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Dia para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Estamos chegando. Estúdio Câmara ao vivo no ar para você hoje, quarta-feira, dia 23 de setembro. Como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Quero te convidar para conversar hoje sobre algo que está cada vez mais presente na nossa rotina. Vamos falar no programa de hoje sobre a ansiedade climática, enchentes, ondas de calor, secas, queimadas, ah, ciclones, eventos extremos que deixam de ser apenas notícias distantes e agora eh passam a trazer medo, insegurança e até a sensação de que a gente não tem controle sobre o que pode acontecer e realmente não temos mesmo. E pode ser por isso que a gente tenha e esse receio, né? Mas como saber quando essa preocupação ela é uma reação esperada diante de um problema real, né? E quando a preocupação começa a comprometer a nossa vida, a gente precisa entender essa diferença para que a gente possa se atentar se essas notícias de eventos climáticos têm interferido na nossa vida e prejudicado o nosso dia a dia. Então, vamos conversar. mande sua mensagem pra gente. Conta aí, você fica com medo ou ansioso eh diante de um alerta da Defesa Civil, por exemplo, sobre esses eventos climáticos? Sabe aquele alerta que vai pro celular de todo mundo e faz aquele barulho que acaba despertando eh várias emoções na gente, principalmente uma ansiedade, coração bate forte, porque você não sabe o que vai acontecer, você sabe que simplesmente soou um alerta de algo que você não tem controle. E aí, como que você reage diante dessa situação? Conta pra gente. 199729377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza algumas informações. Os nossos convidados já conosco aqui no estúdio. Daqui a pouquinho vamos apresentá-los e a gente quer saber de você como que você se comporta diante de um alerta, né, de eh um evento climático, por exemplo. Tá bom? Olha, gente, vamos lá. A Secretaria de Saúde de Campinas ampliou a vacinação contra a Pneumo 20 para pessoas a partir de 85 anos. As doses elas estão disponíveis nos 69 centros de saúde do município. A vacina protege contra diferentes tipos de bactéria pneumococo, principalmente causa a causadora de doenças como pneumonia, miningite e otite, tá? A ampliação segue orientação do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde e tem como objetivo prevenir casos graves e complicações, especialmente entre os idosos. Para receber a vacina não é necessário agendamento. Basta comparecer ao centro de saúde mais próximo da sua casa com o documento, né, que tem a foto ou a caderneta de vacinação. Se você tiver, se você não tiver, também não impede que você seja imunizado, tá bom, gente? Importante demais, porque está disponível. E se está disponível é importante que você faça essa imunização, tá? as pessoas a partir de 85 anos. Muito bem, a gente segue por aqui. Lembrando que a Comissão de Economia e Defesa dos Direitos do Consumidor da Câmara de Campinas realiza hoje, quarta-feira, a partir das 3:30 da tarde, a sétima reunião ordinária, tá? Essa reunião ordinária, ela tem destaque a votação do parecer favorável ao substitutivo do projeto de lei ordinária 252 de 2024, que altera a lei de poluição sonora. O texto ele prevê mudanças nas regras de reincidência, responsabilização por veículos com escapamento irregular e aumento das penalidades quando a infração ocorrer perto de hospitais, escolas e asilos, por exemplo. A reunião é aberta ao público, terá transmissão pela TV Câmara Campinas e também pelo YouTube aqui da TV Câmara Campinas. E você, é claro, pode participar. Agora a previsão do tempo chegando. Vamos ver como é que fica o tempo para hoje. Será que tá indo embora toda essa chuva? Porque hoje é o primeiro dia da primavera, né? Então, seja bem-vinda, primavera, sua linda. Olha só, mínima 15, máxima 28º. A previsão diz, gente, que nós temos hoje sol com algumas nuvens, chuva passageira e à noite, apesar de termos nuvens, teremos um tempo firme. Então, é para ser que a a chuva dê um tempinho pra gente, né? E agora vai embora. De acordo com a previsão, se a gente vê nos próximos dias, nós temos aí tempo firme e é isso que a gente espera. Mínima 15, máxima 28. Então, um ótimo dia para mim, para você, para todos nós e seja bem-vinda à primavera, né? Aí falando em primavera, a gente já volta para o tema central do nosso programa, porque a gente vai falar hoje de ansiedade climática ou a ecoansiedade. Quando a gente fala disso, não estamos falando de de diagnóstico psiquiátrico específico, tá gente? do termo eh, é usado para descrever diferentes formas de sofrimento relacionadas à crise ambiental, que podem envolver medo, angústia, tristeza, irritabilidade, preocupação com o futuro e até aquela sensação de impotência, né, diante de um problema que parece grande demais para ser enfrentado individualmente. E existe uma diferença importante entre se preocupar com o meio ambiente e sentir que essa preocupação começa a interferir no nosso sono, no nosso trabalho, nos relacionamentos ou até na capacidade da gente fazer planos, né? Então, para entender melhor sobre esse impacto emocional e também olhar para essa dimensão ambiental, eh nós vamos conversar hoje com a psicóloga Ana Flávia Dias. Seja muito bem-vinda, Ana. Bom dia. Obrigada pela sua participação. Obrigada eu pelo convite. É um prazer estar aqui com vocês para discutir esse tema tão atual e que tá impactando diretamente a nossa vida, né? Exatamente. Muito obrigada. Eu tenho, acredito que nós temos muito para conversar hoje, porque eu tenho medo, né? Eu acredito que você também tem medo, mas até que ponto esse medo vai influenciar as nossas vidas? E também para entender, gente, a questão do clima, né? a a questão aí desses eventos que vê acontecendo, a gente recebe pelo Zoom o comunicador e geógrafo Gabriel Ferre. Gabriel, seja muito bem-vindo. Bom dia. Obrigada pela sua participação e presença. Bom dia, pessoal. Tudo bem? Muito feliz com esse espaço aqui, muito feliz que a gente vai falar sobre esse tema tão necessário nos dias atuais, em tempos de é um ninho cada vez mais intenso e eventos climáticos cada vez mais intensos também. Então, precisamos falar sobre isso. É um grande prazer e bora trocar por aqui. E qualquer dúvida que vocês tiverem, vamos dialogando para trazer soluções possíveis também e que a gente consiga lidar, né, um pouco melhor com essa ansiedade climática que cada vez afeta mais pessoas na nossa realidade. Muito bem. é nossa realidade. A gente precisa falar sobre isso porque dados do Instituto Cactus mostram que mais da metade dos brasileiros se preocupa com a crise climática com frequência e quase 42% dizem sentir impactos na saúde mental, como estress, insônia, esgotamento. Mulheres, jovens e pessoas que já enfrentaram eventos extremos são os mais afetados. As mudanças climáticas, portanto, não atingem apenas o meio ambiente. A gente percebe que ela eh elas também mexem com a nossa rotina. Então, Ana Flávia, nossa psicóloga, como uma preocupação com essas mudanças climáticas pode se transformar em um sofrimento emocional, né? O simples fato da gente saber que vai acontecer algo, né? de acordo com os meteorologistas, a gente já começa a a ficar no estado de alerta, né? Eh, esse esse sofrimento emocional, ele faz sentido até que ponto? Ho, que isso vai acabar interferindo na nossa vida? Você pode explicar pra gente? Claro. Eh, eu acho que antes de tudo é natural a gente sentir medo, né, diante de algo que a gente não tem controle, de algo que de fato afeta a vida. das pessoas, a nossa rotina, mas a diferença tá exatamente a partir do momento que isso começa impactar a nossa rotina de fato, no sentido de que eu deixo de agir, eu começo a me isolar, eu começo a me a sentir cada vez mais triste, começo a ficar com uma preocupação excessiva e eu começo a mudar os meus comportamentos diante desse medo. Ansiedade é uma reação natural diante daquilo que a gente eh se sente ameaçado, mas a partir do ponto que isso começa a impactar a nossa vida, isso acaba se transformando e podendo se transformar de fato em um problema psicológico e um transtorno psicológico. Exatamente. Então você percebe que a partir de um medo, de repente, de um ciclone extratropical, que a gente ouve muito falar ultimamente, você pode desenvolver uma patologia. Então, é por isso que é importante a gente prestar atenção eh nos nossos sentimentos, né? Como nós estamos reagindo diante dessas notícias e das situações que a gente tem acompanhado nos últimos tempos. Gabriel, do ponto de vista ambiental, eh, enchentes, ondas de calor, secas, queimadas, passaram a ocupar um espaço muito grande na nossa percepção de risco, né? Eh, qual que é a sua avaliação como geógrafo eh da ocupação desse espaço mediante essas notícias? Você acha que realmente essas notícias elas precisam vir dessa forma que estão vindo? Essa é a realidade que nós estamos enfrentando. É importante nós termos essa percepção para que a gente possa estar preparado ou não precisava tanto? Pois então, eu acredito muito que a gente precisa falar das dos problemas, né, da crise climática, obviamente das enchentes, das secas, de toda essa comunicação. Porém, acredito também que essa ansiedade climática se deve ao fato que a gente não conhece muito as soluções, por exemplo, baseadas na natureza que a gente tem com relação à crise climática. Então, acredito que a gente precisa ter uma comunicação pouco mais eficiente na hora de olhar um pouco essa perspectiva da crise climática se intensificando dia após dia, né? Então eu sempre tô em contato bastante com as soluções possíveis, porque pensando em soluções, a gente consegue sair um pouco desse lugar de inércia mesmo e sair desse lugar da ansiedade mesmo, né? porque acredito que para todos nós ela vai se tornar cada vez mais constante nas nossas vidas pelo fato da gente ver cada vez mais esse tipo de notícia, né, nos nas mídias tradicionais e também a gente se distanciar um pouco das soluções. Então, acredito que a gente precisa um pouco eh falar também mais das soluções, né? Então, das hortas comunitárias, das compostagens, de soluções possíveis do nosso dia a dia e também, né, escala industrial, escala empresarial também, pra gente conseguir ver a construção de futuros possíveis, que a gente consiga sair desse lugar de paralisado, né? É verdade, você tem toda a razão, né? Porque a gente recebe as informações e aí a gente paralisa. Aí o que que vem? Luto fuga, né? Então eu eu vou lutar, vou lutar com uma coisa que eu não sei, algo que ah a ah tem um um ciclone e aí vou lutar com ele como então eu vou fugir. E nessa fuga a gente fica no estado de alerta e a gente fica sem fica na inércia porque a gente não sabe como reagir, porque a gente não sabe nem como vai chegar, né, essa situação climática. E essas mudanças, gente, já tem sim um impacto direto no cotidiano, na saúde emocional de muita gente. Não se trata apenas de uma questão ambiental, mas uma questão humana, uma questão social. Analisa, quando uma família, por exemplo, perde a casa em um desastre ou quando uma chuva mais forte desperta aí o medo de perder o pouco que tem, isso também afeta o equilíbrio mental, né? Eh, Ana, imagina quem passa por um uma enchente ou um desastre, ela pode desenvolver um medo diante de situações semelhantes depois, né? Como é que esse tipo de experiência pode permanecer no corpo e na mente? Porque imagina você, você teve a casa levada eh eh pela enchente, um exemplo, tá? E aí depois você conseguiu reconstruir. Que bom. Só que como vai ser o seu comportamento diante de uma chuva, por exemplo? Isso é um ponto muito importante, porque há uma diferença muito grande, né? Eh, nos efeitos que isso causa de quem vivenciou de fato um evento traumático e de quem acompanha do lado de cá, né? De quem acompanha do lado de fora tudo isso que acaba acontecendo. E quem vivenciou por isso, os efeitos vão para além da ansiedade, da depressão, do medo, pode até se transformar em um estress pós-traumático, né? Então, esses impactos vão para além mesmo dessa questão eh eh comportamental, né? vai para todos os âmbitos e é muito mais complexo porque envolve também essa questão social, envolve eh eh esse essa a questão política, envolve muitas variáveis e que pode acabar afetando eh também quem tá do lado de cá, mas há uma diferença muito grande, quem vivenciou e quem acompanha do lado de cá, né? Uhum. É, exatamente. E quando a gente fala de quem vivenciou uma situação por conta eh eh de um uma chuva muito forte, né, um ciclone que a gente ouve falar, eh às vezes não gosta nem de, eh conferir a previsão do tempo, né, porque é um é um gatilho, acaba trazendo a aquela sensação, ela revive tudo aquilo novamente. Agora, Gabriel, você me diz que eh trabalha bastante com soluções, né? Então, que legal é eh essa tua linha de raciocínio, porque as previsões elas estão aí, né? A gente é só você colocar lá a previsão do tempo, você fica sabendo que vai acontecer. Os alertas da Defesa Civil, eles existem, estão aí cada vez mais eh eh em todos os celulares. Acho que a maioria das pessoas têm, né, esse alerta da Defesa Civil. E a gente não tem muito o que fazer mediante o alerta, mediante a situação que vai acontecer eh daqui a pouco, mas a gente pode trabalhar para minimizar essa situação. Seria isso, a sua forma, a sua linha de raciocínio? O que que você preconiza nesse seu trabalho como geógrafo mediante a esses eventos climáticos? e essa ansiedade que a gente sente, como que você trabalha eh na solução de repente eh de problemas? Eu acredito que a melhor solução no momento pra gente é a educação, né? Então, a partir do momento que a gente tem uma educação boa sobre clima, meio ambiente, nas escolas, no poder público, assim, né? A gente consegue ter melhores escolhas de soluções possíveis, né? Então, quando a gente fala de soluções possíveis, não é necessariamente que essa solução que eu vá fazer vá eh evitar enchentes, ciclones amanhã, mas se a gente pensar num num negócio mais a longo prazo, isso faz total a diferença, né? Então, a gente pode partir da educação, passar pela esfera também de políticas públicas, passar pela esfera também das empresas, passar pelas esferas dos atos individuais. Então, quando eu falo de compostagem, hortas comunitárias, separação de lixo, eh que mais? conscientização mesmo do tema, levar a informação paraa frente, consumo consciente. Então, eu atuo sempre nessas linhas de raciocínio, eh, interseccionando todos esses poderes, vamos falar assim, da sociedade. Então, eh, esse poder do da política, esse poder das empresas, esse poder do indivíduo, da sociedade civil, acredito que a gente colaborando a gente consegue ter algo, uma resposta coletiva, né, diante da crise climática. Então, eu sempre trago essa abordagem um pouco mais sistêmica da crise climática pra gente realmente conseguir sair dessa inércia, né? a gente consegue ter uma sociedade um pouco mais com pensamento coletivo, ao invés desse egoísmo que cada vez mais a gente traz na nossa rotina, né? Então eu acho bem interessante também trazer toda essa perspectiva da saúde que vocês estão falando junto com essa perspectiva ambiental e junto, né, da própria ecoanciedade, como vocês falaram aí, tem muito essa problemática de quem vive e de quem vê essas notícias, né? totalmente diferente como se relacionam com esses eventos climáticos extremos e com a própria ansiedade. Quando a gente tá falando sobre isso, a gente sempre tem que falar, né, sobre desigualdade, racismo ambiental, justiça climática. são alguns termos às vezes distantes da nossa grande massa, da nossa maioria eh brasileira, mas acredito que a gente precisa entender um pouco mais desses conceitos para falar também sobre a ansiedade, né, onde a gente vê eh acho que interessante de trazer um dado já pra gente ter uma conversa sobre isso, eh, por agora ou posteriormente também que tem um estudo, né, do C favela, do Centro de Estudos da Favela, que ele fala que tem até, eu posso mandar até o link aqui para vocês, para quem se interessar também um pouco mais sobre o tema que fala da diferenciação das periferias, da temperatura das periferias onde compara a higienópolis com bairros mais nobres de São Paulo, por exemplo. Isso acontece por a gente tem as famosas ilhas de calor dentro das periferias, né? Então, onde não tem muita árvore, não tem verde. Então, o que acontece? Esse esse solo retém muito calor ali porque ele não tem as árvores ali para fazer o processo, né, da fotossíntese. Então acaba que gera ilhas de calor dentro das periferias. E quando a gente tá falando de rato de ecoanedade, com certeza essa ecoedade afeta muito mais nesses lugares das encostas, né, que estão vulneráveis à chuvas e esses deslizamentos. Então, normalmente, quando a gente tá falando de ecade, eu acho muito interessante também a gente falar dessa diferenciação das desigualdades sociais que levam também a intensificações diferentes dessa ansiedade climática, né? Uma coisa é a gente que tá vendo, né, como vocês falaram, e outra coisa é para quem já teve uma casa inundada, para quem já perdeu parêntes, já perdeu muitas coisas nessas enchentes, nesses eventos climáticos extremos, né? Então, é bem interessante a gente também olhar por essa perspectiva, além das análises sistêmicas das soluções, também pensar um pouco por esse lado também das desigualdades e o quanto isso afeta o nosso dia a dia com relação à ansiedade. Excelente, Gabriel. Excelente, até porque nós trouxemos, né, no início do programa essa questão mesmo de a gente eh receber a informação, sentir o medo é diferente eh daquela pessoa que viveu a situação, se recompôs da forma que conseguiu, recebe novamente a informação e ela sente medo. Mas é um medo aí fora do controle. E quando eh o Gabriel traz essa questão eh da diferenciação, é muito importante a gente falar sobre isso, porque são eh diferentes realidades que a gente vive e a gente sabe que a pessoa mais afetada é, infelizmente, nós temos essa desigualdade social e a pessoa mais afetada diante dessa situação climática, desses eventos adversos. São pessoas que moram na periferia, né? Então, e quem mora lá no apartamento às vezes nem vê a chuva passar, né? E quem mora na periferia tá com ansiedade a 1000, porque ela não tem controle, ela não sabe o que vai acontecer e ela tem que conviver com esse medo e ela tem que proteger quem tá com ela ali. E isso vai causar sim uma sensação de impotência muito grande, não é exato. E e sobre esses dados, né, mostram exatamente o que as pessoas mais afetadas hoje, além dessa questão da vulnerabilidade são inclusive as crianças, né, os jovens que vivem nessa as mulheres que vivem dentro dessa realidade e que já crescem com esse medo e essa percepção e essa sensação de não ter um futuro. Uhum. Né? Então, há também essa diferença eh de percepção sobre o futuro dessa população, que são as mais afetadas de fato e que muitas vezes quando passa por uma enchente, né, ou algo, né, algo mais extremo, como aconteceu em Mariana, Brumadinho, enfim, tem também uma perda da identidade da sensação de comunidade, né, porque quando acontece esses eventos mais mais e extremos, né? A pessoa é retirada daquele meio, daquele lugar e aí tem que ir para um abrigo, tem que lidar com luto, tem que lidar com muitas outras coisas que num primeiro momento as pessoas se comovem, mas o problema em si não fica só naquele primeiro momento, né? Isso acaba afetando a vida por muitos e muitos anos. Uhum. Né? Então, é uma uma questão muito maior daquilo que a gente que a gente imagina que seja, né? Exatamente. Então, a gente precisa de fato olhar para isso e começar a discutir cada vez mais sobre esse tema, exatamente para que a gente possa ter consciências e ter mais ações diante disso. E o que o Gabriel tava falando é exatamente essa questão, né, do que fazer diante desse medo, do que fazer eh com relação a isso, porque nós temos dois comportamentos, né? Pode ser o evitativo, sim, né? daquela pessoa que não quer saber, vou continuar vivendo a minha vida porque isso não me afeta. Uhum. Ou pode ter o comportamento de ser aquela pessoa que se torne um ativista e que isso ele queira mudar o mundo e que vai gerar cada vez mais essa sensação de potência, porque é algo muito maior do que a gente. Aí o que que a gente pode fazer diante desse contexto para não ir para os dois extremos, né? Existe um meio termo nisso tudo de pensarem exatamente nessas ações, né? eh, individuais para trabalhar dentro da nossa própria comunidade e pensar em quais são a as ações e o sentido que eu quero dar para minha vida diante desse contexto, né, que entra um pouco naquilo que a gente tava falando antes do programa, né, quais ações eu tenho que faça sentido. Isso vai sendo trabalhado eh durante eh esse processo para amizar essa ansiedade, esses traumas, esses medos. Eh, políticas públicas são fundamentais, né? E e de repente grupos também eh de informação, assim como o Gabriel está trazendo pra gente, né? portas comunitárias, você eh eh reflorestar algum espaço. Ô, Gabriel, como que tem sido eh no seu trabalho? Como que é a aceitação das pessoas, né? Porque a gente tá conversando aqui sobre essa ansiedade climática, a gente vive eh numa realidade eh eh bem exacerbada de eventos e eh extremos, a gente não sabe o que tá acontecendo, tá tudo muito diferente, né? Eh, são tremores, abalos sísmicos pouco eh eh mais com pouco intensidade, a baixa intensidade, mais registrados, eh, fenômenos que não existiam, que não aconteciam no Brasil há muito e muito tempo acontecendo. Então assim, a gente fica eh meio confuso porque não sabe o que está acontecendo, fica na defensiva porque a qualquer momento pode acontecer e aí você chega, Gabriel, e traz eh possíveis soluções para um futuro não tão distante, mas que depende da nossa ação nesse momento, né, no aqui e no agora. E diante de toda essa preocupação e essa situação, muitas vezes a gente fica na inércia. Então eu gostaria de saber de você como que é adesão das pessoas, né? Você que tá à frente disso, como que as pessoas eh recebem essa proposta? eh as pessoas estão abertas para esse entendimento ou eh o medo tomou conta e eh não entendem que de repente uma ação nossa hoje pode eh trazer aí um futuro com menos eh estress coletivo, por exemplo? Eu acho que é um desafio, né? Todo dia eu sempre olho todos os comportamentos dos meus seguidores, né? Eu não introduzi aqui muito para vocês aqui no ao vivo, mas sou criador de conteúdo no Planeta Pós-Pandemia, né? Já tem uns seis anos falando sobre esse tema e eu acho que a aceitação como um todo, todo mundo quer fazer bem pro meio ambiente, vamos falar assim, né? Mas às vezes as pessoas desconfiam de caminhos e também não entende a complexidade do a complexidade do problema, né? Então, um desafio para mim é tirar essa ótica da crise climática ligada a abraçar árvore, ao urso polar com a gedeira derretendo lá, que a gente vê muito nos nossos livros ali, ciências, geografia nas escolas e trazer para perto, né, essa temática. Então, por exemplo, usar temas do nosso cotidiano, atividade física, dinheiro, moda, nossas roupas, nosso consumo. Então ali existe uma conexão real com o nosso dia a dia, né? A partir do momento, por exemplo, que a gente tem uma bandeira vermelha na ponta de luz, a gente tá fazendo o quê? Nossa base de geração de energia no Brasil é hidrelétrica, que é de água, né? Então a gente faz, é, a gente no Brasil gera energia a partir do movimento das águas ali e é renovável. Então a partir do momento que a gente a gente tem bandeira vermelha nas nossas pontas de luz, na maioria das vezes o que aconteceu? Prervatório de água diminuiu devido ao período de seca e a gente teve que acionar as termelétricas. E as termelétricas são usinas de geração de energia que não são renováveis. Então essa temática do clima se aproxima com as pessoas, né? Então no dinheiro, nas contas básicas, nos próprios alimentos. Então acredito que essa aceitação do tema, eu acredito que todo mundo quer fazer o bem com relação a isso. Todo mundo ainda, né, já tem aquela pegada do tipo, pô, viu amigo jogando essa coisa aqui no chão, vou dar um alô para ele, não acho legal. Todo mundo já tem esse conceito de cuidar um pouco do nosso ambiente, mas acredito que às vezes a pauta fica tão distante e tão desconexa a nossa realidade como se fosse sempre, ah, eu preciso ser ativista para cuidar do meio ambiente, para me relacionar do meio ambiente com o meio ambiente, quando a gente tá se relacionando, na verdade todo dia. Então, a partir do momento que a gente sai de casa, a partir do momento que a gente liga o computador, que tem minérios usados, né, que são extração dos nossos recursos naturais, o que que acontece a gente tá se relacionando com o ambiente. Então, acredito que a gente precisa realmente ter uma aceitação um pouco melhor de que a gente se relaciona com o meio ambiente todo dia, a todo momento, não só nas épocas, né, de eventos climáticos extremos, de ecoansiedade ali que vai no talo quando a gente vê todas essas problemáticas, mas também no nosso dia a dia, né? né? Então eu acredito que pra gente sair dessa inércia, pra gente ter uma aceitação e um recebimento melhor da pauta, é a gente realmente sentar um pouco na cadeira ali que a gente pode e estudar um pouco também da crise climática, porque ela se relaciona, ela tá nos nossos gastos diários, ela tá no nosso treino ali do dia a dia também. Pô, antes muita gente costumava sair, treinar ali, fazer um exercício físico com o sol a pino da meio-dia e não tinha problema. Hoje essas mesmas pessoas têm problemas, né, respiratórios, porque elas não conseguem lidar com o calor, por exemplo, ali. Então, acredito que a gente precisa ressignificar um pouco dessa conscientização e educação socioambiental na prática e no cotidiano. e buscar também, né, acho que só para complementar, para não me estender muito. Eh, eu sempre falo a partir do ponto que quando a gente fala de meio ambiente, eu já parto do ponto que é uma temática chata pra grande maioria, porque a gente vai falar de impactos em suas maiorias negativos, então é a gente tornar a conversa de meio ambiente mais da mesa de bar, né? Então, tipo assim, além desses problemas que a gente vê, eh, esses anúncios, né, não sei quantos desabrigados, não sei quantos morrem nas enchentes, também trazer uma solução para isso. Não que seja, pô, a gente vai pegar e fazer isso agora e vai resolver o problema amanhã, mas que que a gente pode fazer para mitigar esses impactos dentro, por exemplo, das encostas, dentro das periferias, dentro dessas ilhas de calor, como é que a gente pode lidar com esse problema a longo prazo? Então, eu acho que é importante a gente ter noção da pauta socioambiental pra gente conseguir cobrar e entender as soluções possíveis. Excelente. Excelente. Até porque às vezes, Ana, eh, diante de um problema tão grande, né, imensurável, porque a gente não tem noção, a gente sabe que vai acontecer, mas a gente não sabe a proporção desse acontecimento. Então, diante de um um problema tão grande, pode surgir aquela sensação de que o esforço individual, assim como o Gabriel trouxe, ele é pequeno demais. Então eu não vou fazer porque não adianta, né? Quem sou eu diante de toda essa dimensão desse problema? Então como é que a gente diferencia a preocupação, né, que vai mobilizar a gente de uma preocupação que vai nos paralisar, entende? Eh, eu tô preocupada, então vou mobilizar, vou fazer o que o Gabriel disse. Não, eu tô preocupada, mas eu sou tão pequeno diante disso, então vai me paralisar. Como é que você traz isso pra gente referente à psicologia? Eu acho que a gente toda vez que a gente fala de mudança de comportamento, né, principalmente quando envolve essa questão climática, a gente também precisa entrar num ponto de que a gente tinha uma ideia construída de que a gente teria recursos inesgotáveis. Uhum. Né? Afinal de contas, nós moramos no planeta Terra que tem muita água, que tem muito, então esses recursos nunca vão acabar. Então isso acaba muitas vezes também, né, dificultando eh essa conscientização, né, da população sobre esses comportamentos que hoje vêm. E aí a gente tem esses alertas, né, esses gatilhos aí, né, por exemplo, da conta de luz vermelha, enfim. E aí, como eu disse, né, há dois extremos, ou a pessoa ativista, né, que vai querer fazer, quer mudar o mundo. E aí entra nessa questão dessa sobrecarga, porque ninguém vai mudar o mundo, né? São pequenas ações mesmo no nosso dia a dia que vai fazer de fato a diferença e mobilizar toda essa comunidade, né? Porque a cada passo que eu dou em direção àquilo que é valoroso para mim, né? se a natureza, se o planeta, se o meu ambiente importa, eu preciso primeiro ser congruente com os meus comportamentos. E exatamente isso que vai fazer a diferença, né, no nosso dia a dia, né? Então, a gente precisa caminhar de acordo com aquilo que é valoroso, não pensando em mudar o mundo, mas primeiro olhar para aquilo que eu faço como um ser humano, com aquilo que é valoroso para mim. Então, a gente precisa caminhar de acordo com as nossas ações. Eu acho que isso que vai fazer essa diferença entre paralisar e agir. Agir de acordo com aquilo que eu quero, com o caminho que eu quero seguir, de acordo com aquilo que faz sentido para mim. É, né? Eh, tem aquela frase, você quer mudar o mundo, comece por você, né? a atitude sair dacia, assim como o Gabriel trouxe gente agora, Gabriel, transformar a sensação de impotência diante da crise climática em participação e ação. Legal. Mas fazer isso sem colocar sobre o indivíduo a responsabilidade de resolver um problema global, que que você pode trazer pra gente? porque eh é a ação ou a paralisação. Então, se eu vou paraa ação, eu já chego chegando e e quero resolver tudo, mas eu posso colocar sobre mim também uma responsabilidade muito grande de resolver um problema que não está ao meu alcance, né? Como é que você tem, como é que você lida com isso? Bem no começo da minha trajetória, né, gente, eu era bem mais ativista do que educador. E eu via que isso também trazia uma culpa que carregava comigo assim do tipo, eu quero mudar o mundo demais e não vejo caminhos possíveis. Então, acredito muito que essa culpabilização pelo indivíduo é completamente errada do que a gente pode fazer e transformar. Como eu disse, né, para mim todo tudo é sistêmico, então a gente precisa da colaboração de todos os atores, não só nós como indivíduos, mas também em políticas públicas, as empresas, né, precisam, por exemplo, ter menos impostos também ali para desenvolver uma economia circular, ter estímulos quando tem política de sustentabilidade dentro do próprio core delas ali. a gente tem que ficar atento, né, principalmente a planos de governo com relação a clima e meio ambiente em épocas de eleições, a gente entender também o potencial disso para trazer soluções possíveis. Então, acredito que a gente distribuindo realmente as coisas das culpas, vamos falar assim, em suas prioridades, a gente consegue reorganizar o nosso raciocínio. Por exemplo, é necessário sim a gente a gente às vezes evitar um copinho descartável, eh, levar uma garrafinha, porque isso não é só sobre o ato ali de economizar recursos, mas também o que vai provocar na sua mente como consciência e educação. E é sempre que eu falo assim pra maioria da galera, né? Tudo começou na época minha de faculdade, quando eu ia pros rolê universitários e comecei a pensar um pouco, nossa, gera muito copo descartável aqui e comecei a relembrar, né, outro lembrava disso, quando eu relembrava disso, eh, de levar minha canequinha pros rolês. Então, por exemplo, a partir disso, me levou a esse lugar hoje de criador de conteúdo de sustentabilidade. Então, acredito que a gente não pode carregar uma culpa com a gente, mas se a gente pode entender um pouco melhor do tema e sim levar educação e conscientização para essa massa, né? Porque eu vejo também que é um tema bem defasado quando a gente tá falando sobre compreensão, né, acerca do tema. Infelizmente a gente vê muitos desafios na própria educação básica. Então, às vezes eu faço algumas palestras em universidades também, em escolas e eu vejo que às vezes a gente precisa trazer o tema mais para perto e não culpabilizar o indivíduo, mas também que ele também pode ser a gente de mudança, né? Porque às vezes a gente carrega um peso do que, tipo, ah, eu preciso parar de comer carne, eu preciso parar de usar plástico. E eu já fui esse tipo de pessoa, mas entendi que o problema também ele é um pouco mais sistêmico e um pouco mais complexo para realmente a gente melhorar, né, essa compreensão e deixar um pouco a ansiedade climática de lado e levar paraa frente essas soluções possíveis, né? É o que eu trago bastante assim na minha na minha jornada de criador de conteúdo, porque também não quero ser aquele cara que é taxado, né, pela grande maioria, como ecochato. Lá vem o chatão ali da sustentabilidade. Eu quero realmente propor diálogos e também construções de pensamento um pouco mais sistêmicos. Às vezes a gente fica nas redes sociais e tipo, nossa, eu preciso ser muito ativista ou eu preciso evitar tudo isso? E como vocês falaram, a gente pode caminhar no meio termo. Então, a gente pode sim ter que ser educado e entender a questão da importância da crise climática e a partir disso criar soluções possíveis. A gente não pode mudar o mundo, mas a gente pode mudar pessoas que podem mudar o mundo, né? Excelente. Muito bom. E quando a gente fala em mudar pessoas que podem mudar o mundo, né, a gente volta para dizer que os impactos dessa dessa ansiedade climática, dessa mudança do clima, eles não são iguais para todo mundo, né? E algumas pessoas estão mais expostas aos riscos climáticos e tendem a ser mais vulneráveis ao sofrimento emocional também relacionado a a essas mudanças, né? E então, ô Ana, como é que a gente faz para orientar eh as crianças, os jovens, as mulheres? Você imagina uma casa, né, mãe solo, eh as crianças de madrugada, eh vindo um tempo muito feio e aí vem vendaval, vem chuva, vem granizo. Eh, é algo assim que se você para para imaginar, você fala: "Meu Deus, que situação é essa?", né? como que a gente deve eh preparar essas pessoas, né, para que hã as crianças sejam orientadas, essas mães sejam orientadas, acolhidas, porque a tendência, né, que nós vemos aí é de eventos extremos cada vez mais constantes, né, eh eh no Brasil. E essas pessoas elas precisam de orientação porque é um desespero muito grande. Sim. É algo que a gente do lado de cá, né, não consegue nem mensurar quanto que é. Então, a gente precisa, antes de tudo, pensar mesmo, né, nessas orientações, eh, de políticas públicas mesmo, de de orientações de como seguir, aonde ir, que local seguro, porque fica também esse medo, né? como que eu saio da minha casa, do meu lar, para ir para um lugar seguro? Eu vou perder tudo? Como que eu vou reconstruir? Então, é, é muitas variáveis para que a gente possa dizer um único passo para seguir, mas com relação às crianças, né? Eu eu acredito que as crianças percebem tudo, percebem, né? Então, quanto menos se fala Uhum. Mais angústia, mais medo, mais insegurança vão vai gerar nessas crianças, né? Então, é sempre comunicar de forma tranquila, pacífica, embora seja muito difícil diante desse contexto, né? Passar isso de uma forma tranquila e pacífica quando você tá com medo. Sim, né? Mas pensar exatamente um pouco mais amplo sobre essas questões de abrigos, eh, políticas públicas e orientações mesmo, eh, práticas diante desse contexto, né? Porque só o alerta, como né, você já disse, isso já é um gatilho para essas pessoas que vivem nesse local, né, de vulnerabilidade. Então é preciso olhar um pouco mais amplo mesmo diante desse contexto do que apenas eh uma questão, porque olhar para essa questão social já é algo psicológico, né? Trazer essa segurança de ter para onde, de ter esse acolhimento diante de todo esse contexto, né? A, o fator psicológico é uma parte, mas a gente precisa, antes de tudo, também olhar para essa paraa base da pirâmide, que é a segurança social mesmo. E quando a gente fala na parte social, nós estamos aqui falando só de eventos extremos de chuva, porque foi o que nós tivemos aí recentemente, né? Mas a gente sabe que nós estamos na primavera e o Elninho vai ter um impacto muito grande na primavera, no verão. E aí vem outros eventos que é o quê? as bolhas de calor, né, o calor extremo e já gerou ansiedade em todos nós eh essa notícia de que podemos ter aí altas temperaturas logo em breve, né? É isso mesmo, Gabriel? Que que você vê e o que que está aí eh eh eh esqueci a palavra, o que que está eh programado de acordo com a meteorologia? É normal, gente, é ao vivo, tá? O que que está programado de acordo com a meteorologia para essa essa primavera e esse verão? Realmente nós vamos ter um uma alta considerável nas temperaturas? Com certeza a gente vai ter mudanças na temperatura, né? Então acredito que cada vez mais com esse eho se intensificando e mais dados que a gente fala da aumento de temperatura do Oceano Pacífico vai acarretar no quê? Em uma seca intensa no norte e chuvas excessivas no sul, como a gente já tá vendo, né? A gente teve essa semana alguns episódios, por exemplo, de chuvas intensas demais, de granizo também na parte sul do Brasil. Tivemos também na semana passada um temporal absurdo em Minas Gerais, lá em Ipatinga, que eu inclusive fiz um conteúdo sobre isso. Então, acredito que a gente tem que ficar sim alerta às questões e buscar se educar para prevenir um pouco desses impactos possíveis, né? Então, eu acho bem interessante a gente olhar por um pouco desse viés além do medo, mas também de compreensão do problema, né? Porque eu sei que às vezes a gente já tem tanto problema para lidar, né, em tempos de crise, a gente vê eh sobre econômica, dinheiro e tudo mais, eh as pessoas acabam pensando sempre no próprio umbigo, mas talvez o próprio umbigo também seja afetado pela crise climática. Então a gente precisa entender que que é esse auninho, né? Temos vários conteúdos ali, galera, também para vocês se orientarem dentro do planeta pós pandemia ali no Instagram com relação ao ninho, mas não a gente para ficar em choque isso, mas pra gente entender e compreender um pouco mais o tema, né? Então também acho que um ponto bem interessante, né? Além da própria meteorologia ali da previsão do tempo, é importante também a gente se informar, né, por conceitos, por definições também, como eu falei para vocês, como vocês trouxeram aqui, a gente precisa falar que toda essa ecedade se distribui de uma forma diferente em sociedade, né? Enquanto a gente tá falando, por exemplo, de periferias que são mais afetadas, acaba que os bairros nobres, eh, eles não são tão afetados porque são urbanizados. E se a gente parar para pensar, isso também é uma questão de justiça climática, né? Então, quando eh na verdade o maior potencial poluidor, vamos falar assim, que são as pessoas que são donas do meio de produção e consequentemente são as que têm mais renda, acabam fazendo o quê? impactando muito mais no meio ambiente e acabam sofrendo menos essas consequências da ecociedade dos eventos climáticos extremos, enquanto as pessoas menos favorecidas, às vezes que moram na periferia, causam menos impactos ao ambiente e acabam tendo mais problemas no dia a dia da com a relação à crise climática. Então é importante a gente entender também esses conceitos, né, racismo ambiental. Eu sei que às vezes é um pouquinho eh complexo, mais uma coisa para saber, mas é muito importante a gente ver que realmente tem meio ambiente envolvido nisso também quando a gente tá falando de periferias, quando a gente tá falando em de áreas mais nobres. E é muito importante a gente entender que tem estudos, né, pra gente comprovar e entender a ciência como um aliado, né? Em tempos de negacionismo, é muito importante a gente trazer a ciência para debaixo do braço, entender conceitos, entender também, né, a previsão do tempo, o que a gente tem pros próximos meses, mas eu acho que se informar na complexidade do tema também. Excelente. Eh, falando até mesmo sobre o quanto o clima, né, afeta os nossos próprios comportamentos, há estudos que mostram que altas temperaturas também aumenta o índice de violência, né, onde, por exemplo, as pessoas se vão mais à rua, né, bebem mais, também tem essa mudança de comportamento com relação aos ditos substâncias, eh, o que vai gerar mais violência, inclusive violência doméstica. Então, por mais que tenha essa diferenciação, né, entre os grupos sociais, todos são afetados. Uhum. Né, porque essa mudança de comportamento é na sociedade como um todo, né? Então, eh, é, é importante olhar para isso, inclusive para essas mudanças de comportamento baseado em estações, em temperaturas. Eh, então realmente é algo muito amplo e muito complexo, mas ao mesmo tempo a gente também lembrar, né, para que a gente não crie uma, né, algo muito assustador, né, e piore essa ansiedade nesse contexto, mas pra gente lembrar que essas nossas ações, indiferente do nosso local de mundo, né, eh, a gente sempre vai ser afetado de um jeito ou de outro, né? Claro que tem essa diferença social, claro, né? né? Não tem como eh não falar sobre isso, mas também que todos somos afetados, né? Enfim, nossa, gente, olha só, né? Ansiedade climática, tudo que nós falamos e tem muito mais para ser falado, muito mais para ser dito. Importante demais essa nossa conversa. São informações eh de pessoas que que têm a ciência, né, para nos orientar. Eu fico muito feliz por ter eh conseguido construir com vocês esse conteúdo bem importante e bem interessante. A o material tá disponível no YouTube, você pode compartilhar, fique à vontade. Eh, assiste novamente o programa para você entender, né? Porque a informação boa é informação compartilhada. Ô, produção, me eh fala para mim, eu posso tem perguntas? A gente consegue que a conversa passou que a gente nem viu. 8:57, gente. Vamos lá. A gente pode ir até 95. Ah, então tá bom. Então coloca eh vamos com uma pergunta para cada um. Pode colocar uma pergunta na tela, por favor. Por gentileza, a gente tá falando de ansiedade climática. Eu sou dessas. Eu morro de medo, gente. Tem muito medo. O Marcos Oliveira do Bomfim. Nos dias muito quentes, parece que todo mundo fica sem paciência. Olha isso. O calor pode mexer com o nosso humor? Vai de novo para você, Ana Flávia. Claro que pode, né? Inclusive, isso é um fato. Eu, por exemplo, eu sou uma pessoa que no calor eu fico totalmente estressada, sem ânimo, né? Então, como eu disse agora a pouco, né? De fato, altas temperaturas mexem com o nosso comportamento, mexe com as nossas emoções e fazem a gente se comportar de forma, olha só, mais impulsiva muitas vezes diante desse contexto. É importante a gente parar e analisar, né, esse contexto aí do do verão ou do calor. Eu não tinha parado para pensar nisso e faz total sentido. Vamos lá, mais uma pergunta pra gente. Produção, pode colocar na tela, por favor. Vamos embora. Agora a gente direciona pro Gabriel, tá? Vamos lá. Eh, Bruno Almeida do Parque Prado. Na minha família cada um reage de um jeito aos alertas de chuva. Como combinar os cuidados sem discutir sobre quem está certo? Ô, Gabriel, você consegue responder aí o Bruno, né? Porque eh essa reação eh de cada um é de um jeito mesmo. E aí ele quer saber como combinar os cuidados sem discutir sobre quem está certo. Na verdade, teria que ter um diálogo aí, né? Mas cada um tem uma opinião e acaba dando uma confusão. Pelo jeito. É, eu acredito que a gente tem que levar a informação do jeito que as pessoas melhor recebem, né? Eu acredito que a partir do momento que a gente tá falando sobre crise climática, eventos climáticos extremos, vai ter a pessoa que ela acredita nisso e vai ter a pessoa também que é negacionista, o que acontece também muito na minha base, tá gente? Eu acho que, tipo assim, eh, a gente tem que tá aberto ao diálogo, então não é sobre quem está certo, eu acho que é sobre a crise climática existe. Vamos achar caminhos para conseguir dialogar com essa pessoa sem que também crie uma crise dentro da família, dentro da nossa casa, né? Porque tem pessoas que eu consigo dialogar, por exemplo, dentro da rede social, acho que também é um experimento disso, né? né? Então tem pessoas negacionistas que elas têm educação, elas não estão ali para falar: "Pô, eh, realmente eu não sei, eu acho que crescimento global, a crise climática não existe, porque eu tô vendo muito fato aqui, tudo é muito cíclico e tals." Aí eu falo: "Pô, vamos lá, eh, vamos entender comigo do começo". Assim, então acho que é muito importante a gente entender como cada pessoa é e sua aceitação com relação ao tema. Tem pessoas que são críticas ao ponto de faltar com respeito, ao ponto de fechar os olhos para dados, para ciência. Ali eu já acredito que não faz muito sentido a gente gastar, por exemplo, nossa educação, nossa nossa vontade, coragem de mudança com essas pessoas, porque elas não estão abertas para diálogo. Então acho que seria a gente perder um pouco, né, de toda essa vontade da nossa do nosso ensino com pessoas que não estão dispostas a entender, mas tem pessoas que elas não real, eu acho que é uma grande massa, tá gente? que é o que eu vejo dentro das redes sociais, que para mim é esse experimento. Eu não levo a ideia de querer estar certo e de querer falar, de que, pô, e que essas pessoas saiam de uma conversa comigo com todos os dados do IPCC, com todos os dados da crise climática na cabeça, mas que provoque ela, que coloca uma puguinha na orelha, que faz ela pesquisar um pouco mais, né? Então, eh, eu sempre levo todos os diálogos meu, meus da minha vida, na verdade, não sobre estar certo, porque eu acho que você for ver assim, não é sobre estar certo, mas sim sobre o que está acontecendo com relação à cidade, à crise climática, tudo a gente tá vendo, né, todos esses eventos climáticos extremos que foram intensificados, né, pelo homem, pelo uso desenfreado dos nossos recursos naturais ali também. quando a gente pensava que nosso planeta era inesgotável vários anos atrás, né? Então acho que vem de uma linha de raciocínio que a gente precisa realmente compreender a vivência da pessoa, a experiência da pessoa, como ela se relaciona com o meio ambiente para propor um diálogo, senão a gente vai pensar muito fácil. Muito bem, muito bem, Gabriel. Agora mais uma perguntinha e a gente já vai paraas considerações finais. Pode ser 92. Bora que bora. Mais uma pergunta. A Mariana Lopes do Jardim Proença. Como ensinar uma criança a se proteger de um temporal sem fazer com que ela tenha medo de toda a chuva? Vamos lá, nossa psicóloga. Eu acho que antes de tudo é ensinar a criança sobre como que é de fato a natureza, né? A chuva é uma coisa que faz parte do nosso dia a dia, né? Então ensinar a questão, né? As questões básicas de segurança mesmo, né? nunca ficar debaixo de árvore, né? E eh essas coisas e trazer isso de uma forma mais natural possível. Porque a criança também ela quer experienciar correr na chuva, né? Então fazer com que ela tenha essas experiências de fato sem com que isso se torne algo natural. Eu acho que inserir a criança no meio de fato, né? Eh, é coisas que eu faço com o meu filho, ensinar, mostrar, olha, isso é um raio, isso é um trovão, vamos escutar, fazer com que isso se torne natural, sem que isso se transforme em algo eh assustador. Sim. Porque inclusive, né, rapidamente essa experiência é muito individual mesmo. Uhum. Né? Então eu eu para mim eu amo esse período, amo chuva, porque a minha memória afetiva sempre veio desse lugar. Sim. Mas é diferente de quem tá dentro de um contexto de vulnerabilidade, né? Então também olhar qual é o contexto que essa criança tá inserida. Verdade, né? Então precisa de fato olhar para esse contexto e e fazer com que entenda que isso faz parte do nosso meio. Uhum. E e dar a oferecer a proteção, né? Uhum. Tem que se controlar. Mesmo você com medo, precisa equilibrar suas emoções para oferecer proteção eh pra criança, né? Se você comunica uma criança com medo, ela vai ter medo porque ela vai entender, né, que opa, pera, isso, se ela tá assim, se ela é meu ponto seguro, isso é assustador para ela, então, opa, eu também devo ficar com medo disso. É, agora aprender a controlar as nossas emoções já seria um outro programa, não é? Vamos lá. Ô gente, quero agradecer demais a participação de vocês aí de casa, a participação dos nossos convidados, agradecendo aí o Gabriel Ferre. Gabriel, obrigada pela sua participação, considerações finais, querido. Valeu, viu, pelo eh pelas orientações. Muito obrigado pelo espaço, pessoal. Acho que a gente precisa falar cada vez mais sobre o tema de ansiedade, crise climática e conectar cada vez mais com a realidade, porque ela não é uma pauta distante. Agradeço mais uma vez. Me sigam ali nas redes sociais, galera, Planeta Pós pandemia, em todas as redes sociais, TikTok, Link Team e também Instagram. E a gente tá descomplicando e traduzindo essa pauta aí. É isso. Vamos levar paraa frente informação e conscientização. Muito obrigado. Nós que agradecemos. Sucesso para você, viu, Gabriel? E a gente agradece também a nossa psicóloga, né, Ana Flávia, que trouxe orientações, compartilhou conhecimentos conosco sobre a ansiedade climática. Eu acho que a gente permeou aí eh eh em várias vertentes que nós conseguimos eh trazer um conteúdo que faz sentido, né, quando a gente se depara com toda essa situação. Muito obrigada, consideração obrigada eu pelo convite e por essa troca tão rica, maravilhosa. E você aí de casa, né, grande abraço, obrigada pela sua audiência, pela sua companhia. Material já está disponível no YouTube para você assistir novamente, para você compartilhar com quem faz sentido para você. E é isso, gente. A ansiedade climática não é um diagnóstico diagnóstico específico, mas o sofrimento provocado pela crise ambiental pode ser real e merece atenção. E talvez um dos caminhos seja justamente encontrar equilíbrio entre reconhecer os riscos, cuidar da saúde mental, buscar informação de qualidade e entender que aquilo eh entender eh o que está ao nosso alcance e o que a gente pode fazer para que isso possa melhorar, tá bom? Um grande abraço para você. Amanhã tem mais estúdio Câmara a partir das 8 da manhã e amanhã a gente fala sobre infoxicação e resbait. É assim mesmo, produção? Vamos lá. Infoxicação. Já captou? Quando o excesso de informação começa a mexer com as nossas emoções. Olha, faz todo sentido com o programa de hoje, né? A internet nos coloca diante de um volume enorme de informações, opiniões, conflitos e alguns conteúdos são produzidos justamente para provocar a emoção. Qual? A raiva, a indignação. Você já parou para pensar? E por que que a gente, mesmo sentindo isso, a gente continua consumindo aquele conteúdo que está eh provocando essa sensação, né? Então, a gente vai falar sobre essa exposição constante que pode afetar o nosso humor e o nosso comportamento amanhã, a partir das 8 da manhã aqui em Maisão do Estúdio Câmara. Grande abraço para você, uma ótima quarta-feira. Se cuide e até lá. Ча. Sì. M.