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Saúde é Vida | Janeiro Roxo: hanseníase: sintomas, diagnóstico e tratamento no SUS
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Saúde é Vida | Janeiro Roxo: hanseníase: sintomas, diagnóstico e tratamento no SUS

55 views Publicado 18/01/2026 HD · 36:21

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O Saúde é Vida traz um episódio fundamental para informação, conscientização e combate ao preconceito no Janeiro Roxo, campanha nacional dedicada à prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da hanseníase, doença conhecida popularmente como lepra. O Brasil ainda registra, em média, mais de 20 mil novos casos de hanseníase por ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Por isso, falar sobre o tema é essencial para salvar vidas, evitar sequelas e garantir qualidade de vida às pessoas afetadas. Para esclarecer dúvidas e levar informação baseada na ciência, o programa recebe Marco Andrei Cipriani Frade, rancenologista, dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Rancenologia, referência nacional no estudo e tratamento da doença. 🧠 Neste episódio, você vai entender: ✔️ O que é a hanseníase e como ela surge ✔️ Por que a doença não é apenas de pele, mas afeta principalmente os nervos ✔️ Sintomas iniciais como dormência, formigamento, perda de sensibilidade e força ✔️ Manchas na pele e sinais de alerta ✔️ A importância do diagnóstico precoce para evitar sequelas ✔️ Como funciona o tratamento com antibióticos ✔️ Por que a hanseníase tem cura ✔️ Quem faz parte do grupo de risco ✔️ Como ocorre a transmissão (e o que é mito) ✔️ O impacto do preconceito na vida do paciente ✔️ O papel da família e do SUS no acompanhamento ⚠️ Um dos grandes desafios da hanseníase é o diagnóstico tardio, já que os primeiros sinais costumam ser confundidos com dores comuns, envelhecimento ou outros problemas neurológicos. Quando o tratamento demora a começar, podem surgir sequelas permanentes, como perda de força muscular, deformidades e limitações funcionais. 💊 Tratamento e cura A hanseníase tem tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), disponível em todo o Brasil. Após o início do tratamento, a transmissão da doença é praticamente interrompida, permitindo que o paciente mantenha sua vida social normalmente. 🛑 Combater o preconceito também salva vidas O programa reforça que a hanseníase não é altamente contagiosa, não se transmite por aperto de mão, abraço ou convivência social, especialmente quando o paciente está em tratamento. Informação correta é a principal ferramenta para quebrar estigmas históricos e incentivar as pessoas a procurarem ajuda médica. 💜 Janeiro Roxo é o mês de conscientização, mas o cuidado deve acontecer o ano todo. Fique atento aos sinais, compartilhe informação e ajude a combater a desinformação. 👉 Assista ao vídeo completo, informe-se e ajude a espalhar conhecimento que transforma vidas. 👍 Curta 💬 Comente 🔁 Compartilhe 🔔 Inscreva-se no canal para mais conteúdos de saúde, prevenção e qualidade de vida Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, seja muito bem-vindo ao programa Saúde à Vida, com muita informação e credibilidade. Na edição de hoje, vamos abordar tudo sobre Janeiro Roxo, especificamente sobre a campanha nacional de conscientização e combate à ranseníase, conhecida popularmente como lepra. Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registra em média mais de 20.000 novos casos de ranceníase por ano. Vamos falar sobre os sintomas, a importância do diagnóstico precoce, das sequelas e também cura, tratamento. Nosso convidado de hoje é o Marco Andrei Cipriane Frade, rancenologista, dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Rancenologia. É uma satisfação recebê-lo. Seja muito bem-vindo, Marco. Bem, eh, a satisfação é toda minha. Obrigado aí pela oportunidade de estar falando um pouco sobre Han Ceníese com seu público. Perfeito. Pra gente iniciar então, né, esse nosso bate-papo, a pergunta inicial de fato é sobre é, né, a doença, o que é a ranceníase? fala um pouquinho sobre a história dessa doença, né, como que ela surgiu e como que está hoje aqui no Brasil. Bem, então vamos por partes, né? Eh, a rancas é uma doença já antiga, de milhares de anos de de, né, tem relatos, né, até na era antes de Cristo. Eh, mas é uma doença causada por uma bactéria, o micobactéria um lepre. E ele tem uma afinidade pelos nossos ramos neurais, os nossos nervinhos, principalmente os nervos que fazem a sensibilidade da nossa pele, né? Então, quando eh a pessoa começa já a sentir alguma perda dessa sensibilidade ao tato, ao calor, a à dor inclusive, eh já é um sinal já avançado aí que a doença está cometendo, né? Então, ã, ela pode causar tanto essa perda de sensibilidade, mas também causar alterações motoras, como perda de força, né? a pessoa que começa a perder força no sentido às vezes até de pegar uma panela de um lado pro outro, né, de escrever, de segurar uma caneta ou de segurar um chinelo no pé, né, ou às vezes até mesmo, às vezes é difícil de se perceber, mas a perda de força de abrir os olhos, por exemplo, né, de colocar os óculos, né? Então são sintomas e sinais que a doença vai causando por causa desse acometimento dos nossos nervos periféricos que a gente coloca. Mas eh então assim, é uma doença que ela leva de 5 a 10 anos para se manifestar, né? Como eh dependendo da carga que você infecta, se for muito baixa, ela se torna mais lenta ainda. Então é uma doença que demora muito tempo a a se manifestar. E hoje nós estamos percebendo que o mais importante do que o sinal cutâneo, né, a lesão de pele, porque muitas pessoas acham que a anci é basicamente uma doença de pele, mas antes dela ser de pele, ela é uma doença do nervo. Então, muit das vezes os pacientes ficam anos e anos sentindo dores nos nervos, sentindo dormências, formigamentos, câras, né, e que isso não é pensado em rancenias. Esse é o nosso grande problema e desafio que a gente tem com a rancíase hoje para depois de um tempo os sinais cutâneos, né, as manifestações da pele aparecer, né? Então hoje, eh, eu, com tanto, mais de 30 anos trabalhando com rancenias, eu percebo que você fazer o diagnóstico de rancenias porque tem uma lesão de pele, eu já cheguei tarde, sabe? A o diagnóstico já deveria ter sido feito há mais tempo, né? Por quê? Quando eu faço um ultrassom de nervos desse paciente, por exemplo, eu vejo a doença como ela está por dentro e aí eu já encontro vários nervos acometidos. Às vezes a paciente assim só tem uma lesão de pele, mas ela tem dois, três nervos já cometidos. Então, a nossa luta como Sociedade Brasileira de renenologia é buscar trazer para o nosso sistema de saúde SUS, né, a as questões mais modernas e uma delas é o ultrassom de nervos, que é um exame excelente para ver a doença antes que a pele tenha acometimento. Perfeito. O doutor comentou sobre essa questão, né, dos sinais, falando um pouquinho sobre a sensibilidade, que é algo inicial, então, dessa doença. Quando fala sobre a questão cutânea da pele, seria ah o caroço que apresenta isso. Antigamente era considerado também algo assim que as pessoas tinham um preconceito, né, pouco falado sobre essa doença. Talvez seja por isso que o diagnóstico precoce ele não é tão realizado diante desse preconceito ou diante das pessoas não saberem de fato quais são os sinais dessa doença. É, você é assim, eu costumo dizer, né, pros meus pacientes e para pros meus alunos, né, que eh só o conceito destrói preconceito, né? Então, como as pessoas não recebem informação sobre a a doença, né? Então, se essas informações não chegam, eh, cria um ambiente muito grande pro preconceito, principalmente porque a gente tem textos bíblicos, né, fadados assim de muito preconceito, porque era de uma realidade daquela época e que não, isso não é atualizado. Então, a doença lepra antigamente ela era dada assim como uma sentença de exclusão para aquele indivíduo, coisa que hoje é inadmissível, porque nós temos, estamos falando de uma doença que hoje tem tratamento, né, com antibióticos, tem cura, a pessoa pode conviver normalmente com as outras pessoas, não precisa ser, né, se excluir nada, né, nem talher, nem colher, nem eh xícaras, o convívio ele pode ser absolutamente normal, principalmente se esse indivíduo já estiver em tratamento, né? 48 horas depois da primeira dose do medicamento, eh, os bacilhos eles se tornam inviáveis paraa transmissão em mais de 95%. E segundo a literatura, depois da segunda dose do tratamento no segundo mês, esse vacilo é 100% já ele não tem condições de ser transmissível, né? a pessoa precisa se tratar por 12 ou 6 meses, mas isso é por outras questões pra gente conseguir exterminar o bacilo do indivíduo como um todo. Mas a transmissão ela é praticamente nula. Por isso que eu as pessoas me perguntam, né, se eu não me preocupo tanto com os meus pacientes. Eu com meus pacientes eu não me não me não me eu não me preocupo tanto porque eles estão em tratamento, né? A minha maior preocupação é quem convive comigo não sabe que tá doente e que muita das vezes não quer nem buscar ajuda para se diagnosticar e consequentemente se tratar, né? Então essa é uma questão que a gente leva sempre em consideração eh em relação ao preconceito. Muit das vezes isso existe porque as pessoas não conhecem mesmo, né? Por isso a importância de estar aqui falando com você, pro seu público, trazer um pouco de informação sobre Raniles. Exatamente, né? E o mês dedicado a isso também, né? Que trabalha com todas essas questões de desmistificar essa questão da do preconceito, né? Falando sobre a doença, que ela tem sim tratamento, ela tem cura e falando também exato sobre essa questão do contágio, né? porque ela é, ela não é altamente contagiosa. Se esse paciente, esse indivíduo, ele já está em tratamento. Então, porque muita gente acredita que um abraço, um aperto de mão, isso faz com que o contágio seja, né, passado, que a transmissão seja realizada ali naquele abraço, naquele contato com uma pessoa que está doente. E isso de fato não é desta maneira, né, doutor? É a questão a gente separar um pouco, principalmente pós-pandemia, né? A gente discutiu muito transmissão, pandemia, na pandemia de Covid, isso a transmissão era um vírus. Então esse vírus, a transmissão é muito, infinitamente muito maior de transmissão do que o bacilo da rancenías. Segundo a literatura, né, 90% da população tem uma defesa contra o bacilo da rancenas. Praticamente no Brasil, quase todos já entraram em contato com o bacilo, só que muitos estão dentre esses 90% que tem uma proteção natural, só 10% vão desenvolver as várias formas da doença. Eu queria só fazer uma colocação em relação a você, quando você falou sobre os caroços, né, sobre os nódulos. Na verdade, de fato, os nódulos são a fase mais avançada da doença, né? Mas ela se manifestam, né, durante um longo tempo, ela vai se manifestar primeiro com os sintomas, como eu falei, né, dormência, formigamento, câras, principalmente à noite, eh, dores nos nervos. Muitas pessoas, principalmente pessoas mais velhas, né, depois dos 60, assim, muita dor começa a aparecer, as pessoas, ah, isso é dor de velice, né? E e muita das vezes isso é por causa da rancenase e não é pensado nem pelo paciente, nem pelo médico que tá atendendo, mas depois as manchas de pele vão aparecer. E dentro dessas manchas, você tem manchas que são inicialmente mais esbranquiçadas, que são hipocrômicas, né, numa forma mais inicial da da doença ranceníase na pele. Depois essas manchas eh podem aparecer também lesões avermelhadas, placas avermelhadas mais elevadas que a pele. Todas essas lesões vão ter alteração de sensibilidade. Você toca dentro da lesão, você vê que tá sentindo menos ou nem tá sentindo o toque de um algodãozinho ou de um fio dental que seja, enquanto na periferia você sente normal. Isso é praticamente o diagnóstico de rancinêas. a pessoa deve procurar a unidade de saúde para se informar e buscar o seu diagnóstico e tratamento. Perfeito, doutor. E falando na fase mais avançada, desculpa, na fase mais avançada você vai ter mesmo, né, o paciente que vão apresentar vários nódulos. Essas são as formas que a gente chama de vixovianas, que são as formas mais avançadas e são mais transmissíveis, na verdade precisam ser tratadas o mais breve possível. Nessa questão então do da parte mais grave, né, dessas eh dos caroços, como ah o senhor mesmo mencionou, né, em relação a esse paciente, qual é o tratamento neste caso? ele consegue depois o corpo volta. Como que funciona esse tratamento específico? Além do tratamento com antibiótico, né, nesse nessa fase inicial, queria que retomasse um pouquinho sobre o tratamento. Então, o tratamento ele não muda muito da fase inicial quanto da fase mais avançada. O que muda às vezes a questão é o tempo. O tratamento é único com esquema de antibióticos que existe na rede SUS. disponível. Você vai tratar durante 6 meses para aqueles pacientes que t menos lesões, né, que até cinco lesões. Eu e na verdade são pacientes que tm uma carga bacilar mais baixa, enquanto aquele que trata a que tem uma carga maior, como esses que eu falei com você, vão tratar de 12 meses ou até 2 anos de tratamento, mas é geralmente é com o mesmo esquema terapêutico feito à base de antibióticos, entendeu? Eh, quanto mais cedo nós chegarmos, melhor é pro paciente, porque as lesões elas vão desaparecer, não vão deixar sinais e, principalmente, as lesões dos nervos, elas vão se recuperar, né? Então o nervo é um tecido muito muito especial, né? Então assim, se eu chego muito tardi e a agressão já foi muito grande, o paciente pode evoluir com sequelas. Eu mato os bacilhos, mas as lesões nos aconteceram. Então é isso que a gente que como sociedade brasileira de ranenologia nós batalhamos muito para que as pessoas pensem na ranceneza o mais cedo possível, para que o tratamento seja também mais cedo possível e ele tenha recuperação da sua sensibilidade. Ele volta a sentir aquela área que ele não sentia, né? Ele com isso ele volta à suas atividades normais muito mais cedo, né, e sem deixar sequela, que esse é o problema. Quando atinge a parte motora, né, o nervo já tá muito agredido, o paciente, por exemplo, pode fazer uma garra igual essa que eu tô mostrando aqui no meu dedinho. Então, por exemplo, se o paciente evoluiu dessa forma, como que ele vai pegar a xícara para tomar um café? Como ele vai pegar os óculos? Como é que ele vai colocar os óculos? Ou seja, ele tá tratado, ele tá curado, ele tá tratado. Curado, ele não tá, porque essa sequela aqui vai ser muito difícil eu recuperá-lo, né? A não sei, eu vou ter que fazer uma cirurgia para pôr o dedo dele novamente reto. Você tá me entendendo? Então, essa é a grande eh assim luta da sociedade brasileira. Ela fala muito, né, na campanha Todos contra rancenias da sociedade. Nós trazemos o questionário de suspeição de rancenias, que tem vários sintomas lá, né, que são precoces. Tem os sinais de pele também, mas também tem até os sinais de perda motora. Mas o que a gente quer é que a pessoa leia, aprenda um pouco sobre a doença e se auto, pelo menos se autoavalie, né, no sentido, se tiver um daqueles sintomas, procure o serviço de saúde, né, principalmente nesses sintomas de dormências, formigamentos, câbras e dores noss quatro principais que a gente vê que os pacientes ficam aí 2, 3 anos e para com 4, 5 anos a lesão de pele se apresentar. Então, a gente já tem sinais, né, tem importantes dados. Quando o paciente vem com esses sintomas, nós temos como avaliar a sensibilidade de periferia, né, dos pés, das mãos. a gente fazer avaliação dos nervos, fazer outros exames complementares que possam antecipar o diagnóstico antes que a lesão de pele apareça ou até mesmo as lesões, né, motoras que eu falei para você como exemplo. É perfeito. E é importante, né, a gente falar sobre essas a questão das sequelas também. E o mais importante é que o tratamento ele é realizado gratuitamente, né, doutor, no Sistema Único de Saúde. Então, as pessoas têm esse fácil acesso a esse tratamento, né? Sim. O o hoje toda a rede SUS, né, a atenção básica, atenção primária, ela está assim habilitada a fazer o reconhecimento da suspeita clínica de ricenas e até mesmo de tratar. Nós como sociedade eh brasileira de renologia, nós estamos lutando muito porque eh como a doença é pouco falada, as escolas também elas estão ensinando pouco ranceníase, né? Então os nossos profissionais de saúde eh no Brasil como um todo, eles estão saindo das escolas médicas sem ter experiência factual ali com os casos de rencenias. Então, muit das vezes eu falo que os médicos deixam passar muito facilmente a oportunidade de se fazer um diagnóstico antecipado, né, um diagnóstico precoce da rancenase, né? Mas eh toda, se o paciente tiver alguma dúvida, procure a unidade de saúde. Se ele for diagnosticado, ele pode ser tratado é na unidade básica, lá na no postinho perto da casa dele e o medicamento vai chegar lá no posto perto da sua casa, né, da casa do paciente, em qualquer lugar do Brasil. Isso a gente tem essa garantia da rede SUS interligada que nós temos no Brasil. E doutora, falando um pouquinho e é gratuito. Exatamente. É gratuito. E isso é realmente muito importante, né, para as pessoas se conscientizarem da gravidade também, né, que tem aí os níveis mais graves da doença, mas que com esse diagnóstico precoce e com esse acesso facilitado, eles podem realmente aí ter uma qualidade de vida. E falando sobre a questão de qualidade de vida também, eh, em um ponto, né, determinante da doença, acredito que isso também acaba afetando o emocional desse paciente, né, no caso de uma sequela, como que, eh, o senhor lida com essa questão também do emocional, porque há muitas restrições quando ele chega num determinado grau aí dessa dessa doença. No caso, se tiver uma sequela, não conseguir levantar uma xícara, não conseguir colocar os óculos, como o senhor mesmo mencionou, isso acaba afetando também o psicológico desse paciente, né? Então, eh, excelente você tocar nesse assunto, porque ele é um assunto que é triste, né, assim, é difícil a gente lidar com isso, né, no dia a dia, mas eh muit das vezes isso afeta muito mais o paciente quando o diagnóstico já é feito tardio. Por isso a gente volta a insistir em fazer o diagnóstico oportuno, né, o diagnóstico precoce. Mas lógico que vão vir pacientes para que nós demos diagnóstico e já estão, infelizmente, sequelados, né? Eles já t apresentando, já chega mancando porque o pé não consegue subir, né? Isso são situações que nós precisamos eh oferecer, por exemplo, uma reabilitação. Então, a fisioterapia, terapia ocupacional são funções, né, são profissionais importantíssimos para nos ajudar nesse sentido da recuperação dessa musculatura que ficou muito tempo desestimulada, né? Fora isso, eh, nós temos situações sérias, né, do paciente que é mandado embora da empresa porque, por exemplo, é um açogueiro e que perdeu a força da mão dele dominante, como ele vai cortar. Ou seja, então assim, a gente tem, tenta orientá-lo no sentido, né, dele buscar os seus direitos junto ao INSS, a previdência social, né? Esse é um outro ponto, mas também eh nós precisamos orientá-los eh no sentido de dessa discriminação, que muit das vezes o paciente nem tem as sequelas, mas só por o o a a as pessoas que trabalham com ela ficarem sabendo do diagnóstico ou o patrão ficar sabendo do diagnóstico, ela começa a ser discriminada, às vezes mandada embora. Ora, né? Então, tem uma orientação do próprio paciente que ele pode procurar a ouvidoria do SUS para fazer essa denúncia de preconceito que ele sofreu. Isso também, né, é uma maneira do paciente eh a a a conseguir aí, né, algum benefício nesse sentido. E a gente trabalha muito com movimentos sociais como o MHAN, que é um movimento específico das pessoas atingidas eh pela rancenese, que acabam dando um apoio importante a esses pacientes de orientação até mesmo dessas questões legais, né? Mas o que nós precisamos passar eh de mensagem é que as pessoas se tornem fiquem alerta aos sintomas, né, as lesões de pele quando elas aparecem, mas que procurem sempre se informar, ir à unidade de saúde, se certificar se aquilo se trata ou não de rancenas e se for, é uma doença infecciosa como outra qualquer e que tem cura, tem tratamento e o paciente tem total condições de sair sem nenhum um sinal de sequelo. Muit das vezes essa negação é que vai fazer retardar o diagnóstico e o paciente vai voltar mesmo quando ele já tiver uma sequela instalada. É isso que nós como sociedade não queremos. A gente quer que as pessoas venha e se tratem cada vez mais cedo. Essa é a nossa grande mensagem. Por isso que a campanha #todoscontra ranceníase é uma campanha que comunica muito, conversa muito com a população. Entre no nosso site da Sociedade Brasileira de Ranenologia, né, que é é o wwwenologia.org.br, br, que lá vocês vão encontrar informações, né, verdadeiras, corretas e bem basadas na ciência e atuais sobre o que é rancenías e como lidar com esse diagnóstico. Perfeito. E Dr. Marco, falando ainda, né, um pouquinho sobre a questão da do paciente, ele fica com a imunidade, né, um pouco mais baixa. Como que é nessa questão? Há alguma restrição alimentar, alguma restrição de de medicamento no período do tratamento? Como que funciona? Nossa, excelente as suas perguntas. São eh a primeira que eu queria colocar é sobre essa questão de imunidade. A questão de imunidade na rancenesa é uma coisa muito específica. As pessoas acham que ficar tomando antibiótico durante muito tempo vai fazer minha imunidade cair. Isso tudo é fake news. na verdade assim, eh, você tem um descontrole, uma disbiose, né, que você muda, na verdade, porque todos nós somos cobertos de pequenas bactérias, né, de bactérias que são naturais, nossas, vamos dizer assim, e elas acabam controlando, né, a o número de bactérias para impedir que outras bactérias cresçam, mas também, por exemplo, fungos também cresçam e comecem a ser prejudiciais a nós, né? Então, como eu vou usar antibiótico durante muito tempo, esse número de bactérias também vai diminuir. Então, nós vamos ter mudanças nas relações entre esses microrganismos da nos do nosso corpo, tá? Então, muit das vezes, eh, por exemplo, o paciente começa a tratar, passa um tempo, ele começa a desenvolver algumas micoses, ou seja, é porque houve esse descontrole, a bactéria for as foram eliminadas, eliminadas, o fungo cria barreira, né, cria liberdade de crescer e se manifestar patologicamente, tá? Então essa é uma situação que assim você tem que controlar essa esse fungo, a gente tem tratamentos tranquilos sobre isso, né? E o paciente vai seguir o tratamento dele. Então na vão ter alguns efeitos colaterais com o tratamento, isso também é esperado, mas são todos que nós conseguimos lidar, o médico precisa ser informado e ele vai mudar o esquema. às vezes não, mas também ajustar, por exemplo, como esse tratamento para as micoses, por exemplo, mas não altera a imunidade como as pessoas pensam. Outra questão que você trouxe é essa relação com alimentação, né? Ah, pode comer carne rançosa, né? Essas conversas que a gente ouve, isso também é tudo muito lenda, tá? nós não temos eh nenhuma relação com o tratamento e a gente, eu não oriento nenhuma restrição pros meus pacientes. Eu só eh o que eu oriento é a diminuição da ingesta de álcool, né? Porque às vezes as pessoas bebem muito desenfreadamente e eu oriento que ela vai precisar do fígado dela durante um ano para fazer esses antibióticos serem metabolizados. Então, se é uma pessoa que ingere muito álcool, isso vai ser um prejudicial muito grande. A gente corre o risco de ter aí uma hepatotoxicidade, uma uma toxicidade do fígado, até então eu oriento muito os meus pacientes a não beberem ou diminuírem consideravelmente a ingesta de álcool. É a única restrição que nós temos. Eh, a rifampina, que é um medicamento, um dos medicamentos do esquema, ela precisa ser tomada em jejum, porque senão ela perde o efeito colateral dela, ela toma uma vez por mês só, né? Então o paciente precisa ser orientado. Eh, são essas orientações que eu passo pro meu paciente na grande maioria das vezes. Maravilha, Dr. Marco. Agora eu vou falar um pouquinho sobre essa questão do fator de risco, né? existe um fator de risco ou vários fatores de risco para esta doença e também queria que falasse um pouquinho sobre a faixa etária, né, que a quais são os pacientes que são mais acometidos, né, com essa doença, se tem uma idade que começa a surgir. Então, o fator de risco principal para a a aquisição, né, a contaminação para rancenias, de fato, ah, é conviver com pessoas que estão doentes e não estão se tratando, né? Esse é o maior fator, né? Quem é contactante de paciente com rancenase tem em torno de 10, 12 vezes mais chance de ter ranceníase do que não tem. Então o alerta é para quem tem um diagnóstico de rancenia se preocupar com a sua família, né? Porque muit das vezes a gente vai investigar encontra um, dois pacientes da mesma família. Então isso é muito importante. Ah, eu vou usar vou usar máscara, vou usar isso. Na verdade não adianta, por se você tem o diagnóstico, se o paciente foi diagnosticado hoje, ele não pegou essa doença ontem, né? Ele pegou essa doença há 2, 3, 5, 10, 20 anos. Tem vários relatos na literatura. Então não adianta ter esse pânico muit das vezes, né? Ah, eu vou atender meu paciente de luva. Primeiro que a doença não passa pela mão, né? Ela é uma doença que vem pelas vias respiratórias, por gotículas. Eu tô falando aqui, se eu não estou em tratamento, sou um doente, ou seja, eu tô julgando perdigotos aqui. Então, tem vários trabalhos mostrando que, por exemplo, análise de terra, né, de áreas de pacientes com ancenias, você acha fragmentos do bacío, entendeu? Então, a gente eh orienta os pacientes eh nesse sentido, teve o diagnóstico, o que que ele vai fazer de prevenção? E o médico também. A minha responsabilidade não termina no diagnóstico do paciente. Eu tenho que saber com quantas pessoas ele convive, como é o trabalho dele, porque às vezes ele convive pouco com a família, mas no trabalho fica lá 8 horas num quarto, num cômodo de 2x do e com outra pessoa. Ou seja, a transmissão laboral, né, no trabalho vai ser maior do que na própria família, né? né? Então assim, por que que por isso que a gente tem essa relação de rancenase com a pobreza, por muit das vezes eu vou vou encontrar muito mais pacientes, por exemplo, numa comunidade, porque as pessoas vivem às vezes em barracas, né, em casas que tem um cômodo e vivem ali cinco, seis pessoas. Então, se tiver um doente ali no meio, a transmissão vai ser muito maior, né? Mas isso também não impede que a rancenese também atinja pessoas que moram em casa, duas, três pessoas morando em sete cômodos, tá? Então, eh, mas o maior risco aí é cuidar da sua família, né? A partir do momento que você tem o seu diagnóstico, eu vou ter que avaliar a sua esposa, vou ter que avaliar os filhos, vou ter que avaliar, ah, os netinhos não saem daqui de casa. Olha, a gente precisa avaliar a sua família como um todo, porque se tiver um indivíduo, eu preciso tratar todos, né, para que não haja contaminação depois até mesmo do próprio paciente que tratou, tá? Perfeito. E é importante mesmo, né, essa colocação, eh, de prestar atenção e o próprio paciente também, né, se colocar nessa situação de ter esse olhar, esse cuidado com ele principalmente e também com as pessoas que estão em volta e falando também nessa questão, né, de do apoio, né, a família também apoiando, os amigos apoiando, isso também dá mais eh importância para esse paciente, para ele continuar no tratamento e fazer o tratamento mesmo arrisca, né? Não interromper, né, doutor? Então esse é isso é super importante que você tá falando, porque muit das vezes o paciente vem porque ele tem uma clínica bem importante e tal, aí a gente faz o diagnóstico e a primeira pergunta que ele faz é essa, de onde eu peguei isso, né? Eu disse: "Olha, a o primeiro lugar nós temos que pensar na sua família, mas o que eu posso te dizer é que essa doença você não pegou ontem. Então isso pode ser da sua infância de 20, 30 anos atrás e que agora tá se manifestando, né? Então essa é uma situação que nós colocamos pro paciente. E muit das vezes se avariar a família, o que que acontece? Eh, quando você vai examinar a família, às vezes você encontra pessoas que têm doença num estágio muito avançado, porque começa essa história, eu peguei de quem? Isso é o que eu falo com ele. Falei assim: "Olha, não tente buscar isso, né? Na verdade, você pode ter pego de pessoas dentro da sua própria família cujos sintomas ainda nem apareceram, né? que ainda não estão se manifestando e a gente precisa é só examinar para ver se a gente acha, né? Então as pessoas começam tem uma carga muito grande com culpa, sabe? E esse é o problema. A gente não pode ter essa leitura, ninguém pega porque mandou o outro pegar e nem pega por questões aí ligadas à culpa, né? Você está pagando, né? Porque antigamente era uma história era vista que a a rancenias, né, a lepra na época era um castigo divino. Isso a gente tem que se desmistificar disso. Na verdade é uma doença como outra, qualquer uma doença infecciosa que a gente não pode perder tempo de deixar de tratar para que esse bacilo seja liquidado e a gente interrompa a cadeia de transmissão o mais breve possível naquela família, naquela comunidade, entendeu? Maravilha, Dr. Marco. Muito obrigada pelas suas informações. Obrigada por trazer todo o seu conhecimento, né, como presidente da Associação Brasileira, passar todas essas informações, tirar essas dúvidas também, né, falar o que é mito, o que é verdade sobre essa doença e deixar essa mensagem importante, né, sobre o tratamento, a cura. A medicina está avançada cada vez mais e o principal que o tratamento ele pode ser realizado gratuitamente e aproveitando, né, esse mês de janeiro, janeiro roxo, para falar dessa conscientização e levar a informação cada vez mais para as pessoas terem acesso a essa doença pouco falada, mas trazendo essa informação que a cura com esse diagnóstico precoce. queria que o senhor desse aí as suas fizesse as suas considerações finais. Então eu que agradeço aí a oportunidade de estar falando com Rancas e o que eu trago de mensagem que você falou, né? ciência tá avançando e na rancinese também a gente tá avançando. da Sociedade Brasileira de Raninologia lançou o consenso de tratamento, né, terapêutico da ranciníase, trazendo drogas, eh, esquemas novos, na verdade, novas drogas estão chegando e a nossa luta é de que essas drogas também entre e no rol do Sistema Único de Saúde para que a população possa ter, né, eh, esses novos medicamentos, esses novos esquemas que são mais eficazes, né, para o uso gratuito na rede. Então essa é a nossa luta e eu trago aí sempre a minha mensagem, né, sobre só o conceito destrói o preconceito. Então nós precisamos hoje nós temos uma gama enorme de informação. Eu oriento sempre que a pessoa acesse, né, o site da sociedade brasileira, né, o sbrancenologia com h, né.org.br ou o todos contra rancenias. Vocês vão encontrar o questionário de suspeição de Rancas, está lá, tem lá as questõezinhas para você responder. E se responder algumas dessas perguntas, procurem a unidade mais próxima de saúde para que possa pensar, refletir sobre as rancenias, principalmente nesse janeiro roxo, que é o mês que a gente para oficialmente para falar mais sobre rancenias, mas a doença tá aí o ano inteiro, né? Então a gente tem que estar sempre em alerta. Eu agradeço mais uma vez a oportunidade da TV Câmara em fazer, né, trazer esse espaço, me dar esse espaço para falar um pouco sobre a RCINS. Muito obrigada a vocês, viu? Muito obrigada. Nós que agradecemos aqui da TV Câmera. Saúde é vida. Bom, você agora acompanha, né, a programação da TV Câmera ao vivo. Nós ficamos por aqui. A gente conversou com Marco Andrei Cipriane Frad, ele que é rancenologista, dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Ransenologia. Espero que você tenha gostado e eu te espero no próximo programa. Até mais.
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