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Ponto de Vista | Banalização do TDAH
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Ponto de Vista | Banalização do TDAH

53 views Publicado semana passada HD · 33:31
Resumo editorial

A psicopedagoga Carla Hartunge desmonta a banalização do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) nas redes sociais e explica que se trata de transtorno neurobiológico, hereditário e genético — não se "pega" ou desenvolve depois. Estimado entre 5% e 8% da população mundial, o TDAH tem três subtipos (desatento, hiperativo e combinado) e traz prejuízos escolares, profissionais e sociais. A entrevista alerta para o risco do autodiagnóstico via TikTok e Instagram.

Descrição do vídeo

Hoje é muito frequente as pessoas brincarem que “esqueceu a chave de novo porque é TDAH” ou fazer piada com a falta de atenção, além de se autodiagnosticarem com base em vídeos de redes sociais. Essa banalização do diagnóstico acaba prejudicando as pessoas que realmente sofrem com o transtorno de déficit de atenção.

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[música] esquecer as chaves, o celular, perder horas, distrair durante uma conversa, quem nunca fez uma dessas coisas. Mas será que isso é TDAH? Com o crescimento de conteúdo sobre o tema nas redes sociais, muita gente tem se autodiagnosticado e até banalizado um transtorno sério que afeta a vida de milhões de pessoas. Hoje, no ponto de vista, a gente discute os perigos dessa prática e o que realmente é o TDH. Para isso, recebemos hoje a psicopedagoga Carla Hartunge. Carla, bem-vinda ao ponto de vista. Muito obrigada, viu, por aceitar o noso convite. Prazer é meu. >> Bom, Carla, pra gente começar, né, do início, o que que é o TDH de verdade, além do que a gente vê nas redes sociais sobre esse tema? >> Bom, na verdade, o TDH ele é um transtorno neurobiológico que ele é hereditário, é genético, diferente do que muitas pessoas falam por aí, ah, eu peguei TDH. Não, ele, você nasce com ele ou você não nasce, ele começa a desenvolver desde a infância. E eu creio que para mais 90% da população ele continua até a vida adulta, tá? Hoje a gente estimativa de 5 a 8% da população mundial tem o TDH. >> Ou seja, é errado a pessoa dizer que a desenvolveu o TDAH está desenvolvendo. Isso não existe. >> Não, não existe. Ou você nasceu ou você não tem. >> E a predominância disso é genética mesmo, cara. Quais são os fatores que facilitam, né? >> É, na verdade assim, sempre que você tem é diagnosticado de verdade com o TDH, eh, você pode procurar que algum parente você tem, ou a mãe ou o pai, que talvez não saiba que tem o TDH, mas ele tem o gênio. Você pode perguntar: "Ah, ele não ia bem na escola? ele tinha dificuldade eh de se entrosar, de conversar com os amigos, era mais quietinho e nunca naquela época, há tempos atrás, não iam muito, né, a veriguar e pode ter certeza que era, >> pode até ser confundido com uma timidez ali, uma pessoa mais fechada. Como é que é essa questão? >> É, na verdade, esse é um dos pontos da banalização, né, o tema da nossa conversa. Eh, as pessoas elas tratam como ah, é o típico tipo dele, eh, o temperamento. Não, não tem temperamento. O TDH ele tem muita, traz muito prejuízo pra vida, tanto prejuízo escolar, prejuízo no cotidiano, no desenvolvimento com as pessoas, no trabalho. Muita gente pede emprego por causa do TDH. Então, eh, não é uma brincadeira. >> E existe também um mito, né, Carl? Uma ideia de que o TDAH ele é a desatenção, né, acima de tudo. Isso é verdade ou não? Quais são os principais sinais do TDH? >> A desatenção, ele faz parte, tá? Nós temos três tipos de de TDH. Bom, predominantemente desatento. Esse é o mais difícil da gente conhecer, porque ele é mais quietinho, ele não é hiperativo, ele não tem aquelas estereotipias. Qual que é o prejuízo dele? Escolar e social. Então, às vezes a família nem vai atrás. Aí nós temos o hiperativo, esse é muito mais fácil de diagnosticar, é a maior procura por causa da hiperatividade. E nós temos o combinado que daí é os dois juntos. É aí é aquele combinho, né? >> E aí em que fase da vida, Carla? E esse transtorno ele começa a ficar ali mais evidente? Porque você já explicou que a pessoa nasce já com TDH, mas quando ele passa a se tornar perceptível para que a família ela tenha ali algum sinal, né, de alerta de que há algo diferente. >> Ã, desde a infância as os pais percebem alguns traços, né? Entrando na pré-escola, aí isso começa a se acentuar. Porém, muitos casos só vão ser diagnosticados quando adulto e aí são os mais difíceis de serem corrigidos e serem ajudados. >> E por que que isso acontece? Porque justamente é levado como se fosse normal. Ah, eu esqueci, eu eu sou quietinho mesmo, eu sou tímido, não gosto de festa, não gosto de conversar com as pessoas. Esse é o meu ponto. Eu sou desse jeito. E não, não é assim. Se você for realmente atrás de um laudo bem feito, né, não desses testes de internet, você vai ver que você é mais do que uma timidez. você tem um TDH que poderia ter sido muito bem ajudado. >> Bom, e é comum a gente ver hoje as pessoas assistindo ali os vídeos na internet, redes sociais, naqueles vídeos de 30 segundos com teste, ah, descubra se você tem TDAH ou até mesmo autismo, né? Algo mais sério ainda. E as pessoas muitas vezes assistem e se identificam. Qual que é o risco disso hoje, Carla? E por que que a gente tem tantos sinais, né, que podem ser comuns e são confundidos com o TDAH, >> tá? Então, vamos lá. Ah, TikToks, aqueles videozinhos, né, da internet. Aí você pega uma um estereótipo aqui, um outro ali e fala assim: "Ah, sou DDH". Não, isso não é er, isso é errado, né? Ã, aí eu esqueci, fui para casa, esqueci o carro no trabalho, esqueci que estava de carro, fui pra escola, fui pro trabalho, esqueci a chave em casa. Não, isso daí muitas vezes é excesso de trabalho, é estress, é cansaço. Então não tem nada a ver com TDH. Por outro lado, tem aqueles que são confundidos pela família e aí não vão atrás, né? Então eu diria assim que o prejuízo é enorme para os dois lados e tem aqueles também que se automedicam. Aí a coisa é pior >> que aí é mais perigoso ainda, né? a >> além de você se auto intitular, você vai atrás de uma medicação e a gente sabe que as pessoas sempre dão um jeitinho de conseguir a medicação por fora, né, que é totalmente errado, né? >> E a gente tá falando até, Carla, de quais tipos de medicação e quais são os riscos também desse uso indiscriminado? H, estimulantes, eh, antidepressivo, ã, bom, esses são os principais, os estimulantes e o antidepressivo, tá? Eh, temos até estimulantes assim que duram 24 horas, que faz que faz bem pro TDAH, mas para quem não tem não tem necessidade disso, né? Então temos que tomar muito cuidado, muito cuidado. E o prejuízo também é enorme para quem tem o TDH, porque daí eles não são levados em em consideração. >> Ou seja, essa banalização, ela pode prejudicar quem realmente tem o TDAH. Car, >> com certeza. Com certeza. Eh, aí eles colocam, começam com aquele estereótipo dia preguiçoso, não dá conta, tá fazendo o corpo mole. Ah, eh, não entrega o trabalho porque não quer. E na verdade não é assim, não é que eles não querem, é biológico, eles não conseguem. Uma coisa importante pra gente destacar, eh, o TDH, ele tem, ele começa muita coisa ao mesmo tempo. Ele tem aquele anseio, ele quer fazer, então ele escolhe 1000 coisas, porém ele não dá conta de nenhuma. Bom, e como é que o diagnóstico corrento ele é feito? Carla, a gente tá falando da pessoa que pode assistir um vídeo ali na rede social, pode se autodiagnosticar de forma errônea, mas por outro lado, esses vídeos eles podem ser um sinal ali, né? Um start para que a pessoa que realmente tem o TDAH ela vá atrás de um diagnóstico e se sim, como fazer isso da forma correta? >> Sim, sim. eh, levantou aquela puguinha, levantou aquela perguntinha, foi atrás de um neuropediatra ou de uma psicopedagoga, porque nós vamos fazer uma avaliação multidisciplinar. Então, no caso aí só quando eu entro, né? Então, nós vamos fazer uma bateria de exames, eh, protocolos, entrevistas, puxar desde lá de quando você era pequenininho, de quando a criança nasceu, da gestação, tudo o histórico. Aí passar por vários testes, vários protocolos para encaminhar para o neuro. Quem fecha o diagnóstico é o neuro, tá? O psicopedagogo, ele levanta todas as hipóteses e encaminha para o neuro. >> E aí, quais são os sinais ali que merecem atenção quando a gente fala de um possível TDH, né? A gente a gente falou aqui da desatenção, né, que é um sinal que pode ser comum também, a questão daquele que é mais ativo, do outro que é mais desatento, ou seja, podem ser sinais também confundidos muitas vezes com a personalidade, né? Por isso essa baralização, mas quando deixa de ser ali algo que que é da pessoa, a personalidade de fato para algo que já é um sinal de alerta. Qual que é essa linha? >> Agora eu vou falar como mãe, mãe de TDH. H, quando você percebe que o seu filho chega da escola quieto, introvertido, quando ele não tem amigos, quando você fala assim para ele, não tem nenhuma festinha esse final de semana, você não quer ir na casa de nenhum amigo e ele fala assim que não. E se fecha, aí você pode começar eh perguntar para ele o que que tá acontecendo, pode começar a investigar. O rendimento escolar começa a cair de uma hora para outra. Ele estuda, estuda, estuda para avaliação, chega na hora da prova, vem tudo abaixo da média. E isso eh fere o emocional do adolescente, da criança. Então assim, esse é um dos pontos, eu acho que mais cruciais para um adolescente que tem TBH. Você citou a questão do desempenho escolar. Toda pessoa com TDH vai ter um desempenho escolar prejudicado ou não necessariamente? >> Não necessariamente. Não necessariamente. Eh, tem TDH que vai muito bem e até se você não perceber realmente, não prestar atenção nos traços, você não disse que ele é TDH, tá? Mas eu diria que 80% dos TDHs t prejuízo escolar. E aí, como é que os pais eles podem, a partir dessa suspeita, buscar a ajuda profissional? Qual que seria o caminho correto, né, para conseguir esse auxílio e também o diagnóstico? >> Bom, presta atenção, principalmente na escola. Os professores, eles são um ponto fundamental. Aí se o professor falou: "Ah, ele tá muito desatento, ele não tá acompanhando". Então, qual que é o primeiro passo? passar ou passar com o neuropediatra, pedir essa avaliação ou até ir direto para uma psicopedagoga, porque a partir desse tratamento, dessa avaliação, o neuropediatra vai saber se é necessário medicar ou não. Nem todo TDH usa medicação, isso é importante de nós salientarmos, tá? Qual que é o tratamento do para um TDH? Medicação, se for o caso, intervenção psicopedagógica, terapia, tá? E o principal, o acolhimento familiar. Você lidar com um adolescente com TDH, uma criança com TDH, não é fácil, tá? Eles têm, muitas vezes, eles desregulam emocionalmente, não sabem colocar para fora aquilo que eles estão sentindo e aí eles acabam explodindo. Então, o apoio da família é fundamental e não é fácil. >> Muitas vezes a família pode dizer: "Ah, mas a a pessoa tem uma personalidade forte, difícil e às vezes se trata do TDAH". Exatamente. Exatamente. Contando que o TDH ele pode não vir puro, ele pode ter comorbidades. Então, por exemplo, junto ao TDH, ele pode vir com uma depressão, uma ansiedade, ã, um tod. >> O tonde, você pode explicar pra gente que é >> o transtorno opositor desafiador, tá? é aquela criança que ele é um pouqu ele é mais difícil de você conseguir trabalhar com ele, ele é mais inquieto, ele te enfrenta mais. Então essas são algumas características do TOD, tá? Aí esse precisa sim de uma intervenção eh medicamentosa, na maioria das vezes, tá? Então assim, muita atenção no nos tipos de TDH, tá? Raramente o TDH vem puro, >> certo? E aí sobre o tratamento também, você já disse que não é todo caso que precisa de um de um medicamento ali do remédio, né? Principalmente quando a gente fala das crianças ali ainda em desenvolvimento. Quais são as outras terapias hoje pro TDAH? >> Bom, então vamos lá. Terapia comportamental com o psicólogo, tá? avaliação e acompanhamento psicopedagógico. Ah, mas psicopedagogo só brinca. Não, não é assim, né? Através das intervenções, através dos jogos, nós vamos trabalhando com eles. Coordenação motora, concentração, a escrita, eh, alfabetização, tudo de uma forma lúdica. E claro que não é de um dia paraa noite, tem um período aí, mas a evolução do quadro dessa criança é fantástica. E quais são os impactos, né, Carla, paraa criança, pro adolescente que não tem esse diagnóstico, né, e apresenta ali, de repente algum sinal social que é meio mascarado, às vezes a família não vai perceber ou mesmo professores, colegas, mas para essa pessoa existe ali um prejuízo social de de desenvolvimento também, né? Quais são os principais impactos para essas pessoas? muito. Eh, como eu já disse, pode desenvolver uma depressão muito séria, porque se você vai olhar, ele tá sozinho no recreio, ele não é convidado para festa nenhuma porque ele é o esquisito da turma. Ah, eu não quero ficar perto daquele menino, ele tá sempre mexendo a perna, ele tá sempre chacalhando as mãos. Então, ele é o esquisito da turma. Hã, trabalho escolar, ele é o último a ser escolhido. Então, tudo isso impacta a vida emocional dessa criança, desse adolescente, tá? E isso ele pode levar para sempre, ele pode levar pra vida toda. Se não for tratado na fonte com terapia, com intervenção, pode virar uma consequência muito séria. >> Quais seriam elas falando das mais sérias aí, além, claro, da depressão, da ansiedade que você já citou? Olha, eu já vi caso até, eu não sei se eu posso falar a palavra, eh, adolescentes que chegaram a se matar por causa disso, tá? Eles, adolescente não consegue viver sozinho. Eles precisam do globo dele, da tribo deles, eles precisam. Então, quando eles não encontram, eles têm, eles tentam a escapar. É aí que entra também o cyber, é aí que entra os jogos de internet, eles ficam trancados nos quartos. Então tudo isso vai prejudicando mais ainda a criança. Eles não descem para jogar uma bola, eles não vão ao parque mais. Às vezes até evita o contato com a família. >> Para os adultos, Carla, é mais difícil da gente perceber esses sinais. Quais que são os prejuízos mais comuns para quem chegou já à vida adulta? sem esse diagnóstico. >> Bom, então vamos lá. Primeiro passo é o adulto querer ser diagnosticado, porque existe aí uma grande de um preconceito aí na parte adulta, tá? Apesar que eu tenho recebido muita procura de adultos querendo diagnóstico de TDH, só que aí para no diagnóstico, não quer a intervenção, é só saber o que tem, né? H, o adulto ele pode, ele para os estudos, ele chega a perder trabalho, por patrão manda alguma coisa, o chefe pede alguma coisa, ele esquece de fazer. ou ah, daqui a pouquinho eu faço. E aí vai procrastinando e quando ele vê já passou o dia, semana e ele não entregou o que o que lhe foi pedido. >> Existe uma dificuldade para cumprir ali os prazos. >> Sim, sim, sim. E não é preguiça. Uma coisa muito importante, não é preguiça. Realmente eles não conseguem. É biológico isso daí. Eles não conseguem. É aí que entra a medicação. Nesse caso, ela é fundamental. >> E aí, para que chegue nessa fase da pessoa receber ali a medicação, claro, tem que ser feito também todo o diagnóstico, correto? Pros adultos é aquele mesmo caminho que você já citou, para quem tem essa dificuldade, se identifica com isso que você tá dizendo. >> Se se a pessoa quer seguir os passos, correto, é esse o passo. >> Uhum. >> Tá. Não adianta pular etapa, é pior. Você pula uma etapa, aí depois você fala assim: "Mas tem alguma coisa errada aqui?" Aí tem que voltar lá pro começo de novo. Então, seguir, fazer o protocolo correto para ter um um diagnóstico fechado e um tratamento perfeito. >> Para os adultos, esse tratamento ele também vai além da medicação, Carla? Como é que funciona, né, esse acompanhamento que é feito? >> Sim. Eh, diferente das crianças que nós trabalhamos com jogos, né? Eh, nós trabalhamos ali com eles com intervenções, eh, com livros, com jogos aí, talvez até no computador mesmo para ser mais atrativo para eles, né? Mas fazemos as intervenções. O que, qual é o problema? Eles param na metade e aí o tratamento perde toda a eficácia e retrocede tudo que evoluiu. Então, o adulto é mais difícil de lidar. E aí, qual que é a importância até da família nesse processo, né, tanto para as crianças quanto para adultos também, para que de fato a pessoa ali ela permaneça, né, no tratamento quando há esse diagnóstico. >> Incentivo. Incentivo pra criança é mais fácil porque ele vai seguir as regras do pai e da mãe, né? Agora, para os adultos é incentivo. Eh, primeiro é o adulto mesmo querer, querer mudar, querer melhorar. Segundo é a família. É a família. >> Bom, Carla, se você puder também compartilhar com a gente a sua experiência, você tem também filhos, né, que tem o o TDH. Como é que é a sua experiência como mãe de jovens também com esse transtorno? O que que você pode dizer também pros pais aí que nos assistem? >> Bom, semanh, não é fácil. Eh, nós sofremos de todos os lados. Sofremos por vê-los sozinhos. Sofremos por vê-los indo mal no colégio. Muitas vezes sofremos por vê-los ansiosos, chorando sozinho. E você pergunta para ele, por que você tá chorando? Nem ele mesmo sabe te responder, tá? Então assim, qual que é o que eu tento fazer? Acerto 100%. Jamais. Mas o que que eu tento fazer? Acolher. acolher e buscar o tratamento. Então, vai paraa terapia, não quero ir. Vai mesmo assim, vai pro psicólogo, vai pro psiquiatra, vai tomar medicação. Medicação você tem que lembrar, o adolescente, a criança não sabe o horário. Se bobear, passa três, quatro dias sem tomar. Então, assim, todo horário, coloca lá Alexa para despertar. Em casa é assim. Então assim, toca Alexa, já pega o medicamento, leva para ele ou faz ele ir até aonde fica guardado a medicação, desde que você tenha ciência de que ele está tomando o medicamento certo e a quantidade correta. Tem casos de adolescentes que são espertinhos e tentam enganar os pais. Então assim, temos que vigiar isso também, tá? Mas assim, minha solidariedade, vamos atrás, não deixem eles sem tratamento. Não espere chegar na fase adulta, na fase de faculdade. Quanto mais tarde esse diagnóstico vier, mais difícil vai ser para ele. Então, quanto antes correr atrás, desde l pequenininho, eh, eu tenho mães me procurando com três aninhos, ó, eu acho que ela tem TDH, meu marido tem TDH. Vamos começar a intervenção. Perfeito. Vamos começar já. Quando for jovem, não que vai sumir, mas vai estar estabilizado. >> Quanto mais cedo começar esse tratamento, menores são os impactos no desenvolvimento. >> Yes. É isso aí. Quanto mais Quanto mais precoce, mais rápido vai ser a equalização, né? Sumir não some, tá? DDH é pra vida toda. >> Não tem cura, digamos assim. Não sei se é o termo correto, mas não tem, não vai desaparecer, né? controle ali, o transtorno, >> rotina, outra coisa importante, eh, o adolescente ele precisa de rotina, o adulto com TDAH precisa de rotina. Uma coisa que eu fazia muito pro meu filho quando ele era pequenininho, é aquelas tabelinhas de comandos. Então, ele levantava assim, ah, e ele já olhava lá, o que que eu tenho que fazer hoje? Ia lá, colocava a estrelinha, fez, arrumava a cama, colocava a estrelinha, fez a lição, colocava a estrelinha. No final do dia ele tinha uma recompensa, então ele ganhava uma hora de de vídeo, uma hora de internet. Então assim, são dicas que nós vamos trabalhando no dia a dia e passando isso para os pais, né? >> Aí para os adultos, né? Como é como que é também eh incentivar essa questão de manter essa rotina? Porque você disse que há uma tendência ali, não só ao esquecimento, mas a procrastinar também. Então, para os adultos, como é que é trabalhada essa questão de manter uma rotina que ajude, né, a a controlar o transtorno? >> É, eu sou casada com TDH também. >> Ah, é? [risadas] >> Então, tem uma experiência ali com jovens e adultos também, né? >> Sim. Então, assim, qual que que eles precisam? Eles precisam de agenda. Agenda. Eh, lembretes no celular, eh, tudo. Anotem tudo. Ah, não, mas eu não vou esquecer disso. Vai esquecer. Não é porque você quer, mas você vai esquecer. Então, tudo que você puder anotar, tudo que você puder se programar, a acorda de manhã, faz um checklist, o que que eu tenho para fazer de manhã? Prioriza, faz primeiro os principais e aí por último subsequência. Então assim, esses são os pelo menos os cincos principais de hoje. Conseguiu cumprir, beleza, deu tempo, tá com pique ainda, vai pro de baixo. Não deu, tudo bem, joga pro outro dia, não se cobre muito, tá? O principal é você estar bem com você, estar bem com sua família. Isso é o principal. >> Bom, Carla, você tem essa vivência além da profissional também a familiar, né, dos seus filhos, do seu esposo, né? Como é que as pessoas que nos assistem também podem notar ali algum sinal nos familiares, né, adultos também? Muitas vezes o companheiro, a companheira que não tem ali um diagnóstico, existe também algum sinal que seja um alerta ali para que a pessoa busque esse diagnóstico, né? Incentive também o parceiro ou a parceira? >> Tem, tem sim. Bom, ã, eu diria assim, o primeiro sinal que nós temos que observar, mudança de humor. Uma hora tá bem, passou 10 minutos. Parece que caiu o mundo. E você olha assim e fala assim: "Por quê? Que que aconteceu?" Então, não aconteceu nada. Então, mudança de humor. Eh, essa fase do esquecimento, ah, tá de final de semana, tá tranquila em casa, não teve não teve nenhum estress, começou a esquecer muita coisa, liga a chavinha. Eh, começou a ficar muito inquieto. Controle da TV não para, muda no canal, não pare em nada para assistir. Ligam a chavinha. São dicas assim do dia a dia que você precisa prestar atenção, tá? >> Sobre o esquecimento, né? Eu até citei aqui no início, né? Aquela questão da pessoa que perde muitos objetos ou esquece ali um horário, perde hora. Até que ponto, né? Isso pode ser algo normal e pode ser um sinal do TDH. A gente tá falando de qual tipo, de qual nível, aliás, né, de esquecimento. Quando a gente fala do TDAH, >> eu diria mais com que frequência, >> certo? >> Eu esqueci hoje que eu tinha um médico. Ontem eu fui ao médico e esqueci de levar meu exame. Acontece. Agora, com que frequência eu esqueço dos meus compromissos principais? Ah, eu tenho agendado vários compromissos para hoje. Passa o dia, passa dois dias, depois eu vou lembrar de tudo que eu tinha planejado. Fique esperto. Se começar a virar uma rotina, isso vai atrás, conversa com o neuropediatra, conversa com a psicopedagoga, tira as dúvidas e aí vai as as coisas vão se encaixando. >> Por outro lado, a gente tá vivendo uma época, né, Carla, com muita informação, né, com rede social ali 24 horas praticamente, né, nas telas. Isso tudo também pode acabar sobrecarregando a gente, né? A gente fica mais esquecido ali ou fica mais agitado também. E isso pode contribuir até para essa banalização, né, do TDH, quando a gente vê as pessoas dizendo: "Ah, eu devo ter TDAH ou ah, eu tenho". Sem nunca ter feito um diagnóstico. Isso também pode ser um ponto chave para um sintoma que muitas vezes não tem a ver com o TDH, mas é confundido, né? >> Sim. Eh, o excesso de tela, ele tem uma um estímulo muito grande no cérebro. Isso tanto para criança quanto para adulto, eh, principalmente para o adolescente, que passa o dia inteiro ali, ó, só rolando a telinha ou então só nos joguinhos, que é o caso do meu filho, que ama aquele celular, que ama aquela telinha. Então, assim, nós temos que ajudá-los a entender, a dosar. Isso daí é fácil, não? Eles aceitam fácil? Não, mas assim, tudo que em excesso faz mal e o excesso de tela tá trazendo muita consequência pros jovens, muita, tá? E com certeza pode ser confundido com o TDH. >> Bom, é a questão das terapias também, Carla, que você comentou, né? Existem também eh vários tratamentos além do medicamentoso, né, para essas pessoas, tanto as crianças quanto adultos também. E tem tipos diferentes. Então esses tratamentos também eles dependem ali do tipo de TDH que a pessoa tem. Tem o tipo ali mais agitado, né, que você disse, a pessoa que é mais quietinha, mais desligada. Então o tratamento ele depende também do tipo de sintoma que a pessoa manifesta, assim como a medicação também, ela pode ser diferente. >> Sim, com certeza. É para isso que serve a avaliação. É por isso que nós vamos tudo desde da gestação até aquele momento para poder criar a intervenção necessária. O médico vai fazer a mesma coisa, ele vai começar com uma dosagem baixa de um medicamento mais tranquilo e aí ele vai adequando, vai nivelando até você se sentir bem. É o mesmo procedimento, tá? Ou seja, para quem tá em casa nos assistindo, jamais se automedique, né, Carlos? De forma, de forma alguma. Ontem mesmo eu assisti um um videozinho numa rede e a moça falou assim que pegou um remédio de um amigo que tinha sobrando e tomou. gente, não faça isso. É, você pode até gostar do que você vai sentir naquele momento, mas isso pode te fazer um mal tremendo, porque você vai ter uma queda depois do pico, porque assim, ele te dá um pico e depois que nessa queda você vai se sentir muito mal e você não vai ter o amparo de um outro medicamento. Então, assim, jamais faça isso. Para quem nos assiste hoje, se identificou com muito do que foi falado, Carla, qual que é a principal orientação que que a gente pode deixar de mensagem final para essas pessoas ou para quem identificou ali algum filho, parceiro, parceiro, algum familiar que tem esses sinais também? >> Eh, não tenha vergonha, não fique recioso, procure ajuda. Eh, ninguém tá ali para te julgar, ninguém tá ali para falar mal de você. Muito pelo contrário, esquece esse estereótipo de é meu comportamento, é meu temperamento. Não. Busca ajuda, busca um acompanhamento. A qualidade de vida é outra. Depois que você tem o ajuste, se necessário, da medicação e da terapia, a qualidade de vida muda drasticamente. >> Carla, e pra gente fechar, quando o TDAH ele é tratado ali como uma moda, né, como uma brincadeira, qual que é o impacto real para quem de fato convive com esse transtorno e como você já explicou pra gente, sofre muitas consequências ali graves, né, por conta do TDAH. >> É, eu costumo falar assim que o TDH é uma dor, tá? Eh, e realmente é uma dor. Só quem tem ou quem convive com o TDH sabe as dificuldades que eles enfrentam. Então, eh, não analise, não tire sarro, eh, vamos atrás de auxiliar. As escolas podem fazer as adaptações necessárias, tá? Se tiver muita banalização, se as pessoas começarem a tudo é TDH, tudo é TDH, as pessoas vão começar a deixar de lado, tá? As escolas vão começar a não dar a devida atenção, a não adaptar as provas como tem necessidade. Os trabalhos, os chefes precisam ter um pouquinho mais de paciência com as pessoas que têm TDAH. Sei que não é fácil, mas tenta ser um pouquinho mais cauteloso, mais receptivo para essas pessoas e vamos atrás, vamos cuidar. >> Carla, muito obrigada, viu, por aceitar o nosso convite, por trazer aqui pra gente também o seu ponto de vista. >> Eu que agradeço. Obrigado pelo convite. >> Muito obrigada. E já agradeço também a você que nos acompanha aqui pela TV Câmara em mais um ponto de vista. Muito obrigada pela sua audiência, pela sua companhia aqui com a gente e te espero na próxima edição. Até lá. >> [música] [música] [música] [música] [música]
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