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Olá, programa Saúde à Vida começando com muita informação para você. No programa de hoje, vamos falar sobre câncer de pulmão. Estamos no mês de agosto e o agosto branco é dedicado à conscientização desta doença. Para abordar esse tema, vamos conversar com o Dr. Ramon Andrade de Melo, ele que é oncologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia. O doutor já está conectado. Seja muito bem-vindo. Obrigada por ter aceito o nosso convite. Dout. Muito obrigado. Eu que agradeço aqui a presença, a possibilidade de estar aqui presente. Doutor, primeiro a gente vai falar um pouquinho sobre o câncer, né, mais especificamente falando sobre aí o câncer de pulmão. E de fato ele está entre as doenças de maior letalidade, doutor? Sim, com certeza. O câncer de pulmão é hoje considerado uma doença muito importante em termos de mortalidade eh na saúde pública oncológica no Brasil e também no mundo. Você sabe que no mundo, vamos dizer assim, é mais de 15 milhão e meio de novos casos por ano. E o câncer de pulmão, embora ele não seja o mais comum, né, a gente tem hoje no Brasil, eh, como sendo câncer de pele não melanoma, o mais comum, tanto em homens quanto mulheres. Depois a gente tem o câncer de mama nas mulheres e também o câncer de próstata nos homens. O câncer de pulmão ele vai oscilando ali entre as cinco posições. No entanto, mesmo não estando entre as primeiras posições, ele consegue ser uma das doenças oncológicas que mais mata, eh, né, ou seja, que tem uma maior letalidade e eh no tipo na na população oncológica. Então ele merece um destaque e também, de certa forma políticas de conscientização de prevenção, né? Porque a gente sabe que o câncer de pulmão é uma doença que pode estar associada a diversos fatores de risco, né? Dentre eles o principal sendo a idade, entre outros também como o tabagismo, né? Que seja relacionado ao consumo de cigarros, né? tabacos que não seja só o cigarro comum, também podem estar relacionados ao câncer de pulmão, além de exposição a agentes radioativos, né, como agentes das rochas, radônio, pessoas que trabalham em minas de carvão, pessoas que trabalham em outros tipos de atividade de mineração também podem estar associadas ao risco dessa doença. Além disso, uma outra questão relacionada ao risco dessa doença também é basicamente os fatores genéticos, fatores genéticos de história familiar, pessoas que têm histórias de câncer de pulmão jovens na família ou mesmo que tos tipos de câncer, né, ou algumas mutações que podem estar associadas ao desenvolvimento dele, eh tem que ser, né, eh, recomendadas a políticas de rastreio precoce. Então é uma doença muito sensível e que merece sim um mês dedicado à conscientização dela. E doutor, falando sobre os tipos, né, o senhor já trouxe outros tipos de câncer, mas especificamente falando sobre o pulmão, tem tipos diferente nesse órgão ou não, doutor? Existe sim. Eh, hoje em dia o câncer de pulmão e ele é reconhecido como dois grandes principais grupos. Tem um câncer de pulmão de não pequenas células, que corresponde a cerca de 85% dos casos dessa doença, e o câncer de pulmão de pequenas células, que correspondem a cerca de 15% dos casos dessa doença. O câncer do pulmão de não pequenas células, ele é subdividido em outros tipos histológicos, como por exemplo, os adenocarcinomas, que podem variar na faixa de 40 a 50, 60%, dependendo da etnia da população. tem os tumores escamosos ou os de pequena ou de os carcinomas espinocelulares, que também gira em torno de 30%, 20, 30% dos casos e outros subtipos menos comuns, como por exemplo os tumores de grandes células, os adenoescamosos. Já os tumores de câncer do pulmão de pequenas células, a maioria deles eh pode são os os pequenas células entre si, mas também aqueles neuroendócrinos de pode tem ainda também os tumores neuroendócrinos de alto grau e de baixo grau. Então, assim, é um é uma é uma patologia muito heterogênea em termos de subtipos histológicos, ou seja, né, de e eh tanto da quando a gente fala sobre tipo histológico, tem tá relacionada à questão da biópsia em si, eh, e que merece uma atenção. Um outro ponto importante da abordagem dessa doença é a questão molecular, né? O câncer do pulmão é uma doença que que o subtipo molecular ele ele é determinante no que se diz respeito ao tratamento. Então você tem eh pacientes que têm certas mutações, né, como e aí são termos técnicos, mas eu posso até mencionar aqui mutações do, mutações do BRAF, tem expressão de proteínas também chamadas como R2, eh expressão do do gen Ross, do Alk, então essas do Genim, então tem uma série de mutações e hiperfis moleculares diferentes que fazem com que a gente consiga escolher o melhor tratamento pro câncer do pulmão, né? Então, é é isso, é muito importante hoje a gente ter em mente. E uma questão eh eh interessante é que gente, a gente tem hoje na literatura científica drogas alvas, né, que podem bloquear eh essas mutações e fazer com que o os pacientes acabem por ter uma resposta maior a determinados tratamentos. esse esse cenário a gente então observa da do avanço mesmo da medicina, né, nesse sentido da da do da tecnologia mesmo, né, doutor? Isso. Eh, justamente isso. A medicina tem avançado bastante na tecnologia. A pesquisa molecular no câncer de pulmão tem avançado bastante. Então, hoje você tem uma série de opções terapêuticas para cada uma dessas mutações e que elas acabam por ajudar bastante os oncologistas a a escolherem o melhor tratamento para esses pacientes em questão, né? Então você tem também outros medicamentos que estão sendo desenvolvidos também. E além disso também a combinação de imunoterapia. Existe também um outro biomarcador que a gente utiliza no câncer do pulmão, que é o PDL1. O PDL1 ele é um marcador que e é é muitas vezes avaliado não por genética, mas por reações de imunoistoquímica. E essas reações de imunoistoquímica, elas vão elas vão determinar a a concentração da expressão dessa desse biomarcador nos pacientes com câncer de pulmão. Dependendo do grau de expressão, ou seja, da porcentagem de expressão, a gente tem eh, portanto, uma predição de resposta a alguns agentes imunoterápicos, né? Então a gente tem agentes hoje em dia aprovados para câncer de pulmão aqui no Brasil, PembrolisMAB, Nivolumab, né, o ATolisumab, Hipilimumab e e pacientes com autoexpressão desse PDL1, eles respondem bastante a esses tratamentos, né, graças a Deus, eh, a gente tem essa possibilidade, né, de conseguir eh oferecer a alguns pacientes esses tratamentos e obter respostas interessantes. Outra coisa que eu tenho que lembrar também é a via do do gen ras, né? Ou do gen ras, não, desculpe, doc. O AL é é um outro biomarcador importante no câncer do pulmão e que tem eh terapêuticas muito boas que respondem muito bem, como crisotnibe, alectibe, seritib. são nomes, eh, são nomes estranhos, mas bom, enfim, eu eu acabo citando aqui como uma forma de ilustração, mas esses esses tipos de de terapias, eles podem chegar até responder mais de 80%, inclusive eu tenho algumas pacientes que já tiveram até resposta completa com crisote iníbico, por exemplo, que é um dos primeiros eh inibidores de ALX que a gente tem hoje aqui disponível no mercado. Então, é algo que, na verdade, é muito importante o paciente eh procurar o seu médico e e ver, né, que tipo de mutação o seu câncer do pulmão tem e que tipo de medicação personalizada a gente pode oferecer para eles, né? Porque a maneira que eu venho que eu eu vou citando aqui uma série delas e acaba por ser realmente muito complexo e obviamente cada caso é um caso e merece uma atenção e uma uma discussão com o médico assistente que tá liderando o caso. Mas com certeza uma outra tecnologia que é muito importante hoje no câncer de pulmão é a chamada biópsia líquida. Existem vários tipos de biópsia líquida hoje em dia, né? e vários tipos de biópsia líquida no mercado também. O que que seria a biópsia líquida? A bióxia líquida, de uma forma geral, seria uma plataforma de sequenciamento, primeiro, de detecção de células tumorais circulantes e de DNA tumoral circulante, DNA livre no sangue. E a partir de determinadas tecnologias mais avançadas, né, você consegue detectar essa célula e fazer um sequenciamento genômico. Esse sequenciamento genômico que antes era feito só na biópsia tecidual, ou seja, aquela biópsia que necessita da agulha, hoje já é possível fazer no sangue e o paciente nem sequer agulha ele precisa, inclusive já é possível mesmo diagnosticar o câncer do pulmão no sangue sem precisar furar, sem precisar, é, tem que furar para colher o sangue, né? Mas eu digo, sem precisar furar com agulha de biópsia aquela lesão suspeita. Então, eh eh felizmente a tecnologia tem eh avançado bastante, né? E existem várias biópsias líquidas no mercado, aquelas diagnósticas, aquelas que são utilizadas para eh obter informação na doença metastática daquela mutação que pode estar associado ao a uma melhor resposta, né? Essas biópsias líquidas eh são oferecidas por diversos laboratórios aqui no Brasil e também fora do Brasil, sendo que alguns que a gente tem parceria fora do Brasil até conseguem trazer informações mais acuradas sobre a doença, né, informações mais precisas e e que são, de certa forma, muito úteis para para o planejamento terapêutico estratégico do paciente, né, através da oncologia. dia de precisão. Então, é muito importante você eh discutir isso com o seu médico, ver se aquilo tá disponível, porque muitas agora, um grande gargalo que a gente vê em relação a toda essa tecnologia é muitas vezes o acesso, porque muitas vezes não há acesso a determinados convênios, não há acesso via SUS. E aí tem essas questões também que eu não vou discutir isso aqui hoje. Vou me deter mesmo só à questão da ciência em si. e uma e outras tecnologias também muito importantes, por exemplo, tecnologias de imagem como PET Scan, o PETC com 18 FDG, que é uma um uma um exame de imagem mais acurado e muitas vezes muito útil para você determinar linfonodos, mediastino, lesões eh pulmonares que são suspeitas e que a tomografia gera dúvidas. Então, o PETSCAN ele ele tem um papel importante também na abordagem desses pacientes. O que é importante ressaltar aqui é justamente a utilização racional do PETC, porque muitas vezes o paciente escuta a gente falando aqui na televisão e chega lá pro médico e já diz logo: "Ah, eu quero um petcan". Não, você precisa discutir com o seu médico se realmente você tem uma indicação, mas quando tem uma indicação certa e absoluta, é um exame muito útil também, né? É um exame muito útil porque ele acaba por realmente elucidar eh onde que a doença tá espalhada ou se ela está espalhada ou não, né? ou se aquela lesão suspeita que o médico eh identifica, ela ela é de fato uma lesão cancerígena, se merece uma biópsia tecidual ou não. Então o o tratamento do câncer do pulmão é muito complexo. Uma coisa importante, lembrando aqui do câncer do pulmão é a questão de onde é que ele espalha. Então, muitas vezes o paciente pergunta pra gente: "Doutor, onde que o câncer do pulmão espalha mais?" Ele pode espalhar em linfonodos, que são ganglios presentes em todo o corpo, principalmente na região do mediastino, que é a região aqui do tórax entre os pulmões. O câncer do pulmão, ele pode espalhar pro pulmão, ele pode espalhar pro fígado, ele pode espalhar pro osso e pode espalhar também, infelizmente, pra cabeça. E um exame importante pra gente detectar isso, não só a tomografia de crânio, mas a ressonância magnética do crânio. É um exame muito importante que a gente vê aí muita gente, muitas vezes o pessoal esquecendo de pedir esse exame é o exame que determina se o paciente tem ou não metástase cerebral e se essa metástase é tratável ou não. E aí vem duas perguntas frente a isso que eu acabei de colocar aqui para vocês. Primeiro, doutor, o que que é metástase? Metástase é o termo que a gente utiliza quando o câncer está espalhado. Então o médico pega e fala para você, você tem uma metástase, né? Depois, em relação à metástase cerebral, como que a gente trata? Aí vem aquela questão da biologia molecular que eu falei para vocês. Eu fiz o meu PhD em biologia molecular, em oncologia molecular, então acabo tendo isso muito na ponta do lápis já desde o início da minha carreira. E hoje em dia é algo utilizado muito na prática clínica, né? E graças a Deus se disseminando bastante aí em todo o mundo. Então a biologia molecular tem a ver com aquelas mutações que eu acabei de falar. Então são uma série delas, né? Não precisa você decorar, nem você ficar sabendo exatamente o que é. Obviamente hoje em dia você tem o Google, você tem inteligência artificial para pesquisar, mas lembro aqui sempre puxando o gancho de dividir isso com seu médico, que é a melhor pessoa para te orientar no que você deve fazer ou não. Mas dentro daquelas alterações genéticas que eu falei, a alteração do MET e a alteração do ALC tem medicações que são muito sensíveis para a metástase cerebral. E então essas medicações elas atravessam a barreira que protege o cérebro, que a gente chama barreira hematoencefálica, né? Então, essas medicações acabam por atuar muito ali naquelas metástases do cérebro, muitas vezes até desaparecendo. Inclusive eu ten um caso interessante que eu eu tava aqui uma vez em São Paulo, uma paciente lá de Bauru, né, eh, ligou paraa minha secretária, disse assim: "Ah, doutor, eu preciso eu preciso ver o senhor e tal, tal". E aí a minha secretária falou: "Ah, o doutor tá terminando no ambulatório dele agora. Na época eu atendi ali na Avenida 9 de Julho e e aí ela falou: "Doutor, tá terminando o o tratamento dele hoje, tá com a a agenda lotada e tal, mas ele pode marcar para você daqui há uns 15 dias que ele vai viajar para um congresso para dar uma uma palestra. Ia dar uma palestra no congresso americano de oncologia que tem todo ano lá em Chicago." E aí a paciente falou: "Ah, mas por favor, minha mãe acabou de ter o diagnóstico, a gente precisava muito ver o doutor". Então, minha secretária encaixou a paciente no final da minha agenda, já naquele intervalozinho de eu ir para Guarulhos, pegar o avião. Ela veio de Bauru lá 4:AS3 de viagem, chegou lá no consultório, a gente viu, a paciente, viu todas as biópses e tinha eh a expressão do PDL1. Então, o que que a gente fez? Prescreveu para ela a químia, a imunoterapia. Ela começou já logo na semana seguinte, quando eu tava indo pro congresso lá dando as palestras, que eu sempre faço parte aí desses congressos fora do Brasil. E ela começou o tratamento. Quando eu cheguei do congresso, ela voltou pro meu consultório, tava se sentindo bem. A gente começou o acompanhamento quando foi 3s meses depois do do tratamento dela, ela já tinha reduzido 70% das lesões. Quando foi 6 meses depois, eu tinha praticamente zerado as lesões. Eu conversei com ela tinha metástase em tudo que era pulmão, linfonolo e tal. Eu conversando com a minha colega radioterapeuta, falei assim: "Olha, vamos irradiar aqui o mediastino dela porque sobrou uma coisinha ali." Ela falou: "Vamos". E aí fez a radioterapia. Depois a a paciente ficou 100% curada. 100% curado. E aí começou o acompanhamento no meu consultório e tal. Ficou muito feliz. Ela até, na verdade, até me chamou para, eu me lembro que ela até fui, fui, a família fez um jantar para mim, até acabei indo lá em Bauru fazer o jantar e tudo. E e depois quando passado um ano ou dois, ela teve, infelizmente, uma recidiva cerebral, foi eh num hospital aqui em São Paulo, que eu não vou citar o nome por questões de compliance, mas esse hospital, então, colega neurocirurgião, que eu eu conhecia muito bem esse colega, um colega trabalhava comigo na altura que eu dava aula em uma universidade pública aqui, ele foi lá, fez uma biópsia e a biópsia determinou que a lesão metastática do cérebro era al positivo. Então eu tentei para na altura prescrever uma medicação mais eh pronto de última geração, inhibidor de álcool de terceira geração, mas o convênio dela não autorizou. Então eu falei: "Vamos vamos pro Crisotnibe, que é a primeira geração." Ela fez o Crisotnibe, resposta completa. Essa senhora até hoje curada do do câncer dela e era um câncer estadio quatro, né? era um câncer que que tava totalmente disseminado. Então, para você ver que como é importante a utilização da tecnologia, como é importante eh a utilização eh eh de de da biologia molecular, dos testes genéticos, das terapêuticas mais avançadas, que muitas vezes você consegue obter respostas boas para esses pacientes, né? E e muitas vezes é muito importante. E o que eu vinha falar também, além dessas terapias alvo específicas, você tem a radioterapia cerebral e a radiocirurgia, né? Então tem pacientes que têm metástases cerebrais, né? Ou seja, tem aparecem lesões no cérebro e que e que essas lesões são pequenas. Acaba que essas lesões pequenas ela elas conseguem ser tratadas com uma técnica chamada radiocirurgia. E aí você vai dizer: "Nossa, doutor, mas o que que é essa radiocir? Como assim? Radiocirurgia estereotáxica que a gente chama. É uma técnica de radioterapia que você consegue, vamos dizer assim, com um software de precisão, emitir radiação de alta dose naquelas lesões específicas sem comprometer os tecidos adjacentes, ou seja, minimizando a toxicidade tecidual. é como se fosse uma um visturi virtual que chegasse lá e retirasse, né, eh eh eh eh portanto aquele tumor. Então isso é uma tecnologia muito eh difundida no Brasil e a gente tem vários centros que fazem, tanto no interior de São Paulo como aqui na Castal. Então, é algo que é bastante importante também a gente lembrar para todo mundo. E mais uma outra tecnologia também que eu queria mencionar aqui, que por sinal, infelizmente no Brasil ainda não é muito difundido. Acredito eu que só tem um hospital aqui na capital que faça, mas que o volume ainda não é tão grande, é o cybernife, que já é uma evolução da radiocirurgia estereotica. Então, o cyber knife, o próprio nome já diz, é knife no inglês quer dizer, né, o pist. e cyber eh, cibernético, né? Então seria um visturista cibernético. Então é uma técnica de precisão ainda muito muito maior que consegue fazer determinados tipos de radiocirurgia eh tanto cerebral quanto em outras partes do corpo também e que acaba por trazer benefícios muito grandes pros pacientes. Então, como eu posso mencionar aqui, né, para vocês, hoje em dia, eh, a a oncologia pulmonar, ela é ela é uma ciência muito desenvolvida, né? Eu 2012 terminei meu PhD em oncologia pulmonar molecular na Universidade do Porto e na época a gente começava a estudar esses biomarcadores que até então não eram utilizados. Hoje em dia eles estão totalmente utilizados na prática na prática clínica cotidiana e e de certa forma facilitam bastante. Então, se você for ter um um comparativo histórico, né, eh na década de 90, na ali na até até o início dos anos 2000, o câncer do pulmão ele era tratado eh simplesmente com cirurgia, radioterapia e quimioterapia. e 75% dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão, eles vinham com estadio 4, ou seja, que era aquela doença metastática eh espalhada, como eu mencionei para vocês, e que cujo único tratamento possível era a quimioterapia, dando sobrevidas medianas de 12 meses, 10 11 ou 10, 11, 12 meses, uma taxa de cura em em 5 anos de 1 a 5%. Hoje em dia, esses números são bem melhores. Então você vê muitos pacientes há mais de 5 anos eh com respostas completas, fazendo acompanhamento e e a e eu acredito que a tendência nos próximos 10 anos é que o câncer ele, eu tô falando aqui hoje do pulmão, mas hoje em dia existem cenários diversos para várias eh vários tipos de tumores, entretanto, mas que o câncer do pulmão se torne uma doença mais manejável, né? até mesmo arriscando aqui a dizer uma doença crônica em alguns casos, né, onde a gente consegue fazer com que aquele paciente tenha a redução eh do volume tumoral praticamente a zero, né, e que a gente consiga fazer aquelas terapias cada vez menos tóxic tóxicas, mas com respostas melhores e muitas vezes também com advân o o avanço da biópsia líquida. E a gente tem realmente parcerias tanto em laboratórios nacionais como internacionais. E e existem existem várias técnicas, por exemplo, que a gente manda eh amostra dos pacientes para fora do Brasil. Eh, e lá eles conseguem fazer um acompanhamento eh muito preciso, quando a gente pode até mesmo ver que a doença tá se evoluindo antes mesmo dela aparecer no exame de imagem. Então você tem realmente uma um leque, uma gama de de tecnologias hoje que são muito avançadas e e trazem realmente benefícios muito bom para esse paciente. O que o que é o que é eh, vamos dizer assim, traz um conforto, né, pra gente. Agora, obviamente, tudo que eu falei aqui são são, portanto, é um panorama geral do que a gente tem hoje do do câncer do pulmão e da ciência oncológica torácica, né? E é preciso realmente você discutir isso com o seu médico. Cada caso é um caso. Cada caso se aplica de uma forma diferente. Alguns pacientes respondem à imunoterapia, outros não. Alguns pacientes respondem aos inibidores de ALC, outros não. Alguns pacientes respondem a inibidores de AGFR, outros não. Alguns pacientes respondem a determinados tipos de quimioterapia, outros não. Inclusive, já existe até testes de quimiossensibilidade que a gente consegue puxar o sangue do paciente, analisar no laboratório e ver qual que é a quimioterapia que responde melhor para ele, né? Então tudo isso deve ser discutido com o seu médico, né, de forma individualizada, porque hoje o câncer do pulmão, ele pode sim ser tratado através da oncologia de precisão, pode ser tratado de forma individualizada, de maneira que você consiga ter aquele tratamento mais adequado para você e sim obter os melhores resultados possíveis, dependendo de cada caso. E doutora, é interessante, né, o senhor falar sobre essa questão de todas essas tecnologias, das alternativas também, né, para cada paciente é realmente recomendado, obviamente a busca pelo especialista, né, para identificar qual é o melhor tratamento para esse paciente. Mas voltando um pouquinho sobre os sinais de alerta, né? Como que a gente pode identificar esses primeiros sinais e sintomas de que esse paciente ele está, né, com câncer de pulmão, o que precisa alertar, então o que chama a atenção nesse quadro de sintomas, porque tem também os assintomáticos nesse caso, correto? O normalmente o câncer do pulmão é uma doença silenciosa, né? Então ele não tem nenhum sinal ou sintoma patognomônico, né, que a gente fala na medicina que determine: "Ah, você torciâncer de pulmão, mas sim tosse, falta de ar, dor no peito, desconforto respiratório, a alteração da coloração das unhas da ponta dos dedos, eh tanto perca de peso, tonturas, fraqueza, tudo isso são sinais que podem estar associados no alcance de pulmão, mas como você deve ter percebido aqui, são sinais genéricos e que podem estar associados com outras doenças também, muitas vezes ele é diagnosticado com exames de imagem onde se encontra o nódulo pulmonar e a partir daí é feita uma biópsia guiada por radiologia de intervenção ou por uma broncoscopia e consegue trazer esse diagnóstico. É muito importante isso. Lembrando também que 85% dos pacientes com câncer de pulmão são tabagistas, ou seja, são pessoas que fumam. E ainda assim existe aqueles 15% que nunca fumaram e que desenvolvem câncer do pulmão também. Então é muito importante também perceber e aí quando acontece a doença nesses casos as pessoas pegam e falam: "Ah, mas por que que eu nunca eu nunca comei e acabei desenvolvendo o câncer do pulmão?" Então você pode também ter sido exposto ao tabagismo pacífico. Por exemplo, a a esposa é casada com o marido que fuma todo dia dentro de casa e ela acaba inalando aquela cigarra, aquela fumaça cigarra e viceverso ou o marido casado com uma mulher que fuma e inala. ou mesmo assim você eh anda em ambientes com muita fumaça, muita poluição, muita eh ou você trabalha em em mineração ou trabalha em lugares que tem fumaças e agentes tóxicos. Então existe todo esse tipo de aparato que é preciso ter em mente também. E as características, doutor, de uma pessoa, né, que é fumante para essa para esse outro paciente que não é fumante, mas vive em torno, né, de vive ao redor de pessoas que fumam, é diferente, manifesta de forma diferente em termos de manifestação é muito semelhante. Agora, o que o que é importante lembrar é que normalmente as pessoas que não fumam, curiosamente, elas acabam por ser mais expostas. Se ela se elas têm o tabagismo passivo ou tão em ambientes com essas fumaças, elas acabam sendo mais expostas e e acaba sendo até mais prejudicial do que aquele paciente que fuma, porque pelo menos o que fuma, ele tem o tabaco, tem um filtro que filtra alguns carcinógenos. Já você que tá exposto à fumaça do tabagismo ou a fumaça do carvão ou da mineração, você acaba inalando 100% dos carcinógenos. Então, muitas vezes as pessoas que estão expostas às fumaças, elas acabam se prejudicando mais do que aqueles que fumam. Sim, é verdade. Isso. Isso acaba sendo também desafiador, né, para esse paciente, infelizmente, porque também junto vem a questão da saúde mental e todas as outras consequências, né, doutor? Muit Isso mesmo. Muito correto. Eh, acaba sendo desafiador porque tem a questão da saúde mental. às vezes a pessoa não consegue evitar esses ambientes, não consegue evitar essas questões e acaba por também eh eh acarretar outros problemas paralelos com isso. Sem contar também outros problemas, não só o câncer, né, como outros problemas inerentes, como cardiovascular, o próprio e fizema pulmonar também, o DPOC e acaba diminuindo a capacidade respiratória dessas pessoas. como oncologista, né, quais são as orientações e as dicas, né, que o senhor deixa então para esse paciente eh que está enfrentando, né, essa doença ou para aqueles que realmente vivem nesse ambiente, né, mais eh propenso a ter fora também que a gente fala sobre todas as outras questões, né, do ambiente externo mesmo, poluição, que isso acaba interferindo também, né, doutora, quais são as ações então da sociedade, né, em relação a a o agosto branco, não só o agosto branco, mas falando também sobre o câncer de pulmão, como todas as suas vertentes. É, com certeza. Eu acho que primeiro de tudo é evitar os fatores de risco, como a gente mencionou aqui. Então, se você puder evitar esses ambientes com fumaça de cigarro, ambientes com fumaças tóxicas ou até mesmo com grande poluição, é muito importante paraa sua saúde de uma forma geral. Independente disso também, a prevenção e o rastreão é importante. Então, é sempre importante procurar um oncologista depois dos 55 anos para poder fazer um um programa de rastreio com tomografia licidal de baixa dose, que é um tipo de tomografia específica pro rastrei, né? Para aqueles pacientes que já t o diagnóstico da doença, é muito importante procurar ajuda especializada para ver dentro do que é a sua doença, quais são as opções mais mais adequadas, né, para o tratamento e sim dentro do que há disponível em termos de tecnologia para para essa doença. Tá certo, Dr. Ramon? Quero agradecer a sua participação aqui no programa A Saúde à Vida, por ter aceito o nosso convite, né, e trazer todas as essas informações e os esclarecimentos sobre também essa tecnologia tão avançada aí e essa um olhar, né, diferenciado aí, um cenário diferenciado para esses pacientes quanto ao câncer de pulmão, que realmente não é um e o diagnóstico ele não é uma sentença, né? assim que a gente fala aqui quando houve tantas histórias assim positivas e também esse avanço da tecnologia. Com certeza. Eu é que agradeço a oportunidade de estar aqui com vocês e é o que eu digo para todo mundo, enquanto a vida a esperança, então é sempre importante você procurar as saídas, tá bom? Obrigado. Muito obrigada, Dr. Ramon. Bom, o programa Saúde à Vida fica por aqui. Espero que você tenha gostado. Obrigada pela sua companhia. Te esperamos então na próxima edição. Até mais.