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Ponto de Vista | Misoginia digital e redpill no Brasil
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Ponto de Vista | Misoginia digital e redpill no Brasil

124 views Publicado 21/03/2026 HD · 36:14
Resumo editorial

O programa Ponto de Vista debate a misoginia digital e o movimento red pill no Brasil, comunidades online que ganharam força nos últimos anos sob o disfarce de espaços do despertar masculino mas que muitas vezes reforçam a violência contra a mulher. Nessas comunidades difunde-se a ideia falsa de que a sociedade é dominada por mulheres e os homens são oprimidos, invertendo as pautas feministas. O fenômeno chegou ao debate político brasileiro com projetos de lei no Congresso Nacional que querem criminalizar organizações que incentivam o ódio e a violência contra mulheres. A entrevistada, advogada cofundadora do movimento Mulheres pela Justiça, explica que a misoginia é estrutura que se manifesta em discursos, desenhos, artes e músicas, e que existe desde os primórdios da humanidade mas se reinventa com as tecnologias contemporâneas. A reportagem aborda os efeitos concretos do discurso de ódio digital na violência real, no aumento dos casos de feminicídio no país e no comportamento de meninos cada vez mais jovens, e os desafios jurídicos para criminalizar conteúdos misóginos sem cair em censura ilegítima, tema sensível para Campinas e para todo o Brasil.

Descrição do vídeo

No "Ponto de Vista" da TV Câmara Campinas, apresentado por Tyla, a advogada Thaís Cremasco (cofundadora do movimento Mulheres pela Justiça) debate misoginia, Redpill e machosfera — comunidades online que invertem pautas feministas, alegando opressão masculina e fomentando ódio contra mulheres. Com projetos no Congresso para criminalizar discursos violentos, discute-se o impacto real em feminicídios (4-5/dia) e estupros. ​ Thaís define misoginia como ódio estrutural às mulheres (discursos, artes, músicas), reinventada na internet desde 2006 nos EUA. Redpill/machosfera distorcem realidades (ex.: licença-maternidade como "privilégio"), promovem ressentimento masculino e atraem jovens via pornô violento. Diferença do machismo tradicional (provedor/cavalheirismo): ódio explícito, vendo mulheres como interesseiras/traidoras. ​ Propostas equiparam misoginia a racismo/transfobia: plataformas (STF) devem remover conteúdos, responsabilizando admins/postadores (indenizações, prisão). Linha tênue: opinião vs. ataque a grupos (ex.: "mulheres não para cargo X"). Exemplos sutis: trends TikTok violentas ("o que fazer se ela diz não?"), tradewives (mulher recatada). Números alarmantes: feminicídios em alta apesar de Lei Maria da Penha. ​ Soluções: educação escolar sobre misoginia (direito ONU), aplicação efetiva de leis (tornozeleiras, protocolos CNJ), autocrtica (homens: não rir de piadas; mulheres: refletir desigualdades). Plataformas punidas por omissão. Mês da Mulher: autorreflexão para desconstruir violências culturais. ⚖️ ​ Assista debate completo ▶️! Comente 💬: criminalizar misoginia resolve? Curta 👍, compartilhe contra ódio e ative 🔔. #PontoDeVista #Misoginia #Redpill #MulheresPelaJustiça #Campinas Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

Transcrição completa do vídeo

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[música] Nos últimos anos, comunidades conhecidas como Redpill ganharam força na internet. Elas se apresentam como espaços do despertar masculino, mas muitas vezes reforçam a misoginia e a violência contra a mulher. Nessas comunidades é dito que a sociedade é dominada por mulheres e que os homens são oprimidos, invertendo as pautas feministas. Esse fenômeno já chegou ao debate político. Projetos de lei no Congresso Nacional querem criminalizar organizações que incentivam o ódio e a violência contra mulheres. Enquanto isso, os casos de feminicídio continuam crescendo no país. Até que ponto esse discurso de ódio nas redes pode influenciar a violência no mundo real? Para conversar sobre esse assunto, recebemos hoje a advogada Thaís Cremasco. Ela que é cofundadora do movimento Mulheres pela Justiça. Doutora, seja muito bem-vinda. Muito obrigada por participar com a gente. Obrigada, Tyla. É um prazer estar aqui no programa e vamos debater um tema importante, atual, que é essa questão da criminalização do discurso do ódio. Bom, doutora, pra gente começar aqui o nosso bate-papo, primeiro, o que que é a misogenia? Como que ela se manifesta hoje na sociedade? Bom, a misogenia é o ódio contra as mulheres. Eu gosto de definir que a misogenia é essa estrutura que pode vir através de discursos, pode ser um desenho, pode ser uma arte, pode ser uma música, mas é essa ideia, essa filosofia que insiste em não respeitar a mulher na plenitude de direitos que ela tem. Então, é muito interessante porque a misogenia existe desde o que o mundo é mundo, né? Não existia um momento da história em que homens e mulheres foram tidos de forma igualitária, respeitados, que tiveram os mesmos direitos. Por outro lado, a misogenia ela vai se reinventando e hoje a gente percebe que a tecnologia é um grande organizador e propor discurso contra as mulheres e que acontece sempre no ambiente virtual, né, doutora? Pelo menos na maior parte do tempo, né? Sim. O movimento redpill ele já começa através da internet. Então essa junção que começou lá nos Estados Unidos em 2006, ela começa de forma virtual. Até o que eu sei, não existem encontros nacionais, internacionais, eh físicos, né? Não existe uma, eh comunhão dessas pessoas no mundo real. Então, o que a gente percebe dessas formações é que são formações que se organizam e se aglutinam de maneira virtual para justamente debater essa pauta, né, que é essa pauta quase oculta, né, dizendo que olha, eu vou eh revelar a verdade sobre as mulheres. Na verdade, o mundo está sendo dominado por mulheres e a gente precisa fazer alguma coisa para ter igualdade em relação a elas. Daí eu te pergunto, que mundo essas pessoas vivem, né? Porque no mundo que eu existo vai precisar de 160 anos para mulheres e homens terem igualdade salarial, que é o mínimo. Então eu não sei o que que a gente tá dominando. E muito se fala em machosfera nesse ambiente. O que que é isso, doutora? Tudo isso é diferente do machismo que a gente já conhece há tanto tempo. É, eu acho que o machismo ele é essa tradição milenar, né, de que o homem tem que ser o provedor, de que o homem tem que pagar conta, de que o homem é um forte. E esse elemento do ódio contra as mulheres é uma agenda um pouco escondida no machismo. A machosfera e daí é uma análise minha sobre esses esses dois movimentos, né? A machosfera, ela ela é uma organização que me parece mais eh virtual do que social e ele traz a agenda do ódio contra as mulheres de uma forma mais explícita, né? O machismo, ele tem um pouco daquele cavalerismo, do cuidado com a mulher. A machosfera não, a machosfera odeia mulheres, né? Então, a mulher realmente é um corpo que deve ser subjulgado. A mulher é fraca, a mulher te engana, a mulher te trai, a mulher é interesseira. Então, a pauta red, ela não é uma pauta de cavalerismo, de cuidado com a mulher, né? Ele não é, ele não subjulga a mulher como a mulher, se a mulher fosse um sexo frágil. Isso é uma pauta mais do machismo. A machosfera tem um ódio declarado mesmo. As mulheres, olha, cuidado, mulher engana, mulher é traiçeira, ã, mulher tá com você por interesse. Então isso a massosfera eh traz com muita naturalidade e é um discurso puramente de ódio, né, contra as mulheres. E é esse tipo de ideia que é disseminada nesse ambiente virtual, doutor, aliás, da onde saiu esse conceito de que o homem é oprimido pela mulher e não o contrário? Eu acho que eh eu chamo isso de ressentimento masculino, né? Historicamente, todos os momentos que um grupo oprimido começa a se organizar para buscar direitos, o grupo opressor faz uma revanche. Então, quando o os escravos começaram a se unir, os senhores falaram: "Não, não pode, vocês têm que ficar no lugar que vocês estão". Para mim, eh, o movimento redpill é do que um contra-ataque aos direitos que a gente conquista. Então, vou te dar um exemplo clássico do que do que é uma agenda do redpill. Então, a gente fala, por exemplo, que a mulher tem a licença maternidade de 6 meses e agora os homens finalmente vão ter 20 dias, né? Daí eles vão dizer: "Tá vendo? As mulheres elas têm mais direito que os homens. Elas ficam seis meses em casa. Eles não estão entendendo que a eles ignoram, né, que a mulher tem o trabalho, que ela vai amamentar, que ela tá cortada, que ela fez um parto. E daí ele vai usar esse recorte da licença maternidade de 6 meses para dizer que mulher é beneficiada. Então, eh, eles é uma é uma distorção da realidade, sempre colocando a ideia de que as mulheres estão dominando o mundo. Então, ah, a mulher ocupa hoje 18% das vagas na política. E daí quando a gente vem com uma agenda, olha, precisamos de mulheres na política, eles recortam essa fala e fala: "Tá vendo? Elas querem tirar os homens da política, elas querem não, a gente só queria chegar nos 50%. Então é uma distorção da da realidade do que se do que existe, né? Porque de fato as mulheres ainda não estão dominando o mundo em nenhuma agenda que que a gente for olhar. É como se a mulher não quisesse direitos iguais, mas direitos superiores ao dos homens. É mais ou menos isso, doutora. É é bem esse o discurso, né? Dizer que a mulher odeia os homens, que as mulheres querem acabar com os homens e daí eles trazem os mitos, né? Olha a Elisa Samúdio, olha aquela aquela aquela mulher única, aquele caso, né? Então a gente tem lá cinco, seis femin cinco, quatro feminicídios por dia. Daí vem uma mulher que matou um homem, daí eles pegam e levam aquilo, olha, tá vendo? As mulheres estão se unindo para matar os homens. Então, eh, existe, se esse movimento não fosse um grande, uma grande cola de discurso para matar mulheres, seria até cômico, né? Porque é tão desalinhado da realidade que poderia ser uma piada. Mas por que que esse movimento não é uma piada? Porque a gente sabe que todas as ações elas antes foram uma ideia. Para você fazer qualquer coisa, para eu pegar um copo de água e tomar, primeiro eu preciso pensar. Então, o que que o Redpill é ele é? Ele é uma organização que pensa no ódio com as mulheres que amanhã vai ser o feminicídio. E não é à toa que o grande Red Pill, aquele aquele homem que ficou conhecido, o Calvo do Campare, né, por ser a grande voz, foi recentemente eh imagens dele, inclusive violentando uma mulher. Então, hora a hora, um homem que faz discurso de ódio contra as mulheres, mata a mulher ou tenta matar mulher ou violenta a mulher. Novidade zero, porque sim, as palavras elas são a preparação de dos fatos, daquilo que vai acontecer um dia no mundo real. Então, é perigoso. É, em que momento inclusive, doutora, você acredita que essa opinião, esse discurso, ele passou a ser só uma opinião e se tornou algo violento, perigoso e criminoso também. Tecnicamente, eu acho muito importante a gente falar que a nossa Constituição Federal, que é a legislação mais poderosa, né? É a legislação que fundamenta todas as nossas leis, ela traz a liberdade de expressão como um valor fundamental. É um direito humano a liberdade de expressão, mas a dignidade da pessoa humana também é um valor fundamental. Então, nós temos duas eh do um conflito de leis, liberdade de expressão de um lado, dignidade da pessoa humana do outro. Quando que isso é o limite, né? Então, o que que a lei vai olhar num discurso específico? Você tá emitindo uma opinião. Você está emitindo uma opinião. A sua opinião afronta algum direito de alguém? Essa sua opinião, ela de alguma forma traz a ideia de de atacar algum grupo específico de pessoas. Daí não é mais uma opinião. Opinião é dizer para você, por exemplo, e eu não gosto de de uma de comer lanche. Eu não gosto. Nossa, mas como lanche é uma delícia, tão fácil. Chega. Isso é uma opinião. Agora, quando você fala tal pessoa não pode ocupar um determinado cargo por ser mulher, isso não é uma opinião, porque você tá pegando um grupo que é o grupo mulher e dizendo que aquele grupo não pode ocupar um determinado caso. Então, tecnicamente você vai analisar caso a caso e é uma linha tênue. Tem coisas que é opinião, que são opiniões e tem coisas que são discurso do ódio. Então, se a sua opinião afronta a dignidade de alguém, não é mais uma opinião. Daí você tá cometendo um crime. E essas comunidades com esse discurso Redpill, né, doutora, tem atraído muitos jovens, adolescentes. Inclusive nós tivemos recentemente aquele caso de estupro coletivo envolvendo um grupo de de adolescentes jovens também envolvidos que se guiam, né, essas páginas, enfim, que trazem esse discurso. Por que que é um discurso que atrai tanto esse público? Nossa, é muito assustador isso, eh, Tla, perceber que o machismo hoje ele está mais enraizado em jovens do que nos próprios adultos. Às vezes até nas pessoas da terceira idade que estão tentando entender como o mundo ele tá se reconstruindo. E os jovens eh já aceitaram esse discurso. E por que que eles aceitaram esse discurso? Primeiro porque eles estão em rede, né? e de repente você levar uma violência eh cara a cara é mais difícil do que você simplesmente teclar uma violência. Então a internet acaba sendo um esconderijo que faz com que isso vá aumentando. Então o fato é que estudos demonstram que hoje os jovens consomem muito conteúdo pornográfico, conteúdo violento para as mulheres, conteúdo misógeno. E a explicação disso vem desse lugar do ressentimento, dessa coisa do incé, do homem que não sabe o lugar dele nesse mundo onde não é mais, olha, menina tem que ser assim, menino tem que ser assim, o homem tem um domínio sobre a mulher. Então, às vezes eles aprendem em casa como o homem deveria ser, só que eles chegam na escola e não encontram um lugar onde ele pode ser daquele jeito que ele aprendeu. E isso causa um ressentimento e esses jovens estão de fato muito violentos com as mulheres e acabam achando na internet um terreno para trocar ideias, né? Ideias que são violentas contra as contra nós. E são ideias que podem levar a crimes contra a mulher, mas a misogenia em si, ela ainda não é crime, né, doutora? inclusive deputadas apresentaram projetos de lei para buscar criminalizar, criminalizar essas comunidades nesse tipo de discurso. Então, o que exatamente essas propostas elas podem mudar hoje nesse combate a ideias violentas que passam ali, né, do limite da opinião? Eh, na verdade eles estão tentando colocar a misogenia dentro da legislação que eh coloca o racismo e a transfobia como crime. Então, existe já uma criminalização do discurso, por exemplo, e do racismo. E a misogenia entraria para para estar nesse nesse mesmo rol de condutas que são inadmissíveis. E e eu acho que faz todo sentido, porque historicamente a mulher sempre foi violentada. Nós tivemos uma legislação que foi completamente violenta e excludente para mulheres. Veja, mulher não podia trabalhar sem a autorização do homem, mulher não podia votar, mulher não podia trabalhar no período noturno, não poderia trabalhar em Minas, mulheres não tinham seus direitos reprodutivos. Então, a mulher, ela passa historicamente, né, aqui no nosso país com uma série de legislações que são absolutamente eh eh ruins pro corpo feminino. Então, o que que a lei pretende trazer? Criminalizar esse discurso que desmerece mulheres, que ofende mulheres, equiparando então a misogenia ao racismo. Seria fundamental para seria um passo importante. E se isso acontecer, doutora, na prática, quem que pode ser responsabilizado por esse tipo de crime? é quem posta ali naquele fórum online, naquela página, é quem vai lá e faz comentários, é quem reproduz também. Como é que vai funcionar isso? O STF já se manifestou dizendo que as plataformas têm obrigação de retirar discursos criminosos das suas da das suas plataformas. Então, se você posta um um discurso racista, por exemplo, racismo é crime no Brasil, você reporta e a plataforma precisa tirar o conteúdo. Se misogenia se tornar de fato um crime, você vai poder reportar e a plataforma tem obrigação de retirar esse conteúdo. Se a plataforma retira, você vai responsabilizar só quem fez o conteúdo. Se a plataforma demora ou não retira, você vai poder responsabilizar quem fez o conteúdo e a plataforma que manteve o conteúdo. Daí você pode indenização por danos morais, direito à imagem, você pode ganhar uma indenização e também criminalizar aquela conduta. São duas frentes diferentes. E aí esses projetos que estão agora no Congresso, eles miram em grupos, né, em organizações que promovem esse discurso de ódio contra mulheres. E aí, qual que seria a diferença até entre uma opinião ali individual e grupos que promovem esse tipo de violência pensando em leis que podem ser aprovadas? Doutora, eh, quando a gente pensa em criminalizar um grupo, eh, eu acho que além de ter um alcance muito maior, né, de silenciar essas violências, eu acho que tem um recado importante da sociedade dizendo: "Olha, a gente não permite esse tipo de organização." Não adianta dizer: "Olha, todo mundo é contra a o feminicídio, todo mundo é contra o estupro". Mas se você aceita o discurso do ódio, você tá aceitando o primeiro degrau dessa escada. Então eu acho que tem uma questão de demonstrar que enquanto sociedade a gente não aceita. Legalmente falando, tem um alcance mais rápido, porque se você derruba um grupo inteiro, você mostra que aquilo não não vai poder acontecer. E quando você criminaliza a conduta de um grupo, a indenização que essa mulher vai poder ou que essa pessoa ofendida vai poder ganhar é muito maior, porque tem uma série de pessoas que vão ter que pagar pela aquela deindenização. Então, os valores também são maiores. É importante sim criminalizar o grupo. E aí a gente tá falando de influenciadores digitais, de quem administra grupos também, fórum online, WhatsApp, outros aplicativos também. Sim. Hoje a justiça entende que quando, por exemplo, você vai criminalizar um grupo de WhatsApp, o administrador ele vai ser mais responsável ou os administradores do que quem simplesmente participou. E ele vai também individualizar as condutas. Ah, esse deu uma risada, então ele vai responder por X. Ah, esse aqui, além de dar uma risada, disse: "Vamos lá." Ah, esse aqui ainda falou: "Não, toda mulher é tal coisa". Então ele vai analisar a conduta de cada um dentro daquele entorno do grupo e vai classificar quem teve as condutas e quem tem que pagar mais pela conduta que cometeu. Agora, doutora, tem aquele discurso de ódio contra a mulher que é muito óbvio, mas tem também aquele que é mais sutil e muitas vezes a própria mulher defende aquilo, tem aquela opinião e não percebe. Qual seria um exemplo disso pra gente trazer aqui para quem nos assiste? Eu acho que o discurso do ódio disfarçado, maquiado, é mais perigoso muitas vezes do que aquele explícito. Porque o explícito a pessoa radicaliza, você entende o que a pessoa tá dizendo e parece que é um ataque tão violento que você consegue contra-atacar, você consegue denunciar, você consegue eh eu eu acho que ele tem um efeito diferente. Eu não vou querer dizer que um é melhor ou pior. Vamos dizer que tem efeitos diferentes. Mas aquele discurso do ódio disfarçado de cuidado, disfarçado de amor, disfarçado de piada, ele é muito perigoso. E eu vou dar um exemplo que tá super atual. Nessa semana, eh, a Polícia Federal pediu para que a gente identificasse, as plataformas identificassem as imagens daquela trend do TikTok. Você ouviu falar dessa trend do TikTok? O que fazer caso ela dissesse não, né? Exato. Então, para quem não viu, eram eram imagens de homens dando soco, facadas no travesseiro, eh, imitando armas e em cima tava escrito: "O que você deve fazer quando uma mulher te diz não?" Daí vem um homem socando, vem um homem chutando. Muitas pessoas podem olhar para esse vídeo e dizer: "Olha, isso é uma piada, isso é uma brincadeira, isso é um meme". e não entender a toxicidade, o perigo e a letalidade de atitudes como essa. Então, eu acho que esse discurso do ódio que é disfarçado de piada ou as trade wifes, ai aquela mulher, ai, a minha mulher não pode ser CEO, a minha mulher tem que ser e feminina, ela tem que ser boazinha, ela tem que ser recatada, então não pode usar tal roupa, não pode ter tatuagem. Eu acho isso tão perigoso, Taila, porque eu acho que isso faz com que tenha uma aderência maior. Quando você é muito violento, uma série de pessoas vão falando: "Nossa, não, isso aqui tá muito feio. Você não pode xingar uma mulher assim". Só que quando ele fala: "Olha, não, a minha mulher ela tem que ser bela, ela tem que ser calminha, ela pode ou não pode tal coisa, parece que é um cuidado. Ai, olha que bonitinho, ele quer cuidar, olha que fofinho." Então daí eu acho, eu acho esse tão perigoso, esse que é um disfarçado de cuidado, disfarçado de piada. é a nova roupagem, né, que que a gente dá para para esse discurso que é tão violento para todas nós. E e tanto é verdade que as as violências contra mulheres só aumentam. Se essa minha análise fosse: "Ah, não, mas eu não acho, mas os números demonstram que só aumentam". Então, não é questão de achar o que que tá acontecendo para que a gente morra cada vez mais. Não, não tem diminuição. Feminicídio, violência contra a mulher, estupro, estupro de vulnerável, todas as violências masculinas só aumentam. Você pode ver que tem boletim da Secretaria de Segurança Pública que demonstra que ah, diminuíram os furtos de celular, diminuíram roubos de carro, mas nunca o feminicídio diminui. E inclusive no ano passado tivemos recordes de feminicídios no país, né, doutora, como é que a gente consegue interpretar esses números à luz de tudo isso que a gente tá conversando aqui envolvendo o movimento Redpill? Eu realmente acredito que eh a as ideias são fundamentais para que algo se concretize. Então eu acredito que quando você tem uma sociedade onde um homem que violenta a mulher, ele recebe milhares de seguidores no dia seguinte que ele comete uma violência, quando a gente percebe que uma das frases mais procuradas no Google é como matar uma mulher sem deixar rastros, a gente tá vivendo numa sociedade que realmente não enxerga o perigo que as redes sociais trazem pra realidade da violência. Então, a violência ela não surge do nada. Ela não é um evento casuístico. Ah, de repente aconteceu um feminicídio. É uma estrutura que permite isso. E o que que é essa estrutura? É sim a estrutura de políticas públicas deficitárias, de delegacias que demoram demais, de processos que são muito lentos, mas também é a estrutura que fomenta um um discurso de que a vida da mulher vale menos, de que existe algum motível plausível para você matar. Ah, mas ela me traiu. Ah, mas ela é infiel. Ah, mas ela me enganou. Então assim, eh, a gente percebe que eh essa essa essas ideias elas têm uma concretude ao longo do tempo e que essa concretude de atitudes vão se transformando de fato em violência contra a mulher. E nós temos a lei do feminicídio, a Lei Maria da Penha, que mesmo assim não barram esses crimes, porque existe também, doutor, uma questão cultural mesmo por trás disso tudo, uma educação que falta pra sociedade. A Lei Maria da Penha é a terceira lei mais moderna do mundo de combate à violência contra a mulher. Então isso é bom e ruim. Se a gente precisou de uma lei com tanta coisa, é porque realmente a gente faz muita coisa para violentar mulheres. Por outro lado, a gente percebe que a legislação não é cumprida, né, que falta simplesmente mecanismos para que as pessoas obedeçam o que a legislação fala. Então precisa falar uma lei que não precisa de uma lei para dizer não pode matar mulheres, não pode estuprar pessoas, não pode ter relação sexual com menores de precisa de uma lei para falar isso. Significa então que ainda somos uma sociedade que culturalmente, socialmente desrespeita reiteradamente o corpo de uma mulher. Então, a gente precisa falar o óbvio. A gente precisa dizer pros homens que não pode matar uma mulher, que não pode violentar, que não pode fazer assédio moral, psicológico, porque realmente ele sempre vai criando um jeito de que as mulheres sejam vitimizadas de porolências. Então temos uma lei moderna, o que mostra que somos uma sociedade que ainda desrespeita muito as mulheres. E se a lei moderna ela não consegue frear esses casos, doutora, falta também mais educação pros nossos meninos, que serão os homens do futuro, e como melhorar essa questão hoje como sociedade? Para mim, a aula de misogenia tinha que ser na escola. Todas as crianças teriam que entender, estudar, porque veja, a questão da da violência contra a mulher é um direito humano, né? A erradicação da violência contra a mulher é uma pauta da ONU, da Organização das Nações Unidas. Então, é um campo de estudo. Ninguém vai nascer antifem eh eh antimachista, antiracista, porque a estrutura já é assim. E muitas vezes essas crianças aprendem na escola. Vem o pai sendo agressivo com a mãe, vem às vezes a própria mãe dizendo: "Ah, sua irmã é menina, ela vai tirar a mesa". Então essa reprodução do machismo, ela é naturalizada nas casas. Por isso que a escola teria que combater essa pauta com educação, mostrando pras crianças. O problema é que a gente não tem tempo para isso. Num país que a gente tá morrendo a cada 5 horas, não dá tempo de reeducar daqui 10 anos a gente parar de morrer. Então a gente também precisa precisa que as leis funcionem de forma mais eficiente. Ai que bom que agora teremos tornozeleira, que bom que agora as medidas protetivas estão saindo mais rápido. Então a gente também precisa que a lei funcione. Não adianta só ter a lei. A lei é boa, mas funciona, tá sendo aplicada. juiz tá lendo e aplicando no caso, no caso concreto, quanto tempo demora para aplicar? Quanto tempo demora para que um homem que violentou mulher seja preso? Então, a gente precisa olhar tudo isso para entender quais são as estruturas que estão permitindo tanta violência. E aí, pensando nisso tudo, que pode melhorar nesse sistema de proteção às mulheres hoje aqui no país? Doutora, eu acredito que respostas mais rápidas do poder judiciário e também aplicação mais efetiva das legislações, porque não adianta ter a lei se não aplica a lei. E daí eu vou te dar um exemplo que é também super atual, que vai te fazer ver com bastante tranquilidade. Existe uma lei, sempre existiu uma lei penal que diz: "Considera-se estupro de vulnerável toda e qualquer relação ou ato de libidinoso com menores de 14 anos. Qual é a dúvida em relação a isso?" Nenhuma. Daí vem um juiz, olha uma menina de 13, de 12, de 10 e fala: "Ah, mas essa, mas a lei? Por que que você não leu a lei, não aplicou a lei?" Então, por que que o juiz brasileiro não aplica a lei como a lei está escrita? Porque existe um espaço para interpretação e justificativa da forma que aquele juiz entende. Então o juiz ele ele leu a lei, ele falou: "Ah, tá falando aqui que é 14 anos, mas essa menina de 10 ela é diferente, ela já não era virgem, ela morava na periferia". e ele vai começar a arrumar um monte de justificativa para não aplicar a lei. Então nós temos um sistema bom, mas se o juiz não aplica ou se demora para aplicar, daí não funciona. Então se for para melhorar alguma coisa, aplicação efetiva das leis, aplicação do protocolo de julgamento para perspectiva de gênero do Conselho Nacional de Justiça, então que as leis sejam aplicadas. Não adianta ter lei se o juiz não aplica. E criminalizar a misogenia. Nesse sentido, ela isso pode ajudar também nesse avanço, né? Quando a gente fala de outras decisões que envolvem agressões, violência contra a mulher. Doutora, para mim hoje essa é a pauta. A pauta hoje eh que que precisa mudar na legislação é a criminalização da misogenia. Por quê? Porque uma coisa é ser errado. Ah, é errado falar mal de mulher na internet. é errado. Outra coisa é ser crime. Quando você nomeia uma conduta como crime, o que que você tá dizendo para aquela sociedade? Eu não concordo com isso. Essa sociedade não concorda com isso. E quem fizer isso será punido criminalmente. Olha o recado que você dá. Você tá dizendo que aquele grupo é importante. Não adianta a gente sair dizendo: "Não, eh, homem não odeia mulher, eu tenho filha, eu tenho mãe, eu tenho avó, eu tenho tia". esse discurso, né, estranho que os homens fazem. Mas tá bom. Então, se você de fato não odeia as mulheres, a gente vai criminalizar quem fala, um discurso que mata mulheres. E não tem como separar uma coisa da outra, não tem como dizer: "Ah, isso foi só uma fala". São a são através das falas que tem as atitudes e através das atitudes que as violências são cometidas. Então tá tudo interligado, mas aí as punições, né, doutora, elas também tm que ser efetivas e tm que funcionar, como a gente comentava aqui antes, da aplicação das leis que já existem, né, para proteção à mulher. É bem verdade que sim, mas eu acho que quando a gente dá o recado de que aquilo é crime, para mim já muda até a liberdade de você fazer uma determinada coisa. Já vira chave, né? Eu acho que vira chave. Eu acho que vira chave. Agora a gente comentou aqui antes, doutora, que é uma linha tênua ali entre a opinião, né, e o que já é misogenia, já é um discurso geódio contra as mulheres. Como é, como combater isso, né, no futuro se houver essa aprovação das leis sem ferir ali a liberdade de expressão, como detectar isso, né, sem haver nenhuma censura, por exemplo, nas redes sociais? Há opiniões, né, independente de quais sejam? Tem uma coisa muito importante nesse debate que é discutir a intenção de quem fez o discurso. Então, tem muitos homens que eles vão dizer: "Olha, eu disse, ã, é que eu não quero falar nenhuma frase misógina, mas ele ele vamos ele falou: "Ai, eu acho que tem mulher que merece uma determinada coisa". Vamos supor que o homem disse isso. Ah, tem mulher que merece ser violentada. Esse homem, ele pode dizer: "Olha, mas isso foi minha opinião. Eh, eu realmente acho isso, eu tenho direito de achar isso ou eu não gosto de determinada roupa, eu não gosto de determinada cor de batom, né?" Então, ele pode querer dizer que aquilo é a opinião dele e que ele não teve a intenção de ofender ninguém. Então, a moda agora dessa discussão do discurso do ódio/ra liberdade de expressão é essa: tive ou não tive a intenção. Quando a gente equipara o crime de racismo, o que que o legislador vai dizer? E o STF já se manifestou sobre isso. Determinados crimes, eu não quero saber a sua intenção. Furto é um crime que para eh para acontecer eu preciso querer. Se eu pegar o seu iPad sem querer e levar para casa, isso não é furto. Eu não quis pegar. Só é furto se a minha intenção foi pegar o seu iPad escondido. Ótimo. Quando a gente fala sobre o crime de racismo, não importa a sua intenção. Ah, fiz uma ofensa racista, mas a minha intenção foi brincar. Não interessa, o legislador não liga pra sua intenção. Quando a gente equiparar misogenia, isso vai ser a mesma interpretação. Então você vai dizer: "Olha, eu disse que eu não gosto de mulher de batom vermelho porque eu realmente não gosto. A minha intenção não foi te ofender, então, mas você ofendeu. Então você vai responder um processo. Pode ser que você pague uma cesta básica, pode ser que não aconteça nada, se é réário, mas não me interessa. Só que você vai ter o trabalho de responder um processo e você vai ter que indenizar, porque você usou a imagem de uma mulher, pegou a boca da mulher, expôs a boca dela para todo mundo ver. Então o juiz ele vai analisar no caso a caso qual que era a intenção, assim, qual que foi a a o alcance daquele homem, por que ele falou aquilo, em qual contexto ele falou aquilo. E ele vai tentar brigar pela intenção, mas na hora G, o juiz vai dizer: "Ó, sua intenção pouco importa. Você ofendeu um grupo de mulheres, as mulheres que usam batom vermelho. É um avanço importantíssimo, né, doutora? Mas além desse avanço na legislação hoje, a questão da misogenia para mudar passa também por uma mudança cultural e como é que a gente consegue fazer isso a longo prazo? Nenhuma pessoa gosta de imputar a si mesma característica negativa. Nenhuma pessoa gosta de olhar para si e dizer: "Ai, eu sou racista. Ai, eu sou machista. Ah, eu sou preconceituoso". Todo mundo gosta de olhar para si e dizer: "Ah, eu sou bonzinho. Eu sou maravilhoso". Então, a autorreflexão, ela é um exercício difícil para qualquer ser humano. Só que eu acredito que essas estruturas que são violentas eh só vão ser mudada com a autocrítica. E fazer autocrítica é muito chato, Tyler. Ninguém quer fazer autocrítica, né? Dizer: "Nossa, eu não devia ter falado desse jeito. Me arrependi de ter falado tal coisa. Por que que eu pensei desse jeito?" Então assim, as pessoas não querem fazer autocrítica, mas vai passar por aí. A gente vai o tempo todo, a humanidade aprende, desaprende e reaprende as coisas, né? Nós estamos agora tendo que reaprender a viver com inteligência artificial, com carros que dirigem sozinho. Então, o mundo ele muda o tempo todo. O ser humano também vai ter que reaprender. Então, às vezes a gente vê até pessoas mais antigas dizendo: "Poxa, mas agora a gente não pode falar mais nada, a sociedade tá muito chata". Só que a vida é isso, a vida é transformação, a vida é mudança. Então tinha coisas que outrora você podia dizer: "Ei, que hoje você não pode mais, então a gente precisa aprender." Vai passar por isso também, vai passar por uma normalização de condutas que em 2026 não cabem mais. Então, na década de 60 você poderia dizer que mulher boa é aquela que fica em casa cozinhando. Em 2026 não cabe mais. paciência, acostume-se. Bem-vindo à modernidade. Agora é uma reflexão importante. Primeiro, claro, claro, pros homens, né, que praticam a violência contra a mulher, mas para as mulheres também que nos assistem, né, doutora, para que também não reproduzam de alguma forma, né, esses conceitos e esse discurso. Acho que é um recado importante também para deixar, né? É, eu acredito que pros homens o recado é essa autorreflexão, essa reanálise sobre as suas próprias atitudes. 76% dos homens que estão presos hoje por violência doméstica consideram que estão presos injustamente. Não há arrependimento, né, doutora? Os homens sequer reconhecem. E às vezes nos crimes de estupro, ele às vezes a gente tem a cena gravada, ele tá olhando a cena e tá dizendo: "Mas eu achei que ela queria". Mas não for. Então, realmente existe uma dificuldade no cognitivo masculino de interpretar o que é violência, não porque o homem não seja inteligente, mas porque o homem está culturalmente intoxicado por uma cultura que o faça acreditar, por exemplo, que se uma mulher tiver com uma determinada roupa, isso é um convite. Então, precisa existir eh uma reflexão muito grande. E eu sempre falo assim que pros homens, além da reflexão, é também abrir espaços, é não rir da piada do que o amigo fez, a piada machista, é chegar pro amigo e falar: "Cara, não, você não pode fazer isso." Então é, tem que ter intencionalidade sem querer, não vai ser, Tyan. Então, eu acho que essa pauta e daí pras mulheres também é intencionalidade. Intencionalidade de você olhar pra sua própria vida e dizer: "Mas por que será que eu não consegui aquela vaga de emprego? Por que será que aquele aumento não me foi dado e foi dado para uma outra pessoa? Por que será que naquele relacionamento eu me expus a uma situação de tanta vulnerabilidade? Porque será que o homem só paga 30% do salário dele de pensão e eu pago 100% do meu? Por que será que eu que faço o trabalho doméstico sozinha? Por que será que eu vou ser julgada pela minha roupa, pelo meu cabelo, pela minha unha e o homem não? Então, passa também pela autorreflexão, né, de entender o nosso lugar no mundo. Eu acho que a desconstrução do machismo passa muito por isso. O que que tá acontecendo na minha vida aqui e agora, né? É filosófico, mas é necessário a reflexão para que a gente mude. E para as mulheres nunca ignorar sinais de alerta, né, doutora, desse discurso aí que pode surgir inclusive nos relacionamentos, né? Eh, eu gosto muito da frase do hemicida, que é tudo que nós tem a nós, porque eu acho que no final das contas, quando a gente pensa entre mulheres, é isso, tudo que nós tem é nós. Então, mirar em mulheres que te inspiram, estudar o que tá acontecendo no mundo, sabe? não passar, porque se a gente passa no batidão, a gente não vai refletir, porque é uma estrutura que já tá montada relacionada a essa questão de que as coisas são assim mesmo. Então, para as mulheres, a reflexão é olhar para outras mulheres, entender o que tá acontecendo na vida delas e acreditar que a gente pode ter um mundo diferente pras mulheres que vão vir depois da gente. Doutora, muito obrigada, viu, pelo seu ponto de vista aqui pra gente, por essas informações tão importantes e volte sempre. Obrigada, Tla. Obrigada. todo mundo que tá aqui com a gente, é o meu ponto de vista, né? Espero que a gente continue refletindo. Muito obrigada e já agradeço também a você que nos acompanha em casa. Muito obrigada pela companhia em mais um ponto de vista. Espero você no próximo programa. [música] Até semana que vem. Até lá. [música] [música] [música]
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