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Olá, está começando mais um Giro Ambiental. Nas últimas semanas, um tremor de magnitude 3.3 registrado na costa do Rio de Janeiro chamou atenção. Dias depois, um abalo, desta vez de Magnitude 2.1 foi registrado no litoral do Espírito Santo. Esses episódios levantaram uma questão. Afinal, o Brasil pode terremotos e porque esses tremores acontecem? Para esclarecer essas dúvidas, eu converso agora no Giro Ambiental com o geólogo e sismólogo do Centro de Sismologia da USP, José Alexandre Nogueira. José, seja muito bem-vindo ao Giro Ambiental e também muito obrigada por aceitar o nosso convite. Muito obrigado, Camila. Começar, antes da gente falar sobre esses casos recentes que eu citei, eh, o que é considerado um tremor de terra e como ele acontece? Então, o tremor de terra nada mais é do que quando você tem uma liberação das tensões que a crosta da Terra tá submetido. Então, por exemplo, os tremores são muito comuns em zonas de borda de placa, né, quando você tem limites de placa, mas eles são comum em outros lugares. Por exemplo, o Brasil tem terremotos praticamente diariamente e ele não tá numa borda de uma placa. E ainda assim, eh, esses terremotos acontecem e eles são exatamente isso, né? A liberação, eh, de uma tensão ali, de uma força que tá acumulada na região da crosta. E existe diferença entre tremor, abalo sísmico e terremoto? São grais graus diferentes? Não, muitas vezes a gente usa assim como sinônimo, né? É porque o mais assim e de forma técnica, o tremor é o que você sente quando acontece um terremoto. Então tremor é como se fosse eh algo sinestésico ali, né? Você eh sente o chão tremer e o terremoto é o próprio é o próprio é o evento em si, né? quando você tem essa liberação que eu comentei antes. Então, tremor é consequência de um terremoto. Então, podemos dizer que o terremoto ele é um mais grave. É, não, não tanto, porque pense que você tem um terremoto, por exemplo, e o tremor é aquilo que as pessoas sentem depois que acontece um terremoto, né? O o terremoto basicamente é uma rachadura na crocha da Terra. Então você racha e essa rachadura propaga ondas sísmicas e essas ondas sísmicas a à medida que elas vão viajando pelo interior da Terra, elas vão tremendo. Então quando as pessoas falam que sentiram um tremorum, um abalo, é consequência desse terremoto, né? Essas ondas que viajaram. Então muitas vezes eles estão em o terremoto ele acontece num espaço ali, né? Num ponto, por exemplo, na Terra. E o tremolho vai se propagando, assim, se irradiando eh ao longo da do da crocha ali do interior da Terra. Sim. Eh, e muitas pessoas acreditam, né, que no Brasil a gente não registra esse tipo de fenômeno, eh, um terremoto. Isso é um mito ou isso realmente é uma realidade no nosso país? Então isso é um mito. Na verdade, no Brasil a gente não tem tanta frequência quanto quanto países que estão na borda de placas, mas a gente ainda registra. E esses terremotos também eles não tm uma magnitude tão alta, né? Mas no Brasil, por exemplo, a gente ainda registra eh bastante tremoros. Hoje mesmo de manhã aconteceu um tremor de magnitude 2.8 ali próximo a Félixlândia. Então esses tremores são praticamente diários no Brasil. E falando sobre esses que eu citei no início, né, do programa, é, do Rio de Janeiro, do Espírito Santo, como que esses episódios acontecem, como que eles são explicados então, nesses tremores que aconteceram na eles aconteceram na parte marinha, né, tipo um pouco fora do continente. É, eles aconteceram ali entra numa zona de transição que o mar começa a ficar mais profundo entre a plataforma e o talú de continental, né, tecnicamente falando. Então essa região é uma região instável, que você começa a ter uma mudança de profundidade ali, passar para águas mais profundas e é comum a gente registrar eh terremotos desse tipo na borda da na costa, né, do Brasil. Entendi. E o Brasil ele tá localizado no meio de uma placa, na placa sul americana. É isso. Exato. Das bordas, das placas tectônicas. E como essa posição ela influencia a ocorrência dos terremotos por aqui, diferente de outros países, de outras realidades, tá? Eh, o Brasil é um dos países menos sísmicos do mundo, né? Acontece pouquíssimos terremotos aqui, mas ainda assim acontecem, mas eles têm baixa frequência, né? Ou seja, não acontece tantos terremotos quanto a gente vê no Japão ou em outras áreas ali no círculo de de fogo do Pacífico, por exemplo. Eh, e eles têm uma magnitude menor, mas ainda assim eles são relativamente comuns. O Japão, é, qual é a diferença da realidade do nosso do Brasil para o Japão? Porque no Japão isso acontece com mais frequência. Japão, Chile, por exemplo, também. Isso. Chile também é um país bastante sísmico, eh, bem diferente, né? Desses dois países estão no bordo de placa. O Chile, por exemplo, tá na zona de subdicção entre a placa dinástica e a placa sul-americana, que é a placa que o Brasil tá inserido. Só que o Brasil tá distante, né? Ele tá no meio dessa placa. E o Japão, por exemplo, é o país sismicamente mais ativo que que a gente tem conhecimento. O Japão praticamente tá no encontro de quatro placas tectônicas. [roncando] Então esse terremoto, por exemplo, que que teve essa semana lá de magnitude, acho que 7.1, se não me engano, eh é um dos terremotos que pode acontecer. Japão praticamente tem terremotos diariamente, né? Mais de um, inclusive, a magnitude deles é é bem expressiva, perto de cinco, seis diariamente, né? podendo acontecer terremotos até de magnitude maior. E esses abalos eles são sentidos, você falou que onde acontece um terremoto, esses abalos eles podem ser sentidos a quilômetros de distância. Por exemplo, eh acontece um terremoto no Chile, as pessoas em São Paulo acabam sentindo tremores. Pode sim acontecer. A gente tem temos relatos, né, no Centro Sismologia, a o Centro Sismologia, a gente tem uma página lá que chamada Sentiu aí, que é para pessoas relatarem se elas sentiram alguns alguns tremores, né, elas contam pra gente. Muitas vezes isso ajuda na na pesquisa da localização de eventos, cálculos de magnitude, porque no Brasil, infelizmente, a gente não tem a quantidade de licitações sismográficas que gostaríamos, né? Brasil, um para muito grande e às vezes é difícil localizar. Então, muitas vezes as pessoas ajudam a gente. Então, por exemplo, eh, em São Paulo acontece muito das pessoas sentirem tremores no Chile, porque essas ondas viajam por distâncias enormes. Então, quando chega aqui em São Paulo, né, a condição geológica de São Paulo, muito específica ali, São Paulo, tá dentro de uma bacia sedimentar que acaba amplificando eh as ondas. [roncando] Então, as pessoas que moram em em prédios mais altos, elas sentem eh esses tremores a longa distância. Por exemplo, o caso da Venezuela também eh algumas cidades ali do na região norte do Brasil sentiram, né? Belém, se não me engano, sentiu eh é bem parecido com o que acontece em São Paulo, por exemplo. Entendi. E falando um pouco sobre a Venezuela, que foi um caso recente, né? eh, bem grave, inclusive, eh, na Venezuela a as placas arquitetônicas t a mesma realidade que a gente conversou sobre eh do Japão, Chile também tá nesse segmento? É mais ou menos. O Japão você tem umas sobre do que são, né? Uma placa ela vai por debaixo da outra. Na Venezuela essas placas elas meio que raspam, elas fazem um contato horizontal. Então os o os terremotos que a gente espera na região, eles são tem uma magnitude um pouco mais baixa do que se espera em placas que colidem, por exemplo, como é o caso da do Japão ou o caso do Chile. É, mas ainda assim, né, nessas regiões, tipo que as placas é se movimenta horizontalmente, como é o caso da Venezuela ali, que você tem e na região norte a placa do Caribe, na região sul a placa sul-americana, ainda pode acontecer terremotos de magnitude grande. Você falou que fazem esse monitoramento. Tem alguma região do Brasil, algum estado que necessita de uma atenção maior eh para esses tremores mais do que outros? Sim. tem regiões sensíveis, assim, o em danos a constituições civis, por exemplo, a casas, a prédios, eh isso não é tão relevante no Brasil, mas você tem regiões de barragem, por exemplo, regiões de mineração, que são regiões sensíveis. Então, regiões onde tem muita mineração ou muitas barragens que você acumula muita água, isso gera muito estresses na crosta e acaba provocando eh maior número de terremotos. Por exemplo, em Minas Gerais é o estado hoje que a gente tem a maior quantidade de sismos, né? Quando fala sismos terremotos, você pode eh compreender como sinônimos também. [roncando] Então, regiões próximos da barragem, eh, são regiões sensíveis também, mas você tem você tem locais que a gente não tem muita dificuldade de monitorar. Por exemplo, na região norte, quase todos os estados da região norte, a gente tem pouquíssimas estações lá. Então, acredita-se que a gente tem muitos terremotos lá, mas no final do dia a gente não consegue monitorar isso muito bem. Então, quando eu falo que um estado tem mais de de mais terremotos do que outros, isso depende também do da quantidade de estações que a gente tem lá. Por exemplo, Minas Gerais é o estado com mais maior quantidade de terremoto, só que isso reflete também a realidade que a gente tem mais estações cismográficas nesse estado. Então, é meio suspeito falar isso. E através dessas estações, é, vocês conseguem prever quando vai acontecer um tremor ali naquela região? Ah, não é isso é uma pergunta que a gente da sismologia, né, que trabalha com isso, com terremoto, sempre recebe, é algo comum, né, porque no final do dia as pessoas querem esse retorno de saber se a gente consegue prever evacuar antes e evitar grandes desastres, mas na prática a gente não tem nenhuma situação, nenhum caso, nenhum estudo que de alguém que já conseguiu prever os terremotos. O que a gente consegue fazer é ter uma noção, só que a escala de tempo que a gente sabe que pode acontecer um terremoto é tão grande que não faz muito sentido falar. A gente às vezes a gente fala assim: "Ora, nessa região sempre tem terremoto e já tem 40 anos que não tem um terremoto. Então o que a gente entende, o que a gente espera mais ou menos é que ali aconteça um terremoto, só que numa escala de tempo muito grande, assim, ó, talvez aconteça um terremoto em 30 anos e ainda é um talvez. Então, as incertezas que a gente trabalha quando a gente fala de um sistema tão grande como é o o sistema da Terra, que envolve forças tão grandes e peculiaridades tão pouco calculáveis, assim, ela não termina não ajudando tanto assim na quando a gente fala de de previsão de de tremores. E é como não tem como prevenir, né, não é prever esses tremores, é caso uma pessoa esteja, por exemplo, em um prédio dentro de casa e perceba um tremor, quais são as orientações para ela se proteger? É, um prédio é mais difícil, porque em andares mais altos a ideia é sempre você evacuar, né? O a gente costuma falar que terremotos elas ele ele não mata pessoas, né? O que acontece é que você tem destruição das construções eh civis, né, da infraestrutura. Por exemplo, se você tivesse numa área aberta ou até mesmo numa floresta, não haveria tantos problemas quanto haveria se você tivesse, por exemplo, dentro de uma casa. Então, quanto maior essa essa casa, maior estrutura é difícil, fica mais difícil. Então, se você tiver andares muito altos, é, fica muito difícil evacuar. Então, geralmente a gente recomenda que as pessoas fiquem embaixo de portas, embaixo de pilastras grandes que sustentam ou abaixo de mesa, mas ainda assim é uma é uma situação muito difícil, né? Então, o melhor seria e se você conseguisse evacuar, mas ainda assim a a melhor prevenção possível é você construir, você eh [limpando a garganta] alicerçar seu prédio para ele conseguir suportar grandes abavos, como é o caso do Japão, por exemplo. O Japão teve uma magnitude ali, vamos dizer, similar ao que teve na Venezuela. E a quantidade de estragos que você teve no Japão foi muito menor, por exemplo, do que você teve na Venezuela. com terremotos muito, digamos, parecidos, né, só para fins práticos pra gente igualar. [roncando] A questão é você tem que você tem que ter uma infraestrutura em países que têm essa esse perigo, né, esse risco sísmico eh muito alto. Entendi. Você já citou um pouco eh que falta esses sistemas de monitoramento em alguns lugares do Brasil. Na sua visão, é importante que o Brasil tenha mais esses eh espaços de monitoramento para conseguir eh compreender esses abalos sísmicos no país? Sim. Eh, a gente tá falando aqui de mais de desastres assim, mas eh tem a parte da de terremotos como ciência, né? Então você pode usar terremotos para muitas coisas. Eh, além de além de você fazer um mapa de risco sísmico, que é algo mais voltado paraa comunidade, eh voltados para fins práticos, você também pode usar terremotos, por exemplo, para você ter um imagamento da estrutura da Então, é importante, por exemplo, ocupar mineração e a gente faz quando a gente tem uma estrutura melhor, né, de estações sismográficas, você pode usar termotos para entender o interior da Terra, para estudar outras particularidades ali geológicas do local, mas a gente sim, com certeza a gente gostaria de ter mais estações, mas essas estações são muito caras, né? E muitas vezes o investimento em aporte financeiro de ciência que a gente tem no Brasil não é não é tão grande quanto gostaríamos. José, muito obrigada pela participação aqui no programa no Giro Ambiental, por trazer esses esclarecimentos pra gente. Eu te agradeço. Agradeço também a sua audiência. Continue conosco para conferir agora as curiosidades e informações do meio ambiente. Até o próximo giro ambiental. Uma nova tecnologia de monitoramento fisiológico permitiu acompanhar [música] em tempo real, de forma inédita, toda a gestação de uma fêmea de tamando bandeira no serrado. Coordenado pelo projeto Tamando Asas do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais, o estudo registrou as alterações do organismo do animal antes, durante e após a gravidez. O acompanhamento da fêmeaense, reabilitada e devolvida à natureza, foi feito por meio de um colar GPS e um monitor cardíaco implantável. Os dados fisiológicos e de comportamento obtidos remotamente trazem descobertas [música] valiosas para a ciência e ajudam a aprimorar as estratégias de conservação dessa espécie ameaçada. [música]