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Um estudo da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, a FGV, analisou como os brasileiros percebem as mudanças climáticas e constatou que quase metade dos entrevistados, 44%, demonstra ctic ismo em relação à gravidade da crise. Nesse cenário, o letramento climático pode ajudar a compreender a relação entre os fenômenos naturais e as decisões políticas, econômicas e sociais. E é sobre isso que vamos falar hoje no giro ambiental com Felipe Peixoto, pedagogo, mestre e doutorando em educação e analista de identidade, missão e vocação da Rede Marista Brasil. Felipe, seja muito bem-vindo ao Giro Ambiental e também muito obrigada por nos atender e nos eh aceitar nosso convite. Olá, muito obrigado. Bom dia a todos e a todas. Para começar, Felipe, e eu queria falar eh o que é o letramento climático, o que ele significa na prática e também qual a importância da população, das pessoas desenvolverem esse conhecimento. É importante a gente pontuar que o letramento climático ele é um processo de conhecimento sobre todas as questões socioambientais que acontecem dentro do nosso planeta, né? Então, quando a gente fala de letramento climático, a gente tá falando de um processo de ensino, aprendizagem, de formação, que por vezes ele eh que por vezes ele nos traz um um conhecimento eh ou não necessariamente conhecimento, mas ele nos traz um repertório que é um repertório importante para que a gente entenda que, por exemplo, a enchente que as enchentes que aconteceram no Rio Grande do Sul ou com que acontecem no sul da Bahia, eh, não são obras do acaso, mas elas são uma consequência de múltiplos fatores socioambientais e políticos. E é claro que as pessoas têm um pouco de dificuldade de ter acesso à informação, conhecimento, mas porque na sua visão eh existe tanta dificuldade de parte da população reconhecer a gravidade das mudanças climáticas que estamos vivendo? Primeiro, acredito que assim, eu acho que boa parte da população no Brasil sofre e sente as consequências das mudanças climáticas, né, que o nosso país sofre, assim. Então, por exemplo, hoje eu falo de Curitiba, eh, e não é normal, normalmente normal Curitiba no mês de setembro ali está com 8, 7, 6º de temperatura ou outros territórios, por exemplo, choverem numa num período que era para estar sol. Então a população ela sente esse impacto. Porém, a gente precisa pontuar que a gente vive em um modelo de sociedade, que é um modelo de sociedade que ele ele é muito produtivista. As pessoas normalmente saem para trabalhar 5, 4, 6 horas da manhã e retornam paraas suas casas só no período da noite. Esse movimento, ele é um movimento exaustivo, ele é um movimento que ele fragela muita parte, boa parte da nossa população, a grande parte da nossa população. Nesse sentido, é muito complexo a gente eh trazer que isso talvez seja e eh eh seja um problema da população como geral, mas eu acho que isso é um problema do nosso modelo enquanto sociedade. Enquanto modelo de sociedade, a gente olha para as questões climáticas sempre a partir de de quase que uma ansiedade. Então, a gente sempre trata as questões climáticas eh como a algo catastrófico que vai destruir o mundo, se a gente não agir, vai destruir o mundo mesmo. Mas a gente age eh a partir do medo, da ansiedade climática, a partir de outros elementos que não seja o elemento da esperança, por exemplo. Então, hoje é muito complexo. onde a gente tem gerações de pessoas, por exemplo, que nunca subiram num pé de árvore, por exemplo, porque não existem mais árvores dentro da dos nossos modelos de cidade, né? A gente tem um conjunto enorme de pessoas, por exemplo, e de crianças que não brincam de calças com o pé na terra, porque existem poucos parques nas nossas cidades. Então, o modelo como a gente organiza as nossas cidades, o modelo como a gente organiza o nosso trabalho, o modelo como a gente se organiza enquanto sociedade, impacta diretamente para essa relação. Então, se eu tenho pouco contato com a natureza, eh, se eu não conheço a natureza, como eu vou amar algo que eu não conheço? Então, eu preciso conhecer algo para que automaticamente eu possa amar isso? Então, a gente precisa propiciar para as pessoas como um todo espaços de contato com a natureza, espaços de contato com o meio ambiente para que elas entendam que elas fazem parte de um todo, que a Terra é um todo, né? Nós não somos sujeitos afastados dessa terra, mas nós fazemos parte de desse grande ecossistema, né? O Papa Francisco, quanto rei de Marista, ele falava que a terra é uma grande mãe, né? Nós precisamos cuidar da nossa casa comum. E casa comum é isso. Nós habitamos uma casa que é comum com os animais, com todos os seres vivos, com todas as plantas e com todo o ecossistema. Então, a gente precisa propiciar esse contato. As nossas cidades, sociedades precisam propiciar esse contato com das pessoas com o meio ambiente. A gente não eh a gente não pode eh derrubar uma árvore para construir um poste, porque a gente passa um recado, principalmente paraas novas gerações, de que o poste ele é mais importante do que uma árvore, sabe? Então, acho que existem modelos de sociedade e escolhas de sociedade que nós fizemos enquanto sociedade que a gente precisa olhar para elas. Então, podemos dizer que mesmo a população não entendendo a gravidade ou até mesmo agindo de forma negacionista quanto a crise climática, elas vivenciam isso no dia a dia, na prática mesmo, eh, em pequenas coisas, como que você falou, enchentes, eh, chuvas torrenciais que a gente enfrenta todos os dias, ondas de calor também, por exemplo. Exatamente. Hoje a gente tem eh eh só para vocês terem ideia, hoje a gente tem algumas regiões no Brasil que estão passando por processos de desertificação, assim, são processos aonde aos poucos essas regiões vão se tornando pequenos desertos. Hoje, se a gente for pegar o mapa mund, eh, e toda a região que ali, a região da Amazônia, tirando a região da Amazônia, toda aquela área são grandes desertos, né? Só que a gente tem a Amazônia, que é além da Amazônia, a gente tem Amazônia e tem, né, a a cordilheira dos antes. A gente tem algo que não faz que a gente tenha grandes desertos no nosso continente, por exemplo. E aí quando a gente tem calor excessivo, chuva, chuva fora do do tempo ou está de chuva, quando a gente tem um frio excessivo, a gente sente isso, mas a gente não entende onde vem isso. E aí isso vem de vários fatores do desmatamento, o desmatamento do do bioma como pantanal, por exemplo, que é extremamente importante falando de São Paulo e aí da região de Campinas, né? Eh, a gente tem, por exemplo, em São Paulo pouquíssimos hectares da Mata Atlântica nativos ainda. Então, o quanto isso impacta na nossa Constituição enquantos sujeitos assim, né, enquanto seres humanos. Essa nossa conexão com animais, ela não pode ser com outros seres, não pode ser uma relação de caça e presa, mas tem que ser uma relação de harmonia, né? Como a gente se convive harmonicamente com as árvores, as flores, os animais, a terra como um todo. E eu comentei na outra pergunta sobre o negacionismo, né? O letramento climático também pode ajudar a população a diferenciar informações confiáveis, eh, conteúdos falsos ou distorcidos sobre as mudanças climáticas. Claro, pode sim, principalmente porque a gente eh quando a gente fala de letroramento climático, a gente é muito pautado também pelo debate científico. E isso é muito importante a gente eh a gente pontuar que as o debate climático ele não é um debate que ele acontece agora em 2025, ele vem sendo debatido por pares dentro da academia de institutos científicos do desde o século XX, né? Então existe muita produção de conhecimento. E aí qual é o nosso papel enquanto sociedade? Aí a gente pode falar, por exemplo, enquanto escola, né? Nosso papel é a partir desse conhecimento produzido, a gente popula eh a gente eh trazer de uma forma acessível para todos os sujeitos, independente da idade. É, eu vou falar de mudança climática, eu vou fazer um processo, eh, uma construção, eh, uma construção processual de letramento climático com crianças, diferente do que eu vou fazer com adolescentes, com jovens, com adultos, porque eu tenho um conteúdo, mas eu consigo adaptar esse conteúdo para passar a mesma informação. E aí a partir do momento que a gente trata eh esse negacionismo, a gente traz as questões científicas, então a gente imagina que o letramento científico ele coloca o sujeito diante de uma realidade e esse sujeito, essa pessoa, ela olha para essa realidade e ela vai investigar as causas do que isso acontece. É muito isso que a gente faz nas nossas unidades, nas nossas escolas. As crianças têm um problema. esse problema, eh, junto com o professor. O professor ele não dá resposta desse problema, mas ele cria um processo mediador de aprendizagem, aonde a criança e o adolescente investiga a causa desse possível problema e propõe soluções. Então, ele tá fazendo um processo científico. Então, a partir do momento que ele faz esse processo científico de uma forma bem mais controlada, enxuta, eh, ele começa a entender que o que é a ciência, né? Então, debates eh como ai não existe aquecimento global ou coisas do tipo, caem por terra porque ele entende como funciona o processo científico e e e de conhecimento, na construção de um conhecimento. E a gente comentou que esse problema ele é macro, né? um problema da sociedade, mas pequenas atitudes eh de quem tá em casa nos assistindo eh continuam sendo importantes diante desses problemas, fazem a diferença mesmo sendo pequenas atitudes pessoais? Totalmente. Assim, eu vou dar eu vou dar um exemplo que eu acho que é um exemplo muito bacana. Eh, existem coletivos em várias cidades que trabalham com hortas, hortas coletivas, né? com artas urbanas de forma coletiva, aonde essas pessoas eh cultivam, plantam e essa horta é da população. E aí você faz um processo e aí pra gente entender um um processo simples que a gente pode seguir, você separa seu lixo orgânico do lixo reciclável. Este lixo orgânico, ele pode virar eh adubo numa composteira. nessa composteira, que é um uma horta coletiva, uma horta comunitária, vira adubo para que essa horta seja seja floresa, para que depois disso esse alimento ele possa ser dividido em uma comunidade. Então, uma pequena ação, que é uma ação de separar o lixo do orgânico pro reciclável, tem consequências de que esse lixo reciclável contribui para que eh catores de materiais recicláveis tenha eh um acesso mais fácil ao também à sua renda. O orgânico vai destinado para um lugar certo. Parte desse orgânico pode virar adubo numa composteira. que pode contribuir numa horta que pode alimentar várias famílias. Então, essas pequenas ações elas também contribuem muito, sabe? Falando de ações, atitudes, eh, queria falar um pouco sobre a sua experiência na Rede Marista Brasil. Vocês desenvolvem diferentes ações, né, por meio do Observatório Marista do Clima. Que você falasse um pouquinho sobre esse trabalho, quais atividades são realizadas. Observatório Marista do Clima, ele nasce como uma resposta ao chamado que o Papa Francisco ele nos dá na sua laudat, nos 10 anos da Laudat, que é como a gente eh está cuidando da nossa casa comum. Eh, as questões socioambientais sempre foram uma sempre foram muito importantes e significativas para a congregação, para o Instituto dos Irmãos Maristas e consequentemente para as escolas. Com isso, se elabora, se constitui o Observatório Marista do Clima. E o Observatório Marista do Clima, ele acontece hoje em na grande maioria das escolas da rede. Então, hoje a rede tem 97 escolas, sendo colégios pagos e escolas sociais espalhadas por todo o Brasil. E o observatório do clima, ele proporciona que os alunos juntem o seu os componentes curriculares que, né, o conhecimento que já está previsto dentro do currículo, seja o currículo ligado às matrizes curriculares da próprio Marista Brasil, seja da BNCC, né? Então, a gente também faz uma resposta eh legal ao projeto de lei, que é o projeto de lei de educação ambiental que existe no Brasil. Então, o Brasil existe um projeto de lei sobre educação ambiental nas escolas. Então, o observatório também é uma resposta a isso. E aí o observatório, ele então coloca o aluno como sujeito, como um sujeito e protagonista da construção desse novo conhecimento. Então eu vou te dar um exemplo muito bacana assim, na zona leste de São Paulo, uma escola chamada Escola Social Marista, Marista Escola Social Robru criou uma horta junto com as crianças. E aí a gente tá falando de uma escola que é só uma escola de educação infantil. Então, se faz um processo na educação infantil dos campos de experiência da criança ainda tá conhecendo quem ela é, conhecendo o outro e junto com todo esse processo pedagógico de ensino aprendizagem, a gente coloca temática ambiental e se constrói uma horta, por exemplo. Um outro exemplo aconteceu em Almirante Tumandaré, eh, aqui no Paraná, aonde a Mari Fala Social ecológica entender os alunos entendendo que existia um desperdício muito grande de alimentos na merenda, eles eles constróem o que eles chamam de disperimômetro, né? Eles fazem um um um movimento que é vamos calcular o quanto de alimento a gente está desperdiçando e aí eles começam fazer um estudo de tá, esse alimento que a gente tá desperdiçando, a gente vai transformar, vai transformar em adubo, vai colocar em composteiras, vai colocar em outros ambientes. E aí a gente tem vários outros exemplos. A gente tem colégios, por exemplo, que eh plantaram e criaram a sua pró o seu próprio repelente natural, por exemplo, que eles entenderam que naquele ambiente, naquele espaço, tinha um um um por conta do do calor, do desmatamento, tinham muitos mosquitos, então criaram seu próprio repelente natural. Então, parte da realidade, então, observatório marista, parte da realidade de cada colégio, de cada comunidade escolar, parte do protagonismo do sujeito, aonde o professor ele é o mediador desse processo. E aí, como o professor ele é mediador desse processo, o professor ele acompanha, estimula, né, faz. Só que quem toma as decisões, quem observa todo esse processo são os alunos, independente da idade. E aí é claro que eh no ensino médio observatório ele tem uma abordagem, com a educação infantil ela tem uma outra abordagem, mas hoje a gente trabalha com 88 escolas trabalhando com o observatório Marista do Clima, assim, impactando hoje quase 100.000 alunos. Bacana. E Felipe, pra gente encerrar, né, você citou aí várias iniciativas criadas pelos alunos. Isso também mostra sobre a capacidade de crianças, adolescentes de participarem da construção de soluções pros desafios climáticos que a gente tá enfrentando. Totalmente. assim, a gente eh eu gosto de falar uma eh eu gosto de falar uma seguinte frase que eu ouvi de um de uma pessoa uma vez e eu concordo muito, que é o seguinte, eu acho que é muito é muita responsabilidade, muita irresponsabilidade a gente colocar para os jovens e para as crianças como elas sejam a solucionar adoras de um problema que nós causamos, né? é é de uma irresponsabilidade muito grande. Entretanto, a criança, o adolescente, o jovem, ele também é impactado pela ação climática, pelas questões, as mudanças climáticas hoje no dia a dia. E aí a gente, essas essas crianças, esses adolescentes, esses jovens, eles, eh eles não são um modelo a vir a ser algo. Eles não estão eles não são um vir a ser alguma coisa, eles já são algo no presente. E parte de nós eh mediarmos os mediarmos junto com eles e aí não é uma responsabilidade só nossa. não responsabilidade só deles, mas mediarmos junto com eles num processo de escutativa, de participação, de construção de conhecimento para que novas oportunidades aconteçam. Então, existem inúmeros jovens adolescentes espalhados no Brasil que fazem parte de coletivos que eh estão junto nas artas comunitárias, que fazem ações de de desenvolvimento de consciência ambiental, que trabalham em prol da comunidade. Já existe muitas dessas pessoas, né? E uma coisa que eu aprendi muito é que em todo o território existe pelo menos uma pessoa que está fazendo algo. Talvez a gente só não conheça. E aí cabe a gente querer procurar ou não essas iniciativas. Exatamente, Felipe, muito obrigada pela participação, pela conversa aqui conosco e por nos apresentar um pouquinho mais sobre esse trabalho que tá sendo realizado. Muito obrigado vocês. Tenham um bom dia. Agradeço também a sua audiência por ter nos acompanhado até aqui em mais um Giro Ambiental. Continue conosco que agora você vai conferir as curiosidades e informações do meio ambiente. Até mais. Imagens mostram turistas sentados sobre um tijolo com as pernas cruzadas, enquanto um enorme tigre se aproxima por trás e coloca as patas sobre seus ombros com ajuda de tratadores de um zoológico privado. Os tratadores aparecem apreensivos e deixam o tigre sozinho por alguns segundos. Tempo suficiente para que um fotógrafo faça os registros. Quando o animal movimenta a cabeça, os funcionários retornam imediatamente com uma madeira de leite para distraí-lo. A ONG Internacional Environmental Investigation Agents recomenda que turistas na Tailândia evitem estabelecimentos que ofereçam interação ou fotografias com tigres.