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Ponto de Vista | Formação Científica no Brasil
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Ponto de Vista | Formação Científica no Brasil

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Durante uma visita ao CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), o presidente Lula citou que “Brasil não pode permitir que mercado determine o que aluno deve estudar na universidade”, com base nesse posicionamento, discutiremos sobre a formação científica no Brasil, entendendo o mercado de trabalho, a autonomia científica, a "fuga de cérebros" e a valorização do setor científico no país.

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[música] [música] Durante uma visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais em Campinas, o presidente Lula afirmou que o Brasil não pode permitir que o mercado determine quais cursos os jovens devem escolher na universidade. [música] A declaração reacendeu um debate importante. Quem deve orientar a formação dos profissionais do futuro? O mercado, o estado ou a própria vocação? Em um país que busca ampliar a autonomia tecnológica e também a capacidade de inovação, a formação científica se torna uma peça estratégica para o desenvolvimento. Mas quais os desafios para formar pesquisadores? Existe realmente uma fuga de cérebros e como aproximar ciência, sociedade e mercado de trabalho? Para discutir esses temas, recebemos aqui hoje no ponto de vista o físico e professor Adalberto Fásio. Ele que é diretor da ILUM, Escola de Ciência ligada ao CNPEN aqui em Campinas. Olá, muito bem-vindo, Adalberto. Muito obrigada também por aceitar o nosso convite. Eu que agradeço. É um prazer estar aqui com vocês. Bom, pra gente iniciar já esse papo, como é que nasce um cientista, né? O que que desperta essa vocação pra pesquisa na sua opinião? É, cada um tem um uma história, né? Mas ela nasce já, eu acho que no ensino médio ou no ensino fundamental, né? Eh, é o despertar do conhecer. Então, o cientista ele tem aquela vocação de estudar, né, da interessado pelos fenômenos da natureza, assim começa a se despertar. E o Brasil tem muitos cientistas, né? Precisamos de mais cientistas e cientistas focado em em problemas nacionais. Então, eu diria então que essa carreira ela começa e depois obviamente vai no ensino superior, depois continua sempre. Agora, o sistema brasileiro de formação científica, ele é hoje eficiente na sua opinião e quais etapas aí a gente tem, principalmente numa perda de talentos, né? uma pessoa ali, um jovem tem a vocação, mas de repente não consegue seguir essa carreira aqui no país. Eh, nós temos vários problemas aí. O problema principal hoje é difícil numerá-los, mas, por exemplo, nós temos uma evasão muito grande nas universidades. Então, nós estamos dizendo que, por exemplo, um curso de engenharia que tem da ordem de 50% de vazão, isso aí é horrível para o país, tá? Isso daí é um impacto muito grande no futuro que o governo coloca um um dinheiro, né, um orçamento para isso e os alunos se evadem os cursos de ciência é uma evasão muito grande, então a gente tem que entender o porquê dessa evasão grande. Então esse é é um problema. O segundo, eh, é que esses alunos, nós temos alunos muitos, muito carente, na verdade, do ponto de vista socioeconômico, a família, por mais que a universidade seja eh de graça, universidades públicas, eles não conseguem se manter em grande centro, Campinas, São Paulo, etc., e acabam também saindo. E por terceiro, eu acho que a universidade precisava rever algumas coisas, particularmente os docentes. Esse apego [limpando a garganta] aos alunos tem que aumentar, as aulas tem que ser mais dedicad aos alunos, ao aprendizado. Então eu esses eu acho que são os grandes entráveis assim pra gente ter mais formandos na área de ciência. Isso já falando daqueles jovens que conseguem acessar a universidade. Muitos nem conseguem esse acesso, né, professor? Grand a grande maioria não tem acesso a essa universidade, a universidade, né? Isso é um grande problema. Nós, se nós olharmos, por exemplo, o o Brasil, ele tem somente 24% de de pessoas de 25 a 35, né? ou formandoos ou estando no ensino superior. E a OCDE pensa nisso da ordem de 49 e 50%. Nós estamos muito mal, né? Temos poucos eh brasileiros com ensino superior ou no ensino superior. Bom, falando do ensino superior, a iniciação científica, ela é ainda uma ferramenta importante para atrair esses jovens paraa pesquisa aqui no país. Ah, sim. A iniciação científica é é muito importante, óbvio, não vai ter bolsas de iniciação científica para todos os jovens, né? Mas ela dá uma parte do financiamento, mas a parte principal que ele vai já tá ligado com um pesquisador. Então ele começa, quando ele tá na universidade, ele vai ter contato com o pesquisador, vai acompanhar as atividades do laboratório e vai saber quais são aqueles conhecimentos da fronteira, né? E isso ele vai decidir no futuro da onde ele segue. Então a a iniciação científica ela é importantíssima, né? Seria o primeiro passo, né, para essa carreira de pesquisa. Sim, sim. É o primeiro passo, né, assim, no estando num laboratório avançado, é o primeiro passo, né? O que nós poderíamos ter é mais laboratórios no ensino médio. Eh, e laboratórios, eh, assim mais sofisticado, laboratórios que acompanhem o século XX, nós poderíamos ter, e não é tão caro, não. É uma questão de de da gente tentar fazer uma política maior com olhar no ensino médio, né? Bom, são várias dificuldades, né, que o senhor comentou, tanto para quem ingressa na universidade, quanto a questão do acesso, né, como comentamos também. Pensando nisso, hoje o Brasil ele forma cientistas em quantidade suficiente para as necessidades hoje do país. Não, não forma. Forma pouco, né? Não, eu não tenho nada contra direito, nem economia, mas o Brasil forma direito mais que a Europa inteira. Então, são distorções de um programa do sistema superior, do ensino superior. E isso precisa modificar. Então se precisa, nós hoje formamos de toda da de todo as áreas do conhecimento, a área de ciência, engenharia, matemática, ciência de dados são 16% do todo. Então tem alguma distorção no sistema. Então nós estamos formando muito alguma coisa ou precisamos formar mais nessas áreas. Então esse é um grande problema. Esse é um problema crucial. do ponto de vista que nós estamos formandoos no ensino superior, embora tenha esforço do governo numa direção de de modificar isso, é eh nós estamos ainda mal, né? A gente precisa melhorar e eu acho que acredito no futuro. Bom, aqui em Campinas a gente tem a Ilum, né, que é um modelo diferente, propõe uma formação que é interdisciplinar, né, para pra ciência, para pesquisa. Isso diferencia essa proposta de ensino, né, eh, do pro ensino superior, já é um primeiro passo para essa mudança na formação científica. É, na aí não é um diferencial, né? Obviamente nós estamos falando de um de uma faculdade, poucos alunos, né? Eh, mas ela tem o foco naquele que a gente pensar lá na frente, no futuro, e ela tem uma estrutura também que vai se moldando com forme avanço futuro. Ou seja, a interdisciplinaridade ela vai, ela é uma coisa dinâmica, né? Hoje, por exemplo, que não tinha o ano passado e esse tema, terras raras. Terras áreas envolve diferentes áreas, química, física, geologia, eh política, economia, etc. Então, esses temas têm que ser levado para os jovens. Aquele que gosta mais de física, ele vai atuar nos terras raras, na física, química, enfim. Eh, é uma é uma faculdade que tem, como você falou, essa visão interdisciplinar bastante forte e outras que a gente pode aqui comentar, outras atividades que a gente enxerga como importante eh pro ensino superior. Para quem não conhece ainda o trabalho da Ilum, né, professora, é um trabalho recente ainda, né? É relativamente novo aqui em Campinas. Como é que é essa proposta? O que ela tem de diferente da formação tradicional na área científica? Ah, aí nós vamos formar agora a terceira turma, né? Então já temos duas turmas de formandos. É uma escola que é interdisciplinar, é full time, né, o tempo todo na escola e como e os professores também são full time. Então os professores chegam às 8, saem lá às 17, 18 horas, né? e tem tudo, física, química e um foco forte em ciência de dados, a parte de humanidades que a gente liga com a ética e com a ciência. Então, é um diferencial, né? A metodologia de ensino também é um ensino ativo. O aluno eh não, ele também é protagonista na sala de aula, né? Então, é uma interação muito grande com os professores e tem um diferencial que às vezes é esquecido, mas 50% do tempo é em laboratório, é baseado em projetos. Então, o aluno tá sempre, como nós falamos da iniciação científica, na verdade na ilha, eu posso dizer que é 100% dos alunos estão numa atividade de iniciação à pesquisa e chega no final, ele vai apresentar o projeto dele como se fosse um pesquisador do CNPEN. É, é um diferencial, obviamente que a pergunta seguinte é: isso é possível escalonar? a gente tem discutido muito com a com reitores, né, com secretários de dos estados aí e alguns têm muito interesse em fazer, não precisa ser igual aon. eh pode ter um modelo eh um pouco diferente, mas isso é é fundamental, essa visão da ciência como um todo. A gente não pode olhar ficar olhando a ciência de uma maneira estante, que nem eu fiz meu curso de física, era só física e matemática. Física e matemática, né? E eu quero saber o seguinte, e a física pro país, por exemplo, né? Ou a matemática para o país, como é que a gente olha o país dentro do ensino da ciência? eh os países eh mais desenvolvidos, você pega os países, por exemplo, pegar um exemplo da China, ela tem direções do do que fazer em pesquisa, de maneira que isso beneficia ao país, né? Então, ela é diferente e é possível as outras também caminharem nessa direção. E aí o jovem que sai da Ilon, ele sai com um leque amplo aí de possibilidades paraa atuação nessa carreira científica, né, professora? Sim, sim. ele sai com um leque amplo, obviamente. Eh, eles são 3 anos que estão lá, né? Obviamente ele ele vê quais são os fundamentos de cada área de conhecimento, que isso que é o importante. E dali, agora os alunos da Ilum, eles já vão pro doutorado ou vão pro mestrado, né? Então eles já seguem a cadeira, cadeira acadêmica, a carreira acadêmica. Mas tem alguns que querem já ir trabalhar num laboratório do governo, outros querem ir paraa empresa, etc. Formamos da ordem de 120. Agora nós temos um eh final do ano vamos ter uma estatística melhor sobre esses alunos aí. Bom, o senhor falou dessa dedicação integral, né, para pro ensino naum professores, alunos passam o dia todo lá pros alunos para que isso aconteça. Existe um apoio financeiro também, né, professor, que facilita essa formação. Sim. AON a gente dá toda essa a facilidade de que ele precisa para estudar. Ele recebe um computador, recebe a moradia, recebe alimentação, recebe condução, enfim, ele tem tudo, né? Eh, para desenvolver o seu trabalho. E aí não importa a condição socioeconômica, né? São 100% dos alunos têm esses benefícios. Então isso torna esse ingresso e permanência possíveis, né? O que muitas vezes não acontece numa numa graduação tradicional. É entre um 40 e não tem evasão, praticamente é dois ou três, né? Por diferentes razões. A evasão é quase nula. Isso é isso mundialmente é um sucesso. Agora a gente sabe que a formação eh de longo prazo na área de ciência, né? existe aí é uma dificuldade para essa permanência que a gente comentou, né, professor, muitos existem ali no meio da graduação. Eh, no caso da Ilon, é o primeiro passo para que o aluno ele possa também se aprofundar mais na área em que escolher, né? Ou seja, é um investimento aí de longo prazo e que muitas vezes não traz um retorno financeiro tão rápido, né? Isso pode ser também um uma coisa que não atrai tanto, né, os jovens para essa carreira hoje. Eh, um financeiro para o jovem que você tá falando, né? É, então ele ele vai entrar no doutorado, vai ter uma boa bolsa, um mestrado ter a bolsa, mas o importante é que ele sai jovem, entendeu? Se eu pegar tem ela na entre e de 16, 17, 18 anos de idade, ele faz em 3 anos. Então ele já tem uma maturidade, porque isso é um treinamento que a gente faz, um um treinamento para ele ser capaz de escrever seus projetos e falar e etc. Então, muito jovem ele já tá bem, ele já vai tá seguindo uma carreira, né, eh, que é diferente de de outros lugares, que ele vai sair muito tarde, demora um tempão para fazer a graduação e sempre dependendo de um pesquisador sior. A gente gosta que é dos jovens, que os jovens que têm boas ideias. Bom, aí o a gente tem um risco hoje do Brasil, né, depender até tecnologicamente de outras nações para investir em pesquisa básica. Se essas falhas na formação que a gente comentou antes, elas continuarem, professor, a gente já depende inclusive de outros países nesse sentido ou não? Eh, o Brasil é um país muito fraco do ponto de vista tecnológico, né? Então o Brasil ele do ponto de vista mesmo de falar de uma tecnologia de fronteira, nós produzimos muito pouco. Então esses jovens quando estão na universidade obviamente que eles vão pegar problemas de lá externo, né? Eu diria que às vezes a gente entra em campos que não é de interesse do nosso país, né? Eh, na ILO a gente ensina muito isso, né? Quais são os problemas do país? Ele faz uma física igual é feito em qualquer parte do mundo. A ciência é uma coisa mais ou menos universal, mas os temas que você procura tem que ser temas de realmente de interesse eh do país, né? Você não pode, você, por exemplo, se você tem uma empresa estrangeira, o aluno for trabalhar num tema de interesse de um de um tema que não é de interesse do Brasil, por exemplo. Isso daí isso daí tá errado. Mas eu acho que essa conexão eh eh governo, empresa, sociedade ou academia, né, esse triângulo academia, acho que dá para conviver muito bem no Brasil. Bom, a gente tem também o que é chamado de fuga dos cérebros, né, que são aqueles pesquisadores que se formam aqui, mas muitas vezes vão atuar no exterior. Por que que isso acontece na sua opinião e é um desafio ainda pro nosso país manter, né, reter esses talentos aqui? Eh, bom, acontece depende do tema. Se ele pega um tema de, por exemplo, de laboratórios que não tem no país, ele vai querer desenvolver a pesquisa dele lá fora, né? Então essa, por isso que eu digo que tem que ser treinado isso durante a graduação dele para ele saber olhar o problema do país, os problemas de interesse nosso e onde nós temos a competência ou queremos criar uma competência. Vou dar um exemplo, né? Um aluno que vai pro Síriz, por exemplo, por que que ele vai pro exterior, né? Temos lá o equipamento de última geração que não faz inveja pelo pro mundo inteiro, né? Então o aluno não vai pro exterior, mas ele tá num [limpando a garganta] num tema que ele vai ter, por exemplo, o caso de um equipamento ou uma pesquisa que aqui ele não vai ter apoio, certamente ele vai evadir, né? Ele vai para outro país. Mas eu não sei se tá tão grande assim esse número, viu? Eu tenho visto eh é um número que não é o grande em relação aqui. O Brasil talvez ele não seja dos países que mais sai cérebros. É interessante isso, tá? Embora a gente sabe que há essa saída, mas outros países eh, por exemplo, vão paraos Estados Unidos, paraa China, paraa Europa bem maiores do que no que o Brasil faz. Agora, o que é importante é ter o compromisso também. Eu aí é uma coisa que eu acho que se nós colocamos um aluno fazendo um doutorado no exterior, um pósdoc no exterior pago pelo governo brasileiro, ele tem que dar um retorno ao seu país, né? O [roncando] ciência sem fronteira era assim, né? Mas não sei se continua. Eu realmente eu não acompanhei esses dados aí, mas talvez tenham muitos que já ficaram pro exterior e nós temos alguns, né, no exterior, isso é normal, né, porque continua até uma certa interação com aqui. Bom, o senhor mencionou os sírios, né? Qual que é a importância de estruturas como essas, né, como os sírios paraa autonomia científica do nosso país? Ah, é fundamental, né? você tem um um sílios em particular, é um um é um equipamento, uma dimensão gigantesca que são os aceleradores de de elétrons que você pode fazer pesquisa em qualquer área que você possa imaginar, geologia, a área de biologia molecular, física, química. Então você trabalha em qualquer área, porque você tem ali uma, eu diria, uma versatilidade muito grande do equipamento que ele tá lá. Então acho que se tivéssemos outros seria muito melhor ou outros equipamentos, né? E não é só os sírios no Cepen. O Cenepen tem o maior parque de microscopia eletrônica, né? Inclusive, eu criei o microscópio para você ver as estruturas do dos vírus, por exemplo. Aí você foi feito já com vários vírus. Aí é uma pesquisa muito forte. Tem a área de materiais também do Nano e tem os outros laboratórios de biologia de birenováveis que são pesquisas de fronteira e tem equipamentos de fronteira. Então eu diria que o Cepen é um exemplo e a gente poderia exportar o CEPEN para o Brasil. O que precisa ter é é um aí é um o governo entra com uma parte importante, né? E e tudo isso obviamente custa dinheiro, né? Então, mas o dinheiro nisso é aquilo que vai reverter no futuro pro nosso desenvolver. Assim que vários países saíram dessa situação. Um exemplo para não ficar falando da China, a Coreia, por exemplo, na década de 70 era bem abaixo do Brasil, hoje é muito superior do Brasil do ponto de vista da complexidade industrial que eles têm. Tudo isso nasceu da educação. Enquanto no Brasil a cada 40 jovem um busca engenharia, na Coreia cada quatro um busca engenharia. Não pode. Aí a diferença ela vai aparecer em médio prazo. Então aqui a gente tem que aprender a trabalhar médio e longo prazo. Não adianta querer a cada 4 anos a gente ter uma revolução. Não tem, não existe mágica para isso. Tem que focar e ter um compromisso. Eh, Congresso, governo tem que ter um compromisso. Não dá para as coisas estarem separadas. No caso da Coreia, né, que o senhor citou agora, isso é reflexo também de um grande investimento nessa área, né, mesmo a procura aí dos jovens por essa carreira, porque enxergam também um potencial de mercado, né, não só ali de vocação também, né? Sim. É, sem dúvida. Você vê que a Coreia tem hoje as grandes indústrias, por exemplo, na área de semicondutores, muito forte, né? Eh, e realmente é isso. Colocam os jovens olhando para essas improzas aí. Então, o nosso jovem, por exemplo, vamos voltar na hilo, né? Quer dizer, o meu sonho é ter as empresas nacionais absorvendo logo que ele terminarse doutorado. Essas empresas farmaceuticas, empresas de tecnologias mais avançadas, né? Mas isso é difícil aqui, né? Nós estamos a a participação da complexidade industrial no nosso PIB, ela cai assim desde desde 75, ela só cai. Eh, alguma coisa tá acontecendo de errado, né? E enfim, às vezes eu falo um pouquinho assim, eu me eu fico triste de ver esses gráficos. Eu não sei o que que acontece. Dá vontade de levantar o gráfico com a mão, né? Mas é uma tristeza isso. Você colocou bem. E a Coreia hoje tá lá [limpando a garganta] eh independente. Ela negocia coisa que existe um um valor agregado forte, né? Então não tem essa conversa de vamos fazer taxação, taxação aqui, taxação lá, né? Os Estados Unidos taxou as a China, a China falou: "Ó, acabou terras raras, não deu um dia, né, pros Estados Unidos, ó, vamos pensar melhor isso aqui." E não é só a China popular, a China que não existe é o país de Taiwan, por exemplo. Hoje é onde se produz os chips de mais avançado é em Taiwan. ninguém mexe com tai. Enfim, voltando pro nosso caso aqui da região, né, falando da ILUM, o estudante ainda da Ilum, ele tem um atrativo de toda a estrutura, né, professor, do CNPEN, dos sílios, de toda a estrutura que existe lá, para que siga também uma carreira acadêmica, né? Quer dizer, faltam mais estruturas como essas também para impulsionar essa formação de pesquisadores. Eh, eh, não, nós temos universidades no Brasil muito bem equipadas, né? A USP, um exemplo, Unicamp é um outro exemplo, a UFRJ, UFMG são e tem outras, né, citar aqui que tem muitos equipamentos, né, eh, que pode fazer isso. Eu acho que às vezes falta um eh difícil, a conversa é longa se for falar isso, mas eu acho que existe uma estrutura da universidade, ela tá um pouco equivocada no Brasil. como os pesquisadores olham a universidade da própria universidade, como as decisões são feitas na universidade, qual é o o comprimimento do corpo docente com os alunos, né? como a universidade olha os professores do ensino médio. Nós temos várias vários problemas, mas respondendo tua pergunta, as universidades têm equip um um sírios, né, e nem um campo de microscópio que nós temos no CNP, mas eles têm equipamentos sofisticados, eles têm eh orçamentos para compra de equipamentos, ou seja, o problema não é falta de estrutura, não, não é falta de estrutura. Eh, não é falta de estrutura. Eu aí eu acho que a gente tem que eh talvez marcar uma outra entrevista, mas aí talvez uma reformulação da universidade nas suas decisões, certo? Eh, desde a permanência do docente da forma, o relatório, qual é a missão de cada docente, né? Qual é o cumprimento que a universidade tem com a sociedade de um modo geral? Como é que ela olha o ensino médio, o ensino fundamental? Eh, isso que precisa mexer mais. A Academia Brasileira de Ciência fez um documento, né? Eh, e não sei se se foi lido esse documento, mas a gente faz algumas propostas. Eh, eu diria duas grandes propostas que eu acho fundamental paraa universidade. Eu vou falar de uma delas, que a outra é mais longa, mas vou falar de uma delas, que é separar a expertise de centros que são de interesse do Brasil. Quais são as universidades que atuam de uma forma competente em inteligência artificial? Então, cria-se um centro dentro da universidade, tem outros temas, materiais quânticos, sei lá, agricultura, eh [roncando] eh mudanças climáticas. Você cria esses centros e esses esses centros têm um orçamento maior e eles têm a liberdade de contratar e de formar estudantes aí numa estrutura de organização social. Então, quem eles contratarem é CLT, tá? E e aí certamente eh, eu acho que o Brasil começa a mudar. Seria uma uma um benefício triplo aí, né, professor, tanto pra formação, pro aluno atuar no mercado de trabalho e benefícios revertidos pro país, né? Certamente. Aí não tem aí essa essa roda gira, como eu digo, né? Eles vão sair pras indústrias, vai ter interação com a indústria. A parte de inovação tecnológica é um parte grande desses centros aí. A outra é formação de alunos em áreas interdisciplinares e trabalhar em temas de interesse do país, né? E não, se você pegar aí seis, sete temas, você preenche essa essa esse vácuo que nós temos. Eh, o senhor falou que muitos pesquisadores permanecem hoje no país, né? para esses que permanecem hoje, eh, eles encontram boas oportunidades, né, que condizem com a formação que, que eles têm? Como é que é esse mercado para esses pesquisadores hoje? Isso é uma uma boa pergunta. Eu não sei se eu vou ter a resposta, mas maioria dos bons pesquisadores acabam ficando na universidade. Isso é uma verdade. Poucos vão para a parte da uma indústria de tecnologia mais avançada, porque nós temos pouquíssimas empresas que estão realmente na vanguarda do conhecimento. Então eles acabam ficando na universidade ou nos centros de pesquisa do governo. Nós temos vários ministérios com vários centros de pesquisa. Ministério de Ciência e Tecnologia tem da ordem de 27 centros de pesquisa. Aí você tem o Ministério da Saúde, Ministério de Minas e Energia que tem o seu centro de pesquisa. Então acabo entrando nesse centro. Eh, o percentual que vai pra indústria é pequeno. E tem aqueles que eu que sabem muito a matemática, física, acabam indo pro banco, né? Obviamente também estão informado, tão contribuindo, mas não foi para isso que ele foi formado. Aí o pessoal fala: "Ah, mas nos Estados Unidos eu tem X%". [roncando] A gente não pode olhar Estados Unidos, eles estão todos desenvolvidos, nós queremos desenvolver. Então são coisas diferentes, tá [roncando] bom? A gente tem também hoje, professor, uma maior participação das mulheres, né? Elas já são maioria aí na pós-graduação brasileira, 57% hoje das pessoas tituladas na pós-graduação e também maioria entre as estudantes. Só que apesar disso, né, elas enfrentam ainda muitas dificuldades para alcançar posições de liderança na ciência. Como é que o senhor avalia hoje esse cenário pensando nas mulheres na pesquisa? Eh, era no o tempo que eu fiz a faculdade era bem pior, mas é que as mulheres fizeram revolução agora, tá? E é realmente muito muitos programas agora, né? Eh, que elas têm meninas na ciência, são vários do tipo de de ontem, por exemplo, eu eu recebi um telefonema que era eh Meninas na Biologia, uma olimpíada de só de meninas na biologia. Então tem vários programas desse tipo. Hoje as [roncando] mulheres, como você colocou, elas estão quase fift 50 nas atividades. O que acontece que aí eu não sei te dizer, para ascensão na carreiras ainda as mulheres são poucas, tá? Então você pega, se você fosse olhar o nível eh no CNPq, para quem tá lá no topo da classificação 1A, são poucas mulheres, o que vem mudando com o tempo, né? E mas a participação, obviamente, das mulheres, eh, elas são fundamentais, né? E aí não tem esse, a gente não faz nenhum, não tem questão de gênero na matrícula, mas eh hoje são 50% de mulheres alunas na ILO, né? Bom, o senhor falou da necessidade de mudanças na estrutura de formação e pensar, né, a formação para aplicação em benefícios pro país. E aí, nesse sentido, existe alguma área científica estratégica hoje pro futuro do Brasil que precisa dessa mudança e de mais investimentos também? Área a tem várias áreas, né? Obviamente eu coloco inteligência artificial, ou seja, ciência de dados com uma área muito importante, porque a ciência de dados ela ela vai atuar em todas as áreas, né? Aí você vai pegar economia, direito, física, química, biologia, ela vai atuar em todas as áreas. Então isso eu acho que todos os cursos de ciência, engenharia deveria ter, pelo menos, obviamente o de ciência de dados e computação vai ter uma uma especialização grande, mas todos deveriam ter um aprendizado de inteligência artificial, né? E daí você vai separando, né? Tem alguns temas que o Brasil precisa, né? Por exemplo, refinamento de terras raras. Obviamente que o Brasil precisa trabalhar nessa área e a inteligência artificial também ajuda bastante, né? Eh, eh, design de fármacos, né? Drag deliveries, esses são temas que a gente precisa, né? A gente tem uma indústria farmacêutica eh no Brasil praticamente eh estrangeira, né? Nós temos poucos. Então essa área biologia molecular são áreas de interesse do país que a gente tem que tá eh bem atenta, né, para não chamar a minha atenção na área de física, né, na área de computação quântica, que pode vir um futuro aí. Mas enfim, são essas áreas que eu desta assim. Bom, pra gente não falar só dos desafios, né, professor, rapidamente, qual conquista recente da ciência brasileira o senhor acha que merece ter mais reconhecimento, né, que a gente pode trazer aqui para quem nos assiste. Eh, eu teria que pensar um pouquinho, mas eu eu diria que o no Brasil hoje que teve que que obteve um reconhecimento foram os trabalhos, eu acho que de mudanças climáticas. O Brasil tem pesquisadores, né, eh, nessa área que realmente deram uma diferença, né? no ponto de vista desse olhar e demonstrar da importância de mudanças climáticas, né? A gente tem nomes que eu não vou citar aqui, mas Polar Tcho, Carlos Nobre, etc. São nomes reconhecidamente internacionalmente como pessoas competentes que deram uma contribuição para um olhar diferenciado na Amazônia. Então isso eu acho que é uma parte importante, né? Eh, numa ciência mais hard assim é difícil. Teve vários trabalhos importantes, tivemos, mas eu não não destacaria assim nenhum, mas nós temos nós somos o 13º país que mais publica artigo científico. Então, tem muita coisa acontecendo aí, né? Eh, mesmo no Cepen, tem vários trabalhos lá na área de bio, na área de biorrenováveis de grande destaque, né? Enfim. Bom, professor, pra gente fechar, pro jovem que nos assiste, de repente sonha em construir uma carreira na ciência, qual conselho o senhor daria hoje para esse jovem? Eh, ler muito livro de ciência. eh aprender a estudar, conversar com os pesquisadores, escrever e saber matemática. Esse é um conselho que eu dou. Aí fala lá o menino da biologia: "Ah, mas eu não gosto de matemática". É, não é uma matemática do limite, mas ela tem que ter uma noção hoje, porque eu tô falando da inteligência artificial, é importante que tenha uma formação básica boa em matemática, mas para esses jovens eu diria que é a persistência. E uma coisa que é mais importante que eu dou até palestra sobre isso, entender que o fracasso na ciência, o fracasso faz parte da ciência. Se não tiver fracasso, não é ciência. Ou seja, você vai aí, hum, não deu certo, aquilo não deu certo, uma hora dá certo. É assim que faz a ciência. Então, fracasso e ciência, elas estão junto, né? É, ciência não é dogma, né? Então você tá e aprender que esse jovem às vezes começa lá, ah, vai no laboratório, uma coisa não dá certo. Isso é, isso é normal, né? Eu posso falar várias coisas que o Einstein falou que tão equivocadas ou vários a tentativa dele que ele não teve sucesso, né? Então, qualquer cientista eh até tem uma frase que o que não teve sucesso, ele não fez não teve insucesso, não fez nada em ciência. Então essa persistência ela faz é uma coisa fundamental do cientista e não tem cientista que não seja eh duro dentro do problema. Adalberto Fáio conosco, ele que é diretor da ILUM Escola de Ciência aqui de Campinas. Muito obrigada, Dalberto, por aceitar o nosso convite, por trazer também o seu ponto de vista sobre esse assunto. Eu que agradeço e estou à disposição. Muito obrigada. E já agradeço também a você que nos acompanha aqui no ponto de vista. Muito obrigada pela sua audiência, pela sua companhia aqui em mais uma semana. Te espero na próxima edição do Ponto de Vista. Até lá. [música] [música] [música] [música]
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