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Saúde é Vida | Transtorno do Processamento Sensorial (TPS)
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Saúde é Vida | Transtorno do Processamento Sensorial (TPS)

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O Transtorno do Processamento Sensorial (TPS) é uma condição em que o cérebro tem dificuldade para receber, interpretar e responder aos estímulos vindos dos sentidos e do próprio corpo. O cérebro processa informações do ambiente de forma atípica, afetando visão, audição, olfato, paladar, tato, além do equilíbrio e da percepção corporal.

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[música] [música] Está no ar o Saúde à Vida, nosso encontro de informação, bem-estar e qualidade de vida. No programa de hoje vamos falar sobre transtorno do processamento [música] sensorial, uma condição conhecida como TPS, que afeta a rotina de muitas [música] famílias e exige um olhar atento e especializado. Para entender o que é esse transtorno, como [música] identificar os sinais e qual é o caminho para o tratamento adequado, convidamos a terapeuta ocupacional Amanda Alonso, que já está conectada. Seja muito bem-vinda. Bom dia, Cassiane. Tudo bem? Tudo bem. Agradeço esse convite muito especial para tá abordando sobre um tema que eu amo, que é o processamento sensorial, né? Há 17 anos, eu mergulhei no desenvolvimento infantil, então eu sou certificada em integração sensorial pela Universidade do Sul da Califórnia, pela WPS e trabalho, atuo com crianças com transtorno do espectro autista, transtorno do processamento sensorial, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, dificuldades, né, desafios motores e busco auxiliar á-los, né, a contribuir para que eles conquistem autonomia e independência pro dia a dia deles. Perfeitamente, Amanda. E é um tema, né, bem delicado e pouco também se fala sobre esse transtorno, né, do processamento. Então, para começarmos do básico, né, o que é exatamente esse transtorno do processamento sensorial. Eu queria que você explicasse um pouquinho pra gente sobre então essa sigla, né, TPS, tá? Eh, eu vou começar explicando pelo processamento sensorial, tá? Então, esse esse processamento sensorial é a capacidade do nosso sistema nervoso central dele tá recebendo informação, né? ele tá eh registrando essas informações, organizando e interpretando adequadamente, né, vindo aí dos sentidos para dar uma resposta adequada ao ambiente. Quando isso não acontece, né, esse processo, essa organização de uma forma adequada, aí nós vamos ter o transtorno do processamento sensorial. Então, as informações elas vêm confusas, desorganizadas, eh isso acaba impactando em questões relacionadas ao comportamento, à autorregulação emocional, ao desempenho funcional da criança, né, relacionado a às atividades de vida diária, então a parte motora. E doutora, como que a gente pode falar também sobre a sigla DSM5, né, falando sobre o transtorno do processamento sensorial, que ele é um termo usado na prática clínica e na terapia ocupacional, né, pra gente entender um pouquinho aí essas diferenças. Então, a a questão você fala sobre eh está classificado no DSM5 com relação à parte de outros transtornos como TEA. Porque porque assim, né, a o transtorno do processamento sensorial, ele pode existir, por exemplo, na no transtorno do espectro autista e como também pode ser visto no transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. No TEA, né, nós temos eh prescrito, né, nos critérios. Então, a gente vai ter essas alterações relacionadas a alterações sensoriais relacionadas ao transtorno do processamento sensorial, mas nós podemos ter o TPS puramente. Então, doutora, muitas pessoas acabam, né, eh, confundindo, né, esse transtorno do espectro autista com o transtorno do processamento. Elas têm uma relação, mas também tem essas diferenças, né? O paciente ele pode não ter as duas condições de uma vez. Seria isso? Isso. Então, eh, uma criança com transtorno do espectro autista, ela pode apresentar alterações sensoriais, né, relacionadas ao transtorno do processamento sensorial. E isso está descrito, né, nos critérios para diagnóstico. Eh, e como eu falei também no caso do TDH, então uma criança que ali apresenta muitas buscas para essa questão relacionada à autorregulação, mas nós podemos ter o transtorno do processamento sensorial eh puramente, né, sem ter uma comorbidade. Certo? Vamos falar sobre os sinais, então, Amanda, né? Quais são esses sinais? Os alertas mais comuns que os pais responsáveis eles precisam observar no dia a dia dessa criança, né? O que muda no comportamento dessa criança para que os pais fiquem atentos? Porque a gente fala muito sobre um comportamento de birra. às vezes as pessoas confundem, acham que a criança eh está fazendo graça. E isso é muito comum a gente ouvir, porque as pessoas hoje, né, não estão talvez eh preparadas ou elas não têm esse acesso às informações. Então, né, esse momento justamente é pra gente eh mudar um pouquinho esse cenário, né, colocar um outro olhar sobre essas condições. Então, qual é realmente esse sinal preocupante que acende esse alerta? Exatamente, Cene. Eh, super bem colocado. Eh, a gente é importante as pessoas identificarem porque a gente escuta muito assim: "Ah, essa criança tá fazendo birra, essa criança está com frescura, é falta de limites, né? E a gente sabe o quanto que o TPS acaba impactando na vida das nossas crianças e no desenvolvimento das nossas crianças, né? Então, eh, a gente pode começar a pensar na criança que ela reage de maneira excessiva, né, a alguns estímulos, como por exemplo, o auditivo. Então, a criança acaba reagindo eh excessivamente a sons de eletrodomésticos. eh a secador de mãos, a a questão do parabéns. Então, muitas crianças acabam tendo dificuldades para frequentarem festas, né, aniversários ou até mesmo o próprio parabéns do aniversário deles, eh, por conta desse incômodo auditivo. Eh, pode-se perceber crianças que tm dificuldades relacionadas a texturas, a roupas, a tá realizando atividades eh de massinha, com slime, cola, argila. Eh, então elas acabam apresentando o que a gente chama de hiperresponsividade. Elas acabam tendo um comportamento aversivo de fuga, né, de esquiva. Também temos crianças que às vezes podem evitar eh brinquedos de parques, né, porque elas acabam tendo uma insegurança gravitacional, então elas preferem não tirar os pés do chão, acaba evitando balanços. Então são aquelas crianças que no momento do recreio acabam ficando, né, eh, em atividades mais tranquilas, sem fazer essa exploração do parque, sem tá brincando ali com outras crianças. E nós temos questões alimentares, né, de seletividade, recusa alimentar por conta, né, multissensorial, às vezes de uma versão que pode ser tátil pelas texturas, pode ser ofativa, pode ser auditiva. Eh, temos as questões motoras também, né? Então, relacionadas à praxis, ao planejamento motor. A criança tá, ela tem ideia de como fazer a tarefa como ela faria ali, o que que ela tem que fazer com o corpo, mas ela não consegue sequenciar esses movimentos, né, executar uma sequência de tarefas. E também temos as crianças buscadoras, eh, que possuem dificuldade de permanecer, né, sentada por muito tempo, que estão todo momento, eh, chapalhando o corpo, girando, eh buscando colocar objetos na boca, mordendo, porque tão buscando ali se autorregular, tão buscando tranquilizar esse esse cérebro, tentando colocar o foco e a atenção. Então, muitas vezes a gente acaba vendo, eu falo assim, a pontinha do iceberg, né, que são esses comportamentos. E daí a gente precisa entender o que que tá por debaixo desses comportamentos, né? Porque às vezes é um sistema nervoso central aí bem sobrecarregado, né, com a questão da sobrecarga sensorial e tá impactando nas atividades do cotidiano. Isso acaba também afetando o desempenho escolar. por exemplo, doutora, eh, Amanda, né, no caso, desculpe, eh, mas assim, acaba impactando a relação também dessa criança na família, escola, e isso acaba também tendo um um baixo rendimento. Como que a gente pode falar sobre essa criança também nesse ambiente? Sim, acaba eh impactando na parte atencional, né, muitas vezes a parte da aprendizagem mesmo, porque eh mesmo a criança que tem uma hiper eh responsividade que acaba sendo mais reativa, respondendo de maneira excessiva a um estímulo sensorial, isso impacta na atenção dela, né, na no nível de atenção, nível de atividade do bem-estar emocional. Então, muitas vezes ela deixa de colocar a atenção, o foco no que é relevante, a professora passando as instruções, dando explicações e coloca a atenção no que é irrelevante, que é aquilo que incomoda ela, seja uma etiqueta de roupa, seja um barulho de fundo, né? Então, eh, e a gente tem a criança que ela precisa, que ela tem ali um pobre registro, ela precisa buscar mais informação e ela acaba fazendo as buscas e e isso também acaba de alguma maneira ali eh impactando, né? Como temos a parte de eh estabilidade postural, né? Então, a criança muitas vezes tem dificuldade para permanecer ali alinhada, sentada, eh aquela criança que derrete na cadeira, que ela vai, né, fazendo apoios eh sobre a mesa, eh diminui ali esse esse esse nível de alerta dela, esse foco. Então ela às vezes também não quer ficar muito tempo eh sentada na cadeira porque ela precisa de movimento, porque é muito difícil reagir a essa ação a gravidade. Então também vai impactar e tem a parte de planejamento motor que vai tá interferindo até em questões de escrita, né, de como que segura eh os utensílios. Então, no caso, um lápis ou eh ferramentas como o garfo e a faca, a coordenação motora bilateral para fazer o uso dos talheres, a parte de amarrar o cadarço. Então é bem amplo da gente tá pensando, né, que vão desde questões de modulação que a gente pode ter a hiperresponsividade, a gente pode ter a hiporresponsividade e a busca sensorial, como temos de pobre discriminação, que interfere nessa percepção dessas informações. Então, às vezes, a criança ela tem dificuldade de perceber a calibração dessa força dela. Então, a própriação ela dá essa percepção dos movimentos do nosso corpo e eh da força ali que a gente coloca. Então, como que eu vou segurar um copo de plástico? Se a minha propcepção tá boa, essa calibração da força, eu seguro sem derrubar essa essa água, né? Então também acaba interferindo muitas vezes aquela criança que acaba sendo desajeitada, esbarra em tudo, derruba tudo, tem dificuldade da organização dos materiais, deixa tudo cair. É, e daí temos a parte do postural e da dispraxia, né, que foi um pouquinho do que eu fui falando, dessa parte dessa estabilidade postural, dessa dessa execução de atividades de sequência de passos, a sequência de atos motores, né, Amanda, falando sobre então esses sinais, eh, são os sinais do dia a dia, os comportamentos, né, que essa criança ela vai apresentar e os responsáveis Até mesmo os professores precisam prestar atenção, porque não é só uma fase, às vezes entra na questão também de ai ser uma fase, como a gente falou sobre a criança tá com frescura, a criança eh está fazendo birra. muita das vezes o diagnóstico tardi ele entra nessa questão eh dos familiares talvez não prestarem tanta atenção e deixar passar por conta que acha que é uma fase. Eh, nós temos, claro, as crianças que chegam um pouco mais tarde, né? Porque às vezes os pais acabam, né, eh, acreditando, pensando que, eh, cada criança tem o seu desenvolvimento, o seu tempo. Eh, às vezes também tem as sinalizações, né, que por algum motivo eh às vezes não é sinalizado pela escola ou por outros ambientes, então acaba estando tudo bem. Às vezes não tem outra criança próxima ali da família para fazer um comparativo também. Mas hoje, né, eu percebo uma realidade diferente, tá? Então isso isso já aconteceu bastante, mas hoje eu vejo as escolas eh com uma melhor percepção, né, sobre esses comportamentos. eh, e as famílias também, então os médicos, né, outros profissionais eh que acabam ali contribuindo com uma equipe, né, interdisciplinar, eh, também estão fazendo, né, tão tão observando e fazendo a indicação para as crianças fazerem uma avaliação. Então, esse cenário, eu sinto que ele tá mudando. E se você falasse assim, Amanda, o que que, né, assim, é importante que as famílias percebam ou eh os cuidadores, os professores para fazer essa indicação? É a gente pensar no impacto funcional dessa criança, né? Porque claro que eh esse às vezes se a pessoa não tem um transtorno do processamento sensorial, a gente tem alterações da modulação, né? Então assim, às vezes a gente vai ter uma hiper resposta, depende. Então eu vou para uma, eu vou estar numa reunião no final do dia ou num congresso, tô mais cansada o dia inteiro, né, assim, com muita informação, aprendizagem. Então, aquela etiqueta que geralmente eu não tenho incômodo, eu posso vir a me incomodar. Eh, o barulho, o exaustor do ar condicionado pode vir a me incomodar. Eh, mas a questão está na intensidade, né, da gente tá pensando a frequência que isso acontece, o impacto. Então, é aquela criança que ela sempre vai buscar, né, tapar os ouvidos, que realmente está no momento do parabéns, vai ser muito incômodo, eh, que ela não gosta de fazer uso do secador, que ela não gosta de cortar o cabelo, que tem dificuldade para fazer algumas atividades de cuidado pessoal. Então, aí a gente eh a questão atencional, a criança não consegue parar na roda, se movimenta muito, né? Eh, em casa essa alimentação é uma alimentação muito restrita. Então, se a gente ir pensando, né, dentro do do desempenho ocupacional da criança, esse brincar, esse brincar é um brincar funcional, ela tá se desenvolvendo bem, eh, a parte das atividades de vida diária e a parte escolar, o que que tá tendo de impacto? Ai, olha, eu tô sentindo que tem algo ali que, né, não tá funcionando bem. Então, vai pro terapeuta ocupacional, que é o profissional responsável e capacitado, né, para est fazendo a avaliação e a intervenção, porque é o profissional que trabalha com a abordagem da integração sensorial, né? Então, a gente trabalha com a abordagem da integração sensorial de eh ARS e que foi desenvolvida na década de 70 e eh ela ela essa abordagem, a gente também tem essa intervenção que é uma intervenção específica. Na prática, Amanda, como que funciona então essa abordagem para essa criança no dia a dia? Como que é passado também para os pais esse início do tratamento? Pode-se dizer que é um tratamento, é um acompanhamento, como que é feito tudo isso para esse paciente, para essa criança, tá? eh a definição da abordagem da integração sensorial esse processo neurológico, né, que que vai est recebendo, organizando essas informações de uma maneira adequada, vindo aí do dos sentidos e dando uma resposta aí adaptativa. Eh, a Dineris, ela acreditava assim, o cérebro é um maestro, né, que vai est organizando essas informações sensoriais e a criança que ela tá processando ali adequadamente, ela vai est se desenvolvendo bem, ela vai est brincando adequadamente, ela vai tá eh executando as atividades de vida diária sem ter o prejuízo, vai tá tendo processo de aprendizagem, uma boa autorregulação. E nós temos, né, se a gente pensar aí que o cérebro é esse maestro, nós temos os sentidos, né, que são aí os instrumentos. E eu acho interessante a gente também falar de uma maneira breve sobre os sentidos, né, que a maioria das pessoas elas acabam conhecendo o que o que é mais familiar são os cinco sentidos sensoriais, né? Então, a visão, eh, a audição, o paladar, o olfato e o tato. Mas nós temos mais três sentidos, né, que acaba sendo a própriacepção, que os receptores estão aí músculos, articulações, eh, e elas dão, ela dá nos dá informação do nosso próprio corpo, o movimento que tá realizando, essa calibração da força, o vestibular, né, que os receptores estão no ouvido interno. Então, movimento com a nossa cabeça, nosso pescoço, a gente tá ativando e faz a gente reagir à ação da gravidade, né? Então a gente conseguir caminhar, sentar, eh correr adequadamente aí sem sem a gente cair. Eh, e a intercepção, que é a percepção dos nossos órgãos internos, que nos dá aí a sensação eh a percepção da sensação, por exemplo, de saciedade ou de vontade de fazer xixi, né? eh nos traz essa essas informações internas aí do nosso eh corpo, frequência cardíaca. Então, eh a integração sensorial ela é esses sistemas aí, né? nesse processo eh desses sistemas trabalhando em conjunto, não trabalhando adequadamente, a gente vai entrar com essa abordagem e a gente prioriza na abordagem principalmente três desses sistemas que são os que dão a informa as informações aí principalmente do nosso corpo, o táil, o propceptivo e o vestibular. Então, nessa intervenção, a gente vai trabalhar com a integração desses sentidos, buscando dar mais informação para essa criança, se for necessário, para melhorar a percepção, ou o que que a gente vai trabalhar para ajudar ela na regulação perante essas hiperrespostas, né, eh, de determinados eh sistemas, o que que a gente precisa melhorar para desenvolver para eh esse controle postural, como que vai melhorar esse planejamento motor. Então, a gente acaba fazendo essa eh avaliação específica da abordagem da integração sensorial, né? eh quis através de questionários eh sensoriais para cuidadores, pros pais e professores, paraa gente tá vendo como que tá sendo esse processamento sensorial da criança em diferentes ambientes. Então, a gente tem o SPM, a gente tem o perfil sensorial, as observações não estruturadas. Então, a nossa sala é uma sala equipada eh para ter rico eh rica em ser rica em estímulos sensoriais. Então, tem vários tipos de equipamentos suspensos, balanços, tirolleza, trapézio, escaladas, piscina de bolinha. Então, pro lego, né, assim, que chega na nossa sala, acaba achando que é um parque de diversões, né? E para as crianças, claro que a maioria, né, gosta muito, eh, mas lógico que para algumas é muito desafiador, é um espaço muito desafiador também. Eh, e daí temos os protocolos padronizados, né, como o IS, o SIPT. Eh, depois a gente faz a devolutiva, porque a gente vai relacionar, fazer o raciocínio clínico com a queixa dessa família e vai depois tá trabalhando com a intervenção, que daí eu posso estar falando, mas eu quero, né, sentir um pouquinho de você dentro disso que eu passei, né, se tem algo aí para tá eh pontuando o que você queira saber. Com certeza, Amanda. Tá super didática as suas explicações, porque é realmente um assunto bem complexo, né? E a gente passa essas informações, você passa, né, essas informações com clareza pra gente entender melhor realmente eh desse transtorno, porque como a gente começou o programa falando sobre as diferenças, né, do autismo, falando sobre esse transtorno, falando também sobre a terapia ocupacional, que é a principal linha, né, de cuidado para esses pacientes, sobre o diagnóstico. Existem também eh na prática, né, você falou sobre essa questão do sensorial, uma dieta sensorial também faz parte desse processo de acompanhamento desse paciente? Sim. Eh, então a gente tem a intervenção da terapia ocupacional eh com a abordagem da integração sensorial de aires. E muitas vezes para as crianças a gente acaba, eh, prescrevendo, né? Eh, antes a gente utilizava muito o termo da dieta sensorial, hoje a gente utiliza mais estratégias sensoriais, acomodações sensoriais. Então, a gente vai tá identificando o que que essa criança precisa tá fazendo eh no ambiente da domiciliar de da casa, eh na escola. Então, o que que a gente vai precisar de adaptações para essa criança? Eh, por exemplo, uma criança na escola que acaba eh tendo dificuldade para permanecer eh por muito tempo sentada, né? ela precisa ali de movimento, então a gente pode táar colocando pausas ativas. Isso cada profissional vai tá prescrevendo individualmente paraa criança que tá atendendo, né? A gente até fala que acaba não sendo uma receita que vai ser para todos, né? Eh, então a gente tem que entender a necessidade da nossa criança. Então eu preciso de pausas ativas para minha criança que faz muita, muitas buscas, tem dificuldade ali de permanecer muito tempo sentada. Eh, dentro dessas pausas ativas, eu vou tá eh indicando que eh ela execute atividades com informação eh de carga, de peso, de resistência, eh que isso vai auxiliar com que ela melhore o nível de alerta, melhore a atenção, o foco. Então, é algo funcional. Ah, vamos apagar a lousa, eh, carregar algum objeto para para est colocando em outro lugar. levando um recado, né, assim, n fora da sala, mas tudo muito direcionado. Então, a professora o acompanhante vai entender por quanto tempo aquela criança consegue permanecer com fogo, com atenção, executando atividade. Ela vai tentar já fazer essa pausa antes de eh perder essa criança ali, perder o foco, perder o interesse, abandonar a atividade. a gente tem que pensar no tempo, a atividade ser passada por partes. Então, outras crias vão precisar de modelos ou assentos diferentes, né, eh, para ajudar nessa estabilidade postural e até às vezes dar informação de movimento. Então, a gente tem eh algumas almofadas que a gente eh chama disco de de propercepção, disco de equilíbrio, eh ou tem as faixinhas elásticas que ficaram agora conhecidas que a gente coloca no pé da cadeira e a criança vai pisar e vai tá tendo esse movimento. Então, a gente tem uma variedade aí que vai depender do que que essa criança apresenta de desafio, de dificuldade, de disfunção, né, da integração sensorial, eh, do transtorno, do processamento sensorial e vai fazer especificamente essa essa acomodação sensorial ou, né, as estratégias sensoriais aí paraa criança em outros ambientes, seja casa ou seja escola. abordagem, ela na verdade ela vai acompanhar de fato o que o paciente precisa, né? Nem sempre uma abordagem vai ser igual para uma outra criança. Isso depende de como ela está trazendo esses resultados para vocês, né, Amanda? Falando sobre eh o tempo então desse tratamento também vai variar de acordo com a necessidade desta criança, né? Isso, exatamente. Então assim, eh outra questão que é importante a gente tá falando, né? Então, quando a gente tem eh o transtorno do processamento sensorial, eh a gente tem uma classificação, né, assim relacionada a à disfunção aí o transtorno do processamento sensorial. Então, na minha prática, eu utilizo o modelo da Dra. Luc Miller. Então ela divide o transtorno do processamento sensorial em três grandes grupos. Um transtorno de modulação, o transtorno de discriminação, o transtorno motor de base sensorial. Então, quando essa criança vem, eu vou entender qual que eh está sendo eh a dificuldade, em qual desses ela se enquadra. às vezes acaba sendo mais do que um, mas geralmente a gente tem que colocar um foco ali e ver o que que tá se enquadrando. Então, transtorno de modulação vai tá relacionado à questão do nível de alerta, nível de atenção, nível de atividade e esse a questão do afeto. A gente até fala os quatro as, né? E o afeto ali é esse bem-estar emocional. Então, ah, essa minha criança ela hiper responde. Eu sempre vou precisar pensar como que tá a modulação da minha criança. É a primeira coisa que eu vou trabalhar, porque é isso que vai fazer com que ela tenha foco, atenção e bem-estar. Então, é uma criança que hiperresponde, eu vou precisar melhorar essa essa essa hiperresposta, né? Esse essa reação exagerada, excessiva perante alguns estímulos. E eu vou est trabalhando eh dentro da integração sensorial com vários, né, eh estímulos, com com vários eh sistemas sensoriais ali e principalmente pensando em organizar essa criança. Então a gente tem a próprição, que ela é um regulador universal, né, essa então atividade com força, com resistência. Eh, a gente tem o tabo profundo, a o vestibular rítmico, eh, lento, linear. Então, vou precisar entender o o quais quais dessas ou elas integradas ali numa mesma sessão, porque geralmente numa mesma sessão a gente precisa priorizar a Tati, o vestibular para perceptivo, mas de que maneira que eu vou tá dando para ela para tá organizando essa criança, né? Eh, aí a gente, se for pensar numa questão de eh equilíbrio, estabilidade postural, né, coordenação motora bilateral, o que que eu vou tá dando para essa criança? E se a gente eh quando a gente pensa na abordagem da integração sensorial, a gente tem a experiência sensorial, então é esse ambiente rico em estímulos sensoriais, né, e que possibilita essa exploração motora, mas não aleatório, né? Então assim, ele ele de alguma maneira eh pode não parecer, mas ele tá sendo dirigido, tá sendo pensado, tem muito raciocínio clínico ali do que que você precisa trabalhar com essa criança, né? Cada equipamento ali ele tem uma função diferente. Então tem equipamento que a gente vai trabalhar a a extensão para melhorar a extensão contra a gravidade da criança, né? outros, a flexão, eh, o que que a gente vai dar para melhorar mais a cocontração da criança, a força, o tôus, eh, o que trabalha mais paraa coordenação mota bilateral. Então, cada equipamento tem um propósito, né? Parece que a gente tá brincando, mas tem muito raciocínio clínico ali. E a gente precisa então dessa experiência sensorial, a gente precisa de desafio justo. São algum alguns dos pilares, né? o desafio justo. Então, nem muito fácil, nem muito difícil. a gente precisa garantir o sucesso da criança na atividade, precisa da resposta adaptativa da criança. Então, sempre pensando eh por exemplo, em uma questão motora, eh, a criança ela acaba conseguindo escorregar eh com controle, com a estabilidade ali do tronco e a gente vai trabalhando para que essa criança melhore e consiga escorregar ali, tendo melhor controle, né? Então a gente vai tá entendendo, analisando e verificando qual resposta adaptativa a gente vai querer. Às vezes até o comportamental dessa organização, um comportamento de subtiva ali, muito desorganizada, uma sobrecarga sensorial, então vou estar trabalhando para ter uma resposta adequada, menos aversividade a determinados estímulos, né? Eh, por exemplo, uma criança às vezes chega com questões relacionadas à seletividade alimentar, mas ela é defensiva tátil, né? Então, assim, esse corpo dela já não tolera. Eh, imagina na boca, a gente precisa melhorar, né, essa resposta desse corpo pra gente tá conseguindo também avançar pra parte da alimentação. E então, e a gente acaba tendo a questão da motivação intrínseca. Então, é importante o que que essa criança eh quer brincar, esse interesse dela para ter melhor engajamento, para ter a aprendizagem, né, a exploração e consequentemente a aprendizagem. Então, assim, eu sou completamente apaixonada pelo meu trabalho, pela abordagem eh da integração sensorial de aires e a gente acaba vendo excelentes resultados, tanto que essa demanda tem aumentado bastante, né, paraa terapia ocupacional. E doutora, muito obrigada pelos seus esclarecimentos. Queria deixar aqui também esse espaço, né, para você mencionar um pouquinho sobre a Associação, né, Brasileira de Integração Sensorial, falando um pouquinho sobre os trabalhos também que vocês realizam e mais do que isso, deixar aberto também essas informações de acesso ao público para entender melhor sobre essa condição, né, que afeta as crianças, mas que com a terapia ocupacional, o tratamento, né, esse é acompanhamento e a abordagem faz toda a diferença, mantendo, é claro, essa atividade da criança, ser criança mesmo nesse acompanhamento, né? Sim. eh da da ABIS, né, da Associação Brasileira de Integração Sensorial, eh é muito interessante até, por exemplo, para pais, né, ou profissionais que queiram encontrar o profissional, eh, que tenha a integração sensorial, porque a gente sabe que, infelizmente, tem muitos profissionais que não são capacitados, não estão capacitados, né, adequadamente. Então, a gente precisa eh que eu falei, eu mergulhei há 17 anos atrás, né? Tem mais tempo de formada, mas ainda não estava nessa área. Eh, e desde então eu não parei, né? Então, desde certificação, vários tipos de cursos e e a ABIS ela traz muito assim, né? eh eh cursos de excelência de profissionais eh de fora, né, assim, renomados, né, no mundo e e essa tanto paraa questão da capacitação, né, dos profissionais, como para esse conhecimento de de profissionais que não são terapeutas ocupacionais ou pais. Eh, eu achei muito interessante, né, assim, porque eles fazem essa indicação. Eh, então, eh, os terapeutas, é importante a gente ter esse norte também enquanto profissional, ter esse espaço para essa troca, né? Troca eh do conhecimento, da prática. Eh, é como se fosse um espaço de acolhimento ali para nós e para vocês para eh essa busca mesmo, né, de de profissionais, porque às vezes você tem uma pessoa que que quer de um outro estado, então como que eu faço, né? E vai lá e tenta buscar pela bisa, vai encontrar profissionais aí qualificados e com experiência. E vamos pensar assim, né, numa mensagem, eu acho que quando a gente começa a ter um olhar diferenciado para essa pontinha do iceberg de que não é frescura, não é birra, não é falta de limites, eh o que que está por trás disso? Será que tem aí, né, eh, um sistema nervoso central sobrecarregado, né, buscando aí tentando se autorregular. Quando a gente começa a ter um olhar, não para um comportamento específico, assim como se fosse simplesmente inadequado e e ter mais empatia pelo que está acontecendo, com certeza a gente vai favorecer o desenvolvimento, o desempenho dessa criança e também trazer mais harmonia para toda essa família, né, assim, porque a busca é que essa criança melhore com relação a comportamentos que não estejam adequados, estejam prejudicando. que melhore com relação à autorregulação, eh, a desempenho motor, né, nas atividades de vida diária, eh nas na questão da regulação emocional ali também e nessa interação com os pais, né? Então, eh, fica, eh, o convite para esse olhar aí diferenciado e, e para que possa, né, esse conhecimento se se expandir, se propagar aí para várias pessoas, que um colega às vezes fale paraa vizinha e assim as pessoas vão buscando aí os profissionais que possam estar auxiliando essa criança. [suspirando] Maravilha. Muito obrigada, Amanda, mais uma vez por trazer toda essa clareza nas informações e com certeza vai atingir o maior número de pessoas, sim, para esse conhecimento e da importância também da terapia ocupacional para esse paciente e para tantas famílias. Mais uma vez, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde à Vida. Eu que agradeço. Foi um prazer enorme. Muito, muito, muito obrigada mesmo. Muito obrigada, Amanda Alonso. Bom, o nosso programa fica por aqui. [música] Espero que você tenha gostado. Obrigada pela companhia e pela audiência. Você pode acompanhar esse conteúdo na íntegra pelo portal tvcameracampinas.com.br. [música] Te vejo na próxima edição. Até mais. [música] [música]
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