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Ponto de Vista | Machismo e misoginia nas escolas: como proteger as meninas?
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Ponto de Vista | Machismo e misoginia nas escolas: como proteger as meninas?

78 views Publicado 04/04/2026 HD · 36:39
Resumo editorial

O programa Ponto de Vista coloca em debate o machismo e a misoginia no ambiente escolar, tema urgente que extrapolou o discurso para se tornar drama cotidiano de meninas brasileiras. A reportagem cita casos recentes como o estupro coletivo em Copacabana envolvendo estudantes da mesma escola da vítima e a lista de meninas mais estupráveis circulada em colégio de elite em São Paulo, eventos que escancararam como a violência de gênero atravessa salas de aula, corredores, ônibus escolares e redes sociais de adolescentes. A psicóloga convidada explica que o machismo se constrói através de atitudes que estabelecem suposta superioridade do masculino sobre o feminino, com efeitos como desigualdade salarial, segregação por áreas do conhecimento e violências silenciosas disfarçadas de brincadeira. A conversa aborda como a escola pode identificar sinais precoces de violência, formar professores para lidar com a pauta, acolher denúncias, romper a normalização de piadas e gestos misóginos, e construir cultura de respeito que proteja meninas em Campinas e no país.

Descrição do vídeo

No Ponto de Vista desta edição, o programa coloca em debate um tema urgente: machismo e misoginia no ambiente escolar 📚⚠️. A entrevista com a psicóloga Maísa Checcia discute como essas violências aparecem no cotidiano das escolas, muitas vezes disfarçadas de brincadeira, piada, comentário sobre o corpo ou estereótipos repetidos entre alunos, professores e familiares. A conversa parte de casos graves de violência de gênero para mostrar que o problema começa muito antes, quando a criança ou adolescente aprende em casa e na escola ideias como “meninos não choram”, “meninos são melhores em exatas” ou “meninas são melhores em humanas”. Esse tipo de mensagem reforça desigualdades e limita o desenvolvimento das meninas. 💔 Ao longo do programa, Maísa Checchia explica que a escola tem papel central na prevenção dessas violências, com educação sobre corpo, respeito, consentimento, limites e convivência 🛡️. Também é fundamental capacitar professores e equipes escolares para reconhecer sinais de assédio, sexualização, bullying e exclusão, inclusive quando o problema acontece no ambiente digital 📱. O episódio também discute como a adultização precoce, o acesso à pornografia e o uso de redes sociais influenciam o comportamento de crianças e adolescentes, ampliando riscos de exposição, constrangimento e violência. Em casos de foto íntima vazada, comentários misóginos ou chantagens em grupos de mensagens, a orientação é acolher a vítima, evitar culpabilização e acionar apoio psicológico e jurídico. 🔒 Outro ponto forte do programa é a reflexão sobre o impacto dessas violências na autoestima, no rendimento escolar e nas relações futuras das meninas. Quando a escola deixa de ser um espaço seguro, a criança pode reagir com isolamento, medo, ansiedade e dificuldade de confiança. Família, escola e comunidade precisam atuar juntas. 🤝 Assista ao vídeo completo e entenda por que combater o machismo nas escolas é uma tarefa coletiva e urgente. Se você acredita em uma educação mais justa, compartilhe este conteúdo, deixe seu comentário e ajude a ampliar esse debate. 👏 Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

Transcrição completa do vídeo

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[música] Olá, o ponto de vista de hoje fala sobre um problema que começa cedo e que a escola não pode mais ignorar o machismo e a misogenia no ambiente escolar. Casos recentes como estúprio coletivo em Copacabana, envolvendo estudantes da mesma escola da vítima e também a lista de meninas mais estupráveis em um colégio de elite em São Paulo escancaram com uma violência de gênero atravessa salas de aula e corredores das escolas. E para entender como a escola pode combater essas violências, recebemos hoje a psicóloga Maissa Kequia. Doutora, muito obrigada por aceitar o nosso convite. Seja muito bem-vinda. Obrigada. Obrigada mais uma vez por estar aqui. Vamos nos debater sobre esse assunto que é tão importante, né, necessário. Bom, doutora, e antes da gente entrar nos casos de violência em si mais graves, né, vamos começar do início pra gente entender esse contexto, né, como é que essas violências praticadas dentro das escolas, elas podem estar disfarçadas ali de um ambiente que aparece no dia a dia, de brincadeiras, muitas vezes, de estereótipos, né, que são reproduzidos muitas vezes como coisa de menino, né, como piada dentro do ambiente escolar. Exatamente. É uma boa pergunta pra gente começar a pensar, né? Então, a gente precisa entender que o machismo ele é uma atitude ou um grupo de atitudes que fazem com que a gente entenda que existe uma diferença em termos de eh superioridade entre o masculino e o feminino. Então, a gente pode falar de desigualdade social ou salarial. A gente pode também falar sobre questões de, ah, os meninos dão conta disso e as meninas não dão conta. Então, por exemplo, os meninos são das exatas, as meninas são das artes, né? E a partir do momento que a gente coloca que eles têm uma superioridade com relação a nós, aquilo já começa a entrar em conflito. Muitas vezes, o que que tá, que que a gente tá começando a enxergar? que de fato existe uma uma história antecedente que essa esse adolescente ou essa criança já aprende em casa, né? Na relação com a mãe e o pai, na relação com o irmão e a irmã, nessas relações até em que dentro da sua própria casa o menino não é autorizado nem a chorar, né? Eh, eu não posso demonstrar as minhas emoções. Eh, a, o meu pai chama minha mãe de burra, disse que ela não sabe fazer nada e que ele é o único provedor da casa. E a partir disso você vai construindo uma base e uma estrutura que por si só já diz: "Mulher fica ali e só ali." E nós, homens temos liberdade para ir e vir. Eh, temos mais capacidade, recebemos mais, temos mais oportunidades, tá? Então, a gente precisa entender que nós estamos falando de uma estrutura de base e que essa estrutura precisa começar a ser atingida para que a gente atinja os outros graus e os outros ambientes em que esses adolescentes estão vivenciando hoje em dia. E aí você trouxe até alguns exemplos, né, desses comentários nas escolas que ai os meninos, ou melhor em exatas, né, tem coisas de menina, coisas de menino. Mas além desse tipo de comentário que é mais comum, quais são outros exemplos, né, de machismo dentro do ambiente escolar, não só entre alunos, mas muitas vezes o machismo que é reproduzido ali por professores e professoras também. Exatamente. Então, a gente também tem aquele professor que vai dizer que a sala dele é composta por mais meninos, que a sala que o durante a a prova dele ou a disciplina dele, o rendimento melhor é da classe dos garotos, né, da parte dos garotos. Ele começa a disseminar uma um eh um território, né, eh entre meninos e meninas dentro da sala de aula. Na educação física, ele vai fazer atividades, meninos eh jogam futebol e as meninas vão jogar um esporte um pouco mais afeminado. Que esporte seria esse então, né? Porque todos podem competir por igualdade. A gente também vê certos tipos de comportamentos em que os professores eles começam a apontar, caracterizar coisas nos corpos das meninas. no corpo das alunas, né? Então, uma aluna que é um pouco mais delineada, uma aluna que não é, uma isso vai fazer com que ele entenda que ah, ela tem mais chances de do que não, né? Eh, então a gente começa a observar que sim, tem por parte do do professor, da mesma forma que também vai ter por parte da professora, talvez porque ela também já viveu essa essa estrutura de base e ela vem de uma tradição que ai os meninos vão bem em física, em química, em matemática. As meninas super vão bem em história e geografia. Ah, e o mais importante de todas as matérias, português. Português é domínio da da femininidade, dos meninos não, tá? E aí, como é que isso, principalmente para as meninas, né, doutora, pode ali interferir até na questão da autoestima, né, limitar também as possibilidades de futuro, de desenvolvimento com esse tipo de ideia, né, que é difundida nas escolas. Exatamente. Porque daí o que que acontece? elas começam a ser alimentadas por esses eh por essas cercas, né, vamos dizer assim, são cercas que delimitam o potencial dela. Então ela começa a entender e interiorizar que, ah, de fato, eu só sou boa em português, nossa, eu sou boa em inglês. Ah, eu queria tanto ser engenheira, só que eu vou melhor só nas na nas humanas e então eu tenho que fazer letras, pedagogia. né? Eh, que fique claro aqui que eu não tô defendendo isso, tá? Eu sou super de acordo de que mulheres podem fazer e qualquer e entrar em qualquer local do mercado de trabalho, seja engenharia, eh, biologia, seja em pedagogia mesmo, seja em qualquer área. Mas de um certo modo elas vão começando a interiorizar que de fato elas são melhores só naquilo, então que elas podem investir a carreira delas nisso, né? Eh, e aí a partir disso, a partir dessa alimentação que elas vão fazendo, eu acho que elas vão interiorizando algumas regras sociais. Eu preciso só ficar aqui, o meu lugar é esse, eu não posso me pronunciar, né? Se a gente tem uma cultura em que a gente consegue eh dizer a essas meninas que não, elas podem fazer o que elas querem da forma como elas querem e dizer para elas: "Ó, essa cerca aqui ela não existe, ela é imaginária, você pode ultrapassar elas, né? é um dos nossos papéis dentro da sociedade hoje em dia de esclarecer tanto na escola quanto em outros ambientes em que essa menina, essa adolescente está eh inserida, que ela tem total direito, tanto ela quanto o menino, né, e que o direito dela deve ser exercido, tá? Eh, então é uma questão que a gente pensa na família, é uma questão que a gente pensa na escola e que a gente pode pensar em qualquer outra eh eh ser de comunidade em que ela vive, né? Igreja, clube, enfim. E aí a gente começa a fazer com que elas entendam que elas têm espaço em qualquer lugar. Agora falando de situações até que podem envolver já uma violência, né, além para além do machismo já, doutora, a gente traz aqui um recorte da pesquisa Livres para Sonhar, que é da ONG Serenas, que mostra que sete em cada 10 professores já presenciaram ali alguma agressão ou sexualização também contra as meninas, né? E muitas vezes vem ali um toque, né, sem consentimento, que tá disfarçado de uma brincadeira, alguma cantada ali indesejada falando já dos adolescentes, né? Por que que tem ainda muita dificuldade para que os professores reconheçam essas situações e combatam também esse tipo de coisa dentro do ambiente escolar? Porque até então era o socialmente aceito, né? Era os meninos no flor das suas da sua idade, no com os hormônios, a flor da pele. Ah, mas é só uma brincadeira, não tem um fundo de verdade. Ele não tá fazendo isso com o intuito sexual. Hoje em dia a gente observa que sim, que tem um cunho sexual, porque cada vez mais eles estão tendo acesso às redes sociais, a conteúdos adultizados, a questões da pornografia. Então, de fato, ele começa a ter interesses, né? Eu tive uma paciente que ela relatava para mim que ela ia paraa escola de moletom todos os dias, calor ou frio, porque os meninos queriam passar a mão nela e ela passava o recreio todo fugindo dos meninos porque eles queriam passar a mão nela. E ela já se declarava naquela época como uma moça, com algumas eh algumas características avantajadas no corpo dela. Ela falou, ela falava: "Eu tenho quadril, eu tenho peitos, né?" E eles se interessavam. Então, há pouco tempo atrás, a gente olhava para isso e falava assim: "Nossa, a gente precisa lá falar pro fulaninho que não pode ser assim". mas não tinha nenhuma outra eh consequência com relação a isso, né? Hoje em dia a gente até pensa o que que a gente pode fazer com relação a esse tipo de eh, vou dizer de exposição ou esse tipo de manejo ou esse tipo de de aproximação, de afago e de toque, né? Primeira coisa, eu acho que a gente precisa passar por um processo dentro da escola de educação, né? Eh, o corpo é da pessoa e ela não está para ser apalpado, afagado em situação nenhuma, né? Eh, as meninas elas já entendem às vezes em alguns momentos eh que elas estão ali para tentar se defender, né? Só que se a gente pensa que se elas têm essa necessidade de se defender, a gente entende então que o ambiente não tá propício para proteger essa aluna que deveria estar num lugar que é protegido, que é dentro da escola. Então a gente já parte desse pressuposto de que algo está dando errado, né? E aí a gente faz essa parte de educação, a gente eh coloca disciplinas para eles. Então, por exemplo, eu tava até discutindo antes de eu vir para cá, projeto de vida, empatia, questões éticas, valores, princípios para principalmente as crianças e os adolescentes, né? como que eles vão precisar encarar a sociedade e como eles vão encarar o a a figura feminina dentro da escola e como eles vão encarar a figura masculina dentro da escola, né? E entender que esse tipo de comportamento em que ele vai e a palpa, ele vai e toca com um agrado ou mais ou não, não é mais é aceito socialmente, né? não é uma coisa que a gente vai passar a mão eh na cabeça, no caso. Eh, e você falou, doutora, sobre a adultização das crianças, né? Infelizmente, cada vez mais cedo expostas a conteúdos ali adultos e impróprios nas redes sociais, na internet como um todo, né? Então, em que momento essa educação, essa orientação, ela tem que começar hoje dentro das escolas, na sua opinião? Desde cedo, né? A gente tem dentro da Sociedade Brasileira de Pediatria eh um informativo dizendo quais são os períodos em que uma criança pode ter acesso a ao celular, porque consequentemente a criança tendo acesso ao celular, o adulto tem que eh ter esse cuidado e ver o que que a criança está fazendo para poder bloquear certos conteúdos e deixar o livre acesso, livre acesso, entre aspas, mas deixarem acesso outros conteúdos com os adolescentes é a mesma coisa, não é? Que depois dos 11, 12 anos eles completaram, chegaram na pré-adolescência que o celular tá liberado, não está, né? Até os 16, 18 anos existem estudos que dizem o quanto o acesso ao eletrônico em longos períodos de tempo tem prejuízos emocionais e cognitivos. Tanto é que além do do dessa questão da violência, né, da questão da exposição sexual, a gente também pode pensar nos prejuízos cognitivos em termos de ansiedade e depressão. E aí a gente pensa naquele naquelas trends, né, em que eles se colocam em risco, todos aqueles comportamentos ali que a gente precisa ficar de olho num adolescente, numa criança também. E aí vem uma outra coisa muito importante que precisa ser observado, uso do WhatsApp, né? O uso do aplicativo de comunicação, ele é uma ferramenta que, infelizmente, tá sendo usado para discriminar eh situações eh e eventos, como você até colocou no começo, né, de um grupo de WhatsApp de alunos fazendo escalas de meninas, quem era das mais estupráveis para menos. Sim. inclusive nesse caso com punições também que a escola aplicou, mas o ideal seria que não ocorresse que não ocorresse, que é aquela questão de a gente atingir o que tá acontecendo na base dessa estrutura para não escalonar a nível de ter esse tipo de eh problemas nesse grau de afetar a autoestima de uma de uma memina, né, que era o que a gente até tava falando na questão anterior. essa moça, essa menina que está dentro de um contexto da escola e ela começa a ser minada por todos esses sentimentos, por todos esses acontecimentos, ela vai ter dificuldade de relacionamento futuro, né? Porque ela não sabe em quem que ela pode confiar. Se a escola era para ser um local seguro e não está sendo, aonde é que ela vai pensar que ela pode ficar tranquila na casa dela. Mas e se o pai for um pai machista? É meio que assim, tô, eu tô num cenário meio sem saída, sabe? Sem saber a quem recorrer, né? Nesse caso, doutora, além da orientação que a gente falava aqui dessa educação para meninos e meninas, né? Qual que é o papel da escola em relação a isso? Principalmente quando esse tipo de comportamento dos meninos acontece ali dentro do ambiente escolar, aquilo que a gente falava da piada sobre o corpo, de passar a mão no corpo ali da menina, né? Muitas vezes a menina ela não vai relatar isso pra escola por medo de exposição ou de que não haja nenhuma providência. Mas o que seria adequado em termos de providência, né? O que é responsabilidade das escolas nesse sentido, tá? Ela ela provavelmente não vai relatar por medo, né? Eh, por medo de que ela já tá num ambiente que era para ser seguro e não é. Por medo de ser uma mais uma vítima de bullying, de dizer que ela era mentirosa, que ela fez por merecer. E aí ela começa a ter esse medo, isso vai gerando cada vez mais ansiedade nela e ela vai tentando se distanciar com o objetivo de tentar eh sair desse ambiente aversivo. O que que é a escola, né? Então, que qual que é o papel da escola? A escola, ela também tem que vir com essa questão de estruturar de uma forma mais em ali na base, por isso precisa ser construído desde da desde o período infantil. né? A gente precisa entender que, eh, por exemplo, dentro da clínica, a gente faz uma atividade muito básica para as crianças que estão em desenvolvimento, qualquer faixa etário. Eh, a gente tem um corpo humano e a gente mostra ele no desenho quais são as áreas que as pessoas podem tocar. Então, por exemplo, um ombro, a cabeça e quais são os as partes em que isso já gera uma atenção, que seria um sinalzinho amarelo, e o que não pode, que seria o sinalzinho vermelho. Então, a gente da educação da própria criança de saber que em certos locais ninguém pode tocar certo, exceto mamãe e papai às vezes para dar banho. E aí ela vai, ela tendo essa essa construção para consigo mesma. ela começa a entender que ela também precisa respeitar o corpo do outro, do coleguinha que está do lado, da amiguinha. E isso a gente vai levindo pilar a pilar, degrau por degrau, a partir do momento que eles vão evoluindo e vão se desenvolvendo e a gente vai trazendo cada vez mais informações para que eles apliquem no contexto onde eles estão. Então, a educação infantil, a gente usa isso muito bem concretizado. Tem um bonequinho, vamos lá, o sinalzinho aí vamos pro ensino fundamental um, ensino fundamental dois. a gente já começa de fato a partir de histórias, livros, a contar coisas de que não podem acontecer em hipótese alguma, né? A contar como a gente espera que as relações deles sejam construídas ao longo do tempo e como que eles devem eh se portar tanto para si quanto para o outro, né? Então, eu tenho que ter um respeito para mim e um respeito para o outro. A partir do fundamental dois, as coisas têm que ser muito mais claras e objetivas, né? Eh, porque eu tenho visto em alguns até eh casos dentro do meu consultório eh manifestações de crianças assim a partir dos 10, 11 anos, falando de tamanhos de membros, se faz isso com o fulano, vamos fazer isso com o belrano. Então, essa curiosidade, essa coisa de se comparar, quando a gente a gente entra no ensino médio, a gente pode até trazer um recorte do que é a caminhada da lei brasileira, Lei Maria da Penha, dentro da história, dentro da geografia e dentre outras tantas disciplinas que a gente pode trazer esse tema, principalmente quando a gente fala de disciplinas extras curriculares que não estão ali na base curricular nacional, mas que pode ser um projeto de vida, um projeto de empatia, de ética, de de questão de projeto de valores e princípios, né, regras sociais, morais, porque eu acho que é isso que tá faltando, a gente colocar isso na nossa grade. Ou seja, isso passa também por políticas públicas, né, doutor? tem que passar para que esteja ali na grade, né, curricular, enfim, do ensino público para as escolas particulares também terem essa base. Mas além disso, os professores também falta hoje um preparo para que eles saibam abordar essas questões, né, em sala de aula, porque são por são assuntos delicados, né? Você comentava a questão de já falar de órgãos sexuais, tamanho do membro, enfim. Então é um assunto ali que pro professor tem que ter um preparo adequado, principalmente dependendo da faixa etária, né, para que aborde essa questão na sala de aula. Sim. Por quê, né? Eu vou te dar um exemplo assim que aconteceu comigo há um tempo atrás. Eu tava acendendo um paciente meu eh 11 anos e aí ele falou para mim que eh ele perguntou para mim se eu tinha passado por bullying na escola. E eu contei que sim e disse como como aconteceu. Aí eu conversei com os pais e falei: "Olha, ele me fez uma pergunta, eu tô achando que tá acontecendo alguma coisa na escola". Passou duas semanas, a gente descobriu que ele estava, ele estava sofrendo bullying e ainda sofrendo bullying da parte sexual, né? Eh, e aí o que que acontece, né? O professor nem sempre vai ter tempo, ele nem sempre vai ter aquele olhar atento daquele indivíduo, né? Porque agora ele tá numa sala de 20, ele tá numa sala de 30, ele tá numa sala de 40. E o olhar tem que ser muito atento, porque as coisas acontecem no banheiro, mas é quando você tá dando aula, pode acontecer durante a aula, dentro da sala de aula, enquanto tá passando um bilhete, ou até hoje em dia não pode mais levar o celular pra escola, graças a Deus, porque o grupo do WhatsApp podia est ali bem ativo, mas após aula existe essa essa continuidade, né? Então assim, o professor também precisa de uma de uma capacitação, buscar algo para que ele comece a enxergar os seus alunos de uma forma que eles consigam eh ali detectar algumas questões que podem ser um potencial risco ou de fato alertar que algo está de errado definitivamente. Agora, quando a violência ela envolve os alunos mais no ambiente digital, né? Você falou sobre a proibição do uso dos celulares nas salas de aula, mas claro, né, que os alunos vão ter ali um contato eh fora da escola, vão ter seus grupos de WhatsApp, enfim, redes sociais. Quando essa violência ela acontece envolvendo um ou mais alunos contra uma outra aluna ali da escola, né, a responsabilidade ela é também da escola, ainda que seja no ambiente digital e fora ali do período escolar. Doutora, como é que fica essa questão? Sim, eu acredito que a escola tem uma sua parcela de responsabilidade, até porque hoje em dia esses adolescentes eles estão passando bastante tempo dentro da escola, né? Fora da escola eles com certeza vão ter o acesso ao celular, porém eles estão comentando sobre questões que aconteceram no ambiente escolar, né? Ah, mas foi numa festa e a festa foi durante o final de semana. e a escola não estava envolvida. São alunos da mesma sala ou alunos da mesma escola que tiveram comportamentos que não são adequados ou ou assim extremamente inadequados, né? Eh, e a escola sim tem uma um papel importante na preparação deles para estar em diversos ambientes, não só dentro da escola, né? Ah, mas então a escola tem que fazer parte da educação dos do dos adolescentes e das crianças? Tem. Eu acho que hoje em dia as coisas estão tomando uma proporção tão grande que é importante que a gente entenda que cada um vai ter a sua parcela de responsabilidade na formação e na constituição daquele ser humano. Então, a família tem, a escola tem e a outra parte da comunidade em que esse indivíduo está inserido também vai ter uma parcela de de responsabilidade. Sim. E hoje a gente tem também um ingrediente a mais nesse cenário, doutora, quando a gente fala de de ambiente digital, que é a questão de exposição de fotos íntimas muitas vezes, né, de ameaças ali, comentários, até o uso da inteligência artificial, que aí é um problema, não só para jovem, né, mas paraa mulher, enfim, né, em si também é uma questão delicada hoje. Como é que a escola ela pode identificar esses sinais, né, de que tem algo errado ali ou de que pode haver algo errado antes mesmo que isso aconteça, né, uma exposição ali de uma foto íntima, alguma ameaça nesse ambiente digital. E se a gente for pegar um caso de uma menina que teve a sua foto exposta, como que será o comportamento dela dias depois da foto ter sido eh vinda a público? provavelmente ela vai estar muito eh introspectiva, vai estar usando eh mais roupas porque ela quer se esconder, porque ela tem vergonha do que aconteceu. Ela ainda não sabe, mas ela vai descobrir que ela não tem culpa, mas ela tem um sentimento de culpa aí no meio, né? E quando eu falo que ela vai descobrir, porque ela tem que passar por um processo terapêutico, ela tem que passar por um processo de aconselhamento, ela precisa ser acolhida e ela tem que entender que aquilo não foi culpa dela, né? Eh, então é importante que a gente comece a perceber que grande parte dessa população que sofreu de alguma forma um toque ou um comportamento de um colega ou até mesmo a exposição de uma foto, ela vai se fechar, ela será, ela ficará introspectiva. Em alguns casos vocês podem observar também a diminuição do rendimento escolar, dificuldade de ir para a escola, eh queixas, eh sintomas físicos, dor de barriga, sudorese, vômito. E aí as você vai vendo que cada vez mais ela vai ficando embutida. E aí quando você consegue de fato acessar essa aluna, você observa que ela tem passou por algum processo traumático e os impactos paraa saúde mental ali são imensos, né, do terríveis, né, ainda que a violência ela se limite, que é também um tipo de violência, mas se limite ali alguma brincadeira. A gente citou no início, inclusive aquele grupo de WhatsApp que foi criado por alunos de uma escola de elite, né, de São Paulo, classificando ali as colegas, né, como mais ou menos estupráveis. Quer dizer, ainda que a violência, o ato não tenha ocorrido, esse tipo de brincadeira, entre aspas, traz um impacto ali terrível pra saúde mental, muitas vezes até irreversível, né? Exatamente. Tem um impacto sim na saúde mental, tem um impacto na autoestima, tem um impacto na autoconfiança. E aí, por isso é importante que ela faça um tratamento, né, eh, que pode ser que dure anos, dure anos essa esse trauma que ela passou, eh, para que ela entenda e interiorize, né, que ela não foi a culpada. Aquele caso do estupro coletivo em Copacabana, a mãe relatava que a menina não entendia que ela não era culpada, né? Ela se ela entende que ela é culpada, ela mereceu passar por aquilo. Ela pedia desculpas, inclusive na ela pedia desculpas e ela inclusive chegou a verbalizar que ela não queria mais viver, que ela não tinha mais sentido para isso, né? E aí se constitui todo um trabalho nesse sentido. E após uma semana ela começou a conseguir enxergar isso de uma outra maneira, mas ainda muito traumatizada, tá? Hoje em dia eu tenho eu tenho no meu consultório algumas mulheres que passaram por esse tipo de violência na infância e após 30 anos ainda falamos sobre isso em sessão. Doutora, e uma outra questão que eu acho que também ela ela faz sentido em relação às escolas, né, serem responsáveis por isso. esse tipo de coisa sempre ocorreu no ambiente escolar ou a gente tá vendo uma mudança até por conta eh da mudança de geração, né, a adutização dessas crianças, a exposição à pornografia, a conteúdo inadequado das redes sociais. Isso muda o ambiente escolar hoje ou hoje a gente consegue identificar melhor esse tipo de situação? Que que acontecia antes? Era o menininho que abaixava a calça da menininha, era o menininho que abaixava a calça do outro menininho. E aí a escola tratava isso como curiosidade, né? Ah, e é um episódio de curiosidade, ele tá aprendendo que é o corpo dele, porque ele sabe como é que agora como é que funciona e não sei o quê. Então era curiosidade, já acontecia, né? E você sabe que eu tava fazendo essa reflexão mesmo. Falei: "Gente, mas quando é que o mundo virou? O mundo não virou. A gente começou a ter um entendimento melhor da situação. A gente começou a ver mulheres brigando, colocando leis, escancarando o que está acontecendo, né? Hoje, por exemplo, ontem acho que eu vi um vídeo de um, era um rapaz, ele entrou atrás da da ex-companheira dentro de um elevador e uma outra moça foi apartar a briga dele com a mulher, né? Então, a gente não se cala mais, a gente tá querendo saber mais, a gente tá tendo mais oportunidade de informação, porque a partir do momento que as crianças e os adolescentes eles têm acesso ao celular e aos conteúdos de pornografia ou que às vezes não são adequados paraa idade dele, por outro lado, a gente também tá tendo mais informação e a gente consegue fazer uma outra leitura. do que tá acontecendo. E as escolas têm que acompanhar essa mudança toda, né, doutora? Não dá para deixar essa educação somente a cargo dos pais, né? Até porque acontece muito mais no ambiente escolar, né? Sim. Sim. Porque é ali que acontece as primeiras relações, né? Acontece os primeiros amigos, eh, as primeiras brigas. Ah, mas mas ele vai no condomínio também, também. Mas é ali que as relações começam a se firmar. são constituídos os os blocos eh de amizades, né? Os melhores amigos, as não tão amigas. brigou hoje, amanhã já tá se falando de novo, mas é ali que se constitui as primeiras relações. Agora, doutora, a gente falou muito aqui do papel das escolas em identificar essas violências, né, em combater também essas violências com a educação, com a orientação ali dos alunos mais e quando essa violência que pode ser grave ou não, pode ser aquele comentário inadequado, aquela piada, ela parte dos próprios professores, como é que fica a situação do do jovem, né, diante disso, eu acho que isso tem acontecido de uma forma indiscriminada, inclusive, né? Eh, eu não vou te dizer exatamente o porqu têm feito esse tipo de comentário, mas me parece que é como se fosse fazendo parte do jogo, fazendo parte do da piada, eh, sem entender o real sentido daquilo, né? Sem entender que, ah, você não vai bem em matemática, fica lá com a sua professora de história. O que isso pode impactar na vida de uma pessoa, né? o que isso pode impactar na vida de uma aluna. Eh, eu nunca me esqueço de um professor meu que ele deu um exercício eh físico na aula dele e ele fez uma ele fez um comentário machista naquela época. Eu já tenho isso já faz mais de 20 anos e eu lembro exatamente o documentário dele. Então, e e ele assim, obviamente naquele momento ele achava que ele estava correto, mas para aquela para aquela cultura, para aquele tempo, ele deveria estar, porque a gente ainda não observava isso, né? a gente não levava tanto em consideração, mas os impactos eles são importantes, inclusive vindo daquele mestre que deveria acreditar no meu potencial, né? E aí se ele faz um comentário desse, às vezes até porque ele está estafado e ele não aguenta mais uma bagunça dentro da sala de aula, mas as coisas também t limite, né? Tem outras formas de colocar os adolescentes e as crianças sem controle dentro de sala de aula. Por isso que a gente falou, né, que eles precisam de uma capacitação, eles precisam passar por um processo de aprendizagem também, né? Precisam ser acolhidos. Ou seja, começa esse diálogo primeiro com o preparo ali dos profissionais, né, dos professores e depois com os alunos. É uma construção, doutora, aqui ela pode levar um tempo para chegar no ideal. A gente tá muito longe ainda desse ideal, na sua opinião aqui no Brasil, se ela pode levar um tempo ou não, eu um tempo grande ou não, eu espero que não, porque as coisas estão acontecendo aqui e agora, né? A gente não tem tempo de parar, olhar, investigar, formatar e colocar em prática. A gente tem que praticar agora. É agora, não é daqui a pouco, né? Então tem que ser para agora, doutora. Inclusive, pra gente encerrar, gostaria que você deixasse um recado para as meninas que podem estar nos assistindo e passando por alguma situação ali de violência no ambiente escolar, vindo de colegas, de professores, né? Não só de violência, mas algum assédio, machismo em si. E muitas vezes não sabem o que fazer para quem recorrer. Que recado você deixaria hoje para essas meninas? Para essas meninas, eu diria o seguinte, eh, a violência ou o assédio, né, ou a essa essa movimentação que acontece dos meninos com relação às meninas, elas nem sempre vão vir direcionadas a um tapa, a um chute, a um soco, como se fosse um ato físico. Muitas vezes elas vêm através de um comentário, ela vem através de de desacreditar no seu potencial, ela vem de uma desigualdade sua com relação a um homem. Ela vem de uma desvalorização. Isso vocês têm que entender que na verdade é um problema deles, né? Mas nós também devemos dizer, conversar, trocar ideias e não permitir que isso aconteça. Se você precisar, nós temos um sistema jurídico hoje no Brasil, tem leis para isso. Existem tantos outros projetos de leis com relação a isso que podem nos ajudar e também tem ONGs, né, que podem oferecer apoio para você e paraa sua família. Dout. Maisa, muito obrigada. viilu, por conversar aqui com a gente. Um bate-papo muito importante para jogar luz, né, nesse tema tão delicado, tão difícil e que precisa ainda de tantos avanços nas escolas. Muito obrigada, viu, pelo pelo seu ponto de vista, pela sua participação. Obrigada. Eu agradeço muito pelo convite. Muito obrigada e agradeço também a você que nos acompanha em casa em mais um ponto de vista. Muito obrigada pela sua audiência, pela sua companhia aqui na TV Câmara. Te espero no próximo ponto de vista. Até lá. [música] [música] [música] [música]
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