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Bom, é o quadro de Olho na Educação. E olha só, pessoal, hoje um assunto super importante, porque nós vamos falar sobre educação inclusiva. Conosco aqui a Karen Marconato, que é psicopedagoga, também coordenadora aqui do grupo Conduzir. Tudo bem? Muito obrigado por nos receber. Tudo joia, cara. Tudo bem? Bom, vamos lá. É um assunto certamente muito importante. Hoje cada vez mais gente, né, procurando profissionais para lidar com esse tipo de situação. Primeiramente conta pra gente o que é, na verdade, nís, por favor. Bom, falando do transtorno do espectro do autismo, nós eh é um conceito da neurodivergência que faz parte do grupo de neurodivergência. E nesse contexto nós temos um problema que afeta o neurodesenvolvimento infantil. Então, teremos dificuldades relacionadas à área da eh da habilidade social e da comunicação. Então, linguagem e habilidades sociais são áreas que acabam sendo muito afetadas e, por consequin então que as famílias consigam estar sob controle dos sinais indicativos, né? Então, que a criança não consegue ter baixo contato visual, não atende pelo nome, eh, muitas vezes tem interesse restrito com algum objeto ou com alguma área de conhecimento. Então, esses são sinais indicativos que é muito importante que as famílias também fiquem sob controle para fazer uma identificação cada vez mais precoce. Bom, com quantos anos, Karen, as famílias começam a perceber quantos anos a criança tem, na verdade, começam a perceber alguns sinais até os 3 anos de idade. Tr anos. E aí a gente fala muito sobre a intervenção precoce. Porque que nós falamos tanto enquanto especialista que é tão importante realizar esse essa intervenção eh quanto antes, né? Porque nessa fase do desenvolvimento infantil, a gente chama de neuroplasticidade. É uma fase em que o cérebro é como se ele fosse moldável. É mais fácil da gente trabalhar nessa fase e aí a gente tem índices cada vez maiores de bom desenvolvimento. Bom, uma pergunta importante que com certeza muita gente tem dúvida, como ajudar uma criança autista em sala de aula? Bom, o primeiro passo é a conscientização. É importante que as famílias estejam cientes dos direitos que essa criança possui, até para que isso possa ser exigido ali no âmbito da escola, né? Então, hoje nós temos duas leis muito importantes, que é a LDB, a Lei Brasileira de Educação e a lei também eh de inclusão escolar, que ela vai nortear quais são o os dados importantes para que essa criança consiga não ser somente incluída, mas permanecer nessa escola, porque a gente tem um índice muito grande de evasão também. Então, não basta estar incluído, mas o que é que eu vou favorecer para que essa criança permaneça? Então, adaptação curricular é necessária. Profissionais de apoio para garantir que essa criança de fato consiga se apropriar dos conhecimentos que estão ali são direitos fundamentais e que precisam ser olhados. Bom, também esporte é importante eh para para criança, alguma atividade física, alguma luta, natação, futebol, tudo isso é legal? Os esportes são necessários para que a gente consiga trabalhar as habilidades sociais, né? Então, para que essa criança consiga entender tempo de espera, atenção, relacionamento com outro, disciplina. E aí então eh colocar isso na rotina do aprendiz muito sentido. Boa. E voltando aí pro pro ambiente escolar, né? Importante que haja sempre uma adaptação à escola, como que funciona esse tipo de coisa, porque às vezes a criança chega, é nova na escola e tudo mais. Como que é isso, por favor? Quando a gente fala em autismo, a gente precisa pensar que previsibilidade é um ponto essencial. É muito importante que eu consiga, por exemplo, fazer um um uma tratativa inicial com essa criança. Então, leve a criança até a escola para que ela conheça o espaço antes da antes da aula começar, quem vão ser os professores. Essa aproximação com o novo, ela é muito necessária. Então, rotina, eh, garantir que tenha um espaço de autorregulação no momento em que essa criança entrar numa crise para que ela possa se organizar num ambiente livre de muitos estímulos, de luz, de barulho. São alguns conceitos importantes, entender também os interesses da criança é fundamental, fundamental. Isso pode ser incluído numa avaliação, numa atividade, né? Então a gente tem crianças que adoram, por exemplo, Sonic. Por que não envolveu o Sonic numa atividade de português, de matemáticas, né? Olha só que legal. E aí isso fica muito motivador. E se a gente pensar motivação é combustível de aprendizagem, né? Então eu preciso que essa criança esteja motivada para que ela aprenda. Então, por que não envolver fatores que ela tem eh interesse e que ela gosta? Isso é um ponto muito importante. Como lidar com crianças que são acima da média? As crianças que normalmente têm um desenvolvimento cognitivo acima da média, a gente costuma chamar de superdotação ou altas habilidades, que podem ter interesses restritos em algumas coisas, pode ser planetas, enfim, esses interesses eles podem variar. é um grupo que dentro do espectro autista também pode estar correlacionado com o autismo ou não, né? Mas também faz parte do grupo de inclusão. Então é importante que a escola também saiba como lidar. E aí com essas crianças, como ela eh na maior parte das vezes são um desenvolvimento acima da média, né, na parte acadêmica, uma das coisas é a suplementação de ensino, o que é então eu colocar mais atividades, eu desafiar essa criança. É um ponto muito importante para que a gente consiga então fazer com que ela eh tenha um pleno desenvolvimento ali na escola. Bom, porque na verdade muita gente acha, né, car pessoas acima da média não fazem parte do grupo, mas fazem. Fazem porque tem por si só outras dificuldades. Então, se por um lado eu tenho uma inteligência acima da média, a gente tem que entender o que que é inteligência, né? Eu eu posso ser mil maravilhas, né? Não. E eu posso ser muito inteligente em uma área restrita, então eu dominar tudo a respeito de planetas, por exemplo, mas no âmbito social eu ter muitas dificuldades. Exatamente isso. Então eu não tolerar frustração, eu ser uma criança que acaba sendo muito imediatista, né? Não tem tempo de espera. São alguns fatores que a gente na nas altas habilidades é importante que família e profissionais estejam muito atentos também. Bom, como vocês trabalham aqui no grupo conduzir? Aqui nós temos serviços desde a área da análise do comportamento aplicada, que é eh basicamente uma ciência que trabalha com todas as comorbidades, né? Eh, a partir da análise do comportamento, nós também temos terapia ocupacional, fonoiologia, psicopedagogia. São alguns dos atendimentos que a gente proporciona para para esse público. Quantos pacientes vocês têm? Mais ou menos? Tem tem ideia? Hoje a gente tá com uma base de uns 170 pacientes. Caraca, é bastante, né? Ou não, ou tô falando bobagem. É bastante um número expressivo. Bastante. Exato. E a ideis do público de intervenção precoce é a adultos. E o grupo conduzir não se restringe ao município de Campinas. Nós atendemos no Rio de Janeiro, então também esse número ele tá dissipado aí em várias regiões. Bom, vamos lá. Tem muitos pais que assistem ao quadro de olho na educação, certamente eh estão aí interessados nesse assunto. Muitos podem estar vivendo, vivenciando esse tipo de situação. Qual a dica que você deixa? Qual a orientação que você passa pros pais que estão nos acompanhando? por favor. Eu acho que um ponto fundamental, né, dessa iniciativa do Abril Azul, que é o momento da gente falar sobre autismo, né, eh, o Abril Azul, ele tem um um ponto fundamental que é a conscientização. Então, quanto mais informação, mais quebra de preconceitos, de barreiras. E eu acho importante que as famílias estejam a par dos seus direitos, né? Hoje a gente tem garantia de direitos relacionados aos atendimentos, né, em que os convênios podem fornecer. E quando não há essa cobertura pelo próprio convênio, o SUS também. A gente tem algumas barreiras ainda com relação a isso, mas é muito importante que as famílias estejam cientes e busquem profissionais especializados que possam então dar esse respaldo com conhecimento acerca da do autismo. Bom, vamos lá. Algumas perguntinhas aqui. Como estimular a autonomia das crianças eh no dia a dia? Eh as crianças que têm esse tipo de situação em casa e na escola. Autonomia, ela precisa ser feita com constância. E aí na escola é o o primeiro passo é o entendimento que escola não se deve se restringir a conhecimento acadêmico. Escolabilidade social ela é muito importante. Então para que eu conquiste a autonomia eu preciso propiciar meios para que essa criança consiga então interagir com seus pares, participar de atividades em grupos, seja numa educação física, seja num trabalho de matemática, né? Envolver essas crianças em todas as atividades que estejam ali é fundamental. em casa atividades do dia a dia. Então, entenda pequenas coisas que o seu filho possa fazer, por exemplo, desde guardar uma roupa na gaveta, né, auxiliar o pai num momento de colocar o prato numa mesa. São pequenas coisas, mas que já vai dando autonomia para essa criança. Qual a principal barreira que as famílias, que as crianças encontram para entrarem na sociedade? preconceito, estigma, né, e o capacitismo, né, que é nós falarmos por eles. É importante que a gente também consiga dar voz para essas pessoas, né, entendendo que nós não estamos falando aqui só do público infantil, né, nós temos adultos autistas. Então, entender quais são as dores e os sofrimentos faz parte também desse processo. E é muito importante que a partir disso a gente construa então leis que garantam acessibilidade social também. Como as escolas eh precisam lidar e o que tem que fazer de diferente assim, na sua opinião, o que que as escolas precisam fazer para para melhorar essa situação? Formação de professores é um bom investimento. Opa. A partir do momento que eu consigo investir nesse nesses profissionais, eu garanto que a gente consiga então efetuar adaptações curriculares com maior assertividade. Eu consigo trazer uma aula muito mais inclusiva, né? Porque o processo de inclusão, ele depende muito dessa garantia de que esse aluno vai então dentre das suas próprias possibilidades, ter um currículo adaptável, ajustável, para que ele consiga desenvolver de acordo com seus com o seu próprio desenvolvimento e as suas dificuldades. Valeu, muito obrigado. Mais alguma coisa que você queira complementar pra gente encerrar a entrevista, suas considerações finais? Eu acho que é estejam abertos ao conhecimento com relação ao autismo. O número só tem crescido atualmente. Então é muito importante que a gente consiga se apropriar do que isso significa para que a gente consiga então trazer cada vez mais eh indivíduos pra nossa sociedade no sentido de ser cada vez mais inclusivos. Bocar ajuda profissional. Acho que isso é é fundamental, essencial, importantíssimo. Não não pode deixar passar, né? Então tá bom, Karen. Muito obrigado pela entrevista e sucesso. Parabéns pelo trabalho de vocês. Obrigado, André. Bom, é isso, pessoal. Eu sou André Aranha e você, claro que já sabe, né? Tô sempre, ó, de olho na educação. Ciao