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Olá, [música] [música] começa agora mais uma edição do programa Saúde à Vida. O tema hoje é sobre saúde do coração, que é essencial para uma vida longa e saudável. Vamos descobrir como a alimentação, o movimento e até as nossas emoções batem forte na prevenção de doenças. Recebemos o cardiologista Dr. José Francisco Saraiva e membro do Departamento de Aerosclerose da Sociedade de Cardiologia. Seja muito bem-vindo, Dr. José. Muito obrigado. É um prazer estar com todos os nossos telespectadores da TV Câmara. Muito obrigado. Nós que agradecemos a sua participação. Bom, para iniciarmos esse nosso bate-papo, né, sabemos que o coração ele funciona como uma bomba, né, mas especificamente falando sobre o coração, qual que é a função exatamente, né? Como que ele consegue garantir que o oxigênio e os nutrientes cheguem da ponta do pé até o cérebro sem parar um segundo sequer? Doutor, é, você disse muito bem, o coração é uma bomba. É uma bomba que não pode falhar. Para você ter uma ideia, o coração bate por volta de 100.000 vezes por dia, o que dá uma taxa de 3 milhões de batimentos por mês e são 36 milhões de batimentos por ano. Então, um jovem de 10 anos, o coração já bateu mais de 300 milhões de vezes e o indivíduo com 70 anos, o coração já bateu mais de 2 bilhões de vezes. Isso significa dizer que o coração ele é um órgão perfeito que não descansa e igual ao cérebro, aliás, o próprio cérebro descansa à noite quando nós dormimos, o coração não para e ele é responsável por levar oxigênio, nutrientes, energia para todo o organismo. E aí fazendo um trocadilho, o coração é uma bomba infalível, mas essa bomba, se não for cuidada, ela pode explodir. E aí a importância da gente fazer a prevenção e ter um estilo de vida que nós chamamos saudável para que o nosso coração possa bater pelo menos 100 anos. E é exatamente este o assunto que que nos fascina nessa discussão. Exatamente, Dr. José. Bom, como o senhor Bem mencionou, precisa, né, ter os cuidados, a gente precisa prestar atenção aí na saúde do nosso coração. Mas quais são essas principais eh doenças, né, falando um pouquinho sobre todas elas, assim, as principais e também entrar um pouquinho na questão das diferenças entre elas, por favor. Então, as pessoas nascem com o coração batendo perfeitamente, a não ser aquelas crianças que têm os chamados defeitos congênitos, mas o normal é o coração não ter nenhum problema. O que acontece ao longo da vida é que algumas eh questões relacionadas a estilo de vida acabam nos trazendo problemas de saúde. O primeiro deles certamente é o excesso de peso, que hoje está entre os três maiores fatores de risco para para mortalidade por infarto ou por acidente vascular cerebral. E o que nós temos hoje do excesso de peso, o que nós podemos falar sobre ele? O excesso de peso é relacionado a dois grandes fatores. O fator metabólico, orgânico, mas também o fator ambiental. E que fator ambiental é esse? Eu me alimento muito, eu como muita caloria e eu não queimo essas calorias. Então hoje o brasileiro, isso não é só o Brasil, vários países do mundo, as pessoas comem mais do que precisam. O hábito da alimentação tá muito associado a hábitos culturais de se sentar à mesa. E quantas vezes as pessoas não estão com fome e se sentam à mesa e acabam comendo por uma conveniência social. O fato é que o excesso de peso causado por um aumento do consumo de calorias e por uma redução na queima dessas calorias, que por sua vez está associada à atividade física. E aí na atividade física ela evita, ela acaba fazendo com que as pessoas não queimem as calorias, leva ao excesso de peso. Durante décadas a gente achou que o excesso de peso não teria nenhum problema. A gente chegava a falar nos anos 70, as pessoas que tinham excesso de peso, que elas ficaram com excesso de peso, nós chamávamos de barriguinha da prosperidade. À medida que a pessoa avançava eh socialmente, economicamente, ela ganhava barriga. Mas hoje a gente fala que é a barriga da doença, porque a obesidade entrou como uma doença chamada adip adiposopatia. Por quê? Porque o que nos leva ao excesso de peso é o excesso de tecido adiposo, que é o excesso de gordura e que muitas vezes a gordura que deveria estar retida nos músculos, ela acaba se excedendo e sendo como derramada. sobre vários órgãos. RCoração, o próprio intestino, que eh que é o excesso de peso do abdômen. E hoje essa gordura nós sabemos que ela é altamente inflamada. E sendo inflamada, ela vai silenciosamente agredindo os vasos, os vasos que levam oxigênio, os vasos que levam a os nutrientes para todo o corpo, como você disse, dos pés ao cérebro. E o que acaba acontecendo nessas circunstâncias é que os vasos vão ficando inflamados e eles vão progressivamente ficando eh vão progredindo numa obstrução com acúmulo de gordura. é a chamada aterosclerose. E a aterosclerose, quando ela atinge os vasos do coração, as artérias coronárias, ela pode induzir o indivíduo, a doença coronariana, que muitos de nós estamos habituados a ouvir esse termo, e é o infarto. E se for os vasos que irrigam o cérebro como as artérias carótidas, nós teremos então o acidente vascular cerebral. E esse eu diria que é o mais dramático dos problemas, porque eu sempre digo, o coração, se a gente anda rápido no atendimento ao paciente com infarto, se a gente atende logo, se esse paciente faz um cateterismo, identifica o vaso obstruído, coloca estente ou vai para uma sala cirúrgica, esse paciente uma semana, 10 dias ele tá em casa. Já o acidente vascular cerebral, ele pode deixar sequelas onde as pessoas jamais serão aquelas que eram antes de ter o acidente vascular cerebral. Muitos vão ter problemas motores e vão conseguir andar só com ajuda de bengala, de andador e na pior das hipóteses a cadeira de rodas. Muitos perdem a capacidade de raciocínio rápido. Muitos deles acabam muitas vezes acamados e aí eles perdem aquilo que nós temos de mais importante. De um lado a saúde e de outro a autonomia. E tudo isso [risadas] causado pelos mesmos fatores de risco que agridem o coração, o colesterol elevado, a pressão arterial elevada, o diabetes e obviamente a além da opressão, outros hábitos como o tabagismo, como a inatividade física. Então hoje a gente tem todos esses fatores, muitas vezes agredindo a pessoa. O indivíduo tem excesso de peso, que por sua vez predispõe a hipertensão arterial, predispõe o diabetes, predispõe ao colesterol elevado. Muitas vezes ele é estressado. Você falou já sobre a questão do stress. O stress é sim um fator de risco. E com isso a gente vai tendo esta somação de fatores que acabam levando a aterosclerose, a inflamação dos vasos, a obstrução desses vasos. E dependendo do território aonde essa obstrução ela se der de forma mais intensa, nós teremos, poderemos ter um infarto, acidente vascular cerebral, a doença renal ou mesmo os aneurismas, aneurismas de aorta, todas essas doenças muito graves. E para você ter uma ideia, hoje no Brasil 1000 pessoas, olha o número, 1000 pessoas vão morrer ou de infarto ou de AVC ou de um problema vascular. São 400.000 mortes por ano. É o principal problema de saúde pública do Brasil, mais do que o câncer, mais do que os acidentes automobilísticos, acidentes motociclísticos, mais do que a AIDS, ficou lá para trás por conta do da da prevenção e do tratamento, mais do que as doenças respiratórias, que muitas delas estão associadas ao tabagismo. Uhum. Então tá hora de nós fazermos estratégias, realizarmos estratégias de prevenção. E eu fico muito agradecido de poder estar discutindo este assunto. Eh, como o senhor mesmo mencionou, né, doutor, é realmente uma das principais aí um um dos principais problemas, né, de saúde pública, falando sobre várias doenças, né, do coração. foi citado sobre essa questão da ansiedade e também do acidente, né, vascular cerebral. Tanto é que nós já fizemos, né, um programa sobre esse assunto, porque antigamente falava-se muito sobre o apenas os idosos ou quem tem problemas genéticos, né, situações genéticas hereditárias na família. Hoje tem esse aumento também de jovens, né, com eh com tendo infarto, aumentou muito o número, né, de pessoas com acidente vascular cerebral. Isso eh significa que tem sim esse aumento por conta desses fatores externos mesmo, como a obesidade, né, como o excesso de peso, principalmente. Foi falado também, nós já trouxemos aqui também no programa sobre as crianças que hoje a tendência, né, das crianças que já estão com essa obesidade. Então esse é o principal fator de risco mesmo pra saúde do coração. É, e eu acho que aí você falou um ponto fundamental, o principal fator, assim, a principal estratégia hoje a nível de saúde pública no mundo todo é trabalhar com as crianças. É muito difícil você mudar hábitos de vida de adultos. O indivíduo que toma ou faz consumo de bebida alcoólica e precisa parar de beber, é um problema. Mesmo que ele seja uma pessoa de uso social de álcool, aí de repente ele ficou com hepatite, ele tá com outros problemas, ele tem que parar de tomar o vinho dele. Ele não é um indivíduo, ele não tem eh ele não é o chamado alcoolista, ele não é aquele indivíduo que consome de forma compulsiva, mas é difícil mesmo quando aquela pessoa bebe socialmente. fumar, então nem se falha. A gente consegue parar o tabagismo não mais do que 15, 20% das pessoas que fumam. Eh, mudar hábitos alimentares é muito complicado. Por quê? Porque aquilo que eu sempre digo, a geladeira não, a gente chega em casa com fome, eu sempre digo, geladeira não faz bullying com a pessoa, ela não vai ficar com torta de chocolate lá dentro e a pessoa simplesmente sem comer. Isso não existe. Então você tem que fazer um remodelamento alimentar. Você precisa mudar hábitos. Então o que é melhor? Trabalhar com a infância. E por isso que eu digo aquilo que eu aprendi na escola quando eu tava no primário, o o professor é o segundo pai e a professora é a segunda mãe. Porque nas escolas com os bons hábitos, é que nós conseguimos fazer com que quando nós eh chegamos, né, eh quando nós eh nós crescemos e chegamos na vida adulta, a gente chegue com uma vida saudável para que a gente possa viver mais de 100 anos. E isto invariavelmente começa na infância. Quanto mais precocemente a gente puder estimular as crianças a fazer exercício, a comer e ter uma alimentação saudável, evitar o excesso de consumo de calorias. Hoje, para você ter uma ideia, as recomendações da sociedade de pediatria, de uma maneira geral no Brasil e no mundo não recomendam o consumo de alimentos com açúcar antes dos 2 anos. Não recomendam. Então agora o Reino Unido soltou, isso tá sendo muito discutido, uma lei que se você nasceu a partir de 2009, você está proibido de consumir tabaco. Não é proibido de comprar e vender, você está proibido de consumir. Passou a ser uma ilegalidade. Por quê? Porque eles têm um problemão de que cada quatro adolescentes um é fumante. Ou fumante de cigarro ou cigarro eletrônico. Então tudo começa na infância. Alimentação saudável, hábitos saudáveis de uma maneira geral, atividade física, combate ao tabaco, combate ao álcool. E olha, ah, se for assim não é bom viver. A gente ouve essa piada direto, não é verdade? Se você pregar esses jovens que têm bons hábitos, a disposição é muito melhor, a concentração é muito melhor, eles dormem melhor, eles têm uma vida muito mais equilibrada. E hoje aquilo que a gente sempre fala, nós temos o avanço da ciência, o avanço da medicina. Os avanços da medicina permitem dizer que as crianças que estão nascendo hoje poderão viver mais de 100 anos. Com um detalhe, é preciso [limpando a garganta] corrigir os desvios logo cedo. E aí o lado que a gente fica frustrado, o trabalho que nós fizemos há pouco mais de uma década aqui em Campinas mostrou que mais de 30% das nossas crianças estavam com excesso de peso. Crianças de 7 a 14 anos. E quando nós fizemos a dosagem de exames de sangue dessas crianças, nós já vimos que aquelas crianças que tinham excesso de peso, elas já tinham uma glicose um pouco mais aumentada no sangue, não estavam diabéticas, mas já tinha uma glicose em ascensão, já tinha um colesterol ruim, que é o colesterol LDL um pouco mais elevado, já tinha os triglicidos um pouco mais elevado e já tinha uma pressão arterial um pouco mais elevada. crianças normais, mas já mostrando que aquele excesso de peso já vinha lento e progressivamente trazendo problemas metabólicos. Isso é muito importante. A doença cardíaca não acontece da noite pro dia, ela não acontece de repente. O que acontece de repente é um AVC e um infarto. Mas se você for ver, isto é simplesmente a ponta do iceberg de uma montanha de gelo que vinha crescendo, submersa e ninguém via. E na hora que aparece a pontinha parece que o mundo acabou. Não faz 15, 20, 30, 40 anos que você vem acumulando hábitos de vidas não saudáveis. E é exatamente este o ponto, né, que a gente fica, eu fico feliz de tá podendo conversar com os nossos telespectadores de que muito do que acontece com a gente, como diz o popular, é morte anunciada. Olha, você tem todos esses hábitos de vida e muitas vezes a gente vê isso no paciente que teve infarto, que ele chega enfartado, mas eu tava ótimo, eu tava assistindo o meu jogo de futebol, eu tava eh almoçando com a minha família, de repente eu tive aquilo, eu nunca senti nada. Bom, mas aí você vai ver o indivíduo tinha excesso de peso, ele já tinha um princípio de diabetes, ele já tinha muitas vezes a pressão elevada. Ah, minha pressão era elevada, mas eu não dava bola. Aquela história de eu não vou procurar sarda para me coçar. E quando você começa a fazer este inventário dos hábitos de vida, você chega e fala: "Meu Deus, esse indivíduo vinha perseguido pela doença o tempo todo e o que nós estamos vendo agora é simplesmente que houve um transbordamento do copo ou a ponta do iceberg que ele emergiu." E, Dr. José, nós precisamos sobre isso. Sim. Aí, Dr. José, o senhor acabou de falar sobre essa questão, né, que o infarto, o AVC já é o último, né, estágio, é um sinal de alerta, né, que a pessoa ela já vinha com alguns problemas. Como falar então sobre a questão do checkup, né, desta pessoa, dessa pessoa que tem algum histórico familiar e também para uma pessoa saudável, né, tem essa periodicidade para fazer o checkup, para cuidar do coração, fazer exames cardiológicos, justamente pela prevenção mesmo, né? Sim. E olha, não precisa do cardiologista. qualquer clínico geral bem formado numa unidade básica de saúde, ele consegue controlar os fatores de risco, como se eles estivéssemos, nós estivéssemos em países como Canadá, Reino Unido, França ou ou Itália. Veja onde eu controlo a minha pressão arterial no posto de saúde, onde eu controlo o meu excesso de peso no posto de saúde, aonde eu controlo a minha guiçania. No posto de saúde. Tem até propaganda disso de posto de gasolina. Onde que eu controlo todos os meus fatores de risco? No posto saúde, aonde a mulher faz prevenção, indo pra área da mulher do câncer ginecológico? No posto de saúde, aonde ela faz o controle da mamografia que ela fez na clínica de radiologia, no posto de saúde. Aonde ela faz o Papa Nicolau? no posto de saúde. Então eu digo isso porque você não precisa ter um plano de saúde e você não precisa ter eh muitas vezes um cardiologista para fazer esse checkup. Os exames de sangue que a gente pede na rede e o que os instrumentos que a gente tem hoje quase da unidade básica de saúde tem um um aparelho de eletrocardiograma, tem um aparelho de pressão arterial, existe sim. o dos exames laboratoriais disponíveis que você coleta na própria unidade, o que o que é muito importante para a nossa população e isso vale paraas crianças que estão indo nas unidades. Nós temos que ir além dos programas de vacinação, nós temos que ir além da mamografia ou da prevenção do câncer ginecológico. Nós temos sim que olhar para os nossos, pro nosso aparelho cardiovascular. Temos que olhar para a bomba e enquanto muitas vezes os órgãos estão descansando, ela trabalha a vida toda e no dia que ela para, nós vamos então para outra dimensão, porque não vamos estar vivos. Perfeitamente, Dr. José. Uma outra situação também que foi pontuado, né, enquanto estávamos fazendo o roteiro do programa também algumas pesquisas. Eh, hoje fala-se muito sobre ansiedade, né? esse grau de ansiedade, muita gente tendo taque cardíaca, sem saber exatamente o que significa, algumas sensações, né, estranhas, talvez de emoções. Isso é um sinal de alerta também que precisa ser investigado. Esse paciente que foi diagnosticado com ansiedade ou com síndrome do pânico, ele pode desenvolver um problema cardíaco futuramente, tem relação ou não com a saúde do coração? Olha, duas palavras, estress mata. E a gente sabe disso. O corpo ele é composto não somente do cérebro, mas de todos os órgãos. E eu posso dizer que o cérebro, se ele for um mau comandante, ele vai jogar adrenalina para tudo que é lado. E a adrenalina que parte do comando cerebral através de órgãos que fazem a produção de adrenalina, que são os órgãos suprarrenais, a as glândulas suprarrenais que fica em cima do rim. A adrenalina eleva a pressão arterial. A adrenalina eleva frequência cardíaca. A adrenalina pode causar arritmias. Adrenalina pode causar parada cardíaca. Nós estamos em ano da Copa do Mundo. Já existem trabalhos realizados no Brasil que a procura de pessoas por ataque cardíaco após jogo do Brasil aumenta consideravelmente e muitas pessoas morrem durante uma eh uma dentro de uma torcida num estádio ou mesmo torcendo eh pro seu time de coração numa final de campeonato. Estress mata. E aí nós temos que estar sim muito preparados para ter uma vida mentalmente equilibrada. Eu diria que não é simples, é um desafio, ainda mais numa sociedade hoje aonde isto aqui nos consome grande parte do dia. E não é só de boas notícias ou de joguinhos, são problemas para resolver. Se você deixar o seu celular ligado com sinal sonoro à noite, você não dorme mais, porque são mensagens que não param de entrar. Então, nessa revolução das mídias sociais, das comunicações, hoje é preciso que nós tenhamos clareza de que nós não podemos estar à disposição eh do planeta durante 24 horas. Para isso existem turnos de plantão. E um dos grandes desafios hoje é o excesso de trabalho, é a fadiga, é o estresse. Hoje você não fala mais em 8 horas de trabalho por dia, você fala em 12, 16, 18. E eu sou primeiro, o primeiro a ter eh essa, assim dizer eh de trabalhar muito além daquilo que é recomendado. Mas eu posso dizer uma coisa, a questão não é o quanto você trabalha, é o quanto o trabalho te traz desprazer, porque aquela velha conversa, aquela velha história, se você gosta do que você faz, trabalho não é um não não é um fardo. trabalho é gostoso. Já recentemente o CEO da All Marte que se aposentou, ele fez uma declaração muito interessante nas mídias sociais. A vida é muito curta pra gente odiar o nosso trabalho. Porque se nós ficamos numa situação de trabalho onde a gente não gosta, a vida tá correndo. Então eu sempre digo, eh, todas essas questões relacionadas a ódio, raiva, estress, ansiedade estão relacionadas em a gente fazer aquilo que a gente não gosta, aquilo que a gente não quer. Então não se trata mais de falar, eu trabalho 12, 18 ou 20 horas. Você gosta do que você faz, você faz com prazer, isso te dá satisfação. Então e eu e eu acho que isso a gente sempre tem que aprender com os bons profissionais. E quem são os profissionais muito bem-sucedidos? Aqueles que são apaixonados por aquilo que fazem. Porque aí eles não põe limite, mas óbvio que tem que cuidar do corpo. Então, voltando, estress mata e hoje a condição social do brasileiro que vive na correria e muitas, né, vítimas do desemprego, que é a pior coisa que, né, eu diria que acho que talvez seja o pior [limpando a garganta] problema, o estresse de você manter a sua família muitas vezes vivendo dignamente. Isto sim, isso é nocivo para o aparelho cardiovascular. Aí você soma isso com a cerveja, com a pinga ou com o cigarro e com excesso de peso você acaba fechando um círculo vicioso que é muito tóxico para o organismo. Perfeito, Dr. José. Então, né, falando sobre esse cenário, né, da saúde do coração, recomendado, como o senhor mencionou, mudar o hábito, né, o hábito alimentar, mudar esse cenário também de sedentarismo, né, que é uma também das situações que com uma má alimentação e uma pessoa que também é sedentária também tem um grande risco aí de desenvolver ou uma pessoa que já tem um problema cardíaco também de agravar. Então, a atividade física é recomendado junto com essa alimentação saudável. Você sabe que tem uma recomendação da Organização Mundial da Saúde? A sua pergunta é fundamental, mostrando que o indivíduo que tem estilo de vida saudável, ou seja, faz exercícios regularmente, não fuma, não bebe, tem uma alimentação baseada em alimentos naturais, frutas, verduras, raízes, legumes, alimentos magros, com consumo moderado de carne e com consumo baixo consumo de eh de gordura, você reduz mais de 80% a chance de vir a ter câncer ou doença cardiovascular, 80%. Isso é dado da Organização Mundial da Saúde. Então assim, nós temos hoje todas as condições de ter um estilo de vida saudável. O Brasil é um país iluminado por Deus e pelo sol. Nós temos só 365 dias por ano. Vai paraa Inglaterra, vai pros países nórdicos onde tem oito meses de inverno e dias de duração de 5, 6 horas. Vai para pros países mais gelados, vai pros países desérticos. Brasil não tem nada disso. E graças a isso, o Brasil tem horta. Todo brasileiro pode fazer uma horta em casa que não vai ter problema de ela congelar no inverno. Quando é que faz temperatura abaixo de zero nesse país? Aqui em Campinas não existe isso. Então, por que que eu trago isso? Nós temos toda a condição de fazer uma dieta saudável. Nós temos toda a condição de fazer exercício todos os dias. Nós temos todas as condições de termos um estilo de vida saudável. Para quê? para viver 100 anos com qualidade, para viver 100 anos sem ter problemas cardíacos ou neurológicos. Porque eu sempre digo, não basta estar vivo, é preciso estar vivo com qualidade. Hoje o Brasil tem uma pirâmide eh o guia da alimentação saudável que é para todo brasileiro. Todo brasileiro tem condição de fazer. Você não precisa fazer compra em supermercado caro para conseguir um um pé de alface ou aí uma dúzia de tomate, de banana. Você pode ter isso na venda do lado da sua casa. Mas o que que a gente vê? Miojo, salsicha, carne eh e eh carne com muita gordura. Então nós temos hoje a obrigação de de mudar isso. E quem consegue mudar isso? O povo, eu diria que nós, e eu fico muito feliz de estar falando com a TV Câmara, o poder legislativo está a serviço do povo e não se serve dele. Eu acho que essa é a grande mensagem. Todos nós temos que lutar para que a nossa população possa ter um estilo de vida saudável para viver com qualidade e longevidade. Tá certo, Dr. José? muito obrigada pelos seus esclarecimentos, por compartilhar todas essas informações, né? E o mais importante, eh, trazer essas dicas que são simples, né? Mas que ao mesmo tempo, eh, elas não são feitas aí diariamente, né? Como o as mudanças de hábitos, o senhor mencionou sobre essa mudança de alimentação e a vida corrida, né? Muita gente acaba ali comprando os congelados, né? indo pro que talvez é mais prático e mais fácil, só que no final das contas aí faz toda a diferença, né? Com certeza. Tá certo, Dr. José, muito obrigada, viu, pela sua participação. Saúde é vida vai ficando por aqui, vai se encerrando. Queria que o senhor fizesse mais algumas considerações finais pra gente encerrar a nossa programação de hoje. A gente trabalha muito na área da cardiologia com a pessoa que já tem problemas cardíacos, que já teve infarto, que tem arritmias, que tem o problema do colesterol elevado, a hipertensão, o excesso de peso, diabetes. E eu diria que nós aqui, óbvio que a gente tem que fazer o tratamento e hoje nós tivemos grandes avanços na medicina, no controle da glicose, no controle da pressão, no controle do colesterol e até mais recentemente no controle do peso. Agora, tudo isto seria um pouco injusto da minha parte dizer que nós estamos enxugando o gelo. Porque se a gente conseguir, apesar da pressão alta, apesar da glicose alta, apesar do colesterol alto controlar, a gente consegue manter aquele avião em voo com segurança. Mas depois que vem o infarto, depois que vem o derrame cerebral, depois que vem a doença renal e a pessoa muitas vezes vem a precisar de diálise, aí eu diria que a gente começa a enxugar gelo, você começa a mitigar complicações que não vão ter volta. E hoje, qual é a reflexão que eu trago para todos aqueles que nos assistem para transmitir pros seus pares: prevenção no Brasil é possível? O Brasil tem as condições de proporcionar aos seus 220 milhões de habitantes um estilo de vida saudável, independente da condição social, da condição cultural, da condição econômica. Mas é preciso também que as autoridades sanitárias, as autoridades governamentais, as autoridades de saúde pública, façam essa educação pros professores nas escolas, paraas mães dentro de casa, pros pais, para que eles possam dar o exemplo de hábitos saudáveis. Porque eu posso reafirmar hoje, as nossas gerações futuras, os nossos filhos e os nossos netos têm toda a condição de ter uma vida longeva e saudável. Muito obrigado por essa oportunidade. Nós que agradecemos, Dr. José, a sua participação. Muito obrigada novamente. Bom, saúde. A vida chegou ao fim. Espero que você tenha gostado. Obrigada pela sua companhia. Temos um encontro marcado na próxima edição. Até lá. [música] [música] [música]