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[música] [música] As vacinas estão entre as principais ferramentas de prevenção de doenças, mas mesmo com o avanço da ciência e os resultados obtidos ao longo de mais de dois séculos, a desconfiança em relação à imunização continua presente, principalmente com a atualidade, com a rapid com que as informações circulam nas redes sociais. Informações falsas ou sem comprovação científica podem chegar a milhares de pessoas em poucos minutos. E essa desinformação pode influenciar decisões que afetam não apenas quem escolhe não se vacinar, mas toda a comunidade. É sobre isso que vamos conversar hoje no ponto de vista com a infectologista e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Raquel Estuc. Raquel, seja muito bem-vinda ao Ponto de Vista e também muito obrigada por nos atender e aceitar o nosso convite. Olá, é um prazer estar aqui com vocês neste momento pra gente tentar tirar as dúvidas e esclarecer sobre as vacinas, se existem riscos, né, e os benefícios. Exato. Para começar, eu queria falar sobre os benefícios, porque é tão importante a imunização para prevenir as doenças. Ah, eu acho que eh talvez muito do que você tá perguntando, quer dizer, essa sua pergunta, ela é muito importante, porque a maior parte das pessoas desconhecem a importância das vacinas. Ah, porque as vacinas elas são, na verdade, vítimas do sucesso delas, né? Então, se a gente pegar há séculos atrás, eh, o que mais matava as pessoas, né, era eventualmente uma desidratação, alguma coisa assim, uma diarreia importante, porque não tinha água potável, né? E as doenças infecciosas, particularmente as doenças transmissíveis também. e as doenças infecciosas. Então, né, e febre amarela, por exemplo, aliás, Campinas, não sei se você sabe, mas só não é capital do estado por conta de uma epidemia de febre amarela, né? E daí teve o movimento de vacinação e já naquela época um movimento contra vacinação também. Ah, mas essas doenças deixaram de fazer parte do nosso cotidiano. Então, muitas pessoas elas não viram o que que é um sarampo, quase não vem o que é uma catapora, não sabe o que é uma tosse comprida. Por quê? Porque por desde que as vacinas foram, né, disponibilizadas, as pessoas, as famílias, né, vacinaram, né, seus filhos e essas doenças foram ficando sob controle. Não é que elas, elas quase desapareceram, mas desapareceram porque as pessoas estão vacinadas. A, os microrganismos que causam essas doenças, eles continuam circulando, né, é que eles não conseguem provocar doença porque as pessoas estão protegidas. A hora que eu não tenho mais a proteção, essas doenças aparecem. Então, isso nos traz grande preocupação, certo? E a história das vacinas começou, como eu falei, né, há mais de dois séculos. Eh, como você comentou aqui, um pouco já nesse começo, eh, as vacinas mudaram a forma como a população vive? Mudaram, mudaram muito, né? Porque se antigamente você tinha uma sobrevida das pessoas, porque elas morriam muito de tuberculose, por exemplo, que hoje, né, a gente também é vacina, se as pessoas morriam de tuberculose de doença melingocos e morriam em grandes proporções, né, hoje não. Então você aumenta a longevidade. Então, vacinas, água potável e antibiótico, sem dúvida nenhuma, foram os maiores ganhos para que as pessoas pudessem viver mais e viver bem, com qualidade de vida, certo? E você comentou sobre a febre a amarela aqui no em Campinas, né? Uma dess dessas doenças também que pode ser um exemplo a ser citado é a varíula, que foi uma doença erradicada a partir da vacinação. A varíula é uma doença eh considerada erradicada no mundo todo e graças a exclusivamente à vacinação, né? E a única doença que a gente considera erradicada mesmo foi a varíula, né? As outras todas a gente tem sob controle ou eh você tem uma eliminação geográfica, como por exemplo o sarampo, os países que, né, conseguem o certificado, né, de controle do sarampo, de eliminação do sarampo em termos de transmissão no local, mas a única erradicada foi a varíula, que foi, você, né, você lembrou bem, uma causa de morte muito importante e que eh isso não acontece mais em virtude da vacinação. controlou-se tanto, erradicou-se mesmo, que hoje a vacinação contra a varíula não é mais indicada, porque este sim a gente não tem esse vírus mais circulando, já não existe mais. Uhum. E a resistência à vacinação também não é um fato novo, né? Esse movimento antivacina, ele já é um é algo antigo? Ele já é algo antigo. É algo que a ele foi eh mais importante ou a gente ouvia falar mais eh no hemisfério norte, particularmente alguns países europeus, né, que a gente ouvia mais falar deste movimento. E existiu até, Camila, uma motivação também a até científica, né? Porque já na década de 60 a gente tinha, né, os bons cientistas, que são a maior parte, tinha maus cientistas, né? E naquela época um cientista renomado da época eh fez uma publicação associando a vacina do sarampo com o desenvolvimento de autismo, né? Ah, e isso até hoje fomenta muito a discussão das pessoas que são antivacina falando: "Não, mas a vacina causa autismo, a gente vê hoje nos Estados Unidos essa discussão, inclusive, né, nas esferas ali, eh, de poder também. Ah, mas depois, né, foi feita uma investigação muito minuciosa e se viu que a tudo que aquele cientista publicou numa revista científica muito renomada, tudo eh as pessoas que ele escolheu, né, como para comprovar que a vacina causava sarampo, a metodologia foi absolutamente equivocada, errada, tanto que o assunto foi eh este trabalho foi retirado das publicações científicas e ele perdeu inclusive possível direito de exercer a medicina na Inglaterra. Então, grave foi o que ele fez, né? Mas isso já fomentou desde esta época essa discussão do benefício da vacina. E, por outro lado, isso cresceu muito por motivos não só de dúvida da ciência, mas você falou muito bem no começo, né? Você tem hoje uma divulgação muito rápida de notícias falsas e de pessoas que se dizem entendidas, às vezes falam muito bem e acabam convencendo. E é muito fácil assim, você acha que não precisa procurar fontes, né, fidedignas ou fontes e realmente científicas para se esclarecer. E essas notícias se espalham junto com o fato que a gente comentou no começo de que se você, por exemplo, não vê mais eh sarampo, você não tem medo do sarampo, você acha que tudo bem, né? Ah, dois dias de febre, um vermelhinho, né? Ah, e você, ah, não tem mais tosse comprida. Nunca ouvi falar mais de crup que era antigamente. Não tem mais isso de fiteria. E você, como você não vê, você não tem medo, né? Só passa a ter receio a hora que elas voltam. E quando voltam, voltam, infelizmente, de uma forma que pode tirar a vida inclusive de algumas pessoas em função disso. Uhum. E esse movimento sempre existiu, mas atualmente ele está diferente, como a gente comentou, eh, com o advento das redes sociais, né? Essas informações acabam circulando muito mais rápido e alcançando um número maior de pessoas. Eh, daquela época para cá também as dúvidas eh são diferentes, os questionamentos. Ah, eu acho que as dúvidas não são diferentes. Acho que as dúvidas são mais ou menos as mesmas, né, de sempre. é mais muito sobre segurança, sobre os efeitos colaterais a longo prazo. A gente não pode deixar de falar sobre o impacto que teve a pandemia de COVID-19, né, e o desserviço de vários setores em relação ao controle da doença, inclusive ao controle não só em relação ao uso de máscara, mas também em relação à vacinação. Acho que este foi um momento muito marcante, né, de um grande desserviço para a humanidade, porque você comentou, quando eu deixo de vacinar, não é só a mim, não sou só eu, meus filhos, meus sobrinhos que estão correndo risco, né? O coleguinha da escola, né, que tá fazendo um tratamento para uma leucemia, ele também corre muito risco, né? O avô que tá em casa, que a imunidade já baixa só pela idade, também está correndo muito risco. E a gente impacta negativamente, não só individualmente a vida das pessoas, mas a saúde pública de uma maneira geral. Sim. E por que esses argumentos eles acabam conseguindo convencer parte da população? Assim, na sua opinião, existe um ditado antigo que agora vai me fugir. Peço desculpas o autor, mas assim, uma mentira dita muitas vezes se torna verdade, não é? Então, se você tem um trabalho coletivo e, infelizmente a gente tem outras intenções ao falar, né, ao questionar a ciência, né, a você começa a repetir isso muito, muito, muito. E no esquema hoje em dia de robô em rede social e tudo, você começa a ouvir, mas que besteira, você começa, falei, gente, mas tô ouvindo muito, será que não é verdade, né? E você não vai procurar na Sociedade Brasileira de Imunizações, né? Eh, qualquer informação, você não vai procurar no e-mail da Raquel Stuc na Unicamp, qual que o que que ela tem para falar sobre isso ou tirar uma dúvida, que esse é nosso papel, né? E você acha que é mais fácil ficar ouvindo aquilo lá? Então, acho que, infelizmente, a rede social ela pode ser aplicada para o bem, mas ela pode ser usada pro mal. E tem muitas pessoas interessadas nisso, porque a hora que eu tiro, né, o papel da vacina, eu começo também a oferecer outras coisas que eu tenho interesse de vender, né? Então eu vou vender o azulzinho em pílula, eu vou vender, ah, eu comprei cor de laranja ou um pozinho, não sei que que você põ não, você vai ficar boa, você melhora a sua imunidade, não é? E também falo isso muitas vezes, né? Aí as pessoas acabam aceitando como se fosse verdade. E por outro lado, né, quem faz, né, e trabalha com a ciência, quer divulgar, muitas vezes não tem tempo porque trabalha muito, né, de ficar na rede fazendo, né, ou contratar um esquema de robô para ficar divulgando a verdade. Então você tem um desbalanço na das informações que são divulgadas. Uhum. Muito interessante isso que você comentou das pessoas eh a partir da rede social, é tentar vender medicamentos sem que não tem comprovação científica, né? Hoje em dia a gente vê muito eh deep fakes, de médicos conhecidos nacionalmente eh divulgando esses medicamentos. É, infelizmente não é só uma característica até eventualmente de pessoas leigas, até pessoas da área da saúde, às vezes médico, eu tenho colegas inclusive infectologistas que se colocam aí, né, ah, querendo, né, eh, desconfiar de vacinas, né? E é uma situação, ô Camila, que às vezes, por exemplo, eh, vamos dizer que traz um certo conforto, entre aspas, né? Porque chama a atenção, né? Dá muitos likes. Eu aumento minha comunidade aí por diversos motivos, aquelas pessoas que estão querendo duvidar de vacina. E fica confortável falar disso quando eu tenho uma vacina com 90, 95% de cobertura vacinal, porque eu sei que a minha fala vai reverberar e eu vou pegar algumas pessoas que vão começar a me seguir, mas isso não vai ter um impacto ruim. Uhum. A partir do momento que falas até de colegas, né, começam a falar e influenciar a atitude e que isso leva a uma cobertura vacinal menor, né? Eu não sei como essas pessoas colocam a cabeça no travesseiro para dormir, né? hora que sabe que tem, né, criança ou a jovem correndo o risco de ter sarampo e ter sequela grave ou morrer durante a fase aguda da doença, por exemplo, né? Sim. E você comentou muito bem sobre a pandemia, né, da Covid e nós vimos essas essa disputa de informações eh científicas, opiniões, notícias falsas também, muitas fake news durante esse período. É, que lições a pandemia deixou sobre a relação eh entre a ciência e a sociedade principalmente? Eu acho que a pandemia assim deixou um grande legado. Dois, eu acho, principalmente um, que a nenhuma doença hoje em dia, ela acontece só num local, né? Então ebola hoje eu não me preocupar, tá lá na África, mas tá tão longe não. A gente sabe que não, né? Começou na China, né? Em dois meses, em dezembro o primeiro caso, na China de 2019, em março 2020 você já tinha uma doença espalhada globalmente. Então hoje que, né? Eh, o bom e o ruim. Quer dizer, o ruim principalmente ele não tá não fica localizado num lugar só, né? Ah, e dois, que a gente só consegue vencer esses desafios ou até de uma próxima pandemia com trabalho sério, né, de muitas pessoas, né, eh, trabalhando incessantemente, né, e sempre trabalhando no olhar científico de comprovação do que realmente faz bem e do que não faz bem. Acho que isso foi uma grande lição da pandemia. Sim. E você foi uma voz durante a pandemia, né, de eh fomentar eh divulgar, né, as informações corretamente. Como que foi para você essa experiência também? A a durante a pandemia eu já tava se anos atrás, mas eu já era o grupo de risco por conta até da idade, era 60 a mais. E era uma oportunidade que eu vi, já que realmente eu não fiquei na linha de frente em função disso e porque tinham outras pessoas, se eu precisasse de mim eu iria, mas tinha felizmente outras pessoas jovens que poderiam fazer isso e o fizeram muito bem. Ah, mas eu me sentia na obrigação, né? Então isso me de me deu, vamos dizer assim, Camila, um tempo, né, para poder estudar muito, porque a quantidade de informações era muito grande, né? Se você olhar até as publicações científicas da época, foi uma explosão de trabalhos, de tudo, né, que tinha, a gente tinha que tá tudo vinha muito rápido e e grande quantidade e foram mudando também ao longo do muito não, porque a gente não conhecia mesmo. Então o que foi verdade em janeiro não era mais verdade no final de fevereiro e a gente tinha que justificar o por não, né? Mas foi baseado no que o conhecimento também foi progredindo e poder transmitir paraa população, né, eh, isso, o que tava acontecendo, que era verdade, o que deixou de ser verdade, o que era bom para cada um fazer no sentido de proteção de todo mundo, né? Foi algo que eu me senti quase que na obrigação, até como professora, como estar dentro, estando na universidade, me sentindo na obrigação de fazer. E eu acho que assim, uma falsa modagem assim, eu acho que eu tive um papel Sim. Com certeza. E eu queria comentar um pouquinho mais amplamente sobre o sarampo. Você falou um pouquinho, mas é uma doença que voltou, né? Já tem alguns casos em São Paulo. E isso se dá por conta da queda no número de vacinação. Pois é, você sabe que nós tivemos a felizmente, né, nos últimos 4 anos, nós tivemos uma recuperação da cobertura vacinal, né? Então, em 2020, só para sarampo, o esquema de vacinação, a gente tem uma dose antes de um ano de idade, que a gente tem uma dose zero com 6 meses, e duas doses, que são as que realmente protegem hoje no nosso calendário no Brasil com 12 meses, um aninho e 15 meses. Isso, quem tem essas duas doses tá considerado protegido. Eh, em 2020, 21 a gente tinha uma cobertura vacinal de primeira [limpando a garganta] dose que não chegava a 75%. Ela já tinha sido maior, depois caiu. E conseguimos nos últimos 4 anos uma recuperação importante da primeira dose da vacina do sarampo, que na verdade a sarampa cachum rubéula, tudo numa vacina só. Nós temos hoje uma cobertura de 96 98%, né? Uma recuperação, né? Um trabalho bem importante, eh, que foi feito para recuperar a a cobertura vacinal. Entretanto, para a segunda dose de 15 meses, nós temos ainda uma cobertura vacinal que não chega até agora, né, agosto, que é o último dado de 26, não tá chegando a 80%. Então nós temos uma população que tá eh parcialmente protegida ou não completou a sua vacinação, né? E isso explica, né? ou os não vacinados, que hoje em dia é menor, sem nenhuma vacina, mas uma dose só também não vai proteger. Esses agora no estado de São Paulo, 30, 32 casos, né, já diagnosticados, confirmados aqui. E por enquanto esses casos são em pessoas não vacinadas e pessoas que têm contato com pessoas que vieram do exterior, né? Uma preocupação grande que a gente teve foi no final da Copa, durante a Copa do Mundo, primeiro quando da Copa do Mundo era um contingente de brasileiros que a gente sabia que não tinha vacinação completa, indo pros Estados Unidos e lá reunião das Nações Unidas, gente, tudo quanto é, né, lugar. Estados Unidos vivendo o seu maior surto hoje, né, em 2026, quase 3.000 casos, eh, algo que não existia há 10 anos atrás. 5 anos atrás, ã, e que a gente tinha um contingente de pessoas, primeiro a gente orientou vacinar quem ia paraa Copa e depois a nossa orientação foi quando faltava umas duas semanas pro pessoal voltar da Copa, olha, os brasileiros que foram não nos trouxeram a taça, mas podem trazer o sarampo. Então, quem tá aqui, né, familiares e tudo que não, né, aqueles que não estão com a vacinação completa, atualizem sua situação vacinal, né, porque a gente sabia deste risco das pessoas trazerem, que entre eu entrar em contato com o vírus do sarampo e adoecer e começar a transmitir, pode por volta de três, quase quatro semanas. Então, o pessoal podia tá, né, com certeza, muitos vieram e trouxeram que esses casos se explicam muito por esses contatos de pessoas que vieram, que viajaram, né, do exterior. E é uma preocupação porque o sarampo ele pode, né, 10% das pessoas, crianças ou adolescentes, né, eh, interno na fase aguda da pessoa, da doença, ou por uma pneumonia muito grave, ou por um tipo de meningite que o vírus do sarampo pode dar, ou complicações tardias também, que é um quadro de encefalite que a gente fala extremamente grave e que não tem tratamento também até o momento e leva óbito em poucos meses, certo? E o que explica essa volta da doença? É um retrocesso mesmo? Falta de informação? Eu acho que falta de das pessoas terem cuidado de procurar a informação correta, porque muita informação tem dos dois lados, a a certa e notícia falsa, né? Então, se eu tenho uma cobertura vacinal de segunda dose que não chega, né, de 78%, eu tenho um contingente de milhões de pessoas que não estão protegidas com uma vacina que é oferecida na rede pública de graça para todos, dos de 6 meses até 60 anos incompletos, né? Então, eu acho que eh talvez falte assim o procurar a informação correta e saber que essa vacina existe e que todos, né, que se tem dúvida vai lá e vacina. Inclusive, né, hoje em Campinas nós estamos neste, né, eh, nesse chamamento aí para as pessoas atualizarem sua situação vacinal. Quem não sabe lá e vai tomar vacina. Tem gente que não pode tomar bacena de sarampo, por exemplo. Temos, né, gestantes e os imunossuprimidos. Então, aqueles pacientes que estão fazendo um tratamento de câncer, aqueles pacientes que têm algumas doenças reumatológicas que tomam medicações que diminuem a imunidade, não podem tomar, mas aqueles que convivem podem, tá? Então o apelo que a gente faz, né, pra gente não ter, né, uma um aumento dos casos de sarampa e uma transmissão daí local de pessoa para pessoa é que todo mundo atualize a sua situação vacinal. Por isso que é interessante que quem pode se vacinar precisa ir se vacinar, ter essa informação de ir até um posto de saúde tomar a vacina. É porque essa escolha de não se vacinar pode afetar, né, quem está em volta. queria que você explicasse um pouquinho melhor como que funciona essa proteção coletiva. Ah, porque tem algumas eh, como a gente comentou no começo, esses esses vírus, eventualmente algumas bactérias, elas não desaparecem, com exceção da varíula, todas as outras continuam, né? Se eu tenho 90% das pessoas, 95% das pessoas que estão protegidas, o vírus tenta circular, mas ele não consegue provocar doença, como se todo mundo tivesse um escudo, ele não entra. Uhum. Entendeu? Ele tá lá, mas não entra. A hora que eu diminuo, né, esta cobertura vacinal, tiro o escudo protetor das pessoas, ele passa a provocar doença, porque ele tá circulando, né? Ele passa a provocar doença novamente. É mais ou menos isso. Ah, sim. Eh, e num caso pra gente tentar reverter esse cenário, né, além de combater as informações falsas, como que é possível fazer que as informações corretas, né? Você falou que tem muitas informações, mas as informações corretas precisam chegar até as pessoas. eh precisa ser informações mais claras, mais eh acessíveis mesmo, não só em rede social, mas na televisão, quem sabe. Eu acho que eh a gente precisa daí, Camila, assim de a de formarmos uma grande equipe, vamos dizer assim, né, de quem detém a informação correta, né, e de quem tem a capacidade ou tem a formação para divulgação, né? Então eu acho que a ciência junto, né, com a imprensa de uma maneira geral, em todas as formas, né? Acho que não dá para escolher, né? Você tem televisão, você tem rádio, você tem TikTok, você tem as plataformas todas, né? que a gente precisaria ter um movimento, um esforço conjunto para que essas informações, tipo pílulazinhas assim, né, durante o dia várias vezes, né, chegassem a todos e numa linguagem fácil que as pessoas possam entender. Não adianta ficar falando algo muito técnico que ninguém vai conseguir entender. Então isso é extremamente importante e a gente precisa de um trabalho conjunto que eu acho que durante a pandemia a gente teve muito isso, né? Eu acho que a gente não teria conseguido o que a gente conseguiu, né? que vai, a gente teve muito ganho se não fosse esse trabalho conjunto de quem faz a ciência, né, e com quem pode, né, divulgar e sabe divulgar de maneira correta. Uhum. É isso que eu comentar. A pandemia foi uma lição, nesse sentido de força tarefa mesmo de várias frentes para tentar combater, principalmente, as notícias falsas. Sem dúvida nenhuma, né? Tanto do ponto de vista até de quem tava lá no laboratório, né? eventualmente de quem ponte que conseguia traduzir o que estava sendo feito lá para falar e o esforço de toda a rede aí na de comunicação, de imprensa para poder divulgar isso em todas de todas as formas de divulgação. Acho que a pandemia nos ensinou que esse eu acho que é o caminho para se conseguir ah diminuir, né, a dúvida das pessoas que muitas pessoas tem várias pesquisas, Camila, que mostram que eh muitas das pessoas que não se vacinam não é porque elas são contra a vacina, é porque elas têm dúvida. Uhum. Né? E elas não conseguem tirar dúvida em nenhum lugar. Então, eu acho que se a gente, né, conseguisse pelo menos eh e tem algumas perguntas que são mais ou menos que a gente sabe que a maior parte das dúvidas das pessoas que se a gente conseguisse fazer, né, mensagens durante o dia, várias vezes ao dia, em várias formas de comunicação, acho que essas pessoas já se sentiriam já contempladas, né, com as explicações. Daí poderiam decidir eh com mais eh certeza, né, em relação à vacinação, certo? Essa desconfiança também se dá eh por conta da das pessoas não confiarem nas instituições. Eu não sei se elas não confiam nas instituições. Eu acho que não é isso. Eh, se a gente pensando até em termos de Brasil, né, eu acho que a nós sabemos bem, a pandemia nos ensinou, né, eh o que seria, né, eh, das pessoas, das cidades, de todos os munícipes, se não fosse o SUS. Uhum. né? Acho que o SUS foi o grande salvador ali de quase todos. Não, não era não foi a medicina privada que conseguiu a saúde suplementar, né, que conseguiu dar amparo de fazer pesquisa, de desenvolver soluções e tratar, curar, internar as pessoas durante a pandemia. Então, eu acho que se a gente pensar aqui no nosso meio, né, em termos de Brasil, eu acho que não tem uma desconfiança grande em relação ao SUS. Eu acho o que tem é um desbalanço, um desequilíbrio, né, entre as informações que chegam, as informações de qualidade e as informações falsas. Eu acho que é mais isso e isso faz com que as pessoas fiquem equivale assim, com dúvida, não é que elas são pragmáticas, tem aquelas que são. E aqueles 5% que são são a gente lamenta, né? E a gente tá aqui, né, disponível para esclarecer, mas, né, você não vai muitas vezes tentar mudar, mas a maior parte não são essas pessoas. maior parte são pessoas que têm dúvidas, então a gente precisava ter mais canais, né, eh, para poder tirar as dúvidas. E eu acredito que a hora que você você vê, por exemplo, né, como eu acho que não é uma dúvida, né, como você colocou, dos serviços, a Ministério da Saúde ele disponibilizou, incorporou a vacina de víruscial respiratório paraa gestante para impedir a bronquiolite do bebê. Adesão é quase de 90%. é no SUS, não é? Vai lá e faz na unidade básica, né? No planejamento ali, né? Quando tá fazendo a visita de pré-natal, quer dizer, se fosse uma desconfiança raiz, eu não iria, não é? A cobertura ia ser ia ser um fracasso essa iniciativa, mas não. Então eu acho que a gente tem algumas vacinas que acabaram com um enfoque que não é da ciência, né? como daí não vou fazer esta vacina pontualmente, a gente vê isso muito com a COVID e das outras eu acho que é muito mais a falta de percepção de risco, né, de adoecer, a falta de percepção da gravidade daquela doença, né, e a falta de conhecimento ou um excesso de informações equivocadas sobre segurança e benefício da vacina. Uhum. E essa coisa de escolher a vacina que teve muito na pandemia, né, da pessoa, tipo, escolher vacina A ou B, achar que uma era melhor do que a outra, mais eficaz, foi uma coisa mais pontual da pandemia mesmo? Ah, foi muito pontual, muito pontual, porque você não tem um cardápio, né, costuma falar de cardápio de vacina, a gente não tem um cardápio de vacina assim para as outras doenças como foi com a COVID, com plataformas muito diferentes. É porque o conhecimento foi avançando, né? Então, a gente começou com plataformas bem mais simples, né? H, que já eram muito conhecidas e tudo, que era de vírus inativado, que foi a Coronavac, por exemplo. Uhum. Que foi extremamente importante no nosso meio. Lembrar que a gente começou a vacinar 90 mais, não sei se você lembrar disso. Ah, não sei se você tava nem formada nessa época que você tão noviá, [risadas] mas eu lembro, a gente começou porque era população, né, os idosos bem idosos e quando você começou a fazer coronava que pronto, despencou no estado de São Paulo, né? não tinha mais gente doente nesta faixa etária. Então, ela foi muito importante. Só que depois a gente teve eh as vacinas de plataforma, né, de RNA, que também eram vacinas que já há mais de 20 anos já estavam sendo utilizadas quando os outros coronavírus circularam, só que circularam no Oriente Médio. A a gente não sabia, não conhecia muito para cá, vamos dizer assim. Então, rapidamente elas também foram desenvolvidas e por serem plataformas que você consegue até atualizar a vacina mais facilmente, conforme as variantes que a COVID tem, isso iam surgindo. Ã, então você tinha num determinado momento, né, porque cada grupo trabalhava no desenvolvimento de uma vacina. A gente precisava com urgência de vacina e de muitas vacinas. Então, todas elas foram importantes e surgiu essa coisa de eu escolhi, não quero essa, eu quero a outra, mas as outras vacinas de maneira geral você não tem, né? Você não tem essa esse cardápio vasto de opções para uma mesma doença. Uhum. Perfeito. E tá sendo eh discutido, né, no Senado foi teve até uma audiência pública feita em abril, a possível criminalização eh dessa disseminação de informações falsas ou sem a própria comprovação científica sobre vacinas. Você acredita que medidas como essas podem ajudar também? Eu acho que pode ajudar muito, porque acho que as pessoas que eh que têm a informação correta, né, e que se usam, né, de uma rede social, né, e usam com esquema de robôs, de milhares de de disparos de mensagem ao longo do dia e com o propósito, né, de desinformar e uma desinformação que é prejudicial à saúde, isso é um crime. Isso é um crime. acho que deveria ser penalizado. Eu não sou tão otimista que isso vai passar e vai chegar lá na ponta, mas assim, só talvez trazer esse medo que olha que se isso for aprovado, né, alguns vão ter problema, eu acho que, né, já é alguma coisa, mas deveria ser aprovado e deveria realmente a gente deveria conseguir executar, né, a penalidade que que seja aprovada aí no Senado. Sim, porque a gente comentou aqui eh amplamente, né, sobre essas eh informações até mesmo nas redes sociais de pessoas que parecem especialistas, falam bem e as pessoas acabam confiando nisso. É, pois é. E a gente viu, né, a gente viu muito na pandemia e ainda continuou um pouquinho, quer dizer, na época da quando começou a pandemia, Camila, vou te contar uma coisa. Ninguém sabia quem era infectologista, o que que o infecto fazia. Eu sou infectologista há 40 anos, né? Mas ninguém sabia o que eu fazia. Eu na feira que que é ser médico, sou que você é infectologista. É, é o quê? que você faz? Ninguém sabia. De repente, em 4 meses, parece que só tinha infectologistas no país, né? Todos, né? De qualquer área, parece que eram profundos conhecedores da infectologia. Hoje você vê que todo mundo agora é meio endocrinologista, não é? Todo mundo quer coisa para emagrecer, orienta emagrecer as canetas. Mas assim, a gente vai de modinhas aqui e de uma forma e mas isso traz uma divulgação equivocada e errada e algumas pessoas o fazem intencionalmente, né? E eu acho que quando você falou, né, da da discussão no Senado, quer dizer, isso é crime, você divulgar intencionalmente notícias que vão levar, né, o malefício para saúde individual e saúde pública, né? Então isso deveria sim ser encarado como crime, penalizado como tal. Perfeito. Raquel, pra gente encerrar, eh, qual a principal mensagem que você deixa para quem ainda tem dúvidas, receio em relação a vacinação? Eh, primeiro assim, eh, que tente buscar na história, né? E se a gente der um procurar um buscador ali que a gente, né, procura tudo facinho, né, qual que foi até os benefícios da vacina, o que que foi a varíula, né, o que foi febre amarela, né? E febre amarela a gente ainda tem, mas qual foi o impacto que ela já teve de arrasar cidades inteiras? Eh, mesmo sarampo, né? E o benefício que as as vacinas trouxeram em relação a isso. Então, conhecer porque essas doenças nos amedrontam tanto, eu acho que é importante. E segundo, eh, procurar os canais, né, quando se tem dúvidas, se não conseguir falar com um especialista de fato que possa tirar essas dúvidas, procurar os canais. A Sociedade Brasileira de Imunizações tem um site aberto para todos, não precisa ser sócio nem nada e tem muitas dúvidas e tem um chat ali que você pode conversar, Sociedade Brasileira de Pediatria também. Então acho que procurar os canais, né, eh, que realmente divulgam informações corretas para tirar as suas dúvidas, esclarecer e procurar quantas vezes for necessário. Que às vezes você faz uma pergunta, você recebe uma resposta, você vai pensar na resposta. Ah, mas e isso? Volta lá, pergunta de novo. É importante esclarecer. Eu acho que como a população, quanto mais instruída, né, informada ela ela estiver, eh, com informação correta, né, isso certamente trará mais saúde pra pessoa e para todos nós. Exatamente. Raquel STU, muito obrigada pela participação aqui no ponto de vista, por nos trazer todos esses esclarecimentos [música] tão importantes. Imagina, foi um prazer. Tô sempre pra disposição. Obrigada a você também que nos acompanhou até aqui em mais uma edição do Ponto de Vista. Até o próximo programa. [música] [música] [música]