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[música] [música] Olá, saúde a vida começando e no programa de hoje vamos falar sobre a campanha de conscientização dedicada à endometriose março amarelo, que tem por objetivo alertar a população sobre os sinais, sintomas, mais do que isso, a importância da realização dos exames preventivos. Para abordar então esse tema, nosso convidado de hoje é o Dr. Sérgio Podigaec, ele que é ginecologista e obstetra. Seja muito bem-vindo, Dr. Sérgio. Olá, Cassene. Olá a todos que estão assistindo a gente. Bom, Dr. Sérgio, pra gente iniciar então esse nosso bate-papo, né, vamos começar falando, né, do princípio mesmo, o que é a endometriose, como que ela age, né, no nosso organismo, como que o corpo da mulher ele eh é alertado, né, com essa doença. Então, a endometriose é uma doença que ela eh afeta mais ou menos 10% das mulheres eh na fase da vida em que menstruam. Eh, então é muito infrequente ter criança e depois da menopausa a doença tende a a diminuir. E endometriose é quando o tecido que fica dentro do útero, que é aquele tecido que a mulher menstrua todo mês, ele chama endométrio, ele aparece fora do útero. Então é isso, é endometriose. É o tecido que deveria estar só dentro do útero, aparece fora do útero. E é mulheres que tm endometriose podem desde não sentir absolutamente nada até terem sintomas que podem afetar bastante a qualidade de vida dessas mulheres. Então, terem elas podem ter cólica menstrual muito forte, podem ter dor durante a relação sexual, podem ter dor fora do período menstrual na região pélvica e também podem, algumas dessas mulheres podem ter dificuldade para engravidar. Então, eh, as mulheres que têm esses sintomas não devem menorzar o os sintomas e devem procurar os seus médicos, os seus médicos do posto de saúde, os seus clínicos e preferencialmente os seus ginecologistas e se queixarem disso para que esse diagnóstico possa ser feito. Certo, Dr. Sérgio, é difícil esse diagnóstico, né? Porque a gente fala sobre esses sintomas, esses sinais, no caso, uma cólica muito forte, mas tem mulheres que acreditam ali que seja por conta do ciclo mesmo, às vezes elas não dão tanta importância à endometriose, né, a a essa doença. E existem tipos diferentes de endometriose. Isso. Você tocou num ponto muito importante. Eh, o, esse diagnóstico ele deve começar nos consultórios médicos, dos médicos generalistas, dos ginecologistas, justamente quando a paciente fala: "Olha, a minha cólica não é aquela cólica que eu tomo um buscopan e já tô melhor ou coloco uma bolsa de água quente e tá tudo bem". Normalmente são cólicas muito fortes, incapacitantes, que a paciente não vai na escola, não vai trabalhar, eh eh realmente afeta a o dia a dia dessas mulheres. Então, para essas pacientes, alguma coisa deve deve ser um sinal de alerta. E aí, como se faz esse diagnóstico? O médico deve examinar a paciente porque pelo próprio exame ginecológico simples, muitas vezes já é possível se ter uma ideia que a doença eh pode estar presente. E depois exames de imagem, eh ultrassom, ultrassom transvaginal ou eventualmente uma ressonância feita por médicos experientes com protocolos para eh descobrir endometriose. Esses exames podem sim ajudar no diagnóstico. Existem tipos diferentes de endometriose. É verdade. As a doença mais simples até uma doença mais séria que pode acometer, por exemplo, o intestino, a bexiga, cistos de oválio muito grandes e e isso eh normalmente pode eh se relacionar com o tipo de sintoma que a paciente pode ter. Então, eh, é uma doença em que, ah, o, o sintoma inicial deve ser um alerta para que o diagnóstico seja feito. Certo, Dr. Sérgio? Mas nem sempre, como o senhor mencionou, o paciente ele tem esse sintoma, né? Ele tem esse sinal. Tem algo então que caracteriza a endometriose sem esses sinais. por exemplo, um fluxo intenso ali, né, da o ciclo menstrual, ele fica mais intenso, eh, a barriga ela fica mais inchada, o abdômen, tem algum sinal que pode ser também assim comparado com um sintoma de endometriose que pode levar a esse diagnóstico? Sim, com certeza. O que eu falei são os os sintomas mais comuns, mas a as pacientes podem ter outros sintomas que estão associados a esses, como você falou, um inchaço na barriga, a dor que a inicialmente é pélvica, ela pode se espalhar para uma dor mais abdominal. E e eh mulheres que têm toda pessoa, na verdade, que tem dor crônica, né, uma dor constante, acaba tendo, podendo ter outros sintomas, a a pessoa ficar mais cansada, eh sintomas eh eh emocionais podem aparecer com ansiedade, depressão, justamente pelo fato de e muitas vezes não conseguirse chegar num diagnóstico e e o tratamento ele fica eh comprometido por causa disso, certo? Eh, e tem alguma, a gente consegue mensurar, Dr. Sérgio, quais são os fatores de risco? É algo também que a gente pode falar se é genético ou não, hereditário ou não? Perfeito. Também. E sempre que a que uma paciente, uma família, né, eh eh se depara com o diagnóstico de endometriose, as pessoas perguntam: "Mas por que que essa doença apareceu?" Eh, e o o a a teoria mais aceita para para descrever o surgimento da endometriose é que tem a ver com a menstruação. Então, mulheres que têm eh o um fluxo um pouco mais forte, elas acabam podendo ter um risco um pouquinho maior de endometriose e tem a ver com uma questão hereditária também. Então, se a mãe teve endometriose, uma irmã, uma tia, alguém, algum parente próximo, também é um sinal para que eh essa essa essa paciente ela se preocupe com o risco de ter endometriose também. Nesse sentido, eh, tem alguma relação então de adolescentes serem diagnosticados com endometriose ali o a o início, né, da puberdade, o primeiro ciclo menstrual? Acontece isso ou é mais raro? Ou a pessoa ela tende a ter endometriose, a endometriose na fase mais adulta mesmo, Dr. Sérgio? Não, um adolescente também pode ter endometriose, como eu falei no comecinho, é uma doença que ela afeta mulheres durante a gente chama idade reprodutiva ou durante o período da vida que a mulher menstrua. Então, conforme a a menina adolescente, ela começa a menstruar e os ciclos repetidos de de menstruação podem fazer a endometriose aparecer. Então, na adolescência, a adolescência é um período em que, conforme as queixas dessas dessas meninas, dessas adolescentes, a gente tem também que se preocupar com esse diagnóstico, tá? Então, durante toda a vida, né, em que a em que a mulher menstrua, a endometriose pode aparecer sim, a gente tem que tomar cuidado com isso e não dizer para uma adolescente: "Ah, ela tem cólica, isso é normal". Não, não é essa atitude que tem que ser tomada. Se a queixa é intensa, a gente tem que investigar e tratar, né? Primeiro sinal, né? A cólica forte já é o primeiro sinal que a pessoa deve buscar o atendimento médico para já iniciar esse diagnóstico, né, Dr. Sérgio. E uma vez diagnosticado, então, como que é feito esse tratamento, né? Qual que é o primeiro passo após o diagnóstico? Olha, a gente fala que o tratamento como de várias doenças, né, o da endometriose também é um tratamento multidisciplinar. A gente não pode só prescrever uma medicação e achar que é isso que vai resolver. Então, mudanças de estilo de vida, eh fazer atividade física, uma boa alimentação, diminuição de estresse, todo o ambiente, né, que que envolve eh o dia a dia da dessa paciente, ele tem que ser eh verificado. mais de tratamento medicamentoso, a primeira opção, normalmente quando a doença não é muito grave e, claro, quando a paciente não quer engravidar, é um tratamento hormonal com eh métodos anticoncepcionais, ou pílula anticoncepcional ou um injetável, uma injeção, ou um dial com hormônio. Tem várias opções, eh, que podem ajudar essa paciente. E normalmente em torno de 70% aí das pacientes melhoram com esse com esse tratamento. É um resultado bem interessante aí para essas pacientes. Em que momento, Dr. Sérgio, é recomendado fazer, né, a cirurgia? Então, e é como eu falei, né, é um tratamento multidisciplinar. A gente normalmente quando a doença não é grave, começa com o tratamento hormonal. podemos trocar o tratamento hormonal se a paciente não se adaptou direito. Agora, se não melhora com o tratamento hormonal depois de alguns meses eh eh tentando ou se a doença vai crescendo com o tempo e ou como eu falei, se é uma doença mais grave, que a gente vê nos exames de imagem, uma doença mais grave, aí sim o tratamento cirúrgico é recomendado. E o tratamento cirúrgico normalmente é feito por uma cirurgia que a gente chama minimamente invasiva, ou seja, é uma cirurgia por laparoscopia, com incisões pequenas que a gente faz no abdômen, que pode ser uma laparoscopia, digamos, convencional ou com robô, uma cirurgia robótica, em que eh normalmente a a é feita a remoção dessas lesões, desses focos de endometriose, eh para que eh a paciente melhore da da dor ou consiga conseguir engravidar, dependendo ali do do objetivo dessa dessa paciente. E o tratamento cirúrgico feito por equipes experientes, equipes especializadas tem um resultado excelente também. Então, a endometriose tem um estigma de ser difícil diagnóstico, difícil tratamento, mas aqui no Brasil a gente tem eh serviços eh tanto privados quanto públicos em em no sistema de saúde de forma geral, que conseguem dar um bom atendimento para essas pacientes. Exatamente, Dr. Sérgio, porque fala-se muito, né, sobre a endometriose, que é um diagnóstico difícil ou que muitas pessoas acabam não indo, né, buscar essa ajuda quando sente uma dor mais forte. Mas é importante a gente ressaltar, né, não só agora falando da da campanha, né, Márcio Amarelo, mas também falar que existem sim, como o senhor mesmo mencionou, tratamentos no Sistema Único de Saúde. Tem equipes multidisciplinares, né, que já estão eh que estão aptas, né, a fazer todo o tipo de exame. São exames simples também, né? No início tem essa esse mapeamento também do paciente para saber quais são os sintomas, acaba facilitando um pouco mais nesse sentido da medicina estar bastante avançada já, né, Dr. Sérgio? Exatamente. O, olha, vou te falar, o importante é o que a gente tá fazendo agora, é, é procurar fazer as pessoas se conscientizarem de que os sintomas não são necessariamente normais, que a a as pessoas têm que buscar auxílio médico, tem a gente procura capacitar a os médicos, os profissionais de saúde de forma geral para procurar eh identificar os casos em que há uma suspeita de endometriose. Os casos mais simples, que na verdade são boa parte da das pacientes, eles podem ser tratados em ambientes eh também mais simples eh de sistema eh eh eh de eh médicos generalistas e tudo. Os casos mais complexos aí eles vão ser encaminhados pros serviços de referência. Mas o importante é essa conscientização que a gente tá fazendo com a ajuda de vocês. Perfeitamente, Dr. Sérgio, queria só contexualizar um pouquinho mais em relação eh sobre os riscos, né, da dessa endometriose no sentido mais grave dela, né? A gente falou um pouquinho da endometriose comum, desses primeiros sintomas, mas o que acontece com o corpo da mulher nessa endometriose mais grave, né? Qual o risco desse diagnóstico não ser realizado precocemente, de não iniciar o tratamento no tempo, né, correto? Precocemente mesmo, porque não existe uma cura, né, ou existe mesmo depois numa cirurgia ou com essa reposição de hormônios, com esses medicamentos, o acompanhamento ele precisa ser realizado aí continuamente, né? Perfeito. Eh, então, indo aqui pelo final do que você perguntou, verdade, a gente não pode dizer que existe uma cura, mas existe um bom controle. Então, mulheres que, como eu falei, que têm sintoma, não querem engravidar e fazem um tratamento hormonal, por exemplo, boa parte delas fica controlada. eh a dor melhora, a doença não cresce, mas o acompanhamento ele tem que ser constante. Agora, eh pode acontecer também da doença evoluir e trazer prejuízos para para essa paciente. Então, por exemplo, pode trazer dificuldade para engravidar eh entre 1/3, 40% das mulheres que t endometriose podem enfrentar eh uma dificuldade para engravidar. e dificuldade não quer dizer que não vá conseguir, porque existem tratamentos também para que essa essa paciente, esse casal consiga engravidar, desde cirurgias até tratamentos como fertilização em vitro, ou seja, existe um arsenal aí para para ajudar essas pacientes. E também eh a doença ela pode, como você falou, se tornar mais grave, pode acometer órgãos mais sensíveis como o reto, né, o intestino, a bexiga, o trato urinário. Então, a doença ela pode ficar mais grave. O nosso dever é justamente fazer isso, conscientizar as pessoas para que o diagnóstico seja feito a tempo, não nos casos em que a doença já tá mais grave, mas nos casos que é possível tratá-la, eventualmente fazer uma cirurgia mais simples para que não se para que a doença não chegue nesse nesse num problema muito maior para essa mulher, certo? E Dr. Sérgio, o senhor comentou sobre a questão da da gravidez, né, que tem aí uma uma porcentagem, né, de pessoas que conseguem engravidar. Também existe aí os existem os tratamentos, mas seria uma gravidez de risco ou não tem um acompanhamento diferenciado? Precisa acompanhar essa essa essa gestante que está com endometriose tem algum risco pro bebê? Então você sabe que ao há poucos anos começaram a sair estudos que se imaginava que não, que a paciente tem endometriosa, ah, engravidou, então tá tudo bem, mas começaram a sair estudos em que eh que mostram que mulheres que têm endometriose engravidam tem um pouquinho mais de risco de perder o bebê, então de ter um aborto ali no início do da gestação, eh de ter pressão alta durante a gravidez, Eh, então isso é uma coisa que que deve ser acompanhada nas mulheres que tm endometriose e engravidam. Como eu falei, nem todas têm dificuldade para engravidar. Então, uma uma parte das mulheres tem endometriose engravida, outra faz tratamento engravida, mas aí a gente tem que ter mais atenção para essas mulheres justamente por causa dos resultados desses estudos mais recentes. Entra naquela questão, né, Dr. Sérgio, a gente sempre fala do diagnóstico, né? A importância do diagnóstico precoce, justamente para também entender qual é o objetivo dessa mulher de fato, né? Se ela quer engravidar ou não, porque existem aí os tratamentos, né, que são diferenciados aí também para cada objetivo. E tendo esse diagnóstico precocemente para saber o nível que está a doença, acaba ficando um acaba sendo um facilitador também. E isso também contribui aí paraa saúde, bem-estar, principalmente a saúde mental também, que tem afetado bastante, né, nas questões eh da mulher, se é uma mulher que quer engravidar, mas tá com a endometriose, acaba também gerando esses conflitos, né, com outras doenças também, né? Exatamente. A gente sempre tem falado que é muito importante a própria paciente não menosprezar os seus sintomas, o médico que atender também não menosprezar, não dizer: "Ah, não é nada, cólica é normal, dor na relação é normal, quando o casar passa, sabe aquelas coisas que a avó dizia?". Então isso é muito importante, a a quando há suspeita fazer o exame certo, então porque se o exame não for um exame adequado, aí ele vem normal, o médico, o paciente vai falar: "Ah, então não deve ser isso". Então o exame tem que ser um exame correto e justamente como eu falei e aí abordar a paciente de forma geral, não olhar para ela como o útero, como a endometriose, olhar pra paciente inteira. Então, se ela tiver necessidade de um apoio psicológico, como você mencionou, da questão da saúde mental, é fantástico, ajuda muito essas pacientes. Se ela precisar de uma fisioterapia pélvica, por exemplo, para ajudar na questão da dor, também importante, se ela precisar de um especialista em reprodução humana para ajudar a engravidar, então tem muita coisa de verdade que a gente pode fazer para ajudar essas pacientes. E assim, né, como o senhor mencionou também em relação a buscar essa ajuda profissional, né, de repente vai num especialista e não concorda muito ali com aquele resultado ou ficou com uma pulguinha atrás da orelha, porque a gente tem muito isso também, né? A gente também tem que prestar atenção na nossa sensibilidade. Às vezes a gente acha que alguma coisa ali não tá certo, né? Porque a gente conhece o nosso corpo, as mulheres elas tendem a ter essa percepção. Importante também buscar a uma segunda opinião, né, Dr. Sérgio, não há nenhum problema nisso, em buscar uma segunda opinião, buscar uma outra fonte ali de especialistas, mas o importante é fazer o tratamento adequado no tempo certo e também não pode abandonar esse tratamento, né? O tratamento ele tem um período, ele é a longo prazo. Como que funciona? Exatamente. Você sabe que um trabalho há muitos anos feito na Unicamp, eh eh foi uma tese de mestrado orientada aí na Unicamp, mostrou e isso ainda se mantém, a gente não sabe exatamente quanto, mas demora para as pacientes fazerem diagnóstico. Demora, em média demora 5, 7 anos. a paciente passa por alguns médicos até ela conseguir fazer o diagnóstico. Eh, e de novo, o objetivo da gente é que essa demora diminua e que o número de profissionais que atendam essa mulher também diminua para que o diagnóstico seja feito de forma mais precoce. Só que, como você falou, esse acompanhamento ele vai ser feito durante muitos anos. Eh, periodicamente a paciente vai tá tratando ou mesmo se ela já engravidou, ela vai precisar fazer um acompanhamento para que eh se algum sintoma voltar, se aparecer a eh eh alguma chance da doença voltar, todo o tratamento ele seja eficiente. Certo? Dr. Sérgio, o senhor mencionou sobre essa demora, né, das pessoas buscarem talvez esse atendimento para serem diagnosticada. É um tempo muito grande, né, muito longo aí de anos, né? O por que isso acontece? É um desafio eh enquanto médico sobre essa doença em si? Ou o senhor acredita que as pessoas elas estão eh com são mais recias assim de buscar atendimento médico, né? De procurar saber exatamente eh fazer um checkup, né? não é todo mundo que tem esse hábito de vazar um checkup, por que essa demora nesse diagnóstico e na busca por um profissional? É, são esses pontos, né, que que a gente tá conversando. Então, eh muitas vezes eh há uma demora até da própria pessoa eh eh identificar que ela precisa ir buscar o o atendimento. Então, é, por exemplo, um adolescente que começa a ter cólica, mas fala: "Não, mas não deve ser nada a cólica". Aí pergunta paraa mãe, a mãe fala: "Não, mas eu também tinha cólica e isso depois com o tempo vai passar." Então, e tem estudos que mostram que mulheres que têm endometriose começam a ter cólica cedo já na adolescência. Eh, e e aí é esse esse esse tempo é precioso para que o o diagnóstico, o tratamento seja instituído. Eh, esses exames, esse é um ponto importante, os exames mais especializados de endometriose, eles não são tão disponíveis para pra população de forma geral. Eh, a gente também tem tentado melhorar o o a capacitação dos médicos, dos radiologistas que fazem ultrassom, que analisam ressonância, mas não são exames eh eh universais, digamos. No sistema público, por exemplo, não é tão simples conseguir uma ressonância magnética. não é um exame barato, tem fila, então não é não eh tem tem vários entraves aí que acabam eh postergando o diagnóstico. Claro que tem melhorado, como eu falei, essa tese eh que foi defendida a Unicampí na Unicamp, ela tem 20 anos, mas a gente tem a impressão de que o tempo melhorou eh para não demora tanto, mas ainda demora, tá? Então, ah, e mesmo em outros países que mostram esse tipo de análise, ainda demora para se ter o diagnóstico. É um desafio, né, um desafio diário aí para para vocês, né, enquanto especialistas, enquanto médicos também, para tentar aí eh esses estudos para a população ter mais acesso, né, a esses exames, né, a gente sabe que o número aí de pessoas que necessitam do Sistema Único de Saúde acaba às vezes dificultando um pouquinho o diagnóstico justamente por esse motivo, né? às vezes a pessoa ela não tem a aquele acesso ao exame por questões financeiras também acaba eh prolongando um pouco mais esses exames. Só que acredito que o primeiro passo é seja esse mesmo, né, Dr. Sério, a gente eh levar a informação paraa população sobre o sintoma, sobre a importância do diagnóstico, a prestar atenção e continuar fazendo esses exames mesmo de um checkup, né, anual, como a gente sempre recomenda em todas as especialidades, né, que é importante, mas talvez o primeiro passo já está sendo dado, que é essa questão mesmo da conscientização, né? é a a mulher de forma geral, hein? Eh, ela ela vai mais fazer checkup do que um homem. Eh, isso é eh eh é é bem bem nítido, né? Então, eh a a em geral, né? A paciente vai num posto, vai fazer um Papa Nicolau, ela ela faz um acompanhamento, faz ultrassom, depois mais tarde vai fazer mamografia. Então, a mulher, ela tem um cuidado eh eh até melhor do que do que o homem nesse sentido preventivo. Eh, então nas conversas ali desses exames anuais e esse tipo de problema tem que aparecer. Eh, então não tem que simplesmente ir num posto de saúde no ali no, né, e falar: "Ah, eu vim só colher um papá nicola". Então, os sintomas eles têm que ser analisados e se aparecer eh esse tipo de situação cólica, como eu falei, dificuldade para engravidar, dores, a endometriose ela precisa ser eh precisa ser diagnosticada. E existe, Dr. Sérgio, alguma prevenção nesse sentido? O que que o senhor eh recomenda, né? Quais são as dicas que o senhor deixa aí para as mulheres na relação mesmo da endometriose? algo que ela pode fazer para tentar prevenir essa doença. O o maior objetivo dessa nossa conversa é justamente eh identificar se a endometriose tiver ali, identificar ela no início. Esse é o nosso maior objetivo e não fazer um diagnóstico já com a com a doença muito avançado. Então, eh, prestar atenção no próprio corpo, eh, dar atenção pros sintomas e relatar, como você falou, falou para um médico, ele não deu muita atenção, vai ouvir outra opinião até que alguém eh dê valor ali para pro que tá acontecendo. Então, eh dá atenção para pro próprio corpo e dá atenção pros sintomas e ser valorizado esse esse problema é muito importante para que a doença seja diagnosticada no início. e o com o tratamento e estabelecido fazer um acompanhamento para que se essa doença tiver evoluindo, um tratamento eventualmente cirúrgico seja realizado. Agora, de forma geral, como eu falei, todas as medidas de qualidade de vida também tem que tem que ser eh estabelecidas. Isso para mim, para você, para todo mundo, inclusive para essas pacientes que tita de endometriose, porque não tem nenhum grande estudo mostrando que eh essas medidas vão conter o avanço da doença, mas de forma geral isso é muito bom pra saúde mental de todos nós, tá certo, Dr. Sérgio? É importante então a gente ressaltar sobre essa importância mesmo, né, da conscientização, dos exames preventivos, do diagnóstico e mais do que isso também se a pessoa for diagnosticada, iniciar o tratamento e seguir no tratamento dessa doença. Além disso, né, a gente iniciou aqui o nosso bate-papo falando sobre o março amarelo, né, que ele engloba aí essa conscientização da endometriose, mas também sobre o câncer do colo do útero, né, que também é uma iniciativa aí nacional de promover a saúde da mulher. Então, a gente eh lembra que são várias doenças, né, infelizmente aí que acometem as mulheres, mas que nós temos que levar em consideração todos os sinais, todos os sintomas. E realmente, como o senhor mencionou, as mulheres elas vão mais eh no médico, né? Elas tendem a prestar mais atenção nessa questão mesmo de de da saúde, dos exames preventivos. E lembrando que não somente no março amarelo, né, que existe também essa questão do câncer do colo de útero, muitas vezes a gente vai fazer a pesquisa, vai fazer esse roteiro aqui, Dr. Sérgio, e a gente acabou eh linkando algumas informações sobre o câncer com endometriose, mas elas não têm relação, né? Não é assim, é uma relação muito muito muito pequena. Eh, em tudo. Na medicina se fazem estudos de associação. Ah, aconteceu uma coisa, então pode estar associada com outra. Então, eh eh mulheres já mais perto da menopausa, que podem ter tido endometriose ou que às vezes tem um cisto de oválio por endometriose, coisas muito específicas, Ciene. Eh, às vezes a endometriose pode se associar a uma transformação para um câncer de ovário, mas eh não dá para dizer de forma nenhuma de que a endometriose tá associada ao câncer. Então não é um alerta, as pessoas não precisam ter esse stress, nem ficar preocupadas. São situações muito específicas, eh, que que não devem ser generalizadas para não gerar pânico. Então, não, não, a gente não pode falar isso de forma alguma. Perfeitamente, Dr. Sérgio, quero agradecer a sua participação aqui no nosso programa Saúde é Vida. Muito obrigada por trazer todo o seu conhecimento em relação a essa campanha. e falando um pouquinho sobre a endometriose, o tratamento, o diagnóstico precoce, que é tão importante a gente levar essa informação de conscientização paraa população. Por favor, as suas considerações finais. É, olha, a gente só pode agradecer eh eh a abertura que vocês fazem para que a gente eh eh dentro da Sociedade Brasileira de Endometriose eh a gente consiga divulgar essa campanha eh para que beneficie as pessoas. No final das contas, o nosso grande objetivo é trazer informação de qualidade. Eh, infelizmente, a gente sabe eh o mundo de mídias sociais e de informações eh desconexas que podem aparecer e que podem assustar as pessoas ou trazer realmente informações eh eh que não são corretas. Então, eh abrir esse espaço para que essa informação chegue para as pessoas eh é muito importante, né? Isso tem, a gente tem certeza que pode beneficiar bastante gente. Com certeza, Dr. Sérgio, mais uma vez muito obrigada pela sua participação. Bom, nós conversamos então com Sérgio Podigaec, ele que é ginecologista e obstetra, atual presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva. Espero que você tenha gostado do programa de hoje e te espero na próxima edição. Até lá. [música] [música] [música] [música] [música] [música] [música]