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Giro Ambiental | Projeção Emissões de Gases de Efeito Estufa do Brasil Até 2030
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Giro Ambiental | Projeção Emissões de Gases de Efeito Estufa do Brasil Até 2030

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Resumo editorial

Pesquisa da Unicamp projeta emissões de gases de efeito estufa do Brasil até 2030 usando inteligência artificial. O estudo analisa 23 anos de dados e identifica desmatamento e agropecuária como principais fatores, diferentemente do padrão global. Propõe índice para orientar políticas ambientais nos estados.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

O Brasil figura entre os dez países que mais emitem gases de efeito estufa no mundo, mas com um perfil diferente do resto do planeta: aqui, a mudança no uso da terra e a agropecuária pesam mais que a produção de energia. A professora Melissa Vieira, da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, apresenta uma pesquisa de mestrado que usou inteligência artificial para projetar as emissões brasileiras até 2030, analisou o histórico de 2000 a 2023 em três períodos distintos e relacionou quedas, como a registrada entre 2006 e 2010, a políticas de combate ao desmatamento na Amazônia Legal.

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O Brasil está entre os 10 países que mais liberam gases de efeito estufa no mundo. Uma pesquisa de mestrado da Faculdade de Engenharia Química da Unicampissões e, com uso de inteligência artificial, projetou o cenário até 2030. O estudo também apresentou um índice com orientações para políticas públicas nos estados. E é sobre essa pesquisa que a gente conversa agora no Giro Ambiental com Melissa Vieira, professora da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp e uma das orientadoras deste trabalho. Melissa, seja muito bem-vinda ao Giro Ambiental e também muito obrigada por nos atender. Prazer é todo meu. Bom dia a todos. Para começar, Melissa, antes de falarmos exatamente sobre essa projeção para 2030, gostaria que você explicasse qual é hoje o perfil das emissões de gases de efeito estufa no nosso país e o que mais contribui também para esse esses números. Bom, o perfil de emissões de gases de peito estufa no Brasil, ele difere do restante do mundo. Eh, em países que tem uma grande emissão de gás efeito estufa, como Estados Unidos e China, a produção de energia é preponderante na emissão de gás de efeito estufa. No nosso caso, no contexto brasileiro, nós temos a questão da mudança do uso da terra e a agropecuária, que são dois fatores que predominam na emissão de gases de efeito estufa. Com isso, o desmatamento também vem eh aumentando, né, a emissão de gases de efeito estufa de duas formas, porque a gente deixa de remover esses gases por meio da vegetação e durante o desmatamento também passa a emitir mais gases de efeito estufa. O nosso perfil é realmente diferente do restante no mundo. Para quem tá em casa conseguir compreender um pouco melhor o que seria essa mudança no uso de terra? A mudança no uso da terra é quando você tem, por exemplo, florestas e você passa a utilizar essa terra para uma outra finalidade. Você desmata essa floresta e vai utilizar para uma cultura agrícola ou vai utilizar para pecuária ou para uma outra finalidade. Isso é uma mudança de um uso anterior dessa terra para uma nova aplicação. Entendi. e a dissertação de mestrado, né, que você foi a orientadora, analisou a evolução dessas emissões entre 2000 e 2023, identificou diferentes momentos nesse período. O que a história desses 23 anos mostra sobre a relação entre as emissões e as políticas ambientais no nosso país? Durante o estudo, o pesquisador, ele analisou todo esse histórico de 23 anos de emissão de gases de peito estufa por setores e também por estados brasileiros. E a gente faz uma clusterização, que é quando a gente verifica períodos onde há uma uma similaridade, né, de ascendência ou descedência na emissão de gasto de efeito estúpo. Então, foram verificados basicamente três períodos, ah, onde houve aumento o decréscimo da emissão de gasto de efeito estupo e a gente conseguiu correlacionar essas tendências ah de aumento ou redução por implementação de políticas públicas, né, políticas que fizeram ali uma redução do desmatamento da Amazônia Legal da região também ali do serrado. Então isso influencia diretamente na quantidade total, né, de emissão bruta e também respectivamente de emissões líquidas de gases de efeito estufa, certo? Eh, e em alguns momentos, como você falou de teve essa redução, né, nesse período, foi entre 2006 e 2010, de acordo com a pesquisa, houve essa redução importante nas emissões. Eh, o que explica isso, essa essa queda nesses números? Então, foram políticas públicas que foram implementadas, principalmente na região da Amazônia legal, né, que impediu ali que houvesse um acréscimo do desmatamento da floresta. A gente tem a floresta como um grande ah armazenador de CO2. Então, a partir do momento em que você tem políticas que vão reduzir esse desmatamento, você tem uma uma maior remoção da emissão de gases de efeito estúp, porque a floresta ela consegue armazenar boa parte desse CO2. Então, essas políticas elas foram imprescindíveis para o decréscimo da emissão bruta, né, de gases de efeito de estufa no país como um todo, certo? E a partir desses dados, né, históricos, a pesquisa utilizou diferentes modelos para tentar entender ali o que pode acontecer até 2030, como foi feito esse trabalho, essa projeção. Uhum. Inicialmente nós partimos de modelos estatísticos tradicionais, então modelos lineares, modelos quadráticos, sinois para prever, né, o comportamento com base num série histórica. Entretanto, são várias variáveis que podem influenciar não só a questão da mudança do uso da terra, mas o PIB, a economia, a questão de resíduos, as fontes energéticas, tudo isso pode influenciar. Então, como é um problema complexo, né, de várias variáveis que vão influenciar um modelo tradicional estatístico, ele não é capaz de prever projeções no futuro. Então, os modelos baseados em aprendizado de máquina de inteligência artificial são modelos que conseguem prever esses comportamentos mais complexos, quando você tem várias variáveis que podem influenciar na sua resposta. Então a gente partiu depois desses modelos para tradicionais para os modelos mais avançados de inteligência artificial, certo? E na prática, como que a inteligência artificial foi utilizada eh nessa pesquisa, nessa projeção para vocês conseguirem chegar ao número exato? Então, a inteligência artificial ela parte de um conjunto de dados. Então, nós temos bases de dados eh públicas que reportam, né, essa essa emissão tanto por h estados como também por setores. Então, a gente trabalha com essa base de dados como uma forma de treinamento da inteligência artificial, da a gente utiliza o modelo de redes neurais artificiais, então a gente treina essa rede, depois a gente valida e com isso a gente consegue fazer uma projeção para o futuro. Então, inicialmente, esse estudo foi feito com uma projeção até 2030, mas a partir do momento em que a gente começa a atualizar essa base de dados, conseguimos utilizar esse mesmo modelo para projeções ainda mais adiante, né, após 2030, à medida que a gente foi inserindo novos dados eh atualizados de emissão. Certo. E qual foi o resultado que vocês chegaram? Eh, qual vai ser o cenário em 2030? Bom, o cenário que a gente projetou, né, isso aqui não é uma coisa pré-determinada, a gente sabe que eh a aderência de políticas públicas isso pode variar muito, porque a gente parte de um pressuposto histórico que pode ser alterado. Então, o que a gente tem é que com até 2030 haverá uma projeção de redução da emissão bruta de gases de efeito estufa até 2030. Isso não quer dizer que a gente certamente vai atingir as metas climáticas, né, que o Brasil ah, voluntariamente colocou ali as suas metas, mas essas emissões são emissões líquidas e a gente trabalha no modelo com emissões brutas, ou seja, a gente desconsidera as fontes de remoção de CO2. Então, é uma projeção que visa auxiliar a tomada de decisão por parte de políticos, né, que vão implementar essas políticas eh para o futuro. E como que esse número deve ser interpretado? Eh, podemos enxergar isso com otimismo ou ainda está abaixo da média? Bom, eu não interpretaria ele de uma forma simplista, né, porque é uma projeção, então o modelo ele parte de pressupostos, então qualquer mudança no uso da terra, qualquer mudança em políticas públicas pode alterar os pressupostos desse modelo. Mas o fato de ter uma redução já é uma um dado interessante, otimista, mas não podemos eh simplesmente nos acomodar que a gente vai atingir as metas que foram estabelecidas, por exemplo, na COP, né? Então a gente precisa de fato implementar. Então a gente tem uma disparidade muito grande entre os estados, há estados que são maiores emissores de gases de efeito estufa por diversos fatores, pela sua atividade econômica predominante, pela tamanho do do território, né? E isso não está diretamente associado ao esforço de mitigação de cada estado. Então, a gente não pode olhar eh de uma forma simplesmente global, nacional, mas sim olhar particularidade de cada realidade estadual. Interessante. Então, a pesquisa também eh teve esse olhar para cada estado do nosso país. Eh, quais estados assim que vocês perceberam que mais eh tem emissões, registraram emissões? Nós temos estados como o Pará e o Mato Grosso, que são eh se destacam entre os maiores emissores de gases de efeito estufo, a gente fala termos brutos, né? Em função justamente da da sua atividade econômica predominante, também de todo o tamanho territorial desses estados. Estados mais industrializados, como é o caso de São Paulo, também é o grande emissor de gases de efeito estufa, mas a gente vê que há uma disparidade em termos de ah esforço na mitigação em função do seu impacto. Então, por isso o estudo ele determinou um índice de ambição por base do plano ABC+, que é uma política pública, ah, visando ali, ah, propor práticas mais sustentáveis ali para agropecuária, por exemplo, certo? E a partir desse índice que você mencionou, como que ele pode ser aplicado nos estados? É, ali para pros pros políticos, né, ali do local conseguirem pensar em políticas públicas mais específicas, como que funciona? Bom, já existe uma série de recursos que são disponibilizados para atendimento, né, dessa redução da emissão de gás efeito estupa, mas o que a gente verificou no estudo que esses recursos eles também ah são distribuídos de forma desigual, eles não são diretamente proporcionais a a ao impacto que aquele estado tem em termos de emissão. Então, existem estados que recebem mais recursos, mas que não têm tanto potencial assim de emissão de gases de efeito estufa e outros que t um alto potencial e não recebem eh a quantidade digamos assim proporcional de recurso. Então, a gente espera que haja essa distribuição mais homogênea, compatível com o esforço que o estado tem para mitigar a emissão de gasto de efeito estufa. Então isso também tá alinhado com a sua atividade predominante e o uso que se faz da terra naquele território. A inteligência artificial, ela já vem sendo utilizada, né, de uma forma mais ampla assim para a previsão ali de mudanças climáticas. Então é muito válido utilizar esse tipo de modelo, porque a gente tem ali problemas complexos que t muitas variáveis. Então é importante para utilizar modelos como esse de redes neurais ter uma base de dados confiável. Então, a gente não dispunha tantos dados assim para que a gente pudesse fazer eh esse modelo. Então, por isso a gente fez várias eh metodologias de interpolação desses dados. Utilizamos diferentes bases de dados, mas o que foi verificado na na durante a pesquisa que, por exemplo, faltavam alguns dados para alguns estados, então nove estados não estavam disponibilizando totalmente os seus dados de emissão de gases de efeito estufa como deveriam. Então isso é importante também para que a gente possa ter uma projeção ainda mais confiável eh dessas emissões no futuro e com isso tomar decisões com base, uma base mais realista. Esse trabalho, eh, na verdade, a gente vai continuar com ele, vai trabalhar com projeções ali futuras, né? Mas mostrar assim que a inteligência artificial ela pode ser uma ferramenta muito útil para que a gente possa resolver desafios complexos que a gente tem hoje no mundo. Então o engenheiro químico, ele tem um papel muito importante pelo entendimento ali de de processos e de poder utilizar essas técnicas de modelagem para que a gente possa contribuir ali para que políticos tomem decisões cada vez mais confiáveis e com base em evidências científicas. Melissa Vieira, então muito obrigada pela participação aqui conosco no Giro Ambiental. Eu agradeço também a sua audiência em mais um programa e continue conosco que agora você confere as informações e curiosidades do meio ambiente. Até mais. Os quiosques e carrinhos de alimentos e bebidas do Parque Iberapuera em São Paulo ganharam uma nova estrutura feita a partir de plástico reciclado. A mudança faz parte da estratégia de sustentabilidade da Urbia, concessionária responsável pela gestão do parque no âmbito do projeto Eco3 voltado a ações de cuidado ambiental do parque. Novas estruturas foram produzidas com 67.000 blocos de plástico reciclado e reaproveitaram 33,5 toneladas de resíduos de plástico reciclado.
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