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Olá, [música] saúde a vida começando. Vamos juntos abordar os temas atuais sobre prevenção, bem-estar, tratamentos e qualidade de vida. No programa anterior falamos sobre o câncer de intestino e hoje vamos falar sobre o câncer do colo do útero, que é o terceiro tipo mais frequente entre as mulheres brasileiras. O nosso bate-papo é com a Denise Ferreira, ela que é rádio oncologista e diretora da comunicação da Sociedade Brasileira de Radioterapia e já está conectada. Seja muito bem-vinda, Dra. Denise, boa tarde. Obrigada pelo convite. Bom, vamos iniciar então esse nosso bate-papo falando sobre o Marcio Lilás, que é a campanha de conscientização sobre o câncer do colo do útero. E a Sociedade Brasileira de Radioterapia lançou uma campanha, né, Dra. Denise, o futuro não precisa repetir o passado. Queria que você explicasse pra gente sobre essa campanha. Então, a ideia da campanha surgiu porque, basicamente, a radioterapia é um tratamento para os tumores de eh coluterino. Eh, mas a gente que lida todo dia com diagnóstico, com tratamento, com a vida pós tratamento dessas pacientes, a gente acredita muito que a prevenção é o grande caminho que a gente tem que seguir, né? Eu brinco que o radiooncologista não quer tratar câncer de colo útero, né? A gente quer a prevenção para poder eh diminuir ao máximo os casos de câncer de col uterino que a gente tem aí no nosso país, né? Com a vacina é uma doença que pode ser praticamente erradicada, né? Porque a grande maioria dos tumores do col uterino são relacionados ao HPV. Então, a campanha surgiu nesse intuito de que, apesar que a radioterapia não lida diretamente com a prevenção, a gente acredita que o o no poder da vacinação e e que um futuro realmente seja diferente, né? Que essas pacientes não tenham esse tipo de tumor para poder poderem serem tratados pela radiação e quimioterapia, que muitas vezes são eh é o tratamento necessário na maioria dos casos. Doutora Denise, já falando, né? sobre então a o vírus, né, HPV e também já entrando na questão da vacina, né, como já foi dito, eh falando sobre essa questão de do novo protocolo, né, do Ministério da Saúde, que em 2024 oferta, né, desde 2024 passou a ofertar a vacina para meninos e meninas de 9 a 14 anos, né? Você acredita que diante desse novo protocolo ainda assim é um tabu falar sobre o câncer do colo do útero, como tantos outros também que podem surgir com o vírus HPV? Com certeza. Acho que isso é um dos eh talvez maiores fatores que que contribuem eh pra gente ter vacinações assim abaixo de esperado, né? quando a gente lida com os pacientes familiares e tudo mais, o câncer do colo do útero, pela questão do HPV ser eh um vírus eh transmitido em relações, eh acaba tendo muito tabu. A mãe que não quer vacinar a criança porque acredita que vai estimular uma iniciação sexual preposse, né? Hã, ou então a mulher que não quer se vacinar porque ela acredita que isso tem a ver com promiscuidade, então ela não quer abordar e falar: "Não, eu sou promisca, vou me vacinar". E uma coisa não tem nada a ver com a outra, né? A questão do vírus ele é muito eh ele é muito prevalente na população. Então, a gente tem que se assegurar. A vacinação nessa faixa etária é por um quadro de resposta imunobiológica. E o ideal é que a gente vacine antes de ter o primeiro contato sexual. Então essa idade é a idade alvo ali para fazer a vacinação. Então é muito importante a gente desmistificar isso, né? Porque isso só causa realmente atraso na vacinação ou então as pessoas não se vacinarem por preconceitos relacionados à sexualidade, né? Tá certo? Exatamente, né? como você mencionou, essa questão da de ampliar, né, o público alvo também iniciando, né, essas conversas, esses diálogos que já acontecem nas escolas, mas isso também tem que ter esse direcionamento, né, dos familiares e não pensando na questão de estimular, né, talvez essa o início da vida sexual, mas sim uma forma de prevenção, que é sim a primeira prevenção que acontece se faz pela vacina, né, Dra. Denise, com certeza. E assim, a a questão sexual ela vai muito além, não é a vacinação que, ah, me vacinei, agora eu vou ter relação. Eh, é a questão da pessoa tá preparada idade, emocionalmente, né? Eh, ter uma pessoa de confiança para se relacionar. Então, são outros outros parâmetros, né? A vacinação é a prevenção para quando for chegada a hora, esse indivíduo já estar imunizado, eh, pra gente não ter essa questão da disseminação. Outra coisa que a gente vê bastante é a mãe do menino que acha que ele não precisa vacinar. Os homens são eh os principais vetores, porque muitas vezes eles não têm nenhum sintoma relacionado a ao HPV, então tem que tem que vacinar, né? são todos meninos e meninos nessa pachetária e no ambiente ali privado a gente consegue abranger ainda mais até 45 anos. Homens e mulheres também mostraram aí as pesquisas benefícios na vacinação e não só contra o câncer do colo do útero, mas tumores que têm relação com HPV, por exemplo, de oro farino, pênis, vagina, né? Então assim, e a vacina abrange todas essas questões da infecção do HPV que podem ocasionar aí algum tumor nessas regiões. Sim, porque são inúmeros, né, eh, vírus existentes, né, do do HPV, né, Dra. Denise, a gente não tá falando de apenas um vírus, né, do câncer de colo do útero, né? Existem outros, como foi mencionado mesmo. Tem como a a gente dizer quantos vírus existem? É possível mensurar? São vários, né? A vacinação pelo SUS a gente abrange quatro sorotipos que são os mais eh, vamos botar assim, mais agressivos, né? Que são o 6, o 11, o 16 e o 18. E na vacina privada a gente já abrange nove soripos, mas são vários, né? Então é é é essa a importância. Agora a gente tá tentando eh trazer pro para pro SUS, né, pro ambiente público, essa vacina que abrange esses novos novos sorotipos, certo? E Dra. Denise, falando sobre essa questão da prevenção, né, a uma das principais, no caso da vacinação, eh tem um estudo, né, segundo o Instituto Nacional de Câncer, estão previstos 19.000 novos casos previstos para 2026. Ainda assim, esse é um número alarmante. Isso se dá por por uma questão de não atingir 90% aí da vacinação, atingir essa porcentagem do público alvo para essa vacinação da HPV. Por que que esse número ainda assim é tão alarmante? Eh, eu acho que é multifatorial, né? A vacinação que tá muito aquilo que a gente gostaria. a gente eh previa aí inúmeros eh maiores de pessoas imunizadas a partir da disponibilidade pelo SUS e também pela essa abrangência maior em âmbito privado. E tem outras questões relacionadas, né, também além da questão da vacinação, a gente tem que fazer os exames, né, os os exames preventivos, ir no ginecologista, fazer o exame físico, acompanhar lesões eh já estabelecidas, né, percussoras. Então, é mais eh mulatorial, né? às vezes acaba que a mulher que iniciou a atividade sexual não faz os exames no tempo preconizado. Então assim, são várias sessões, né? Acesso a ginecologista, né? O nosso Brasil ele é muito heterogêneo, né? Tanto que se a gente olha eh só pra região ali do Norte eh e Nordeste, os números chegam a ser maiores, né? Chega a ser até a segunda causa mais comum eh de tumores femininos. Então acho que além da prevenção, né, com a vacinação, o uso de preservativo, a gente também tem que procurar os médicos para fazer para fazer os exames preventivos, né, para se caso tiver a doença também a gente fazer o tratamento. Doutora Denise, falando então já dos exames preventivos, né, qual que é o recomendado? O Papa Nicolau ele faz eh ele se faz presente nesse sentido de ser um dos exames preventivos, né, da mulher na ida ao ginecologista. Com certeza ainda é um dos exames eh de mais fácil acesso, né? Então é um exame que o ginecologista faz no consultório, a coleta no consultório, o exame vai para pro laboratório de patologia. Então isso é é a forma ainda mais eh rápida, né, da gente ter ali um controle, de ter aí o exame preventivo disponível, né? Tá certo? Bom, agora a gente vai entrar um pouquinho, né, mais a fundo na na questão mesmo do câncer, né? queria que você explicasse o que de fato é o câncer do colo do útero, como que age ali no organismo, falando um pouquinho também sobre os sinais, os sintomas, na fase mais eh avançada ou também ali na fase inicial da doença, como que é possível identificar, né? Mas de fato, o que é o câncer do colo do útero, Dra. Denise? Então assim, o útero a gente divide ele no corpo uterino, que é a parte que quando a mulher fica grávida, descende, depois diminui, né, depois da gestação. E o colo uterino, que é a parte ali inferior, que é a que segura eventualmente o bebê ali dentro do útero. Eh, o col uterino, ele tem uma uma camada ali extercada epitelial. ali é que se desenvolvem a maioria dos tipos de tumores, que são os carcinomas epidermoides. Eh, esses carcinomas epidermoides, eles acabam eh com o passar do tempo causando sintomas, né? Nos tumores mais iniciais, esses sintomas eh às vezes é muito difícil sentir alguma coisa, né? Então, por isso a importância dos exames preventivos, que o ginecologista vai estar visualizando aquela região, coletando material pra gente avaliar eh alguma alteração mais precoce. Mas nos casos mais avançados, quais são os sintomas que podem acontecer? dor em relação sexual, sangramento após relação sexual ou fora do período menstrual, algum corrimento vaginal em maior quantidade, às vezes corrimento junto com a sangue, né, alguma infecção associada, né? Então, esses são os sintomas mais comuns e em tumores mais localmente avançados, aí às vezes pode acontecer bastante dor pélvica, ã, ou então alguma alteração para urinar, alteração para evacuar, né? Então, é sempre importante a mulher estar aí atenta a esses sintomas e também, eh, ter um uma relação muito próxima com a questão da menstruação e pós-relação para avaliar se tá tendo algum sangramento fora desse período ou relacionado à relação, que são as causas assim mais comuns que a gente vê a paciente ter diagnóstico do câncer uterino são essas, né? H, o, e é isso, tem que tá atento, né? Eu acho que eh muitas vezes o que que a gente vê é a gente não escutar o próprio corpo, né? A gente, ah, mas é normal, né? Deve ser, às vezes usa o anticoncepcional e fala: "Ah, é escape, né? Isso, mas lembra que a gente tem que ter um médico junto, um ginecologista acompanhando e relatar esses sintomas, né? Olha, tive um sangramento que não era previsto, né? Que daí tudo isso junto com a avaliação clínica, exame clínico, a gente descarta alguma causa maior, né? Então não é entrar numa paranoia de tudo achar que é câncer, mas é ter uma responsabilidade de poder ter um acompanhamento médico que vai te guiar caso alguma coisa, alguma alteração venha a acontecer. E a gente sempre fala sobre essa questão do diagnóstico precoce, né, que tende aí a ter mais chances de cura mesmo, né, Dra. Denise, com certeza. Nos nos tumores mais iniciais, muitas vezes a gente consegue fazer uma cirurgia sem nenhum outro tratamento, né, e a paciente fica bem. Hoje em dia tem vários tipos de cirurgias que muitas vezes conseguem até preservar a fertilidade dessas pacientes, né? Então, é muito importante a gente tentar, caso aconteça, né, fazer o diagnóstico precoce desses tipos de tumores. nos casos mais avançados, aí a cirurgia acaba não sendo mais uma opção e a gente faz um tratamento muitas vezes ainda com intuito curativo de químio e radioterapia, mas são tratamentos que são mais longos, tratamentos mais tóxicos, né? E não só durante o tratamento, mas isso a gente vê repercutir na vida da mulher depois do tratamento, né? Então, às vezes, alterações vaginais, estenose, que a vagina fica um pouco mais estreita, ou então alguma alteração de lubrificação, né, alteração em questão hormonal, porque muitas vezes acaba não tendo mais os hormônios produzidos pelos ovários, então a paciente acaba entrando num estádio como se fosse uma menopausa mais precoce e isso tudo interfere em qualidade de vida, né? Então é isso, eu falo, nenhum radioncologista quer tratar, quer ser de colo útero. O nosso sonho aí pro futuro, né, é a gente ter o mínimo de doença possível, né? Eh, e os tumores relacionados ao HPV a gente não tem, né? Se tiver para ter algum tumor de câncer de colo útero e tudo mais, né? Que sejam de outras histologias, outras coisas que a gente, infelizmente, ainda não consegue eh ter essa prevenção, né? Mas desse tipo de tumor relacionado ao HPV, a gente gostaria nunca mais de tratar nenhum. E é o que eu falo, muitas vezes o paciente chega no consultório e fala: "Ai, doutora, por que que a gente não descobre a cura do câncer, né?" E aí quando a gente descobre alguma coisa que tá relacionada a tu nem ter a doença, muitas vezes as pessoas não pagem a vacinação, não não se cuidam, né? Então eu acho isso tão paradoxal, né? né? Então é importante a gente levar informação, desmistificar tudo isso pra gente poder ter uma abrangência maior da vacinação e uma diminuição desses casos e uma possível erradicação do câncer do colo do útero relacionado ao HTV. Certo? Dout. Denise? Falando sobre essas questões, né? Eh, sobre a vacinação, que é o o primordial aí também dos exames, né? é o tratamento conforme aí o avanço, né, da doença, conforme o estágio da doença também foi falado. Mas quais são as causas principais e os fatores de risco, né? Tem a ver com algo hereditário, genético? Nesses tipos de tumores relacionados ao HPV? Não existem outros tipos de tumores, eh, mais até do câncer do corpo uterino e tudo mais, que tem outras relações mais hereditárias. Mas esses tumores do HPV foi que a gente conversou, a maioria e é relacionado ao HPV, que é relacionado a questão da infecção pelo vírus. falando sobre essa questão da a vacina, a gente sempre vai, né, falar que é o primordial, embora aí tenha esse tabu ainda de falar sobre a vacinação para crianças, né, de 9 a 14 anos, eh qual que é a idade eh dos pacientes que vai ao consultório, que tende a ter o câncer e de útero, né? qual que é uma faixa etária, assim que tem a o risco maior de desencadear aí o câncer. Eh, todas as idades, né? Depois que a gente começa a ter relação sexual e que tá exposto à questão do vírus, normalmente essa doença ela demora em média de uns 10 anos assim para ela começar a se manifestar. Mas o que que a gente vê, principalmente no nosso país, que infelizmente a gente vê crianças com atividade sexual muito cedo, né? Infelizmente às vezes por abuso, por outras causas, não falo nem numa iniciação sexual, né? E a gente também pode ver em pacientes muito idosas, né? Então, já tive pacientes tratando o câncer de coluterino com 90 anos. Então, é importante estarmos atentas aos sintomas, né? E às vezes as pacientes mais eh velhinhas, que que acontece? Às vezes estão institucionalizadas e aí começa com algum sangramento. É difícil familiar ter acesso a isso, né? Ter conhecimento e aí às vezes quando descobrem realmente já tá um um tumor mais avançado. Então assim, a gente tem que tá atento aos sintomas, né? Sangramento vaginal pósmenopausa sempre tem que ser investigado, né? E infelizmente às vezes não é, né? A gente acaba negligenciando, acha que é uma coisa que é ocasional, aconteceu ou não vai acontecer, às vezes atribui o sangramento a alguma outra causa, alguma doença hemorroidária, acha que não é vaginal, né? Então, é é complicado tudo isso. Eh, o importante é a gente estar atento aos sintomas, né, e investigar no que acontecer aí de diferente no organismo. Exatamente, Dra. Denise, né, falando sobre essa questão aí das investigações, né, para saber eh da doença, porque nem sempre vai ser diagnosticado aí com o câncer. existe chances eh de ter uma metástase, quais os outros órgãos que podem ser acometidos também com essa doença depois do primeiro diagnóstico, né, essa pessoa, esse paciente já ser diagnosticado com câncer, existe a possibilidade de eh desenvolverem outros órgãos também? sempre existe. Todo tumor que a gente considera um tumor invasivo, eh, ele tem essa possibilidade de mandar metástases, que são informações ali para outros órgãos, né? Então, no câncer de colo do de câncer do colo útero, é muito comum a doença mandar informação ali, mandar metástases pros linfonódos pélvicos e também em alguns casos mais avançados os linfonódodos paraópticos, que são os linfonódos ali adjacentes à orta abdominal. E em outros casos também pode acontecer doença metastática para pulmão, fígado, né? depende aí do estadiamento da doença e de como ela vai se comportar. Tem doenças que são realmente muito agressivas e aí essa paciente acaba evoluindo com doença à distância, né, doença metastática. Mas a maioria assim dos casos eh que a gente faz o diagnóstico, por mais que seja mais localmente avançado, quem radioterapia, a gente tem chances curativas muito boas, né? Mas foi o que eu disse, eh, com também sintomas e consequências pós o tratamento, que são muito importantes, né? Então, às vezes não é só, ah, vou me curar do câncer, mas é é lidar também com que essas pacientes vão eh enfrentar pós a doença, né? Então assim, eu convido a todos a olharem ali no Instagram da Sociedade Brasileira de Radioterapia, ali a gente tem feito vários posts eh justamente sobre isso, a identidade do paciente também pós o tratamento, né? Porque não é só a questão do tratamento, né? É tudo que vem depois também, né? Eh, é muito complexo uma paciente oncológica o diagnóstico, o tratamento e esse pós-tratamento também. Então isso tudo a gente tem que que levar em consideração e por isso entender que é uma doença grave, é uma doença que a gente realmente não quer no consultório tratando. Vamos investir aí em prevenção, vacinação, uso de preservativo, né, exames periódicos conforme a orientação do ginecologista, porque é uma doença prevenível, né? Então a gente tem que bater sempre nessa tecla, certo? E Dra. Denise, eh, hoje, né, o Sistema Único de Saúde, ele também oferta o teste rápido, né, de HPV, tem todas as orientações também, equipes, né, multidisciplinares ali, profissionais que estão eh atentos e dispostos, preparados, né, para atender esse paciente, mesmo que ele esteja com uma dúvida, eh, pedindo ali alguma orientação, um auxílio lá no Sistema Único de Saúde também, eles conseguem dar esse suporte para esse paciente, né, com esses testes rápidos, principalmente que também aí é uma uma maneira mesmo também de prevenção, né? Sim. A gente tem visto que o SUS tem investido bastante em tudo isso, os profissionais qualificados, né? Eh, para poder orientar quais pacientes têm os critérios, quanto tem que ser feito, né? Então assim, eh, eu acho que tá sendo tudo disponibilizado de uma maneira bem eficiente, né? Cabe a nós agora como médicos, profissionais da saúde, jornalistas, né, levarem essa informação adiante. A gente fez essa campanha do Márcio Lilás, a gente fez um site que a gente tá com todas as informações ali do Márcio Lilás. Então, assim, temos que levar adiante, né? Eu acho que grandes eh poderes a gente também tem grandes responsabilidades, né? E às vezes a indústria farmacêutica e tudo mais tá tão preconizando ali a questão do tratamento e a prevenção fica pequenininha aí, né, em tudo. Então, acho que é muito importante e parabéns para vocês darem voz a esse momento, né? Porque a gente tem que falar de prevenção e a gente tem que melhorar os números de vacinação. Acho que tem muita falta de informação, tem muito preconceito relacionado que a gente precisa desmistificar para poder ter uma adesão maior e consequentemente, quem sabe poder erradicar a doença relacionada ao HPV nos próximos anos, igual outros países aí já estão com essa meta aí quase alcançada, né? falando dessa meta da Organização Mundial da Saúde, né, que inclusive em 194 países a meta aí de eliminar, né, o câncer do colo do útero até 2030, né, com essa meta aí, com essa cobertura de 90% aí da cobertura vacinal. Então, a gente espera, né, que aqui no Brasil tende a ter essa cobertura também, como tantas outras vacinas, mas é aquilo que a gente conversou no início do programa, né, Dra. Denise, por ser uma vacina que já veio aí com esse novo protocolo de iniciar com crianças, eu acredito que isso dá uma assustada, né, nas pessoas justamente para por conta aí de de talvez estimular ou não essa essa criança, né, porque fala 9 anos de idade, né, muita gente, mas por que que eu vou vacinar com a vacina contra HPV? Por quê? Então existe esse medo, esse tabu. Outra questão também, Dra. Denisa, você acredita? Contando essa parte, por que cidade? Melhor janela imunológica e porque a gente tem que vacinar no melhor cenário, que é quando ainda não teve contato com o vírus. Então ela sempre bater nessa técula. Não tem relação a incentivar a relação sexual. Eh, se tu for olhar o calendário vacinal de doenças, eh, a maioria das doenças a gente faz em em em idade infantil, né? Então, assim, é só mais uma, do é só mais uma vacina no calendário infantil. A diferença é que não vai ser um bebê de um mês ou dois ou três ou um ano ou dois, vai ser uma criança de 9 a 14 anos. Por isso que a gente tem que reforçar exatamente eh nessa idade que é a maior prevenção, porque o tema principal é sobre a prevenção, né, Dra. Denise, que é a conscientização dos riscos aí da doença, dos números que são alarmantes, mas por outro lado, a medicina está avançada, tem os tratamentos, tem cura, mas precisa existir aí essa prevenção. Eh, falando um pouquinho sobre a questão dos pacientes que chegam, né, para você, você acredita que ainda existem eh mulheres que têm medo do diagnóstico, né? É por isso que demora tanto para procurar uma ajuda, eh, uma orientação, às vezes está sentindo alguma coisa, um desconforto, mas tem medo de investigar porque tem medo do resultado. Isso ainda existe, porque é uma questão também psicológica, né? Com certeza. O câncer ainda tem um estigma associado muito grande. Então, assim, não só no câncer do colo do útero, mas em outros tumores, principalmente mama, né? Eh, a gente vê eh a questão da negação, a questão da não aceitação, a questão do medo e a radioterapia, principalmente quando a paciente chega aqui, a gente vê muito medo do tratamento, né, de ai porque fulana fez e ficou desse jeito e porque não sei quem fez e ficou assim. Então assim, o que que eu falo sempre paraas minhas pacientes, né? Cada cada uma de nós é única. Cada paciente vai lhe dar com um jeito. O meu limiar de desconforto é diferente do seu. Eh, o meu corpo é diferente do seu. Então, não tem como tu pegar alguma coisa que às vezes a paciente foi tratada há 30 anos atrás e trazer pra realidade de 2026. Então assim, eh, é difícil, óbvio, se fosse fácil, né, a gente não teria aí tantas pacientes na mesma situação, mas eu acho que é tentar sempre enfatizar que quanto antes maior a chance de cura. Então, maior do que o medo tem que ser a coragem de encarar tudo isso, eh, para poder fazer o diagnóstico precoce e seguir, né, e saber que às vezes é um medo que talvez nem vai dar em nada, mas tem que investigar para ter certeza, né? E então esse medo existe não só pela possibilidade do diagnóstico, mas também muitas vezes pelo diagnóstico já confirmado, mas o medo em relação ao tratamento ou ao que vai ser feito, né? Então é uma é muito importante, né? Hoje em dia a avaliação multidisciplinar dos pacientes oncológicos é fundamental. Então nesses casos, eu sempre indico avaliação psicológica, nutricional, tudo, né? Pra gente lidar com o ser humano como um todo, né? Porque realmente essa questão do paciente oncológico, ela é muito é muito desafiador, né? É muito multifatorial. a gente tem que lidar o com o paciente como um todo para ele poder não só eh se tratar, mas também ficar bem diante de todo o tratamento, né, que é que realmente mexe bastante com o emocional de cada um, né? Perfeitamente. Doutora Denise, eu quero agradecer a sua participação aqui no programa Saúde é Vida. muito obrigada por compartilhar todo o seu conhecimento e o mais importante, né, levar a informação para quem está nos assistindo sobre a importância da prevenção, principalmente. Então, muito obrigada. Por favor, os seus as suas considerações finais aqui no programa. Eu que agradeço e mais uma vez o futuro não precisa repetir o passado. Ah, hoje em dia a gente tem a vacinação, vamos insistir na prevenção para que vocês eh não precisem nem chegar na radioterapia, que esse é o nosso foco maior. E a campanha a gente fez com todo esse carinho, pensando nisso, mandar essa informação de prevenção para que nenhuma paciente precise passar aí mais por esse tipo de tumor. E a gente convida vocês ah a olharem ali o nosso site do Márcio Lilás, a campanha ali que a gente tá lançando no Instagram da Sociedade Brasileira de Radioterapia e ficamos à disposição para esclarecer qualquer outra dúvida que possa ter surgido a partir dessa dessa nossa entrevista. Muito obrigada. Eu que agradeço, Dra. Denise. Bom, nós conversamos então com a Dra. Denise Ferreira, ela que é oncologista, né, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Radioterapia, Rádio Oncologista, que trouxe todas as informações e deixou essa mensagem da importância da prevenção. Então, espero que você tenha gostado. Continue aproveitando e olhando toda a programação da TV Câmara Campinas e eu te espero na próxima edição. Até lá. C [música] [música] [música] [música] [música] [música]