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As mudanças climáticas já fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas. E em Campinas, uma pesquisa realizada pela organização em movimento Minha Campinas e assessoria técnica da rede conhecimento social, AECOS, com o investimento da Fundação FEAC, mostrou como o calor extremo, as enchentes e a falta de água tem impactado a vida dos jovens, especialmente nas periferias da cidade. E para falar sobre esse diagnóstico, recebemos a coordenadora de projetos da Fundação FEAC, a Joice Setúbal. Seja muito bem-vinda ao Giro Ambiental. Joyce, bom dia. Obrigada. Para começar, eh, o que chamou a atenção da Fundação FEAC e o que fez fez vocês decidirem investir nesse projeto também? Então, eh, a pesquisa, ela nasceu principalmente da necessidade da gente ouvir diretamente a juventudes aqui de Campinas sobre um tema que costuma ser discutido apenas relacionado aos dados ambientais, né? A gente queria entender como que os jovens de Campinas eles vivem no dia a dia essa crise climática que eles percebem, né? Muitas vezes a partir dos resultados da pesquisa eles não conseguem nomear, mas eles vivem, né, dia a dia os desafios dessa crise climática. Eh, a nossa intenção foi justamente olhar para essa perspectiva dos jovens, né, ouvir os jovens a partir dessa dessa perspectiva, eh entender inclusive quais são os desafios e as percepções relacionadas à crise climática e ao futuro dessas juventudes, buscando, inclusive compreender, né, e evidenciar eh como que as crises climáticas estão relacionadas às desigualdades sociais, as as desigualdades raciais e ambientais. É, o estudo ele tem um título que reúne juventude, raça e mudanças climáticas, como você falou um pouco. É, porque é importante relacionar esses três temas em uma mesma pesquisa. Eh, justamente porque a nossa lupa específica dessa estratégia, eh, e o próprio os próprios resultados da pesquisa, eles eles evidenciaram que as crises climáticas elas estão sim relacionadas, né, às desigualdades sociais. aos territórios, aos ambientes mais vulnerabilizados e como essas crises climáticas elas afetam de forma diferente as pessoas a partir das raças, do gênero, dos locais onde moram. Então essa intersecção, né, entre juventudes, raças e mudanças climáticas foi justamente para evidenciar essas desigualdades no enfrentamento das crises. E falando um pouco mais sobre os dados eh que trazem a pesquisa que ela que revelou, eh o que chama atenção é que também mais da metade dos jovens afirmam que a crise climática influenciam a expectativas com o futuro, como você adiantou um pouco, e muitos até repensam eh o desejo de ter filhos. O que esse resultado revela sobre essa insegurança dos jovens com a realidade atual? Hum, tem uma percepção que foi muito eh afirmada, né, pela pelos resultados da pesquisa em relação inclusive à esperança desses jovens, né, o como as crises climáticas e as desigualdades sociais elas estão atreladas diretamente com os projetos de vida dessas juventudes, né? Então, quando a gente olha para perspectivas de futuro, quando a gente olha eh para as composições das famílias, quando a gente olha pros territórios, a gente vê o quanto isso eh diretamente afeta esses jovens nessa construção dos seus projetos de vida. Eh, a pesquisa também mostra inclusive dentro desse recorte, né, da falta de esperança e de como isso tá influenciando os projetos de vida desses jovens, um recorte específico relacionado às mulheres, eh, que na percepção de mulheres dentro desses territórios, principalmente mulheres negras, tem uma percepção eh menos aberta em relação a esse projeto de vida, considerando inclusive a perspectiva de ter filhos, porque também tem uma demanda histórica, né, um histórico em relação ao cuidado, né, responsabilidade e cuidado dessas mulheres, eh, em relação às suas famílias e em relação às crianças, idosos. Então, eh, diretamente afeta essa construção aí de um projeto mais longo. E como eu falei um pouquinho no início, né, que essa preocupação com as mudanças climáticas já não é algo mais distante, já está presente no nosso dia a dia. Eh, como isso na prática afeta os jovens, eh, como a pesquisa daqui de Campinas, como afeta os jovens aqui da cidade? E esse foi um resultado bastante importante, né? né? A gente tinha uma percepção, quando a gente fala sobre crises, crises climáticas e meio ambiente, de algo muito relacionado ao futuro, de como isso pode impactar o futuro. E os resultados da pesquisa mostraram que isso já acontece no dia a dia. Esses jovens já estão enfrentando desafios relacionados às crises climáticas no seu dia, no seu cotidiano. Então, muitos deles eh relataram, né, eh a questão de mobilidade urbana, a questão de falta ao trabalho ou a escola por conta de enchentes ou de muitas chuvas, a própria sensação de calor quanto afeta a saúde desses jovens. Então isso já está acontecendo hoje, né? Então um dos principais resultados dessa pesquisa, ele mostra que o que a gente precisa construir são estratégias e soluções que não pensem só no futuro, né? mas como a gente começa hoje a enfrentar esses desafios percebidos por essas juventudes para que também no futuro isso seja minimizado? E você falou um pouco do calor extremo, que é um dos apontamentos dos jovens, eh, e também uma das principais dificuldades, já que as escolas, né, da rede pública estadual não possuem ar condicionado, ventiladores adequados também. Isso atrapalha o desempenho no ensino? Com certeza. A pesquisa não chegou a esmiuçar a a questão da vivência nas escolas de uma maneira mais direta, eh mais a percepção das ondas de calor, dessa da das ilhas de calor nos territórios, nos ambientes, a falta de estrutura, eh, na educação, em outros espaços, não exclusivamente eh na sala de aula, com certeza afetam o desempenho escolar. Eh, e não só o desempenho escolar, como a questão de saúde, né? muito trouxe também da pesquisa o quanto tá relacionado às questões respiratórias, enfim, até questões de saúde mental. Sim. E os entrevistados também relataram problemas com falta de energia, eh quedas de internet também, dificuldades, como você citou, eh transporte público, de que forma essas situações ela acabam aumentando as desigualdades? E muito se fala sobre meritocracia, né? como que a pessoa consegue eh ir paraa universidade, conseguir um bom emprego com essas desigualdades? Exatamente. Eh, uma das questões da pesquisa mostra que essas juventudes em Campinas, muitas delas, principalmente relacionado a gênero, raça, elas conhecem, elas vivem os desafios climáticos, mas não necessariamente eh conhecem o termo técnico, vamos dizer assim, né? Então, quando a gente fala sobre crise climática para essa população, elas percebem através daquilo que elas vivem, que é exatamente isso, né? A questão de mobilidade, a questão de saúde, as enchentes, a falta de energia, a questão da internet. Então isso tá completamente relacionado aonde ela está e quem essa juventude é. Eh, então essa solução, vamos dizer assim, pro enfrentamento aos desafios climáticos, ela não pode estar não relacionada com a as desigualdades sociais. E outro ponto interessante também é que muitos dos entrevistados reconhecem os problemas ambientais, mas ainda tem dificuldades para enxergar formas de como participar, cobrar soluções também do poder público. Por que isso acontece? Eh, nós percebemos ali a partir também dos resultados essa essa necessidade de investir mais eh em educação ambiental dentro das escolas, das organizações. Inclusive, uma das estratégias, né, para além da pesquisa, foi fortalecer as organizações sociais aqui de Campinas que trabalham com juventudes sobre a temática para que elas também fossem eh sejam capazes de formar esses jovens, né, sobre o tema, sobre as soluções, levar pros territórios tanto os desafios como trazer desses territórios as soluções para as crises climáticas. é um trabalho integrado. Então, com certeza, a educação ambiental é um tema que precisa ainda ser eh difundido aqui em Campinas, né, e fortalecido para que a gente possa enfrentar esses desafios, certo? E esse levantamento também mostra diferenças entre as regiões de Campinas. A gente já falou um pouco sobre eh regiões periféricas eh serem atingidas eh de uma forma mais forte, mas como que isso acontece na prática? essas regiões eh mais vulnerabilizadas, elas estão mais expostas a enchentes, a as ilhas de calor, a os eventos climáticos mais intensos. Então, foi nessa medida e a partir também desses resultados que a gente começa a identificar de fato que esses lugares, né, essas regiões mais vulnerabilizadas, elas estão mais expostas eh às crises climáticas e aos eventos extremos, né? Sim. Eh, e também tem, a gente falou um pouco no giro ambiental aqui, eh, sobre como o calor extremo ele também atinge as regiões periféricas, eh, de uma forma mais intensa, porque eh nessas comunidades o calor é sentido de outra forma. Uhum. tem uma questão estrutural, né, eh, da falta de estrutura, né, nesses territórios, mas também dessa densidade em relação à composição familiar, né, as casas, casas menores com uma maior quantidade de pessoas. Então, o calor ele é percebido de uma maneira diferente. E você falou que é desse cuidado, né, que as pessoas eh necessitam dentro desse cenário de desastres ambientais um cuidado maior com as famílias dentro de casa. Isso acaba recaindo mais sobre as mulheres, já que socialmente eh elas que têm esse papel de cuidado. Exatamente. Tem uma um histórico, né, desse dessa responsabilidade paraa mulher dentro desse processo de cuidado com a família, com os idosos, com as crianças. E por isso também elas foram apontadas ali quando a gente fala sobre a questão dos projetos de vida relacionado à juventudes, que são as mulheres que têm uma tendência maior ali a repensar os seus projetos de vida e até a questão da da quantidade de filhos, se terão ou não filhos e construir essa perspectiva muito relacionado a essa responsabilização, né? E um outro dado também mostra que 68% dos entrevistados acreditam que pessoas pobres e pessoas ricas sofrem os impactos dessas mudanças de formas diferentes. Então isso é uma percepção que a própria própria população já consegue perceber também. Já já consegue perceber e muito por conta dessa eh nós entrevistamos eh 600 jovens aqui na região de Campinas, né? eh e jovens de diferentes classes, tanto faixa etária, questão de gênero, mas também nesses ambientes territoriais. Eh, isso é muito conectado à própria vivência das crises climáticas. Então isso já é muito percebido e aí a pesquisa também evidencia essa questão justamente porque no dia a dia pessoas ricas e pessoas pobres eh vivenciam as crises climáticas de maneira diferente. E na sua visão, Joyce, eh como que esse estudo ele pode contribuir paraa formação de políticas públicas nesse sentido aqui na região de Campinas? Eh, como eu falei, eh, isso ficou muito evidente na pesquisa, mas também foi um direcionador, né, olhar para as dinâmicas ambientais, as crises ambientais relacionadas às desigualdades sociais, justamente para entender que o enfrentamento a esses desafios precisa de uma política articulada, eh, e uma política articulada com todos os os com todas as pessoas, né, toda essa rede que compõe o território, tanto o poder público como as organizações. as empresas, principalmente no que está relacionado à responsabilidade ambiental. Então, são respostas que precisam ser eh construídas com estratégias articuladas para que, de fato, a gente consiga uma transformação inclusive dessa percepção das juventudes, não só percepção, né, mas da vivência dessas juventudes na realidade, no cotidiano desses desafios climáticos. Exatamente. Jais, muito obrigada pela sua participação aqui conosco no Dir Ambiental. Algo mais que você queira acrescentar? Acho que eh para quem tiver interesse em conhecer a pesquisa mais profundamente, pode acessar o site www.enmovimento.org.br. BR. Foi uma iniciativa aqui da Fundação FIAC, com esses parceiros que você mencionou eh no começo da entrevista, mas lá também tem todas as informações da pesquisa e também um caderno formativo para as organizações que participaram e também tá disponível para quem quer saber mais sobre o tema e como também levar esse tema para juventudes aqui de Campinas e outras regiões. Perfeito. Mais uma vez, muito obrigada por trazer pra gente mais detalhes e informações sobre essa pesquisa tão importante. Eu que agradeço. Agradeço também a sua audiência. Continue conosco que agora você acompanha as curiosidades e informações do meio ambiente. Até o próximo Giro Ambiental. Uma revisão científica publicada na revista Natural Reviews Biodiversary revelou que 51% das espécies de aves migratórias do planeta estão em declínio populacional. Conduzido por instituições como a Universidade de Georgeton e o Instituto Smithsonian, o estudo alerta que a falta de ações de conservação eficazes tornará novas extinções inevitáveis. O levantamento reuniu décadas de dados globais e destacou que até mesmo espécies antes consideradas comuns vem enfrentando perdas expressivas de indivíduos. O cenário revela que a degradação das rotas migratórias é ainda mais ampla do que indicavam os registros oficiais de espécies ameaçadas.