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Giro Ambiental | Veranico
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Giro Ambiental | Veranico

63 views Publicado 21/08/2026 HD · 18:04
Resumo editorial

Explica o fenômeno do veranico e suas características em períodos de outono e inverno. Aborda a relação com mudanças climáticas e possíveis impactos do El Niño. Oferece orientações de prevenção e cuidados à saúde durante períodos de calor extremo.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

O meteorologista Bruno Bainy, do Cepagri/Unicamp, explica que o veranico é uma sequência de três a cinco dias com temperaturas bem acima da média para o outono e o inverno: em agosto, por exemplo, a máxima costuma ficar perto de 27°C, e ultrapassar 30°C por dias seguidos já caracteriza o fenômeno. Segundo ele, bloqueios atmosféricos impedem a passagem de frentes frias e mantêm o ar quente e seco sobre a região, efeito que tende a se intensificar com o passar dos dias.

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É comum associar o inverno a dias frios e temperaturas mais baixas, mas em alguns períodos o cenário muda, o calor aumenta, o tempo fica mais seco e as temperaturas sobem além do esperado para a época. Esse fenômeno é chamado de veranico. Você já ouviu falar? No giro ambiental de hoje, vamos entender porque essa mudança acontece, quais impactos pode trazer e qual a relação entre os veranicos e as mudanças climáticas. Quem explica tudo pra gente é o meteorologista Bruno Baini, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura, o CPAGRE da Unicamp. Bruno, seja muito bem-vindo ao Giro Ambiental. Olá, muito obrigado. Eu que agradeço o o convite, a oportunidade de participar. Bruno, para começar, eu queria que você explicasse para quem tá em casa o que é exatamente um veranico. Então, o veranico, ele é caracterizado por um período, né, uma sucessão de dias eh com temperaturas acima da média para aquela época do ano, né, entre 13 e 5ºC acima da média prépa do ano. E geralmente ele se configura nos meses mais frios, né, de outono e de inverno. ele não tem uma intensidade tão grande quanto eh as ondas de calor, mas ele ainda assim é é um fenômeno que tá atrelado a temperaturas elevadas que podem causar um impacto pra população, certo? E quais condições precisam ser registradas para que um período de calor seja considerado um veranico? tem que ser especificamente no inverno e no outono. Tem dias eh que ele acontece para contabilizados para caracterizar esse fenômeno. Uhum. Bom, a gente precisa ter no mínimo três a cco dias, né, de ocorrência, de persistência desse fenômeno. Ou seja, não é só um dia quente que a gente tá considerando. E e aí a faixa de temperaturas, ela é relativa à época do ano, né? Então, eh, nos meses de inverno, a gente precisa ter temperaturas não tão altas para já caracterizar, ao passo de que em em outros meses, estações de transição, verão, a gente teria um período eh temperaturas um pouco mais elevadas, porque a média para essas épocas do ano é um pouco mais alta. Então, por exemplo, pro pro mês de agosto, né, a gente tem a média de temperatura máxima em torno de 27º, né? Quando a gente tem uma uma sucessão de dias com temperaturas acima de 30º, eh, a gente já poderia configurar um veranico, sim, né? Então, eh, é assim que a gente eh caracteriza, né? E claro, eh, a gente não tem definições universais para esses fenômenos, eh, mas a gente acaba adotando alguns padrões regionais ou escala nacional principalmente, tá? Então, outros países, por exemplo, podem ter outras definições, critérios um pouco diferentes, mas a ideia é fazer essa caracterização, o monitoramento desses períodos com temperaturas excessivamente quentes. Entendi. E por que isso acontece exatamente no outono e no inverno, como você comentou, o que tá acontecendo na atmosfera do Brasil para acontecer essas mudanças na temperatura? Bom, o mais comum eh é da gente ter situações de bloqueio atmosférico, né? Principalmente quando a gente fala aqui no Sudeste do Brasil, eh bloqueios atmosféricos, que são sistemas que impedem a passagem de frentes frias. Eh, as frentes frias elas ajudam a fazer esse balanço na na nas temperaturas. Então, as temperaturas vão subindo, passa a frente fria, elas caem um pouco, dá aquela eh regulada. Mas a os bloqueios atmosféricos eles mantém condições de tempo persistentes em uma determinada região. E pra gente aqui, esses bloqueios costumam eh ocasionar a a atuação de massas de ar quente e seco, a ausência de de precipitação e conforme esse bloqueio vai persistindo, essas condições tendem a ir se intensificando. Então, a gente pode eh ter esses veranicos, eles começam com uma magnitude e eles podem se amplificar com o decorrer do tempo. Entendi. E o veranico também ele é caracterizado por tempo seco. Isso também é uma característica desse fenômeno. Isso costuma estar atrelado a um tempo seco, embora eh a a ocorrência de chuvas ou não faça parte da definição. Em alguns momentos a gente pode ter um veranico se tiver alguma umidade suficiente, às vezes tem algumas pancadas isoladas ou até mesmo temporais. Eh, mas em geral a predominância é de tempo seco, né? Esse calor fora do esperado, o tempo seco também combinado, essas duas eh características podem trazer impactos pra agricultura, paraa produção rural. Isso também acontece? Sem dúvidas. Sem dúvidas, porque e e não só paraa agricultura, né, mas eh pegando esse esse gancho da agricultura, todos os cultivos agrícolas eles eles dependem das condições de tempo e dependem da climatologia. Então, a gente tem regiões que são mais aptas a ao plantil de determinado cultivo. E esse cultivo ele tem seus vários estágios, né, desde a brotação, né, plantil, brotação, floração, a até, né, o o o ciclo completo, a colheita. Eh, e em todas essas essas essas etapas, eh, a meteorologia, a climatologia, elas são fundamentais, né? ocorrência de chuvas da as temperaturas elas precisam estar dentro de uma faixa correta para cada período desse ciclo, né? Então, eh, é muito comum da gente ter uma sensibilidade maior e ao calor na fase de floração. Então, a gente sabe que tem alguns cultivos que, se estiverem na fase de flor, pouco antes, né, de desenvolver o fruto e a temperatura chegar ou superar determinado lar, essa essa flor ela pode secar e aí isso causa uma redução na produtividade ou até uma quebra de safra, dependendo da magnitude do evento. Então, é algo que é importante e acompanhar, monitorar e prever também para que possam ser tomadas medidas adequadas para mitigar os impactos quando possível. E Bruno, quando a gente tem vários dias de calor, né, no inverno, é comum as pessoas confundirem o veranico com as ondas de calor, que você falou que são fenômenos diferentes. Quais as principais diferenças entre os dois? Pra gente explicar pro público também. Bom, as ondas de calor elas são mais intensas. Eh, a gente precisa ter uma anomalia maior na temperatura, ou seja, um desvio maior na temperatura. Eh, então ela elas são mais fortes, mais intensas, eh são mais graves, né, em termos de consequências que podem ter. E elas costumam acontecer mais no período de primavera e de verão, quando a gente tem maior incidência de radiação solar e quando as temperaturas já são mais altas, né? Então, a gente já tem temperaturas máximas entre 28 e 30ºC nessa época. Então, as ondas de calor, elas precisariam ter temperaturas aí eh persistentes, né, por por alguns dias de pelo menos 3 a 35º, o que é algo bastante eh pronunciado, né, aqui na região de Campinas. E é possível eh ter um veranico e uma onda de calor acontecendo ao mesmo tempo? Em que situação isso poderia acontecer? Não é possível, eh, porque os critérios são exclusivos, né? Então, eh, o critério do do veranico é anomalia de temperatura de 3 a 5º e da onda de calor é anomalia de temperatura a partir de 5º. Eh, mas o que a gente pode ter em algum momento, né, seria uma uma evolução. É algo que começa como um período anomalamente quente, que a gente poderia classificar como um veranico. E se persistir e intensificar, ele pode acabar eh cominando em uma onda de calor. Eh, embora isso seja menos provável, né, até pela questão das épocas do ano, a sazonalidade, mas nessa época, eh, especialmente na transição, né, a primavera, isso pode pode ocorrer, sim. Entendi. E a gente combinou comentou, né, que o Veranico ele abaixa a umidade do ar também. eh, costuma acontecer isso. a gente comentou sobre os impactos disso na agricultura, mas isso também pode trazer consequências eh pro corpo humano eh nesses dias de baixa umidade, certeza, porque as as temperaturas mais altas e a baixa umidade combinadas eh elas favorecem a desidratação e favorecem e outros sintomas, né, o desconforto e até podem agravar casos médicos, comorbidades. Então, e é importante a gente sempre trazer isso, eh, quando tá falando da previsão do tempo, eh, porque para as pessoas saberem que algum desconforto que elas possam ter ou talvez algum quadro de saúde que elas têm alguma comorbidade pode se agravar em virtude disso e pode exigir medidas, claro, acompan eh acompanhadas, né, pelo apoio médico da área da saúde. É, em alguns casos mais leves, a gente há medidas que a gente pode fazer em casa, umidificar ambientes, eh utilizar de recursos para amenizar as temperaturas altas, uso de soluções fisiológicas, né, nas nas mucosas e bastante ingestão de água. Isso é tranquilo, mas em alguns casos pode ser necessário eh acionar algum eh serviço de saúde para avaliar, né, os impactos disso, especialmente para pessoas que já têm comorbidades, para pessoas mulheres grávidas, por exemplo, também, né, crianças, idosos, essas faixas etárias mais vulneráveis também. E esse tempo mais seco também quente pode representar risco também pro meio ambiente? Existe, por exemplo, um aumento de queimadas e outros impactos? Com certeza, né? E aí a gente vê como que a a atmosfera ela na verdade influencia todas as nossas atividades, todas as nossas áreas, né, da eh da nossa vida. Então, sem dúvida nenhuma, quando a gente tem temperaturas altas e umidade baixa, isso favorece a evap transpiração, que é a perda de umidade das plantas e do solo. Eh, e isso deixa a vegetação mais suscetível aos incêndios. Fica mais fácil de de ter a ignição, de pegar o fogo inicialmente, né, e também desse fogo se alastrar. Eh, e quanto mais eh prolongado for esse período, eh, mais, eh, suscetível e a a o ambiente está essas queimadas. E o Veranico, ele também tem relação com as mudanças climáticas? Eh, tem alguma eh relação entre essas duas coisas? Eles se tornam mais frequentes por conta das mudanças climáticas atuais? Sim, com certeza, né? e e para boa parte do do planeta, isso é evidente, já incontestável. eh esses picos de calor eh tanto na questão da magnitude deles, né, ou seja, a intensidade do calor, quanto no seu na sua duração, né? Então, ondas de calor ou veranicos mais recorrentes, mais intensos, mais prolongados, eh a gente já tem essas evidências de que isso já vem acontecendo e a projeção é que isso possa piorar ainda nas próximas décadas devido às mudanças climáticas. E olhando assim pros próximos meses, né, o que os modelos climáticos climáticos indicam? Existe expectativa para períodos mais quentes, como você mencionou agora? Porque a gente também tem ouvido muito falar sobre a possibilidade de um super Elninho pros próximos meses. Como que tá o cenário também? É uma ótima pergunta. E e o Elninho ele já tá estabelecido e tá ganhando intensidade e ele deve se intensificar ao longo do semestre, agora segundo semestre de 2026. Eh, e pro sudeste brasileiro, boa parte do Brasil central, ele favorece temperaturas mais altas acima da média, isso a longo prazo. Eh, e a forma com que essas temperaturas acima da média costumam se manifestar é através de ondas de calor, principalmente nos meses de primavera e de verão. Então, a gente precisa est ciente dessa possibilidade eh e buscar formas já antecipar formas de mitigar esses impactos. Então, a gente tem essa expectativa sim de que nos próximos meses essa situação ela possa ser se tornar recorrente. Bruno, diante disso, quais principais cuidados que a população deve ter eh durante esses períodos de calor, de baixa umidade do ar? O que que precisa ser feito? Bom, hidratação regular, constante, abundante, né? Adultos, pessoas eh que são mais ativas, principalmente crianças e idosos, muitas vezes não pedem água, né? Então é importante aumentar a oferta. É importante também destacar que não é todo tipo de bebida que é que hidrata, né? Tem algumas bebidas que podem favorecer a desidratação, a perda de líquidos, né? diuréticos, por exemplo. Então, isso é importante se atentar também a prática de exercícios físicos eh e de atividades pesadas muitas vezes, eh, tem a ver com o próprio trabalho da pessoa, né? Então, evitar fazer nas horas mais quentes do dia, principalmente entre o final da manhã e o final da tarde. Eh, é, a gente costuma ter a a temperatura mais alta e a umidade mais baixa por volta das 3, 4 horas da tarde. Então, esse é o pico do calor. Mas mesmo durante todo o período da tarde, até umas 5 horas, a gente costuma ter valores bastante elevados também. Então, reduzir isso, eh, buscar sempre, eh, transitar debaixo de sombras, evitar exposição prolongada ao sol, eh usar roupas confortáveis, roupas leves que favoreçam a a transpiração, que favoreçam também a a troca de calor com o ambiente, né, no sentido de aliviar a de não reter o calor corporal e eh prestar atenção aos sintomas do corpo. desconforto, moleza, em alguns casos tontura e náusea, né, que pode ser mais mais grave e qualquer sintoma, qualquer desconforto que possa parecer muito intenso, importante buscar apoio médico, porque eh é uma curiosidade assim que anualmente mais pessoas morrem em decorrência do calor do que de tempestades, embora seja mais difícil, porque a tempestade ela acontece de forma muito pontual, ela é muito evidente, eh ocorre durante um curto intervalo de tempo e o calor ele vai chegando aos poucos, ele se estabelece, ele persiste, ele se intensifica, né? E e não é aquele fenômeno rápido, curto, né? Mas ele acaba causando um excesso de mortes, eh, né? Então, é importante as pessoas estarem cientes disso e não minimizarem os possíveis impactos que que esse calor excessivo pode ter na sua saúde. Bruno Baine, muito obrigada pela participação, por ajudar a gente a entender melhor esse fenômeno que é o Veranico. Eu que agradeço, contem sempre conosco e até a próxima. Eu agradeço também a sua companhia nesse giro ambiental e até o próximo programa. Pesquisadores da Universidade de Bristol descobriram que as borboletas tropicais da tribo Helicônios conseguem viver até 25 vezes mais que outras espécies nativas das Américas Central e do Sul, elas chegam a atingir quase um ano de vida sem apresentar riscos de declínio físico. O estudo monitorou a espécieus reutson que alcançou impressionantes 348 dias de vida. enquanto uma parente próxima viveu apenas duas semanas. A longevidade extrema dessa linhagem representa um caso raro de resistência ao envelhecimento na natureza. Para testar a vitalidade dos insetos, os cientistas avaliaram a força física das borboletas ao longo do tempo. O resultado mostrou que os indivíduos idosos mantiveram o mesmo desempenho dos jovens, ao contrário das espécies comuns que enfraquecem rapidamente.
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