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Olá, começa agora mais uma edição do programa Saúde à Vida. E no nosso programa de hoje, nesta edição, vamos falar sobre o sistema linfático, especificamente sobre o câncer do sistema linfático, para nos ajudar a entender como funciona o nosso organismo e como reconhecer os sinais. Convidamos a Jamile Cunha, hematologista do grupo Son. Mais uma vez, obrigada por ter aceito o convite. Jamile, seja muito bem-vinda. Bom dia, obrigado pelo convite, um prazer estar aqui. Bom, Jamili, pouco se fala, né, sobre o sistema linfático, né? Então, pra gente esclarecer, vamos falar sobre então como é formado o sistema linfático, né, e o que é o câncer, né, desse sistema. Vamos entender, porque a gente fazendo as pesquisas, né, descobriu que são muitos casos, né, e muitas doenças desse mesmo sistema, né, nessas mesmas condições. Então, hoje vai ser um programa esclarecedor demais sobre esse assunto, tá bem? Então, gente, assim, o sistema linfático é um sistema que tá no nosso corpo inteiro, que ele participa da defesa do nosso corpo. Então, a gente tem o ganglio linfático, que são aqueles ganglos que ficam inflamados quando a gente tem uma infecção de garganta. Eles também estão em várias cadeias, então a gente tem na cadeia do pescoço, da axila, do abdômen, do tórax. Então, a principal função dele é fazer a proteção, né, o sistema imune ativar quanto vírus e bactérias. Além disso, a gente tem mais dois lugares de sistema linfático, que é o nosso basto, que também faz parte das nossas defesas, e as nossas amídalas. Então, eh, toda vida que a gente tem algum tipo de infecção, né, seja localizada ou disseminada, a gente pode ter aí alteração no sistema linfático, ele estando mais ativo. Isso não ser uma doença do sistema linfático, né, mais comum do que a gente a gente já sabe, né? amidalite fica com os carocinhos no pescoço. Quando que a gente pode ter doença desse sistema linfático? É quando a gente começa a ter eh alterações celulares dessas células da imunidade e essas alterações começam a ter duplicação celular normal e a gente tem o aumento desses locais sem ter uma infecção associada. Então a gente começa a aparecer um caroço no pescoço que não tem nenhuma infecção de garganta, um caroço na axila, um caroço na região ou aumento mesmo do basso, das amídalas anormalmente. Então aí a gente suspeita que em vez deles estarem trabalhando a favor do nosso corpo contra as infecções, eles podem estar com uma doença localizada no sistema linfático, que normalmente são os linfomas, certo, Jamile? E como que a gente pode então eh classificar? Existem grupos, né, desse desse linfoma e do câncer pra gente separar as informações? É, falando em linfoma, o linfoma ele é um tipo de câncer do sistema linfático, né? Só que diferente das outros tipos de câncer, o câncer de mama, o câncer de próstata, ele pode ser localizado só em uma cadeia de linfonodo ou ele pode ser mais de um acometimento de cadeia, mas mesmo assim se tornam o mesmo subtipo de câncer. A gente não fala sobre metástase, tá? E aí quando a gente pensa em linfomas, a gente pode ter grand dois grandes grupos, os linfomas de hodin e o linfoma não rodic. Dentro desses grandes grupos, a gente também tem subtipos de doença que são, apesar de estar no mesmo grupo, diferentes entre si. E como que a gente diferencia isso? fazendo a biópsia desse carocin aumentado, porque dentro da biópsia a gente vai entender se ele tá no grupo do linfoma de rodic ou no grupo do linfoma não rodic e dependendo do grupo que ele tiver o subtipo dele, porque o subtipo é o que guia pra gente eh fatores de prognóstico, de resposta e também o tipo de terapia a ser aplicado naquele paciente. E quais são os sintomas então, Jamile, né? O que que a gente pode falar sobre os sintomas então do desse linfoma que caracteriza o câncer? os sintomas dos linfomas, primeiro sinal de alarme é o surgimento dos caroços que não melhoram e que não tem relação com infecções. Então, claro que se você tem uma infecção localizada, ele pode demorar um pouquinho mais para desaparecer, porque ele tava lá trabalhando na sua imunidade. Mas o surgimento dos caroços que não melhoram mais de 3, 4, 6 semanas e não tem relação com a doença infecciosa, é um um sintoma de alarme. Independente de você ter outros sintomas e já deve ser procurado atendimento médico. Mas existem sintomas que a gente chama de sistêmicos. Então, quando os carocinhos estão associados a febre, perda de peso, perda de apetite, sensação de fraqueza extrema, sudorese à noite e chega a pingar, sujar a roupa, já são sintomas que devem com certeza serem relacionados às doenças dos linfonodos, que são os linfos. A gente fala muito sobre a questão de ínguas, né, como os caroços também, mas, né, tem gente que tem os nódulos que consegue sentir, mas isso é preocupante se tem esses sintomas juntos e não está relacionado com essa infecção, por exemplo. Mas eh muita gente já tem esse medo, né? Já tem o medo do diagnóstico quando já encontra um nódulo, uma íngua. Nem sempre essa íngua, ela é câncer. Exatamente. Então, como a gente conversou, como dentro do nosso linfonodo, dentro da nossa língua, tá o nosso sistema imune, então ele pode estar aumentado em situações que o sistema imune precisa agir. Então não necessariamente sempre que o caroço tiver aumentado vai ser o tipo de câncer dos órgãos linfáticos. Mas novamente, os linfonodos que demoram muito tempo para desaparecer e a gente não tem uma infecção ativa, vale procurar o atendimento médico, porque mesmo que não seja um câncer do linfonodo, a gente tem outras doenças do nosso corpo que podem aumentar os linfonodos. Por exemplo, doenças infecciosas mais crônicas, como a tuberculose, doenças autoimunes reumatológicas. Então, o linfonodo, ele não necessariamente pode ser um câncer do linfonodo, mas vale a atenção pra gente pensar em diagnósticos diferenciais. E doutora, tem uma uma classificação assim, uma incidência, né, de uma faixa etária, homens e mulheres que têm essa prédisposição a desenvolver, né, ou tem algum grupo de risco também que é mais preocupante, que a gente tem que ter mais alerta. Como a gente sabe que hoje temos muitos subtipos dentro desses dois grandes grup desses dois grandes grupos, a gente não consegue falar muito sobre eh populações de faixa etária, nem de sexo feminino masculino, porque no nos grandes grupos temos subtipos muito diferentes. Tem alguns desses subtipos que são mais comuns em idosos, tem outros que são mais comuns em criança, mas no geral a gente sabe que os o grupo do linfoma de Rodic acomete um pouco mais adultos jovens em relação ao grupo não Rodic, mas algumas populações elas podem ser populações de risco porque são populações que t o sistema imune mais inflamado assim. Então, por exemplo, pacientes que já têm outras infecções virais crônicas, como pacientes portadores de HIV, portadores de hepatite B e C, pacientes que foram transplantados, né? Então, transplantalos de órgãos sólidos, como rim, fígado, coração, porque precisam usar imunossupressores, eles têm um pouco mais de risco de acometimento de câncer dos órgãos linfáticos. E Jamile, eh, por exemplo, né, um dos sintomas que apareceu nas pesquisas, né, foi uma coceira na pele. Essa coceira na pele, ela tá associada realmente ao câncer, né, do linfoma? Ou essa o diagnóstico ele vai, né, por exclusão ou realmente ele é um mito, né? Porque a gente sempre separa aqui algumas questões sobre mitos e verdades. E a coceira apareceu como um dos sintomas. Isso realmente pode acontecer? É, a coceira generalizada, ela precisa de investigação, tá? Eh, não necessariamente ela vai ser um sintoma apenas de doenças dos órgãos linfáticos, mas sim pode surgir eh coceira generalizada que não tem causa explicada. Quando a gente fala de algum sintoma, é importante a gente sempre lembrar que na consulta médica a gente vai investigando as possíveis causas das causas mais comuns paraas causas mais raras. A coceira generalizada, de fato, mais comumente é associado a uma doença de pele, mas dentro do sintomas de linfoma, principalmente quando tá associado a aumento de caroço, pode ser sim um sintoma que causa um alerta para investigar as doenças dos órgãos linfáticos. Voltando um pouquinho, né, sobre as doenças eh autoimunes e também as inflamatórias, né, que também atacam o sistema linfático, né, tendo essas doenças, esse paciente precisa eh ter esse alerta e prestar atenção no sintomas se eles vão persistir, né, porque de repente tem uma uma inflamação na garganta, não é também para ter esse essa preocupação, né, esse alerta que nossa, pode ser câncer, mas sim prestar atenção no tempo que os sintomas vão persistir. É mais ou menos isso para ver se eu entendi também essa questão. Sim, na verdade o racional é a gente pensar assim, o sistema linfático ele vai estar atuante no nosso corpo, então em situações que ele precisa agir, ele vai ficar mais ativo e a gente vai ter o surgimento do aumento dos das línguas do linfonôto. Quando que a gente pode pensar que ele tá ativo, mas de uma forma que pode ser um câncer, quando eu não tenho nenhum sintoma de infecção em atividade e aí eu preciso realmente entender se aquele linfonodo que tá lá ele mantém por conta de outra doença ou uma questão reacional ou ele pode ter uma doença dentro desse linfonodo. Então o tempo do da manifestação do aumento do caroço é importante. Então aqueles caroços que se mantém há mais de quatro se semanas aumentados, tá? Mesmo que você tenha tido uma infecção e essa infecção já tenha melhorado, vale a pena o atendimento médico. E quando a gente tem um aumento desses carodos, desses caroços, né, dessas línguas associados aos sintomas que a gente citou, perda de peso, perda de apetite, sudorese noturna, coceira no corpo, né, uma fadiga, né, uma indisposição muito importante também a gente precisa de investigação, porque o mais importante, pessoal, é quando a gente fala de sinais de alarme, é que não precisa do estresse, mas o sinal de alarme é um é um momento para você procurar ar um atendimento médico para a gente iniciar uma investigação, porque como eu posso, eu tenho pacientes que procuraram atendimento por conta de um linfonodo aumentado, a gente biopsiou e não era nada e tá tudo certo. A gente fez a propedêutica, né, da investigação. de que o mais importante nessas entrevistas, nesses meses de conscientização, é a gente lembrar que o diagnóstico precoce muda a maneira que a doença se manifesta no nosso corpo e muitas vezes muda a resposta do tratamento. E Jamile tem fatores de risco, as causas, né, cientificamente, estudos eh comprovam algo assim em relação às causas. Eh, a gente pode dizer que tem a questão de ser hereditário, genético ou não, tá? O câncer do órgão linfático, ele não é hereditário, tá? Mas como todo câncer, ele tem um caráter de mutação genética. Então, por algum motivo, a gente teve uma mutação genética ao acaso, ao longo da vida, e essa mutação começou a proliferar células doentes, mas ele não é um câncer que a gente tem hereditariedade, então não é porque o pai teve que necessariamente o filho vai ter. Então tem são esses dois conceitos diferentes em relação aos fatores de risco. Como eu comentei anteriormente, a gente tem os fatores de pacientes que já têm doenças infecciosas crônicas, os pacientes que têm uma atividade imune, né, aumentada, como os os pacientes transplantados. alguns pacientes que também usam alguns tipos de medicações, de imunomoduladores, que têm doenças autoimunes, mas como todos os cânceres, os fatores ambientais influenciam. A gente não tem uma influência tão direta como, por exemplo, câncer de pulmão com o cigarro, mas a gente sabe que os bons hábitos de vida influenciam na no surgim, né, no surgimento de qualquer tipo de câncer, né? Então, atividade física influencia, né, o paciente ser sedentário, paciente tabagista, etilista, paciente que consume muita gordura saturada, obesidade. Todos esses fatores, eles influenciam como um todo paraa manifestação dessas alterações genéticas ao longo da vida e o surgimento dos cânceres. E Jamile, falando então sobre o diagnóstico, né, o diagnóstico precoce, quais são os exames, quais são os primeiros passos então para esse paciente, né, desde o momento então desse diagnóstico? Então, o primeiro alerta faz você procurar um atendimento médico e aí o médico vai poder fazer o exame físico, porque existem algumas características desse linfonodo aumentado que podem falar um pouco mais a favor de doenças malignas, né? Então, o exame físico inicial feito por um médico é importante porque ele vai avaliar essas características. A depender da situação, é feito um exame de imagem, mas para o diagnóstico a gente precisa da biópsia desse carocinho. Então, precisa ser feito ou a retirada completa do carocínio para análise ou uma biópsia por punção também para análise, tá? Então o diagnóstico a gente pode até ter suspeita clínica, suspeita no exame físico, suspeita no exame de imagem, mas o diagnóstico é feito por biópsia. E existem eh estágios do linfoma, Jamile, o que que a gente pode falar sobre a fase inicial, né, e também do mais avançado, se não for diagnosticado precocemente. Isso acaba tendo esse atraso também no tratamento. Os estágios do linfoma envolvem os locais das cadeias que o linfonodo pode estar aumentado, tá? Então a gente tem linfomas que são localizados, então surgimento de apenas um uma cadeia linfonodal aumentada e a gente tem estadios mais avançados onde temos mais linfonodos de várias cadeias aumentados, assim como a a infiltração de outros órgãos pelo linfoma. Mas mesmo nesse estádio avançado, a gente não tem, como eu falei anteriormente, o conceito de metástase, tá? a gente tem só o conceito de cadeias e locais que são acometidos, porque a maioria dos casos o tratamento ele vai ser baseado em quimioterapia sistêmica quando ele é avançado. E a resposta, né, vai depender mais do subtipo do linfoma do que necessariamente dos locais de acometimento. Nesses casos, né, dos tratamentos, existe um transplante dependendo do tipo ou apenas medicação? como que funciona o tratamento? Claro, né? Isso depende também de cada estágio da doença e também de cada é o organismo também, né, Jamile? Mas pra gente entender melhor detalhadamente sobre eh as alternativas de tratamento e se existe transplante, como nós pesquisamos também, é numa visão geral de tratamento, novamente, o tratamento é guiado pelo subtipo do linfoma. Numa visão geral, o tratamento ele é baseado em quimioterapia. a gente pode lançar a mão a depender do caso de radioterapia localizada também, se temos massas muito grandes. Além disso, a gente tem as imunoterapias, que hoje elas entram realmente com muita resposta, principalmente aqueles linfomas que foram refratários à primeira linha de tratamento. E para alguns subpos, em primeira linha, a gente tem a introdução do transplante autólogo de medula, que é aquele de você para você mesmo. Em outros subtipos, a gente só lança a mão da indicação de transplante quando há refratariedade, a primeira linha de tratamento. Então, na verdade, né, como a gente conversou aqui, essa é uma visão geral falando de todas as alternativas de tratamento, mas isso vai ser acompanhado a depender do subtipo do paciente e do acompanhamento e da resposta de cada paciente à aquelas linhas de tratamentos indicadas. E durante esse tratamento, Jamile, quais são os cuidados, né, que esse esses pacientes precisam ter? Quais são as orientações, né, que vocês, especialistas, né, e hematologistas, eh, informam também, né, para esse paciente durante o tratamento, seja ele qual for, né, esse tratamento, mas tem um cuidado especial de alimentação ou contato com outra pessoa também, esse cuidado eh de de repente pegar um resfriado, isso interfere, esse paciente fica com uma com sistema mais eh com a imunidade mais baixa. né? Como que funciona? Então, hoje a gente tem alguns cuidados que precisam ser orientados novamente a depender do tipo de tratamento, mas um cuidado um pouco universal é a vacinação, né, dos pacientes. Então, hoje a gente já tem indicações de vacinação, pré-tratamento, que modificam muito o intercurso de doenças infecciosas ao longo do tratamento, visto que a quimioterapia relacionada aos órgãos linfáticos faz cair a imunidade. Então, hoje a nossa principal linha de frente contra infecções durante o tratamento é a vacinação desses pacientes. Essa vacinação, ela é feita com indicação médica, então a gente normalmente não faz vacina de vírus vivo, faz vacina de vírus inativados, mas que elas influenciam bastante, né, na prevenção de doenças ao longo do tratamento. E a segunda orientação é evitar de fato contato com pessoas com resfriados em atividade, né? Então, evitar ambientes muito fechados, com aglomeração de pessoas, porque às vezes a pessoa tá com um sintoma muito inespecífico, mas para quem faz quimioterapia vai ter uma infecção que pode ser mais grave, né, e até impeditiva de manter a quimioterapia por aqueles dias. Além disso, a gente conversa sobre evitar alimentos que a gente não sabe de onde vem, onde são feitos para evitar também infecções do trato gastrointestinal. E para alguns subtipos de quimioterapia, a gente pede para evitar por aquele momento alguns tipos de alimentos cruz também pensando na, né, nas infecções gastrointestinais. Eh, outra orientação que é dada pro paciente, hoje a gente sabe que faz diferença, é para aqueles pacientes que já tinham uma vida de exercício físico, a gente influencia a manutenção da atividade física, porque a gente sabe que é preciso manter massa magra ao longo do tratamento. E para aqueles pacientes que eram sedentários, a gente estimula o início de uma atividade física leve, né, para manter também eh a massa magra e diminuir a perda de peso ao longo do tratamento, certo? E Jamília, a gente, né, optou também por eh fazer, né, esse programa com esse tema depois, né, do caso do cantor, né, do netinho, que faleceu, eh, com essa doença. Em algumas reportagens ele também disse que estava curado e depois a doença voltou. falando nesse cenário, né, eh, dessa recidiva mesmo da doença, como que funciona, né, o tempo do tratamento interfere também. Obviamente que o diagnóstico precoce ele engloba também nessa questão do início do tratamento, né, com mais eficaz, mas queria que você falasse um pouquinho sobre essa questão eh da volta da doença, né, o porque acontece e se tem realmente esses casos, eh, um cenário atual hoje, né, falando aqui no Brasil, de casos desta doença mesmo, se aumentou não, qual que é a representatividade, né, dos números de pacientes com essa doença. Então, pensando na no status de pós tratamento, novamente, para qualquer tipo de câncer, a gente tem eh as taxas de cura. O linfoma, a depender do subtipo, tem taxa de cura relativamente alta comparado com outros tipos de câncer, mas a gente sabe que existem eh pessoas, né, mesmo que um percentual menor, que podem ser ou refratárias ao tratamento, então fazem o tratamento e não respondem, ou a gente tem uma recaída. Muda muito em relação a pensar em recaída também no tempo dessa recaída. uma recaída mais rápida após o tratamento, ela tende a responder pior, pensando, né, em resposta a uma segunda, terceira linha, uma recaída mais tardia, ela também não é melhor do que não ter nada, mas ela tende a responder um pouquinho melhor, pensando aí em tempo de recaída. Infelizmente a gente sabe que mesmo em doenças que têm alta taxa de cura, né, que o tratamento ele visa a cura, existe um percentual de pessoas que pode ter sim recaída de doença. E aí a segunda, terceira e linha de tratamento, elas também podem ser curativas no caso dos linfomas, mas elas têm uma taxa de cura menor, né? Então o caso do netinho, eu não sei exatamente qual foi a causa da morte dele, se foi relacionada diretamente ao linfoma. ou algum processo infeccioso durante o tratamento, porque de fato isso pode acontecer, mas as recaídas elas existem eh mesmo em subtipos de doença que têm uma alta taxa de cura, tá? Em relação a dados, a gente sabe que hoje a gente tem o, né, os dados nacionais, de fato, o câncer de mama e o câncer de próstata ainda são os subtipos de câncer de maior prevalência na população geral, né? Então, quando a gente fala de prevalência, são aqueles subtipos mais diagnosticados, mas pensando em linfoma, eles estão aí lá pelo quinto lugar, pensando em câncer no geral, né? E aí quando fala de subtipos a gente vai ter uma diferença neles, mas sim de fato é uma doença que tá ganhando aí mais lugar em relação à prevalência, pensando em subtipos de câncer como um todo. E nesse cenário, né, Jamile, falando sobre essa prevalência e também esse talvez aumento ou ganhando, né, mais força, infelizmente, né, falando da doença, eh, como que você enxerga, né, no papel de hematologista, como que as pessoas eh lidam com esse, com essa doença, né? elas buscam mais informações, estão buscando mais orientações também e essa prevenção pra doença. Eu acho que hoje a informação ela é muito mais fácil, né? Então sim, a gente tem pessoas que procuram mais os serviços de saúde, pensando nas doenças e pensando, né, em se prevenir, em fazer atividade física, diminuir os fatores de risco. Eh, infelizmente, pensando em linfoma, a gente não tem examas exames preventivos, né? Então, a gente não tem um exame que eu faça para identificar se eu posso ter o risco de ter linfoma ou se eu tenho um linfoma. Quando a gente tem linfoma, ele vai tá manifesto mesmo naqueles sintomas que a gente conversou, diferente do câncer de próstata e do câncer de mã. Então, a maior prevenção é identificar o seu corpo, identificar os sintomas, os sinais de alarme, procurar atendimento médico precocemente e manter bons hábitos de vida, que vai prevenir a gente de ter, além das doenças oncológicas, as doenças cardiovasculares. Jamir, nas crianças também o processo é o mesmo dos sintomas, do tratamento também dependendo do subtítulo, tem, né, eh, subtipo, tem alguma orientação diferente no caso das crianças? É, nas crianças o os tumores hematológicos são os tumores mais prevalentes, os linfomas e as leucemias, mas a gente segue o mesmo padrão. A gente não tem exames para detectar precocemente só quando temos esses sintomas associados. Lembrando que nas crianças o subtipo mais comum é o linfoma de Rodk mesmo e mesmo raciocínio baseado de quimioterapia com alta taxa de cura, mas que a gente pode ter aí algumas crianças saindo desse percentual de cura e tendo linfomas um pouco mais refratários ou uma recaída de linfoma. Eh, no caso das crianças, né, é mais prevalente também a questão da leucemia, que, né, é outra outro tipo, né, no sangue, mas muita gente ainda eh tem, né, essa essa dúvida sobre a as duas condições. Tem gente que até confunde, né, no caso do linfoma e leucemia, que são coisas totalmente diferentes, né, Jamile? Sim. Então, quando a gente fala, né, de prevalência maior nas crianças de doenças onco hematológicas, é porque as doenças eh tumores sólidos, mama, próstata, pulmão, não são tão comuns na faixa etária da infância, mas sim, né, os tumores, as leucemias e os linfomas. Leucemia e linfoma são doenças bem distintas entre si. As leucemias elas são doenças primariamente da fábrica do sangue, da medula óssea, onde a gente começa a ter parada da produção das células adequadamente. Já os linfomas já são doenças que normalmente não acometem a medula óssea primariamente e acometem o sistema linfático periférico, que são essas os as cadeias, né, linfonodais o basso. E essa esse paciente, né, diagnosticado então com com linfoma, eh, Jamile, tem alguma limitação, né, de vida? O que que ele pode fazer ou que ele não deve fazer? Tem também essas orientações? Você diz ao longo do tratamento ou na vida em geral? Na vida em geral. Não, na vida em geral, gente, vida normal. Vamos seguir nossa vida, tá? A única diferença é que você vai manter um acompanhamento médico regular, né? Vai ser visto pelo seu médico aí a cada 3 4 meses no primeiro ano. Depois essas consultas vão sendo espaçadas. Atenção aos sinais de alarme, que seriam os mesmos sinais de alarme associados na primeira, no diagnóstico, né? naqueles primeiros sintomas, mas vida normal, praticar atividade física, casar, ter filhos, tudo que vocês quiserem fazer e fazer realmente, né, o acompanhamento certinho. a gente fala, né, no mês de outubro, a gente sempre fala sobre o câncer de mama, né, outros meses e esquece um pouquinho das outras também eh condições das outras doenças, né, lembrando que, infelizmente, né, tem vários tipos, né, de câncer surgindo, inclusive a gente até fez um mapeamento que até 2028 outros tipos de câncer, né, estão irão surgir aí ao longo dos anos também, né, isso cientificamente ente nas pesquisas também falando sobre isso. Então, eh realmente a prevenção, aqueles hábitos, né, que a gente precisa mudar, né, Jamile, de alimentação, um sono adequado, atividade física, isso para todos os tipos, né, como você mesmo mencionou, eh, das próprias doenças cardiovasculares. Na verdade, é um conjunto de tudo que isso acaba, eh, ajudando, né, pra gente ter a melhor qualidade de vida. Então, como hematologista eh do grupo Sonho, queria que você deixasse também algumas considerações, né, o que que vocês fazem diante essas informações para também conscientizar a população sobre essas doenças. Então, acho que é isso mesmo que você falou. a gente tem aí, né, uma vertente de mais doenças aparecendo, a gente tem muito trabalho a ser feito e o principal trabalho que a gente como grupo se empenha a fazer é os trabalhos de informação populacional. Então é muito importante, a gente tende a fazer campanhas de conscientização, campanha de atualização de sinais, de eh exames, né? Muitas vezes assim, a população às vezes fica em dúvida para onde ir, quem é o médico que eu procuro, o que que eu preciso fazer. Então, a gente como grupo se empenha bastante para fazer e trazer essa informação para a população. Além disso, a gente tende a também fazer informação a outros profissionais da saúde, então, educação continuada para os colegas médicos de outras áreas, pra gente conseguir às vezes a gente sabe que tem subtipos de doença que o paciente já procurou dois, três médicos e aquilo não andou muito bem. Então, às vezes é necessário de fato uma educação continuada, porque as doenças vão, a gente vai conhecendo mais as doenças e a gente vai entendendo um pouco mais, né, de coisas que a gente pode fazer que no passado não eram não eram feitas e além disso, os profissionais de outras áreas. Então é muito importante porque, como você falou na infância, às vezes um professor ele vê uma criança, percebe que a mãe ainda não percebeu, o educador físico entende o o a gente entender aí a população, então a gente faz campanha em prefeituras, praças para, por exemplo, câncer de pele, quais são as lesões. Então, o empenho como profissionais médicos oncologistas é de fato trazer informação, mas não informação apenas para profissionais de saúde, médicos, mas sim paraa população se apropriar, né, desse conhecimento e procurar o atendimento médico mais precoce. Tá certo, Jamile? muito obrigada pela sua participação, por trazer todo o seu conhecimento mais uma mais uma vez aqui esclarecendo, né, sobre câncer, eh sobre o sistema linfático. Então, quero mais uma vez agradecer a sua participação e até uma próxima oportunidade, é claro. Muito obrigada pelo convite. A gente fica muito feliz em conseguir manter o nosso trabalho de informação pra população e é sempre um grande prazer. Muito obrigada, Jamile Cunha, nossa entrevistada de hoje aqui no programa Saúde é Vida. E você pode acompanhar esse conteúdo na íntegra também pelo portal tvcamaracampinas.com.br e também fica disponível em nossas redes sociais e também no YouTube. Te vejo na próxima semana. Até lá.