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Olá, muito bom dia. Seja bem-vindo Estúdio Câmara no ar para você. Estamos ao vivo chegando com o nosso programa que faz uma psicoeducação de segunda a sexta, né, todos os dias aqui na telinha da TV Câmara Campinas. Hoje é sexta-feira, dia 2 de outubro. Eu quero começar já eh trazendo uma cena que talvez você tenha vivido hoje mesmo. Você sai de casa, coloca o fone, pega o ônibus, caminha pela rua, entra numa loja, vai pro seu trabalho e segue no seu mundo. Então, a gente ganhou uma forma muito fácil de escolher quando a gente quer ouvir o mundo e quando a gente prefere não ouvir ninguém. Mas a gente pergunta para você aí de casa, você usa o fone de ouvido para escutar alguma coisa ou às vezes você usa esse fone até sem som, só para não ser interrompido. A gente vai falar hoje sobre essa questão do fone de ouvido, mas não só o lado ruim. Fano de ouvido tem um lado bom também, porque às vezes nos acalma, nos equilibra, eh dependendo do que a gente coloca para ouvir, mas tem um lado que acaba nos isolando do mundo. E aí a gente quer saber de você aí de casa, né? Ah, o fone de ouvido você entende ele como uma espécie de barreira. Ele pode traduzir privacidade, alívio, segurança. O que representa o fone de ouvido para você? manda pra gente a sua mensagem, WhatsApp aberto. A nossa produção já está eh à sua disposição. Nós queremos te ouvir. Conta pra gente a sua experiência, a sua dúvida referente ao tema do programa de hoje, tá? É 1997829377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. Os nossos convidados já estão aqui no estúdio. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los. E hoje a gente vai falar dessa questão do isolamento social voluntário. Voluntário por quê? Porque a gente escolhe quando a gente quer ouvir os barulhos, os ruídos que estão à nossa volta. E quando a gente não quer, a gente se isola com fone de ouvido. Mas isso está passando um pouquinho do limite, será? Vamos descobrir hoje. Manda sua mensagem pra gente e bora atualizar notícias aqui da Metrópole. Olha só, gente, Campinas iniciou ontem a programação do outubro rosa com ações de conscientização e prevenção ao câncer de mama e cuidados com a saúde da mulher. Ao longo do mês serão oferecidos mutirões, exames, vacinação, testagem para ISTS e atividades educativas. A programação inclui 2112 mamografias que devem ser agendadas pelo Disque Saúde no telefone 160, tá? O atendimento é destinado a mulheres de 40 a 74 anos. residentes aqui em Campinas e sem sinais ou sintomas sugestivos de câncer de mama. Para mais informações, você pode acessar o site da Prefeitura de Campinas porque lá tem todas as atividades, os endereços, né, eh, que as atividades irão ocorrer e também a poder fazer aí a sua, eh, inscrição, né, eh para fazer o o seu teste, eh, os seus testes rápidos e também a sua mamografia. Cuide-se. Vamos lá. Campinas vai ter um transporte coletivo gratuito neste domingo, porque domingo, claro, eh dia de eleições, né? Então é o primeiro turno das eleições 2026. E essa medida do ônibus gratuito vale das 6 da manhã até às 7 da noite. Beneficia todos os passageiros que utilizarem os ônibus municipais no período. A gratuidade segue, gente, uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral para garantir o acesso dos eleitores aos locais de votação. A votação ocorre das 8 da manhã às 5 da tarde no horário de Brasília. Durante esse período de gratuidade, a INDEC determinou que as empresas operem com frota semelhante a utilizada nos horários de entrepico dos dias úteis, tá? Então vai ter bastante ônibus circulando. A operação habitual de domingo será retomada às 7 da noite. Então, eh, preciso lembrar também que as pessoas com mobilidade reduzida, o pai serviço vai funcionar, tá, das 6:30 da manhã até às 6 da tarde, só que mediante agendamento prévio. Então, se você eh tem mobilidade reduzida, você quer votar, então já agende, né, eh a sua locomoção com o pai serviço. Os pedidos podem ser feitos pelo WhatsApp, que é o 19 37 310. ou pelo telefone 118, aí você diz que a opção dois, tá? Até também você pode conseguir fazer aí eh pelo aplicativo do serviço. Então atenção, porque o Pai serviço vai funcionar, porém mediante a um agendamento prévio. Dá tempo para você agendar ainda, combinado? Previsão do tempo chegando. Vamos ver como é que fica o tempo neste final de semana. Olha só, gente, hoje, sexta-feira, temos aí sol com algumas nuvens, chuva passageira, à noite muitas nuvens, mas com tempo firme. Hoje mínima foi de 18, máxima de 21º. Uau, vai ficar fresquinho, hein? E amanhã sábado, sol com algumas nuvens. Chove rápido durante o dia e à noite, mas amanhã a temperatura fica um pouquinho mais alta. Mínima 17, máxima 25º. Agora no domingo, que é o dia das eleições, nós temos sol com aumento de nuvens, pancadas de chuva no fim da manhã e da tarde e à noite. De acordo com a previsão do tempo, no domingo, teremos aí temporal aqui na metrópole. Mínima 20, máxima 27º para o domingo. Essa foi a previsão do tempo para o nosso fim de semana. Muito bem, volta para mim, produção, porque agora a gente traz de novo, né, o nosso tema. Vamos eh contextualizar sobre o que vamos falar e apresentar os nossos convidados do programa de hoje. Bom, tem uma pesquisa realizada em Amsterd. O estudo observou o uso de fones de ouvido, eh, e como esses fones podem criar uma espécie de bolha individual, reduzindo oportunidades de contatos espontâneos, como uma conversa rápida ou até um simples cumprimento. Faz quanto tempo que você não cumprimenta alguém aí, né? Oi, bom dia, tudo bem e tal, né? Porque daí ninguém cumprimenta porque você tá com fone e aí você olha, a outra pessoa também tá com fone. Mas isso não significa que usar fones seja necessariamente um problema, gente, né? Eles também podem ajudar a reduzir estímulos, preservar a privacidade, trazer um conforto em ambientes movimentados, né? E é nessa linha mais delicada que a gente quer conversar hoje, quando o fone é uma escolha de conforto e quando ele começa a mudar a nossa relação com o ambiente e com as pessoas. Então, para entender o que existe por trás desse comportamento, eh, eu recebo a psicóloga Alice Frungilo. Ela atua nas áreas de saúde mental, exercício físico e psicologia do esporte. Quero dar as boas-vindas, o bom dia. Obrigada pela sua participação, Alice. Bom dia. Bom dia, Rúbia. Obrigada. Acho que vai ser uma conversa super importante de um tema mega atual. Exatamente. Porque tá todo mundo com fone de ouvido, inclusive eu aqui, ó. Então, para completar a nossa dupla de profissionais que vão nos orientar no programa de hoje, eh, a gente recebe pelo Zoom o neurologista Wesley Arruda. Ele é professor de neurologia, ele é membro da Academia Brasileira de Neurologia. Wesley, bom dia, seja bem-vindo. Obrigada pela sua participação. Muito obrigado pelo convite. Um prazer enorme tá aqui conversando com vocês hoje. Prazer é todo nosso. E você aí de casa já vai mandando a sua mensagem e já vai respondendo pra gente. Ou então se tem alguma dúvida, já manda também, mas você utiliza fone o dia todo. E por que que você utiliza o fone? O que o fone representa para você, né? Porque a gente vai conversar sobre isso e a gente já começa então com o Wesley para nos explicar. Quando uma pessoa coloca o fone assim que sai de casa ou entra em um espaço público, o que esse comportamento pode estar dizendo sobre a relação dela com o ambiente, Wesley? Perfeito. Assim, eu gostei muito dessa analogia que você fez logo no começo a respeito dessa jornada que as pessoas fazem no dia a dia ao sair de casa. Então, como você falou, a pessoa pega o elevador, não fala com o vizinho, já tá com fone de ouvido. Eh, a grande questão que acontece é que essa pessoa faz as coisas no seu dia a dia, mas ela continua no seu mundo, continua isolada. H, chega na rua, não escuta o movimento da cidade, passa pelo carro, chega no trabalho. Às vezes a pessoa tem até um trabalho de home office, inclusive, ou às vezes o próprio trabalho dela passa diante de uma tela o dia todo. E às vezes a pessoa passa o dia inteiro ao redor de outros seres humanos, cercado por outros seres humanos, mas de fato um contato humano foi muito pobre. E e isso é interessante, especialmente para mim enquanto enquanto neurologista, porque o nosso cérebro, ele não foi feito só para estar perto de outras pessoas. Nosso cérebro ele foi feito para observar pessoas, interpretar, entender aquela comunicação social, aquela comunicação não verbal, conseguir estabelecer vínculos. Então, eu acho que a grande questão eh do nosso programa de hoje não é só se as pessoas estão conversando menos ou se as pessoas estão usando mais fones, mas sim, qual que é o efeito disso, qual que é o efeito desse bloqueio, desse isolamento social voluntário? Eh, o que que nós estamos fazendo enquanto indivíduos com um cérebro que evoluiu ao longo do tempo para viver assim constante interação social, mas essa eh interação social acaba sendo constantemente eliminada. nosso cotidiano. Então isso para mim o o gus son é apenas a ponta de um fenômeno que é muito maior. E eu tenho certeza que essa conversa com essa de hoje vai ser muito produtiva nesse sentido. Excelente. Muito bom. a gente, se a gente parar para pensar, o nosso cérebro ele é motivado pelas repetições e aí a gente acaba diminuindo, né, a nossa cognição. Eu não sei, eu não entendo muito disso, mas vocês vão nos explicar porque é algo bem interessante e isso traz uma diferença bem legal. Ó, querer um pouco de silêncio, né? a gente às vezes quer silêncio, não é necessariamente a gente querer ficar sozinho. A questão é é entender o contexto, o e o que essa escolha do fone representa para cada pessoa, porque somos diferentes. Agora, Alice, vamos lá. Existe uma diferença entre usar o fone para se concentrar, né, ou descansar também, e usar o fone como uma forma de evitar situações sociais, assim como Wesley muito bem colocou. Como que a gente percebe essa diferença no comportamento? Isso é perceptível? Boa pergunta. Isso nem sempre é perceptível pros outros, né? Eh, claro que a gente consegue às vezes identificar quando uma pessoa tá se esquivando de uma interação social e aí esse pode ser um problema ou quando ela tá usando o fone para realmente relaxar, desopilar do dia, né? Eh, mas isso tem que ser eh uma reflexão da própria pessoa. Acho que esse é o ponto principal que a gente vai pode trazer aqui, né? Então, no final do dia, você já interagiu com um monte de gente, você tem um trabalho que você ficou em reunião o dia inteiro, você põe o fone de ouvido, isso é para você relaxar, desopilar, planejar o dia seguinte, ótimo, maravilha. Não temos problema do uso do fone de ouvido. Agora, se você tiver se esquivando de uma interação, se você tiver com medo daquilo do que uma interação pode produzir em você, aí pode ser um problema. É, então, e talvez essa seja uma das razões pro fone aparecer tanto na nossa rotina, né? tem os motivos para usar fone. Ninguém usa o fone por acaso. Só que a gente vai usando, usando, usando e às vezes a gente faz o uso do fone de o fone de forma eh inconsciente. Você pega o fone, puf, coloca aqui e pronto, né? Ele oferece uma maneira simples de controlar o quanto a gente quer interagir naquele momento. Você, às vezes você não quer falar com ninguém, você coloca o fone. Do ponto de vista neurológico, Wesley, o que que acontece com a nossa atenção quando a gente usa o cancelamento do ruído e a gente acaba reduzindo de forma intencional os sons do ambiente, a interação social, o que que acontece na na nossa mente? Poxa vida, eu tô num lugar legal, tem pessoas conversando, eu posso interagir, né? tem um um ruído que não tá me fazendo tão mal assim, mas mesmo eh com tudo isso que de repente pode ser positivo, eu prefiro cancelar tudo e entrar no meu mundo. O que que o meu cérebro, a minha mente está sinalizando nesse momento? Eh, o que acontece? Eu vou querer retroceder um pouco na história sem ser muito prolixo, mas se a gente for comparar os primeiros grupos hominídios que aconteceram e o por que o homo sapiens ele acabou sendo vitorioso e e nós estamos aqui hoje não os deris, por exemplo, eh, ou os denizovanos, outros grupos de espécies humanas que existiram, é que, eh, a grande diferença é que o nosso cérebro ele era, ele foi evoluindo, como eu falei, para ser um cérebro social. Uhum. Então, a gente tem eh bem limitado e alguns estudos mostraram que realmente, por exemplo, a relação comportamental e social entre o Neandertownal e o ambiente e o Homo sapiens e o ambiente era muito diferente. Ah, especialmente porque os grupos que foram encontrados nas primeiras populações humanas eram maiores, eram de centenas ou de milhares, enquanto que os eles nunca encontraram um grupo que fosse mais ou menos maior que 20 pessoas. Então, a grande questão é que o nosso cérebro desde aqueles primores, ele já foi sendo criado para ser um cérebro social. Então, existe aquela máxima, aquela máxima clássica de que o o ser humano é um animal social. Isso é muito verdade. O ser humano, ele evoluiu num ambiente em que as outras pessoas, a interação social não era só uma distração, eles eram o próprio ambiente, eram o próprio motivo da própria sobrevivência. Então, ah, tem um estudo bem interessante que foi publicado por um por um pescedor chamado DBAR. já tem alguns anos essa esse esse estudo. Eh, e ele e ele o que que ele percebeu? Ele via que viver em um grupo exige algumas coisas. não exige reconhecimento de indivíduos, interpretar expressões, compreender intenções, lembrar as relações, formar alianças, eh entender quando que uma relação social pode ser uma ameaça ou quando que você pode confiar naquela pessoa. Eh, então existe toda uma rede cerebral que está envolvida na cognição social. A gente tem áreas relacionadas ao nosso sistema límbico, como por exemplo, a amídala, a ínsula, o giro do símbolo, o córtex pré-frontal como um todo, envolvendo todo o julgamento crítico, julgamento social. E tudo isso quando a gente acaba não tendo essas interações, acaba sendo, entre aspas, de forma bem grosseira, atrofeada. Então o nosso cérebro ele acaba ficando de forma biologicamente doente pela falta de interação social. E quem não lembra, por exemplo, que quando a gente tá falando agora de um isolamento social voluntário, né, que foi o tema da nossa discussão de hoje, que é o tema dessa discussão de hoje, mas quem não lembra de alguns anos atrás é que a gente teve o isolamento social mandatório, né, pela Covid-19, o quanto que a gente não sofreu durante esse período. Então, não é não é pouco dizer que o a essa essa fase de interação social, como você colocou, realmente traz danos pro funcionamento cerebral. Isso cada vez mais sendo evidente no estudo científico. Muito bem, excelente fala. eh nos faz começar a entender a importância eh da nossa interação social, né, do do nosso dia a dia. Às vezes é legal colocar um fone porque a cidade também ela pode ser cansativa. Imagina trânsito, muita gente falando, obras, telefone e música, gente que assiste vídeo numa altura gigantesca, são muitos estímulos, né? E aí, às vezes, você coloca o fone para se equilibrar, mas tem uma grande diferença aí eh do equilíbrio e do isolamento. Eu gostaria que a Alice falasse pra gente essa essa diferença. Eu coloco o fone, Alice, porque eh o movimento tá me incomodando um pouquinho e também tem gente que tem eh eh alguma neurodivergência que que tem o limite pro ruído, pro barulho. Tem gente que se incomoda com isso e coloca o fone para, né, ter aí um um uma autorregulação. Agora é diferente, né, eu buscar uma autorregulação e eu buscar um isolamento. Perfeito. Completamente diferente, né? Eh, a gente precisa e todos temos um que ter uma regulação emocional e ferramentas para se regular. Então, eh, realmente isso é importante. Porém, quando eu deixo de conseguir interagir, quando eu me isolo porque aquilo é assustador, né, isso já se torna um problema. E aí eu vou trazer um conceito da psicologia que ele é bem importante, acho, para nossa conversa aqui, que é o de tolerância a frustração. Au! Então, o tolerância a frustração é a capacidade que a gente tem de lidar com frustrações no nosso dia a dia, né? Eh, de se regular, de continuar persistindo em determinadas tarefas. E hoje a gente pode pensar que o isolamento ou o fone de ouvido, ele pode estar contribuindo para uma menor tolerância, frustração. Então a gente não consegue lidar com imprevisível, né, com a imprevisibilidade de uma conversa, eh, com o uma opinião diferente, inclusive que pode acontecer. E aí é mais fácil eu me isolar e evitar aquele contato, né? Então, talvez eh o fone, a rede social ou pegar o celular e ficar ali e no meio de um monte de gente, né, isolado, pode contribuir ou pode derivar de uma baixa tolerância frustração também. Interessante, né? Porque eu não quero me frustrar, eu não sou obrigada, então vou botar o fone e deixa o mundo girar e eu tô aqui na minha bolha, né? Mas a gente precisa entender que a frustração faz parte do nosso dia a dia, faz parte da nossa vida e que a gente precisa lidar com ela. Aí a gente vai perdendo as habilidades. É como Esley colocou pra gente, nós vamos perdendo a capacidade de lidar e e de ter as habilidades para lidar com o cotidiano, né? E a gente acaba ficando isolado. Agora, Wesley, quando e essa estratégia, né, de colocar fone e tal, ela começa a a ser repetida. ela começa a a ser em todos os lugares, né? E a gente acaba evitando eh os contatos com as pessoas que fazem parte da nossa rotina. H o que que a gente pode dizer que está acontecendo? Porque muitas vezes eu conversei com algumas pessoas que me disseram que colocam o fone sem perceber que é involuntário porque foi acostumou, né? foi naquela da repetição do cérebro e que quando vê já está de fone, que não é é uma coisa que é involuntário mesmo. A pessoa fala: "Não, eu não coloquei o fone porque eu quis, mas eu fui lá e coloquei porque eu já me acostumei com isso." Qual que é esse movimento que a gente tá fazendo de de colocar o fone, de utilizar o fone? Às vezes nem percebendo que a gente tá de fone? É estranho isso, né? Com certeza. E eu queria aproveitar o gancho que a Dra. Alice comentou e você deu também esse segmento, mas falando sobre essa questão da interação com os conhecidos. Uhum. Primeiro eu vou começar falando sobre essa última questão que você falou a respeito de como que isso vai se tornando um hábito. Eh, a obviamente a a D. para ele que é psicólogo, vai se ver muito mais do que eu, mas existe ainda que hoje não seja já saiba que não seja tão cartesiano, existe um fenômeno de reforço positivo que a gente vai com o tempo aprendendo determinadas atitudes, elas vão, quando trazem determinado benefício para você, elas vão se repetindo e é um ciclo que se retroalimenta. Eh, e aí, e por que que isso é prejudicial? Porque como a gente começou falando, o cérebro ele foi criado e desenvolvido e evoluindo ah em um ambiente social. E a gente acha às vezes que aquela conversa de elevador é uma coisa eh de bobagem. A gente acha que eh a gente às vezes é um pouco curitibano nesse aspecto, né? tem essa tem essa história de ser meio isolada assim, mas existe um fenômeno social extremamente importante que é a gente eh ter um bom relacionamento e um relacionamento eh pontual, mas eh mais presente com os nossos eh com essas pessoas que são pouco conhecidas nossas, não são nossos amigos, não são pessoas íntimas, mas são pessoas da qual a gente tem algum relacionamento, ainda que seja um elo fraco, eh, aqui é o quê, pô? Aquele teu chefe, mas que não é o teu chefe imediato, você tem pouco contato, de repente, eh, no meu caso, sou professor, aquele aluno que conversa contigo uma vez por semestre, ah, um porteiro, o seu prédio, eh, aquela pessoa que você vai na padaria ou vai na cafeteria e pega o café. Então, às vezes, a gente acha que esse tipo de interação social que pode ser eh a gente pode achar que pode ser menos relevante justamente porque esses laces são fracos, são aqueles conhecidos periféricos, na realidade eles são muito relevantes. Teve um estudo recente, eu só não lembro a data, mas foi nos últimos 10 anos, tá? Que ele pegou mais ou menos 240 alunos universidade, tá? E aí eles tinham que fazer o seguinte, eles tinham que eh analisar e registrar eh algumas coisas no seu dia a dia, mas o mais importante eram duas coisas. Uma das coisas era quantas interações eles tiveram com os colegas de classe que não eram conhecidos, que não eram pessoas íntimas, sabe? Aquelas interações fanais, aquelas conversas rápidas e ao final do dia, qual que era o seu nível de bem-estar? Obviamente é um estudo que tem eh vários problemas de desenho, né? eh porque envolve muita questão subjetiva de como o próprio sujeito de pesquisa vai relatar, mas ainda assim traz uma ideia porque a o resultado dessa pesquisa mostrou que aqueles estudantes que acabavam conversando com mais colegas do que o seu padrão habitual naquele dia, eh eles em geral relatavam uma maior um maior sentimento de felicidade, uma sensação de pertencimento comunitário. Então, às vezes, a gente pode achar que essas conversas banais de elevador não são relevantes, mas na realidade elas são muito relevantes e elas são elas são fundamentais para que a gente tenha esse termômetro social, para que a gente seja ah para que a gente se compreenda como reconhecido, como visto, como fazendo parte daquela engrenagem social. E e isso com certeza é é muito importante, apesar de que a gente às vezes subestime o quanto que os outros vão querer conversar com a gente ou tenha medo de rejeição ou ache que vai incomodar, né? Mas isso realmente é muito importante. Essas conversas às vezes só um breve bom dia, um sorriso, uma cena, um joia faz muita diferença no nosso dia a dia. Muito bem, Alice, você quer eh eh completar e trazer a psicologia pra gente? Porque essas interações são tão pequenas e fazem parte do dia a dia e são tão importantes pro pro nosso bem-estar. Mas a gente não tá fazendo isso porque aí eh a gente lembra, a gente tá falando do fone hoje, mas a gente pode lembrar também que a gente faz tudo no celular, eh tudo tudo online, os amigos estão online, eh o trabalho de repente tá no home office, ã você precisa do banco, tá no aplicativo, tá na palma da mão. Então tudo está na palma da mão. E quando não está na palma da mão, quando você vai pra rua, você está conectado com o celular. Daí não tem bom dia pro vizinho, não tem conversa rápida na fila do mercado, não tem uma pergunta para alguém eh te direcionar qual ônibus você vai pegar, porque você vai perguntar, tem alguém de fone ou você também está de fone e passa batido. O que que a psicologia traz pra gente referente a essas interações tão pequenas, mas que podem representar muito nas nossas vidas, principalmente no nosso dia a dia e representa muito mesmo. Essas interações, elas podem parecer banais, mas na verdade elas participam de processos importantes pro nosso desenvolvimento. O primeiro deles é o desenvolvimento da nossa identidade, né? Então a gente desenvolve a nossa identidade por meio do meio social, né, da comunidade social. Eh, eu me reconheço como com do que eu gosto quando eu olho pro outro e eu também entendo onde eu me encaixo, né? E essas pequenas interações, elas fazem parte disso. Uhum. Um outro ponto importantíssimo é que quando eu dou bom dia pro meu vizinho, quando eu converso com a pessoa da esquina, quando eu cumprimento o cobrador, isso tudo vai me fazendo ter uma sensação de pertencimento, de familiaridade com o meio, né? Então, eh, para além da reflexão de será que estamos nos isolando, a gente pode pensar em como estão sendo essas novas conversas, porque eu posso muito bem passar por você e não te dar bom dia. E 2 minutos depois eu tá ali conversando com três pessoas. Exato. Então, não é só um isolamento, é também uma forma diferente que a gente tá aprendendo a se comunicar. Uhum. E isso a gente pode colocar que eh nós temos um mundo antes da pandemia e um mundo pós-pandemia, né? Eh, a gente ficou isolado porque a gente precisava e eu acho que eh trouxe essa essa questão de eh a internet ela ela ficou muito latente na época da pandemia e a gente foi inserido num mundo que não tem mais como, não tem retrocesso, a gente é só daqui paraa frente. E aí nós precisamos cuidar também pra gente não cair nessa armadilha de estarmos nos isolando de forma voluntária, que é o que está acontecendo referente ao a fone de ouvido. Pode ser, né, que aí as pessoas estão utilizando o fone como forma de entrar na sua bolha, no seu mundo. Agora, Wesley, eh, essa questão do fone de ouvido, tem gente que utiliza para fazer um autoequilíbrio, coloca uma música mais calma para ficar tranquilo. Tem aquelas pessoas que utilizam, né, para para ouvir alguma coisa, enfim. Agora, tem gente que utiliza o fone de ouvido sem sem tá ouvindo nada. O que que você me diz sobre isso? Não estou ouvindo nada, mas estou com o fone de ouvido. Eu trabalho numa repartição, né? E aí tô, chego, coloco o fone de ouvido, mas não tá ligado. Eu só estou com o fone no ouvido. O que que isso representa? É algo involuntário também por conta do costume e do hábito de se colocar o fone, mas não tem nenhum ruído ali. Então, qual o sentido disso? É, eu me lembro de duas situações. A primeira, não sei se vocês lembram daquele daquela charge clássica que tem três macaquinhos, um tampando o olho, outro ouvido. Então, a ideia do fone de ouvido às vezes tá bem relacionada com essa sensação de que a pessoa às vezes no simplesmente não quer ser incomodada. Uhum. Eh, e às vezes a essa sensação de que não quer ser incomodado é justamente relacionado porque às vees não quer ouvir alguma coisa, não quer ter alguma conversa que seja desagradável. E novamente eu faço esse bate-bola com a Alice que ela comentou sobre essa questão da frustração, da tolerância frustração. Às vezes não é só uma questão de apto, apesar disso ser extremamente importante, com certeza é um fator que pesa bastante, mas essa questão de é praticamente uma uma uma coisa mista, tão tão ela é ela é tão voluntária quanto involuntária. Uhum. Hum. Então isso com certeza é um sinal de que você também tem outras coisas acontecendo, não só o seu hábito, né? Às vezes pode ter outras coisas no fundo que estão causando você usar o fone de ouvido como esse método de escape. Excelente. Vamos lá, Alice. Completa com a psicologia, né? Esse método de escape. É, eh, a gente tem que pensar, tem uma coisa importante na psicologia que chama comportamento de esquiva ou fuga. né? Então, eh, realmente às vezes colocar o fone de ouvido, não tá ouvindo nada, né? Só para evitar ali ser incomodado ou ser chamado atenção, pode ser um comportamento que a gente chama de comportamento de fuga esquiva. E a gente tem comportamentos de fuga esquiva. Isso não é necessariamente ruim. Porém, quando isso fica em excesso ou quando prejudica outras áreas da nossa vida, aí a gente tem que olhar mais atenção, né? Então eu tô me esquivando da interação porque eu tô cansada, porque eu não tô sobrecarregada, porque aqui no ambiente tá muito barulho. OK, tudo bem, né? Vamos colocar o fone de ouvido, vamos seguir. Agora eu tô me esquivando da interação porque ela me assusta, né? Porque eu não sei o que falar, porque eu não consigo lidar com o diferente, porque o imprevisível me incomoda. Aí a gente tem que olhar e tem que pensar até uma possibilidade de desenvolvimento de habilidade social, de desenvolvimento de tolerância a frustração, como a gente disse, né? Então, eh, o ato de colocar o fone não é o problema. O ato, a gente tem que olhar a função que tem esse colocar o fone. Isso. Maravilha. Muito bom. Olha só, gente, eh nós estamos falando aqui do bloqueio social voluntário, né? Porque nós utilizamos o fone de ouvido, de repente pode ser que não é para todos, mas pode ser que seja para fugir de alguma coisa. E tem uma pesqu a organização, aliás, a Organização Mundial da Saúde, ela chama atenção justamente eh pra importância das conexões sociais, né? E o que que tem a ver com o fone? Bom, quando a gente tá de fone, a gente acaba eh não tendo a conexão social, né, com o coleguinha ou, enfim, com o vizinho, né? E aí tem um relatório publicado em 2025 que apontou que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão. E olha só, né, como é um pouco eh desconexo, se a gente tá falando, a Organização Mundial da Saúde trouxe esse dado, né? Eh, uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão. E hoje a gente tá falando aqui do bloqueio social voluntário, que pessoas preferem ficar sozinhas do que ter uma conexão social. Gente, é bem delicada uma situação que acontece no nosso dia a dia. Aqui é sem julgamentos. a gente precisa entender esse movimento que a gente faz de utilizar o fone de ouvido o tempo todo. E tem crescido, né, Wesley, essa eh esse ato do fone de ouvido. Você percebe que isso tem mudado e principalmente os adolescentes, os jovens utilizam fone de ouvido para quase tudo. Tem alguns que utilizam até para estudar, tem outros que eh eh utilizam o tempo todo dentro de casa, no quarto, na rua, onde estiver está com o fone de ouvido, principalmente o jovem e o adolescente. Tem algo que você queira eh de repente passar para essa turminha aí referente ao fone de ouvido? Até a gente fala da questão cerebral, da questão psicológica, mas tem a questão também do do ouvido em si mesmo por conta do ruído, né, que é ah transmitido através do fone, que é bem lá dentro do ouvido. Perfeito. Eh, duas considerações a respeito disso que você comentou. Eu acho que a mais importante delas, eh, não é tanto a questão física, mas é a questão dessa utilização geracional. Uhum. Eu eu tive duas situações recentes. Eu eu eu dou uma aula pra faculdade de medicina da disciplina de neurologia e coisas que estão acontecendo com mais frequência, que alguns semestres atrás eh não aconteciam, é as pessoas usando fone de durante a aula. Uhum. Eh, às vezes não sei se tão escutando música ou não sei se estão escutando alguma outra notícia ou se simplesmente estão com fone de ouvido desligado para não ter que interagir com o colega. Então isso tá sendo cada vez mais comum, né? Eh, isso também acaba trazendo tanto as questões neurológicas, sociais que a gente comentou, mas aí entramos naquele segundo ponto que são os efeitos eh ontológicos, né, realmente relacionados à capacidade auditiva. E quando você tem exposição crônica ao ruído, existe a chanda auditiva induzida pelo ruído que é conhecido como PAIR ou Per, eh, que antigamente era muito comum em trabalhadores de casas noturnas, tá? Pessoas trabalhavam em boate, pessoas que trabalhavam em bares, pessoas que trabalhavam eh, por exemplo, eh, em aeroportos, onde fica exposto, né, aquelas turbinas de aviões e tudo mais. E a exposição crônica a esse tipo de ambiente em que existe uma quantidade alta de ruído, acabava levando cronicamente a essa perda auditiva. E hoje tem estudos mais recentes trazendo de que o uso crônico do sonho de ouvido já estão ah colhendo seus frutos, fazendo com que mais pacientes e cada vez mais jovem estejam desenvolvido dessa doença, que antigamente era uma coisa extremamente relacionada à exposição ocupacional e a pessoas mais velhas. Então também existe essa esse risco biológico ali realmente a própria saúde eh do vidro interno. Excelente. ade auditiva também está em cheque nessa questão eh do uso exacerbado do fone de ouvido. Agora, o Wesley trouxe algo bem interessante quando a gente fala de jovens e adolescentes, né? Eles têm uma capacidade magnífica de de eh estudar, ler alguma coisa e ouvir uma música de repente. Eu não consigo fazer isso. São habilidades de que mudam de pessoas para pessoas, né? Agora, eh, quando a gente tá dentro de uma sala de aula, você tá ali para assistir a aula e você tá utilizando o fone de ouvido, o que que a psicologia diz pra gente, hein, Alice? Porque aí, né, precisamos entender aí eh o que que tá acontecendo nesse nesse pensamento, nessa mente acelerada, nesse cerebrinho? Bom, primeiro eu vou começar tendo certeza que a aula do Wesley não é o problema, né? Mas a gente pode pensar também numa hiperestimulação, né? Então, eh, hoje se você for pegar vídeos em rede social, às vezes os vídeos vêm repartidos, né, na metade e cada metade do vídeo falando uma coisa com uma imagem. Eh, então às vezes a gente não consegue relaxar, né? Então, a pessoa tá lá tomando banho com um celular lá tocando alguma coisa ou a pessoa tá andando na rua que tem uma hiperestimulação e ainda tá ouvindo um podcast, alguma coisa. Então, muitas vezes, e aí a gente tá concordo com Esley, a gente tá falando de uma questão geracional, né? Eh, muitas vezes essas pessoas estão achando que um estímulo só é pouco. Uau, né? E aí eu preciso colocar mais coisas. Então, eu tô ouvindo o professor falar, eu tô ouvindo a música aqui, eu tô anotando alguma coisa. Eh, e aí tem uma sobrecarga de estímulo que é que é muito ruim, mas também tem a questão de você tá aproveitando aquilo que você tá fazendo, será que você tá conseguindo realmente tirar proveito da aula, da música, da anotação, da interação? Nem sempre, aliás, muito pouco. Uhum. Eh, o teve o primeiro o primeiro sistematizador da psicologia no isso muitos anos atrás, que é um um psicólogo chamava Vundit, ele estudou isso. Então, no século passado já tava estudando que o nosso cérebro não é muito bom em fazer várias coisas ao mesmo tempo. Alguma vai sair prejudicada. Sim. E a gente hoje tá aqui em pleno 2026 tentando fazer muitas coisas. Então essa é uma questão dessa geração que a gente tem que ficar bastante atento também. É uma geração que já nasceu conectada e aí tem uma dificuldade da desconexão, né? Essa, se a gente for parar para pensar, é uma geração que tá conectada, que nasceu conectada e ela já vem direto com o fone de ouvido e aí fica um pouquinho difícil desconectar, mas a gente precisa ter um equilíbrio. Agora 8:47, a produção tá me avisando que nós temos algumas perguntas, né? Então vamos lá eh conversar com o pessoal de casa. A gente tá aqui com o Wesley, estamos aqui com a Alice e com você que tá mandando a sua pergunta e ou de repente até a sua experiência. Pode colocar na tela, produção, por favor. Vamos lá. A Patrícia Gomes do Bom Fim. Olha só que legal, no ônibus muita gente coloca o fone antes mesmo de sentar. Será que ele também virou uma maneira de mostrar para os outros que naquele momento não queremos conversar? É, Patrícia, vamos lá, Alice. Você vê, né? Eu de repente tá fora do ônibus no ponto, tá sem fone, aí chegou no buzão antes de sentar t fone de ouvido. Sinaliza o corpo fala, sinaliza, sinaliza com certeza. Então virou uma ferramenta mesmo. Coloquei o fone, não estou disponível, tirei o fone, aí pode conversar comigo, né? Então, muitas vezes é um facilitador. Ao invés de eu falar assim: "Oi, agora não, agora eu não posso conversar ou tô ocupada, tô pensando em muita coisa, eu já só me isolo, é mais fácil". Pode ser, pode ser. Pois é, Patrícia, pode ser. Tá vendo só como faz todo sentido a gente falar, né, de algo que é do nosso dia a dia e que às vezes a gente não para nem para conversar. Por que que eu tô usando fone? Você sabe? Então, você tá querendo se isolar, você tá querendo se equilibrar, você tá querendo fugir de alguma coisa. É importante a gente parar, fazer uma reflexão e pensar. Pode colocar outra pergunta na tela pra gente, produção, por favor. Vamos lá. Ó, o João Pedro Barão Geraldo. Ficar alternando entre música, vídeos podcasts durante o dia usando fone. Existe algum esforço extra de atenção do cérebro? Eita, quanto estímulo, hein, João Pedro? Que que é isso, Wesley? Você viu? Ele quer, ele quer assistir e ouvir tudo durante o dia e o cérebro dele tem e eh tá cansado, tá trabalhando muito, tem um um esforço extra aí? Com certeza. Ah, e novamente eu vou trazer a experiência da Alice, que talvez se quiser continuar na na na na resposta depois, existe uma coisa que é muito testada, especialmente em crianças, que é a atenção alternada. E isso é muito isso, isso, isso, isso é muito verdadeiro quando a gente fala dessas pessoas que acabam alternando entre diversos tipos de estímulos que exigem uma um processamento diferente. Você escutar uma música é uma coisa, eh, geralmente se você venc uma música instrumental é um tipo de processamento auditivo que tá sendo realizado. Você escutar um podcast é outra coisa. são pessoas dialogando, você tem que não apenas escutar aquele conteúdo, mas pelo menos tentar, né, prestar atenção no que tá sendo conversado, tentar interpretar, dar sua opinião mentalmente sobre aquilo que tá acontecendo. Ou então às vezes, eh, vendo um vídeo, eu, pelo menos, eu acabo não não utilizando muito fone de ouvido, isso até é um problema aqui em casa, porque eu tô lá lavando louça e eu boto o meu minha meu celular ali para escutar as notícias do dia. Fico assistindo ali alguma alguma rede de notícias. E e aí eu acabo nãoando f de ouvir isso até tá atrapalhar minha esposa que tá fazendo outras coisas. Mas enfim, o o ponto é que essa alternância entre diversos estímulos de eh diversos tipos de estímulos diferentes, com certeza exige um esforço de atenção alternável de tipos de processamento e com certeza não há dúvida de que o cérebro acaba sofrendo também com esse desgaste ao longo do dia. Sem dúvidas. Muito bem. quer completar, por favor, Alice? Eh, o Wesley falou muito bem, assim, existem vários tipos de atenção, né? A gente tem a atenção alternada, a gente tem atenção compartilhada, eh, e aí cada uma delas vai exigir da gente uma capacidade, um repertório, né? Então, quando a gente fica o dia inteiro, né, trocando de estímulo, a gente vai se cansando. E daí não é à toa que às vezes a gente chega no final do dia falando: "Nossa, eu tô exausta". E daí fala: "Nossa, mas eu nem fiz muita coisa". fez, o seu cérebro fez, né? Eh, a toda a sua, o seu repertório fez. Então, eh, pode ser muito cansativo e às vezes vale, ah, vou ficar em silêncio um pouquinho, vou tirar o fone, vou parar de alternar, né? Vou assistir às vezes um vídeo mais longo, isso pode ajudar também. Muito bem. Essa questão do cansaço é interessante a gente trazer, porque é com todos esses estímulos e esse esforço extra aqui que o João Pedro colocou eh eh que o nosso cérebro tem para para eh ter a atenção eh diante dos estímulos diferentes traz o cansaço e esse cansaço às vezes não é reconhecido, né? Ô, ô, Wesley, a gente não acaba não entendendo que nós temos um cansaço mental por conta de estímulos que nós mesmos, né, eh eh fazemos com que o nosso cérebro eh capte tudo isso. Então, é meio que impossível você não sentir o cansaço no final do dia. É, a gente tem a impressão de que às vezes o físico é mais importante que o mental, eh, e a gente sabe identificar bem quando a gente chega em casa cansado fisicamente. sensação de corpo tá doendo, as mulheres que andam com salto alto, pé doendo, eh, gente que tá andando com mochila de atudo com as costas, pedindo arri eh, e a gente consegue bem a grande dificuldade justamente quando esse tipo de cansaço não é 100% perceptível através de uma de um estímulo físico. Uhum. Então, ah, às vezes a gente pode achar que às vezes tá com dificuldade para dormir porque tá mais ansioso ou então tá tendo uma qualidade de sono menor por algum outro motivo. Às vezes até pensa que tá com a pneia do sono, mas na realidade às vezes não. passou o dia todo recebendo vários estímulos eh cerebrais extremamente eh hiperestimulantes, que é como hoje em dia a mídia é, com o scrolling rápido entre cada vídeo, entre cada foto, com informações sendo trocadas a cada minuto, com você o dia todo escutando eh informações novas, né? Eh, e isso acaba fazendo com que você tenha uma dificuldade de desligar quando chega a noite, tenha uma dificuldade às vezes, inclusive com pessoas, porque a às vezes a gente a última coisa que nosso vê eh antes de dormir é o celular no rosto. Então essa história de ter uma higiene do sono é extremamente fundamental, tentar momentos de ter um espaço para você ficar fora das redes sociais, fica fora do fone de ouvido, fica fora desse mundo digital, interagir com as pessoas, ter um espaço à meditação, extremamente importante. Excelente. Vamos para a última pergunta do programa e aí a gente já vai para as considerações finais. Gente, passa rápido demais isso aqui e assim, é uma conversa tão boa, tão importante, tão interessante, é tanto ensinamento. Vamos lá, Renata Alves do Jardim Flamboian. Quando um adolescente começa a preferir ouvir podcast ou música até nos momentos em que está acompanhado, isso pode indicar algum problema sério? Ô, Renata, vamos lá, Alice. Vamos eh eh orientar a Renata, por favor. Vamos lá, Renata. a gente não vai demonizar aqui todo o podcast, todo fone. Eh, mas se isso acontece com uma frequência muito grande, então sempre que ele tá num grupo de pessoas ou tá acompanhado, ele tá lá ouvindo o podcast, vale pelo menos investigar, né? Então ele tá fazendo isso porque ele tá completamente desinteressado na interação social. Ele tá fazendo isso porque ele fica ansioso eh no com mais pessoas, eh porque às vezes é uma fase, porque ele tá cansado, né? passou o dia inteiro estudando pro vestibular e aí ele não aguenta mais estimulação. Então, vale a pena tentar conversar, tentar interagir, ver por que aquilo tá acontecendo. A gente não pode tirar uma conclusão precipitada de falar: "Com certeza é um problema, mas vale a investigação, vale o cuidado." É, como vocês sempre dizem, depende, né? Vocês gostam do depende, né? Você vai perguntar alguma coisa pra psicóloga, ela fala: "Depende." Depende por quê? que tem várias situações envolvidas, né? Então a gente não pode chegar e falar: "É assim". Não, depende. Então é importante fazer uma investigação, começar a observar os sinais, os pontinhos que faz sentido e aí você vai ajustando e se precisar, claro, busque uma terapia que é bem legal, é importante porque a gente vai aprendendo a manejar as questões aí do nosso dia a dia. Tem mais uma pergunta ainda? Dá tempo, produção? Me fala comigo aí, vai. Ó, eu de fone, tá vendo, ó? Preciso. A Cristiane Oliveira do Ponte Preta. Vamos lá. Quando estamos cansados, barulhos que normalmente não incomodam pode parecer muito mais irritantes. O cansaço muda a forma como o cérebro percebe os sons. Nossa, adorei. O barulho de sacolinha me irrita, sabia? Às vezes quando eu tô cansado ou quando eu acabo de acordar é uma sacolinha, uma batida de porta também me incomoda. E às vezes, né, quando a gente tá cansado demais, você já tá estressado, daí vem alguém fazendo barulho, você acaba se incomodando mesmo, né? Com certeza. a gente tem que imaginar o cérebro como sendo um um grande processador de informações. Então, imagina você utilizando o seu computador, fazendo uma analogia com o mundo com o mundo digital, você tá usando eh um editor de vídeo, você tá usando um WhatsApp, tem Netflix instalado, tem ah o Google ali trabalhando, tem o YouTube tocando a música no fundo. Então, da mesma forma em que o seu computador às vezes vai dar uma travada por causa de muitas abuas abertas, isso também acontece com o cérebro. Mas o cansaço não muda só a forma como o cérebro percebe os sons, mas percebe qualquer estímulo. Às vezes você tá cansado, você não consegue eh apreciar uma comida agradável, não consegue parar e realmente prestar atenção em algum filme, às vezes você tá você não tem nenhum transtorno, você só tá cansado, mas você tá vendo um filme, aí você chega no final sobre o que que era o filme mesmo, o que que aconteceu no começo, não lembra? Então o cansaço ele muda a forma como o cérebro percebe todos os estímulos. Os sons com certeza são os dele. Senão não podemos ter dúvidas. Muito bem. Nossa, gente, eh considerações finais, a gente precisa encerrar. Quero agradecer demais a sua participação aí de casa e a participação dos nossos convidados também. Quanto conteúdo bom, a gente fecha a semana com chave de ouro. Gratidão, Wesley. Obrigada pela sua participação, eh, pelos as orientações, né, o conhecimento compartilhado. Muito bom ter você com a gente, viu? Considerações finais, por favor. É, eu que agradeço pelo convite. Esse é um tema extremamente relevante e eu gostaria de parabenizar a você, Rúbia, a toda a produção, pela disponibilidade de querer conversar sobre os assuntos que muitas vezes em algumas outras ah situações às vezes a gente não conversaria, especialmente numa rede de televisão aberta. Isso é extremamente eh importante e fundamental para que a população possa ter acesso a esse tipo de discussão. Então essa conversa foi muito interessante. Agradeço pelo convite e eh fico à disposição para outras oportunidades. Maravilha. A gente que agradece vocês e é importante a gente salientar que a gente só consegue entregar esse conteúdo porque vocês eh aceitam o nosso convite, né? Então vocês são peça chave fundamental para que a gente possa levar essa psicoeducação, levar essa informação para as pessoas que estão em casa. Então eu quero agradecer também a Alice pelo compartilhamento de informações, pelas orientações, pela sua presença aqui. Muito obrigada. Considerações finais. Obrigada. Eu que agradeço. Eh, assine embaixo o que o Wesley falou. Eu acho que são esses assuntos do cotidiano que fazem a diferença, que são importantes pra gente se entender, pra gente entender o mundo que tá ao nosso redor. Eh, e a gente sempre tem que olhar e refletir sobre o nosso próprio comportamento, né? Então, por que que eu tô fazendo aquilo que eu tô fazendo? Então, essas discussões são muito ricas. Agradeço muito a oportunidade. Nós que agradecemos mais uma vez vocês e agradecemos vocês de casa. Quero lembrar que hoje é sexta-feira, nós temos Câmara Notícia com Gabriel Castro ao meu em dia. A programação da TV Câmara Campinas, ela vai ter uma alteração neste final de semana, porque domingo, dia das eleições, nós estaremos fazendo a cobertura das eleições a partir das 8 da manhã até o resultado final. Então você pode estar conectado com a gente aqui na TV Câmara Campinas no YouTube. A gente vai acompanhar momento a momento, minuto a minuto, trazendo eh os repórteres nos colégios, né, nos pontos de votação, pessoal eh trazendo informações sobre transporte, eh segurança, clima. Então fique ligado, fique conectado com a gente. Domingo, TV Câmara Campinas com programação especial eleições 2026, tá bom? Gente, e amanhã, sábado, tem a nossa programação de final de semana que é show de bola, preparada aí com muita, muito profissionalismo e muito carinho de toda a nossa equipe do grupo Mais especialmente para você que tá aí do outro lado. E a gente encerra o programa de hoje eh falando com você que talvez a gente não precise tirar os fones de ouvido da da das nossas vidas, não. Pode ser interessante de vez em quando tirar o fone para perceber o que está acontecendo ao nosso redor. que faz sentido para você, utiliza o fone. Agora, dá uma paradinha assim e e começa a entender e ver a cidade, né? Porque a cidade ela não é só feita pena de barulho, não. Ela também pode ser feita de encontros, né? Um bom dia, muito obrigado, um tudo bem com você e de repente o fone ele não está deixando você interagir. Então lembre-se, a gente precisa de interação social, tá? E o fone é importante sim, mas interação social é importante também. Então, eh, decida o que faz mais sentido para você. Tenha um ótimo final de semana. Quero lembrar que na segunda-feira a gente volta com estúdio Câmara também e no próximo programa a gente vai falar sobre os pais que querem incentivar os filhos, mas podem acabar passando do ponto. Eu já fiz isso. Ah, gente, quando você consegue, vai lá, filhão, ajuda. E quando a cobrança, o excesso de elogios ou a dificuldade dizer de dizer não podem atrapalhar. Então, o tema do programa é de segunda-feira é os pais treinadores. Eu passei por isso e eu vou te falar, é bem desafiador pra gente se controlar diante dos nossos filhos lá, de repente tá e num campeonato, alguma coisa, e você começa e quando você vê, você fala: "Poxa, só o que que eu tô fazendo", né? E aí, até que ponto assim incentivo vale a pena? Então, fique com a gente. TV Câmara Campinas, grande abraço para você. Um ótimo final de semana. Não esqueça, domingo estaremos juntos na transmissão especial das eleições 2026. Valeu, gente, tudo de bom. Tchau, tchau e até domingão.