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Ponto de Vista | 3ª guerra mundial? Análise do conflito EUA-irã
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Ponto de Vista | 3ª guerra mundial? Análise do conflito EUA-irã

191 views Publicado 14/03/2026 HD · 44:58
Resumo editorial

O programa Ponto de Vista debate se o mundo está à beira de uma Terceira Guerra Mundial diante do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com escalada militar que reacendeu temores globais sobre estabilidade internacional. O entrevistado, advogado especialista em Direito Internacional com pós-doutorado pela Universidade de Coimbra, doutorado pela USP e especialização em direitos humanos pela Universidade de Oxford, analisa o cenário com profundidade técnica e política. O professor explica que nos primeiros quatro ou cinco dias do conflito o temor de uma guerra mundial era mais sensível, mas a forma como o Irã reagiu aos ataques transformou o episódio em conflito regional extremamente tenso, sem caracterizar guerra mundial no sentido tradicional. A conversa aborda erros estratégicos cometidos por cada um dos atores envolvidos, o papel das declarações recentes do governo norte-americano, o impacto da pauta sobre o preço internacional do petróleo e a economia brasileira, e as consequências geopolíticas para o Brasil e para o equilíbrio multilateral global, oferecendo análise qualificada para o público campineiro acompanhar a crise internacional com base em informação técnica robusta.

Descrição do vídeo

No Ponto de Vista o advogado e especialista em Direito Internacional Fauzi Hassan Choukr (pós-doutor Coimbra, doutor USP, especialista Oxford) analisa o conflito EUA-Israel x Irã: estamos à beira da 3ª Guerra Mundial ou é regional com impactos globais? Pós-doutor revela erros estratégicos, economia e saídas! ⚔️ ​ Risco de 3ª Guerra: Diminuiu, Mas Tensão Persiste ☢️ "Nos primeiros dias, temor alto; agora, regional tenso – Irã surpreendeu com ataques a bases EUA no Golfo", explica Fauzi. EUA subestimou reação iraniana (após 2025, drones foram contidos). Freio: consenso militar (Irã intacto) + escalada econômica (preços petróleo/dólar sobem). ​ Impactos Econômicos Globais: Brasil Sente! 💸 Irã mina Estreito de Ormuz (1/5 petróleo mundial) → inflação gasolina/diesel/etanol no BR (dólar de R$5,40). EUA sofre: desemprego/inflação contrariam Trump. Brasil: alta artificial nos postos! 🛢️ ​ Por que Não Escalou? Aliados Ausentes 🤝 Europa: Espanha nega bases; Itália/França sem tropas Golfo Árabe: Apoio logístico, mas sem soldados Rússia/China: Distantes (Rússia atolada Ucrânia; China diplomática) 63% americanos contra guerra quebra promessa anti-guerra MAGA. ​ Irã: Guarda Revolucionária Decide! 🛡️ Não árabe (pérsio/xiita): regime 1979 resiste. Líder religioso/presidente secundários – Guarda manda. Coesão anti-invasão (história anti-colonial EUA desde 1950s). Gaza/Líbano unem sociedade. ​ EUA-Israel: Crise Interna? ❓ Netanyahu sumido (residência atacada; sem aparições pós-dia 3). 400+ baixas EUA (não confirmadas). Netanyahu: extrema-direita enfraquece. ​ Outros Focos de Tensão: Terceira Guerra? ⚠️ Rússia-Ucrânia: Consolidado, sem novos intervenientes China-Taiwan: Bilateral (sem invasão) América Latina: EUA em Paraguai preocupa terras raras BR – risco regional, não global. ​ Saída: EUA Precisa de "Honrosa" – Sem Mediador! 🕊️ Irã forte militarmente; EUA busca freio econômico. Sem consenso global para paz. "China legalidade; EUA/Israel justificativas frágeis". ​ Assista completo ▶️, debata riscos globais 💬, curta 👍 e compartilhe esclarecendo! Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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[música] Vivemos um momento de grande tensão no cenário internacional. O conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã reacas o debate sobre os riscos de uma escalada militar com consequências imprevisíveis. Mas afinal, o planeta está realmente a um passo da terceira guerra mundial ou estamos diante de um conflito regional com impactos globais? Para discutir esse cenário, o ponto de vista recebe hoje o advogado Faus Rassan Chokre. Ele que é especialista em direito internacional e relações globais. Ele é pós-doutor pela Universidade de Coimbra, doutor e mestre pela Universidade de São Paulo, também especialista em direitos humanos pela Universidade de Oxford e ainda pesquisador convidado em instituições internacionais. Muito bem-vindo, professor. Muito obrigada por falar conosco e nos ajudar também a entender esse cenário tão complexo, né, e tão preocupante. Boa, é um prazer estar aqui com vocês, tá lá? Eh, espero que a gente possa ter aí uma grande oportunidade para trocar ideias. Bom, já de cara pra gente iniciar a pergunta que todo mundo tá se fazendo, né, se preocupando com isso, é, estamos diante de uma terceira guerra mundial, estamos a um passo dela, eu diria, professor, ou não? É, essa é uma pergunta inquietante de fato, né? Digamos assim, eh, após já decorridos mais de 10 dias do conflito, eh, as coisas eh se modificaram numa dinâmica muito rápida. Eh, pode-se dizer que nos nos quatro, cinco primeiros dias, eh, o temor de uma guerra eh que nós chamaríamos de uma terceira guerra mundial era muito mais sensível do que é neste momento. A forma como o Irã reagiu aos ataques transformou, sem dúvida alguma, o conflito num conflito regional, um conflito regional. extremamente tenso. Eh, e neste momento, até pelas recentíssimas declarações do governo estadunidense, eh, no próprio dia em que nós estamos conversando ou no dia anterior, eh, dão conta de que nós, eh, não estaríamos mais correndo um risco tão iminente de uma escalada militar global, mas a escalada econômica é inevitável, né? E por que esse cenário mudou, senhor? Acredita, professora Além? Claro, a gente teve ali o posicionamento do presidente do Irã, do líder religioso, novo líder religioso, né, do Irã, também do Trump, que já sinalizam esse freio, né, na guerra. Mas por que que isso se deu dessa maneira, professor? Nós temos aspectos militares e temos aspectos econômicos. nos aspectos militares, hoje há um consenso eh internacional e há uma compreensão em larga escala nos Estados Unidos que houve uma subestimação da capacidade eh de reação militar do Irã. E esta eh má eh compreensão, e aí nós estamos falando de um erro estratégico que se diria até craço, se deve em parte à situação do ataque que Israel fez o ano passado, em 2025, ao Irã, que foi um ataque pesado, e que o Irã se comportou na retalhação de uma maneira muito protocolar. e muito superficial. Eh, é necessário lembrar que o ataque fez, o Irã, perdão, fez apenas um ataque eh em retalhação a aos bombardeios israelenses. Foi um ataque com drones, foi um ataque basicamente interrompido eh pelo chamado domo de ferro, que é um instrumento militar que era tido como impenetrável. Eh, e isto gerou uma eh uma falsa compreensão da da fraqueza militar do Irã. Então, esse é um fato. O outro fato foi a estratégia iraniana no enfrentamento das agressões sofridas. Aqui vamos fazer uma observação muito importante desde já, tá lá. Eh, ninguém aqui está dizendo que o regime iraniano era um regime democrático e que era um regime pacífico. Muito ao contrário, eh, é um regime que está instalado desde 1979 no Irã. E eu acho que a gente pode eh daqui a pouco conversar um pouco sobre isso, um regime extremamente violento contra determinados segmentos sociais. Eh, mas nada disso justifica uma invasão militar. a resposta ou uma agressão militar, porque a invasão não houve até este momento. A resposta estratégica do Irã em termos militares foi de uma certa maneira aos olhos do governo estadunidense e mesmo israelense foi uma resposta eh surpreendente, porque o Irã, de uma maneira bastante eu diria, estratégica, atacou os núcleos de inteligência militares dos Estados Unidos espalhados ao longo do Golfo, que são países pequenos, são países novos, são países que têm relações econômicas eh estreitas eh com os Estados Unidos, em parte são aliados, em parte são acomodados com a a presença estadunidense e essa Esta estratégia militar, ela ela se não destruiu por completo, ela minou pontos essenciais eh para a movimentação das forças navais e aéreas dos Estados Unidos. Então, este é um fator. O fator militar é um fator que impactou demais nos recentíssimos discursos de vamos então achar uma saída para este conflito que precisa ser muito mais honrosa do lado estadunidense e israelense do que do lado iraniano. Ah, e o outro lado é o impacto econômico global, porque a geografia iraniana, que é de uma singularidade muito destacada, eh, faz com que aquele país seja um país eh estratégico para basicamente toda a circulação de energia fóssil, eh energia não renovável, eh, no do mundo ocidental para o mundo oriental e vice-versa, não é? E os impactos disso são sentidos eh basicamente em todos os países hoje, mesmo aqui no Brasil. Se nós formos eh as bombas de combustível combustível nos postos de gasolina aqui do lado, nós vamos ter um aumento eh do preço final, por exemplo, da gasolina, do diesel e mesmo do etanol, que tem e elementos eh que dependem de importação, que não são justificáveis, mas estão aí. não são justificáveis, porque basicamente esta gasolina que está hoje no posto não é uma gasolina que foi importada ontem, não é? E o dólar no momento que nós estamos gravando, eh, ele se não eh continua na sua queda que levaria que levou alguns analistas aqui do nosso mercado financeiro há poucos dias antes da guerra afirmarem que nós estabilizaríamos o dólar ao final de 26 eh do ano de 2026 na faixa de 5:40. esse dólar eh que teve um leve aumento, eh esse dólar hoje está estabilizado num preço que é muito maior do que era em dezembro de 2025, muito menor, perdão, do que era em dezembro de 2025. Então esse aumento que é um aumento em certa medida artificial, eh, claro, provoca inflação aqui, mas sobretudo para quem começou a guerra, que foi os Estados Unidos e Israel, e sobretudo para os Estados Unidos. Isto tem um impacto já na economia local que vai exatamente na contramão de todo o discurso do atual mandatário daquele país e do seu partido político, que apregoava eh uma eh uma pujança financeira, uma pujança econômica que não se vê, não se via antes, seja pelo aumento da inflação e pelas taxas de desemprego nos Estados Unidos ao longo de 2000. eh deste ano, né, do atual governo, né, o atual governo está fazendo aí 14 meses lá, né, eh essas taxas aumentadas de desemprego e inflação eh pioram com a guerra, porque eh os custos da guerra para os Estados Unidos eh são custos absurdamente altos. Absurdamente altos. E aí os Estados Unidos se vê pressionado de certa forma, né, professor, tanto pela questão dos ataques do Irã, aliados ali que estão próximos a questão econômica que o senhor citou, e existe também uma desaprovação interna no país em relação à guerra, né? Ela é uma é uma desaprovação avaçaladora. A última estatística que eu tive acesso a respeito falava em torno de 63% da população dos Estados Unidos contra a guerra. E e essa eh maciça desaprovação, ela decorre de vários fatores. Um deles é a quebra do chamado compromisso de campanha do dos que ganharam, e eu tô dizendo dos que ganharam, não apenas o atual presidente, mas todos os políticos eleitos eh nos últimos eh nos últimos meses, na última eleição, que eh republicanos a a e portanto adeptos desta visão mirabolante que é o MAGA, que de novo não tem nada também na história política daquele país. A gente vai encontrar resquícios disso desde a virada do século XIX pro século XX lá. E nós vamos encontrar resquícios disso no governo Ronald Heagan, por exemplo, que é começo dos anos 80, até meados dos anos 80. Eh, eh, este eh eh esta desaprovação vem do fato de que havia o compromisso eh de não entrar-se mais em guerra. E esta eh esta promessa de campanha foi quebrada drasticamente e nós hoje temos uma dificuldade imensa de obter informações transparentes dos governos de Estados Unidos e e Israel quanto à suas baixas humanas. as informações que que chegam através tanto da imprensa consolidada internacional um pouco mais independente, quanto eh de informações, de meios de comunicação, sobretudo que usam redes sociais e que podem oferecer alguma informação mais ou menos eh confiável, auditável, eh São informações que dão baixas significativas em Israel, com mortes inclusive de lideranças eh políticas eh perdão, eh militares, eh morte de lideranças de inteligência e mortes expressivas da população civil. E do lado estadounidense, há constatação, a pelo menos a divulgação de no mínimo 400 militares mortos, o que nós vamos poder conferir eh daqui algum tempo, quando nós tivermos o cessar fogo, o fim eh desta agressão internacional e aí eh a imprensa puder fazer eh um trabalho com o mínimo de transparência possível. ív que não é verificável hoje. Além disso tudo, professor, aliados também tradicionais dos Estados Unidos não mostraram ali um apoio incisivo, né, a esse conflito. Isso também pode frear uma escalada dessa guerra? Pode, pode. E aqui eu preciso eh por um aspecto de admiração, eu preciso enaltecer a palavra do governo espanhol. o governo espanhol eh eh foi eh assim radicalmente democrático, radicalmente assertivo, quando não permitiu que as bases estadunidenses eh na Espanha fossem utilizadas. Eh, o que fez com que os Estados Unidos deslocassem aquele aparato militar para a Alemanha. E isso aconteceu nos últimos dias da semana passada. Eh, os países do Golfo árabe não endossaram o ataque com qualquer tipo de apoio militar contra o Irã. Lógico, a a utilização das bases militares enquanto elas não foram atacadas, fazia parte do jogo político entre Estados Unidos e Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes, não é? Bahrain, tal, mas nenhum deles em qualquer momento eh fez menção ao envio de tropas. Eh, de uma maneira geral, os países europeus ah não se predispuseram a acenar com envio de tropas. Assim foi, eh, num primeiro momento, a, a Inglaterra, assim foi mesmo o governo de extrema direita da Itália, da senora Melone, eh, que também se recusou ao envio de tropas. E a França também, eh, se manteve, embora criticando o governo israele. Macron nunca acenou com a possibilidade real de envio de soldados eh franceses pro fronte. Então, sim, de fato, eh, a ausência de um apoio claro eh foi decisivo, eh, foi um fator decisivo para que nós não tivéssemos a escalada mundial do conflito, né? Agora, falando um pouco do cenário do Irã, que também é muito instável, muito complexo nesse momento, né, professor, nesta semana em que conversamos, presidente do Irã falou pela primeira vez em encerrar o conflito, impôs ali algumas condições para isso, né? em contrapartida, o novo líder religioso fez eh sinais ali de novos ataques, né? Então, como é que fica essa contradição ali no cenário interno e quem que tem mais força nesse momento? O que tem mais força não é nem o presidente, nem o líder shiita islâmico. Quem determina o destino de como isso vai parar pela ótica iraniana é a Guarda Revolucionária. Ah, para o lado em que a Guarda Revolucionária quiser eh inclinar as decisões, é que elas se seguirão. o presidente do Irã, eh, e o líder religioso, evidentemente tem uma palavra de peso, evidentemente, eh, tem uma fala que impacta nos seus segmentos, né, respectivos, mas o destino da guerra, assim como o destino da política iraniana, diferentemente do que nós eh aqui no Ocidente podemos tomar até de de uma maneira intuitiva, como a eh são os aatolás que decidem. Eh, não é assim que funciona. Para entender isso, a gente precisaria retroceder ah na comunhão da política estadunidense com a comunhão da política estadunidense com a política iraniana desde os anos 50, porque nos anos 50 foram os Estados Unidos que eh eh digamos assim encamparam o golpe de estado dado no Irã que levou ao poder o antigo presidente iraniano, o chá reza parlev. E foi essa comunhão política que nos anos 50 eh desencadeou o programa nuclear iraniano. O programa nuclear iraniano, ele começa com eh o apoio e a a todo o fornecimento necessário de ciência pelos Estados Unidos. após esse golpe de estado que se denominou de operação Ajax, ah, e levou o Irã ter esta presidência mancomunada com os Estados Unidos até 1979, quando movimentos sociais e religiosos eh levaram à revolução que com a guarda revolu derrubou o então chá reza parlev e colocou no poder o governo dos iatolás. E de lá para cá, eh, o governo iraniano é um governo militarizado com aspectos teocráticos, que é o que acaba ficando muito mais em evidência para nós aqui do Ocidente, até porque nós temos uma dificuldade muito grande, primeiro de eh acessar informações, vamos dizer assim, objetivas sobre o Oriente Médio de uma maneira geral, eh, nós temos uma dificuldade muito grande que daria um outro programa pra gente conversar sobre isso. Nós temos uma dificuldade muito, e não é só a dificuldade de língua, da língua, né? No caso do Irã, inclusive das línguas, porque o árabe não, ele não são, eles não são um país árabe. O Irã não é um país árabe. O Irã é um país que tem a língua árabe por causa eh da religião muçulmana, mas a língua histórica da Pérsia é outra, né? Eh, e nós, portanto, nós eh consumimos muito eh informações pasteuizadas sobre o que é a sociedade do Oriente Médio, do que se passa na na verdadeira relação das sociedades eh dos países clássicos do Oriente Médio e mesmo desses países mais novos. Se, por exemplo, nós falarmos que a Arábia Saudita é um país que não tem 60 anos de idade, para muitas pessoas pode ser uma surpresa assim efetivamente eh eh inesperada, não é? Mas é disso que se trata. Agora, professor, por outro lado, né, existem muitas críticas ao regime religioso, mas o assassinato do líder supremo, os ataques, isso não pode, de certa forma, criar uma coesão interna ali nacional? Sim, essa é uma essa é uma observação eh extremamente válida, muito oportuna. É claro, eh, a sociedade iraniana é uma sociedade como qualquer outra, muito complexa. Eh, não se pode imaginar que nós estamos falando de um país de quase 100 milhões de pessoas ou quase 90 milhões de pessoas, melhor dizendo, e que nós tenhamos uma coesão absoluta sobre o destino eh ou a compreensão política do país. É lógico que para pessoas que hoje estão na faixa dos seus 50 anos, estas pessoas só viveram sob o sobre um determinado regime político que é o atual. Eh, como comentamos há minutos atrás, é um regime que se instala em 1979 com gravíssimos eh problemas políticos para os Estados Unidos, mas daqui a pouco essas pessoas estarão fazendo 50 anos. são pessoas que só viveram até agora sobrático militarizado, mas elas não são as únicas pessoas vivas no Irã. Eh, nós temos, evidentemente, a população mais velha, a população que são os pais, os avós ainda, talvez desta geração cinquentenária, que conheceram muito bem o que foi o domínio estadunidense eh dentro do Irã e não tem simpatia alguma por aquilo que aconteceu. fazendo um um paralelo que só por essa questão geracional eu vou fazer, porque inclusive não é mais possível que as pessoas daquele momento estejam ainda vivas na sua grande maioria. Era o que acontecia em Cuba. Cuba antes da revolução eh castrista era um país eh eh em plena promiscuidade política com os Estados Unidos. Eh, hoje, eh, a, as gerações mais novas só conhecem a pobreza, a miséria cubana. Eh, sim, a ditadura de esquerda ali, mas é uma esquerda completamente diferente do que se possa imaginar em outros lugares do mundo, porque cada uma é uma, não é? E o que que significa dizer isso tudo para o Irã? Significa que, primeiro, nós temos maciças reportagens do Ocidente falando eh das eh das atrocidades do governo iraniano. Perfeito. E elas existem. Porém, nós temos parcelas da população iraniana, sobretudo nas regiões mais campesinas, que eh não pensam como as parcelas urbanizadas da população pensam. Então, OK, nós temos eh e e essa, vamos dizer, essa polimorfia dentro da sociedade, porém nós estamos falando de uma agressão externa. E eh eles enquanto sociedade podem ser eh fragmentados quando se fala da política interna, mas é inevitável que uma agressão externa da maneira como aconteceu e com os resultados de morte de líder político, religioso, né, unem a sociedade perante um inimigo externo. Então, eh, há quem vá festejar que, ah, os Estados Unidos mataram o Aatolá. Sim, não é? Mas ao mesmo tempo há uma união contra um agressor estrangeiro. E ali, eh, nós precisamos entender que, por exemplo, diferentemente do que se passa na América eh latina e, em particular, na América do Sul, existe uma resistência histórica ao colonialismo. Os países árabes são o que são hoje, por conta da colonização efetuada por países ocidentais. E não existe nenhum sentimento, nenhum sentimento eh de eh receptividade a qualquer interferência dos Estados Unidos naquela região do mundo. Diferentemente do que acontece aqui, quando nós vimos, por exemplo, esta semana em que o programa está sendo gravado, que o que o governo paraguaio resolveu abrir o país para as forças militares dos Estados Unidos, o que é um grande problema para nós sobre todos os aspectos. Por que, professora, fazendo aqui um parênteses desse conflito entre Irã e Estados Unidos, porque a nós temos um governo estadounidense que leva às últimas consequências eh o seu poder bélico para alcançar aquilo que ele entende como sendo seus objetivos políticos. É por isso então uma postura como o governo, achar, por exemplo, que o Líbano vai eh ceder eh o seu país para que os Estados Unidos enfiem ali a sua força militar ou decida os destinos? Não, não é isso que vai acontecer num país árabe. E volto a enfatizar, ah, mas e os aliados e os aliados contemporâneos que existem no mundo árabe? são árabes, evidentemente, mas cuja estrutura política é completamente diferente do ponto de vista histórico para países como Síria, Líbano, eh para países não árabes, mas que estão na região como, o Irã. E grandes potências que poderiam ser ali uma pedra no sapato dos Estados Unidos, como Rússia e China, não se envolveram nesse conflito entre Estados Unidos e Irã. Isso também pode enfraquecer essa escalada, professor. E por que o senhor acredita que não há hoje esse interesse em se envolver nesse conflito quando a gente fala de Rússia e também China? É, são quando nós falamos em Rússia e China, nós precisamos dividir a análise em relação a cada um desses países, porque as suas políticas externas são políticas profundamente diferentes. Eh, pegando a história chinesa desde a reconstrução econômica nos anos 80 até agora, ah, nós não temos e notícias de envolvimento drástico da China em conflitos militares, em que ela eh e nem que eh a China tenha dado causa ao início de conflitos militares. Existe, evidentemente, uma tensão fortíssima entre China e Taiwan, eh, mas que, por exemplo, a China, diferentemente da Rússia, não invadiu o Taiwan, que invadiu a Ucrânia, né? E os fundamentos poderiam ser mais ou menos os mesmos, pelo menos numa grande guerra de mídia sobre o assunto, poderiam ser usados argumentos muito parecidos. Eh, com isso, ah, nós precisamos olhar a China dentro daquilo que conseguimos ah compreender, né, dos seus movimentos de de relações exteriores dentro de um outro contexto. A China é, neste momento vencedora diplomática, não tendo, evidentemente disparado um único tiro. Ela é, embora não se possa pensá-la como uma mediadora legítima para um cessar fogo, porque as partes não aceitariam e nesse caso os Estados Unidos não aceitará, né? Eh, mas a China se coloca no mercado, no no contexto internacional, no cenário internacional, como uma defensora da legalidade, do direito internacional, das relações diplomáticas e eh distante do ponto de vista visível da coisa, porque há informações, claro, de que informações de inteligência são eh repassadas da China para o Irã. Não é? Ah, por isso a China não se envolve. A Rússia não se envolve por outras razões. A Rússia não se envolve porque ela está envolvida até o pescoço numa guerra que também não consegue eh resolver, né? Também por fatores sob alegação de fatores históricos ligados à Ucrânia. eh, e um potencial envolvimento militar direto seria impraticável paraa Rússia neste momento, não é? Então, estas duas, digamos assim, eh essas duas fundamentações mais genéricas eh fizeram com que esses países mantivessem uma distância eh bastante grande do envolvimento direto. somado a isso, uma coisa que une hoje basicamente, basicamente todo o mundo eh ocidental e larga parte do mundo oriental para não se envolver. Duas situações. Primeiro, o repúdio ao que Israel fez em Gaza. Fez e faz, somado ao repúdio do que Israel faz no sul do Líbano. Esse repúdio é um repúdio geral da comunidade internacional e ambos governos de China e Rússia declararam abertamente em vários eh em vários palcos do cenário internacional eh a sua verdadeira aversão ao que aconteceu em Gaza. Pois, o fato de que em nenhum momento houve a comprovação de uma da suposta agressão iminente do Irã, seja a Israel, muito menos aos Estados Unidos, que foi o argumento primeiro do governo estadunidense. não é mais esse eh se nós pegarmos eh eh as declarações públicas, todas elas desconcartenadas, às vezes até insanas, eh dos principais líderes estadunidenses, a cada momento você tem uma justificativa, você tem um porquê para a agressão. E a verdade é que nenhum, nada do que foi falado até agora corresponde eh eh na essência às razões pelas quais os Estados Unidos começaram eh essa guerra. Professor, o senhor já diz que esse, na sua opinião, não deve ser o stopim para uma terceira guerra mundial nesse momento, esse conflito, né, entre Estados Unidos, Israel e Irã, mas temos outras situações de tensão, né? Temos a Rússia ainda em guerra com a Ucrânia, China que apesar de um comportamento mais diplomático, tá de olho ali em Taiwan, Estados Unidos sinalizando também o interesse em Cuba. Algumas dessas, alguma dessas questões, aliás, pode ser o stopim paraa terceira guerra mundial, se não, qual pode ser na sua opinião hoje? Eh, as invasões americanas na América Latina pela geografia não não tem no na minha análise deste momento, não tem o potencial de envolver eh o mundo como um todo. Aqui nós estamos num continente em que eh os recursos naturais fluem potencialmente na verticalidade e não necessariamente na horizontalidade, onde estas onde um conflito na América Latina poderia estremecer a segurança do mundo como um todo, eh, na posse de terras raras. Esse é o fator econômico e político que pode fazer com que um governo eh que queira invadir um país. E aí vamos ser diretos. Os Estados Unidos, por qualquer razão que seja dentro dessa eh loucura eh administrativa, política, econômica, absolutamente destemperada e com fundo religioso, nós não podemos esquecer disso. Há dias passados, nós tivemos uma uma cena na Casa Branca que se acontecesse entre os iatolás, até entre eles soaria como talvez bizarro, que foi a presença de extrema da extrema direita católica nos Estados Unidos, ungindo eh o atual presidente deles, que se colocava numa posição de abençoado para a guerra. Isso em qualquer lugar do mundo, isso isso seria motivo de especulações quanto à sanidade política e física dos envolvidos. O Vaticano, por exemplo, já condenou: "Não, isso aqui não tem nada a ver com religião". E com o ingrediente agora, apesar do Vaticano condenar, de um papa americano, que também é algo inédito, né? Pois é, é, é, é algo inédito, foi algo inesperado e foi algo muito bem-vindo, porque nós conseguimos colocar ali eh um elemento na geopolítica internacional eh de não legitimação sobre o viés religioso do que tá acontecendo nos Estados Unidos. Eh, recomendo firmemente a leitura para aqueles que quiserem entender o que se passou dias atrás. Eh, eu recomendo firmemente a leitura de um livro chamado Partido da Fé Capitalista, de Rodrigo Sacarneiro pela editora da 20 do Rio de Janeiro, que nos dá uma uma visão espetacular eh do que antecede, fomenta, sedimenta a presença daqueles pastores junto com aquele presidente a semana passada na Casa Branca. Voltando ao tópico anterior, eh transformar um conflito na América Latina num conflito eh de escala global, na minha modesta avaliação e hoje pelo pelos elementos que eu já me predispus a a a refletir sobre dentro desse assunto, seria disputa por terras raras. Isso envolve Estados Unidos e Brasil. Por isso, sim, é preocupante eh que um país como Paraguai tenha franqueado eh da maneira que fez a presença de militares ali. E num momento da história em que nós precisamos sim estar efetivamente atentos às necessidades pelo menos de de uma capacidade de dissuasão militar. Este é um cenário que preocupa o cenário da Rússia com a Ucrânia, do ponto de vista político, ele já é um cenário consolidado. Ah, os intervenientes internacionais que precisariam se manifestar sobre isso numa guerra que vem há anos, já o fizeram. Dificilmente, num futuro muito próximo, dificilmente nós teremos eh eh nós teremos uma mudança de comportamento dos grandes intervenientes internacionais. E China e Taiwan vai ficar entre China e Taiwan. Professor, pra gente encerrar, são muitos assuntos aqui que daria pra gente abordar mais, mas pra gente encerrar falando da tensão no Irã, a gente deve ver uma redução desse cenário de conflito nas próximas semanas e se sim, qual que deve ser o canal para esse cessar fogo de negociação com o Irã, já que há esse conflito hoje também, né, entre presidente e novo líder religioso. Eu creio que eh um cessar fogo eh primeiro não terá como protagonista, como incentivador o Irã. O Irã está numa posição militar razoavelmente confortável. eh conseguiu conter os principais avanços, as principais ameaças militares. Nada indica que há um uma conflituosidade interna no Irã capaz de abalar o regime. A grande iniciativa, e para isso precisará ser encontrada uma saída muito honrosa para essa guerra. deve partir dos Estados Unidos. Eh, nas horas que precederam aqui a gravação deste nosso programa, uma das últimas falas do governo estadounidense foi: "Nós paramos de bombardear porque senão destruiríamos o país de uma maneira irreversível". Acredite, quem quiser nisso, né? Isso do ponto de vista dos fatos que que se consegue apurar com isenção é patético. Então vai vai caber muito a engenhosidade daqueles que iniciaram esta guerra que eh deem uma justificativa para o seu fim do lado dos Estados Unidos e do lado de Israel. Do lado de Israel, há uma pergunta incômoda, extremamente incômoda, que eu tive oportunidade de eh discutir em outros programas, em outras emissoras recentíssimamente, que é onde está Benjamim Netaniar. Ele não fez nenhuma aparição pública desde desde basicamente o terceiro dia da guerra. uma aparição pública que foi divulgada pela Deutell espanhol, uma emissora alemã, eh, o mostra numa fala sem qualquer indicação de data, local, eh, horário e que pode muito bem ter sido uma fala anterior até o próprio início da guerra. Eh, nos últimos dias depois da divulgação, nos dias seguintes depois da divulgação dessa matéria pela Deutell, não há nenhuma outra informação verdadeira, clara da onde está eh esse líder político de Israel. Ah, sendo certo que há informações checadas e, portanto, em alto grau confiáveis, que a sua residência pessoal foi atacada há quatro ou cinco dias antes da gravação do nosso programa. Se ele está incapaz ou se algo ainda pior aconteceu, o parlamento israelense precisa convocar eleições. E o parlamento israelense hoje está muito longe de ter a coesão de extrema direita que levou ao que levou à assunção de Benjamin Netaniarro mais uma vez ao poder, né? Então, Israel é um outro uma outra história, é um outro desafio, né? Primeiro nós precisamos saber onde é que tá seu líder político. Sem saber onde ele está e se está em condições de se manifestar, nós não podemos falar nada. O fato também é que todas as investidas militares de Israel, no sul do Líbano, enfrentaram uma resistência inesperada do resbolá que se acreditava morto, né? Assim como Ramás se acredita morto também hoje. Portanto, a curto prazo, sendo esse o cenário por parte de por parte de Irã, Estados Unidos e Israel, e não havendo um interveniente internacional que tenha o consenso e a legitimidade para se portar como um mediador, nós não temos muita segurança de dizer: "Olha, o conflito pode terminar na próxima semana, no próximo mês, mas as forças econômicas ajudarão ão a dar um fim nisso, pode ter certeza. É um cenário muito complexo que muda a todo momento, né, professor? Mas te agradeço por nos ajudar a entender um pouco mais de toda essa atenção e esses conflitos. Muito obrigada pela sua participação aqui conosco. Eu é que agradeço imensamente a oportunidade de estar aqui trocando ideias com vocês. Muito obrigada e agradeço também a você que nos acompanha até agora aqui no ponto de vista que fica por aqui. Eu espero você no próximo programa, na próxima semana. Até lá e muito obrigada pela audiência. [música] เฮ [música] [música] [música]
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