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[música] [música] [música] Olá, começa agora o Saúde é Vida, o seu espaço focado em bem-estar e [música] qualidade de vida, com explicações e dicas de especialista sobre os mais variados [música] temas. E no programa de hoje vamos falar sobre um inimigo silencioso, a apneia do sono. [música] Convidamos Danilo Anunciat Guilar, otorrino laringologista e médico do sono pela Associação [música] Médica Brasileira e também secretário do Departamento de Medicina do Sono. Ele [música] já está conectado. Seja muito bem-vindo, Dr. Danilo. Muito obrigado. Olá a todos. Um prazer estar no seu programa. Nós que agradecemos a sua participação, doutor, pra gente começar a pergunta bem clichê e básica, né, para todo mundo. O que é a pneia do sono e quais são os principais, né, fatores de risco sobre essa condição? Perfeito. Eh, a pneia obstiva do sono é uma condição que, eh, nós acabamos adquirindo com o passar do tempo, o passar dos anos. criança pode ter a pneia do sono também, mas é mais frequente que a gente eh encontre essa doença no adulto. Ah, nada mais é do que um processo de obstrução da via aérea superior. Então, na medida em que eu tenho uma possibilidade de respirar, eu respiro à noite e à noite eu tenho um colapso, uma obstrução da via aérea superior, né? Então, é a obstrução. O ar tenta passar e não consegue. Ele eh fica restrita à sua eh chegada na região dos pulmões, da traqueia e dos pulmões. Sendo assim, a pessoa começa a fazer esforço para vencer essa obstrução. E esses são os grandes percalços de se falar da pneia do sono. O esforço torácico e abdominal que eu faço para tentar vencer, né? E aí o que acontece? na medida em que eu paro de respirar, eu diminuo o meu oxigênio e dessa forma isso pode ter depois, em longo prazo, eh, como comorbidades e acometimentos cardiovasculares. Outro advento importante é são os despertares, né? Então, essa pessoa acaba acordando várias vezes à noite e isso faz com que eh essa pessoa acorde mais indisposta, mais cansada, mais sonolenta. E outra pergunta que você fez em relação aos fatores de risco, muito importante da gente abrir com essa temática, porque eh nós homens temos maior a possibilidade de desenvolvermos a pneia obstrutiva do sono. A mulher na fase da menopausa também é outro fator de risco. Eh, depois nós estamos falando do fator idade. Então, quanto mais a gente ganha idade, mais a gente envelhece, mais a gente tem oportunidade de ter maior colapso, maior estreitamento do pescoço. E a gente ainda precisa lembrar de fatores eh crâniofaciais, então, pessoas que têm essa região aqui mais para trás, ou a mandíbula ou a maxila. E é claro pensar no aumento do índice de massa corpórea, ou seja, o peso, quanto mais a gente ganha peso, mais eu estreito essa região do pescoço. Isso faz com que eu tenha maiores chances de ronco e apneia obstrutiva do sono. Doutor, falando em ronco, tem diferença, né? Quais são essas diferenças e também se tem semelhanças? Porque muita gente acredita que pode ser parecido, mas não é, né? queria que esclarecesse realmente sobre essa diferença do ronco e da apneia. Ou elas são realmente parecidas? A pessoa ela pode ter as duas condições ao mesmo tempo. Perfeito. Então assim, quem tem apneia obstiva do sono normalmente cursa com ronco, mas existem pessoas com apneia sem ronco, tá? mais raro. Eh, agora, de forma mais frequente, existem as pessoas que somente roncam e não ten apneia obstiva do sono. Nós conhecemos como ronco primário. A pessoa que não tem apneia, ela só ronca, ela tem o barulho. Então, o ar passa, só que na verdade ele não estrangula, ele não fecha, ele não fica parado, ele passa numa área que vibra. Então, essa vibração desse tecido muscular faz com que a gente eh eh escute essa esse ronco que nada mais é do que a passagem do ar num local vibratório. Então é isso, dá para ser pra gente diferenciar a ronco e a pneu flutiva do sono. Com certeza. Bom, doutora, é difícil a gente falar sobre sobre sintomas da apneia, né? Existe algum sintoma? A pessoa, ela percebe, tem o despertar, como o senhor mencionou, mas eh ela consegue perceber que ela tem essa apneia ou só mesmo através de exames e testes, né? Como que funciona? Sim, de alguma forma essa pessoa pode manifestar, não é sempre, mas tem pessoas que ao acordarem várias vezes à noite nos procuram porque estão perdendo o seu sono, estão amputando horas de sono e começam a achar estranho. E muitas vezes o a o diagnóstico é a apneia obstiva do sono. A manifestação mais comum é de urna. Então, a pessoa acorda com a sensação de sono não reparador e uma pinenia grave muitas vezes pode se traduzir como sonolência excessiva de urna. Então, a pessoa tá, por exemplo, numa sala de espera e dorme, pode dormir ao volante, pode dormir fazendo, por exemplo, eh, manejos de máquinas, operações. Então, a gente começa a ficar bastante preocupado. Poxa vida, isso tá contribuindo para um prejuízo laborativo. A pessoa tá tendo dificuldades e isso faz com que a gente precise avaliar o sono dessa pessoa. ou ela tá amputando horas de sono porque tá se privando de sono, ou ela tem a pneia obstiva do sono. E como você falou bem, o diagnóstico acaba sendo eh eh vinculado a um exame, né? Porque tudo isso que nós falamos são hipóteses que nós vamos traçando, vamos compilando informações, sintomas noturnos, sintomas diurnos, para eu gerar uma hipótese diagnóstica, fazendo com que a partir dessa hipótese eu parta para um exame que possa corroborar com a minha suspeita clínica. Esse esse exame chama-se polissonografia. O paciente tem que se deslocar ou num laboratório ou muitas vezes um técnico se desloca até a casa do paciente para monitorá-lo, para colocar monitor aqui na região do tórax, para colocar monitor aqui na região respiratória, para colocar monitorização aqui no eh no cérebro, que nós chamamos de eletroencefalografia. Enfim, esse paciente é monitorado e é convidado para dormir. Olha, agora você dorme que nós vamos eh gravar tudo que acontece com você durante a noite. A partir dessa gravação, nós extraímos informações que dão pra gente o diagnóstico de apneia obstrutiva do sono. Certo, doutor? E após então esse esse teste, né, o diagnóstico já assertivo sobre a apneia, quais são os próximos passos então de tratamento, né? Quais são as orientações para para esse paciente? Ótimo. Na medida em que a gente tem o diagnóstico, esse paciente precisa buscar ajuda, ele precisa de ajuda médica, né? Então ele precisa procurar um médico especializado eh pro tratamento de ronco e a pina instrutiva do solo. O otorrino é um deles, né? Eu faço parte da Associação Brasileira de Otorinolia. Nós temos congressos que falam sobre isso, né? Que se debruçam em treinar os especialistas, os otorrinos e saberem um pouco mais sobre a pneia obstrutiva do sono. Então quanto mais gente bem formada, melhor a população é assistida. né? E aí, na medida em que esses pacientes procuram essa ajuda, nós devemos oferecer uma gama de possibilidades terapêuticas que passa desde utilização de CPAP, por exemplo, que é uma ótima modalidade terapêutica que trata a apneia obstrutiva do sono. Mas eu posso pensar, por exemplo, em terapêuticas como fonoterapia, que são exercícios de fortalecimento dessa musculatura do pescoço. Eu tenho, por exemplo, oportunidade de usar um aparelhinho que anterioriza a mandíbula e libera a via aérea superior do paciente. Eu posso muitas vezes avaliar a possibilidade cirúrgica para esse paciente. Então, se ele tem, por exemplo, alterações aqui do pescoço lá dentro, né, na região das amídalas, da língua, da base da língua, eu posso propor algum tipo de cirurgia, caso haja indicação formal para esse paciente. Então, vejam vocês que nós estamos falando de várias possibilidades de terapia para um paciente com apneaputiva do sono. Cabe ao profissional esse tipo de avaliação, avaliar eh quem é o paciente melhor indicado para esse tipo de eh de terapêutica, que na verdade vai ser bastante individualizada, dependendo de cada caso, da de cada eh discussão que a gente tem ali. Olha, você perfaz mais essa possibilidade terapêutica, não, você não é bom para essa terapêutica, você vai para uma segunda terapêutica. Então esse é o exercício diário na nossa prática clínica, né? Depende então da condição do do paciente, né? qual vai ser essa avaliação, mas doutor é algo que ela tem cura. Então, o acompanhamento ele ao longo, né, da vida com as alternativas, né, que a medicina e a tecnologia também oferta aí para esses pacientes, ou realmente tem um prazo para fazer o tratamento e o paciente ele não volta a ter mais essa condição, como que funciona na prática pra gente esclarecer? Ótima, ótima pergunta, ótimo questionamento. Eh, esse é um, a gente sabe que a PNE é uma doença evolutiva, então nem sempre a gente vai eh fazer algum tipo de tratamento que vai zerar esse processo pro resto da vida dele, né? Mesmo com o uso do CPAP, da máscara, passados alguns anos, essa máscara precisa de algum ajuste. Esse paciente tá usando uma pressão tal qual daqui 10 anos essa pressão possa ser um pouco maior, né? Então, eh, é bem verdade que esse paciente precisa ser acompanhado. Alguns casos a gente consegue zerar, a gente consegue reduzir o índice de apneio e apneia, mas a gente não dá alta para esse paciente. A gente pede para esse paciente ser acompanhado e que ele eh eh consiga entender os sinais de alerta, os sinais que possam fazer com que a gente entenda que essa doença pode ter voltado, pode ter havido uma recrudescência desse processo. Então, eu tinha ficado bem por um tempo e depois de 5 anos eu voltei a ter sonolência. Será que eu voltei a ter a pneia obstutiva do sono? E aí a gente vai tentar procurar condições que devam ser as causas para isso. Por exemplo, você ganhou peso? Ah, doutor, realmente eu ganhei 5, 6 kg. Ah, então em função do ganho de peso, isso pode ter feito com que você eh piorasse o teu quadro. Então, esse paciente deve ser acompanhado na sua plenitude, né? ele precisa de um acompanhamento, porque afinal de contas essa doença, de novo, é uma doença evolutiva e que pode aparecer em qualquer momento da nossa vida. Sobre essa questão então, né, do surgimento em qualquer momento e também como foi falado já que crianças também podem ter, né, a apneia, como que é no caso das crianças, doutor? Eh, também é o mesmo exame, também é a mesma relação das alternativas de tratamento. Fale um pouquinho sobre para eh a doença, né, para os menores. Então, isso é importantíssimo a gente falar mesmo, até porque quando a gente intervém na criança, a gente tá prevenindo que essa criança se torne um adulto apneico no futuro, não é? Então, a prevenção dentro da medicina é o melhor remédio, né, a melhor forma de atuação. A criança tem apneia eh muitas vezes de outra forma, por conta de aumento daquelas bolinhas que ficam dentro da garganta, que são as amídalas, por conta do aumento do que a gente conhece popularmente como carne esponjosa, que é adenoide, o que faz com que a criança muitas vezes respire pela boca, tenha bastante dificuldade respiratória e por consequência possa ter a pneia obstiva do sono. é mais raro. A criança tem muitas vezes mais respiração bucal, uma obstrução nasal e a pneia acaba sendo mais exceção do que regra. Mas acontecem casos em que essa criança tem a apneia obstiva do sono e precisa ser feita uma intervenção precoce, porque inclusive eh doenças podem ocorrer para essa criança, né? Como por exemplo, doenças cardiológicas, a gente chama de corpo monali. e essa criança ter muitas vezes aquela esforço respiratório. Eh, existem crianças com algum tipo de síndrome que tem maior probabilidade de ter eh eh apneia obsolutiva do sono, né? Então, síndromes que alteram a nossa eh arcada dentária, mandibular, esquelética, eh enfim, são os fatores de risco, eh, que nós temos para as crianças e também a obesidade infantil. é outro fator de risco. A maioria dos casos vai se beneficiar com uma intervenção otorrinolaringológica, que é a cirurgia de adenoide e de amídalas. Em torno de 60 a 80% das crianças têm êxito com essa cirurgia, mas nós estamos falando aí de casos de eh muitas vezes não melhora plena. E aí a gente precisa muitas vezes de uma complementação terapêutica com fonoterapia para fazer com que essas crianças tenham vedamento labial. comecem a respirar melhor pela boca, eh, melhor pelo nariz, menos pela boca. Então isso faz com que a gente precise de um de um colega fonoterapeuta, fonodiólogo para trabalhar junto conosco, para fazer com que essa rota nasal seja alcançada de forma satisfatória. E claro, os nossos colegas dentistas também muitas vezes precisam atuar para fazer com que a gente tenha melhor acoplamento da língua no céu da boca, vedamento labial, precisa colocar aparelho ortodôntico, fazer com que a gente realmente eh tenha uma eh uma ênfase adequada terapêutica para que essa criança seja tratada na sua plenitude. Então veja como é importante a gente falar de criança, porque depende também de uma equipe interdisciplinar para tratar de forma adequada a criança quando tem respiração bucal e eventualmente apneio do sono. Perfeitamente, doutor. Agora a gente vai falar um pouquinho sobre as relações da apneia com audição, né, já que a gente fala um pouquinho sobre as equipes também, né, multidisciplinares, realmente tem uma relação com a audição e também a perda auditiva, por exemplo, tem algo que realmente está associado, doutor? Olha, tem trabalhos médicos que tentam fazer algum tipo de relação, especialmente no que diz respeito ao ronco, a o a intensidade do ronco e o quanto isso pode interferir não só na audição de quem tem o ronco, eh, como também na audição do parceiro. Você imagina que alguém que se expõe a ruído todas as noites do parceiro ou da parceira de quarto também pode ter o que nós chamamos de uma exposição a ruído? E então há estudos tentando fazer essas correlações dos níveis de intensidade. Então, a gente chama de decibel ou decibéis, então da intensidade eh provocada por por esse por esses roncos do paciente, o que faz com que possa interferir na saúde auditiva também, fazendo com que esses pacientes possam ter chances de perda auditiva e também quem tem perda auditiva pode ter mais chance de zumbido, aquele barulho no ouvido. Então, há relações também do zumbido com a pneia do sono, especialmente no que diz respeito à queda do oxigênio. Você imagina que alguém que tenha uma pneia grave, uma pineia acentuada, nós temos oportunidade de ter maior queda de oxigênio e essa queda do oxigênio de forma intermitente pode fazer com que a gente tenha muitas vezes algum prejuízo também de forma periférica, ou seja, isso se traduzir em zumbido pra pessoa e eh claro precisa ser tratado na plenitude também, tanto na parte auditiva quanto do ponto de vista de ronco e apneia obstiva do sono. Também é indicado e recomendado uma avaliação auditiva nesse sentido, né, doutor, realmente a gente volta a falar sobre as equipes na, né, interdisciplinares justamente para fazer a o tratamento como um todo, né, verificar realmente a causa para poder tratar tudo, né, mais ou menos isso. Então, sem dúvidas, precisa fazer um exame, eh, não só um exame do sono, mas um exame auditivo para que a gente tenha o diagnóstico assertivo para esse paciente. Certo, doutora? Eh, o senhor comentou sobre a questão também das doenças cardiovasculares, né, por conta do esforço também isso acaba interferindo. Eh, mas pessoas que já têm um problema cardiovascular ou diabetes, por exemplo, tem alguma interferência na apneia e também no tratamento, é mais uma sobreposição. É, é uma sobreposição de fatores, porque se a pessoa já tem de forma genética, né, a pneia, sem sombra de dúvidas, vai fazer com que a gente tenha maior possibilidade dessas doenças cardiovasculares e metabólicas. Isso por conta da eh intermitência do sono e por conta da eh eh da queda também eh do oxigênio intermitente. Então, a fragmentação do sono e a hipoxemia, que é a queda do oxigênio intermitente, fazem com que nós tenhamos mais chances de eh alterações metabólicas. Eu exacerbo uma série de eh mecanismos metabólicos, fatores inflamatórios, aumento o meu cortisol e por consequência eh eu tenho maiores chances de intolerância à insulina, diabetes mélitos tipo 2, por exemplo. Então a gente já tem esse eixo ativado na pneia. Imagine só se a pessoa já tem algum tipo de doença, isso pode ser potencializado. Isso é falado muito dentro da cardiologia também, por exemplo, para pacientes com arritmia. Se esse paciente tem uma arritmia, é mandatório que se investigue se esse paciente tem pneia do sono, porque quem tem apneia tem mais chances de desenvolver esses quadros arrítmicos. E é claro, a gente sabe que eh dentro das arritmias, das possibilidades arrítmicas, nós temos uma arritmia que pode gerar eh maiores chances de mortalidade pro nosso paciente, chamada fibrilação atrial. Então, eh, há uma grande possibilidade de aventarmos o diagnóstico para esse paciente, para evitarmos que este paciente tenha quadros, por exemplo, de arritmia, por exemplo, de fibrilação atrial, que vão fazer com que esse paciente tenha chance de doenças cardiovasculares e mortalidade. esses quadros, então, né, essa gravidade eh é o é algo assim, a um cenário muito além se não for tratado, então, a apneia, porque fala-se muito pouco sobre a apneia do sono, né, doutora, a gente fala muito sobre eh outras doenças, até doenças cardiovasculares, mas eh não se sabe que tem essa associação, né? Então assim, é muito importante a gente esclarecer sobre a apneia do sono como realmente uma doença aí que tem outras causas, né, e que pode, eh, infelizmente esse paciente adquirir outras doenças por conta da apneia. Então, é muito importante esse diagnóstico precoce, né? Sem dúvidas. E mais do que isso, a gente começar a colocar eh na nossa prática diária a possibilidade de que a pineia esteja gerando uma doença cardiovascular, que o nosso ente querido, por exemplo, está ali eh passando nas clínicas, tá passando nos consultórios e daqui a pouco, poxa, eu tô tratando uma hipertensão, eu tô tratando aqui uma, mas eu avaliei a possibilidade de ter a pneia como causa para isso. né? Acho que é isso que é importante nós alertarmos e programas como seus são importantes para isso, para que nós sensibilizemos a população, a população que entende efetivamente esses mecanismos e que fazem com que a gente eh consiga determinar a essa relação e obviamente pensando na prevenção. na medida em que eu sei a causa, eu vou tratar e aí fica muito mais fácil eu prevenir as doenças cardiovasculares que porventura ou já já apareceram ou podem ainda serem agravadas no futuro. E doutor, falando sobre a medicina mesmo, né, em relação até ao Sistema Único de Saúde ou os hospitais particulares, né, como que eh qual que é o cenário e a visão dos especialistas quanto a isso? né? Porque se você vai procurar um especialista, geralmente tem ali um pedido, né, um encaminhamento para um exame específico. Então isso pode eh atrasar um pouquinho o diagnóstico, pode retardar um pouquinho essa situação pro paciente. É, veja que nós estamos falando de eh uma prevalência de apneia obstrutiva do sono em torno de 40% da população. Veja que importante esse esse dado que eu tô trazendo para você. Último estudo agora epidemiológico da população de São Paulo, publicado em 2025, final de 2025, agora, início de 2026. Eh, é um estudo eh que a avaliou mais de eh 950 pacientes. O primeiro estudo tinha avaliado 1042 pacientes. Esses pacientes foram reconvocados e foram avaliados para saber se essa apneia perdurava e sim 37% dessa amostra representativa da população de São Paulo com pneia obstrutiva do sono. Então, nós estamos falando de uma doença extremamente prevalente e que faz com que a gente tenha muitas vezes uma alta demanda paraa procura diagnóstica e terapêutica, seja no âmbito da saúde pública, seja no âmbito da saúde privada. Isso faz com que muitas vezes um exame demore para se conseguir um exame de polissonografia, tanto na eh eh paraa saúde privada quanto paraa saúde pública, né? Então isso pode retardar muitas vezes o diagnóstico. E é muito importante que essas pessoas procurem ajuda, procurem eh possibilidades terapêuticas, ainda que não haja o diagnóstico efetivo da pneiautiva do sono, efetivamente perda de peso, eventualmente um tratamento nasal de forma clínica, eh tratar refluxo se houver refluxo, porque veja, há uma série de possibilidades que a gente vai cercando esse paciente até que a gente atinja o diagnóstico propriamente dito que é com polissonografia, mas sim esse não é um problema de saúde brasileiro, esse é um problema de saúde mundial, né? A gente tem oportunidade de conversar com gente fora do país e eles dizem: "A dificuldade também se encontra aqui na nossa região, tá? por se tratar de uma de uma doença extremamente prevalente. Perfeito, doutor. Então, pra gente recapitular, né, só para deixar bem claro, quais são então os primeiros sinais de alerta, né? Porque muita gente tem aquela sensação de ah, estou muito cansada, por isso que eu ronquei, por isso ou muita gente não ouve também, não sabe nem da apneia, se não tem essa crise, né, do despertar. Então, pra gente deixar bem claro, né, sobre essa condição que pode ter interferências também com as doenças cardiovasculares, quais são os principais sinais de alerta, então para se buscar um especialista e já dar início aí aos exames, né, e se for diagnosticado já iniciar o tratamento mais rápido possível. é basicamente o ronco. Então, se a pessoa ronca, você deve procurar ajuda, porque roncar não é normal. A gente eh adquiriu uma condição de que, ah, todo mundo ronca, depois de uma certa idade, todo mundo ronca. Não é verdade. Roncar não é normal. pode esconder uma importante doença que é a pneia obstrutiva do sono. Então, eh, se você ronca e você tem algum sintoma de que o teu sono não anda bem, seja noturno, porque você acorda sufocado, engasgado, sudoreico, quer dizer, suor à noite, há algo estranho no teu sono e especialmente durante o dia. Às vezes eu moro só, eu não tenho como saber se eu tô roncando, a não ser que eu grave. num celular, num gravador, mas vamos dizer que eu não gravei. Eu não sei se eu tô roncando. Quais são os sinais de alerta? Os meus meus sinais de urnos. Eu tô acordando cansado, eu tô acordando sonolento, eu tô acordando fadigado, eu não tô rendendo como eu gostaria. Os colegas do meu trabalho estão me alertando, olha, você tá mais eh eh eh lento, você não tá raciocinando como antes, algo de errado está acontecendo. E é importante que a gente investigue uma eh possibilidade de doença do sono. Não há dúvidas que o sono entra como um pilar de qualidade de vida. Da mesma forma que a gente fala que a atividade física e uma prática alimentar adequada são necessárias como pilares fundamentais paraa qualidade de vida, o sono faz parte desse tripé de qualidade de vida para que a gente obtenha saúde, né? Não há dúvidas que o sono é na verdade um dos pilares principais para que a gente adquira saúde. E hábitos também precisam ser modificados, doutor, né? hábitos alimentares, justamente aí para essa qualidade de vida, né? Juntando um bom sono com esses outros hábitos também, atividades físicas. Isso seria uma prevenção, por exemplo, sem sombra de dúvidas, né? você buscar uma higiene do sono satisfatória. E isso eu falo que a gente constrói o nosso sono desde o momento que a gente acorda. Os hábitos que eu faço durante o dia, se eu engiro muito o café, eh que horas eu vou almoçar, que horas eu vou fazer reuniões, qual é a minha rotina diária, se eu me exponho à luz de manhã, isso vai gerar uma pressão pro sono à noite. Então, há uma série de condições que vão favorecer o sono. Eu pratico atividade física. Essa atividade física vai me ajudar liberar endorfinas, reduzir peso, fazer com que haja maior pressão pro sono à noite. Eh, essa preparação pro sono é fundamental. colocar o sono como parte integrante do processo fisiológico. Eu não tenho que ir paraa cama porque eu preciso dormir. Eu tenho que ir paraa cama porque o sono faz parte da minha rotina fisiológica. Então, eh saber interpretar e o sono de forma natural, satisfatória, fazendo com que a gente eh melhore nossa condição alimentar, não inira muito carboidrato à noite, só vou deitar depois de duas a 3 horas que eu me alimentei e criar um ambiente propício pro sono, luzes mais baixas, eh um local com menos ruído, mais próprio para ter uma condição de sono adequada, então não muito eh quente também não muito gelado, eh a minha o meu colchão, meu travesseiro e fazer práticas que induzam ao sono, né? como, por exemplo, uma meditação, uma reza, às vezes a gente eh pode colocar como hábito tomar um chá, eh fazer alguma prática que eh eh sinalize pro nosso organismo que chegou a hora de dormir. Isso é fundamental. Eu falo o tempo todo que a gente precisa de um condicionamento pro sono. Gosto muito dessa palavra. Da mesma forma que a gente precisa se condicionar para ser um atleta de alto rendimento, eu quero correr uma meia maratona, quero correr uma maratona, eu começo com 1 km, depois eu começo correndo três, depois eu começo correndo cinco, depois eu começo correndo 21 e depois eu chego em 42 km. O sono também precisa desse condicionamento, ele precisa ter essa preparação adequada e entrar efetivamente como uma rotina adequada do nosso dia a dia. Isso é fundamental, né? Dessa forma a gente adquire um sono satisfatório e um dia também mais prazeroso. Perfeitamente, doutora. É bom eh priorizar, né? Precisamos priorizar também o sono, que às vezes a gente acaba deixando ele de lado, né? faz tudo no automático, naquela vida corrida, naquela vida agitada e não se preocupa muito com essa qualidade do sono. E aí realmente acontece as intercorrências, aí a gente começa a sentir aí os efeitos a longo prazo. Então quero agradecer a sua participação, muito obrigada pelos esclarecimentos e pelo tempo aqui com a gente. Eu que agradeço. uma ótima oportunidade pra gente debater e ter um tempo exponencial pra gente falar de uma importante doença que assola, que agrava a grande população mundial. Então, muito obrigado pela oportunidade, parabéns pela entrevista, um abraço a todos vocês. Muito obrigada, doutor. Bom, o nosso programa fica por aqui. Espero que você tenha gostado e você pode acompanhar esse conteúdo [música] na íntegra pelo portal tvcamaracampinas.com.br br e também fica disponível em nossas redes sociais. Te espero [música] na próxima semana. Até lá. [música] [música] [música]