Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Olá, está começando mais um Giro Ambiental. Hoje vamos falar sobre literatura. O nosso tema é o livro Infanto Juvenil, O mistério do povo Mamoé, obra que mistura aventura, fantasia e realidade para apresentar aos jovens a riqueza da floresta amazônica e também os desafios enfrentados pelos povos indígenas e comunidades tradicionais. Para conversar com a gente, recebemos o biólogo e escritor Paulo Espínola, autor da obra. Paulo, seja muito bem-vindo ao Giro Ambiental e obrigada por aceitar nosso convite. Olá, eu que agradeço. Eu queria que você contasse um pouco pra gente como que nasceu e a ideia de escrever o mistério do povo Mamoé e o que te inspirou também nessa história. Eh, inicialmente eu tive a ideia durante viagens na nos inícios dos anos 2000, 2004, 2005, eh, eu saí do emprego que eu tinha em São Paulo e fui viajar, viajei pra Amazônia, passei dois anos mais ou menos viajando paraa Amazônia e antes Peru. E nessas viagens eu comecei a escrever, não um diário, eu escrevia como se fosse carta para os amigos, sabe? Eh, contando tudo que acontecia, tudo que eu vinha, que as pessoas com quem eu interagia. E aí depois, revendo esses esses relatos, eh, eu tive a ideia de escrever uma história, não um relato de viagem simplesmente, mas alguma história que percorresse esse caminho e que tivesse também uma mensagem ambiental. Depois eu eu crescei concurso no IBAMA em 2005 e logo em seguida eu comecei a trabalhar no IBAMA e depois passei pro SEMIB trabalhar em unidade de conservação e trabalhei durante 15 anos ali na Amazônia. E nesse período de trabalho também fui aprimorando a o texto, né? E agora tô lançando, na verdade são três livros, eu tô lançando o primeiro livro dessa série, certo? Uma curiosidade que ficou eh em mim. Eh, o que que te fez abandonar tudo em São Paulo e fazer essa aventura eh pela Amazônia? É, eu sempre tive um sonho de de conhecer a Amazônia. conhecia muito por textos, por eh sempre trabal sempre veio mais ou menos com a área ambiental, né, em movimentos ambientalistas, mas ficando em São Paulo. E sempre lia muito sobre Amazônia, mas não tinha tido oportunidade de conhecer pessoalmente. E fui e me apaixonei pela Amazônia. Apesar de todos os problemas que a gente enfrenta, é um ambiente fantástico. Então, isso também me ajudou muito a a ter essa a criar essa história percorrendo esse caminho, né? Esses caminhos. Alguns que eu fiz de fato, outros foi por histórias que eu vi, por pessoas que eu conheci. E o protagonista da história, né, do seu livro é o Jobim, que é um adolescente que tá em busca do pai também, né, e da própria identidade indígena. Eu queria que você falasse um pouco sobre esse personagem e também o que essa jornada representa. Sim. Então, eh, a história desse garoto Jobim, que ele é fruto de uma de uma relação entre um cacique da região do rio Tapajó, nação Tapajó, que ele vai, esse CCIC, ele vai para ele quer ir para Brasília na época, eh, eh, basicamente ele se passa na época do do regime militar ainda, né? Ele vai para Brasília tentando conversar, que ele queria conversar com o presidente da República sobre os planos do governo de ocupação da Amazônia, porque eles estavam, todo o povo dele tava preocupado com o futuro de dessas dos povos originários. Aí ele parte, ele faz essa viagem para chegar em Brasília, ele passa numa pequena cidade, no rio Formoso, que é até onde ele consegue ir de bar na canoa dele descendo, ele desce o rio Amazonas, entra no rio Tocantins, Aragua até chegar nessa cidade as margens desse rio, o rio Formoso. E quando ele chega na cidade, ele se apaixona por uma jovem viúva que que o que o acolhe nessa cidade. E dessa relação vai nascer o Jubim 15 anos depois, né? Porque esse pai ele ele tem essa relação com a com essa moça e vai embora. Ele segue a viagem dele e vai paraa Brasília. Então ele não fica sabendo que tem um filho. E nessa e quando o menino completa 15 anos, ele quer conhecer esse pai, né, que ele conhece pelas histórias, que ele sabe através da mãe e vai atrás, vai atrás desse sonho de encontrar o pai, encontrar a sua origem, sua sua, né, a sua história de como descendente indígena, inclusive. E no caso na história também o protagonista, né, ele vai até a Amazônia, ele faz ali uma viagem, né? Eh, então o leitor também vai ter esse contato para conhecer esse território. Qual que é a importância também disso para principalmente para esse público infanto juvenil do livro? Uhum. É, eu acredito assim, quem quem conhece, quem tem a oportunidade de conhecer a Amazônia, mesmo que seja uma viagem de barco, que vai de avião até Manaus, pega um barco, vai até São Guerabel da Cachoeira, subindo o rio Negro, que é um rio maravilhoso, né? Ou desce o rio Amazonas até Belém e passa por Santarém, sobe o rio Tapajós ou sobe o rio Xingu. Qualquer desses rios são rios fantásticos, né? que você pega o rio Tapajós, por exemplo, ele tem ali na região de de Alter Chão, ele tem 25 km de largura. Então, para quem é de cidades e de São Paulo ou outras cidades, pensar num rio que tem 25 km de largura parece um absurdo. E a Amazônia é é os rios são assim, né? O Rio Negro também é muito, tem uma largura bem muito largo, muito lindo. Então assim, a a um dos intuitos do livro é despertar no leitor, né, principalmente nos jovens, eh a vontade de conhecer esse mundo, que é totalmente diferente de você só conhecer por vídeo, por celular, por ou por relatos, né? Eh, se conseguir quem leer tivesse essa esse desejo, já será para mim um grande uma grande vitória. E o livro também fala de temas delicados, né? Eh, como garimpo, a degradação ambiental, conflitos também envolvendo os povos indígenas. E como que foi para você abordar esses assuntos também no livro? Tá? É, durante meu trabalho como analista ambiental, tanto do IBAMA quanto de CMB, a gente eh eu tive contato com tudo isso, né, desde garimpo e principalmente no Rio Rio Madeira, né, que o garimpo é muito intenso. Desmatamentos, eh, transporte legal de madeira, grilagem de terra, tem de tudo, né? E assim, a ideia é passar na ao longo do do trajeto do menino, ele vai tendo contato com isso. Então ele vai absorvendo esse conhecimento ao longo do seu caminho, né? Então assim, a ideia do livro não é só ficar falando de não só ficar das maravilhas, nem também somente dos ilícitos que encontra, mas o que isso eh acaba repercutindo na vida dele e na vida das pessoas que vivem nessa região, né? Tanto os indígenas, os os quilombolas, os ribeirinhos, né? Tudo que é influ o meio ambiente e tudo que o que se faz com o meio ambiente reflete na vida dessas pessoas. E o garoto ele tá indo e interagindo com isso e ele vai crescendo, ele vai amadurecendo em contato com tudo isso, né? Certo. Então é isso. E você já falou um pouco sobre seu trabalho no ICMB, né? Eh, o quanto da realidade do que você vivenciou nesse trabalho tem também no livro, né, das suas vivências um pouco. Uhum. Sem dúvida. É, porque a gente trabalha que nem pensa que o pessoal de BAM e de semill só vai atrás de de buscar as irregularidades, mas a gente trabalha muito com as comunidades, né? eh em gestão de de conservação, então você trabalha diretamente com as comunidades que vivem nesses territórios, principalmente nas unidades de uso sustentável, né, de não as de proteção integral. Então, eh, o nosso trabalho, uma boa parte do trabalho, é fazer a a interação dessas pessoas com com as atividades do estado, né, que nós estamos ali representando o estado. E tem uma frase forte no livro, eh, que diz que para os brancos, né, o os povos é apenas um obstáculos, os povos originários, né? Eh, você acredita que a literatura também pode ajudar a mudar essa percepção social que as pessoas ainda têm desses povos? Infelizmente tem. Eh, principalmente as pessoas que são do Sul, né, que eu faço parte, eu sou da do de São Paulo, né, mas das pessoal do Sul, do Centro-Oeste que vão paraa Amazônia, eles vão com a visão de quem é da região deles e que vai transformar esse ambiente do norte num ambiente propí e idêntico ao que eles têm na na na sua região e é uma região totalmente diferente. O solo é diferente, o povo é diferente, o clima, né? Em vez de se adaptar, eles querem adaptar um ao ambiente e ao seu modo de vida. Isso que é um grande conflito. E o a ideia a do livro é justamente trazer essa realidade pro leitor, né? para ele entender as diferenças e aceitar que a vida na Amazônia é totalmente diferente do restante do país. Certo? Você já falou um pouco, mas o que você espera que esse leitor, né, adolescente, jovem, eh, consiga absorver, eh, de aprendizado através da obra? Sim. É, eu eu gostaria que as pessoas que leem, os jovens principalmente se interessem mais pela pelo futuro da Amazônia, né? O que o que que a gente o que que a gente pretende nessa região com da Amazônia? E o futuro da Amazônia depende desses jovens, que o que que eles estão pretendendo pro futuro, tanto paraa Amazônia, pro país e pro planeta em si, né? para eh então a ideia que o jovem participe mais dessa dessa política mesmo, né, ambiental do país. Eh, e para quem tá nos assistindo agora e ficou curioso, eh, que convite você faz para conhecer e o mistério do povo Mamoé? Sim, é, o livro tá sendo pré-lançado agora. Eu tenho aqui um exemplar. Deixa eu ver se eu consigo aqui a câmera. Não entendi muito bem ela. Eh, mas eh ele já está à venda na no site da editora Avá, é a editoravaeditora.com.br. E tem também informações na minha página do Instagram Pauloespínola. acompanha o livro, o mapa, deixa eu ver se eu consigo mostrar aqui. É um encarte que acompanha o livro que tem eh dá a ideia do do trajeto do do Jobim, né, pela Amazônia, que é pro leitor se se localizar. Eh, às vezes conhece, vê o mapa do Brasil, mas assim não se atém muito a a as cada localidade que é Amazônia é um mundo enorme e fantástico, né? Então, o mapa ajuda bastante. Exatamente. E Paulo, algo que eu não te perguntei, que você queira acrescentar também referente ao livro? Não, acho que é basicamente é isso. Eh, a ideia do livro é um livro de aventura, né? O povo Mamué, que ele ele ele entra na história, que é um povo mágico assim místico, né? Que que é descendente de um povo que migrou dos antes peruanos paraa Amazônia na época da da invasão espanhola. e se e se adaptou à região do norte do Amazonas, da da do Planalto Guiano, que é uma região mais fria, mais alta, como eles vieram da dos Andes, né? E lá eles instalaram e começaram a ser chamados por mamoena pelo pelos povos, pelos vizinhos ali dessa região dos Yanomami, dos índios tucano. E o Jobin acaba tendo, pelas informações que ele recebe nessa procura pelo pai, acaba interagindo com esse povo Mamoé, principalmente com a menina Samires, que é filha da sacerdotisa Mamuel. Então, aí que entra essa esse lado mais eh de fantasia na história, né? que a fantasia, na verdade, ela ela faz parte do povo amazônico, né? Nossos nossos entes entes espirituais, né? Tem Mapinguari, tem o Boto que seduz aos donzelas, né? Eh, então assim, a o imaginário amazônico é muito rico, né? E o livro também tem essa coisa de despertar isso, o interesse pela cultura amazônica, né? Não só pela sua geografia, pela história de ocupação e também pelo povo, povo fantástico que tem essa região. Paulo, eu agradeço a sua participação aqui no Giro Ambiental e desejo muito sucesso para você e também pro seu livro, tá? Muito obrigada. Obrigado a todos. Abraço. Eu agradeço também a sua audiência. Continue conosco para acompanhar as informações e curiosidades do meio ambiente. Até mais. Pesquisadores brasileiros identificaram uma nova espécie de peixe pré-histórico em Alagoas, o Gonduana Cantos de Colatos, que viveu há cerca de 125 milhões de anos quando os continentes ainda formavam o supercontinente de Guandiwuana. A descoberta ajuda a entender a evolução da vida marinha e indica que os peixes atuais podem ter origens mais antigas do que se pensava.