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Saúde é Vida | Doenças do intestino
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Saúde é Vida | Doenças do intestino

32 views Publicado há 2 semanas HD · 32:15
Resumo editorial

Edição do quadro Saúde é Vida sobre doenças do intestino, com a participação de gastroenterologista. O programa explora duas datas importantes do calendário de maio: o Maio Verde, que conscientiza sobre a doença celíaca (autoimune relacionada ao glúten, presente em cerca de 1% da população), e o Maio Roxo, voltado às doenças inflamatórias do intestino como retocolite ulcerativa e doença de Crohn. O especialista lista os sinais de alarme que precisam de atenção médica: perda de peso inexplicada, sangramento nas fezes, dor progressiva e crises noturnas que despertam o paciente.

Descrição do vídeo

No programa Saúde É Vida de hoje vamos falar sobre Doenças do Intestino, quais sãos elas, como agem no organismo e os cuidados. Para responder as dúvidas, convidamos o doutor Nelson Cathcart Júnior, gastroenterologista.

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Olá, [música] começa agora mais uma edição do Saúde à Vida. No programa de hoje, vamos falar sobre doenças do intestino, quais são elas, como agem no organismo e os cuidados. Convidamos o Dr. Nelson Catcart Júnior, ele que é gastroenterologista e já está conectado. Seja muito bem-vindo, Dr. Nelson. Muito obrigado pelo convite. É um prazer estar aqui falando, né, do segundo cérebro nosso intestino. Perfeito. Muito importante, né, a gente trazer esses esclarecimentos, doutor. Então, para iniciar, né, quais são as principais doenças do intestino, né, como que elas agem no organismo e fale um pouquinho também das diferenças entre elas. Bom, a gente se dedica agora no mês de maio, especificamente a falar de duas condições super importantes no aparelho digestivo, que às vezes podem ter sintomas semelhantes, mas com desfechos totalmente diferentes. Então, a gente fala de uma doença autoimune relacionada a um alimento que é o glúten, né? E o glúten eh uma proteína que tá presente, né, no trigo, no centeno, na cevada, coisas muito comuns e que eh desencadeia sintomas, né, e de maneira grave e persistente, crônico, né, em algumas pessoas. Então o Maio Verde conscientiza sobre a doença celíaca, essa doença autoimune, do qual inclusive eu sou portador e tende a a acometer cerca de 1% da população. Mas também a gente tem o Maio Roxo, né, que fala sobre as doenças inflamatórias do intestino, que são também desordens autoimunes, né, doenças que acometem muitas vezes o intestino grosso, reto, mas também podem pegar o intestino delgado e todo o aparelho digestivo. Então, essas doenças elas comumente eh são descritas em duas formas de apresentação, que é a retocolite ulcerativa e a doença de cronco. Então, ah, muitas vezes os eh sintomas são semelhantes, às vezes é um pouco da barriga estufada, cólica, diarreia, mas essas doenças têm um ponto em comum que é a presença de sinais de alarme. Então, eh, diante desses quadros, né, e a gente vai falar um pouquinho ao decorrer aqui eh do programa sobre quais são esses alertas, né, que a gente deve ter na presença desses sintomas, entendendo que muitas vezes são sintomas corriqueiros. Ah, né, às vezes quem é que não fica com a barriga estufada, tem um pouquinho de cólica, má digestão, mas qual é o grande sinal que a gente deve passar pra população? Exatamente, doutor, porque muito se fala sobre ai síndrome do intestino irritável, né? Mas muita gente eh acaba associando algumas situações, mas não tem o diagnóstico exato, se é realmente, né, o intestino irritado. Às vezes as pessoas falam: "Ai, gases, barriga estufada, ai tô com essa cólica, né?" mas não vai buscar um especialista, não faz os exames, né, os checkups. Então vamos já entrar nessa questão realmente dos sinais de alerta, né? Depois a gente fala dos tratamentos, mas dessas condições, né? Qual que é eh exatamente o sinal de alerta que precisa aí prestar atenção? Porque você mesmo mencionou que alguns sintomas eles se confundem um pouco e também tem pessoas que não têm sintomas que são assintomáticas. [roncando] Isso mesmo. Então o os grandes sinais de alarme diante dessas doenças então são perda de peso inexplicada, sangramento nas feeses, uma dor progressiva, uma dor que tá em piora ou em aumento de frequência. Ah, eu tinha uma crise lá de vez em quando, agora eu tenho todos os dias e principalmente crises de dor, de desconforto, que despertam o paciente à noite. Não é comum isso acontecer de ter que acordar 3, 4 horas da manhã porque a barriga tá dolorida ou porque precisa evacuar. Então, diarreias noturnas, né? A barriga persistentemente distendida, acompanhada de dor, de desconforto. H, além disso, vamos colocar que outros sinais e sintomas, né? Então, o afilamento progressivo das feeses, poxa, minhas feeses estão começando a ficar toda hora chatada, tô precisando, eh, fazer muita força para evacuar. Eh, e, eh, lógico que esses são sintomas clínicos, mas vamos lembrar que existem sinais que aparecem, por exemplo, em exames complementares. Então, paciente que começa a ter uma baixa de B12 persistente, uma baixa de ferro, anemia, eh marcadores de inflamação no sangue alterados. Então, esses fatores com certeza devem ser levados em consideração. Claro que ainda se a gente tem a história de familiares acometidos com essas doenças, ah, al primo, irmão, principalmente os os familiares de primeiro e segundo grau, a [roncando] gente deve atentar mais pacientes com doença celíaca, com retrocolite ou até mesmo câncer, né, do aparelho digestivo. Então, esses sinais de alarme a gente não pode ter dúvida, né? tem que procurar um especialista para fazer investigação adequada. Dr. Nelson, diante então dessas eh desses sintomas, desses sinais de alerta, fazendo esse mapeamento com o paciente, né, ele buscando um especialista, aí vocês têm o diagnóstico, ele é diferenciado, o tratamento para cada doença é diferenciado, né, no caso da doença autoimune e também das inflamatórias, por exemplo, pra gente explicar pra população. Isso. Então assim, ambas as condições, seja a doença celíaca, sejam as doenças inflamatórias, como doença de cron e retocolite, elas podem ser consideradas condições autoimunes. E toda condição autoimune, ela tem uma característica, algumas características em comum. Primeiro, a gente não sabe exatamente o que que causou. Existem grandes hipóteses para isso, né? A principal delas, então, eh, são, eh, processos inflamatórios crônicos, uso indiscriminado de anti-inflamatórios, antibióticos, ã, alimentos ultraprocessados, né, alimentos ricos em corante, eh, gordura e assim por diante, né, e até mesmo estress, seja ele físico, ambiental, etc. Então isso dispara, né, uma condição inflamatória que aciona alguns genes que daí paraa doença celíaca vai fazer com que o glúten, né, o trigo, que é um alimento super comum, né, na população, um alimento milenar, vá causar uma inflamação lá no intestino delgado. Já então do ponto de vista das doenças inflamatórias intestinais, então vai acontecer uma inflamação crônica também persistente, né? E aí pode pegar tanto o intestino grosso quanto o intestino delgado e o reto. Então, para essas duas condições, os tratamentos e os diagnósticos são diferentes. E aí, lógico, a gente através de algumas suspeitas, então a gente lança a mão de alguns exames laboratoriais, mas com certeza os exames de imagem, como endoscopia e colonoscopia são fundamentais. Quando a gente fala então da doença eh celíaca, né, dessa doença relacionada ao trigo, ao glúten, então a gente começa a suspeita, né, eh fazendo um exame de sangue, que é um anticorpo. E aí a coisa mais importante que a gente fala para quem tá ouvindo e até mesmo nas nossas redes, o que que é? Não suspenda o glúten antes de fazer a investigação, porque a gente pode ter um falso negativo. E foi até o que aconteceu comigo e é um dos principais fatores pra gente atrasar o diagnóstico. Isso não é só aqui no Brasil, não, tá? Então, tem estudos nos Estados Unidos mostrando que demora muitas vezes 10 anos para você fazer um diagnóstico de doença celíaca por conta desse tipo de situação. O paciente reduz o consumo, ah, acho que não tá me fazendo bem. O médico pede o exame de sangue, ele vem falsamente negativo e atrasa. O exame de sangue vindo alterado ou numa suspeita muito forte, a gente faz a endoscopia, então, para confirmar o diagnóstico e selar, né, de uma vez por todas esse essa condição. Já nas doenças inflamatórias do intestino, o caminho geralmente é outro, né? Então, geralmente vem acompanhado de diarreia com sangue, provas de inflamação muito alterada no sangue e aí a gente tem que recorrer a colonoscopia e muitas vezes a endoscopia e até outros exames de imagem para fazer a suspeita através das biópsias nesses exames. Então a gente consegue elucidar o diagnóstico, certo? Então, eh, doutor, é pelo que você tá, eh, mencionando, né, o diagnóstico é um desafio ainda por conta, né, dessa complexidade eh, dessa, dessas doenças, dessas patologias, né? Eh, no seu caso, né, como além de doutor, é paciente, né, porque tem essa condição autoimune. Como que foi? Foi difícil, então, o diagnóstico até para você também entender que se tratava de uma doença autoimune? Com certeza, porque eh nem sempre os pacientes eles têm sintomas de alarme, muitas vezes são doenças silenciosas e como tu mesmo mencionaste muito bem, uma parte inclusive desses pacientes com eh doença celíaca pode ter uma doença silenciosa absolutamente sem sintoma algum. A gente geralmente faz esses diagnósticos em pacientes eh cujos familiares têm o diagnóstico ou quando aparecem apenas alguns sinais silenciosos nos exames de acompanhamento. Ah, uma baixa de ferro, uma baixa de B12 persistente. Lógico que o desafio é porque muitas vezes a gente vai colocando outras desculpas ou faz associações, né, de que não necessariamente é o glúten que tá causando isso. Então, no meu caso, ah, eu tinha um pouquinho de barriga estufada quando comia um lanche e aí eu falava: "Ah, então é porque vai ver que eu jantei tarde, eu não tô mais acostumado e tal". Às vezes ficava muito empaixado quando tomava um pouco de cerveja. E aí, ã, o que chama atenção muitas vezes é que o glúten ele não é nitidamente observado em algumas coisas. Então, no meu diagnóstico, por exemplo, aonde eu vi que realmente tinha alguma coisa errada, é que eu fui, né, num restaurante de comida japonesa e aí eu passei mal e não era da carne, só eu tinha passado mal, não era do peixe, né? Então, e aí eu fui descobrir que no choio que tinha naquele restaurante o choio tinha glút e aí eu falei: "Opa, então eh, realmente tem alguma coisa diferente". E aí, então eu fiz uma primeira vez o exame e tinha vindo falsamente negativo, aumentei o aporte de glúten e aí o exame veio totalmente alterado. Aí foi nesse momento então que veio o diagnóstico e fez o tratamento. Nesse caso é o tratamento é a longo prazo, né? Algo é uma condição permanente, doutora, diferente das doenças inflamatórias que elas têm cura ou não. Como que funciona essa diferença no tratamento mesmo do paciente? Toda doença autoimune a gente não consegue falar em cura, né? A gente fala em controle, a gente fala em remissão, a gente fala em instabilidade. Então, para ambas as condições, tu citaste bem, elas são doenças crônicas, né? Então elas permanecem, né? H mesmo que a gente explique que ah, a doença agora tá bem, tá estável. Se você, né, no caso da doença celíaca voltar a consumir glúten ou tiver exposição, a doença vai voltar em atividade. E no caso das doenças inflamatórias do intestino, você pode ter sim altos e baixos inflamatórios durante a vida e mesmo utilizando medicações. Falando tratamento específico de cada uma paraa doença celíaca, então a coisa mais importante é não consumir glúten. Só que isso não é uma coisa fácil, porque ah a muitas vezes mínimas contaminações fazem com que os pacientes então entrem em atividade e o intestino fique inflamado, mesmo que às vezes não tenham grandes sintomas. Então o mínimo contato é o que a gente chama de contaminação cruzada. Então, eh, a gente tem que tomar cuidado quando vai sair num restaurante, porque muitas vezes, ah, a, se a gente for pensar, arroz não contém glúten, mas se o arroz foi feito numa panela que continha macarrão, agora o arroz acabou se contaminando. e assim a manteiga, requeijão e assim por diante, coisas que não tem glúten, mas que se alguém passar, por exemplo, uma faquinha no pão e for passar nesses alimentos, vai acabar contaminando. Então a doença ela entra em remissão em mais de 99% dos casos, só restringindo a dieta. Lógico que isso precisa de um cuidado não só do paciente, mas principalmente dos familiares e das pessoas, né, ao redor, que isso então envolve um cuidado social, né, de conscientização. Já no caso das doenças inflamatórias do intestino, ah, a gente usa então medicamentos que pegam esse sistema imune que tá muito acelerado, né? Tem uma resposta desproporcional e a gente então usa medicações para induzir a remissão. Lógico que para essas doenças nem sempre é fácil. a gente muitas vezes tem que achar medicações que sejam compatíveis com cada paciente, olhar perfis de doença, né, e tentar ir muitas vezes trocando as medicações até eh, achar uma que controle de maneira efetiva esses machucados que acabam acontecendo. E nesse combate, né, a essa a essa a doença, né, essa patologia, no caso dessa autoimune. É difícil ter esse controle, né? É um controle social, porque não tem como prever o que vai ser ali no restaurante. Então, é difícil o paciente ter essa esse cuidado também diante a essa dieta que é restritiva quando sair, né? Quando for é um num jantar, fora de casa, numa reunião de amigos. Então é realmente um desafio para para pra medicina e também pro paciente que tem essa doença como você, né, doutor? Eu acho que com certeza é um desafio, principalmente porque ah você tem que mudar a sua casa, você tem que descontaminar panelas, utensílios, né? olhar o rótulo sempre quando for consumir qualquer alimento. Eh, realmente comer fora de casa fica um, começa a ser um desafio. Você tem que procurar restaurantes que sejam adequados para esse tipo de de alimentação. Viajar também fica, né, uma condição que requer atenção, mas tudo com planejamento e educação e organização, você consegue lidar bem, né? Então, e o que eu mais explico paraos meus pacientes é que mesmo eu sendo médico, sendo gastentologista, né, e tendo o apoio da minha família é desafiador. E ninguém, né, começa a aprender uma coisa nova, né, um hábito de vida, um hábito alimentar, e sai do conceito zero e vai pro conceito pleno em dias. Não, a gente vai reaprendendo e se reeducando. Então é importante, né, também dar esse conforto emocional aos pacientes, né? Então acolher, explicar que, né, principalmente na doença celíaca, que muitas vezes crianças pequenas já têm esse diagnóstico, né? Ambas as condições podem acometer desde crianças até idosos. E ah, mas pensa numa criança pequena que não pode isso, não pode aquilo, tem que fazer restrição. Então, com certeza é desafiador. Mas eh envolvendo os pais, a escola, né, e e no caso dos adultos, ambientes de trabalho, o importante é as pessoas bem educadas, elas sabem o que pode, e o que não pode e isso traz confiança e ajuda no controle da doença. Perfeito. E doutor, eh falando um pouquinho sobre a questão, né, do dos fatores de risco e também dos exames, como foi mencionado, né, a colonoscopia como um exame assim preventivo, né, mas eh qualquer pessoa em qualquer idade pode fazer esse exame, tem uma idade que é recomendado, como que funciona, né, esse exame especificamente para verificar aí esse diagnóstico? Quando a gente fala de colonoscopia, ela é um excelente exame para avaliar condições do reto, intestino grosso e muitas vezes a gente consegue fazer um diagnóstico também de condições do finalzinho do intestino delgado, que a gente chama de hío. Então a colonoscopia ela é o exame de escolha para prevenção de câncer de intestino e de reto. Então, para esses pacientes que querem a prevenção, a gente tem o ponto de corte de 45 anos pra população normal. E aí, independente de sintoma, os pacientes deveriam fazer. Mas quando a gente fala então na presença de sintomas, né, então é a distensão, é o sangue nas feeses, é alteração persistente da qualidade das feeses, seja pro intestino mais preso ou pro intestino mais solto. Então sim, a colonoscopia muitas vezes é indicada e aí pode ser feita, né, até mesmo em crianças, adolescentes, adultos jovens e idosos. Então acho que esses dois cenários é que são importantes, né? Entender que paraa colonoscopia ser feita no contexto de prevenção de câncer, a gente escolhe 45 anos, certo? Ou naqueles que já tiveram histórico na família de câncer, de intestino ou de reto, a gente deveria fazer antes. E aí se aconselhar com certeza com um profissional de saúde é a melhor forma, certo, Dr. Nelson? E no caso, né, de eh pacientes assim falando dos sinais de alerta, né, que a gente já falou e também assim no sentido esse paciente ele vai fazer esse diagnóstico, vai fazer esses exames, faz o diagnóstico. Tem algum momento das doenças inflamatórias, por exemplo, que é recomendado cirurgia? Sim. Então, nas doenças inflamatórias do intestino, a gente pode, em alguns casos, ter que recorrer a tratamentos cirúrgicos para controlar a doença ou para controlar as inflamações e complicações decorrentes dessas doenças. Então, muitas vezes o intestino pode ter eh perfurações, estreitamentos, né, ou até mesmo eh ambas as condições, seja a retocolite ulcerativa ou a doença de cron, são consideradas sim fatores de risco pro câncer de intestino e de reto. E aí muitas vezes a cirurgia pode ser necessária. Lógico que a cirurgia ela tem taxas, né, consideráveis, mas vem caindo de maneira drástica nas últimas décadas a já vista a melhoria e quantidade de novos tratamentos disponíveis. Então, antes a gente praticamente tinha só o corticoide, aí apareceram imunossupressores e agora a gente tem imunos imunobiológicos, como se fossem anticorpos que ajudam a bloquear, né, as causas dessas inflamações no intestino e aí a gente consegue devolver uma ótima qualidade de vida para boa parte dos pacientes. O segredo nas doenças inflamatórias intestinais é não demorar no diagnóstico, né? Quanto mais avançado, então, a gente pega a doença, com certeza mais estrago ela fez, né? E aí esse perfil, essa carga inflamatória, ela se torna muito exuberante e aí a gente vai ter dificuldade de tratar, com certeza se comparado com aqueles que rapidamente já fizeram diagnóstico. E nesse sentido, Dr. Nelson falando da demora também do diagnóstico, a demora em procurar um especialista, uma dessas doenças inflamatórias, elas tem a a algumas complicações que podem virar câncer ou não. Ou um paciente que já tem um câncer de intestino, ele também pode ser acometido com uma dessas doenças inflamatórias. Existe essa possibilidade? Então o tanto a doença celíaca relacionada ao glúten e ao trigo, ela é fator de risco pro câncer de intestino delgado, é fator de risco paraa linfoma, que é outro tipo de câncer, tá? Quanto a retocolitecerativa e a doença de Cron também são fatores de risco aí pro câncer eh de intestino, de reto, porque essas inflamações persistentes vão alterando a característica das células e isso pode favorecer um fenômeno que a gente chama de displasia, que é uma condição précancerosa. Por isso a importância de fazer o diagnóstico, claro, mas seguir acompanhando esses pacientes. E qual o cenário então, Dr. Nelson, de um intestino saudável, né, quando aquele paciente eh ele eh utiliza o banheiro normalmente. A gente pode falar que alguns casos também, aquela pessoa que tem dificuldade para evacuar, ela pode ser pode ser um sinal também de alguma doença ali do intestino. Com certeza absoluta. A saúde ela tem vários níveis, né? E a saúde do intestino não é diferente. Então, ah, saúde é uma coisa que a gente sempre pode estar melhorando a cada dia, né? E com certeza, se todas as doenças começam no intestino, a gente deveria se ater muito mais ao que a gente come, né? E aí então ter bons hábitos alimentares. E vamos trazer uma frase relativamente eh simples. A gente deveria descascar mais e desembalar menos. Eh, se a gente quer saber como é que deve estar a saúde do nosso intestino, a gente deveria começar olhando as lixeiras das nossas casas, né? O o lixo orgânico, aquele onde a gente tem que colocar as frutas, né? Restos de alimento. Esse daí é o que deveria estar sempre mais cheio, ao contrário dos eh resíduos então recicláveis, né? Então, tudo aquilo que é empacotado, tudo aquilo que, né, consegue durar meses e meses na prateleira do supermercado, aquilo tem um pênalti, né? E esse pênalti acaba realmente favorecendo não só doenças autoimunes de aparecerem, mas também o câncer e tantas outras condições. Então, ah, e esse tipo de de conceito a gente deveria passar desde as crianças e com certeza até mesmo os mais velhos que vão adquirindo durante a vida hábitos que acham que é normal, que acham que é saudável, né? porque come, por exemplo, um peito de peru light e acha que é um alimento saudável e na realidade não é. Então, eh, entendendo que isso sim são fatores de risco para desenvolvimento de doenças do aparelho digestivo, é fundamental que a gente tenha essa cultura de reanalisar o que a gente tá comendo. Se você entender que essas doenças são o ponto final, né, da do problema, ou seja, já são condições onde existe muita inflamação, existe sangramento, machucados no intestino, até mesmo câncer, né? Então a gente tem que pegar desordens que apareçam antes dela. E hoje talvez o tema mais eh debatido seja a disbiose, o desequilíbrio da nossa flora intestinal. Então todas essas doenças começam, né, de desequilíbrios da flora. E esses desequilíbrios não vem somente da alimentação. Então, se a gente tem eh uma qualidade de sono ruim, se a gente não faz atividade física, se a gente toma, né, bebida alcoólica em excesso, se a gente fuma, se temos hábitos, né, de não controlarmos o estress, a ansiedade, essas doenças psicológicas, com certeza o nosso intestino ele também é penalizado. E agreguer isso também ao fato de também não ter uma ingesta de água adequada. Então, eh, são coisas simples, né, mas que no dia a dia, né, da nossa rotina ocidental, a gente vai acabando de menosprezar e acaba, com certeza adoecendo. Então, a prevenção, né, é o melhor caminho, né, como em tantas outras também eh comorbidades, né, doenças que a gente fala aqui no Saúde e a vida, que a prevenção é o melhor caminho e é o princípio de tudo, né, Dr. Nelson? E a gente fala também da importância das equipes, né, multidisciplinar, que também atuam, né, forte nessa questão. Você mesmo mencionou agora a questão também da qualidade de sono, de estresse, né, desses fatores externos que também contribuem, né, pra nossa saúde mental, cérebro e também o intestino, como você comentou no início do programa, que é considerado aí o nosso segundo cérebro, né? Então essa essas equipes elas também fazem toda a diferença nesse acompanhamento aí do paciente? Pode ter certeza que sim. E isso deveria ser a base da nossa estrutura de saúde, né? Então vamos pensar que a a saúde é uma linha muito longa. Eu gosto de fazer essa analogia no consultório. O final dessa linha são as doenças que terminam com a nossa vida, é o câncer, é o infarto, é o AVC, né? Mas no começo dessa linha, então tem muitas outras coisas que geram elas. Então a gente deveria sim se ater a eh falar de prevenção. E falar de prevenção com certeza significa educar as pessoas melhor, né, do ponto de vista de alimentação. E aí as nutricionistas, com certeza, nutricionistas, nutrólogos, têm um papel fundamental. E quem hoje, né, não vive sob est stress, sob altas demandas, sobidade de alta performance, eh, ou até mesmo lidando com angústias e, eh, eh, sensações de ansiedade. Então, todos nós passamos por isso e, basicamente a gente tem que aprender a como lidar com esse tipo de situação e não achar que um comprimido é a solução para tudo, né, e não achar que suplemento é alimento. Então, a gente deveria sim reorganizar a nossa estrutura de saúde, entendendo que é muito mais difícil você tratar o fim da linha, né, quando as doenças já estão instaladas, agressivas, dando repercussões além do intestino, né, entendendo que essas desbioses que a gente fala, esse desequilíbrio na flora, isso vai repercutir no sistema nervoso central, vai repercutir nos rins, no coração, né, em doenças articulares. E aí é muito mais difícil de você pegar um quadro de saúde mais avançado. Então, por que que a gente não investe, né, em programas como esses, né, como de vocês, que tentam trazer esse olhar mais amplo pra saúde, né, e menos focado muitas vezes em doenças. Tá certo, Dr. Nelson? Muito obrigada pela sua participação, por compartilhar aqui também um pouco, né, da sua história como também paciente, né, portador dessa doença autoimune, mas trazer o mais importante, né, o esclarecimento que a medicina também está avançada, que existem, né, acompanhamentos para esse paciente e, é claro, a prevenção, como a gente disse, e não deixar, né, os sinais de alerta eh guardado. precisa sim buscar essa orientação assim que perceber alguma mudança aí no corpo, no organismo, né? Perfeito. Eu acho que mesmo de situações muito tristes, como por exemplo, a gente viveu aí com a perda da Pretagil, ela trouxe, por exemplo, uma concentração muito maravilhosa para essas doenças intestinais, né? Então, a existe uma certa banalização e até mesmo pelo estilo de vida corrido, né? De a gente menosprezar esses sintomas, né? e ela falando, né? Não é normal, não é normal ficar tantos dias sem evacuar, não é normal ter a barriga inchada, não é normal ter sangue nas feeses. Se você tem, investigue. E hoje, com certeza, depois desse alerta, as pessoas vão se conscientizando cada vez mais. E, lógico, a gente para de olhar pro fim da linha, paraas doenças e a gente começa a falar mais em prevenção. Eu que agradeço pela oportunidade de falar. A minha história é a de muitos pacientes, com certeza, que demoram para ter um diagnóstico, mas mesmo demorando, a gente pode sim, né, devolver qualidade de vida e dar o acolhimento tanto profissional quanto social para esses pacientes. Perfeito, muito obrigada mais uma vez. Agradecemos a sua participação e o seu tempo em estar aqui conosco, Dr. Nelson. Bom, o Saúde é Vida fica por aqui. Espero que tenha sido um programa de alerta para você aí de casa que está nos assistindo. Te espero na próxima edição. Até lá. เฮ [música] [música]
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