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Olá! Em todo o planeta, as praias estão passando por um processo chamado de esmagamento, causado pela combinação de dois fatores. é o tema hoje do giro ambiental e que a gente vai entender melhor a partir de uma pesquisa que foi realizada juntamente com vários órgãos aqui e conta também com a participação, inclusive ela foi capitaneada pelo pesquisador que hoje fala com a gente conectado diretamente, o nosso pesquisador Guilherme Corte. Guilherme, duas perguntas. Primeiro, é quais são esses dois fatores desse esmagamento? e fale um pouquinho de como foi coordenar, quem são os entes envolvidos nessa pesquisa e seja bem-vindo aqui ao Giro Ambiental. Obrigado, Mirna, obrigado pelo convite. Bom, esses dois fatores são as nossas ações humanas que a gente faz no continente, a modificação da linha de costa associada às mudanças climáticas. Então, a gente tem as praias no meio de tudo isso e elas ficam esmagadas entre os impactos vindo dos do continente e dos oceanos. Essa pesquisa, na verdade, são várias pesquisas que foram feitas. Eu tenho trabalhado com praias ao longo dos últimos 20 anos com pesquisadores da Unicamp, a minha minha professora Cecília Amaral, pesquisadores da USP. Também esse projeto foi desenvolvido em conjunto com a Universidade de São Paulo e ao Unicamper Turra lá e foi um grupo muito grande. Então diveros a gente foi basicamente 15 pesquisadores, incluindo ah pós-doutorandos, professores, alunos de graduação. E a gente fez uma mostragem muito completa em 30 praias do litoral de São Paulo. Então, nessas 30 praias, a gente já mostrou maior parte da biodiversidade das praias, incluindo os animais que vivem na areia e os peixes. E a gente constatou como as atividades humanas influenciam essa biodiversidade e os ecossistemas de praias. Quais são, por exemplo, algumas dessas atividades que hoje impactam diretamente quando a gente pensa nesse esmagamento das praias? principalmente a construção na linha de costa, porque as praias elas erodem. Então, a areia é retirada das praias naturalmente pelas ondas, quando tem tempestados, por exemplo, ondas maiores, mas as praias elas se reconstroem também naturalmente quando as ondas têm menor intensidade. Então isso é um equilíbrio natural. Momentos do ano, onde tem maior energia de onda, a areia vai ser removida. Em outros momentos onde as ondas são mais amenas, a praia vai se reconstruir. Então, quando a gente pode pensar um exemplo claro ali, os lençóis maranhenses com aquelas dunas, aquilo são depósitos de areia. No litoral de São Paulo, a gente tem a vegetação, que também é uma barreira para as ações das ondas contra a erosão, e também elas seguram a areia ali. O problema quando a gente constrói na costa e a gente remove essas dunas, a gente remove a vegetação natural, vegetação de restinga, a gente quebra esse balanço totalmente. O que acontece é que somente a erosão vai fazer o efeito. Então, as praias elas vão ser diminuídas, a quantidade de areia vai sumir, vai ser levado pro oceano e elas não vão ter capacidade de se reconstruir porque os depósitos de areias não vão estar ali. Então a principal atividade que afeta as praias é a construção da linha de costa, seja de rodovias, seja de casas, que todo mundo quer ter o pé na areia ali, mas isso impacta profundamente. a gente vê hoje as ondas invadindo as casas, que isso é uma consequência que a partir de um momento chega a ser inevitável e todas as outras atividades, inclusive até o turismo não tanto, mas também impacta quando tem muita gente, enfim, principalmente as construções na linha de costa. Você fala desse estudo que você fez em 90 locais, em 30 praias do litoral paulista. Eh, quais são as que você poderia citar que tem eh sofre esse maior impacto? Quais sofrem? Verdade. Todas estão sofrendo. Todas as que estão ali, que são construídas, a gente foi, a gente a mostrou desde São Sebastião até Ubatuba. Então, a gente pegou São Sebastião, a gente pegou Caraguatatuba, Ubatuba, e as praias foram ali, elas foram dispersas ao longo de todo esse gradiente. O que a gente constatou foi quanto maior a construção na linha de costa e maior o impacto das atividades humanas, maior a influência que isso tem na biodiversidade no ecosistemas de praias. Então não é uma ou outra. Algumas praias, quando elas estão mais expostas à ação das ondas, elas podem sofrer um efeito ainda maior, mas todas as praias que tem as construções na linha de de costas sofrem com os efeitos das nossas atividades. Guilherme, o giro ambiental ele tá sendo veiculado justamente nas férias de janeiro, que é o período que nós chamamos de alta temporada. Parece que também tem um impacto importante no número de visitantes na costa. É isso, exatamente. Isso foi um dos principais resultados que a gente constatou. E como a gente a mostrou, tanto a fauna que vive mais acima ali próxima da vegetação, até as espécies que vivem nas ondas ali embaixo d'água, incluindo peixe e os invertebrados que vivem na areia, nós contatamos que as atividades que a gente faz na areia, elas refletem também debaixo da água, dos organismos que vivem nos oceanos. Então, a gente pode pensar que o número de visitantes, quando tem muita gente ali, essas atividades, os impactos, elas se propagam ao longo de toda a praia. Então, a quantidade de peixes vai ser menor, a quantidade de invertebrados que vão ser comidas para esses peixes, para tartarugas, para as outras espécies, também vão ser menores. Então, o número de visitantes, o que a gente chama de capacidade de suporte, é realmente uma uma das variáveis muito importantes que a gente tem que considerar no impacto das praias. E quando a gente pensa nesse contexto, qual é a preocupação que ele nos traz? A gente tem aí cada vez mais prédios, inclusive imponentes que são construídos nas costas. Temos aí as pessoas que querem passar eh o final de ano, o começo das férias, alta temporada e parece que essa conta não fecha, Guilherme. É complicado porque todo mundo gosta da praia, né? Mas o problema é que todo mundo vê as praias como local de recreação. Somente não vê que a praia é um ecossistema fundamental. A praia suporta biodiversidade que não existe em nenhum outro ecossistema, só ali nas praias. A praia filtra água. Imagina, lembra do filtro de barro? Quando você bota água e a água passa pela argila? Isso acontece na praia também. A água passa pelas areias da praia e ela é filtrada. A praia fornece uma infinidade de benefícios pra gente, que a gente chama de serviços ecossistêmicos, mas a gente não percebe isso muita das vezes. Ao mesmo tempo, a gente não pode simplesmente falar: "Agora chega, ninguém vai mais usar utilizar as praias". A gente precisa dessa conexão com mar e as praias são ecossistemas. As praias elas movem economias de muitas cidades ao redor do mundo. As cidades litorâneas quando chegão, a economia do local é basicamente em cima das praias. Então a gente não pode simplesmente falar: "Não chega, ninguém vai usar". A gente tem que encontrar ali um equilíbrio onde a gente pode proteger a natureza, mas ao mesmo tempo a gente possa se beneficiar das praias como locais de lazer e recreação também. Guilherme, nos parece então que aí essa conta é mais ou menos sobre responsabilidade, conscientização e para que a gente possa cada um quando for à praia ter aí uma uma ação diferente da que tava acostumado. Quais são então que você pode numerar aí cinco dicas para que a gente cause menos impacto quando cada um sai do interior ou sai da sua cidade e vai até o litoral? Perfeito. Cinco dicas. Então, vamos ver. Primeiro a gente tem que recolher os nossos lixos, né? A gente não pode simplesmente deixar lixo lá, porque as espécies que ocorrem nas praias, por exemplo, os caranguejos, outras espécies que não vivem nas praias o tempo todo, mas utilizam as praias como locais de reprodução, tartarugas, por exemplo, elas vão utilizar esses recursos, os lixos que a gente deixa, elas acham que é comida, então elas vão utilizar esses materiais como alimento ou até mesmo para construir suas tocas. Então isso é fundamental. A gente tem que reconhecer a importância da vegetação costeira. Quando a a chega, a vegetação de restinga ali, isso é fundamental paraa preservação das praias. A gente não pode simplesmente acabar com tudo isso. A gente tem que ver também as praias, como eu disse anteriormente, como esse local importante pra biodiversidade, não é somente uma um lugar para tomar sol ou para beber uma caipirinha. As praias são ecossistemas fundamentais. Fundamentalmente a gente tem que proteger a linha de costa. Sim, muitos da linha de costa já foi completamente transformada. a gente tem ali as rodovias, a gente tem e nesses locais as praias estão realmente desaparecendo e ao longo do tempo isso vai ser inevitável que ocorra, mas nos locais onde ainda são preservados, a gente tem que manter isso para que a gente possa ter essas praias sustentáveis. Então, por exemplo, no Brasil, há muito tempo atrás teve a discussão dos resorts na beira da praia. Então vamos construir ali, vamos deixar. A gente já tem bastante praias que são pro nosso uso. A gente poderia manter essas pro nosso uso e também preservar algumas, não construir em todos os lugares. Agora essa pesquisa que foi recentemente divulg divulgada, ela vai passar por um outro nível, ela vai dar continuidade ou vocês vão ampliar a área pesquisada? Porque você fala inicialmente do litoral paulista, começando por São Sebastião até Ubatuba. Eh, isso vai ser ampliado? Quais são os próximos passos dessa pesquisa? Até para fazer uma comparação com outros estados que também estão na costa? provavelmente será ampliado. Um dos problemas é falta de recurso paraa pesquisa, que cada vez a gente sofre mais com isso. Então, a pesquisa demanda muito trabalho de muita gente e tempo. E essas pessoas como são os estudantes, pesquisadores de pós-doutorado, você faz seu doutorado, seu pós-doutorado, e você não ganha muito para isso. Você faz aquilo porque você tem a intenção de proteger, mas ainda assim precisa de recurso, precisa de logística, precisa de recursos financeiros. Infelizmente o Brasil é um dos países do mundo com a melhor produção de ciência sobre as praias. Então, a gente tem grupos ao longo da costa inteira do Brasil, desde o Pará até o Rio Grande do Sul, a praia do Cassino, a gente tem grupos de pesquisadores trabalhando sobre as praias. Tem inclusive uma rede que é a rede Rebentos, que é a rede de monitoramento de habitates bentônicos. A praia é um habitate bentônico, então tem colaboração, entre outros pesquisadores do Brasil. Vocês tentam essa interface para trocar as experiências de cada localidade? Sim, claro. Se a pesquisa é sobretudo sobre colaboração e e troca de conhecimento e experiências. Então sim, bastante. A gente tem, eu trabalho muito com colegas do Rio de Janeiro. Hoje eu não não estou mais no Brasil, eu sou professor da Texas ANM University, mas eu trabalho muito com pesquisa com colegas, os meus colegas de São Paulo, colegas do Rio de Janeiro, colegas do Uruguai, colegas do Nordeste. Então, a pesquisa de praia é fundamental e o lado bom disso é que tem muita colaboração, tem um grupo muito forte e o Brasil é muito bem representado. Fica aí então o alerta dessa importante pesquisa que o Guilherme que faz parte de um grupo de pesquisadores que vem analisando aí a o que está acontecendo com as praias, além claro, das questões climáticas também que sofrem aí com a ação do homem. Muito obrigada, Guilherme. Eu que agradeço a oportunidade de compartilhar a nossa pesquisa. E o giro ambiental fica por aqui. Não saia daí. Olha, agora a gente tem informações, curiosidades sobre sustentabilidade e meio ambiente. A mosca lanterna pintada, uma espécie invasora que chegou aos Estados Unidos em 2014, representa uma ameaça econômica séria, danificando videiras e estressando árvores. Além disso, o inseto está afetando a qualidade do mel. Normalmente as abelhas produzem mel a partir do néctar das flores. No entanto, a mosca lanterna pintada excreta um líquido açucar chamado melado após se alimentar da seiva das árvores. Apicultores relatam que no outono as abelhas estão coletando e processando esse melado, o que resulta em um mel marrom avermelhado com sabor e aroma incomuns. A redução de emissões de metano no setor agropecuário foi tema central na COP 30 em Belém do Pará em novembro do ano passado. Para apoiar esse debate foi lançado um guia sobre gestão de dejetos da produção animal. Elaborado por instituições como o MAPA e a Embrapa, o documento ressalta que diminuir o metano da pecuária é uma das maneiras mais rápidas e financeiramente eficazes de combater o aquecimento global. O guia destaca que o manejo adequado dos dejetos oferece múltiplos benefícios. Reduz as emissões de um poluente climático de curta duração, gera energia renovável, permite a substituição de fertilizantes químicos, melhora a qualidade do ar e fortalece a segurança alimentar. Isso coloca o manejo de dejetos no centro da agenda climática, reconhecendo o papel estratégico da pecuária na economia e na subexistência de milhões.