre os estudos que apontam a previsão de um “Super El Niño”, conversaremos com o meteorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura para entender se é possível esse fenômeno e quais são os cuidados.

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[música] Nos últimos dias, muito se falou sobre a possibilidade de um super Elninho, mas esse termo realmente existe? O que dizem os modelos climáticos e quais podem ser os impactos para o Brasil e também paraa nossa região? Vamos tirar essas dúvidas e entender também como devemos nos preparar para os próximos meses com o nosso convidado de hoje, o meteorologista Bruno Baine do Cepagre da Unicamp aqui conosco. Bruno, muito bem-vindo, muito obrigada por aceitar o nosso convite aqui pro ponto de vista. Olá, eu que agradeço o convite, é uma satisfação poder contribuir com esse debate. Bom, Bruno, já pra gente iniciar, né, antes de tudo, o que que é o Elinho, né, o fenômeno que a gente já conhece aí, um nome famoso, né, como é que ele influencia o clima em tantas partes aí diferentes do mundo. Bom, o euninho é o que a gente chama de um modo de variabilidade climática, né? Ele já é conhecido há vários séculos, né, empiricamente, vem sendo estudado exaustivamente por muito tempo já. provavelmente é um dos mais conhecidos que a gente tem. E ele opera, né, a gente tem as fases eh do Elninho, de laninha e fase de neutralidade. Eh, ele se desenvolve na região eh equatorial do Pacífico, eh então através de anomalias de temperatura e ele não fica restrito só a ao aquecimento ou resfriamento, no caso do Eloninho aquecimento das temperaturas ali do oceano. A gente tem repercussões na atmosfera em escala global. Então, eu tenho aqui uma imagem que ilustra, a gente tem dois casos, né, de de lanim e deim, quando a gente tem essas eh anomalias de temperatura na no Oceano Pacífico. Então, a gente tem ali na na imagem de baixo, dezembro de 1997, as anomalias de temperatura, aquecimento da das águas ali. e ele altera temporariamente os padrões climáticos em escala global. geralmente ali em em intervalos, em períodos de 9 a 12 meses, às vezes excede um pouco. Eh, e esses impactos eles se dão, eles se propagam na atmosfera através do que a gente chama das teleconexões. Então, a gente tem alterações temporárias nas células de circulação geral da atmosfera, que favorecem secas ou chuvas em determinadas regiões e temperaturas geralmente mais altas, embora alguns pontos muito isolados, essas temperaturas possam ficar um pouco abaixo, né? E aí a gente tem impactos expressivos ao redor do mundo todo, mesmo em continentes eh que não estão em contato direto com o Oceano Pacífico. Então, não dá para dizer que ele afeta só aqui o nosso continente, né, professora? afeta também um ciclo global quando a gente fala no clima. É isso, exatamente. Ele afeta e em escala global e o mundo todo se prepara quando a gente tem assim essas previsões de é o ninho, de laninha, assim como para outros modos de variabilidade climática também. Agora nos últimos dias, todo mundo preocupado aí com essa expressão que surgiu, né, do super é o ninho. A gente tem visto também as ondas de calor na Europa, né? Então é um termo já que assusta, mas esse termo ele é reconhecido pela ciência. E se sim, o que que é esse superuninho previsto então aí pros próximos meses. Uhum. Bom, eh, o termo super ainho, né, ele começou a a surgir, pelo menos dessa vez, mesmo antes de a gente ter as previsões mais confiáveis, né, desse fenômeno. Então, a gente tava ali ainda no meados do primeiro semestre, quando as previsões ainda eh têm limitações bem fortes, né, da eh paraa configuração desse paraa previsão desse fenômeno. Eh, mas não é uma categoria oficial, não é uma nomenclatura oficial técnica que a gente utiliza. Então, a a gente classifica e o eho de acordo com o quanto que a temperatura ali no oceano se desvia da média. E aí a gente tem quatro categorias principais, que é o ninho fraco, moderado, forte e muito forte. Então, cada um deles, dependendo do quanto que essas temperaturas se desviam da média para aquela época do ano. Eh, então, nesse caso, né, o superin seria uma forma popular, eh, de tentar expressar a ocorrência de um eho muito forte e talvez até colocar numa perspectiva histórica, né, dentre os einhos muito fortes, eh, a gente pode ter esse como um um destaque nos nas últimas décadas, pelo menos. Então, estamos falando, na verdade, da possibilidade, né, de um ninho super forte, que que a gente já sabe desse modelo comparado com os que já ocorreram, né, e quais são ainda as incertezas que a gente tem aí pros próximos meses. Exatamente. Eu gostaria até de comentar um pouquinho sobre como que é feita a previsão do do Elninho, né? Então, a gente tem aqui, talvez eh algumas pessoas já tenham visto esse gráfico ou gráficos parecidos. A gente tem duas informações principais aqui. A gente tem a previsão, esse é o mais recente que a gente tem, né, de junho de 2026. Essa são feitas atualizações mensais. Então, a gente tem eh as barras de cores eh no vermelho, em tons de vermelho, a probabilidade de ninho independente da sua categoria. Então, a gente vê que a gente já tinha maio de julho, nesses trimestres, eh, a probabilidade praticamente de 100% de configuração desse UNIM. recentemente, né, a agência eh oceânica atmosférica dos Estados Unidos diagnosticou, então, de fato, estamos com eh Elinho. E [roncando] a segunda informação que a gente tem diz respeito a aos tons de vermelho que a gente tem aqui no mapa, né? Então, a gente tem desde um vermelho mais fraco com rosa até um vermelho mais intenso. Então, essas são as categorias, a probabilidade de cada uma das categorias de de auninho que a gente tem. Então a gente percebe que de fato pegando ali a partir de de outubro, novembro, dezembro, novembro, dezembro de janeiro, a gente tem grandes probabilidades de que esse fenômeno eh apresente características de muito forte. Eh, dentre todas as categorias possíveis, é a que tem a maior probabilidade. E como é que essas probabilidades são obtidas, né? a gente tem vários modelos que tentam representar eh eh essa oscilação nas temperaturas do oceano. E aqui a gente consegue ver, são várias curvas que se sobrepõem, parece até meio bagunçado, né? Um diagrama de espaguete que a gente chama. Eh, então a gente eh vê que tem alguns modelos que colocam anomalias ali que não chegam a 1,5. outros modelos que colocam indicativos ali de que podem superar 3,5, mas a gente tem ali médias. E aí, baseado nessa distribuição, né, de simulações, eh, que representa a incerteza na na previsibilidade atmosférica, é que a gente faz essas atribuições. Então, qual o percentual de modelos que para aquele mês, para aquele trimestre, eh, identificaram que a anomalia de temperatura vai estar acima de 2º, de 2,5 ou abaixo de 1,5, por exemplo? Então, dessa forma é feita essa essa previsão. Bom, e o que que essa previsão tá mostrando pra gente então para esses meses de primavera, verão, né, aqui paraa nossa região, a gente consegue já ter uma definição mais clara da intensidade desse evento, porque você disse que a atualização ela é mensal, né? Por enquanto os gráficos ali indicando o vermelho bem forte, que seria o superninho. É isso, exatamente. Então, a gente tem, a gente já tá então com essa configuração de aluninho, as anomalias da da de temperatura da superfície do mar. já atingiram o limear mínimo, né, que é eh de meio grau acima da média. Eh, essas anomalias elas devem se agravando, aumentando nos próximos meses, atingindo o ápice ali entrevera e verão. E aí, eh, já pro primeiro trimestre do ano que vem, essa essa anomalia ela deve ir diminuindo, né? Então a gente ainda não tem dados para além do primeiro trimestre de 2027, mas até lá a gente vai ter uninho e grandes chances de um eho muito forte. Mas cabe ressaltar que tem uma diferença entre a gente prevê um fenômeno e a e a sua intensidade e prevê os impactos que ele pode eh apresentar, né? Então, eh, uma ressalva que geralmente é feita pelos órgãos internacionais que fazem eh esses sistemas de previsão é de que, eh, a intensidade do de um ninho, ele não tá diretamente vinculado à intensidade dos seus impactos, não é uma atribuição que a gente possa fazer diretamente, apenas de que as chances de que aquilo que a gente entende conceitualmente que o Elninho pode ocasionar vai ocorrer, tá? E aí a gente usa outros recursos para avaliar os impactos, né, previsões sazonais, a gente precisa avaliar outros conjuntos de fenômenos, de dados para fazer essas avaliações dos impactos possíveis. Bom, até agora, o que que a gente consegue já analisar em relação a esses impactos, principalmente pra nossa região? Como é que o CEPAGRE ele tem monitorado isso? Bom, eh, em escala nacional, né, a gente tem três principais eh influências do Elninho. E aí, isso é um modelo conceitual desenvolvido através de estudos científicos, né? Então, a gente tem eh secas na região norte, parte do Nordeste, do norte do país, principalmente a faixa mais equatorial. a gente tem excesso de chuvas na região sul do Brasil e a gente tem temperaturas acima da média para boa parte do Sudeste e Centro-Oeste, tá? Eh, o que os modelos aí de previsão sazonal, que eles incorporam sim eh questão de da do desenvolvimento do Elninho, mas eles consideram também outros fatores, eles vêm indicando que a gente deve ter de fato, né, uma configuração eh coerente com isso, né? Então, as secas vão começar a se estabelecer no norte do país, chuvas acima da média no sul e temperaturas mais altas nesse nesse meio, né, na porção mais central do Brasil. Paraa nossa região, o que a gente tem de forma mais sistemática é um impacto nas temperaturas. Então, a gente costuma ter temperaturas acima da média, né? Eh, isso devido à menor influência de frentes frias, o menor impacto de frentes frias quando elas passam. E aí quando a gente já vai chegando lá eh na primavera, né, a gente costuma ter aquelas ondas de calor, elas tendem a ser mais intensas, mais prolongadas, mais recorrentes também. Então esse é o principal impacto que a gente pode ter. Mas para além daquilo que o Elon Ninho tipicamente proporciona aqui pra nossa região, a gente tem expectativa de chuvas acima da média até ali, pelo menos o começo da primavera. Claro que essa época do ano, agora inverno, começo da primavera, é uma época que tipicamente chove muito pouco. Eh, mas a gente espera ter uma maior regularidade nas chuvas e chuvas eh acima da média, né? Maior eh número de dias de chuva. resultando também em acumulados mensais mais elevados. Bom, até já diante dessa previsão, a Prefeitura de Campinas anunciou recentemente um pacote aí de ações para esse período, né, que vai chegar ainda em relação à climatização, né, de locais públicos, de escola, entre outras medidas também anunciadas, criação de refúgios climáticos, né, nessa época do do calorão. Isso, na sua opinião, vai de encontro a esses possíveis impactos? Como é que o poder público ele pode se preparar pro que está por vir? Sem dúvida nenhuma, né? E a gente sempre eh parabeniza todas as iniciativas do poder público que vem eh ao encontro da das informações meteorológicas, né? porque eh a humanidade toda tá tá sujeita às intemper do clima, do tempo. Eh, e é necessário que a gente mitigue os impactos, já que a gente não consegue impedir fenômenos extremos de acontecer, a gente precisa criar medidas para minimizar os impactos que eles podem ter na nossa sociedade. É, e eu diria que não não somente pro caso de Elninho, de Laninha, desses fenômenos pontuais, né, mas pras mudanças climáticas e para extremos meteorológicos que sempre ocorreram, né, e que agora com as mudanças climáticas devem ocorrer, eh, com maior intensidade, com maior frequência. Então, essas medidas elas são eh de fundamental importância, né? E a meteorologia, ela tem eh essa prerrogativa de fornecer dados, de fornecer informações que ajudem os tomadores de decisão e aí equipes multidisciplinares, a grande maioria das vezes, avaliarem os riscos, a fazerem as ponderações do que que é possível ser feito, do que que eh é necessário e de como contornar, como eh melhorar aquilo que a gente já tem, né? a resiliência, reconstruir melhor todas as vezes que forem necessárias, eh, e sempre pensar no bem-estar da população. Então, no caso, os pontos de atenção aqui para Campinas, pra região, também seriam as altas temperaturas e também o potencial aí de enchentes e alargamentos também por conta de chuvas mais intensas. É isso. Exatamente. Exatamente. Então, ao mesmo tempo que a gente tem essa previsão de temperaturas mais altas, né, a longo prazo, ondas de calor de forma um pouco mais pontual que ajudam a a levantar essas médias, eh a gente deve ter também essas tempestades mais intensas, né, temperaturas mais altas proporcionam um ambiente termodinâmico mais instável. Então, quando ocorrerem essas chuvas, elas podem vir localmente fortes, eh, e acarretar esses transtornos. principalmente nas regiões urbanizadas. Bom, e a gente tem acompanhado o verão na Europa, né, com ondas de calor, inclusive com muitas mortes, né, até o momento, mais de 13 mortes relacionadas às altas temperaturas. Que que tá acontecendo por lá? Tem alguma influência já também dessa configuração? E é um sinal de alerta pra gente ou a nossa situação aqui deve ser outra pro período de verão? Eh, no caso da Europa, a gente tem pouco sinal de influência do Elninho, né? Então, a gente tem outros mecanismos que agem por lá, eh, bloqueios atmosféricos, outros padrões que favorecem essas ondas de calor. Mas, eh, sem dúvida nenhuma, né, a magnitude, esses eventos que ocorrem, né, em outras partes do Globo, elas devem servir de analogias pra gente, para que a gente pense também eh que tipo de resposta que a gente pode dar frente a esses eventos extremos. causa uma preocupação, né, professor, para nós brasileiros já estamos acostumados com temperaturas mais altas, mas a gente tem visto, né, na Europa temperatura, sensação térmica pelo menos, que chega aí perto dos 50º. Então, automaticamente, o brasileiro já pensa: "Nossa, o verão aqui como é que vai ser, né? Se na Europa tá chegando a esse ponto, então a gente pode ter altas temperaturas, mas por enquanto nada que indique algo tão extremo quanto que a gente tá vendo por lá. a gente ainda não consegue eh detalhar, mas a gente tem uma forte expectativa de ondas de calor intensa, sim, principalmente ali eh no meio da primavera, começo do verão, é o período mais propício a essas ondas de calor. E e é interessante destacar que essas ondas de calor elas impactam, não é não são só dados de temperatura, né? eh elas impactam a qualidade de vida das pessoas, o bem-estar das pessoas, a saúde. Então, tem muitas doenças que elas eh têm suas origens, causas e e ou então processos de agravamento, né, devido ao calor. Inclusive, tem estudos que indicam que se a gente for somar todas as tempestades, tornados, furacões que ocorrem no mundo todo e que causam fatalidades, eles não atingem o número de fatalidades que o calor excessivo eh atinge, né? Então, calor mata mais do que tempestades. Então, é que a gente não percebe de forma tão imediata, porque acontece a longo prazo, devido a exposição contínua, a extremos e muitas vezes eh na saúde das pessoas se manifesta através de uma doença, de um agravamento, né, de uma condição. Então, é importante destacar isso. E além de de impactos na saúde, a gente tem impactos fortíssimos na agricultura, né? Eh, prejuízo aí em safras, limitação. Eh, o calor também geralmente tá associado a maior evapor transpiração, em alguns casos a períodos de seca também mais prolongados que podem comprometer eh safras agrícolas. a gente tem também associado ao calor excessivo um aumento na demanda de energia elétrica, né, por conta de ar condicionado. Então, eh, são coisas importantes, são aspectos importantes que precisam ser levados em consideração, eh, nesse em todo esse planejamento, né, da nossa sociedade, ao poder público e também a todos os agentes envolvidos na tomada de decisão nesses eh nesses setores da sociedade. E aí para quais meses que a gente deve ter esse impacto maior, né, desse super Eloninho, até pensando na questão da agricultura e das safras também que devem ser mais impactadas. Uhum. A partir de setembro, principalmente, né, quando o Euninho começa a a ter uma maior intensidade e os impactos dele se tornam mais sistemáticos aqui na nossa região. E é quando também os modelos de previsão sazonal vem indicando o temperaturas médias mais elevadas. Bom, o que que causa, né, professor, depois de falar tanto desse fenômeno, o que que causa um super e ninho que, na verdade você explicou, seria um eho muito forte, né, usando o termo técnico correto, né, super forte. O que que causa esse fenômeno? Até que ponto é normal a gente ter um super eho aqui pra nossa região, né, pro nosso continente também? Bom, eh, o eho eles ele começa a se desenvolver quando a gente tem eh padrão de ventos ali na região equatorial do Pacífico que que mudam. Os ventos ali, eles costumam soprar de leste para oeste, então, eh, daqui da América do Sul em em direção a à região ali da Oceania, da Ásia, né? E quando eles fazem isso, eles favorecem o o que a gente chama de ressurgência de águas um pouco mais frias do fundo do Oceano Pacífico. Então eles empurram as águas mais quentes em direção a a esse continente asiático. E com isso a gente tem o surgimento de águas um pouco mais frias, o que é o normal. Anos de laninha a gente tem um reforço desses ventos, então a as temperaturas ficam mais baixas. Em anos de alinho, a gente tem ou um enfraquecimento desses ventos, então eles não conseguem remover essa água quente ali do Pacífico da costa da América do Sul com tanta eficiência, ou em alguns casos até mesmo a reversão desses ventos, favorecendo o acúmulo eh dessas águas quentes aqui. Então, nesses processos é que a gente tem eh o o Elninho e a sua intensificação. Então, eh, a gente não tem uma recorrência, embora é o ninho, ele tem uma recorrência a cada dois, 7 anos, não são ciclos regulares, né? Mas a a frequência de super e deuninhos muito fortes é bem mais baixa, né? Então, a gente tem aí alguns na década de 70, 80, eh também nos anos 2010 ali a gente teve episódios, então eles são mais intervalados entre um ninho muito forte e outro, a gente tem uninhos de outras intensidades também. E algo interessante, eh, é que embora ainda a gente a gente ainda não tem estudos conclusivos, mas quando a gente, eh, tenta estabelecer uma relação entre as mudanças climáticas e a a intensidade e frequência de aluninhos, eh o os estudos ainda preliminares eles sugerem que eh tanto Elonim quanto Laninha podem ficar mais intensos, embora não não a gente não tem ainda uma correlação com a frequência mas eles devem ficar mais intensos e isso potencializa o o que os impactos deles vão de fato ocorrer. Bom, isso tudo, né, esses ciclos, eles têm a ver com as mudanças climáticas ou são fenômenos diferentes, né? É uma questão de fato cíclica. Como que a gente pode relacionar o Elinho com isso? Essa é uma ótima pergunta e e acho que é muito importante que as pessoas entendam essa distinção, né? Quando a gente fala deinho, de outros modos de variabilidade climática, o que a gente tem são flutuações eh temporárias, né? Alterações temporárias nos padrões climáticos em escala pode ser regional ou global, mas a gente sempre tende a voltar ao estado normal, que a gente considera normal. Eh, então a gente tem anos deinho, a gente tem anos de laninha e a gente tem anos de neutralidade, pegando o exemplo do e oscilação sul, né, que é o pacote completo. É, quando a gente tá falando em mudanças climáticas, a gente tá falando de mudanças nos padrões, é, que a gente conhece de chuva, de temperatura e e são padrões importantíssimos, porque a partir deles a gente estabelece que todas as nossas atividades humanas, agricultura, energia e e tudo mais, eh as mudanças climáticas afirmam que a gente vai ter mudança nesses regimes de uma forma definitiva. Então, eh, pessoas dizem, né, que as estações do ano elas estão diferentes como eram algumas décadas, né? Eh, e é mais ou menos nesse sentido, né? Então, a gente vai ter padrões climáticos diferentes. Aquilo que hoje a gente considera como anomalias, como extremos, podem vir a se tornar como o novo normal, né, daqui algumas décadas. e a gente já vem tendo eh alguns impactos que eram esperados lá paraa década de 50, por exemplo, que já estão ocorrendo agora. Então, é correto a gente dizer que o aquecimento global ele potencializa essa questão do Elninho, né? Tem então uma influência também dessas mudanças climáticas. Sim, sim, tem. Embora o Elinho e Laninha já ocorriam muito antes, né, das mudanças climáticas, né? Então, desde ali da época do descobrimento do Brasil, literalmente já se percebia que alguns fatores aconteciam e que mudavam eh padrões climáticos. Eh, as mudanças climáticas elas vêm em paralelo, né, com Elninho e Laninha e podem eh atuar em conjunto. Quando é que a gente teve o último grande Elninho, né, agora a gente se preparando aí para esse super Elninho, falando popularmente, mas quando que a gente teve em último evento como esse é recente ou já faz algum tempo? Olha, na categoria de Ninho muito forte, a gente teve ali eh por volta de 2015, né, o o último evento, que foi assim indiscutivelmente um eho muito forte. a gente teve ali de 2023 para 24, eh, uminho também bastante intenso, mas eh dentre os cientistas climáticos não se teve assim uma unanimidade em dizer se foi um ninho forte ou muito forte, mas a gente percebeu os impactos eh mesmo assim, né? Então, muitas ondas de calor que a gente teve aqui, boa parte do do Brasil, né? temperaturas records, eh outras eh, oscilações climáticas em escala global contribuíram para potencializar esses impactos. Então, é importante que a gente não analise só a questão do Elninho. Quando a gente tiver fazendo essa análise mais cautelosa, eh, então precisa ser levado em consideração, né? Então, aqui, por exemplo, no Brasil, temperaturas no Atlântico, Atlântico Sul, eh, no Atlântico Norte, ali também podem influenciar, potencializar eventos de seca no norte ou de chuvas intensas no sul do país. Inclusive, tem algumas correlações com com de polo de temperaturas lá no Oceano Índico, né, que pode coexistir com Eloninho e e também eh potencializar os impactos. Então, eh, nada na atmosfera é muito simples, né? Então, eh, a gente sempre tem que olhar para esse lado mais mais complexo na busca por explicações e por um uma melhor capacidade, né, de se preparar adequadamente. Bom, paraa nossa região, você já falou sobre altas temperaturas e mais chuva, né, aqui pra região de Campinas. Quando a gente fala em altas temperaturas, dá para cravar. A gente tá falando do quê? Mais ou menos máximas em torno, né? De quantos graus? Você disse de 3, né? Para cima, alta de temperaturas. Então, a gente tá falando de máximas de quanto aqui para Campinas? É assim, falando até em termos de da temperatura do ar, né, aqui pra região das anomalias de temperatura, algo em torno de 2º de anomalia, pegando ali os meses de setembro, outubro. Eh, e assim, quando a gente fala de 2º de anomalia de temperatura, eh, de um dia pro outro não parece fazer muita diferença, né? se fez 29º num dia, 31 no outro, mas quando a gente tá falando ali de um mês, de um trimestre, de uma estação, né, longo prazo, isso é bastante expressivo. Então, ah, nos dados do CPAGR, a maior temperatura que a gente tem ali desde 89 foi em torno de 39,5, né, em 2020. Eh, eh, e, e claro, e essa temperatura pontual, ela ajuda a levantar a média de um mês inteiro, mas eu diria que a gente eh pode esperar temperaturas pelo menos da ordem de 35, 36º, né, ali, principalmente para setembro, começo de outubro, que é quando a gente tem eh maior incidência, né, de de ondas de calor. Mas a gente não tem como ter precisão nesse momento. Agora é uma é uma estimativa eh baseada em eventos passados, né? Recorrência de eventos passados. Eh, no dia a dia, na previsão do tempo. Aí a gente consegue determinar melhor isso, caracterizar melhor e aí medidas eh mais personalizadas, digamos assim, podem ser tomadas. Então, a longo prazo, a gente espera ter anomalias bastante pronunciadas de temperatura e a gente espera que, por conta desses indicativos, ondas de calor intensa aconteçam no dia a dia. Como que essas ondas de calor vão acontecer? Eh, a gente depende da previsão do tempo aí com um horizonte operacional um pouco mais curto, né? Eh, e salientando assim, a gente tem o prognóstico de chuvas acima da média até o começo ali da primavera, então até setembro. Eh, adiante daquilo, a gente vai estar numa região eh no limear, assim, entre uma porção do Brasil que tem uma tendência de ter um verão mais seco, né? Boa parte do centro norte do país tem essa essa previsão. E na região aqui parte de São Paulo, Mato Grosso do Sul e o sul do país tem tendência de manter chuvas acima da média. A gente tá meio que nesse nesse meio de campo, né? Então ainda tem um grau de incerteza com relação a isso. Mas eh sabendo que boa parte do Brasil vai est passando por um período de secas, né? Eh, é algo que sem dúvida nenhuma também impacta na nossa região. Oi, aí os impactos diversos, né? Tem a questão mesmo da geração de energia, né? E também do consumo que aumenta, né, com ar condicionado, ventiladores, enfim. Então, ou seja, é é algo que tem que ser um alerta aí pros governos para que se preparem de fato para esse período que tá perto, né? A gente tá falando de uma previsão já para daqui dois meses pelo menos, né, Bruno? Sim, exatamente. Então, eh é importante que que esses dados, né, essas informações meteorológicas, elas sejam incorporadas em estudos especializados voltados para paraa engenharia, para eh questões eh urbanas, eh agrometeorologia, né, produtividade agrícola e também geração de energia elétrica. Eh, e sem dúvida nenhuma já vem sendo, né, incorporados eh para que a gente consiga antecipar os piores cenários possíveis e evitar que eh uma condição adversa resulte em impactos negativos que poderiam ser contornados, né? Em alguns casos a gente consegue mitigar esses impactos, né? Em outros casos, eh, infelizmente a gente precisa lidar com medidas mais eh, de remediação, né? Então, eh, enchentes, por exemplo, muito muito graves, muito severas, que abrangem regiões que geralmente não sofrem, né, devido ao excesso de chuvas, eh, a gente não tem como impedir que casas sejam invadidas pelas águas, mas a gente pode fazer o máximo para conter essas águas e em último caso, né, resgatar pessoas, por exemplo, né? Então, aí e cada situação exige uma resposta. Bom, para quem nos assiste, né, o termo pode assustar um pouquinho, né, do super ninho que você explicou já que, na verdade, não é o termo correto, mas exemplifica, né? Mas para as pessoas que nos acompanham, como se preparar então para esse período, a gente deve ver já esses reflexos então na primavera, né, Bruno? não precisa nem esperar a chegada do verão aí para esse calor mais intenso. Como é que as pessoas elas podem se preparar para isso e podem evitar também aquele alarmismo, né, aquela preocupação desnecessária diante desse termo. Exatamente. É, inclusive assim, algo interessante é que as informações meteorológicas, né, e climáticas, elas mesmo antes de se concretizarem os os fenômenos, os eventos, elas mexem com a estrutura da sociedade, seja com a questão eh emocional das pessoas, né? Hoje em dia a gente já tem questão do da ansiedade climática, né? Eh, e a gente tem também até aspectos da economia que repercutem eh simplesmente pela possibilidade de determinados eventos meteorológicos e climáticos acontecerem, né? Então, acho que é eh de fundamental importância que eh as pessoas assim no no seu dia a dia elas estejam cientes dessa possibilidade. Então, que medidas que elas podem tomar, principalmente aqui na nossa região, para lidar com o calor excessivo, né? Então, eh, seja alguma adaptação dentro de casa do ambiente doméstico, eh tem em mente, né, cuidados que precisam ser tomados com pessoas que já têm doenças, idosos, pessoas com comorbidades, eh crianças também, né? eh e outras estruturas que precisam ter eh locais de trabalho, escolas, eh precisam também ter medidas que visem a mitigar esses impactos, né? E no caso aqui da nossa região, principalmente com relação ao calor excessivo. É, normalmente quando a gente associa mortes a questões climáticas, a gente pensa mais num frio extremo, mas o calor extremo também é super perigoso, né? Exatamente. Então, eh, frio extremo ou tempestades, muitas vezes vendis, né? né, que são eh episódios mais pontuais, mais dramáticos, o calor ele vai se estabelecendo ao longo do tempo, né, assim como a seca também, né, então depende desse e aí a gente não percebe, né, que a gente tá entrando num num ciclo mais intenso. Pra gente fechar pro poder público, né, quais setores aí demandam mais atenção também para que já se preparem para esses próximos meses? Bom, sem dúvida nenhuma, eh, essa questão, né, das escolas, eh, refrigeração, né, das escolas, climatização, melhor dizendo, é de fundamental importância e, sem dúvida nenhuma, campanhas e medidas eh com relação à saúde, né? Então, o bem-estar, né, da da população também, o plantil de árvores, é excelente identificar eh focos de calor eh dentro das cidades, porque a gente tem não só uma ilha de calor na região urbanizada, mas dentro das cidades a gente tem esses focos. Então, o que que pode ser eh feito para melhorar isso em termos da estrutura das cidades? E é conscientização com relação à à saúde das pessoas. Eu acho que é uma medida também fundamental, eh, que deve ser um dos principais impactos que a gente pode ter aí nos próximos meses. Bruno Bain aqui com a gente, ele que é meteorologista do CEPAGRE da Unicamp, trazendo então as informações sobre o superinho previsto pros próximos meses. Bruno, muito obrigada, viu, pelas explicações, por aceitar também o nosso convite aqui pro ponto de vista. Eu que agradeço, é uma grande satisfação e contem conosco para mais episódios. Muito obrigada e já agradeço também a você que nos acompanha aqui em Mais um ponto de vista. Muito obrigada pela sua audiência, pela sua companhia. Te espero na próxima semana. Até lá. [música] [música] [música] [música] Tranquilo. Eu fiquei sem retorno.
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