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[música] Saúde à vida começando com muita informação para você. E o tema de hoje é acidente vascular cerebral. O aumento de casos de AVC em pessoas com menos de 50 anos é uma tendência real que preocupa médicos no mundo todo. Antigamente visto como uma doença de idosos, o AVC tem mudado de perfil. Convidamos então a Dra. Maramélia Araújo de Miranda Alves, neurologista da Academia Brasileira de Neurologia, para abordar esse assunto. Ela que já está conectada aqui conosco. Seja muito bem-vinda, doutora. Bom dia, pessoal. Bom dia a todos. Bom, doutora, mundialmente estima-se, né, que cerca de 2 milhões de pessoas entre 18 e 49 anos sofram aí com essa doença, né, o AVC a cada ano, o que equivale a 15% de todos os casos registrados globalmente. E doutora, por aumentado casos entre os jovens, né? Queria que você eh fizesse um panorama pra gente desse cenário, né? O que tem causado esse AVC quando a gente fala de pessoas, né, com menos de 50 anos e também nos jovens? Eh, globalmente falando, a incidência, a quantidade de casos de AVC aumentou e tem aumentado nos últimos anos por causa do envelhecimento da população, tá? Mas além desse aumento na população que sabidamente tem a a prevalência da doença, a gente tem visto casos em jovens e e os estudos, pesquisas têm comprovado também que há um aumento na faixa etária jovem. Essa definição do que é jovem, inclusive é uma questão que é diferente em determinados centros, hospitais, né? Então tem centro que considera jovem como abaixo de 45 anos ou eh há quem considere abaixo de 50 anos, mas assim, independentemente dessa definição, há um aumento e e se acredita que esse aumento tem múltiplas causas, tem vários fatores. Além do fator tecnologia, a medicina melhorou, o diagnóstico melhorou. Eh, existe eh existem teorias que advogam que o aumento também é decorrente, por exemplo, do da urbanização, do estilo de vida, eh daqueles fatores que a gente sabe eh aumento de peso, sedentarismo, tá? Então, assim, é um é uma multiplicidade de fatores, tá? não é só a tecnologia, não é só o maior diagnóstico, não é só eh o sedentarismo contribuindo, não é só eh o estilo de vida, o das cidades, o estresse e tem um conjunto de fatores que que justificam esse aumento nos jovens, mas tem é comprovado que tem tem um estudo inclusive brasileiro feito na cidade de Joinville em Santa Catarina que que conseguiu demonstrar que nos últimos 10 anos para cá houve um aumento em torno de 20 a 30% dos ABCs em faixa etária mais jovem. E isso se dá, mas nos preocupa, é, mas nos preocupa não só o aumento do jovem, né? nos preocupa o aumento global e e a pirâmide etária do nosso país, que tá mudando assim rapidamente, assim, a gente vê nas estatísticas BGE e tudo, a a o nosso país era um país considerado jovem e agora a pirâmide tá tá virando um um losango, tá um aumento da dos dos mais. Então, e a gente fala sobre isso, né? você falou sobre o envelhecimento aí da população na questão também de má alimentação. Você disse sobre o sedentarismo, né? Muitas pessoas, muitos jovens, né? Eh, a gente é difícil classificar, né? Exatamente. Aí a faixa etária dos jovens, mas estresse e também, doutora, eh, fala-se muito sobre o uso, né, de substâncias e também anticoncepcionais. De fato, o anticoncepcional, ele tem aí um fator, é um fator de risco pro AVC, não é esse o motivo, porque há 20 30 anos atrás já existia anticoncepcional. Anticoncepcional é da década de 60, 70, tá? Então não é esse o motivo. Por exemplo, em mulheres, ah, houve um aumento por causa do uso, não é isso, tá? Eh, os motivos principais eh levantados pelas pesquisas são relacionados a sedentarismo, aumento de peso e e maior carga de doenças cardiovasculares, acometendo ultimamente populações mais jovens, tá? O estresse, por exemplo, tem um fator que é muito comentado, ah, o estresse, estresse da ABC diretamente, não, tá? Senão São Paulo inteira, a capital aqui, todo mundo estressado, abarrotado na grande metrópole, estaria convencer, não é isso, tá? O estresse é um contribuidor para outros problemas, tá? Outros problemas. Então, assim, são múltiplos fatores. Realmente é difícil você atribuir a um motivo só. Doutor, existem mais de um tipo de AVC? Existem basicamente dois tipos de AVC, o que sangra e o que causa isquemia. Então, tem o isquêmico e o hemorrágico, tá? Eh, esses dois são os dois grandes subtipos de AVC e o isquêmico é bem mais comum, eh, em torno de 70 a 80% dos casos. O hemorrágico é menos comum. Que ele causa no organismo, né? Para quem tá assistindo aqui o Saúde à vida, queria que você explicasse exatamente quais são as diferenças aí desses dois tipos e como que ele se manifesta no organismo. Doutora, a manifestação é muito parecida, tá? O AVC não avisa que vem, não tem um sintoma inicial e esse sintoma vai piorando e você vai vendo que isso pode acontecer. É diferente, por exemplo, de doenças como Câncer, de doenças como Alzheimer, de doenças como Parkinson, que você começa com sintoma bem pequenininho e esse sintoma vai evoluindo e piorando. O AVC é totalmente diferente. É igual o infarto. Quando ele vem, vem. Então é uma doença de início súbito, de um minuto pro outro você começa a ter o sintoma, geralmente sem avisar. Sem avisar, tá? Então, os sintomas são decorrentes, eles ocorrem de acordo com a área do cérebro acometida. Então, se é a área da fala, é um sintoma da fala. Então, a fala fica embolada, fica enrolada. Se é a área da da força do braço, o braço e a perna geralmente de um lado do corpo vão estar acometidos. Então você tem a fraqueza e o peso no lado do corpo acometido. Se é na área da do equilíbrio da tontura, então você pode ter um sintoma, por exemplo, de tontura ou um sintoma, por exemplo, de visão. É é uma gama de sintomas. E isso inclusive é um dos problemas na identificação do AVC pela população leiga, pela população geral, tá? É diferente, por exemplo, do infarto. O infarto é muito fácil. Qual o sintoma do infarto? Dor no peito. Dor no peito. No AVC não, depende da área do OVC. Os sintomas mais comuns são esses, a boca ficar torta, né? Desviar a rima labial. Então tem uma fraqueza no lado do corpo, o lado inteiro do corpo, rosto, braço e perna, geralmente de um dos lados do corpo. E a fala enrolar ou você não conseguir falar, né? Parar de falar, tá? Esses são os três sintomas mais comuns. O o maior ponto que a gente precisa passar pra população, teve um sintoma, uma suspeita de AVC, não fique em casa, não espere o sintoma passar. Você tem que correr para um hospital adequado que tenha treinamento habilitado para atender esse AVC, porque isso é uma urgência médica e quanto mais rápido você for atendido, maiores suas chances de recuperação do AVC, tá? Então esse é um principal recado que a gente sempre dá em comunicação com a imprensa, em programas, etc. Doutora, a gente pode utilizar essas esses sintomas como os os primeiros, né, sinais de alerta, então, né, verificar a fala, a boca, o rosto. Então esses são alguns sinais, né? Porque se a pessoa tiver sozinha, né? Isso é um recado também, de repente a pessoa ela tá sozinha, começou a sentir essa teve essa percepção já então eh entrar em contato aí com alguém mais próximo, com um serviço, né, de atendimento de urgência. E eu queria falar um pouquinho sobre o ataque isquêmico transitório. Isso também ele é um que antecede, como que funciona? Como que é classificado também, doutora? Ele é um tipo de AVC, tá? É o mesmo AVC, só que é um sintoma que vem, dura alguns minutos e depois volta, regride sozinho, sem ninguém ter feito nada. Eh, eh, é considerado igual ao ODC, [roncando] tá? Mesmo que a pessoa tenha recuperado, ela não pode se eh conter com essa melhora espontânea, tá? ela tem que buscar uma um um hospital, porque quem tem esse ataque isquêmico transitório tem até 20% de chance de ter de novo nos próximos dias, na próxima semana. A taxa de voltar o sintoma é altíssima, tá? E aí é a melhor janela de oportunidade. Você teve uma um aviso que você teve um AVC, então você tem que buscar rápido também o hospital para saber porque você teve, para evitar tomar o remédio correto, o o que tá indicado para evitar aquele AVC. É um tipo de AVC, a mesma coisa da angina no coração. Quem tem uma dor no peito e melhora, o que é que faz? Fica em casa? Não fica. marcam com a cardiologista, vai no hospital, vai buscar assistência médica, é a mesma coisa, certo? E doutora, tem uma regra, né, que é utilizada, queria que você explicasse se de fato faz toda a diferença, né? Você comentou sobre esse tempo, né, que é primordial, o tempo de atendimento, ele faz toda a diferença nesse paciente, né? Quais são essas regras? Tem um tempo que é realmente recomendado para esse atendimento aí de urgência? tem eh quanto mais rápido, melhor. Esse é o tempo, tá? Existe uma um limite de horas para atender o AVC. Eh, existem alguns tipos de AVC que tem o que a gente chama de janela de tratamento, que dura algumas horas, tá? Então, se eu for te explicar aqui o isquêmico, mais ou menos 4, 5 horas, dependendo do tipo de AVC, até 8, 10, 12 horas, tá? Eh, e o hemorrágico, quanto mais rápido, melhor, tá? Mas os dois, quanto mais rápido, melhor. Por isso que uma das das coisas mais difíceis hoje que as sociedades médicas e os médicos neurologistas e os governos de vários países tentam estão tentando fazer arrumar essa rede de atendimento ao AVC de forma que não demore muito paraa pessoa chegar no local certo, adequado para receber esses tratamentos, tá bom? Então, alguns tratamentos tem essa janela de tempo. Então, por exemplo, se a pessoa tá lá no interiorzão, no interiorzão de São Paulo, teve um AVC e não deu tempo aquelas 4 horas ou 6 ou 12 horas para chegar no hospital correto e receber o tratamento, acabou. Perdeu a chance. Perdeu a chance. Se a pessoa é milionária, está lá no interior do Mato Grosso do Sul, na sua fazenda, e tem um AVC, então se demora 12 horas para ela conseguir o avião, o transporte, etc, para ela pegar o avião lá do interiorzão, onde não tem recurso nenhum e e ir para pra capital ou vir para São Paulo, acabou. não tem mais chance nenhuma de receber aquele tratamento que reverte o sintoma. Tô falando do tratamento que reverte o sintoma, que recupera a pessoa, tá? Existem os tratamentos depois de reabilitação, por exemplo, fisioterapia, fono, etc. Mas aquele tratamento que é o mais efetivo, o mais poderoso, que reverte o sintoma, se passar aquela janela de tempo, esquece, acabou. Esse tratamento, né, que reverte, ele é realizado no hospital. O SAMU ali na ambulância é só aquele primeiro atendimento, né, doutora? Não tem essa eficácia, não tem todos os equipamentos, né, para poder ter esse atendimento rápido aí desse paciente, não? Por exemplo, vou vou te dar um fazer uma comparação. O tratamento do infarto, tá? Eh, se eh uma pessoa que tá com infarto eh é atendido pelo SAMU, vai para uma UPA, que não é hospital, e faz aquele elétro, que é aquele exame simples, e é um infarto, ela pode receber um remédio que é o trombolítico, que é o remédio que dissolve o coágono. Isso pode ser feito dependendo na no no SAMU ou na ou na UPA. No AVC não, tá? Porque para o AVC o exame mais importante é a o exame de neuroimagem, que na maioria dos casos é tomografia. E essa tomografia só tem hospital, tá? Então assim, por isso que é outra coisa que a gente bate muito na tecla. Eh, se você puder acionar o SAMU, que é o serviço de emergência, no caso de um AVC, se é melhor se na sua região tem o SAMU, porque o SAMU vai saber levar pro local correto e o certo não é levar para UPA. UPA não tem tomógrafo, tá? Uma vez que você leve um paciente ou que você vá para uma UPA porque você tá tendo um AVC, o que vai acontecer? Você chega na UPA, não tem tomógrafo, fica sem saber se é isquêmico ou hemorrágico. Aí daqui que você consiga uma ambulância para arrumar um hospital, para levar pro hospital que tem tomo, para fazer a tomografia, tá passando tempo ali, ó. Tá passando o tempo ali, acabou, passou 4 horas, 4 5 horas. Se for o isquêmico que tem aquela janela de 4 horas, acabou. perdeu a chance de receber o trombolítico, por exemplo, vai passando as horas, vai perdendo a chance, vai agravando cada vez mais e vai perdendo a chance de ter essa reversão, né? Qual é o a, no caso de uma sequela, né, doutora, qual que é a o mais grave assim de quem teve o AVC, tanto isquêmico quanto o hemorrágico, né, nesse período aí de tempo, levou, fez a tomografia. Queria que entrasse em detalhes do tratamento específico e também como que essa pessoa, ela convive com isso. Ela pode ter de novo o AVC mesmo com esse tratamento? como que funciona. E hoje para os AVCs, tanto isquêmico quanto o hemorrágico, existem tratamentos que funcionam, que conseguem reverter, recuperar muito ou até, dependendo do caso, reverter o sintoma, a pessoa volta ao normal, tá? Volta ao normal. Eh, aí em relação às sequelas, isso é muito variável novamente de acordo com a região, de acordo com o tamanho do OVC. né? Então tem pessoas que têm o AVC e ficam muito incapacitadas ao ponto, por exemplo, de ficarem de cama, de não conseguirem andar, precisarem fazer uma reabilitação mais forte para tentar andar com algum apoio. Eh, e mesmo assim tem pessoas que não conseguem eh andar de novamente, voltar ao mercado de trabalho, voltar seu trabalho, sua eh habilitação prévia. Então isso é muito variável de do tipo do AVC, do tamanho do AVC, da localização onde foi que esse AVC teve, tá? E e da gravidade da região acometida. E doutora, a gente, né, começou o programa falando sobre os tipos e também sobre, né, os dois aí tipos e a diferença entre eles. E uma coisa que você mencionou foi a respeito da dificuldade, né, e também que é um desafio eh no sentido de mostrar exatamente quais são os sinais e os sintomas, né? você acredita que hoje, né, o cenário ele é realmente desafiador por conta de não ter aí um sintoma específico, não é rápido, né? Então, as pessoas elas têm essa dificuldade mesmo de buscar orientação médica, porque a gente faz esse alerta aqui, né, doutora, de eh passar os sinais, mostrar pro pessoal os sintomas para que de repente consiga esse atendimento rápido. como você mencionou, chamou o SAMU, mas tem que ter essa identificação para não levar pra UPA, por exemplo, porque é um tempo que essa pessoa ela vai perder porque não tem, né, esse exame ã específico na UPA. Então hoje, né, falando assim sobre esse cenário, que é o mesmo tempo, no mesmo passo, que aumentam os casos, mas ainda assim o desafio ele é grande por conta das pessoas ainda não entenderem de fato como que é essa doença e como que ela acomete o o organismo. Eh, é um desafio em todos os lados. é um desafio para educar a população. Então, ness nessa questão da educação da população, a importância de campanha de saúde pública. Então, assim, campanha em jornal, campanha em rede social, eh, campanhas visuais em locais públicos de grande circulação, por exemplo, shopping centers, centros comerciais, pontos de ônibus. Então, se você viajar eh pro exterior, você vai ter em países desenvolvidos, por exemplo, você vai ter oportunidade de ver em centro comercial, em shopping center, em pontos de ônibus, em aeroportos, eh banners, eh cartazes, mostrando quais são os sintomas. Qual os sintomas de AVC? Fala, braço, perna, rosto. Você teve algum desses sintomas? Aja rápido, procure um hospital, tá? Então, existem campanhas de marketing realmente para educar a população. Essa é uma linha. A outra linha é a educação do sistema, da rede, porque como envolve esse atendimento muito rápido, você tem que ter uma rede de saúde muito bem combinada, muito bem ajeitada para envolver eh SAMU, que é que é o atendimento de emergência, envolver o conhecimento de quais os hospitais referência na sua região e isso é variável. Então, por exemplo, na região de Campinas é um é uma rede, na região de Ribeirão Preto é outra rede, na região de Presidente Prudente é outra rede, na região da grande São Paulo é outra rede, né? Então assim, eh é é um um desafio em amplas frentes, tá? Mas uma coisa é certa, eh, a educação da população interfere, né? eh o sistema que está organizado hoje, Sistema Único de Saúde, com esses locais pré-hospitalares que envolvem exatamente esse atendimento de UPA, eh, são um desafio a mais. Isso falando em saúde pública, porque realmente para algumas doenças a UPA não é o local adequado para atendimento. Então, vou te dar o exemplo, trauma grave. para uma grave não é para levar paraa UPA, é para levar para um hospital de referência com tomo, com imagem, com alta complexidade. Do mesmo jeito, eh, AVC, tá? UPA resolve problemas mais simples, resolve problemas de pneumonia, resolve problemas de problemas gastrointestinais, outros problemas. Mas esses problemas graves que exigem intervenções muito rápidas e com a necessidade do exame de imagem que não tem na UPA, não é o adequado. Por isso que a gente fala e bate nessa tecla. Teve um AVC, se você tiver o SAMU bem organizado na sua região, é preferível você ligar pro SAMU, para o SAMU fazer esse seu socorro, tá? Se você for, que a gente chama de demanda espontânea, o que é demanda espontânea? A pessoa resolveu por ela própria ir pro local. Então assim, às vezes no desespero lá, pega o vizinho, pega um táxi, pega um transporte eh qualquer e vai espontaneamente vá para um hospital, um hospital que tem a disponibilidade da equipe preparada com tomografia para você receber rapidamente o diagnóstico, porque se você for para local que não tenha esse recurso, você vai perder o tempo ali, tempo precioso, tá certo? O doutora, o tratamento ele engloba medicamento, são diferentes tipos, né, de de tratamento pros dois aí tipos de AVC. Ele engloba, então, medicamentos, existe cirurgia, eh, a que ponto, né, quando que é recomendado essa cirurgia e quais os riscos também, por exemplo, é uma pessoa que tem diabetes ou ela é hipertensa, isso também acaba agravando essa situação, né? Então, é um mapeamento, é uma triagem também que é feita além desse diagnóstico, além dos sinais, os sintomas, também tem toda essa triagem do paciente, né? Uma algo genético, hereditário também. Isso faz sentido no momento ali desse tratamento? Eh, hoje os tratamentos são com remédios, né, pro isquêmico para hemorrágico. Eh, e existe cirurgias para o isquêmico premorrágico. No hemorrágico, por exemplo, se se o sangramento é muito grande, ao ponto de comprimir estruturas dentro do do cérebro, é necessário uma neurocirurgia, uma cirurgia neurológica para ir lá abrir aquela região e drenar aquele hematoma, aquele sangramento, tá? Eh, pro isquêmico, por exemplo, que é o tipo mais comum, eh, cerca de 10% dos esquêmicos são os AVCs mais graves, tá? São aqueles AVCs em que há um uma oclusão, um entupimento de uma artéria grande do cérebro. Isso leva um sintoma bem exuberante. Então, a pessoa fica sem falar, fica sem mexer, totalmente paralisada. E e se o isquêmico é desse tipo que entope essa artéria grande do cérebro, hoje tem um tratamento que é por cateterismo, igual ocorre no infarto, quando você precisa de um cateterismo para colocar um estente no coração, na artéria do coração. A mesma coisa você tem pro cérebro. Você vai lá com o cateterismo até a artéria do cérebro e com um estente você puxa, você tira o coágulo que causou aquele AVC. Esse tipo de tratamento é um tratamento que que a gente tem disponível eh mundialmente há 11 anos. 11 anos. Ele realmente revolucionou esse tipo específico do AVC mais grave do tipo isquêmico. Esse tratamento se chama trombectomia. Tá? Eh, ele é muito parecido com a angioplastia quando ocorre no infarto, mas é o nome para o neurológico é trombectomia. E no SUS a gente tem disponível desde 2023, tá? Então a gente tem no sistema único de saúde há 3 anos esse tratamento. Qual é o problema? É um tratamento caro, tá? Por isso que não é todo hospital que tem esse tratamento pelo SUS. exige uma estrutura adequada para para fornecer eh e propor esse tratamento para para quem precisa, para quem tem indicação. E são poucos hospitais, embora tenha tido um avanço em hospitais no Brasil para esse tratamento da trombectomia, ainda há muito a se avançar, ainda há muitas regiões praticamente sem esse tratamento. Então o que acontece nessas regiões que não tem o tratamento pelo SUS? As pessoas não recebem o tratamento, tá? Infelizmente é também uma luta nossa da Academia Brasileira de Neurologia e da Sociedade Brasileira de AVC, a gente eh eh forçar, solicitar, exigir dos governantes, que aí a gente tá falando do Sistema Único de Saúde, que eles disponibilizem esse tratamento que é muito efetivo para a população que depende do SUS. Tá? E doutora, nesse cenário, né, do tratamento que o Sistema Único de Saúde ainda não tem, né, essa evolução aí, essa tecnologia, né, da medicina, falando desses casos que aumentaram, mas como que está o cenário hoje em relação aos óbitos, né? é possível fazer um um comparativo aí com a doença, porque já que é uma doença que fala-se muito, mas ainda assim tem esse desafio, né? Como que é o cenário do dos óbitos? Queria que você explicasse pra gente como que é essa evolução desse cenário. Mesmo falando aqui no Brasil, a o os óbitos por AVC, eles têm ficado relativamente estáveis nos últimos anos. Não houve um aumento significativo, mas é importante frisar que é a doença que mais mata, doença cardiovascular que mais mata no país, mata mais do que infato, tá? Eh, embora seja o número um de óbitos no Brasil, eh, a gente não vê os governantes muito preocupados ainda com isso. A gente, inclusive, tem que que bater nessa tecla. Olha, mata muito mais do que doença infecciosa, do que câncer, do que o próprio infarto, diferentemente de estatísticas em outros países, tá? Então, assim, é uma alta taxa de de mortalidade e e isso preocupa a comunidade médica, eh, no sentido de que é preciso ter mais atenção, mais atenção a isso, a organizar melhor a rede, a disponibilizar os tratamentos mais efetivos em mais lugares, em mais regiões, em regiões que estão desassistidas. E e a gente tava falando também eh doutora, sobre a a questão multiciplinar aí dessa doença e também dos profissionais de saúde, porque nesse tratamento engloba não só a medicação, né, o medicamento, mas também tem as os atendimentos alternativos, né? uma pessoa que precisa ir fazer essa reabilitação, por exemplo. Outras áreas também englobam toda nessa doença, fonodiologia, outras vertentes também. Então, precisa ter essa união de todos os outros profissionais de saúde. Como que você enxerga isso hoje? Eh, e a parte de reabilitação é uma outra questão que que tá envolvida numa outra fase do atendimento ao AVC. Então, a gente comentou já da da prevenção, dos fatores de risco, do tratamento, eh, quando a pessoa tem o AVC, então tratamento dentro do ambiente do hospital, os tratamentos disponíveis, aí uma vez que a pessoa saia dessa fase mais aguda, aí dependendo do grau de comprometimento que ela tem, de sequela que ela tem, o que é que ela não consegue mais fazer, aí ela e essa pessoa vítima do AVC, ela é encaminhada para a reabilitação. Eí, a reabilitação, como você comentou, envolve vários profissionais, desde o médico da reabilitação, que é o fisiatra, né, que é inclusive uma especialidade que não tem tanto disponível no nosso país, até os os profissionais envolvidos especificamente com a reabilitação em si, aí fisioterapia, terapia ocupacional, fonudiologia, eh psicologia e assim sucessivamente. a gente tem tido um avanço eh em relação a centros de reabilitação que tem que ficinados, principalmente aqui na rede do estado de São Paulo, eh onde quem coordena essa questão da reabilitação é o Instituto Lucio, tá? Mas há muito ainda a a a se caminhar, eh, porque como é um número muito alto de pessoas vítimas do OVC, é uma doença muito comum e tem aumentado em quantidade, eh, muitas vezes esses centros não dão conta sozinhos de de absorver esses tratamentos dessas pessoas. E normalmente são tratamentos longos, né? Envolvem sessões múltiplas e meses e meses, semanas e semanas de tratamento específicos para cada tipo diferente de sequela que a pessoa vai ter. Tá certo, doutora? Bom, queria que eh você fizesse agora então umas considerações, né, as considerações finais do programa sobre, né, o aumento dos casos, fazer um um panorama mesmo sobre essa doença e o que hoje, né, a sociedade brasileira, Academia Brasileira de Neurologia tem feito, né, diante a esse aumento e também para passar pra população a importância, né, de não eh neutralizar, né, os sintomas, os sinais, prestar a atenção, né, em qualquer mudança aí do nosso organismo. Eu queria agradecer o espaço que vocês estão dando pra gente falar sobre uma doença realmente muito importante. É, é, é a causa principal de morte cardiovascular no Brasil. E eh o recado principal é esse, é você teve um sintoma suspeito de AVC, eh não fique em casa esperando passar o sintoma ou não releve aquele sintoma que você sentiu no seu corpo, tá? Busque rapidamente um atendimento médico, tá? Preferencialmente no hospital que esteja preparado, tem que ser hospital, tá? com emergência 24 horas, com tomografia 24 horas, tá? Que esteja preparado para atender o AVC, tá? Então, a Academia Brasileira de Neurologia, a Sociedade Brasileira de Neurologia, a de AVC, a SBAVC, eh ela tem um site e nesse site disponibiliza uma lista de hospitais em vários estados. Então o site é avc.org.br, avc.org.br. br lá você vai ver lista de hospitais habilitados para atender o AVC e aí você procura lá seu estado, sua cidade, você vai ver lá hospital público, hospital privado, porque tem gente que tem plano, tem gente que não tem plano, mas tem os hospitais públicos, tá? E aí você deve correr para esse hospital, tá bom? Porque tempo é cérebro. [risadas] Perfeito. Tem que prestar atenção, então, né? E essa dica, essa orientação da Dra. Mara Amélia, que o tempo é crucial aí na recuperação, né, e no atendimento deste paciente. Quero agradecer a sua participação, doutora. Muito obrigada por ter compartilhado, explicado um pouquinho aí a diferença, né, do dos tipos. Então, espero que tenha sido válido, né, pro pessoal de casa que tá acompanhando aqui o programa Saúde é Vida. Muito obrigada. Obrigada, pessoal. [suspirando] Bom, pessoal, o programa Saúde é Vida fica por aqui. Conversamos então com a Dra. Maraélia Araújo de Miranda Alves, neurologista da Academia Brasileira de Neurologia. Você continua acompanhando a programação da TV Câmara Campinas e eu te espero na próxima edição. Até lá. [música] [música] [música]