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[música] [música] O Sistema Único de Saúde, o SUS é considerado um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, garantindo acesso gratuito e universal a milhões de pessoas no Brasil. Porém, o sistema também enfrenta críticas, desafios e um debate cada vez mais presente. Afinal, o SUS precisa acabar ou melhorar. De um lado, a quem aponte as falhas, filas e dificuldades de acesso. Do outro, especialistas defendem que o sistema é essencial e precisa ser fortalecido. No programa de hoje, vamos conhecer o ponto de vista do médico sanitarista Fábio Alves. Ele que faz parte da equipe do Hospital de Clínicas da Unicampinas. Olá, Dr. Fábio. Muito obrigada por aceitar o nosso convite e seja muito bem-vindo. Olá, agradeço pelo convite. É uma honra estar aqui discutindo um tema tão importante. Bom, doutor, pra gente iniciar esse bate-papo, o que é o SUS de fato? Qual que é a importância desse sistema pra nossa população brasileira? O SUS é uma política pública, né, que tem um papel muito importante de produzir ações de saúde pública, onde aspectos de cura, tratamento, prevenção e promoção é uma responsabilidade, né, um dever do Estado brasileiro e um direito das pessoas, consolidando, portanto, a necessidade de construir uma rede de serviços que possa atender as pessoas em várias em suas várias necessidades. Agora, o SUS ele é relativamente novo, né, doutor? Podemos dizer que as gerações mais antigas não tinham o SUS desde o início, né? Ele foi criado lá em 88 junto com a Constituição. É isso. Perfeitamente. Ele nasce nesse nesse processo, né, brasileiro, uma história importante onde havia-se todo o movimento da redemocratização. E e a construção do SUS, ele é conhecido como o movimento da reforma sanitária brasileira, onde um conjunto de profissionais de saúde, um conjunto de de intelectuais das universidades, movimento popular, estudantes, produziram aí um movimento de garantir o SUS, então enquanto uma política, enquanto um sistema, enquanto saúde, enquanto direito. Então, é, ela é marcada por esse processo histórico, determinando, portanto, também a saúde como uma relação democrática, uma relação do Estado brasileiro com esse dever de proteger, proteger as pessoas nos seus vários níveis de intervenção, nas suas várias perspectivas de cuidar e saúde das pessoas da população brasileira. Portanto, o SUS vem se constituindo, né? O SUS é muito novo em comparando com outros com outros países, né? Podemos lançar aqui mão historicamente, né, do primeiro sistema nacional de saúde, foi na revolução de 17 na Rússia, onde a determinação do sistema era muito uma lógica de estatização, né? Eh, o mais famoso no mundo que ficou muito reconhecido é o NHS, que é o Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido, da Inglaterra, né, que é determinado ali após, né, imediatamente na Segunda Guerra Mundial, em 45, que se transforma, portanto, uma uma lógica de uma burocracia estatal também, né, com papel de estado para proteger as pessoas naquele momento. Agora, aqui no Brasil, como era o atendimento antes da criação do SUS? era só para trabalhadores formais, né, doutor? Como é que era feito esse atendimento? Como era o acesso à saúde antes disso? Exatamente, né? Eh, a gente a gente tinha nós tínhamos uma divisão muito muito clara, né? Em que pessoas que tivessem carteira de trabalho tinha esse acesso ao atendimento, vou chamar mais hospitalar, mais assistencial. e as pessoas desempregadas, indigentes, enfim, população de rua, eram atendidos pelas santas casas, né, nessa relação mais caridosa de caridade do que uma política pública. O SUS transforma isso, né? O SUS ele ele junta essa relação, né? Ele transforma, eh, entendendo a saúde mais uma vez com um tema muito importante, como direito de todo mundo para qualquer um, todo mundo e qualquer um, ele faz essa primeira essa primeira essa primeira revolução do ponto de vista do atendimento às pessoas. E a segunda coisa é juntar, o SUS, ele se torna único, porque ele vai juntar uma relação assistencial, uma relação eh definida enquanto orçamento, enquanto financiamento para o atendimento individual e tinha a saúde pública, né, as ações de vacina, as ações de de prevenção muito separado. Então o SUS constitui esse sentido de ser um conceito único, juntando essas coisas, superando essas dificuldades do povo brasileiro. O senhor citou outros países que já implantaram algo parecido, né, com o SUS, mas o SUS é um dos maiores sistemas, né, do mundo, um dos mais complexos. Por quê, doutor? Acho que o SUS tem uma tem uma ele traz na sua concepção eh várias eh algum alguns princípios e algumas diretrizes que estruturam muito um sistema de saúde. O SUS ele tem ali uma uma ele nasce muito eh na fonte do tal do relatório Dson, que foi um relatório estruturado para poder constituir o NHS, onde eh o sistema ele vai se transformando numa relação de um conjunto de serviços em divisão territorial. Por que que o SUS é talvez o maior? Porque ele é universal, o princípio da universalidade, esse sentido radical, né, para todo mundo e qualquer um, né, mesmo imigrante no território brasileiro, por qualquer condição, ele pode ir ao serviço de saúde e ser atendido. O seguro dele já está dado quando ele chega ao país, porque o SUS vai atendê-lo. Então, para todo mundo, o que que é para todo mundo qualquer um? Quem trabalha, quem é desempregado, quem tem emprego, ah, não, não, não discrimina. pela relação religiosa, pela relação financeira, pela relação cultural, né? Então, acho que esse é um princípio importante. Então, ele é grande nessa perspectiva, né, nesse conceito de seguridade social que a Constituição coloca o SUS com esse papel. Eh, um outro tema importante que coloca a grandeza do SUS, que é diferente, é o conceito e o princípio da integralidade, ou seja, o SUS vai constituir todo o aparato tecnológico que nós temos na saúde, na ciência, para garantir a atenção às pessoas. Então, da vacina na atenção primária ao transplante no HC da Unicamp, passando por vários processos de atenção especializada, cirurgias de pequeno porte, cirurgias de grande porte, um sistema de atenção pré-hospitalar que é o SAMU, ou seja, né, ele vai dar um padrão de atendimento paraas necessidades do ponto de vista epidemiológico, da racionalidade, do modo de adoecer da população brasileira. E um terceiro que é muito grande que é o conceito da equidade. Antigamente chamava de igualdade. Nós, né, fomos aprimorando, o SUS foi aprimorando sentido de equidade, ou seja, organizar para todo mundo esse conjunto universal, tecnológico de cuidado, especificamente para as pessoas, para a população específica, para os negros, para o LGBTQ a mais, para os quilombolas, enfim, para as mulheres, para os homens, entendendo que tem condições e formas de atuar de maneira muito singular para as características culturais populares de cada público. alvo. Ou seja, o SUS em si, doutor, ele vai muito além do atendimento hospitalar, né? Tem alguns serviços que o senhor citou, mas o que mais, né, o SUS ele realiza hoje? O que que tá dentro desse sistema tão complexo? Eh, eu eu eu quero citar aqui para eh dar a grandeza do SUS e a experiência internacional alguns programas que foram muito evidenciados e dando nessa dimensão. Primeiro, o obstáculo do SUS, né, é que ele é um território continental e muito heterogêneo, né? Então ele foi produzindo algumas políticas que atravessam todo o nosso território nos vários lugares do estado de São Paulo, os municípios, enfim. Eh, então uma um um programa importante é política nacional de imunização, uma experiência importante que a gente tem aí grandes avanços, né, que é uma uma relação principalmente, né, de prevenção, onde a gente teve, né, eh eh eh resultados indicadores bastante importantes. A poliomelite é um exemplo super importante, significativo dessa política. Nós temos a política de Destides, que nós tivemos um movimento onde o SUS traz um padrão de cuidado exclusivo para essa população, entendendo que todo o tratamento é colocado enquanto uma obrigatoriedade do SUS para essa população específica. Eu já citei aqui, mas ou a política de transplante de órgãos é uma política reconhecidíssima no mundo inteiro, onde a gente tem uma excelência do ponto de vista, né, de técnica, do ponto de vista da regulação e da abrangência nacional, colocando o SUS uma classificação muito importante internacionalmente. Então, [tosse] eu acho que esses esses aspectos dão uma grandeza que o SUS nos coloca. Agora, do ponto de vista eh da organização, ele é dividido em várias redes de serviço. Então, a gente tem uma rede de atenção primária, onde tem um atributo importante como porta de entrada, coordenação do cuidado das pessoas, relação com as famílias, que são os postinhos, as unidades básicas. Aqui em Campinas são centros de saúde. Nós temos uma atenção pré-hospitalar que é o SAMBU, que faz a intervenção no acidentes, nas rodovias, nas vias públicas, enfim, temos atenção secundária, né, seja ela ambulatorial, seja ela mais do ponto de vista especialistas de procedimentos cirúrgicos, que compõe uma relação com os hospitais de baixa complexidade. Nós temos além dos hospitais a porta de urgência e emergência que são os pronta atendimentos e os prontos socorros ou os peas. Então a gente vai formando uma complexidade de rede muito específica, né? Agregando a isso, a importância da rede saúde mental, que é uma rede qualificadíssima, importante para nós, do ponto de vista da atenção à criança, transtornos mentais adultos e dependência química. Então o SUS ele traz uma dimensão muito grande. Bom, além claro da questão da dimensão, né, doutor, sendo o Brasil o país enorme, né, 200 milhões de pessoas, ou seja, é um sistema que tem que atender muita gente com necessidades diferentes, né, doutor de regiões diferentes, mas além da questão da dimensão, que que diferencia o SUS, né, aqui no Brasil, há sistemas de saúde de outros países países e no que que ele se destaca, né, quando a gente fala desse atendimento. Eu acho que tem um destaque importante, né, que eu quero agregar aqui a importância da vigilância em saúde, especificamente a vigilância sanitária, que é eh essa o entendimento da grandeza do SUS é que mesmo que eu não sou um SUS que usa no cotidiano, eu uso o SUS indiretamente para várias coisas. Quando eu tenho o consumo de carne, quando eu tenho o consumo da água adequada, quando eu tenho, quando eu vou a ao restaurante poder produzir, né, uma relação própria, eh, mesmo pagando. Então, o SUS ele atende todo mundo, ele dá uma uma uma complexidade, uma abrangência que todo mundo depende do SUS, né? qualquer produto de consumo no Brasil passa por essa relação da sanitária aprovar esse produto de consumo no sentido de proteger a população em qualquer forma que ela tem de consumir, acessar os bens e produtos no país. Agora, doutor, tem esse princípio o SUS de atender a todos, de garantir esse atendimento, mas na prática a gente sabe das filas, das demoras, das falhas muitas vezes para que a pessoa consiga ali uma consulta com especialista, o exame, aquele atendimento mesmo que vai se tornando mais complexo. Por que isso acontece? E se a gente puder simplificar aqui, o que que precisa melhorar nesse aspecto? Eu acho que nós temos que ser muito eh tranquilos e verdadeiros, né? defender o SUS não é exatamente eh eh ocultar os seus problemas, né? E um problema importante do SUS é muito sistematicamente, tecnicamente, é o financiamento. O SUS não tem um aporte necessário para essa complexidade, para esse papel e para essa promessa que ele colocou pra sociedade, pra sociedade brasileira, ainda o financiamento adequado. E acho que isso é um tema importante, ou seja, a gente falta ainda colocar recurso para que a gente chega a essa abrangência. De alguma forma, a gente pode entender que nós temos um gargalos no SUS, que são eh dificuldades, obstáculos em vários sistemas nacionais do mundo. Então, uma porta de entrada, uma atenção primária que seja resolutiva, que resolva 85% de saúde de de problemas de saúde da população brasileira, que são doenças prevalentes, ainda é um obstáculo. a gente precisa avançar nisso, organizar um modelo que dê conta dessa satisfação, desse acesso facilitado paraa atenção primária e dessa resolutividade. Uma questão importante que a gente carece como problema do SUS é organização do modelo em saúde da família, que a gente possa ter uma cobertura de equipes para todo o território nacional. Isso a gente não tem em várias cidades a gente tem uma cobertura no máximo de 75, cobertura de 35%. Então esse obstáculo de cobertura das equipes nos territórios, nos municípios, é fundamental. A atenção secundária é um é um problema sério para nós, né? secundária, que é o acesso a especialista, o cardiologista, o oftalmologista, a cirurgia ginecológica, é um problema por diversas questões, porque o SUS talvez não tem uma política e começa agora a trabalhar uma política interessante que é agora tem especialistas no SUS, né? O governo traz essa proposta, mas até então a gente não tinha uma política, os municípios não sustentam uma política nesse sentido, que é uma política integrada de valorização, atração e fixação do especialista. Esse é um tema, uma, ou seja, uma gestão de carreira para esse tema da atenção especializada. O segundo ponto, né, o mercado tem uma atração muito maior, né, a formação em medicina, a formação em saúde valoriza o especialista no sentido mais do mercado do que estar numa relação com o SUS. Então, a formação, a disponibilidade de profissionais para o SUS também é um tema que a gente precisa avançar nessa perspectiva. Eh, acho que um outro um outro tema importante são os papéis, o papel dos hospitais, né? os hospitais t teria que ter um papel mais integrado, mais articulado com o sistema, mais prontamente contratualizado para poder garantir as necessidades das cirurgias, das intervenções necessárias para o cuidado, eh dos processos, né, de intervenções complementares com média alta complexidade. Então nós temos filas de ortopedia, filas de oftalmologia, de catarata, enfim, incansáveis, né? Em Campinas a gente tem essa experiência como em vários outros lugares. Então esse processo de uma regulação, de um acesso qualificado, facilitado para atenção especializada é um problema importante do SUS. E diga-se de passagem, não é só pro SUS, né? nos convênios também a gente tem essa dificuldade. Se você quiser ir ao convênio hoje fazer uma consulta com gastroentorologista, você vai ter muita dificuldade que você não tem essa disponibilidade também como acesso rápido. Agora, tanto o SUS quanto o sistema privado também de saúde foram muito testados na pandemia, né, doutor? Isso foi algo que sobrecarregou o sistema de alguma forma e não só o atendimento relacionado à pandemia em si, mas muitas pessoas que perderam nessa época o emprego, perderam ali o plano de saúde, migraram pro SUS. Isso tudo ele sobrecarrega hoje o sistema? Eh, esse é um tema eh importante, né, que a gente ainda tá em avaliação. O que que a gente pode eh falar sobre isso? Primeiro, né, o SUS deu conta da pandemia. O SUS cresceu com a pandemia do ponto de vista de organizar a sua eh oferta de leitos, organizar a relação de cuidado de de práticas de UTI, de organizar, enfim, esse parque tecnológico, né, que vou chamar de atenção hospitalar. Eh, nós avançamos nisso. O SUS, ele sustentou, né, uma tecnologia de prevenção e promoção com a vacinação insuperável do ponto de vista de mostrar a importância da ciência, de mostrar a inovação tecnológica para dentro da política pública. do SUS foi muito importante. Então, a gente eh eh produzir essa relação de garantir a vacina, né, que foi um atributo do sistema público e não do privado, onde esse investimento tecnológico só se faz uma prática, da minha opinião, consistente, eh, verdadeira e cientificamente comprovada na relação pública no Brasil. Então o SUS incorporou, então acho que o SUS ele avançou na relação com o sistema privado da saúde suplementar porque ele pautou essa relação de cuidado, de investimento tecnológico, de novas ofertas, da relação de prevenção e promoção. E ele desencadeou diversas outras práticas nos serviços que pudessem dar continuidade ao cuidado das pessoas. Então, a pandemia foi para nós eh muito mais um compromisso e mostrar quanto o SUS é importante, né? Sem o SUS enquanto política pública será uma barbárie. Esse é o nosso olhar e o SUS dá conta dessa desse dessa justiça social enquanto política pública. E ainda assim hoje muitos especialistas defendem, né, doutor, que o SUS ele deve acabar pelo menos no formato em que a gente conhece hoje. O senhor concorda com isso? Se tá difícil com o SUS, seria pior sem ele? Qual que é a sua opinião a respeito? Eu não posso concordar com isso porque eh como eu disse, seria numa barbárie, né? Seria você imagina, né, as pessoas não ter direito, não ter a vacina garantida para controlar as doenças inferocontagiosas, não ter o medicamento, a medicação, né, a terapia medicamentosa, enquanto assistência farmacêutica para poder cuidar das doenças crônicas, hipertensão e diabetes. Nós temos um avanço importante, né? Quantas mortes a gente evitam? Nós estamos evitando porque na atenção primária a gente tem um cuidado e disponibiliza essa atenção integral como assistência farmacêutica para as pessoas, né? Quantas dificuldade nós nós não teríamos para atender as mulheres no sua momento de gestação pré-natal e atenção ao parto? Ou seja, pensar nisto, né, a inexistência do SUS é uma é uma é um delírio, sabe? Acho que é impensável nesse sentido. Eu acho que a gente tem que compatibilizar uma relação do SUS e a relação que tá colocada enquanto constituição, que é a saúde suplementar. O que suplementa que vai suplementar, complementar na relação com o SUS é o termo adequado, né? Mas o SUS não existir, né? Primeiro que o privado não dá conta, não daria conta, não teria esse papel, não teria a tecnologia adequada para isso, a gestão do serviço, essa acesso disseminário numa relação e muito menos entender que as pessoas terão a facilidade de fazer, de pagar um plano para poder ter acesso ao serviço de saúde. Então eu acho que esse tema é muito delicado e o SUS vem demonstrando que a partir da pandemia a existência dele é fundamental para o estado brasileiro. falando sobre o custo, né, e acesso também ao atendimento de saúde que o senhor citou. Quando a gente compara, por exemplo, o SUS ao sistema de saúde dos Estados Unidos, que tem um dos sistemas mais caros do mundo, na maior parte privado, né? Que lições que o Brasil ele pode aprender olhando para isso, doutor? Eh, é muito importante. A gente tem, né, eh, nós da gestão planejamento de políticas públicas, né, sanitaristas, estuda os sistemas comparados para poder entender a diferença, né? Eh, a relação que se estabelece é que as políticas públicas e aí especificamente da seguridade social, ela tem um impacto de indicador, mortalidade infantil, expectativa de vida, cobertura vacinal muito maior do que um sistema privado como Estados Unidos. Os resultados da pandemia demonstram isso. Então, não necessariamente ter mais recurso é melhor resultado. Os Estados Unidos é isso, nós, eles têm mais recurso, né? é uma política mais do estilo privado, né, do ponto de vista de não ter uma política de acesso universal, mas tem piores resultados. Então esse é o aprendizado que a gente tem em todo mundo. Então, a importância de organização de uma política pública, ela se faz importante para o processo produtivo do país, para as pessoas terem mais qualidade de vida, para garantir, né, uma capacidade produtiva em vários setores, né, seja seja mais popular, seja industrial, seja de uma relação que compõe uma proteção para os trabalhadores e trabalhadoras, seja para as populações que porventura tem uma relação de exclusão social, minoritário. Então, esse movimento e essa lógica estabelece que o sistema nacional é mais é mais tem melhores resultados, é mais eficaz, produz mais formas de eh eh de mudança sanitária para a população. Nos Estados Unidos, por exemplo, autor, atendimento de emergência, né? Se uma pessoa ela chega passando mal no hospital, não tem dinheiro para pagar, ela pode estar num quadro de emergência e muitas vezes não é atendida, né? Isso até um comparativo pra gente entender a importância do SUS aqui no país. Exatamente, né? Essa coisa muito prática, né? A estar nos Estados Unidos, estar num país que tenha essa lógica, se você precisar, né? Você tem que dispensar, né? Ou planejar o seu dinheiro, o seu investimento para poder ter esse acesso à saúde e salvar a sua vida. Não, no Brasil, no SUS, não tem nada disso. Falando sobre a questão dos recursos que o senhor citou agora, falta recurso hoje pro SUS? ele recebe menos recursos do que ele deveria para uma gestão mais eficaz. Nós não temos dúvidas sobre isso, né? Precisamos precisamos falar sobre isso, discutir sobre isso. Ainda a gente tem uma parte do do do PIB brasileiro, né, que é dividido entre o SUS enquanto política pública e o setor de saúde suplementar. Então esse é um tema que a gente precisa avançar, precisa criar novas eh novos debates nacionais, equalizar um pouco, equilibrar essa relação de que o S precisa de mais investimento desse PIB que nós organizamos enquanto recurso nacional. O que mais pode melhorar na sua opinião, doutor, nessa gestão, né, da saúde pública, além, claro, dos recursos em si? Eh, eu acho que sempre a gente precisa garantir que o SUS tem uma boa estrutura, né? Eh, e aí eu vou dizer para os serviços principais, né, que t bons resultados enquanto estudos nacionais em sistemas comparados, que é atenção primária. Atenção primária precisa ter estrutura. estrutura é ambiência, espaço adequado, formação de equipe. Precisamos, né, produzir esse esse movimento de garantir que todo cidadão e qualquer lugar desse país tenha uma capacidade de ser atendido, um acesso facilitado no seu postinho, no seu centro de saúde. Acho que para mim é fundamental. Eu acho que tem um tema que é eh uma política de carreira pro SUS. É um tema que precisa ser pautado nisso, precisa ser organizado, né? Eh, tem vários debates sobre isso, né? Carreira de estado para fixação, atração, valorização, produzir uma carreira nacional do SUS que possa ter mais governabilidade de fixar e impactar nos vazios assistenciais nessa heterogeneidade do Brasil. Acho que isso é um tema importante. Eh, eu acho que o outro tema importante é esta intervenção hospitalar que possa ser mais contratualizada, que possa estar mais próximo das necessidades dos municípios. E talvez um último é a formação em saúde, né? Acho que nós tivemos aí nesse nesse primeiro momento, né, essa esse movimento de avaliação das escolas, mas mais do que isso, né, é qualificar a necessidade de profissionais, a necessidade de algumas especialidades, equilibrar a formação médica de enfermagem, enfim, para atenção primária, né, pensar numa relação multiprofissional, sair de uma de uma de um conceito hegemônico que é atividade eh em saúde médico centrada, pensar em organização de trabalho equipe. Então, a formação em saúde para mim é um tema que precisa mexer e aprofundar. E o SUS também ele precisa se tornar mais atrativo para atrair bons profissionais, claro, e manter também esses profissionais. Quando a gente fala em salário que é oferecido em plano de carreira também, doutor, isso pode ajudar a fortalecer hoje o SUS? Exatamente, né? Acho que um pouco nessa identificação que eu trago, você eh aprofunda. Eu acho que esse tema que é atrair e fixar depende de várias coisas. Evidentemente que a relação de um plano de cargos que faça sentido as pessoas, né, investir a sua vida na política de saúde, onde ele possa ter uma formação de pós-graduação, onde possa ser valorizado, onde possa ter uma uma experiência profissional, né, assistencial, mas também de gestão, mas também, na minha opinião, de olhar os vários os vários as várias necessidades da população, seja assistencial, seja prevenção e promoção, seja a gestão do serviço. Então eu acho que essa lógica de um plano de cargos, né, a definição de um plano que possa eh valorizar por cada região, né, aquela lógica de mercado que possa atrair e que possa garantir uma estrutura adequada, que possa garantir, né, a capacidade da nossa clínica, que é o trabalho em saúde, né, ter apoio diagnóstico terapêutico, ter possibilidade de especialista, ter resolutividade, eu acho fundamental. E até para que a população, doutor, ela tenha mais confiança também no atendimento que ela recebe no SUS, tanto na atenção primária quanto atendimento de mais complexidade, né? Porque existe muitas vezes aquele preconceito de, ah, mas é o médico do SUS e aí a pessoa não tem aquela confiança, vai pagar por um diagnóstico particular muitas vezes sem poder, comprometendo ali a renda por conta disso. Ou seja, como acabar com esse ciclo todo e mudar, né, esse preconceito que existe hoje em relação ao SUS? Eh, eu acho que esse processo, né, e a gente tem isso enquanto uma uma política muito estabelecida, que é a política nacional de atenção básica, eu quero frisar muito isto, essa relação de cuidado perto das famílias, a gente precisa avançar muito. Eu acho que essa relação de criar vínculo, que é o conceito de confiança da minha responsabilidade, né, intransferível até a resolução do problema de saúde daquela família junto à equipe. Isso fundamental. Então, na minha opinião, aumentar o acesso e facilitar esse acesso, eu acho que a gente rompe muito esse lugar da procura de um sistema privado no sentido de que o SUS não tá dando conta. Então acho que ampliar esse quantitativo, né? Radicalizar na universalidade, radicalizar no acesso, para mim é o sentido principal que as pessoas evadem para poder garantir a seu atendimento, né, o seu risco a ser avaliado. Acho que isso é o principal, na minha opinião. Então, garantir esse acesso, garantir essa relação de vínculo, garantir essa relação de confiança, garantir essa esse conceito de equipe de referência para a população, para a família, eu acho muito estruturante pro SUS. Doutor, e a partir da sua experiência também na equipe do Hospital de Clínicas da Unicamp, que é uma referência também aqui na região quando a gente fala desse atendimento no SUS, quais são os principais desafios também nesse dia a dia que o senhor acompanha ali no hospital de clínicas? Eh, eu acho que primeiro, né, eh, a gente poderia falar de dificuldade em várias experiências, então, do Hospital de Clínicas a Unicamp, primeiro, a gente precisa ter, evidentemente, uma relação de rede hospitalar que possa fazer com que a Unicampra seu papel de terciário quaternário e a rede hospitalar, vou chamar de baixa e média complexidade, funcione na relação com os municípios e outros hospitais regionais. Então essa relação de rede hospitalar, na minha opinião, ela é frágil no sentido de fazer linha de cuidado, garantir regulação do sistema, padronizar o papel dessas complexidades dentro do hospital. Acho que isso é um tema importante. É, eu acho que outra experiência do hospital da Unicamp, venho preconizando isso, é exatamente essa forma de poder produzir um cuidado junto com as regiões de saúde, potencializando atenção secundária, potencializando uma relação que eu digo matricial enquanto HC da Unicamp e universidade pública, poder potencializar práticas e saberes numa relação apoiando os municípios para poder garantir mais capacidade resolutiva. mais aprofundamento e também, né, por que não, criando possibilidade do HC trazer esses profissionais e fazer um personagem de educação permanente com algumas áreas que tenha o gargalo ou uma longa fila de espera. Eh, eu acho que tem uma questão eh importante, né, eh, que é esse modelo hegemônico que a gente precisa discutir, o modelo e ocidental americano também, a partir de outras reflexões eh que a gente poderia trazer, mas é um modelo muito centrado no hospital, então o desafio é atender fora do hospital, deshospitalizar como capacidade de resolver problemas que o hospital pontualmente olha como um problema a ser corrigido. daquela doença para voltar a pessoa ter a sua capacidade de produzir a sua vida. Então esse lugar fora do hospital é importante, né? Outro desafio, o trabalho em saúde ser menos médico centrado, constituique. Em vários locais, o trabalho de saúde ser menos fragmentado, é muito fragmentado uma uma dificuldade de comunicação da rede de serviço, né? Um trabalho em saúde muito centrado em procedimentos especialistas. Então a gente tá tem temos nós temos que dar um outro sentido, né? O o novo sentido do SUS para o cuidado em saúde preconizado nesses princípios de um modelo de atenção que vai transformar, que vai renovar, que vai reformar uma prática de saúde. Acho que isso é uma cultura colocada para nós trabalhadores, trabalhadoras, para a população e para os gestores, né? Como é que a gente faz isso? Acho que um terceiro desafio que eu colocaria aqui para um bom debate com as pessoas, a gente tem estudado isso, essa divisão entre promover, prevenir, curar e tratar, a gente tem uma fragmentação, ou seja, esse novo trabalho em saúde, esse essa capacidade clínica que a gente fala de ampliar, né, o olhar sobre e garantir que o trabalho em saúde ampliado seja essa junção, né, essa essa relação de prevenção. promoção, prevenção de saúde, promoção da doença, curar e tratar no modelo mais, vou chamar mais integrado, que é o conceito de integralidade também para nós. Ou seja, Dr. Fábio, muitos são os desafios, muitas são as conquistas também do SUS. O senhor citou aí várias delas, né? Nossa referência a imunização no tratamento do HIV, entre muitas outras conquistas, né? Somando isso tudo, né? O balanço que a gente faz, qual que é o caminho? é fortalecer hoje o SUS ou é acabar com o modelo que a gente conhece? Fortalecer o SUS? Não temos dúvida sobre isso, né? nosso papel, fortalecer o SUS, incapacidade da população defender o SUS, compreendê-la, exigir uma capacidade de resposta, exigir financiamento, exigir, né, a cobertura da atenção primária, exigir os hospitais respondendo, criando, né, a gente tem uma relação muito importante no SUS enquanto organização, que é o controle social e participação popular, as pessoas participando das prioridades, dos investimentos, dos planejamentos em cada instância do SUS para poder a gente garantir com essa resposta. O SUS precisa melhorar e essa é a nossa aposta. Estamos aqui para poder compreender que o SUS é a melhor resposta para o sistema brasileiro. Dr. Fábio, muito obrigada pela sua participação aqui, por aceitar o nosso convite, trazer também o seu ponto de vista sobre esse tema. Eu eu que agradeço a participação e poder contribuir para esse debate. Muito obrigada e já agradeço também a você que nos [música] acompanha aqui na TV Câmara pela sua companhia, pela sua audiência em mais um ponto de vista. [música] Te espero na próxima semana. Até lá. [música] [música] [música]