Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Olá, está começando mais um Giro Ambiental e hoje vamos falar sobre uma descoberta incrível no mundo da ciência, uma nova espécie de dinossauro que foi encontrada no deserto do Saara, no norte da África. E o mais interessante é que um brasileiro participou diretamente desse estudo. Para entender melhor essa descoberta e a importância dela, vamos conversar com o professor Rafael Lindoso, que integrou essa pesquisa internacional. Professor, seja muito bem-vindo ao Giro Ambiental e obrigada por aceitar o convite. Boa tarde. Prazer, professor. Para começar, eu queria que você explicasse pra gente eh que dinossauro é esse que foi descoberto aí no Saara. Bem, esse é um indivíduo, né, uma espécie, uma nova espécie de uma família chamada espinossauríde, né, que são dinossauros terópodes, carnívoros, bípedes, eh, que são caracterizados por um crânio bastante alongado, muito similar aos crocodilos. Quer dizer, ele tem uma série de características que, ah, o assemelham a esse grupo de répteis, tá? é com adaptações semiaquáticas e que agora se configura como uma segunda espécie do gênero espinossauros, eh, que é ali uma família, um grupo de dinossauros, eh, tipicamente do norte-africano. Ah, certo? E falando no âmbito da ciência, por que essa descoberta é tão importante? Bem, ela tem reascendido um debate antigo em torno desse grupo, né? O espinossauros egípticos, que foi a inicialmente descrito em 1912, 1915 por um alemão, eh se tornou um dinossauro bastante exótico, né, com características que eh que não se assemelhavam, digamos assim, a tudo que já se sabia sobre os dinossauros carnívoros. Ele era muito diferente. Eh, isso despertou muito interesse eh na ocasião. Depois esse espécim foi completamente destruído em abril de 1944 durante um bombardeio aliado em Munique, na Alemanha. E esse péssimo foi perdido por completo. Depois novos materiais foram recuperados a partir de 2008. Depois, eh, foi publicado a um novo estudo a respeito desses novos materiais em 2014, trazendo um debate muito interessante sobre as características anatômicas e sobre sua adaptabilidade a um ambiente semiaquático. E agora, com essa descrição e descoberta dessa nova espécie, eh, esse debate é reascendido, né, ah, em torno dessa dessa família que é muito polêmica. Ah, certo. Eh, eu queria também que esse essa pesquisa ela é internacional, né? Eu queria que o senhor contasse também como que você entrou eh juntamente com esse grupo para descobrir essa nova espécie eh nesse deserto do Saara. É, a minha participação eh foi devido a um contato que eu fiz com um líder da equipe, o Paul Sereno da Universidade de Chicago, eh convidando a integrar um estudo que nós eh iniciamos aqui no Brasil, tá, em 2016, de uma nova espécie dessa mesma família, tá, que foi descoberta aqui no Maranhão, tá? H, é sabido que o Poço Serena é um especialista renomado, eh, e, eh, nesse grupo de dinossauros e ele acabou por aceitar o convite 2024 e ele me sugeriu fornecer alguns dados anatômicos e osteológicos para para que nós pudéssemos a criar uma um entendimento melhor sobre as relações filogenéticas desse grupo. Então, o esqueleto parcial que foi recuperado aqui no Maranhão acabou por entrar numa base de dados, reunindo todos os grupos de dinossauros carnívoros para que pudesse entender melhor as relações filogenéticas. E essas relações filogenéticas, por conseguinte, iriam oferecer a aspectos paleobigiográficos mais detalhados e a evolução desse grupo, como é que ela se deu. Então, o trabalho foi basicamente fornecer informações anatômicas eh durante um processo de fotogrametria, digitalização desse material e envio pros Estados Unidos. Eh, e o PL em 2025, quer dizer, ano passado, integrou uma expedição liderada por mim eh ao interior do Maranhão. Então, ele esteve no Brasil para visitar a localidade onde esse material maranhense foi descrito. Então, agora nós estamos trabalhando nele. Eu acredito que mais em um ano e um ano e meio esse material tá sendo submetido para uma revista internacional, certo? E qual foi exatamente a sua contribuição durante a pesquisa? análise filogenética, eh estudo, eh anatômico do material maranhense para que se pudesse identificar ele com clareza. E nós identificamos que se trata de uma nova espécie também dentro dessa família dos espinossaurídeos. E o trabalho de fotogrametria, digitalização desse material para que se pudesse ser enviado pros Estados Unidos, para que eles pudessem incluir isso numa base de dados, eh reunindo, né, e eh uma grande quantidade de dinossauros carnívoros, eh, com relações, eh, a essa família, para que nós pudéssemos ter um entendimento melhor sobre os aspectos evolutivos, paleobiogeográficos e mesmo anatômicos. E professor, para quem tá em casa e não tem tanto conhecimento sobre o assunto, eh, o que seria essa análise filogenética? Análise filogenética é uma análise que usa algaritmos eh e é uma análise em computadores, reunindo dados osteológicos dos animais e agrupando diversos indivíduos com maior afinidade anatômica. Então, os dinossauros que são mais parecidos, eles são agrupados através de um programa de computador, eh, e traçando, eh, uma árvore de parentesco, digamos assim. Então, os os organismos são agrupados em uma árvore da vida, né, eh em que se tem um entendimento melhor sobre as relações de parentesco desses indivíduos. E isso fornece, obviamente, uma uma um aspecto mais acurado sobre as relações eh paleobiogeográficas, ou seja, como esses animais se dispersaram, já que eles têm um parentesco mais próximo, eh como eles se dispersaram ao longo do tempo, né? Como é que se deu essa distribuição a uma vez que os continentes na época estavam em processo de separação e como eles se relacionam e como eh eles evoluíram ao longo do tempo, certo? E professor, eh também para quem tem curiosidade, como se dá uma descoberta como essa? Demora muito tempo? Olha, em se tratando, eu não tive presente na descoberta do Espinossauros Mirables. Eu fiz, eles foram em 2019, na primeira expedição, depois retornaram em 2022, logo depois da pandemia e o meu contato para integrar a equipe foi em 2024 e em 2025. Então, a o que eu posso falar é sobre uma descoberta dessa magnitude no nosso território, né? E o nosso espécim, que é uma que é uma espécie nova, né, de um dinossauro carnívoro, que vai se revelar, talvez como o mais famoso do Brasil em breve, eh é algo que que é bastante eh eh fascinante, né, no sentido de que você tem que fazer um planejamento prévio para para eh fazer a incursão necessária até os depósitos sedimentares, no caso. E aí você tem que eh respeitar as particularidades climáticas da região. Então, no caso aqui do Maranhão, a gente teve que aguardar um período de regime chuvoso a se dissipar para que nós pudéssemos então ir pra localização, para, desculpem, pra localidade, fazer o resgate desse material. E isso leva entre uma semana, duas semanas. Isso depende muito do material. Se o material muito mais completo pode levar semanas ou até meses para se recuperar. Em alguns casos, como foi a situação no Saara, eles foram em 2019, identificaram materiais novos, promissores e tiveram que retornar em 2022 com uma equipe maior para fazer o resgate desse material. Mais de 40 toneladas de de fósseis, né, recuperados, certo? E professor, falando um pouco mais sobre sua trajetória, né, na sua carreira, eh, como que você iniciou na paleontologia? Bem, eu sempre fui fascinado por esses organismos, né, desde garoto e acabei por seguir carreira. Então, me licenciei em ciên em ciências biológicas, depois fiz mestrado, doutorado em geologia com área de concentração em paleontologia, eh estudando o cretácio, em particular os ecossistemas do cretácio, tá? e acabei por a ser admitido no IFMA em 2016, onde eu sou atualmente professor adjunto de paleontologia e geologia e atualmente oriento estudantes de graduação e continuo desempenhando atividades de pesquisa na área de paleontologia com a descrição e nomeação de novas espécies de dinossauros. Mas não somente os dinossauros. Por vezes nós estudamos os elementos ah eh ecológicos que estão no entorno desses organismos, por exemplo, plantas, eh por vezes crustáceos, peixes, eh e às vezes até as impressões, os rastros e os vestígios desses animais, que muitas vezes são muito mais informativos do que os próprios elementos osteológicos e anatômicos. E professor, para quem tá em casa, quem sabe tem interesse de seguir essa mesma carreira, como que é o trabalho de campo de um paleontólogo? Ah, exige muita dedicação, por vezes um certo preparo físico, porque a gente eh encontra certos elementos intempéricos, eh desfavoráveis, por vezes enchentes, ah, chuvas, por vezes até raios, a depender do contexto. Eu lembro que eu trabalhei alguns anos na Ilha do Cajual, no litoral norte maranhense, e a o depósito sedimentar é riquíssimo em ferro, né? Então, nos períodos chuvosos, assim, você não podia ficar em cima do afloramento porque, eh, as descargas elétricas eram frequentes ali, né? Então, eh, cada sítio fossilífero, ele exige uma uma percepção, um cuidado, um um processo de logística muito bem detalhado para se escavar um dinossauro. Principalmente você precisa de recursos, né? Escavar um dinossauro, extrair um dinossauro da rocha, por vezes é caro. Você precisa de um maquinário adequado. Você precisa de, hoje em dia, de ah drones para fazer um mapeamento aéreo. Como a gente trabalha numa região eh florestada como a a região amazônica, eh um drone foi muito importante para identificar em meio à mata ali fechada onde é que haviam eventualmente afloramentos ah favoráveis à escavação, né, a ou visita para que se pudesse eh eventualmente encontrar eh novos elementos desse desse dinossauro. É, você tem que ter cuidado com com os com a fauna, né, silvestre. Então, é e é há um todo um cuidado em termos de mapeamento, né? envolve a logística, os mapeamentos das unidades de saúde mais próximas eh nas quais nós, eh, podemos recorrer a uma eventualidade de um de um incidente, alguma coisa desse desse tipo. Então são meses de preparo, de estudo, eh recuperando uma bibliografia, referências eh passadas já publicadas para entender o cenário geológico da região, eh quais são os pontos eh onde nós vamos eh sentar um acampamento, base, alimentação, combustível, né, no caso do rio Itapéuru. Então, a gente precisa transportar combustível para fazer a manutenção da da embarcação. E realmente é um trabalho árduo. E, professora, o senhor falou um pouco que já tá realizando uma pesquisa para encontrar um fóssil aqui no Brasil. Eh, eu queria saber se o Brasil é um local que tem bastante descobertas também. Sim, o Brasil tem se mostrado um local bastante prolífico, assim, em termos de de dinossauros, né? São dezenas de espécies já descritas e a cada ano vem aumentando mais. Nós temos formado alunos que têm desempenhado uma tarefa de sucessão no das nossas atividades, né? Então, as novas gerações têm cada vez mais aprimorado os trabalhos tecnológicos em torno da paleontologia, como por exemplo, a fotogrametria, que eu mesmo apliquei junto com os pesquisadores da Universidade de Chicago. E isso tem incrementado muito, né, o cenário paleontológico eh brasileiro. Agora, há de se dizer que o hemisfério norte, por ter em países mais desenvolvidos e com mais recursos para fazer esse tipo de atividade científica e valorização também da eh desse patrimônio, as coisas acontecem numa velocidade muito mais rápida, né? Eh, eles não têm os fósseis melhores, né? E os mais completos. A gente também dispõe de materiais muito importantes, eh, que de certa forma em algum momento, estavam globalmente conectados. Então, a possuem a mesma relevância. O problema são essas discrepâncias em termos econômicos e e de financiamento que o Brasil não consegue por vezes acompanhar. Então, nós tivemos, por exemplo, essa última expedição no Maranhão em 2025, em setembro, com o financiamento inteiramente eh advindo aí da Universidade de Chicago. Caso contrário, já são aí 9 anos desde que o material foi recuperado inicialmente, 9, 10 anos até que nós pudéssemos retornar. O resultado disso, eh, com quase uma década de ato entre a primeira visita e a primeira expedição, nós não encontramos praticamente mais nada do animal. provavelmente ao longo de uma década as intemperes lá ao longo do rio Itapecuru pode ter varrido o material e esse material provavelmente se perdeu. E professor, pra gente finalizar, né, para quem tá assistindo, porque é importante é continuar eh estudando os dinossauros, encontrando esses fósseis eh nos locais. Bem, um exemplo prático assim que atende a percepção talvez capitalista da coisa, né, é que os fósseis, não somente dinossauros, mas eles têm um apelo eh popular, digamos, no sentido de atrair jovens paraa ciência, porque são animais fascinantes, né? em toda essa vertente envolvendo o fascínio que esses animais despertam, mas também eles têm um lado ah econômico. Então, estudar os fósseis eh nos ajudam hoje a revelar uma compreensão melhor do nosso planeta, como ele evoluiu, e isso a automaticamente nos dá uma uma espécie de percepção mais acurada sobre o nosso papel ecológico, como nós devemos eh reagir frente a às mudanças climáticas, aos processos de extinção. Eh, a geologia econômica, por exemplo, a indústria do petróleo, ela se ela faz uso de forma muito muito próxima, né, muito eh imediatista, digamos assim, dos fósseis, né, dos microfósseis, em especial. Eh, os a questão da das mudanças climáticas, por exemplo, eh os fósseis eles permitem porque eles estão preservados em camadas de rochas que muit das vezes refletem dezenas ou até milhões, centenas de milhões de anos. Isso permite que nós projetemos a as mudanças climáticas eh e avalie melhor como as espécies podem enfrentar esses desafios, coisas, eh, por exemplo, que computadores não conseguem estimar, né, projetar. Então eu diria que a paleontologia oferece uma perspectiva de tempo, não tempo profundo. Ela se vale do tempo profundo do passado, do exame das rochas, dos fósseis para projetar um futuro, mas um futuro longinco, né, que a o nosso intelecto ou mesmo os processos tecnológicos atuais não dão conta. Perfeito, professor. Eu agradeço pela sua participação e por compartilhar com a gente seu conhecimento aqui no Giro Ambiental. Eu que agradeço e obrigada também pela sua audiência. Eu fico por aqui, mas você continua com as curiosidades e informações sobre o meu ambiente. Até a próxima. Um estudo recente descobriu que o controle de saciedade em mosquitos a eda egipte acontece no intestino e não no cérebro. Células no reto sinalizam quando já tomaram sangue suficiente, reduzindo assim a vontade de picar mais. Isso pode levar a novas formas de combater dengue, zica e chicungunha, atingindo o intestino do mosquito com mais facilidade. [música] [música]