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Saúde é Vida | Doenças hepáticas: sintomas, prevenção e cirrose
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Saúde é Vida | Doenças hepáticas: sintomas, prevenção e cirrose

6.8k views Publicado 05/04/2026 HD · 32:21
Resumo editorial

O programa Saúde é Vida traz informação detalhada sobre as doenças hepáticas, frequentemente silenciosas até o estágio avançado conforme alerta do Ministério da Saúde. O entrevistado, hepatologista formado pela USP, mestre e doutor em ciências médicas pela Unicamp e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, explica que o fígado é órgão vital com mais de 500 funções, da produção de proteínas e fatores de coagulação ao metabolismo da glicose, lipídios, vitaminas e produção de colesterol, albumina e bile, com função principal de detoxificação do organismo. A conversa classifica as doenças hepáticas em agudas, crônicas e fulminantes, e detalha causas como hepatites virais, esteatose hepática, consumo de álcool, medicamentos e doenças autoimunes. O programa também aborda sintomas que devem chamar atenção mesmo antes da icterícia, prevenção da cirrose, importância dos exames periódicos para detecção precoce, opções terapêuticas atuais e o papel da SUS campineira, especialmente do HC da Unicamp, no atendimento desses pacientes em estágio avançado.

Descrição do vídeo

No Saúde é Vida, Dr. Marlone Cunha (hepatologista USP/Unicamp, mestre/doutor ciências médicas, SBH) explica doenças hepáticas: silenciosas até avançadas. Foco: fígado vital (500 funções: detox, proteínas, coagulação, metabolismo glicose/lipídios/vitaminas/albumina/bile/colesterol). 🏥🫀 Principais causas: Hepatites A/B/C (A: aguda fecal-oral/vacina; B/C: sexual/sangue/agulha/mãe-filho – vacinas B/SUS, tratamentos curativos B/C). Esteatose (gordura: obesidade/diabetes/hipertensão + álcool). Outras: medicamentos/suplementos/chás/ervas/genéticas/autoimunes/biliares. Inflamação → fibrose → cirrose (estrutural/funcional). Sintomas tardios: Icterícia/amarelo, ascite (barriga inchada), encefalopatia (neurológico), varizes esôfago (vômito sangue), câncer fígado (carcinoma hepatocelular). Diagnóstico precoce (sorologia B/C, enzimas hepáticas ST/LT, USG acima 40 anos) previne cirrose (12-15 anos sobrevida assintomática). Fatores risco: Álcool excessivo (OMS: 20g/dia mulheres/30g homens), obesidade, hepatites não diagnosticadas. Evite chás excessivos (verde/cavalinha/carqueja/picão/dente-leão: injúria fulminante/transplante). Suplementos/medicamentos: risco-benefício (não causa cirrose, mas sobrecarga). Tratamentos/prevenção: Hepatite B: comprimido prolongado (bloqueia cirrose/câncer). C: 12 semanas comprimido (95 por cento cura). Esteatose: emagrecimento/multidisciplinar (nutrição/exercício/endócrino/psico). Cirrose: rastreio USG 6 meses (câncer), prevenção complicações. Transplante: sobrevida acima órgão original (SUS centros especializados). Alerta: Exames alterados? Investigar (não subestime). População: teste hepatites acima 40 anos. Médicos: disseminar conhecimento. Esteatose/cirrose em ascensão (supera hepatite C em transplantes). Assista e previna! Curta/comente dúvidas. 👏 Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

Transcrição completa do vídeo

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Olá, [música] saúde é vida está no ar. Hoje vamos falar sobre as doenças hepáticas. O Ministério da Saúde destaca que essas doenças são frequentemente silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas até que estejam em estágio avançado. Será mesmo? Vamos entender tudo com o Dr. Marlone Cunha, hepatologista pela USP, mestre e doutor em ciências médicas da Unicamp, membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia. ele já está conectado aqui conosco. Seja muito bem-vindo, Dr. Marlone. Olá, obrigado pelo convite. Bom, doutor, eh, será mesmo, né? A gente vai falar sobre essas questões, sobre as doenças hepáticas, mas, primeiramente, vamos começar pela função do fígado, né? Quais são as principais funções e que se comprometidas afetam todo o nosso organismo? Eh, o fígado, ele é um órgão vital no nosso corpo. Ele tem funções, tem mais de 500 funções, eh, mas dentre elas, a produção de proteínas, produção de fatores de coagulação, participa do metabolismo da glicose, metabolismo das vitaminas, dos lipídios, produz o colesterol, produz a bil, produz albumina, que é a principal proteína que a gente tem, e depura um monte de substâncias, que esse é a função principal do fígado, é a depuração de substâncias tóxicas. ele é o principal eh detoxificador do nosso corpo, certo? Agora, como que a gente pode classificar, né, a questão das doenças hepáticas? Quais são as principais, Dr. Marlone? Eh, as doenças hepáticas, eh, elas podem ser agudas e crônicas, né? Eh, e tem os quadros mais graves que são fulminantes. Eh, então a gente tem tanto as hepatites virais, podem ser causa, né, de doença hepática, como a doença hepática esteatótica, que é esteatose hepática, o álcool, né, como as as causas principais, né, de doença hepática, mas a gente tem também eh doenças eh eh injúrias causadas por medicamentos, por chás, ervas, eh tem doenças genéticas também que podem estar relacionadas eh ao fígado, tem doenças autoimunes, tem doenças relacionadas à árvore biliar. Então são diversas doenças e diversas delas são causas de cirrose, porque o fígado quando ele é inflamado existe uma ativação de células que produzem colágeno e se essa inflamação não for tratada, esse colágeno vai se espalhando pelo fígado, que seria a fibrose. Então isso vai lá na frente causar cirrose, certo? E no caso, Dr. Marlan, eh foi comentado sobre a questão das hepatites, né? Temos vários tipos delas, como que elas estão, eh, como que o vírus ele está sendo controlado aqui no Brasil? As vacinas, elas são todas, né, eh, todas as hepatites, elas são controladas com a vacina ou tem diferença? Queria que o senhor contextualizasse um pouquinho sobre isso. Eh, as hepatites que mais são importantes no nosso meio são a hepatite A, B e C, as hepatites virais A, B e C. O vírus A ele causa só um quadro agudo e a a contaminação é fecal oral, ou seja, por água e alimentos contaminados e tem vacina disponível, tá? E ela só causa eh eh hepatite aguda não evolui para a cirrose. Mas já a hepatite B e a hepatite C, que elas têm um mecanismo de transmissão um pouco diferente, porque eh existe transmissão sexual, existe transmissão por eh agulha eh contaminada, existe transmissão relacionada à mãe e filho, né? transmissão vertical, transmissão relacionada ao utensílio, às drogas inaladas, por exemplo, o utensílio que se usa para droga inalada também transmite as hepatites virais. Então, são diversas formas de transmissão, mas hepatites, as vacinas que a gente tem são hepatite A e hepatite B. E elas eh a gente tem, elas são disponíveis, né? A hepatite A é um pouco mais restrita, né, no SUS, mas a hepatite B é totalmente disponível no SUS. Eh, quando a gente não tem a vacina e o paciente se infecta e a gente detecta esse diagnóstico, esse esse vírus, a gente tem tratamento que tá disponível no SUS, tratamento bem efetivo para a hepatite B e hepatite C. Elas precisam de tratamento e o sus fornece e o paciente responde muito bem ao tratamento. Como que é realizado esse tratamento no caso paraas hepatites? Como o contexto agora, Dr. Marlone? A as a hepatite B eh o paciente quando tem o diagnóstico e tem indicação de tratamento, porque nem todos têm indicação de tratamento, eh o paciente toma remédio e esse remédio ele vai tomando por longos períodos. é um comprimido por vi oral, mas ele tem que tomar por um período prolongado. Já a hepatite C, ah, o tratamento ele é mais curto, eh, normalmente é um comprimido por dia só durante 12 semanas, ou seja, 3 meses. E a chance de cura da hepatite C é maior que 95% de chance. Ou seja, quando o paciente tem hepatite C e ele é diagnosticado e ele é tratado, ele tem 95%, mais de 95% de chance de curar essa doença e não evoluir para cirrose. E a hepatite B, o tratamento ele é prolongado, mas ele também consegue bloquear esse processo de evolução para a cirrose e as complicações da cirrose, inclusive o câncer de fígado, que é o carcinoma hepatocelular, que é bastante temido. E os principais fatores de risco, né, para essas doenças hepáticas também a gente pode considerar a questão do alcoolismo, mas não só o alcoolismo, né, doutor? O alcoolismo em si, ele acaba não sendo um fator de risco para a transmissão, mas ele é um fator associado, né? o alcoolismo tanto e eh porque ele causa esteatose, ele causa gordura no fígado da mesma forma que é a síndrome metabólica, que é obesidade, hipertensão, diabetes, aquilo ali que causa uma síndrome metabólica. E a síndrome metabólica vai levar a uma esteatose. Essa esteatose ela é bem semelhante à esteatose causada pelo álcool, tá? Só que a velocidade de transformação ali da de evolução é diferente, mas eles agem como fatores associados eh de anj de injúria hepática no contexto das hepatites virais. Então, quando o paciente tem hepatite B e álcool, ele tem duas injúrias hepáticas. E a gente tem que tratar essas duas injúrias. Quando ele tem hepatite B ou hepatite C e esteatose hepática metabólica, a gente tem que tratar as duas doenças, porque são duas doenças que levam a cirrose elas não forem tratadas. Então, mas os fatores de risco para as hepatites virais, eh, eles são aqueles fatores de transmissão, ou seja, tanto você ter contato com pessoas da sua casa que podem se infectar, mas isso aí no caso da hepatite A, que não leva a cirrose, é fecal oral, mas hepatite B e hepatite C que levam a cirrose, essa transmissão é por sempre por eh pelo sangue, ou seja, é o compartilhamento do cortador de unha, é o compartilhamento do utensílio de fazer a barba, por exemplo, porque ali quando a pessoa tem hepatite e corta, né, cortou ali e outra pessoa usa aquele aquela aquela aquela lâmina, ela pode se infectar, né? Então esse é um fator de risco importante dentro de casa, né, para acontecer. Mas outros fatores de risco acontecem fora. Por exemplo, eh o paciente quando vai fazer algum procedimento eh em em com locais que a antes eh a a assim a descontaminação do material não é adequada, por exemplo, ele pode se infectar, né? Eh, isso aí é uma forma de infecção. Outra, eh, pacientes que têm, eh, estão em vulnerabilidade social, esses pacientes que, que, eh, tão estão em usuário de drogas, por exemplo, eh pacientes que estão em regime carcerário, tem fatores de risco. Então, são vários os fatores de risco que podem unir e aumentar a chance, né, de de transmissão, né, de você adquirir essa hepatite e adquirindo você vai também transmitir. Marlan, no caso, a cirrose, ela é o estágio mais avançado, como que a gente pode classificar a questão de ter uma doença hepática mais grave? E vamos entrar na história também da questão dos sintomas, né? Quais são os sinais de alerta? Porque ainda assim é um desafio, né? Para entender sobre esses sinais, uma vez que no estágio inicial de fato não surgem sintomas. Como que é esse fato? É, então a a cascata na verdade é essa, inflamação leva a fibrose, a fibrose vai do grau zero, que é ausente ao ao grau fibrose grau quatro, que seria a cirrose. Então esse processo aí ele leva usualmente anos para poder acontecer. Então por isso que a gente tem tempo para dar esse diagnóstico e tem tempo para tratar o paciente. Basta a gente conseguir dar o diagnóstico, né, das hepatites. Mas esse processo aí ele leva anos. essa fibrose vai eh tomando conta do fígado até chegar no estágio quatro, que seria a cirrose. Então, a cirrose é o estágio mais grave da fibrose do fígado. E aí a cirrose, depois que a doença chegou no fígado, a cirrose ela tem dois duas contas, duumas dois fatores principais, que é uma a doença estrutural, ou seja, o fígado fica endurecido, perde um pouco a sua celularidade, aí vai perdendo a função. Essa é a segunda parte da cirros, ou seja, é uma doença estrutural e uma doença funcional. Então o figuro vai perdendo as suas funções também com o passar do tempo. Só que os sintomas eles só vão aparecer anos e anos depois da cirrose instalada. Então o paciente ele passa a vida inteira sem ter sintomas do fígado porque ele acha que os sintomas do fígado são dor de cabeça, ele acha que são mal-estar. E isso, isso aí não é sintoma do fígado, isso aí usualmente são sintomas de outros órgãos sistemas, né? a, o fígado em si, o sintoma, né, mais importante do fígado, a de doençática, a equcterícia, né, que são os óleos amarelados. Mas a gente tem também, por exemplo, a eh aquela aite, né, que é o aumento do volume abdominal por causa do acúmulo de líquido, que é um estágio avançado de cirrose. A gente tem alterações neurológicas eh que que a encefalopatia hepática, que é uma complicação da cirros, tem a varizes de esôfago que podem romper o paciente ter vômitos com sangue. Só que esses sintomas eles são sintomas sempre tardios, né? Para você ter ideia, quando a gente vai diagnosticar a cirrose no momento em que o paciente não tem nenhum sintoma, ou seja, eu achei que aquele paciente tinha algum fator de risco, fui lá e dei o diagnóstico, esse paciente ele vai ter uma sobrevida maior do que 12 a 15 anos, certo? Porém, desses pacientes, 5 a 10% vão ter uma descompensação hepática a cada ano, que é é isso aí, é a cite, hemorragia digestiva alta. Isso a gente chama de descompensação. E só que quando o paciente tem uma descompensação, se eu der o diagnóstico da cirrose depois dessa descompensação, a sobrevida dele muitas vezes chega a dois, no máximo 5 anos. Ou seja, é muito importante a gente pensar no diagnóstico de cirrose para poder dar esse diagnóstico. Eu não posso esperar o paciente ter alguma manifestação clínica para dar o diagnóstico. Isso aí eu já perdi tempo. Perdi tempo do paciente, eh, um tempo precioso do paciente. Então, a gente tem que dar o diagnóstico de cirrose quando o paciente é assintomático. Ou seja, eu detectei que existe um fator de risco ou até eu detectei que existe alguma alteração laboratorial que chamou atenção ou alguma alteração, né, do fígado na no na ultrassonografia. Então isso aí vai chamar atenção, esses dados a gente vai juntar tudo para poder tentar dar o diagnóstico da cirrose antes do paciente ter manifestação clínica, porque todas aquelas descompensações que eu falei tem uma prevenção. Então quando a gente dá o diagnóstico, a gente começa a prevenir, prevenir a aite, prevenir a falopatia hepática, prevenir a hemorragia digestiva, prevenir a evolução para câncer, prevenir a osteoporose que tá associada à cirrose. Ou seja, todas as complicações elas têm uma prevenção. Só que eu só vou prevenir se eu souber que o paciente tem cirrose. Então, por isso que é importante a gente tentar dar o diagnóstico de cirose quando o paciente é totalmente assintomático. Essa essa questão, né, do diagnóstico, ele acaba sendo um desafio, Dr. Marlone, justamente porque as pessoas elas não fazem esse acompanhamento, né, como foi mencionado, eles esperam sentir algo, esse sintoma que já está no quadro avançado. Então, ainda assim, como que é feito esse mapeamento, porque existe um rastreamento, exames preventivos, né? E e qual a idade e que essas doenças hepáticas elas acometem? Tem uma faixa etária, né? Qual o público mais atingido? Existem doenças hepáticas que já começam desde a pediatria. Tem tem doenças hepáticas que o paciente já nasce e tem cirrose logo, entendeu? Então, tem várias doenças, tem doenças genéticas que podem acontecer e tal, mas a eh nesse contexto que a gente tá falando, que são as doenças principais, né, que são o álcool, a gordura no fígado causada pela círom metabólica, a hepatite B e a hepatite C, que são as quatro principais causas de cirrose no nosso meio, eh todas elas ela elas a a gente tem que fazer esse diagnóstico como primeiro pedindo a sorologia, ou seja, se eu perer a sorologia da hepatite B e sorologia da hepatite C, eu já vou conseguir dar o diagnóstico da hepatite. E aí dando diagnóstico hepatite e tratando, eu já vou estar prevenindo a cirrose, tá? E mas se eu não achar essa positiva, eu vou ter a própria obesidade, eu vou ter esteatose hepática. Então vou ter que tratar a esteatose, fazer que o paciente emagreça, porque a esteatose em si é uma causa de cirrose que tá muito em ascensão. Então a gente tem que entender e tem que alertar a população que a esteatose hepática que de naquele ultrassom lá que o pessoal fala é só uma gordurinha no fígado, não é uma gordurinha, aquilo é um fator de risco para cirrose e aquilo tem que ser respeitado como fator de risco para cirrose. Então a gente não pode achar que aquilo negligenciar eh eh os perigos da esteatose, entendeu? Então a gente tem que tanto eh aí a gordura no fígado, que é desse jeito, as hepatites fazendo e também fazendo ultrassonografia, exames laboratoriais de enzimas hepáticas e o álcool a gente tem que fazer a orientação do paciente. Então, eh, o consumo de álcool ele é ele sempre vai ser nocivo, né? A gente não pode dizer que vamos proibir todo mundo de beber, não. Mas só que a gente tem que entender que pacientes que têm um fator de risco, eles devem ser mais restritos. pacientes que não têm fator de risco, eles podem fazer um consumo social, né, desde que não ultrapasse aqueles limites eh que são estabelecidos pela eh pela Organização Mundial de Saúde, que são de mais ou menos de 20 g de álcool de etanol para as mulheres e 30 g de etanol para os homens eh por dia. Mas eh a gente tem que abordar o paciente de forma multidisciplinar. Tanto a gente tem que pegar eh avaliar o nutricionista, né, o educador físico, o endócrino, eh o psicólogo, psiquiatra, para poder ver o contexto da esteatose, que é uma uma a obesidade, né, é uma doença muito complexa, que precisa de uma abordagem multidisciplinar. A gente tem que abordar o alcoolismo de uma forma mais sistemática e a gente tem que fazer as urologias das hepatites e os exames que são de bioquímica do fígado que a gente consegue fazer isso aí. Então, esses exames eles estão acessíveis, mas como você falou, a população não faz muito exame, mas a gente tem que alertar que também muitos médicos não dão o devido valor à alteração que a gente encontra no exame. Então, eh quando ah você faz um exame de de fígado e você encontra uma alteração, eh, a ST e a LT, que são as enzimas do fígado, se elas estão alteradas, eh, o normal é até 50, eu tô com 60, muitas vezes isso aí é negligenciado. Essa elevaçãozinha é só uma besteirinha, não é? Nunca tem que ser uma besteirinha, tem que tudo tem que ser valorizado, porque até que se prove o contrário, uma elevação de enzima hepática indica inflamação. Até que se prove o contrário. Pode até não ser, mas eu tenho que provar pro paciente que não é uma inflamação. É a minha função dizer que aquilo ali é uma alteração benigna, por exemplo, porque na maioria das vezes não é essa alteração benigna. E o paciente ele chega pra gente não na fase que eu falei para você que para dar o diagnóstico de cirrose, ele chega na fase quando ele já descompensou. perdão, ele chega na fase pós de compensação. Isso e e a educação continuada dos próprios médicos, os próprios profissionais de saúde, porque eles têm que também tá valorizando isso aí. Eu sei que a patologia é uma especialidade que é rara, é restrita, mas se a gente disseminar o conhecimento para outros médicos, né, para os clínicos, os médicos da família, os próprios endócrinos que agora estão muito mais familiarizados, né, com a estatose hepática, que antes não estavam tanto, mas eh agora estão muito mais familiarizados, então se a gente conseguir disseminar esse conhecimento, com certeza a gente vai conseguir dar diagnóstico precoce. E Dr. Marlan, uma dúvida, né, que durante as pesquisas eh para elaborar, né, o roteiro sobre esse material, eh surgiram algumas eh informações a respeito de medicamentos, né, eh pacientes que são diagnosticados com outras doenças, por exemplo, e tomam muita medicação, né, anti anti-inflamatórios. Eh, esse esses medicamentos eles podem também ser prejudicial ao fígado, se ser consumidos em excesso? Como que fazer o controle disso tudo? Isso é muito importante porque eh eh a gente tem, quando o paciente tem uma doença, ela tem que ser tratada, eh a gente tem o risco benefício, né? Então, por mais que o o medicamento ele tenha efeitos colaterais, que um dos efeitos possa ser agressão hepática, mas ele tem que tratar a doença, então o benefício para o tratamento, ele vai ser maior do que o risco, ok? Então eu vou correr o risco e vou acompanhando o paciente. Porém, a gente vê na prática clínica uma coisa diferente, eh, porque assim, não é tomar muito medicamento causa cirrose. Isso aí não existe. Essa cirrose medicamentosa, ela não é de muito medicamento. Existem alguns medicamentos específicos que quando tomados por longos períodos eles podem levar a cirrose, mas eh eh antiinflamatórios tomados sem necessidade podem levar a uma injúria hepática, suplementação excessiva, chás, ervas, muitos chás e ervas eles são tomados com uma finalidade X, que eu não vou negar que existe talvez essa finalidade terapêutica do chá, OK? Mas os efeitos diversos dos chás não são estudados. Então, a gente tá conhecendo esses efeitos colaterais, os efeitos adversos dos chás com os relatos de caso. Então, tem que ter muito cuidado, [tosse][risadas] perdão, tem que ter muito cuidado com eh com a medicina alternativa que que coloca ah, produto natural, isso aqui é um produto natural. Bom, eh, esse contexto ele tem que ser tirado da cabeça, né? O que é natural não faz mal. Na verdade, não é assim, né? O veneno de cobra é natural, mas ninguém quer tomar, né? Então a a planta comigo ninguém pode, é natural, mas ninguém quer fazer um chá dela. Então assim, não é porque é natural que não faz mal, né? e lembrar que tudo que a pessoa vai tomar, tudo que a pessoa vai ingerir, vai passar pelo fígado primeiro. Então, assim, eu tenho que evitar eh eh o excesso a o excesso de suplementação, o excesso de medicamentos, o excesso de de aquela perfumaria que se coloca na na nas receitas manipuladas, né? um monte de vitamina, às vezes o paciente não precisa daquilo e o fígado vai ter que metabolizar tudo. [tosse] Nossa carga então que acontece no fígado. É isso. Isso. Porque o fígado ele vai metabolizar praticamente 80 90% das coisas que a gente vai ingerir. Então se eu tô tomando uma coisa que a vizinha falou que era bom, eu não sei se é bom. Ela disse que é bom, mas eu não sei se é bom. e aquilo pode fazer mal porque é uma coisa que não se conhece o efeito colateral. Então quando eu coloco o risco versus benefício, o risco vai ganhar. Então eu tá correndo o risco de de forma desnecessária. Pelo agora do outro lado, se o reumatologista ou nefrologista qualquer um, passa uma medicação para paciente que ele precisa tomar aquela medicação, o benefício vai superar o risco. Então eu vou simplesmente tomar aquela medicação e acompanhar, entendeu? Então assim, é muito importante a gente evitar essas essa essa suplementação excessiva, esse consumo de chás e chá para isso, chá para aquilo, chá para aquilo outro. Assim, é muito e a gente tem muitos pacientes que chegam aqui para transplantar o fígado por causa de uma injúria hepática fulminante, por causa de chás, né? Chá de chá verde, cavalinha, chá de carqueja, chá de picão, chá de dente de leão, chá de Tem vários chás que as pessoas tomam achando que isso aí é inofensivo, mas na verdade aquilo é uma causa grave de doença hepática. E aí, mas tem gente que perde o fígado e tem que transplantar, mas tem gente que perde a vida. Então, a gente não pode tentar eh eh tomar eh eh eh achar que o medicamento é vilão. Medicamento não é vilão. Medicamento ele foi feito para tratar uma doença específica, mas ele tem efeito colateral. E a gente sabe os efeitos colaterais todos, porque foram estudados, passaram por estudos, fase um, fase dois, fase três, fase quatro e a gente sabe os efeitos colaterais dos remédios e a gente sabe a frequência e a gente sabe controlar. Mas os chás não, eles não passaram por esses estudos. Então, por mais que eles possam até ter um efeito benéfico, mas o efeito maléfico as pessoas não sabem. Então, essa é uma causa importante e tá em ascensão de injúria hepática que a gente tem que orientar, porque as pessoas têm uma uma um costume de tomar chá e achar que aquilo e nem às vezes nem falam pra gente porque acha que não é não é importante, mas tudo que você ingere vai passar pelo fígado, ele vai ter que trabalhar ali, entendeu? E tem gente que faz alguma, ah, eu vou fazer isso aqui para proteger o fígado. Não, na verdade você tá sobrecarregando ainda mais, entendeu? Então, eh eh existe muito, muito muito muito conceito que tá ainda para para ser entendido por muitos profissionais de saúde, inclusive, entendeu? Que a gente precisa tentar disseminar esse conhecimento. Senor falou sobre a questão do transplante, né? Então, qual que é eh o grau nível, né, máximo de para uma pessoa ser transplantada justamente quando não tem mais nenhum medicamento, não tem mais nenhum tratamento que faça ali com que o órgão se regenere? Como que funciona? Eh, então o fígado ele aguenta muita coisa calado. Ele aguenta anos e anos e anos ele calado. Só que essa coisa da regeneração, que foi bom você tocar nesse assunto, que a gente fala: "Ah, o fígado é o único órgão que se regenera". Mas a regeneração do fígado nada mais é do que a própria cirrose. Quer dizer, o fígado se regenera para formar a cirrose. Quer dizer, a cirrose são nódulos no fígado por causa desse processo de regeneração. Claro, o fígado ele consegue eh aumentar o seu tamanho. Se eu colocar um fígado pequeno em alguém e ele pode aumentar o tamanho, pode. Isso aí acontece mesmo. Mas o processo que a gente fala: "Ah, o fígado se regenera?" Não, se eu der injúria, se eu fizer uma injúria nele, essa regeneração não é boa. Essa regeneração vai tá causando a cirrose. E aí ao longo dos anos, o paciente vai perdendo a função e a gente tem uns cálculos que a gente faz para estimar o grau de função do fígado. E aí quando esses cálculos que a gente faz começam a mostrar que a função do fígado está muito ruim, a gente começa a tentar a sobrevida do fígado, sobrevivida do paciente com o fígado transplantado é X. a sobrevida do paciente com o fígado dele é Y. Então, quando esse X aqui tá maior do que o Y, significa que realmente o transplante é algo benéfico pro paciente. Então, a gente inclui o paciente na lista de transplante e ele é transplantado. Eh, claro, existem a a os problemas relacionados a isso, à escassa doação de órgãos que a gente tem no nosso país. São vários problemas que o paciente tem que enfrentar, mas o transplante ele existe e as pessoas também precisam conhecer que o transplante existe, porque também é uma coisa que acontece e e é bom a gente tocar nisso, que muitos eh profissionais de saúde mesmo quando pegam, atendem um paciente com cirrose e é uma cirrose que tá avançada e diz: "Ah, não tem mais o que fazer". Não tem muita coisa para fazer. Então ele tem que ser encaminhado para um centro transplante. Ele tem que, só que isso tem que ser feito o mais cedo possível, porque a gente vai preparando o paciente para transplante e aí a gente consegue transplantar o paciente e a sobrevida dele muda, né? Porque com o transplante, quando a gente indica o transplante, é porque a sobrevida com o órgão transplantado é maior, vai ser maior do que a sobrevida dele com o órgão dele. Então o transplante ele é efetivo, ele existe, ele tá disponível. O Brasil tem um um uma um sistema de de de transplantes que é extraordinário e e está acessível. tem vários centros transportadores no país e os profissionais de saúde têm que entender que o paciente que tem uma doença hepática, que tem cirrose e que começa a deteriorar a função, o médico tem que procurar o melhor serviço de transplante mais perto do do da da do da região dele para poder encaminhar o paciente. Dr. Marlone, essa questão então como que está o cenário aqui no Brasil quando falamos sobre doenças hepáticas, né? é considerado então uma questão de saúde pública, como que estão as taxas, né, de mortalidade? que tiveram quedas aí em relação às mortalidades por conta, no caso, das hepatites virais, que tem eh os exames, né, que podem ser feitos, testes rápidos pelo Sistema Único de Saúde e também as vacinas, além das prevenções. É, a o o a as hepatites virais, realmente a gente teve uma uma queda, né, nesses dessa nessa nessa indicação para o transplante. Quer dizer, antigamente eh a hepatite C ela sempre foi a causa principal, né, de transplante hepático, a que leva o paciente a a precisar de um transplante hepático. E isso aí tem caído, inclusive tem em vários países também e no Brasil também tem acontecido, que a doença hepática esteatótica ela tem avançado, quer dizer, a estatose hepática ela tá avançando e tá superando a hepatite Cusa eh de como indicação para o transplante hepático. Mas a gente tem um problema que é o câncer de fígado, que é o carcinoma hepaticelular, que é uma das complicações da cirrose. Então, todo paciente que tem cirrose, ele tem chance de desenvolver um câncer de fígado e ele precisa fazer ultronografia cada 6 meses. Aí é que o sistema de saúde não consegue pegar todo mundo. Então, aí é que a gente consegue eh eh a gente acaba dando diagnóstico tardio de câncer de fígado e o paciente acaba perdendo a oportunidade de transplantar. Então assim, eh, por um lado a gente tem a diminuição, né, das indicações de transplantes por hepatites virais. Isso realmente acontece, mas a gente tá tendo um aumento da indicação pelas pelo pelo pela estatose hepática, pela gordura do fígado. O o etilismo ainda é também uma causa importante que leva os pacientes a a necessitar eh do transplante. Mas a gente tem um câncer de fígado e esse em si a gente tá pegando muitos casos avançados. E aí a mortalidade do câncer de fígado é uma mortalidade alta. O transplante é o melhor tratamento. A cirurgia também pode ser feita em casos eh precoces. Existem outros tratamentos que são eh ablativos e tal, que podem ser feitos, mas o transplante, o transplante e a cirurgia é o é o tratamento mais completo, porque ele trata a cirrose e trata o câncer de fígado, entendeu? Então assim, eh, a, o problema da gente hoje maior é esse rastreamento do câncer de fígado que todos os pacientes com cirrose precisam fazer, porque uma vez que você chega a ter a cirrose, ah, alguns pouquíssimos casos conseguem reduzir um pouco a fibrose, pouquíssimos casos, mas a maioria dos pacientes que chegam a desenvolver a cirrose e chegam a ser diagnosticados com cirrose, essa fibrose ela tende a não reduzir, então ele fica com a doença estrutural. Mas o que a gente pode fazer é prevenir as descompensações. A gente até consegue fazer isso, eh, e prevenir o cascinoma de o carcinoma hepatocelular, que é o câncer de fígado, mas a gente precisa de de um um um uma sistematização, né, nessas nessas prevenções. E isso às vezes é difícil no sistema público, entendeu? Então, apesar da gente conseguir ter o acesso, isso é fantástico, é espetacular, né? Porque o tratamento ele é caro e a gente tem acesso a diagnóstico e a gente tem acesso ao tratamento das hepatites virais. Eh, isso é fantástico, mas o que falta também é o paciente chegar ter isso aí, porque a gente, na verdade, eh, o gargalo muitas vezes ele não está no tratamento hoje, né? O gargalo tá no ultração para fazer o rastreamento do câncer de fígado, OK? Isso é um gargalo, mas o outro gargalo está no diagnóstico, porque pacientes não chegam para poder fazer esse diagnóstico, porque a gente tem vários pacientes que tem hepatite B, hepatite C, que não sabem ainda que tem, entendeu? Então, eh, eles precisam fazer esse teste, tanto porque os médicos precisam estimular esse teste, como também o paciente precisa buscar, porque o paciente precisa, ah, isso aí não é comigo não, isso aí não tem um fator de risco para isso, não. E não faz. Só que hoje em dia, por exemplo, todos os pacientes acima de 40 anos tem que fazer exame para hepatite C já. Então, ela já é um uma uma um teste que tem que ser feito para todos os pacientes acima de 40 anos. Então assim, eh eh eh o problema é que muitos pacientes ainda não fizeram esses exames. Esse é um esse é um gargalho importante. E aí a gente vai dar o diagnóstico muitas vezes na fase tardia ou na fase do câncer de fígado. Então assim, por mais que a gente tenha conseguido reduzir eh essa essa mortalidade, reduzir um pouco essa indicação de transplante por hepatites virais, a gente tem ainda o gargalo do o rachamento de câncer de fígado e tem a ascensão da esteatose hepática com causa de cirrose, que essa daí ela vai causar muito medo lá na frente. Então, a recomendação, doutor, é realmente que as pessoas criem esse hábito, né, de fazer o teste, de fazer os checkups e, principalmente essa prevenção, né, até das coisas mais simples, mais comuns, como ah, o consumo excessivo de chás, como foi mencionado, que faz toda a diferença. Então essa a questão maior mesmo é a prevenção e ter o hábito de fazer os exames, que isso vai eh ser mais fácil depois para esse diagnóstico precoce, né? Perfeito. Eu acho que eh a gente tem que a eh caminhar bem nisso, é prevenir as causas que a gente tem como prevenir eh são os fatores de risco, né? A própria obesidade, consumo de álcool, né? e as e as e os fatores de super hepatite virais, fazer os exames de prevenção, valorizar o resultado desses exames, ou seja, não subestimar porque qualquer alteração tem que ser valorizada e a partir daí a gente conseguir tratar. Então é são várias fases, né, nesse processo de diagnóstico e tratamento que a gente tem que fazer para para para tratar esse paciente de forma adequada. Tá certo, Dr. Marlone? Muito obrigada pelas suas explicações, por trazer essas informações, né, sobre as doenças hepáticas. É um tema bastante complexo, mas acredito que conseguimos passar um pouquinho aí das informações a respeito das principais doenças e o mais importante, né, alertar a população sobre o quão grave eh eh se não tiver esse diagnóstico, né, das complicações. Então, quero agradecer, muito obrigada pela sua participação. Eu que agradeço a possibilidade de falar aqui sobre a cirrose, que é tão importante e tão esquecida. Muito obrigada novamente pela participação. Bom, o nosso programa fica por aqui. Falamos sobre doenças hepáticas com o Dr. Marlone Cunha. Continue aproveitando a programação da TV Câmera Campinas. Temos um encontro marcado na próxima edição. Até lá. เฮ
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