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Ponto de Vista | Coaches mirins: riqueza rápida sem estudar?
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Ponto de Vista | Coaches mirins: riqueza rápida sem estudar?

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Resumo editorial

O Ponto de Vista discute com a psicóloga Beatriz Carone o fenômeno dos coaches mirins — adolescentes influenciadores que prometem enriquecimento rápido em discursos que misturam linguajar corporativo e tom de pregão neopentecostal, pregando que a escola não dá futuro e que basta autodisciplina para ficar milionário. O debate contextualiza com dados do DIEESE de 2022 (80% dos brasileiros com ensino superior em cargos que exigiam apenas ensino médio; mais de 1 milhão de formados como vendedores) e analisa o impacto dessa cultura do imediatismo na desvalorização do estudo entre jovens.

Descrição do vídeo

🧠 Ponto de Vista investiga coaches mirins que prometem riqueza rápida sem escola ou diploma. 📱 A psicóloga Beatriz Carone, especialista em adolescentes e jovens adultos de Campinas, analisa influenciadores mirins que misturam jargão corporativo com tom neopentecostal para vender mindset milionário via dropshipping, Bolsa de Valores e mentorias pagas. Dados do Dieese de 2022 mostram 80 por cento dos formados em ensino superior ocupando cargos de nível médio, incluindo 1 milhão em logística e vendas, 86 mil motoristas de aplicativo e 70 mil entregadores, criando terreno fértil para discurso anti-escolar. Adolescentes abandonam estudos atraídos por promessas como "Enem não enriquece", "R$300 sem esforço" e "do 1000 ao milhão". Eventos em São Paulo lotam com jovens inspirados por heróis como Pablo Marçal. Pais incentivam viralização confundindo empreendedorismo com trabalho infantil, ignorando Lei Felca. Beatriz alerta para cultura do imediatismo que ignora custos emocionais, familiares e sociais por trás dos recortes perfeitos das redes sociais. Riscos identificados pela especialista: Explosão de ansiedade e depressão por pressão de métricas e engajamento. Adultização precoce com autodiagnósticos e soberba sobre resiliência sem maturidade real. Crises de identidade, frustração com cancelamentos e insônia. Oportunismo familiar onde pais transferem responsabilidades para filhos sem estrutura emocional. No Projeto Cérebro Vida do Colégio Objetivo de Campinas, Beatriz aborda temas reais como relacionamentos familiares, paquera, ansiedade e depressão para contrapor vídeos superficiais. Soluções passam por experiências presenciais, diálogo olho no olho entre pais e filhos, limites adequados à idade e valorização do processo sobre resultados imediatos. A adolescência, segundo Eric Ericson, é fase de autodescoberta, não de gestão empresarial. Dicas práticas para famílias e escolas: Pais devem manter autoridade com limites claros, priorizando saúde e infância sobre fama passageira. Conversas sobre consumo digital: questionar origem de palavras e conceitos aprendidos online. Educadores devem promover vivências reais contra a ilusão de isenção de responsabilidade nas redes. Mostrar às novas gerações a robustez das conquistas construídas com processo longo. Realities de TV com coaches mirins e endossos de influenciadores adultos amplificam fenômeno. Beatriz enfatiza diálogo como ferramenta poderosa: "Nosso valor está em quem somos, não no que fazemos". O futuro preocupa com adultos ansiosos e improdutivos, nostálgicos de um auge sem bases sólidas. Pais devem resistir à ilusão do dinheiro fácil dos filhos. Você monitora redes sociais dos filhos? Acha que coaches mirins fazem bem ou mal? Compartilhe sua opinião nos comentários, curta com 👍 se ajudou na criação dos seus filhos, e inscreva-se no canal com 🔔 para mais debates sobre saúde mental da juventude. 📲 Acompanhe a TV Câmara Campinas nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas

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[música] [música] Influenciadores mirins que transitando entre o linguajar corporativo e o tom de pregão neopentecostal prometem aos seguidores o enriquecimento rápido, com um discurso de que a escola não dá futuro, trabalho de carteira assinada a iden. Adolescentes e jovens ensinam que a autodisciplina e o mindset adequado, qualquer um pode se tornar milionário pela força do próprio trabalho, sem depender de empregadores ou títulos acadêmicos para um público que tem que pagar algumas mentorias exclusivas para descobrir como chegar lá. Embora alguns vejam como o desenvolvimento de autonomia e empreendedorismo, a maioria das análises foca nos perigos da perda da infância e também na manipulação dos conteúdos por crianças. Para entendermos melhor esse fenômeno dos coaches mi ponto de vista conversa hoje com a psicóloga Beatriz Carone. Seja bem-vinda, Beatriz. Obrigada, minha. E pra gente já iniciar esse ponto de vista, eu vou fazer aqui uma análise, na verdade vou trazer dados sociais um pouquinho sobre quando a gente fala de empregabilidade. Ol, um levantamento publicado em 2022 pelo DEES, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioconômicos, mostrou que o segundo trimestre daquele ano, quase 80% dos brasileiros com ensino superior que entraram no mercado de trabalho foram parar em cargos que exigiam no máximo ensino médio, o que pode gerar desinteresse de jovens num país em que O estudo não é mesmo garantia de bons salários e uma vida estável. Ainda segundo Dieese, mais de 1 milhão de brasileiros formados em universidade trabalhavam como logistas e vendedores naquele ano. A eles somam-se 86.000 motoristas de aplicativo e 70.000 entregadores de comida e outros produtos. Esses dados sociais se tornam um embasamento fértil para esse tipo de cultura, com influenciadores que acabam eh abandonando a escola e prometem via rede digital essa fórmula do sucesso e a fórmula do enriquecimento. Fala pra gente, Beatriz. Na verdade, a gente pode realmente perceber que hoje em dia esse desvalor pelo pelo estudo, até pela escola mesmo, né? Eu tô inserida no ambiente escolar também. eh, e lido com adolescentes diariamente na clínica e realmente a gente vê que tem um desprazer em estar lá, não? Eles não têm mais o apreço nem mesmo a a questão de honra assim, né, com com o processo escolar. Então, realmente hoje em dia percebo também muito essa cultura que tá inserida nos nossos jovens, que é o desvaloro, o desânimo com o que isso pode vir a ser, o que não pode ser. Então, percebo isso claramente hoje, assim, com a pouca a pouca vivência que eu tenho hoje. Desculpa, a pouca parcela que eu tenho hoje de vivência. Sim. Quando a gente pensa inclusive nesse público que quer algo rápido Uhum. E não quero o esforço do estudo, de horas fazendo um trabalho, de dias sem passear, por exemplo, na época de prestar um vestibular que exige horas e horas de dedicação, a saída do sucesso digital, ela é a porta mais fácil? Não, não é a mais fácil, porque ela também custa muito, né? Eh, acho que hoje em dia a gente realmente percebe essa cultura do imediatismo, né? Os adolescentes já não passam mais pelo processo das coisas, então tem processo de estudar paraa prova. Eles querem estudar um dia antes e ter sucesso na prova. Eh, o processo de participar de uma rede social, no sentido de estar envolvido com pessoas envolve um custo, né? De certa forma, você tem que ser social, você tem que ser agradável, você tem que ser interessado, você tem que ser interessante, tem custos que a gente já não vê mais por conta desse mediatismo, a gente vê que eles não estão mais dispostos a a dispostos a passar. Uma coisa que eu percebo muito é principalmente pela influência das redes sociais. Hoje em dia a gente vive de recortes muito claros da vida das pessoas e realmente entender que aquele recorte que a pessoa postou teve um processo antes é uma coisa muito abstrata na cabeça do adolescente do jovem, né? Sim. Mas por exemplo, esses adolescentes, inclusive, olha, a gente tem discursos na internet de alguns desses influenciadores mi, né, os coaches mi chegam a dizer: "Olha, faturei R$ 300 sem fazer nada". ou outro que diz o seguinte: "Olha, é fazer do 1000 ao milhão, muito rápido, que a gente inclusive tem um livro de um influenciador que tem esse nome, esses discursos de que basta você ser eh ir a uma plataforma digital, eh, é muito mais fácil do que você ter essa hora de dedicação, esse poxa, por que que eu tenho que trabalhar?" Porque tanto que antigamente a gente perguntava pras crianças: "O que você quer ser quando crescer?" "Ah, eu quero ser médico, eu quero ser advogado, quero ser jornalista, quero ser n coisas". Hoje grande parte fala: "Eu quero ser influenciador ou quero ser youtuber." Eles chegam até a usar já esse verbo, né? como se fosse uma profissão. É como que você analisa essa coisa do que isso que é vendido, que é muito fácil via digital você conquistar algo? Realmente tem uma questão de facilidade porque tá na palma da tua mão e se você se dedicar aquilo pode ser que aquilo realmente dê um retorno, né? Mas assim como tudo na nossa vida existe um custo, né? E aí eu acho que também a idealização desse desse resultado pode realmente não prepará-los não preparar não prepará-los para viver justamente o processo e os custos disso. Qual seria o custo, por exemplo? O custo muitas vezes de você perder tempo com a tua família, perder tempo com os teus amigos, porque você tá lá, você tá divulgando, você tá eh criando conteúdo, né, gerando conteúdo. Então tem esses preços sociais também, tem o preço de você realmente valorizar apenas coisas que geram conteúdo e já coisas, existem muitas coisas do dia a dia que não são ai lindos e, né, como eles diriam, astéric de se postar, mas realmente eh, mas realmente faz parte da vida. O sofrimento por si só faz parte da vida e o quanto eles também eh repudiam, né, a ideia de passar por algo, por algo, por um sofrimento, passar por uma dificuldade, não é instagramável, não vou passar, vou me vou vou me exentar. você que inclusive menciona que eh importante a gente salientar aqui que a Beatriz ela tem uma experiência justamente, né? Ela é uma psicóloga que une trajetória e experiência em recursos humanos, prática clínica desde os primeiros anos de carreira, direcionou a sua atuação para o atendimento adolescentes e jovens adultos, público com o qual se identifica. tem especialização em psicologia atomista e psicologia do bom senso e desde 2024 também atua como professora do projeto Cérebro, projeto de vida para o ensino fundamental em anos finais do colégio objetivo aqui em Campinas. Quando a gente fala desse projeto cérebro, projeto de vida, como que é hoje concorrer com a internet quando a gente tenta falar inclusive com esses adolescentes, com esses jovens sobre essas metodologias do sucesso? Olha, não é fácil. Não vou mentir. Eh, hoje em dia entrar na sala de aula e vê-los realmente muito muito muito desanimados mesmo assim com o ensino, é uma coisa bem frustrante de se ver. Mas eu tenho nesse projeto cérebro que eu que eu tenho levado para eles, né, eu geralmente trago assuntos do dia a dia deles. Então assuntos como relacionamento com os pais, relacionamento com os amigos, relacionamentos amorosos, né, que anos finais eles já tão nessa nessa questão de paquera. E e aí também eu trago questões de psicologia para eles no sentido de ah sobre ansiedade, um pouco sobre depressão, para que eles tenham um conhecimento mais de repente aprofundado para que alimente esse imaginário deles e de fato tire-os dessa bolha de um vídeo superficial me determinou e a partir de agora eu sou isso, né? Então, eu tenho eu tenho feito esse trabalho muito intensificado assim de buscar mostrá-los a profundidade do que eles estão se autodeclarando, autonomeando por aí, doenças que eles estão se autodiagnosticando, que realmente eu vejo um grande perigo hoje dessa influência social é principalmente da internet. É isso. Assim, quando a gente observa esses coaches mirins, que inclusive um deles realizou um evento recentemente lá em São Paulo e que encheu esse evento inclusive de jovens, que um vídeo inclusive dizendo o seguinte: "Olha, o Enem não vai te deixar rico". O que que esse discurso traz? Em certa parte, o Enem não vai te deixar rico mesmo, né? Não é mentira. Mas o que você vai fazer após isso, com certeza, eh, tá nas tuas mãos e é o que e é o que gera a grande diferença entre o que vai ficar rico e o que não vai, né? Eh, então sim, esse discurso vende por isso, porque tem pessoas que querem ess o para ontem querem comprar esse esse resultado, mas que a gente tem que convenhamos aqui que é muito mais eh não é uma regra, é uma exceção. E quando a gente olha, eles vendem como se fosse uma regra, né? Faça isso e você vai ganhar, faça isso e você vai ficar. Então são promessas que contam como regra, mas no fundo são apenas especulações de possibilidades. Não é regra. Beatriz, a geração anterior é uma geração que veio de um momento em que precisava estudar muito, precisava fazer estágio, precisava depois eh atingir cada vez um degrau dessa escada da carreira do sucesso. Quando esses coaches meninos chegam e dizem: "Não, isso não existe mais". Até desestimulando alunos nas escolas. Outro dia eu vi uma frase bem triste de uma professora de carreira dizendo o seguinte: "Eu hoje entendo a escola como um grande shopping de adolescentes em que eles ficam aqui passando horas, mas mesmo nem sabem o que estão fazendo aqui. Eh, e ao mesmo tempo a gente encontra aí uma certa forma um desequilíbrio ou até uma a geração anterior não entendendo o que tá acontecendo com a nova e a Nova se inspirando nesses meninos e meninas. que se dizem que são, que tem a receita do sucesso. Como que a gente consegue um equilíbrio com tudo isso? Eu acho que o equilíbrio ele é muito idealístico e a gente tem que trabalhar mais com malabarismo do que com equilíbrio. Mas como? Então, [risadas] eu acredito que assim, eh, primeiro passo é essa geração mais que teve todo esse processo, realmente inserir esse processo na vida desses novos jovens, porque realmente hoje em dia você tem uma dúvida, você acessa, você tem uma pergunta, você pergunta, você tem a resposta, né? Hoje, inclusive, com as inteligências artificiais tudo ficou muito mais rápido. Você quer uma imagem, ela faz, você quer ver, ela mostra, né? Então, realmente inserir processos vai ficar estranho, mas eu preciso dizer no sentido de dificultar um pouco a realidade assim, né? Porque a vida por si só ela exige e ela demanda processo. Então, acreditar que tudo vai ser um grande imediato para ontem, resposta imediata, resultado é mentiroso, né? Então a gente tem que inserir isso. Então isso é uma das bolinhas do malabarismo. A outra bolinha do malabarismo é realmente essas pessoas que que já passaram por grandes e longos processos realmente mostrarem isso como algo valioso, algo valoroso, né? Eu acho que hoje em dia também o muito do que eles olham para cima e vem como ai não vale a pena, é porque os de cima estão corcundos de cansaço, suados de cansaço e e não não tem essa partilha do eu tô suado, eu tô cansado, mas vale a pena. Olha o que eu tô conquistando, olha olha a robustez do que eu tô construindo, olha como tem base o que eu tô, para onde eu tô indo, né? Acho que hoje em dia a outra bolinha é justamente você olhar para baixo e ter essa consciência de que os que estão pregando isso, eles não tem base. Então se uma coisa disso, se a internet acabar, por exemplo, se acabar a energia do Brasil ou algo do tipo, acabou a profissão dele, ele já não ganha mais dinheiro, não tem base, não tem para onde ir a partir dali, né? Então, sim, por outro lado, muitas vezes esses coaches mirins acabam também influenciando os pais. A gente tem inclusive um caso aqui que nós tínhamos aí uma um adolescente com menos de 13 anos que começou a fazer sucesso na escola a partir do incentivo do pai falando sobre a questão do empreendedorismo, né, que hoje inclusive a gente sabe que existe uma linha tênue entre empreender muito jovem e o trabalho infantil, que é algo que as autoridades sempre estão em alerta. a gente tem campanhas nacional nacionais contra aí ao trabalho infantil, mas o pai acaba incentivando o filho, ajuda o filho a gravar, o filho acaba fazendo sucesso e o pai diz não se incomodar com essas situações. Ele acha que o filho deve viralizar, mesmo que sejam em razões negativas, mesmo que ele receba críticas, porque o importante é o engajamento. Uhum. E quando acontece isso, a gente tem que tomar muito cuidado com esse oportunismo, né? Eu poderia chamar isso de oportunismo, porque eh é a busca por crescer às custas de alguém que não tem estrutura emocional, socioemocional e muito menos educacional mesmo. Não tem essa estrutura, não tem essa base para se arriscar nesse tanto que o pai tá colocando, né? A gente não sabe aonde isso pode passar. Quando a gente fala de viralizar, a gente fala de um não tem teto, né? não sabemos até onde pode ir esse vídeo. Então, eh, realmente acaba que é um um grau de oportunismo e e esse pai, esses pais, né, que se aproveitam dessa imagem do filho e incentivam, lógico, se é uma coisa que eles estão juntos, conjuntos mesmo, buscando, orientando, participando, atentos 100%, talvez não seja de todo mal, mas agora se ele simplesmente se aproveita desse engajamento aí, realmente a coisa fica complicada, porque aí é realmente o o a criança vai ter que lidar com tudo isso sozinha. É uma responsabilidade muito grande, né? Sim. Apesar do fenômeno ser muito novo, a gente creio que ainda vai pensar nesses nesse nessas consequências daqui alguns anos, mas hoje já dá para dizer algumas coisas que já podem nos alertar para isso. Ah, sim, muito. O índice de ansiedade mesmo entre os adolescentes é uma coisa que explodiu de um tempo para cá, lógico, teve bastante influência ali da questão da pandemia, né? essa vivência de uma crise mundial eh realmente influencia bastante, mas eh a gente vê um nível de ansiedade até mesmo por ansiedade por resultados, ansiedade por eh querer engajamento e números e métricas, né? Eh entregas e resultados. Eu acho que isso é uma das coisas que tem impactado bastante os nossos jovens, principalmente nessa questão de ansiedade e consequentemente a depressão também, porque aí a gente vê realmente um estilo de vida que favorece esses tipos de transtorno mental, que é uma consequência bem presente hoje em dia nessa nessa fase da adolescência que eles estão. esse efeito cascata. Inclusive, de cada vez, com menor idade, essas crianças se tornam, inclusive não só influenciadores vendendo produtos, né, que era inicialmente a preocupação, mas inclusive com com esses discursos, olhe, não estude, passe as horas que você iria fazer uma lição, fazer uma pesquisa para um trabalho escolar, preparando um vídeo seu na internet que vai viralizar e que você vai ganhar R$ 300 em meia hora, que você pode ganhar 5.000, 6.000 em um mês. Eh, e como que a gente consegue, nesse sentido, eh, ter o discernimento de conversar em casa com a criança, com o adolescente? Inclusive, eu digo isso porque recentemente a gente teve a Lei Felca, por exemplo, que já é num outro âmbito, né? Mas a gente teve e a gente viu um movimento, inclusive eu tive que sentar com a minha filha mais jovem explicando para ela qual a importância, porque eles ficaram com raiva do Felca, digamos assim. Olha, o Felca disse que a gente não pode mais brincar, que a gente não pode mais jogar, que e não é isso. Então isso também tem no meio de todas essas informações a venda de um mundo de que é tudo é possível, mas que algum adulto quer tirar todas essas possibilidades. Como que a gente também consegue lidar com isso no ambiente escolar e lá em casa? Nossa! Bom, eh, se a gente parar para pensar no ambiente escolar, né, nesse sentido, é realmente propor para que esses jovens vivam experiências reais, né, e saiam tanto quanto desse mundo virtual. No mundo virtual, eu falo muito com os meus alunos sobre isso, a isenção de responsabilidade que você acha que você está vivendo lá dentro, mas tem muita responsabilidade em você se expor, em você expor tua opinião, em você expor teu rostinho mesmo lá na nas redes, né? Eh, e a vivência do presencial, do real, é justamente um dos um um dos grandes antídotos contra toda essa vivência, né? E até isso para casa, principalmente os pais, eles precisam olhar nos olhos dos filhos e perceber se esse fenômeno, se essas influências estão afetando aos filhos, se se eles já não estão mais eh muitos aspas assim eh brilhando como antes, né? Esses olhinhos, se esses olhinhos perderam o brilho e o prazer de fazer coisas que adolescentes fazem, né? Porque realmente entra nessa dinâmica de eu preciso entregar, eu preciso postar, eu preciso participar, eu preciso gerar e é muito custoso, é muito custoso e custa, né? A lei fel acho perfeita e a menção até daquele vídeo de adottização dele, eu acho que é muito pertinente, que é realmente quando a gente fala sobre os pais que permitem que os filhos vão e vão e vão, vai longe, né? até perceber que o filho já não está mais perto, já tá distante num ponto de não alcançar mais o próprio filho, é tão, é tão rápido assim, mas ao mesmo tempo até perceber é tão devagar, né? Então, eh, tá sempre atento aos filhos, olhar nos olhos dele, deles, conversar com ele sobre o que eles têm consumido. A gente percebe no discurso se eles estão vivendo ou assistindo ou sendo influenciado por coisas. Ai, mas que palavra é essa que você da onde você aprendeu essa palavra? Nossa, mas da onde você aprendeu esse conceito? Por que que você acha isso, né? Quando a gente fala ali sobre eles odiarem o Felca, teve uma um grande movimento desses jovens contra o Felca. E se a gente parar para pensar, os pais sentarem com os filhos, falarem: "Filho, mas olha aqui, por que que por que que essa lei existe? Funcionou desse jeito, olha esse vídeo, né? Não olha o vídeo necessariamente, mas olha como foi construído até aqui, olha a importância disso. Aí já não cai mais nessa briga, nesse discussão da internet, essa venda de que ah, essa lei é para acabar com a nossa história, acabar com a nossa vida, acabar com a nossa nossa alegria de estar na internet, né? Isso. Eh, agora a gente tem uma questão muito importante com crianças e adolescentes, mais ou menos a pré-adolescência, que é aquela questão da visibilidade da fama. Uhum. que geralmente acontece no âmbito escolar, que é ou tem aquela turma que são os legais da escola, que todo mundo, ah, ele que é o legal, ou a gente tem aquela turma que é um pouco mais tímida, não se envolve muito. Só que isso ganha proporções enormes quando a gente fala em rede social. É aí que muitas vezes, por exemplo, esses coaches mirins conseguem conquistar esse público. Com certeza, porque o coach mirim ele vende essa sensação de pertencimento. Olha, eu entendo você. Olha, eu compreendo que você tá passando. Eu tenho a tua idade, olha o que eu tô fazendo. Você não tá fazendo o mesmo que eu, mas eu tenho aqui a receita para você. Então é pegar dicas de alguém do mesmo nível que você traz um traz uma confusão até porque você se compara e você entende: "Nossa, então eu tô atrasado diante da vida, por isso que eu me ensinei até a ansiedade, né? É essa comparação excessiva que surge e toda essa vivência mesmo que ele vende, né? O coach, o coach mirim nada mais é que um bom vendedor, né? Uma pessoa que se comunica muito bem e vende o que ele tá vivendo como algo eh desejável. A gente viu, inclusive para poder conversar com você, eu até assisti alguns vídeos nas plataformas digitais de um recente que acabou de completar 18 anos, inclusive esperou completar 18 anos para poder casar e gastou mais de R$ 100.000 no casamento. E explicando isso, é por conta da vida boa que em TES ele tem. Eh, o que que a gente pode pensar quando a gente vê cada vez mais? Olha, a vida é isso, é ganhar essa grana, é estar eh entre os mais populares, ter uma vida boa, talvez uma vida que pais e avós não tiveram, ou se tiveram, construíram em muitos anos essa coisa do rápido demais. Como que a gente pode tentar, eu não digo eh brecar, porque hoje é difícil, mas ter aí uma consciência e levar essa consciência para dentro de cada uma das nossas casas. Isso porque eu não tô falando nem do aspecto eh social, porque a gente tem, claro, crianças que não têm tanta acessibilidade, mas aquelas que tem, como que a gente consegue unir tudo isso, tá? Eh, bom, se a gente pensar bem pensadinho, né, a gente consegue trazer eh trazer essa essa experiência, trazer essa vivência. E realmente hoje em dia a gente tem uma um conceito muito materialista, né? Quanto mais eu tenho, mais eu posso. E realmente não é uma mentira, mas eh quanto mais eu tenho, mais eu posso. Mas será que tudo você pode? Será que tudo te convém, né? A gente tem que parar para pensar sobre isso. OK, você tem 18 anos, você tem o dinheiro, você quer casar, você casa, você tem 18 anos, em teoria fazer realmente isso, mas será que te convém? Acho que também tem essa instrução assim, mas eu acho que uma criança, né, que sai dessa fase da adolescência para entrar ali na fase adulta dos 18 anos e se vê disposto e disponível a casar, eu acho que ele não tem um pouco de perspectiva, né, sobre o que que ele tá abrindo mão para realizar isso que ele tá realizando e vender isso como uma nova realidade também é muito é muita ousadia. É, e eles trazem um discurso que, por exemplo, como se eles tivessem grande sabedoria, falam sobre constância, disciplina, não desperdiçar tempo de vida, como se eles já tivessem passado por altos e baixos. Sendo que geralmente quando a gente pensa eh em 13, 14 anos, a o adolescente fala: "Eu quero um videogame, eu quero uma bike diferente". Como que como lidar com tudo isso, com essa sensação de que olha, eu tenho tudo, mas então eu não tenho nada se eu não fizer parte desse mundo. Inclusive, nós temos adolescentes que ensinam como investir até na bolsa de valores. Já quer dizer, aquele aquele modelo do coach adulto passou pro coach criança, que é realmente a adultização deles, né? Eh, uma coisa que eu percebo nisso é esse. Eles usam muitos conceitos, mas eles não compreendem a profundidade e a dimensão deles. Eles não fazem essa associação do que é. Então, quando a gente fala de constância, de resiliência, né, que é uma coisa que vende bastante hoje, até eles mesmos vendem também. e fiz as minhas pesquisas, assisti alguns vídeos para isso. Eh, e eles eles vêm com esse ar de soberba do que eu compreendo tudo isso, eu vivo tudo isso e é muito perigoso. É a desvalorização do trabalho, com certeza faz muita parte disso, porque eles não não tem mais apreço, né, pelo trabalho. E realmente, se eu posso fazer isso e ganhar, por que que eu vou trabalhar, né? Sim, mas eu posso escolher com que trabalhar também. Com certeza. Que é, por exemplo, marketing digital. Com certeza. Só que aí entra o ponto, né? Trabalho infantil, não é? O empreendimento. Mas pelo que eu percebo, a gente tá num momento, então, muito difícil, Beatriz. É como se fosse um limbo que nós adultos não sabemos para onde ir muitas vezes até para onde direcioná-los. Eh, muitos pais inclusive não entram nesse embate para não perder os seus filhos. Quais as dicas do que a gente pode fazer enquanto pai, enquanto parente, enquanto educador, enquanto sociedade? Olha, os pais têm que continuar sendo pais. Ai, mas meu filho vai dizer que me odeia se eu disser para ele que ele não pode fazer isso. Paciência, né? Eh, uma hora passa, uma hora passa, porque ele ainda depende de você. Quando ainda é menor de idade, não tem dinheiro, depende dos pais, de certa forma. Os pais precisam continuar sendo pais, precisam continuar colocando um certo limite, colocando responsabilidades sobre eles que sejam adequadas à idade deles e realmente instruindo pros caminhos que eles precisam caminhar. Mas quando esses pais se iludem também com o dinheiro fácil do filho, aí volta pra questão do oportunismo. E aí os pais precisam ser responsáveis, porque se eles estão transferindo essa responsabilidade para os filhos, eles não estão sendo bons pais, infelizmente. Quando a gente vê, inclusive em alguns realities que partindo até dessa questão dos coaches mirins, a gente teve recentemente um reality sobre isso, eh o que que a gente pode pensar também dessa, porque acaba inserindo nas pessoas, olha, tem um adulto super influenciador, que tem sucesso, tem milhares de seguidores, que está, de certa forma nos mentorando. Uhum. Qual é o perigo disso? Olha, é alguém dando respaldo a coisas que podem prejudicar essa essa infância desse adolescente, né? Eh, o Eric Ericson, que é um dos psicólogos, psicanalistas inclusive de que fala muito sobre desenvolvimento infantil, ele relata que a fase da adolescência é justamente o momento de autodescoberta, de você se perceber, encontrar quem você é de certa forma. E isso entrar em cheque muito novo é muito perigoso, porque tem um grande risco disso se cristalizar para sempre. Sim. Pensa, você tem, começou a fazer vídeos com 13 anos, você vai ter que sustentar esse personagem até quando? a frustração lá na frente. Exatamente. Exatamente. Mas aí um adolescente que com 12, 13 anos tá lidando com sucesso nas redes, né, sociais, milhares de seguidores que acabam resultando em um bom um bom rendimento. Se ele não conseguir eh sustentar, porque tudo a gente sabe que inclusive na internet tem os altos e baixos. Eh, a gente pode ter quais adultos daqui a alguns anos? Exatamente. É uma é uma excelente pergunta. Eu não tenho uma resposta fixa porque seria muito ousadia da minha parte te dar essa resposta. Lidar com frustração, mas eles precisam com certeza ansiedade, com certeza, medicamentos mais fortes para lidar com isso. Inclusive insônia. Sim. de repente num cancelamento, né, que é muito comum hoje, como é que você lida com o cancelamento se você não sabe nem quem você é para se sustentar no meio dessa guerra, né? Sim. Eh, com certeza muitas questões de crises de identidade. Muitas questões de crise de identidade. Sim. E e realmente a perda do sentido e o do propósito de viver. Isso é muito perigoso. Sim. Olha, a gente, inclusive, você abordou coisas super importantes, que é adultização, sexualização de menores através dessa, eh, exposição precoce, esse adulto num corpo e numa mente de criança que não tem ainda a maturidade, por exemplo, para lidar com os nãos. Uhum. Né? A gente tá aqui no ponto de vista justamente que traz aí a visão da Beatriz, mas essa resposta a gente viu que a gente ainda vai colher daqui um tempo. É isso. Vai. E a gente a gente tem que temer essa resposta, infelizmente, porque ela pode vir de uma maneira muito prejudicial pro pro futuro, até econômico mesmo. A gente não pode ignorar o impacto disso, né? E aí você acredita que ainda podemos ter impactos, não só do ponto de vista emocional, mas social econômico, inclusive. Sim, porque como é que o como é que uma um jovem, né, vamos supor, adultos, eh, que estão passando por toda essa questão de ansiedade, depressão, crises existenciais, qual o grau de produtividade desse jovem ali na frente? É, suponhamos que com 13 anos ele tá no auge, 10 anos, 23. que é super jovem, ele já vai ter feito uma série de coisas sem ter passado pelo processo da vivência da idade. É isso? Sim. Sim. E aí o enquanto ele tá no auge, ele não compreende o que é o auge, então ele não sabe dar o devido valor. Então vai ser sempre aquele olhar nostálgico. Que bom que eu vivi aquilo, mas como é que eu vivo isso de novo? A gente não sabe como vai ser daqui 10 anos as coisas mudam muito rápido e ele não vai conseguir. Será que ele vai conseguir sustentar isso por 10? 15, 20, né? Com 40 anos, quem serão essas pessoas? Tá, a gente falou por muitos anos sobre desenvolver a autonomia do adolescente, mas no caso desses coaches mirins, isso passa da autonomia? Passa, passa. Qual o limite? Então, quando a gente fala de autonomia no desenvolvimento assim mesmo do adolescente, a gente fala de um adolescente que é capaz de pegar um ônibus, pegar um Uber e de fato consegue fazer ali um eh ser um jovem aprendiz que tem responsabilidades, mas não são responsabilidades que tudo cai sobre ele, tudo é sobre ele, tudo eh as responsabilidades não são questões de, né, vida ou morte nesse sentido. Quando a gente fala dele assumir todos esses riscos logo na adolescência, a gente tá colocando toda essa carga de responsabilidade de um chefe, de uma grande empresa sobre um adolescente que não sabe nem direito quem é, não sabe nem direito escovar os dentes direito, às vezes não, eles já sabem, mas às vezes fica essa dúvida do eu gosto do meu cabelo assim, eu gosto São dilemas tão comuns da adolescência, será que esses dilemas eles têm que estar misturados com dilemas de grau de profissionalismo profundo, né? Às vezes eu acho que eh é realmente dando passos muito largos e muito distantes da adolescência. Olha, muitas reflexões que esse programa deixa pra gente. Você aí de casa, qual é o seu ponto de vista sobre essa questão? Você acha que é preciso colocar um limite? Como colocar diante de tanta informação? A gente com certeza vai voltar a falar aqui nesse programa sobre esse tema, sobre ainda algumas algumas questões que virão acontecer ainda, porque agora tá tudo no auge, né? Muito obrigada, Beatriz, pela sua presença, pela sua contribuição aqui na TV Câmara Campinas. Foi um prazer, de verdade, é um prazer poder conversar sobre isso. É um assunto muito real, um assunto diário mesmo na clínica. Eu trabalho com os pais também dos adolescentes e eu como eu puxo a atenção deles para isso e é um trabalho de formiguinha, mas é bom que aqui a gente tem uma amplitude maior. Mas lá na clínica, o dilema é do adolescente ou é do pai? Geralmente é do adolescente como o pai e o pai com o adolescente. Então tem um pouco de tudo. Olha, então olha, a gente precisa realmente se unir, conversar bastante. O diálogo ajuda nessa hora? Com certeza. É uma das ferramentas mais poderosas. Até quando ele chega e fala: "Poxa, você não deixa eu ter sucesso, você não deixa eu gravar o vídeo que eu quero? Tá vendo que tem aquele coach lá que já tá ganhando 10.000 por mês? Eu também posso. O que que a gente pode dizer? Fala para quem tá lá em casa olhando pra câmera três, que é a câmera do entrevistado, como que a gente consegue conversar nesse nível com eles? Nesse momento é importante explicar pro teu filho que ele pode sim, mas você se preocupa mais com a saúde, com a infância dele, com quem ele vai se tornar, porque é isso que que é isso que vai pautar todo o futuro dele e não sobre o que ele vai fazer agora. O nosso valor não tá no que a gente faz, mas em quem a gente é. E no momento você tá mais preocupado com a construção de quem ele vai ser, de quem ele é, do que de fato com o sucesso que ele pode vir a ter. Tá bem. Muito obrigada. O ponto de vista fica por aqui. Lembrando que a gente estreia todo sábado um tema novo trazendo [música] especialistas. Até o próximo programa. [música] [música] [música] [música]
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