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Giro Ambiental | Estudo Unicamp impacto clima extremo na saúde
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Giro Ambiental | Estudo Unicamp impacto clima extremo na saúde

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Neste Giro Ambiental falamos com o Guilherme Coelho, médico de família FCM, sobre o estudo da Unicamp que identificou que o calor extremo mata mais no país por causas respiratórias e mostra que o grande “vilão” do clima extremo é o calor e não o frio como acredita o senso comum.

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A cada ano, cerca de 6.000 brasileiros morrem por doenças respiratórias associadas a temperaturas extremas. Um estudo da Unicamp revela um resultado que contraria o senso comum. No Brasil, o calor provoca mais mortes do que o frio. Para entender como as mudanças climáticas estão afetando a saúde da população e quais os desafios para os próximos anos, eu converso agora no giro ambiental com o médico de família e pesquisador da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Guilherme Coelho. Guilherme, muito obrigada por nos atender e seja bem-vindo ao Giro Ambiental. Muito obrigado, Camila. Eu agradeço o convite. Para começar, doutor, eu queria que você explicasse pra gente eh no Brasil existe uma percepção, né, acho que no mundo todo, de que eh o frio é o principal responsável pelo agravamento das doenças respiratórias. Porque a pesquisa mostra justamente o contrário? explica pra gente. Sim, na verdade, o o cenário que a gente tem, que é bem conhecido já dos cientistas e dos estudos em geral, essa relação direta entre doenças respiratórias e climas frios, né, ou períodos mais frios. E existe e essa certa definição por conta das questões sazonais das infecções. Então, gripe, COVID, tem uma relação já bem estudada com relação a períodos mais frios. O que a gente encontra no nosso estudo é que para além disso, a gente também tem uma associação e aí pensando em todos os grupos de doenças respiratórias com o calor, né? O nosso país é majoritariamente de clima mais quente e a maioria dos estudos são de países onde o clima é mais frio. Então tá aí a contribuição do nosso estudo, que é fazer um estudo em grande escala, justamente em um país de climas mais de temperaturas mais quentes, né? Certo? E como que foi feita essa pesquisa? Quais critérios vocês utilizaram e também eh qual o objetivo eh por trás deste estudo? Na verdade, a nossa ideia é, eu faço parte de um grupo, né, da Unicamp, que estuda essa relação entre clima e desfechos em saúde. Então, a nossa ideia é começar a compreender o impacto dessas mudanças de temperatura e das mudanças climáticas na saúde. Aqui a gente usou primeiro um recorte de doenças respiratórias, que já é um dado que a gente sabe que tem uma influência já mais direta da temperatura. E a série que a gente analisou foi foram em torno de 1 milhão de óbitos, né? Então é uma série longa pra gente compreender, né, o o qual que é a influência dessas variações de temperatura nessa nesse grupo populacional, que são pessoas que já convivem com doenças. Claro que aqui a gente não restringiu a população, né? A gente olha todas as faixas etárias, existem as faixas de maior problema, né? Os idosos sofrem mais com essas variações, mas o nosso grupo e a nossa análise foi feita para todo mundo, desde crianças até idosos. E como que na prática o calor afeta o organismo das pessoas? Queria que você explicasse melhor isso para quem tá assistindo também. Uhum. é do ponto de vista fisiológico, eh, as temperaturas extremas, e aí temperatura extrema é uma coisa que a gente tem que tomar um certo cuidado, porque o que é extremo pra gente em Campinas às vezes não é extremo para quem tá em Manaus. A gente se adapta, né, de forma fisiológica a viver nesse ambiente. Então, existe um extremo para cada local. viver fora da temperatura ideal do que a gente é acostumado, isso é um problema porque foge da nossa adaptação. Então, se a gente já está já está ambientado numa temperatura como aqui em Campinas e a gente tem aumentos excessivos de temperatura, isso gera um estresse fisiológico que faz a gente responder de uma maneira que não é a mais esperada. para pessoas que já vivem com doenças, isso é um problema ainda maior, porque essa capacidade de adaptação dela já fica um pouco prejudicada. Então, a resposta dela a períodos de mudança climática é diferente de uma de uma população sem a doença que também já sofre com esses estress térmicos, entendeu? É, eu também ia te perguntar sobre isso. Eh, na pesquisa vocês trazem dados eh sobre as diferenças eh em outras localidades no Brasil, né? Por exemplo, no Norte tem um padrão diferente no Sudeste, no Sul, por exemplo. Exatamente. A gente encontra uma situação para cada local do país, assim, e isso é muito interessante porque, de fato é o que ocorre, né? Se a gente compara, por exemplo, o sul, que é muito bem caracterizado e adaptado pro frio, a gente tem um padrão de resposta aos extremos climáticos. Claro que, né, o calor influencia diretamente nesses óbitos, mas o frio sabidamente também influencia. Então, o peso do frio extremo no sul é maior. Mas o que a gente encontra, por exemplo, no em Manaus, na cidade de Manaus, é um extremo térmico de frio para temperaturas de 22º. Então isso é interessante, né? O que que é um extremo eh para outras regiões? às vezes é uma temperatura ideal para outras, porque a gente precisa incluir justamente isso. Essas pessoas elas se adaptam à aquele cenário. Então a análise ela nunca pode ser feita de maneira uniforme para todo o país, né? A gente precisa individualizar cada região. Hoje a gente já sabe que mesmo dentro das cidades, os bairros têm temperaturas diferentes e isso também tem impactos na saúde. Sim. E um dos pontos interessantes também que constam, consta na pesquisa é o que vocês chamam de paradoxo do frio. Eh, você pode explicar também eh o que é esse fenômeno e porque ele acontece em regiões tradicionalmente mais quentes, como vocês citam a Amazônia? É, é, é exatamente essa questão, né? Assim, a definição de frio, ela é local, então a gente nunca pode falar, não, hoje e o que é frio para um é frio para todo mundo, não. 22º, 4 é a temperatura de menor mortalidade geral pro Brasil. Mas como eu pontuei, em Manaus, isso já é um extremo de frio. E a gente precisa pensar o porquê disso, né? A gente tem que pensar nas abdatações que as pessoas que estão lá precisam fazer para sobreviver nesses locais. Então, em Manaus, por exemplo, ou qualquer região, né, qualquer cidade da região norte, as casas são adaptadas para serem ventiladas, para dissipar melhor o calor. Então, se a gente tem uma temperatura que cai mais, a exposição dessa população fica mais evidente, né? E aí já faz a gente pensar em outra coisa, por exemplo, as populações mais vulnerabilizadas, as pessoas que já não t a condição de de se adaptar ou se proteger desses extremos, tanto pro frio quanto pro calor, né? Porque uma coisa a gente tá adaptado no nosso ar condicionado, no nosso domicílio e uma onda de calor. Outra coisa, é uma pessoa que não tem um ar condicionado, que tem uma casa que é, né, pé direito baixo e tudo mais. E e o que a gente tenta mostrar é justamente isso. Claro que o frio ele continua sendo um problema, mas pra gente o calor ele tem uma influência direta nesses desfechos para doenças respiratórias, certo? E no caso também é falando da população mais vulnerável que você acabou de citar, eh muito é muito se fala hoje em dia sobre eh o racismo ambiental, a desigualdade que acaba afetando essa população eh com crises climáticas. mais de um jeito mais forte, de um jeito mais cruel, digamos. Eh, isso também fica evidenciado na pesquisa. Eh, aqui a gente não conseguiu fazer um estudo direcionado para questões eh raciais e questões relacionadas ao componente econômico. Mas o que a gente pode extrapolar pensando nos resultados que a gente encontrou é que de fato, se a gente tem um ambiente mais adaptado, isso expõe o indivíduo de uma maneira mais controlada. Claro que, né, se a gente pensa em mudanças climáticas, todos nós sofreremos com as mudanças climáticas. Mas a maneira como a gente exposto é completamente diferente, né? Se a pessoa vive um ambiente que é muito mais controlado, né? Se ele tem capacidade de se esconder do frio de maneira adequada, pensando na população geral e na maioria da população que não tem essa cobertura, os desfechos em saúde, sem dúvida nenhuma, são muito diferentes. Sim. E quando a gente também fala em mudanças climáticas, muita gente pensa diretamente no meio ambiente, mas eh através da pesquisa, ela também ajuda a evidenciar que a crise climática também é uma questão de saúde pública. Sem dúvida nenhuma. Eu acho que essa é uma das principais contribuições, né? Se a gente coloca agora o calor, né? Se a gente consegue demonstrar uma associação entre óbitos e temperaturas quentes e a gente tem um aumento contínuo de ondas de calor, isso mostra o impacto na saúde pública. Então, a a as questões de mudança climática, elas extrapolam as questões ambientais e passam a ser ou talvez, né, principalmente precisam ser incluídas nas questões de gestão de saúde pública, que a gente precisa colocar isso na conta, né? A gente precisa fazer um uma análise mais preditiva, o que que vai acontecer depois, a gente precisa se programar. a as questões de previsão do tempo melhoraram muito, então a gente já sabe quando vão acontecer as ondas de calor, as ondas de frio e a saúde também precisa levar isso em conta. E na sua visão, quais ações eh o poder público pode tomar para conseguir auxiliar a população eh no enfrentamento a esse problema? Sim, eu acho que nisso Campinas tá tá inclusive à frente de outros municípios, né? Aqui a gente já tem um um plano, né? sobre questões ambientais e o que que a gente tem, né, de literatura que que orienta um pouco a gente, assim, eh, questões de de extremo de de frio, a gente já tem algumas campanhas, algumas coisas que acontecem, não é muito o nosso problema aqui. A gente não vive muito extremos climáticos pensando no frio extremo. Claro que o frio também é um grande problema para populações não adaptadas, mas pensando em extremos de calor, a gente tem algumas coisas. pode mudar o plano diretor dos municípios. A gente precisa de uma cidade mais arborizada, a gente precisa de uma preocupação maior com um calor, a gente precisa de orientação à população, as questões de hidratação, né? A gente já vê às vezes a Defesa Civil emitir os alertas. Seria muito interessante a gente ter alertas relacionadas ao cuidado em saúde em períodos de extremos climáticos também. E no dia a dia, para quem nos assiste, né, para pra pessoa como indivíduo mesmo, quais ações ela elas podem tomar para conseguir amenizar esses riscos? Sim, o cuidado em saúde ele é sempre fundamental, independente da situação que a gente vive. O que a gente tenta mostrar com os nossos estudos e que faz diferença na vida da população, eh, para além desse cuidado diário, eh, manter as doenças crônicas já mais bem controladas, é o, é a principal chave. Mas para além disso é se proteger nos dias de ondas de calor, se hidratar melhor, principalmente a população idosa que às vezes tem mais dificuldade com a hidratação, eh não se expor nos momentos de frio, evitar atividades, né, quem pode, né, evitar atividades que tá em ambiente com muito sol, porque o estresse térmico de fato precisa ser mais levado em conta. Perfeito, Guilherme, algo que eu não te perguntei, que você queira acrescentar aqui também? Não, eu acho que é isso. Eu acho que é é muito importante a gente ter espaço para falar sobre o que a gente desenvolve na universidade. Eu acho que o esse é o trabalho principal, o sonho de todo pesquisador, é divulgar o que a gente encontra. A ideia é justamente levar esse cenário das nossas preocupações em pesquisa ou de assistência para que a população tenha informação e se proteja da melhor maneira. Eu agradeço a sua participação aqui conosco por trazer esses esclarecimentos. Eh, e como os efeitos também das mudanças climáticas já fazem parte da nossa rotina, é importante a gente compreender como conseguir driblar esses problemas também. Sem dúvida. Eu agradeço mais uma vez o convite, fico à disposição. Também a sua audiência. O Giro Ambiental continua com as informações e curiosidades do meio ambiente. Até mais. O avanço do calor extremo nas cidades, impulsionado pelas mudanças climáticas e pela urbanização acelerada, tem aumentado os riscos para a saúde da população e para a infraestrutura urbana. Para ajudar os municípios a enfrentar esse desafio, World Resources Institute lançou o Cool Series Lab, uma plataforma global que permite identificar áreas mais vulneráveis ao calor e testar estratégias de resfriamento urbano. A ferramenta trabalha com dados detalhados por Quarteirão e simula os efeitos de medidas, como ampliação da arborização, criação de áreas sombreadas e instalação de superfícies refletivas como telhados claros. Atualmente, mais de 20 cidades participam da iniciativa, incluindo Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Florianópolis, Teresina e Campinas. เฮ
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