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Giro Ambiental | El Niño Muito Forte
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Giro Ambiental | El Niño Muito Forte

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O pesquisador Caio Coelho, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do INPE, explica por que o El Niño pode evoluir para um Super El Niño até o fim do ano. Ele detalha o aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial, o enfraquecimento dos ventos alísios e os efeitos opostos no Brasil: seca no Norte e no Nordeste e mais chuva no Sul, em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

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Olá, está começando mais um Giro Ambiental. No programa de hoje vamos falar sobre o Elinho, que pode ganhar força nos próximos meses e chegar a uma intensidade considerada muito forte até o fim do ano, sendo chamado de superel ninho. As previsões indicam que o Brasil pode enfrentar mais calor, alterações no regime de chuvas e agravamento de secas em diferentes regiões. Mas o que explica esse cenário? Quais serão os possíveis impactos para o Brasil e o que pode ser feito para reduzir os riscos? Para responder essas e outras perguntas, eu converso agora com Caio Coelho, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o IMP. Cai, seja muito bem-vindo ao Giro Ambiental também. Muito obrigado. Eu que agradeço. Obrigado pela oportunidade. Aí para começar, eh, vamos começar pelo básico. Eu queria explicar, eh, para quem tá em casa o que é o Elninho e também o que caracteriza esse fenômeno. O Elninho é um fenômeno de variabilidade climática natural que ocorre na região do Pacífico Equatorial e ele é caracterizado quando ocorre o aquecimento anômulo das águas da temperatura da superfície do mar na região próxima ao Equador. E quando isso ocorre, existem alterações nos padrões de circulação atmosférica, porque ele acaba se tornando um fenômeno oceânico atmosférico, isso gera eh alterações não somente lá na região do Pacífico Equatorial, mas em regiões remotas, inclusive aqui na nossa região no Brasil. Então, eh, com aquele aquecimento que ocorre lá na no Pacífico Equatorial, em geral, a pressão atmosférica reduz naquela área e os ventos que normalmente sopram da porção leste do Equador em direção à Austrália, ele começam a ficar mais fracos ou até reverter a sua direção. E isso é altera o padrão de circulação atmosférica e as águas que normalmente são empilhadas lá próximo à região da da Austrália, por esses ventos que sofram de leste para oeste, com esse enfraquecimento dos ventos conseguem migrar, essas águas são mais quentes que o normal e chegam ali na região do Pacífico central. E aí que a gente começa a ver o desenvolvimento do Elnim. E quando isso ocorre ali na região do Pacífico Equatorial, eh começam a se desenvolver eh nuvens mais eh robustas do que o normal, eh tipo nuvens profundas de tipo torre e alteram a circulação no sentido que o ar sobe ali sobre a região aquecida, eh alimenta a formação dessas nuvens profundas, ele sobe até o topo da atmosfera e ele diverge. Ele a parte do ar para leste em direção à América do Sul e a outra parte vai para oeste em direção a Austrália. E chegando nessas duas regiões, ele desce. E quando ele desce, ele desfavorece a formação de chuvas. E essa é uma das características do Elnim na região equatorial, tanto lá na Austrália quanto aqui no norte da América do Sul, inclui o norte do Brasil e parte da região nordeste do Brasil, acabam sendo afetadas com a deficiência das chuvas, porque essa circulação que é alterada desfavorece a subida do ar, que é o que favoreceria a formação das nuvens. essa grande torre que é gerada lá naquela região, ele ela eh funciona como se fosse uma uma grande perturbação numa piscina de de ar, que um oceano de ar, que seria a atmosfera, por uma grande pedra, que seria essa perturbação, essa torre de nuvens. E ela vai gerar ondas atmosféricas que além dessa circulação que eu descrevi na região que vai lá pro norte do Brasil e paraa Austrália, geram ondas que se propagam pro hemisfério sul pro hemisfério norte atmosféricas. E essas ondas alteram o padrão de circulação na região sul do Brasil também. E ali na região do sul do Brasil, o contrário da região tropical, a circulação atmosférica é favorecida para que formem nuvens e os sistemas frontais fiquem estacionados mais ali no sul do Brasil, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, próximo do Paraná. Então favorece as chuvas ali no no sul do Brasil. Então eu tem essas duas facetas aí do Elnim, né? O trópico seca na aqui no Brasil e a região sul fica mais úmida com mais chuvas. E cai ninho, ele já é um fenômeno eh conhecido há muito tempo. Ele não é um fenômeno recente, correto? Sim, ele já é conhecido há muitos anos, né? Ele foi eh documentado pelos pescadores do Peru, né, na costa do Peru, que notavam que próximo à época do Natal, né, por isso ele chamado de ninho devido ao à chegada do menino Jesus próximo ao Natal, que as águas ali naquela região eh aqueciam anômalamente, né, que normalmente elas são mais frias do que o normal, que quando os ventos sopram para fora ali da costa do do Equador e do Peru, eles favorece com que surjam águas mais frias, ricas e nutrientes para ali pra costa do Peru. E quando ocorre o ninho, essa abordagem de favorecimento de surgimento de águas nutrientes, ela é reduzida. E eles começaram a notar isso e perceberam que em algumas épocas do ano, em perto do Natal, eh quebrava esse processo. E aí eles batizaram esse fenômeno como eh, então ele já é conhecido há há mais de séculos, né? eh em função desse dessa dessa observação que começou pela atividade humana ali na região da Costa do Peru da pesca que ficava prejudicada com águas menos nutritivas paraa pescaria. Então não é um fenômeno eh atual, né? ele já é muito conhecido há muitos anos e depois a ciência veio para observar ele de uma forma mais detalhada, com dados eh científicos e boias que são colocadas ao longo da região do Equador para medir, né, para esse aquecimento e tentar antecipar eh pelo menos por com alguns meses a chegada desse tipo de aquecimento. Entendi. Então ele já é um fenômeno conhecido, mas podemos dizer que eh ultimamente, nos últimos anos, ele tem se tornado mais frequente, mais intenso. É o que pode explicar isso também? Assim, ele tem uma pericidade da ordem de 2 a 7 anos de recorrência. Isso não tem mudado tão drasticamente. O que tem ocorrido é que eh em conjunto à ocorrência do El Ninho, a gente tem também o o fenômeno na de variabilidade antropogênica, né, que é no caso a introdução de gasos e efeito estufa pelo ser humano na atmosfera. Isso combina esse aquecimento eh global com a atuação do Elninho, quando eles têm interferência eh pode favorecer a ocorrência de eventos extremos mais importantes. Então, o que tá ocorrendo hoje é a continuidade da ocorrência do fenômeno de variabilidade natural. Mas sobreposto a isso, a gente tem a variabilidade e a variabilidade não, o efeito antropogênico do ser humano que acaba alterando a concentração dos gases da atmosfera e os padrões de circulação acabam ficando mais intensificados, né? Então, é um um intensificador, além da variabilidade natural, a questão do aquecimento global, que então favorece aí esses fenômenos serem sentidos de uma forma um pouco mais importante. Você já falou amplamente sobre o eho quando falamos em super e ninho ou éinho muito forte, o que que isso representa na prática? Eh, principalmente quando falamos aqui do Brasil? Então, eh, a questão da intensidade do fenômeno, ela é medida pelos índices de, eh, temperatura que ele atinge na região central do Pacífico Equatorial. E isso precisa persistir por um período de alguns meses para poder ser classificado como ou forte ou muito forte ou outras categorias. Eh, o que eh tem que ocorrer para ele chegar numa categoria muito forte, que é o que que o atual tá chegando, é a temperatura superar 2º por um período de vários meses, por pelo menos eh cinco trimestres consecutivos, eh que a gente mantenha essa essa esse esse aquecimento nesse nível. No momento a gente tá com Eloninho na intensidade de uns 2º, 2,5. Eh, mas isso ainda não persistiu por esses seis, 5, se meses. Então, a gente vai ter que aguardar até final do ano, início do ano que vem, para conseguir realmente eh classificar ele como ou forte ou muito forte. Se ele persistir por esse longo período com valores acima de 2º, vai ser classificado como muito forte. Se ele for abaixo disso, que eu acho que não vai ser, né? provavelmente vai ser um aninho muito forte. Aí a gente tem essa classificação. Então é é essa que é a forma científica, né, que a gente tem de como medir e a intensidade e a classificação do fenômeno. Então aqui no nosso país, esse super éuninho que nós estamos comentando, ele vai ser sentido eh até o fim desse ano, provavelmente até o início do ano que vem. Tem vai ter algum pico que vai tá mais intenso? Isso. Ele ele tá previsto para atingir o seu ápice por volta de dezembro, janeiro e aí tem a previsão de que ele tenha a o decaimento. E já a partir de agora, na primavera, é muito provável que a gente já comece a a notar alguns dos impactos do fenômeno aqui no Brasil, que seria essa questão da região tropical, norte do Brasil ficar mais seco do que o normal e a região sul do Brasil já começar a ter chuvas mais abundantes do que o normal e não descartando a possibilidade de eventos extremos nos dois sentidos, né? Eventos muito secos e eventos muito úmidos lá no sul do Brasil. E para ser mais palpável, para quem tá em casa, conseguir compreender, eh, quanto de máxima a gente pode atingir? Dá pra gente, eh, falar sobre isso? Eh, máximo em que sentido? Temperatura da temperatura do oceano, no caso da daqui do Brasil mesmo, quanto de máxima de temperatura a gente pode chegar de calor? Ah, tá. Então, pode haver períodos superiores a 30, 35º de algumas regiões, porque dentro da primavera e do verão, principalmente durante a primavera, é um período que ocorre a eventos de ondas de calor com períodos de mais do que 5 dias aí com temperaturas acima de lumiares superiores a anomalias de 5 ou mais graus. Então isso pode ocorrer, eh, mas assim, precisar exatamente quais são seus valores, só acompanhando mesmo as previsões de mais curto prazo, né? Quando a gente vai vendo previsões paraos próximos dias, paraas próximas semanas, para ter uma noção da intensidade desses fenômenos, o que a gente pode adiantar é que a gente espera que ocorra algum tipo de fenômeno nesse sentido, principalmente nas regiões onde é previsto que o clima se mais seco, né, na região central e norte do país, certo? Então, no caso, a gente pode afirmar que esse superinho ele vai ser sentido de formas diferentes em determinadas regiões do Brasil, como você falou um pouco eh mais no início, no norte, no nordeste vai ter mais seca e no sul vai ter mais chuvas, chuvas mais intensas. É, a questão é quando se acumula nesses períodos de alguns meses, aí a gente vai começar a sentir esse excesso de chuvas, né? elas não vão ser eh contínuas, mas quando acumular durante o período da primavera, por exemplo, no sul do Brasil, a previsão tá indicando que existe uma grande chance de que essas chuvas vão ser acima do que é o esperado para essa época do ano. E a mesma coisa na região tropical. Eh, como esse fenômeno vai começar a ganhar força e essas circulações que eu mencionei anteriormente já estão aparecendo de forma bem marcada, a gente já tá começando a ver a intensificação eh dessa circulação que provavelmente vai gerar essa subsidência na região tropical e favorecer as chuvas no sul do Brasil. E isso vai gerar esses esses padrões que vão atingir essas duas regiões. E o relatório divulgado pelo IMP em julho aponta que a situação eh dos recursos hídricos, principalmente no Sudeste, merece mais atenção, vai precisar de mais atenção nesse período. Qual que é o risco pros reservatórios de abastecimento? Então, essa é uma questão mais da área de hidrologia, né? Eh, sempre que ocorre eh períodos de, né, como esse, né, primavera e verão, existe essa preocupação em função do monitoramento da atual eh do atual níveis dos reservatórios, que não tá da das melhores intensidades, né, quantidades. Então é sempre preocupante porque se as chuvas não chegarem eh pode causar problemas para abastecimento humano, parte de a irrigação paraa agricultura e todos esses setores, né? Então existe essa preocupação do setor de recursos hídricos para monitorar, né, a evolução do elninho e e o nível dos reservatórios, né, e já vê os impactos que eles começam a trazer, né, se ele realmente tá secando a área que já tá com condições de déficit de chuva e com os reservatórios baixos, é preocupante. Então esse essa alerta sempre é importante paraa população eh cuidar, né, não desperdiçar a a água e os governos, né, a nível estadual, municipal e federal, fazer o seu papel também de tentar implementar as ações mais apropriadas para mitigar os possíveis impactos aí que podem ocorrer pra população. E Cai, outro outro ponto de preocupação também é o risco de queimadas durante esse período. Isso pode acontecer? Sim. Eh, existe a a preocupação, principalmente nas regiões onde a previsão indica mais provável a ocorrência de déficit de chuvas, né, e o aumento das temperaturas, que favorece, né, a ocorrência desse fenômeno que pode ser natural e também pode ser antropogênico, né? Então, eh é importante ter em mente essa questão, né? e os órgãos federais eh começarem a ajudar nesse sentido aí de passar essa informação pros estados, né, para se precaver com essa possibilidade, principalmente na região prevista com condições mais secas, né, região norte e parte do Pantanal ali também, eh, que é uma região bastante propícia à ocorrência desse tipo de fenômeno. E nesse cenário, eh, como você mencionou, né, de, eh, falta de chuvas, consequentemente falta de águas por conta disso, queimadas, isso pode afetar a agricultura e até mesmo eh a economia do nosso país? Eh, com certeza, né? esses fenômenos que alteram, né, o padrão de atuação dos das áreas de produção do país, tanto de alimentos quanto a indústria, tanto comércio que dependem, né, de alguma informação climática, vão ser impactados de alguma forma, né, se você não vai estar a condição normal, vai est ou em excesso ou em déficit de chuva e as temperaturas muito altas, isso certamente gera impactos em todos esses setores. E pra população, quais cuidados devem ser adotados eh diante desse período de calor extremo, eh baixa umidade, eh possíveis queimadas, como a gente mencionou também, que que pode ser adotado pela população para poder eh amenizar esses efeitos? É, primeiro é acompanhar, né, as informações da da meteorologia do dia a dia, né, pro planejamento das atividades do dia a dia, né, para saber se você tá se deslocando para alguma região que tá mais favorável ou menos favorável a ter uma condição de mais calor, menos calor ou de chuvas mais intensas ou um período, uma semana mais úmida ou umas período de algumas semanas mais secas para não tá em pino para uma região e sofrendo a adversidades que você não está planejando. E outra paraas pras áreas de aplicação no sentido das indústrias e do da agricultura, vê a o planejamento mais de longo prazo. aí olhando mais as previsões que que vai ocorrer durante o período da produção agrícola, da colheita e tentar se organizar de alguma forma para não ser pego eh desprevenido, né, em relação ao que pode tá sendo já antecipado agora, né, que existe esse cenário bastante claro do que pode ocorrer. Então, e todas essas empresas já devem estar se preparando aí para levar em consideração essa possibilidade de ter um sul muito úmido e outra região norte muito seca. para poder se organizar, para ver quais são as atividades que vão ser o melhor planejamento dessas atividades, certo? E existe também alguma forma eh alguma atuação do poder público, eh algo que eles já estão fazendo ou precisam fazer eh alguma ação nesse sentido? É, já tem várias esferas do governo eh federal e estadual também de vários várias regiões já com grupos de trabalho organizando eh boletins e informações para ser disseminada para todos os setores de aplicação. Então, do ponto de vista técnico e científico e político, já existe todo esse planejamento que tá sendo feito e tá sendo disseminadas informações. Inclusive a nota mais recente que nós fizemos sobre o fenômeno Neuninho é um documento que é assinado por vários órgãos do governo federal, não só do Ministério da Ciência e Tecnologia, mas de outras áreas também para ajudar nesse sentido o a nível federal e cascata paraas outras áreas dos nível estadual também e pros municípios. Caio, muito obrigada pela participação conosco aqui no Giro Ambiental, por nos ajudar a entender um pouco melhor sobre esse fenômeno, sobre o super El Ninho. Eu que agradeço. Muito obrigada. Agradeço também a sua companhia até aqui. Continue conosco que agora você vai acompanhar as curiosidades e informações do meu ambiente. Até o próximo giro ambiental. Em muitas espécies, os cuidados com os filhotes não ficam apenas por conta das fêmeas. Em alguns casos, os machos assumem [música] um papel essencial, participando ativamente da proteção da alimentação e até da incubação dos ovos. É o que acontece com o pirarucu. O macho protege e acompanha os filhotes de perto. Os pequenos nadam sobre a cabeça do pai e aprendem com ele a respirar e se alimentar. Para as zemas, a participação do macho também é fundamental. Ele constrói o ninho, incuba os ovos sozinho por cerca de 42 dias e depois do nascimento continua a proteger os filhotes por até 6 meses. Entre os pinguins imperadores, o macho enfrenta [música] uma das tarefas mais desafiadoras. Ele incuba o único ovo durante o rigoroso inverno Antártico, enquanto a fêmea sai em busca de alimento. Para sobreviver às baixas temperaturas, os machos se reúnem e se protegem do frio juntos. E no caso dos micoleões dourados, o macho é quem carrega os filhotes na maior parte do tempo. Ele só os entrega a fêmea no momento da amamentação. Não.
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