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Saúde é Vida | Transtorno Bipolar
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Saúde é Vida | Transtorno Bipolar

70 views Publicado 26/07/2026 HD · 35:59
Resumo editorial

Edição do programa Saúde à Vida sobre câncer de bexiga, tema da campanha Julho Rosa, Verde e Roxo. O Dr. André SAS, oncologista clínico, aborda como a doença é frequentemente subestimada, seus sintomas negligenciados e a importância do diagnóstico precoce. Enfatiza-se a necessidade de cuidado coordenado entre múltiplas especialidades e o papel do oncologista como coordenador geral do tratamento.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

O câncer de bexiga ganha atenção em julho com a campanha Julho Rosa, Verde e Roxo, que usa um laço tricolor para alertar sobre diagnóstico precoce. No entrevista médica sobre campanhas de saúde, o oncologista clínico Dr. André Sás explica que sangue na urina, muitas vezes confundido com infecção urinária ou pedra nos rins, é um dos sinais mais negligenciados da doença. Ele defende acompanhamento multidisciplinar entre oncologia, radiologia e urologia e lembra que um simples ultrassom de abdômen pode antecipar o diagnóstico.

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Olá, [música] [música] começa agora mais uma edição do Saúde à Vida, o programa que traz informação de qualidade para você viver mais e melhor. Hoje vamos falar sobre o câncer de bexiga que ganha destaque em julho por meio da campanha Júlio rosa, verde e roxo. Esta mobilização de saúde se diferencia das demais por utilizar um laço tricolor para alertar a população sobre os riscos, sintomas e a extrema necessidade do diagnóstico precoce de uma doença que muitas vezes evolui de forma silenciosa. Convidamos para abordar esse tema o Dr. André SAS, oncologista clínico, que já está conectado. Seja muito bem-vindo, Dr. André. Muito obrigado pelo convite. É um prazer estar aqui falando com vocês sobre um assunto tão importante, um câncer tão relevante paraa saúde pública. Perfeitamente, Dr. André. Bom, pra gente começar esse nosso bate-papo, o porquê desta campanha tricolor, né, já que eh os meses, né, Júlio Rosa, Júlio Verde também tem os outros as outras condições, né, os outras as outras enfermidades. Por que foi escolhido então juntar, né, unir essas três cores para essa campanha? Bom, o câncer de bexiga muitas vezes é subestimado e e deixado de lado nas estatísticas, eh, nas propostas de políticas públicas e é um tipo de tumor que envolve múltiplas especialidades. Eh, muitas vezes ele é silencioso mesmo, como você falou, mas muitas vezes alguns dos sintomas dele são negligenciados. Então, eh, por exemplo, sangramento na urina muitas vezes é confundido com infecção urinária, pedra nos rins e às vezes o paciente busca até eh informação médica, busca o pronto socorro, mas os colegas clínicos eh emergencistas às vezes tratam eh de maneira eh eh simples, sem às vezes pedir exames adequados que poderiam fazer o diagnóstico. às vezes um simples ultrassom de abdômen poderia fazer um diagnóstico já da doença mais precoce e às vezes ele acaba passando muito tempo e eventualmente evoluindo para uma doença mais avançada. Então, eh, a conscientização de que o o cuidado multidisciplinar, então, às vezes envolvendo oncologia, radiologia, antiurologia, eh, indica a necessidade de um cuidado de vários especialistas diferentes. Então, ele foi, ele tem ganhado esse destaque, né, principalmente nesse mês de julho, justamente por conta de outros especialistas e das outras condições também, né? Porque o câncer de bexiga, ele é pouco falado, né? a gente fala sobre o câncer de mama, fala sobre eh câncer de cabeça, pescoço, mas de bexiga especificamente já é um assunto que ele pouco entra nessa questão da informação e o acesso da informação, doutor. Isso mesmo. Eh, esse esses meses de cores, né, eles começaram com o outubro rosa muitos anos atrás, depois o novembro azul, para falar de câncer de mama, de próstata, que realmente são os tipos de câncer que eh mais impactam a a população, que tem maior incidência em mulheres e homens, mas outros tipos de tumores que são eh rastreáveis, preveníveis eh e que podem ser feito diagnóstico precoce e nos quais o diagnóstico precoce se eh muda drasticamente a chance de cura da doença, acaba sendo importante ter um mês para conscientização. Então, muitas vezes a gente faz a conscientização da população normal dizendo que, ó, a a urina é a cor da urina é um é um aspecto importante da sua saúde também. Então, urina vermelha, avermelhada, alaranjada, pode ser sinal de sangue. Sangue na urina não é normal. eh precisa buscar algum auxílio, mesmo que seja um episódio único, eh, e que que seja percebido e depois não volte mais, isso pode ser um sinal de alerta, isso precisa ser investigado, precisa ser discutido com algum colega médico especialista. E, doutor, esse sangramento, ele vem acompanhado de um eh de dor, ele persiste ou ele vem uma vez, ele some? Eh, isso acaba enganando um pouquinho o paciente justamente eh por ser um sintoma parecido com outras situações, como uma infecção, como o senhor mesmo mencionou, isso acaba retardando então esse diagnóstico, né? Mas esse sangramento, o que ele precisa levar em consideração, ficar em alerta? Ele persiste durante os dias, semanas? Tem dor? Não tem dor? Como que é de fato? Bom, aí v o sangramento causado pelo câncer de bexiga normalmente não dói porque eh esse sangramento é decorrente de uma lesão que tá dentro da bexiga em contato com a urina, mas ela não tem nenhuma infiltração. Então o tumor precoce especialmente não causa nenhum sintoma além de sangramento. Eu tenho alguns pacientes que fizeram um diagnóstico incidental, quer dizer, fizeram um diagnóstico só com um exame que foi feito para outra causa e que não tinham sintoma nenhum, inclusive nem sangramento. Mas eh o sangramento que tá associado a a a cólica eh renal, por exemplo, ele pode estar mais associado a a à pedra nos rins, por exemplo, que são outra causa de sangramento. e o sangramento que tá associado a à dor pélvica, a febre, a outros sintomas, geralmente ele é investigado e muitas vezes tá associado infecção. O que mais nos preocupa é aquele sangramento que vem ocasionalmente e que não tem nenhum outro sintoma associado. Quer dizer, tá lá, tá normal, vai urinar e tem sangue junto, sem nenhum outro sintoma. Isso é um sinal de alerta. Esse é um sinal de que realmente preocupa mais. Ao contrário do que as pessoas pensam, que dor, que emagrecimento, que outras questões associadas aos sintomas de câncer precisam estar presentes, não. Quanto mais precoce, menos sintomas tem. Então, eh, eu também já tive vários pacientes no consultório que tiveram o primeiro sangramento eh se meses antes de um segundo sangramento. Eh, e aí eles buscaram só quando esse esse sangue na urina tava mais frequente, mas provavelmente esse câncer já estava presente há muito tempo, desde o primeiro episódio e poderia ser tratado de maneira mais tranquila se feito o diagnóstico nesses exames. Então, realmente não eh podemos ignorar esse sinal. Sangue na orina já é o alerta principal e o mais importante já pra busca imediata de um especialista, né, doutor? Sim. Inclusive algumas campanhas de conscientização que já foram feitas, a gente até já fez dentro do nosso grupo de oncologia, é de conscientização até em banheiros públicos de falar assim: "Olha, eh eh os cartazes do banheiro público, sen olha a cor da sua urina para perceber se tá tudo bem, sangue na urina não é normal". Então algumas campanhas simples de de orientação, de conscientização, acabam sendo feitas. Mas muitas vezes grande parte do nosso trabalho também é feito com os eh eh o pronto socorro, eh médicos de de atenção das UBS para percepção desses sintomas e não eh eh não é porque não tá causando nenhum tipo de sofrimento imediato que ele pode ser desprezado, ele precisa ser eh conscientizado, ele precisa ser eh informado de que aquilo pode ser um sinal de alguma doença. eh, inicial. E o a a principal questão é que o câncer de bexiga localizado, ele é superficial, ele, como eu falei, tá só dentro da bexiga em contato com a urina, ele não infiltra muitas vezes a camada muscular da bexiga. Então, a cirurgia para retirada desse tipo de câncer, ela ela não é nem nem uma cirurgia aberta, de fato, geralmente ela é feita via uretra. Eh, ela é uma como se fosse uma raspagem por dentro da urina e na maioria das vezes ela é curativa. A gente consegue curar 90 95% dos casos com uma cirurgia simples, uma raspagem, chama reecção transuretral, mas é uma raspagem que faz-se através da uretra. Caso esse câncer infiltre o músculo da bexiga, a chance de cura já cai para 60%, mais ou menos. Então, é um gatilho de às vezes de de transformar doença quase 100% curável numa doença muito perigosa simplesmente por uma pequena infiltração do músculo. Isso às vezes pode ser questão de alguns meses. Eh, quando há infiltração do músculo, geralmente há necessidade de cirurgia, de retirada completa da bexiga, a necessidade de quimioterapia pré-operatória, pós-operatória. Hoje a gente tem imunoterapia que pode ajudar a aumentar a chance de cura desses pacientes, mas eh realmente a gente muda de uma de uma cirurgia ou de um tratamento muito simples e rápido para um tratamento muito complexo, dependendo de um uma pequena evolução da doença, uma simples infiltração. Então quanto antes feito o diagnóstico melhor. Então quando a gente olha para esse cenário das estatísticas, realmente é um câncer que ele tem chances de cura. eh, de 90%, de quase 90% se diagnosticado precocemente e com esse exame clínico até do paciente, né, doutor, porque é algo que é simples, que é um hábito, né, que precisa ser modificado, mas é um hábito simples que ele mesmo já pode identificar ali naquele primeiro momento se realmente tem algo diferente na cor da urina. E isso tem essa chance aí, porque é baixo a letalidade desse câncer, né? Exatamente. Então, em estágios iniciais, eh, mesmo doenças que já nascem agressiva, agressivas biologicamente, eh, às vezes a gente pode até fazer alguns tratamentos intravesicais com BCG, que é um um tratamento antigo, às vezes quimioterapia intravesical, mas assim, é simples, eh, e é resolutivo e a pessoa fica com a bexiga no lugar, né? Às vezes um estigma que tem do câncer de bexiga é que uma vez diagnosticado, a a cirurgia é muito agressiva paraa retirada da bexiga e e é um órgão muito associado à nossa qualidade de vida. Eh, mas eh é curável de maneira geralmente simples, rápida e e pouco mórbida. Então, e a letalidade realmente é pequena, porque a gente cura grande parte dos pacientes. Então, eh, a gente costuma falar que para todos os tipos de câncer, o conhecimento do seu próprio corpo, o conhecimento do que é normal e não negligenciar pequenos sinais que o seu corpo dá de alterações é fundamental. Então, obviamente, o sangue na urina é o principal, mas eh alteração da frequência urinária eh alteração, desconforto ao urinar, mesmo sem sangue precisa ser investigada. Não que seja câncer em todos os casos, mas são sinais de alerta, né? Não é comum, não é normal ficar convivendo com alguma coisa que interfere na sua, na sua qualidade de vida normal, simplesmente porque esse incômodo é pequeno. Ele pode ser um sinal de algo eh que tá se desenvolvendo e pode ser grave num longo prazo. E doutora, a gente sempre fala aqui sobre alguns mitos e verdades, né, sobre as doenças. Eh, uma das questões eh que surgiu, né, para nós em relação ao câncer de bexiga sobre uma sobre prevenção e também sobre eh líquidos, né? Uma pessoa que ingere, consome muitos líquidos, eh ou tem aquela quantidade, bebe essa quantidade, é recomendada por dia de água, isso faz diferença também. essa pessoa, ela tem menos chances de eh ser acometida com essa doença, doutor? Sim, sim. Porque assim, a bexiga, a nossa bexiga, ela é um órgão de armazenamento de resíduos, vamos dizer assim. Então, eh, obviamente os principais comportamentos que são para prevenir o câncer de bexiga, o primeiro é não fumar. O cigarro, eh, ele é as as substâncias cancerígenas do cigarro muitas vezes ficam depositadas nos pulmões e na garganta, que são os tipos de tumores mais lembrados associados ao cigarro. Mas muitas substâncias cancerígenas são absorvidas pelo corpo, passam pela circulação sanguínea e são eliminados pela urina e muitas vezes ficam armazenados na na urina durante algumas horas e ficam fazendo mal para pro para pro revestimento da bexiga. Então, obviamente, quanto mais líquido, quanto mais quanto mais vezes se vai no banheiro, quanto menos eh eh acúmulo de resíduos tóxicos na bexiga, canceríunos ficarem, é menor a a chance de desenvolver o câncer. Então, primeiro, não fumar, mas beber líquidos também é importante, especialmente algum algumas pessoas que trabalham com eh em alguns ambientes que não tem como evitar a exposição às substâncias químicas. Então, o benzeno, por exemplo, é um também é um fator de risco significativo e ele tá tá associado a a compostos eh de petróleo, por exemplo. Então, frentistas, pessoas que trabalham com com produtos derivados do petróleo, eles têm um risco aumentado também. Eh, às vezes esse risco ocupacional não dá para evitar totalmente. Eh, o uso de eh eh luva, máscara eventualmente pode diminuir, mas o consumo de líquido eh significativo durante o ao longo do dia, pelo menos 2 L por dia seria o ideal, eh diminuiria o risco significativamente, mas o principal é não fumar. Eu tenho alguns pacientes que hoje, felizmente, a gente tem feito campanhas antitabalismo que tem feito sido muito bem-sucedidas. Eh, eu vejo uma diminuição da incidência do câncer de bexiga hoje, assim como câncer de pulmão, felizmente. Eh, mas mesmo em pacientes que não fumam, não são expostos, eu ainda vejo câncer de bexiga também, mesmo pacientes jovens. Então não dá pra gente dizer que porque se é novo, tem 40 e poucos anos, ten um sangramento, eu posso ignorar qualquer tipo de sintoma e tanta campanha de conscientização de sintomas e de diagnóstico precoce são feitos, certo, doutor? Ainda dentro dessa questão de de mito e verdade, né, é cistite crônica, né, uma pessoa que ela tem essa predisposição a ter infecção eh de urina e também de bexiga, pode evoluir para câncer, doutor, olha, as infecções urinárias eh convencionais ou de repetição geralmente não estão associadas a câncer, é o aumento do risco de câncer. Isso não é uma coisa que a gente vê na nossa rotina, mas existem alguns tipos de de gênos, de de agentes causadores de infecções urinárias, eh, que sim podem aumentar o risco de câncer. No Brasil, menos frequente, mundialmente tem uma uma incidência maior desses desses tipos de agentes infecciosos, não é uma preocupação nossa aqui no Brasil. Então, logicamente, quem tem infecção urinária de repetição até tá geralmente em contato com o seu urologista de maneira mais frequente paraa investigação das causas, eh, mas eh não é uma preocupação extra, então acaba sendo um mito mesmo, pelo menos no Brasil. E sobre o uso, né, uma dieta, ou melhor dizendo, né, uma dieta rica em carnes vermelhas, tem relação ou não o excesso, né? É, olha, a carne vermelha, ela tá associada a aumento do risco de câncer de vários órgãos diferentes, especialmente intestino, que é outra outro problema de de saúde pública. Eh, além disso, geralmente o consumo exagerado de carnes vermelhas está associado a outros maus hábitos alimentares que também estão associados a diversos tipos de câncer. Câncer de bexiga, por conta de obesidades, sedentarismo e maus hábitos alimentares, ele tem um risco um pouco aumentado em relação à população normal que tem hábitos saudáveis. Não é nada muito significativo, mas eu tenho que recomendar. Evite o abuso de carne vermelhas, de embutidos. Embutidos eles têm nitritos que aí, como eu falei, aí são eliminados via urina que podem aumentar o risco de câncer. Então, especialmente embutidos devem ser evitados e ou seu consumo minimizado ao máximo. E também a gente tem outra questão também de mitos e verdades, doutor, sobre o uso abusivo de analgésicos, né? uma pessoa, um paciente que tem essa predisposição para as infecções, não vai no médico, não tem aquele controle, né, da medicação, acaba tomando por conta própria anti-inflamatório analgésicos. Isso também pode interferir e ser prejudicial? pode interferir e ser prejudicial paraa saúde como um todo. Então, é bom evitar o uso exagerado, não escrito de eh analgésico, especialmente anti-inflamatórios, porque eles interferem com a função renal, principalmente. Então, os nefrologistas não gostam de de anti-inflamatórios em geral por causa da função do rim. Eles interferem com a capacidade de se entrar eh no rim diretamente, mas ele a a questão de associação com câncer aí acaba sendo um mito mesmo. Então ele não aumenta o risco de desenvolver câncer. Não quer dizer que também tá liberado, causa outros malefícios, causa outros problemas de saúde que precisam ser evitados. Então, sempre eh analgésicos, especialmente anti-inflamatórios, precisam ser tomados de acordo com recomendação médica especializada. Em caso de dores crônicas, de infecções crônicas, esse essa cronicidade, ela precisa ser avaliada e precisa ser tratada de outra maneira, sempre sob super supervisão médica, sempre evitando automedicação. Certo? E, doutor, a o câncer de bexiga é uma doença que atinge mais homens. Por quê? Sim. eh, especialmente pelos hábitos. Então, como eu falei, exposição agentes químicos, agentes tóxicos, eh, e o cigarro ele, eh, tá muito associado ao aumento do risco de câncer. Então, o câncer de bexiga historicamente ele é muito mais prevalente em homens do que em mulheres. A incidência em homens é talvez quatro a cinco vezes maior do que em mulheres. Então, eh, realmente, eh, isso é verdade. E, eh, os, um, mas de hábitos de vida mesmo. Então, eh, os homens realmente têm que ficar mais atentos. idade que ela começa a surgir é acima dos 40 anos, doutor? Ou realmente tem situações que jovens também estão apresentando esses sinais, esses comportamentos? Olha, historicamente a gente nas estatísticas a gente vê que esse é um tipo de tumor muito prevalente depois dos 60 anos de idade. Hum. ele tem um pico de incidência entre 60 e 70 anos, eh, muito mais frequente em homens também, mas nos últimos anos, na última década, a gente tem visto eh por vários motivos diferentes, eh, algum momento na incidência eh em pessoas mais jovens. Então, mesmo eu tenho no meu consultório eh mulheres jovens, então de 40 anos, 40 e poucos anos, isso muda, isso sai um pouco da estatística convencional. Eh, e por isso, independente da idade, a conscientização sobre sinais de de de de alerta e de que deve ser buscado o auxílio médico deve ser feito por qualquer pessoa de qualquer idade. Não existe uma idade em que não aconteça esse tipo de de tumor. O que é importante também falar quando a gente fala de idade é que não existe rastreamento para câncer de bexiga. Então não é com o câncer de mama que existe a mamografia e o câncer de próstata que existe o psa e o toque retal. O câncer de bexiga, ele não tem um exame periódico a ser feito para rastreamento, mas sim a conscientização sobre sintomas de alerta precoces. Por conta disso, eh, como falei, sangra, sangramento da urina sempre chama atenção. Então, na maior parte dos casos, felizmente hoje na nossa rotina, o diagnóstico é realmente feito em estágios iniciais. Então hoje talvez a gente dê todos os pacientes diagnosticados com câncer de bexiga, eh, hoje a gente cura em torno de 80% já. A gente quer subir isso porque a gente quer fazer mais diagnósticos precoces, mas hoje já é um um tipo de câncer que é curado na a grande maioria das vezes, justamente porque o diagnóstico já é feito precocemente. Certo, doutor? A gente vai eh voltar um pouquinho falar sobre a questão do diagnóstico, né, como o senhor mesmo tá mencionando, falando da do diagnóstico precoce e também o tardio, que acaba sendo mais complicado diante dos sintomas que são semelhantes a outras condições. O senhor tava falando sobre os exames. É bom, na na prática seria assim, ele mais ele é mais clínico mesmo, então esse exame clínico, né, de de matriagem do paciente, dos sintomas que ele sentiu, desses sinais, mas tem algum exame que ele detalha um pouco mais sobre esse essa condição sobre o câncer mesmo? Bom, a investigação de uma de um sangramento urinário, por exemplo, geralmente ele começa por um ultrassom paraa identificação de alguma lesão eh na bexiga. Se o pisó de sangramento for único e tiver uma ultrassonografia normal, às vezes se faz o seguimento só do paciente. Se esse sangramento é persistente, mesmo com ultrassom normal, ou se o ultrassom é duvidoso, também é importante fazer uma tomografia, a gente chama urotomografia, que a gente vê desde a bexiga até os canais mais altos, chamado uretérios, os canais que ligam os rinhos à bexiga também, que também são áreas eh expostas a esses carcinógenos e podem causar sangramento também. Eh, em caso de diagnóstico ou de suspeita, é feito um exame chamado cistoscopia, que é uma endoscopia da bexiga. Então, o urologista entra com ã um aparelho via uretral, então com uma câmera e ele visualiza e dali é feita a biópsia ou a raspou por raspagem ou a biópsia efetivamente com a retirada de algum material eh diretamente de lá. geralmente é feita uma raspagem do do que se é visto. Eh, então se retira a a lesão inclusive para ver se há infiltração no músculo ou não. Então a sequência geralmente é ultração, primeiro, tomografia, depois paraa investigação do da da lesão em si e eventualmente a cistoscopia logo a seguir. E a retirada do órgão, o senhor falou logo no início sobre o tratamento, né, que em alguns casos eh que é recomendada a cirurgia quando já há essa infiltração, né, doutor? Isso. Então, assim, a gente avalia na cistoscopia e na biópsia a infiltração da doença no órgão. Então, se ela é muito superficial ou se ela só infiltra a mucosa não tem infiltração de músculo, só a reção, pela cistoscopia, que é a reção transuretral, na nossa sigla médica, a gente chama RTU, eh ela é suficiente. Às vezes, quando a a gente tem um tumor de muito risco para recidiva, a gente depois dessa reecção a gente faz uma fusão dentro da bexiga de BCG. BCG é a mesma vacina para tuberculose, parecida, o mesmo princípio, mas é para causar como se fosse uma inflamação da de dentro da bexiga pra gente, de maneira imunológica combater a o câncer de bexiga superficial. A partir do momento que há uma infiltração do músculo, já muda completamente todo o tratamento. Esse paciente tem um alto risco de desenvolver metástases à distância. Então, se infiltrou o músculo, ele pode entrar na circulação sanguínea e até 40 a partir de um de uma de uma simples infiltração muscular, já 40% dos pacientes não são curados só com a cirurgia. Então, eh, infiltrou a muscular, provavelmente esse paciente vai precisar retirar a bexiga toda, chama cissectonia radical, eh, e também fazer quimioterapia e muitas vezes imunoterapia perioperatória para aumentar suas chances de cura. Então a gente vê que muda radicalmente de uma raspagem dentro da bexiga eh para estágios iniciais. a gente chama de T0 até T1, que é o tamanho do tumor. A partir do T2, que é a classificação oncológica, até o T4, a gente precisa fazer algum tratamento peroperatório e ainda assim fazer a reção completa da bexiga. Então, retirada da bexiga. Muitas vezes o paciente ou tem que fazer uma nova bexiga reconstruída a partir de de intestin para ficar eh com a urina saindo pela ureta normal. ou às vezes ele tem que fazer uma derivação da urina e eh ficar com uma bolsinha coletora no abdômen, eh substituindo a a bexiga mesmo. Então um coletor externo. Então a gente sabe que é um tratamento muito mais radical. A gente felizmente hoje tá curando muitos pacientes, inclusive com doenças mais avançadas, mas eh o foco tem que ser em tratamentos mais simples, mais objetivos e que interferem menos com a qualidade de vida das pessoas. É porque conforme for eh vai passando, né, o diagnóstico tardio, vai aumentando as complicações, né, doutor? E aí, e assim, falando sobre essa faixa etária também, eh, de repente surgem outras enfermidades, né? Um paciente que já tem comorbidade, também tem a questão da idade, isso acaba agravando, né? Porque se é a partir eh de 60 anos que começa esse paciente a ter essa o câncer de bexiga, vai tardando um pouquinho mais a situação, vai complicando mais pela idade mesmo, né? Exatamente. A gente sabe que pacientes mais idosos às vezes até negligenciam alguns sintomas. Então eles escondem da família, da esposa, do marido, tudo. Ah, foi um sangramento e e passou, não vou contar para ninguém, para ninguém ficar alarmada. É porque senão vou ter que fazer exames, não quero fazer, já vo a muitos médicos, já tomo muitos remédios, não quero um a mais. Então, uma coisa que não preocupa de rotina acaba sendo negligenciado. Por outro lado, também tem a preocupação da invasividade. Então, o reção, uma cirurgia paraa retirada completa da bexiga, é uma cirurgia muito agressiva e nem todos os pacientes às vezes toleram toda essa agressividade cirúrgica. E aí entra a questão da oncologia hoje individualizada, então a questão de avaliação de condições cirúrgicas, alternativas à cirurgia, radioterapia, em alguns casos pode ser uma alternativa, preservação vesical com técnicas avançadas de preservação podem ser discutidas, mas aí é tudo uma individualização do cuidado de cada pessoa, vistas não só pelo tumor que tem, mas pelas condições de vida, pelas eh por outras comorbidades, por outras medicações que usam e pelas expectativas eh que tem de vida, qualidade de vida atual e futura prevista também. Dr. André, e depois tem o acompanhamento, né? Como que é feito o acompanhamento desse paciente, né? Que, por exemplo, fez a raspagem apenas, aí já está naquele tratamento de cura, né? Quais são os cuidados que esse paciente tem que ter? Tem um acompanhamento de eh 5 anos, né? Igual a gente fala também paraas outras condições de câncer, como que funciona após esse diagnóstico e o tratamento dele? Sim, ah, a o segmento depende do do risco de de recidível. Então, eh nos tumores de risco muito baixo, a probabilidade de recidivo é pequena. O segmento geralmente é feito com urologista, com cistoscopias, eventualmente periódicos e ultrassom. Em alguns casos de risco mais alto, em que, por exemplo, a gente faz o BCG intravesical, muitas vezes é necessário acompanhamento com esfistoscopias mais eh em curto espaço de tempo, ultrassom e às vezes até tomografias periódicas. nos casos mais avançados, eh, aí a gente pode precisar de um acompanhamento especializado em exames periódicos, tomografia, ressonância magnética, algum exame eh rotineiro para seguimento. Ah, dependendo dos fatores de risco e da idade em que aconteceu o tumor, eh às vezes a gente continua fazendo o seguimento do paciente há mais do que os 5 anos. Por os 5 anos que a gente diz para todos os tipos de tumores, geralmente é para acompanhamento para evitar eh ou para dizer que a pessoa não tenha residiva da doença metastática. Mas no câncer de bexiga, como é uma uma lesão de um órgão eh eh de um reservatório, por exemplo, às vezes a bexiga está doente e ela tem uma predisposição de ter a doença outras vezes. Então às vezes o cuidado é pro resto da vida. Eu costumo fazer um paralelo que é como alguém que tem câncer de pele. O câncer de pele, se ele for retirado e ele não recidivou naquele local ou a distância em 5 anos, a chance dele recidivar depois é muito pequeno. OK? Mas a pele deve ser acompanhada pelo dermatologista, a pele inteira do paciente a vida toda. Ele pode vir a desenvolver outros tumores de pele também. Na bexiga é a mesma coisa. Então, como ela já teve um tumor, ela pode ter outros ao longo da vida. Então esse segmento geralmente é paraa vida toda, não só 5 anos. Tá certo, Dr. André, eu quero agradecer a sua participação aqui no programa Saúde à Vida. gostaria gostaria que o senhor deixasse as suas considerações finais a respeito dessa conscientização e também eh sobre a especialidade sobre a oncologia, falar um pouquinho também sobre a clínica e o que vocês, né, têm feito, trabalhado nesse sentido de levar também a informação, né, e dar acesso às pessoas sobre esse tema tão importante. É bom, a minha recomendação primeiro eh para todos, né? Não tenho medo do diagnóstico do câncer. Hoje a gente cura a maior parte dos pacientes com câncer. Então o medo da doença não pode ser o medo do do diagnóstico, né? Então de fugir do diagnóstico para para evitar descobrir alguma doença. Quanto antes a gente diagnostica, mais a gente tem chance de curar. Então esse é o ponto, busque sempre auxílio. Eh, o nosso grupo, nosso grupo sonh e eu sou coordenador também da oncologia Veracruz, a gente tem feito campanhas de conscientização. Eu digo que o oncologista, ele não é mais o médico que só recomenda quimioterapia pros pacientes. Ele é um médico que faz a coordenação do cuidado. Então ele coordena o o diagnóstico com o radiologista, o eventualmente o tratamento cirúrgico, a radioterapia, o cuidado paliativo. Então a a arquitetura do cuidado do paciente com câncer passa pelo oncologista e a gente, a especialidade tem ganhado eh importância por conta disso. Eh, e é com orgulho que a gente cria eh instituições, cria grupos que se conscientizam disso. A oncologia no passado era muito vista como uma uma especialidade em que vivia atrás dentro de uma clínica de quimioterapia, de infusão de tratamentos quimioterápicos. Então, muitas vezes os pacientes tinham medo de procurar o oncologista porque é associado a doenças muito avançadas. E hoje a gente faz parte dessa coordenação do cuidado como um todo para aumentar tanto a conscientização e prevenção das doenças, mas também como eh estratégias para aumentar a a chance de cura de doenças precoces. Então, eh é com orgulho que a gente faz parte de grupos assim de grupos que fazem um cuidado coordenado e não fragmentado do cuidado. Tá certo, Dr. André? Muito obrigada pela sua participação, por compartilhar todo o seu conhecimento e deixar essa mensagem tão importante sobre o tema. Muito obrigada. Eu que agradeço a oportunidade. Um abraço a todos. Bom, o nosso programa Saúde à Vida fica por aqui. Espero que você tenha gostado. Temos um encontro marcado na próxima edição. Você pode acompanhar também pelo portal tvcamaracampinas.com.br. Até mais. [música] [música] [música] [música] [música]
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