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Saúde é Vida | Transtorno Bipolar
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Saúde é Vida | Transtorno Bipolar

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No programa Saúde é Vida você vai entender as causas do transtorno bipolar, o diagnóstico e tratamento para essa condição.

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Olá, sejam muito bem-vindos. Programa Saúde à Vida começando e o tema de hoje é sobre transtorno bipolar. Você vai entender sobre os ciclos dessa condição que afeta cerca de 2 a 3% da população mundial. Convidamos o Dr. Roberto Ratsk, ele que é psiquiatra e especialista em transtorno bipolar. Seja muito bem-vindo, Dr. Roberto. Obrigado pelo convite, doutor. Bom, pra gente começar então esse nosso bate-papo, né? Vamos entender melhor o que vem a ser o transtorno bipolar. Eh, doutor, não é apenas uma alteração de humor, correto? Correto. É uma doença em que é caracterizada por períodos prolongados de alteração de humor, né? Período que dias ou semanas pelo menos, certo? E como que a gente pode eh classificar o transtorno bipolar? É uma condição hereditária, tem os gatilhos também emocionais e os traumas? Como que funciona, doutor? é uma doença com um forte componente biológico, com componente de hereditariedade importante, né? A fatores sociais também são bastante importantes no desencadeamento das primeiras crises, né? em geral, um estressor, fatores estressantes acabam levando as crises ou de depressão ou de mania, que é uma euforia, irritabilidade. E existem tipos diferentes. Então, doutor, tem alguma classificação para essa condição? Eh, como que é feito essa separação dessa condição? Existem tipos que a gente pode dizer que são diferentes mesmo do transtorno? Sim, existem vários tipos, né? Existem pelo menos eh eh aceitos oficialmente pela classificação, o DSM e a SID 11, né? A existe o tipo um e o tipo dois. O tipo um ele é caracterizado por episódios de mania, né? que são essa euforia intensa, eh, persistente, com diminuição de sono, aumento da do desejo sexual, vontade de fazer gastos, eh agitação, a pessoa fica agitada, fala muito, pensa muito, muito rápido, né? Eh, e ela e tem um prejuízo da crítica, né? ela ela perde o contato com a realidade muitas vezes. E o tipo dois é um tipo em que se predominam muito as depressões. São muitas depressões intercaladas por episódios de hipomania, né? O que diferencia a mania da hipomania é que a hipomania você não tem essa perda da realidade, do contato com a realidade e ela dura poucos dias, né? Ela não dura uma semana como na mania, pelo menos uma semana, ela acaba durando poucos dias e acaba sendo mais leve e é mais sutil a hipomania. Então é difícil às vezes o próprio paciente perceber. Então essas esses são sinais, os primeiros sinais de alerta para cada fase, né? observar então essa intensidade das das emoções e também tentar classificar se é de fato mania ou esse outro tipo. Então, esses são os primeiros sinais que o paciente ele pode identificar no momento que ele já está sentindo algo assim diferente da sua rotina. Sim. O o das coisas que chama bastante atenção na maioria das dos quadros é que é há essa esse prejuízo no sono, né? né? A pessoa dorme menos e não se sente cansada no dia seguinte e isso pode ser dias eh dormindo pouco. Então o sono muitas vezes é um alerta para pra alteração da crise. Doutor, e no caso do da pessoa assim com um episódio depressivo, primeiro vem o transtorno, depois a depressão, tem relação às duas condições? Sim. Na verdade, quando uma pessoa aparece com depressão, a gente nunca sabe se é a depressão comum, que a gente chama de uripolar, ou se é depressão bipolar, né? Se tem essa depressão junto com a mania, porque os dois são indistinguíveis, tá? É, é muito difícil você diferenciar. Às vezes a história familiar, por exemplo, história de de pais, mães que tinham transtorno bipolar pode ajudar nesse diagnóstico diferencial. Então é comum uma um paciente ter as duas condições ao mesmo tempo. Na verdade, são duas doenças diferentes, né? A depressão unipolar e a bipolar. Só que a manifestação é é é difícil de você separar. Então você quando tem uma depressão pode pode ser bipolar, potencialmente bipolar, né? Apesar do bipolar ser mais raro do que o unipolar, do que a depressão comum, né? Na depressão eh recorrente, depressão unipolar, a pessoa só tem crise de depressão. Ela não vai ter essas crises de mania ou hipomania. E a gente só consegue fazer o diagnóstico de transtorno bipolar, com certeza quando a pessoa tem uma crise de hipomania ou humania, né? Por isso demora às vezes até 8 9 anos pra pessoa conseguir receber o diagnóstico correto de transtorno bipolar. Então esse diagnóstico, doutor, ele é um desafio, né, pra medicina, justamente por conta dessas outras condições que, no caso, se assemelham aí nos sinais. Além do diagnóstico clínico, né, dessa conversa com o paciente para entender o histórico, eh tem algum exame específico? Como que é realizado mesmo esse diagnóstico para tentar fechar ele de uma forma mais precisa? É o o grande problema nosso que não tem exame, ainda não tem exame que faça esse diagnóstico. Então é só conversando com o paciente, conversando com familiares do paciente, observando a história do paciente, né, que a gente fecha o diagnóstico. Eh, o senhor mencionou que às vezes demora anos, né, 8, 9 anos para fechar esse diagnóstico. E o mais precoce, tem um tempo que vocês conseguem assim identificar, doutor, num mais rápido, né, num processo mais ágil desse diagnóstico? Se se a pessoa aparece já num episódio de mania, daí o diagnóstico é claro, é fácil, ele ele acaba sendo feito rapidamente, aí você consegue em poucos dias, uma semana fazer o diagnóstico, né? E doutor, ainda existem esses desafios, como o senhor mencionou, em relação do diagnóstico, mas também falando sobre a aceitação e também a negação desse paciente, porque isso ainda gera, né, muitos preconceitos, até mesmo a questão social de sociedade, né, da socialização desse paciente também da família, né, isso também acaba interferindo no tratamento desse paciente. Sim, é um preconceito contra o diagnóstico, há uma dificuldade de aceitação. As pessoas às vezes acham que bipolar é igual a loucura, né, no sentido popular e que não é bem assim, né, não, a gente não usa esse termo loucura para começar, né? A gente eh tem pessoas que têm crises e que melhoram, né? Então, com o tratamento, o transtorno bipolar, ele pode ter uma melhora de 100%. Tá? Então, é importante ter isso em mente. A pessoa pode a ficar sem crise nenhuma. o tratamento, né? Então, e o tratamento tem um resultado muito bom. E como que é feito esse tratamento, Dr. Roberto? O tratamento é feito principalmente com medicações que a gente chama de estabilizadores de humor. A principal delas é o lítio, que é um sal, né? Um mineral que sempre existiu, não foi descoberto pela humanidade, né? é um mineral que que tem aí como ferro, como magnésio. Então o lítio é o principal remédio que a gente usa como tratamento por transtorno bipolar. E é a longo prazo, então, esse tratamento, Dr. Roberto? Sim, é longo prazo, infelizmente é longo prazo. Tem uma cura, né? O paciente, ele tem a melhora com o medicamento, mas a gente não pode dizer que realmente tem uma cura para esse paciente. A grande realidade é que a maioria das doenças médicas não tem cura, né? Se você pegar pressão alta, você trata a longo prazo, você pega diabetes, você trata a longo prazo. O transtorno bipolar é a mesma coisa. Você tem que fazer um tratamento contínuo a longo prazo, né? Você não tem uma cura específica. E esse tratamento, né, com esse medicamento, além do medicamento, tem outras alternativas também de mudança de comportamento, né, de estilo de vida para esse paciente melhorar cada vez mais e reduzir as crises com essas condições. Doutor, sem dúvida, né? Você tem que, esse paciente, ele tem que mudar o seu estilo de vida. Ele tem que tentar dormir cedo e acordar cedo, né? dormir quando vier a à noite, quando eu ficar sem luz, tá? Ah, fazer as refeições de horários corretos, fazer exercício físico, né? Eh, é equilibrado, eh evitar álcool, evitar maconha, eh, tabaco, né? Porque tudo isso são substâncias que podem eh estabilizar o humor, né? Tornar o humor instável, né? E doutora, falando de uma idade específica, né? Existe uma idade em que os sintomas aparecem mais, né? Qual que é a faixa etária desse paciente? Acomete mais mulheres, homens ou tem assim uma igualdade, né, do gênero? Como que funciona essa a o transtorno bipolar? Eh, o a idade seria na na final da adolescência, início da idade adulta, né, que começa a maior parte das crises. Eh, o bipolar tipo um costuma ser um para um em relação a homens, mulheres, semelhante. Já o bipolar tipo dois costuma ter uma predomínio feminino, tem mais mulheres do que homens. E doutora, ainda falando sobre essa a medicina, né, a gente fala sobre a medicina tecnologia, medicina avançada, eh tem algo de moderno, mais recente assim de medicamento, né, para evitar um pouquinho diminuir os efeitos colaterais. esse medicamento, ele tem um efeito colateral que acaba também sendo prejudicial aí para esse paciente? Tem vários eh medicações novas que não são tão novas assim, mas estão surgindo. Tem algumas, por exemplo, que não tem no Brasil, que tem que tem lá fora, que são os antipsicóticos de nova geração, né? Os antipsicóticos de nova geração, muitos deles têm um uma propriedade de estabilização de humor também. Ah, então você tem várias medicações que são destaque em relação a isso, né? Tem das medicações mais novas, a ketchiapina, tem um uma qualidade muito grande, tanto para depressão quanto paraa mania, né? E e você tem várias várias medicações que que são usadas também além do lítio. E doutora, na nessa questão mesmo da psiquiatria, né, como que eh vocês, né, médicos que estão aí na linha de frente, né, com esses pacientes, como que vocês eh ajudam também na questão da da família, dessa rede de apoio das equipes multidisciplinar, porque não é somente o tratamento, né, precisa eh outras também alternativas aí para esse paciente conseguir, no caso, um ambiente de trabalho que fica fica difícil quando ele tem a crise. Então, além de ser um tratamento a longo prazo, ainda também tem toda essa questão social que vocês também têm que trabalhar com ele, né? Sim. É, é muito importante o paciente ter informação sobre a doença, né? Então, muitas vezes a gente faz o que a gente chama de biblioterapia, né? Indica livros que são escritos pro público leigo, né? Tem vários livros nesse nesse sentido e também tem associações de portadores de transtornos afetivos como a Brata, Associação Brasileira de Transstornos Afetivos, que ajuda na informação e na educação do dos portadores de tanto depressão quanto transtorno bipolar. E doutor, agora eu vou fazer uma pergunta, né, que é uma das que a gente separou em relação aos mitos e verdades, é parar de tomar o remédio por conta própria, né? Muita gente, a gente vê relatos, né, ouve também fazendo a pesquisa de pessoas que estavam fazendo o tratamento, aí não tiveram mais crise e decidiram interromper o medicamento por conta própria. Isso é um erro que o pessoal acaba fazendo. Eh, piora o quadro se interromper por conta própria, ficar um tempo sem tomar ou não tomar certinho, como que funciona no organismo desse paciente? Não, isso piora o prognóstico, né? Na verdade, a pessoa parando, principalmente se ela para abruptamente de tomar a medicação, a chance de vir uma crise nos próximos 6 meses é muito alta, tá? Eh, os primeiros três meses são piores, mas daí os primeiros se meses é um período de maior risco de novas crises, né? Então, ela pode voltar a ter esse episódio de mania ou da depressão quando ela para de tomar um remédio. E a gente tava falando sobre a questão da vida social, né, doutor? No Sistema Único de Saúde a gente sempre fala aqui como que é feito esse trabalho, porque além dos medicamentos tem também as terapias, né, que esse paciente ele precisa também fazer esse acompanhamento, né, justamente porque acaba impactando aí na vida social. Como que o Sistema Único de Saúde ele hoje está preparado para atender esse público e esse paciente com essa condição? Hoje, esses pacientes eles buscam ajuda muitas vezes nos CAPS, né, no Centro de Atenção Psicossocial, mas não há CAPS um número suficiente para atender todos os pacientes, né? Seria interessante se a gente tivesse mais ambulatórios de psiquiatria propriamente dito e psicoterapia e com equipes de psicólogos que pudessem fazer também o seguimento desses pacientes, né? Fora dos CAPS. Os CAPS teoricamente são reservados para pacientes em crise, né, e não para pacientes num tratamento a longo prazo. E, doutor, como que a gente pode eh identificar quando é necessário uma internação, quando esse paciente ele precisa ficar internado, que ele não consegue fazer o tratamento dentro da residência com os familiares? Tem isso também na questão da psiquiatria? Quando Sim, quando esse paciente ele tá num risco de suicídio, quer dizer, ele tá com ideias de suicídio muito importantes, com planos de acabar com a vida, aí teria uma indicação de internação. Outra indicação é quando ele tá realmente se colocando em risco, gastando todo o patrimônio, todo o dinheiro, eh se colocando em risco de vida. Assim, por exemplo, tem pacientes que pegam o carro e saem dirigindo em alta velocidade, às vezes dirigem na contramão. Então, isso tudo são fatores que acabam levando uma internação. E, doutor, quando um paciente chega, né, nesse estágio, né, eh, chega até o até o consultório e fala com eh vocês especialistas, eles reconhecem esses atos? Eles conseguem ter esse discernimento em algum momento ou não? ou é difícil essa aceitação deles entender de fato que eles fizeram alguma coisa nesse sentido? Inicialmente não. No momento da crise eles não têm esse discernimento, mas depois com o tratamento, um grande número deles vai ter esse discernimento, sim, vai aceitar fazer o tratamento e vai melhorar. Doutora, além do transtorno bipolar, né, existem outras condições que podem afetar também, além da depressão, do transtorno, outras doenças mentais que podem agravar o o caso desse paciente, agravar a saúde mental. Sim, esses pacientes com transtorno bipolar, eles têm muita ansiedade junto, eles são muito ansiosos, tá? Eh, muitas vezes eles têm sofrem bastante de ansiedade, eles acabam bebendo e acabam tendo alcoolismo, né, usando substâncias. Muitas vezes eles têm défic de atenção junto, então eles têm TDAH junto, défic de atenção e hiperatividade. Então, há uma combinação de vários quadros ao mesmo tempo, na maioria das dos casos. Doutora, eh, no caso das crianças, né, o senhor já atendeu pacientes, eh, crianças, né, fazetarem na primeira infância? É possível também a o transtorno bipolar acometer crianças na primeira infância? É uma um público que tem essa probabilidade ou é mais difícil? Pode. Na nas crianças eh vem como depressão e ansiedade, que o diagnóstico se torna mais difícil, porque a mania ela costuma ser rara. Muitas vezes você tem uma irritabilidade intensa, contínua na criança, tá? Crônica. E daí o diagnóstico diferencial de TDH e oposição, desafio, transtorno de conduta, se torna mais difícil. Os sintomas da do TDAH com o autismo, esses sintomas eles são semelhantes ao transtorno bipolar também ou tem algo que acaba diferenciando, doutor, para fechar esse diagnóstico? O o autismo é diferente porque ele tem uma dificuldade de interação social importante que vem desde a primeira infância, muito cedo, né? É quase o jeito de ser da criança desde que ela nasceu, né? Já o transtorno bipolar, ele vem com alteração de humor, com essa irritabilidade, eh, e daí se torna mais difícil com o TDH, né? Com o diagnóstico diferencial TDH. O TDH é uma dificuldade de atenção, a criança não para quieta, mas em geral o sono da criança com TDH é mais preservado do que com a criança com transtorno bipolar, certo? E doutor, falando em uma família, né, que tem um paciente com o transtorno bipolar, como que a o pessoal de casa, como os parentes, os amigos, eles podem ajudar esse paciente, né? Porque a gente fala sobre essa questão da aceitação, quando identificar que não é uma fase, uma fase que esse paciente tá passando por um momento de estresse ou alguma mudança repentina ali na vida que ele não consegue suportar, tem essas situações também que acabam dificultando esse diagnóstico, né? Então, como quem tá do lado pode ajudar esse paciente chegar nesse diagnóstico mais precoce para um tratamento também mais eficaz? Ah, tem que estimular a pessoa, tem que ensinar até sobre a doença um pouco paraa pessoa tentar mostrar para ela que ela não tá bem, né? Pedir para ela buscar ajuda, tá? Muitas vezes esses pacientes depois de um tempo eles acabam percebendo, até porque não conseguem dormir, né? e acabam ficando muito agitados, né? Às vezes eles ficam tão agitados que ficam confusos, né? E não conseguem mais tomar decisões. Daí muitas vezes a família acaba tendo que tomar decisão para eles e levar eles meio que contra a vontade para avaliação médica. E essa essa decisão ela é difícil até na questão também da internação, porque muitas famílias não conseguem também eh tomar essa decisão da melhor maneira possível, né, doutor? Então, existe a uma internação que ela não é que ela é involuntária, né, não é de acordo com o paciente. Isso é preciso fazer quando exatamente quando a pessoa tá num risco de vida grande, né? E esse risco quem vai determinar muitas vezes é o médico que vai atender, né? Então existe uma internação que é involuntária que o médico pode determinar junto com o familiar, tá? Então eh paraas paraa população geral eh isso pode ser feito nas UPAs, tá? pode ser mandado pras UPAs e lá eles determinarem a internação. Aí a família assina um termo de consentimento, toda essa tem toda essa questão também mais burocrática, doutor, e quanto tempo esse paciente fica internado? Não, muitas vezes 15 dias, um mês ele já tá melhor, já pode sair pra comunidade. E tem situações que esse paciente ele não consegue voltar pra vida social e ele precisa de mais tempo. Doutor, como que vocês avaliam essa situação? É raro, né, quando o paciente não responde aos primeiros tratamentos, mas isso isso é exceção, né? É, é raro. Aí o pessoa precisa às vezes de um mês e meio, dois meses, mas não, não fica muito tempo mais internado não. E doutor, falando sobre a situação de crise de ansiedade, crise de ansiedade, síndrome do pânico, isso pode virar um transtorno bipolar se não cuidar naquele momento, né? Porque hoje é mais comum. A ansiedade também afeta aí boa parte da população junto com a crise de ansiedade por conta dos fatores externos também. né? Vida muito agitada, a rotina, mudança repentina ali na rotina, mudança de de emprego ou alguma ocasião que aconteceu ali na vida. Isso pode a acometer também esse paciente e se não tratar dessa ansiedade, essa síndrome do pânico pode virar um transtorno bipolar. Na verdade, eh, aí é uma questão mais complexa, né? A gente, quando a pessoa tem crise de ansiedade, transtorno do pânico e ela vai para transtorno bipolar, ela evolui para transtorno bipolar, a gente na psiquiatria acredita que a pessoa já tinha transtorno bipolar, só que se manifestou por crise de pânico, né? Que o bipolar é uma doença mais eh importante do que o transtor do pânico. Ela ela tá acima do transtorno do pânico na hierarquia das doenças, sabe? Então, eh, a maioria dos transtornos do pânico, elas continuam com o transtorno do pânico ou vão paraa ansiedade generalizada, que é uma ansiedade contínua, ou a propriamente depressão, a própria depressão em si, né? Não, raramente vai para transtorno bipolar. E, doutor, então o a gente pode dizer que o transtorno bipolar ele é a condição mais grave então das das doenças mentais. Na verdade, não tem uma doença que é mais grave teoricamente ainda, que é esquizofrenia, né? A diagnóstico diferencial transtorno bipolar e esquizofrenia às vezes é difícil. Na esquizofrenia a pessoa não tem uma uma alteração de humor tão significativa, né? Ela tem mais uma alteração do pensamento. Ela começa a ter ideias muito estranhas. Em geral, ela não tá necessariamente agitada, mas ela tem ideias estranhas que não correspondem à realidade. Ela ouve vozes, né? Então, para fechar o diagnóstico de esquizofrenia mais fácil do que o transtorno bipolar, só pra gente entender melhor como que funciona. Na verdade, os dois são difíceis, né? Os dois são difíceis porque você tem que separar o transtorno bipolar da esquizofrenia, né? E nem sempre é fácil quando o paciente tá psicótico, quando o paciente tá fora de si, tá agitado. E no caso, então, eh, esse paciente, ele pode ter as duas condições, doutor, ou é raro? Na verdade, se ele tem as duas coisas, tem um outro diagnóstico que se chama esquisoafetivo, que é uma mistura das duas coisas, tá? Então, é bem complexo mesmo, né? a saúde mental, a gente tem que tomar muito cuidado, prestar atenção em todas essas nossas emoções para poder então procurar o especialista e fazer o tratamento correto, né, doutor? No caso, daí esse paciente também é ao longo da vida todos os tratamentos paraa saúde mental em si. Exatamente. A avaliação do diagnóstico em psiquiatria, ela é bem complexa, por isso precisa de um médico competente, um médico eh que tenha formação, que seja especialista na área. E, doutor, como que é trabalhado isso, né, essa questão do da saúde mental? o senhor mencionou sobre a questão da dos livros, né, para esse paciente ele entender melhor do que se trata a doença, eh, para ele poder já se conscientizar que ele tem essa condição e precisa fazer esse tratamento, né? Como que é trabalhado então no sentido eh no sentido acadêmico também, mostrando dessa importância da conscientização da saúde mental? Sim, existe existe a associação eh mundial de transtorno bipolar que é ISBD, que tem um capítulo no no Brasil, que é ISBD Brasil, né? E tem o dia do transtorno bipolar, que é o dia 30 de março. Mas o o você tem um um é trabalhado a o transtorno bipolar em relação à comunidade de conscientização para as pessoas eh saberem que existe, né? Hoje está mais fácil do pessoal ter essa informação, né? as informações elas estão mais acessíveis paraa população. Então hoje em dia não é tanto tabu falar sobre a saúde mental como um todo, né? Exatamente. Hoje em dia, e as populações mais jovens estão cada vez mais aceitando falar sobre isso, fazer tratamento, buscar, eles buscam conhecimento na internet. Então hoje você tem um acesso ao conhecimento muito maior do que décadas atrás. Doutor, queria que o senhor deixasse algumas recomendações, então, sobre esse tema, falar, vamos, né, recapitular um pouquinho sobre o que é o transtorno bipolar e o que as pessoas precisam eh prestar atenção, né, quando perceber que tem uma pessoa com essas com esses sinais, com esses sintomas e o que fazer então para ajudar esse paciente. Então, o transtorno bipolar é uma doença eh crônica que afeta o humor e que a as pessoas elas precisam prestar atenção nas manifestações de humor, de de alteração de humor da pessoa ser diferente do eu habitual dela, tá? por exemplo, ela tá muito agitada, tá muito elétrica, ela não para quieta, ela tá diferente, né, do que ela é usualmente. Isso é um primeiro sinal que é importante as pessoas prestar atenção, além da alteração de sono, que eu já falei, né? Então, mas o transtorno bipolar é uma doença diagnosticável, ela é importante, mas ela é ela pode ser diagnosticada e ela pode ser tratada tendo uma qualidade de vida ótima. pra pessoa. Doutor, eh, eu só queria saber esse período dessa alteração de humor, né? A gente tem que prestar atenção a respeito dessas condições, só que tem um tempo que essa alteração ela persiste, dias, noites, dias, isso, dias ou semanas, né? Não pode ser alteração de humor de horas só, né? Não pode ser que a gente chama de afeto, na verdade quando altera horas, a gente não chama humor. Humor é mais persistente que afeto na psiquiatria. Então não pode ser uma alteração de afeto, por exemplo, que dura algumas horas, minutos, segundos, né? Então é dias ou semanas, até meses, dependendo da situação. Então realmente quando o paciente ele ficou dias, semanas com essa mesma condição de humor, já é um sinal de alerta para buscar ajuda. Isso, exatamente. Tá certo, Dr. Roberto. Eu quero agradecer imensamente a sua participação aqui no programa Saúde à Vida. Muito obrigada pelos esclarecimentos e lembrando também, né, que não só o transtorno bipolar, mas existem outras doenças mentais e a comunidade precisa fazer esse alerta e essa conscientização, né? Sem dúvida, sem dúvida. Obrigado pelo convite. Nós que agradecemos, Dr. Roberto. Bom, Saúde é Vida fica por aqui. Você pode acompanhar também esse programa na íntegra pelo portal tvcameracampinas.com.br ou também pelas redes sociais. Nós temos um encontro marcado na próxima edição. Até mais.
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