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Giro Ambiental | Dieta revolucionária reduz metano do gado 70%
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Giro Ambiental | Dieta revolucionária reduz metano do gado 70%

39 views Publicado 07/05/2026 HD · 16:04
Resumo editorial

O Giro Ambiental apresenta uma das inovações mais relevantes da pecuária brasileira nos últimos anos, uma dieta capaz de reduzir em até 70 por cento a emissão de metano por quilo de carne produzida. A tecnologia, desenvolvida em uma fazenda no Mato Grosso e em parceria com uma indústria de nutrição animal, utiliza uma molécula que sequestra hidrogênio no rúmen do gado, evitando a acidose ruminal e permitindo uma dieta totalmente concentrada, sem volumoso ou fibra. O pesquisador convidado, ligado ao Instituto de Zootecnia, explica os benefícios para o produtor, como redução do custo operacional, menor necessidade de área para forrageiras, manejo simplificado com reposição semanal de ração e ganhos de qualidade na carne, que fica mais vermelha e macia. A conversa também desmistifica a comparação entre vacas e carros, lembrando que o carbono fixado pelas pastagens via fotossíntese é diferente do carbono fóssil emitido por combustíveis. Conteúdo que une ciência, sustentabilidade e o agronegócio brasileiro.

Descrição do vídeo

70% de redução na emissão de metano por quilo de carne é o resultado de uma dieta 100% concentrada, sem volumoso, testada em fazenda no Mato Grosso pela MJ Nutrição Animal. Ao Giro Ambiental, o pesquisador Geraldo Balieiro, do Instituto de Zootecnia, explica como a molécula sequestra hidrogênio no rúmen, evita acidose ruminal e corta custo de infraestrutura e área de forragem. Balieiro também desmistifica a equivalência de 28 vezes entre metano e CO2, mostrando que o gás do gado integra um ciclo de carbono já sequestrado pela fotossíntese do capim, diferente do carbono fóssil. Tecnologia já usada em 300 mil cabeças de gado no estado.

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Olá, está começando mais um Giro Ambiental. Hoje vamos falar sobre uma inovação que pode ajudar a combater as mudanças climáticas diretamente no campo. Uma dieta desenvolvida para o gado que reduz significativamente a emissão de metano, um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa. A tecnologia surgiu dentro de uma fazenda no Mato Grosso e já chama a atenção da comunidade científica internacional. E para entender como isso funciona e quais os impactos dessa solução, vamos conversar agora com o pesquisador do Instituto de Zootecnia, Geraldo Balieiro. Professor, muito obrigada por nos atender e seja bem-vindo ao Giro Ambiental. É um prazer estar com vocês para esclarecer os resultados desse trabalho. Para começar, eu queria que você contasse um pouco como que surgiu essa dieta. A motivação inicial dela já era com esse objetivo climático, não? eh problemas para produção de volumoso na fazenda, né? No Brasil central a gente tem uma série de gargalos, né? Com a o a maquinário, área para produzir a forragem, eh os silos, a infraestrutura para estocar eh eh esse volumoso para fornecer pros animais e a operação também de fornecer pros animais. Então, eh, além de envolver área, infraestrutura, tem o custo operacional também do fornecimento desse volumoso. Eh, e com isso, então, os normalmente a gente tenta em confinamento aumentar a quantidade de alimentos concentrados, né, que a gente aumenta a densidade energética da dieta, acaba melhorando a eficiência do desempenho animal e com isso você reduz ah o trabalho de fornecimento dos alimentos. Então, por conta disso, a gente tenta reduzir esses volumosos para facilitar o manejo e não depender tanto de área, não depender da produção de volumoso na fazenda. Eh, esse foi o primeiro passo, assim, é o problema a ser resolvido, né? E a a indústria, então, a MJ nutrição animal desenvolveu uma molécula que ela ela sequestra hidrogênio no ROMEN, né? E dessa forma ele evita o problemas de distúrbios metabólicos como acidose uminal. Eh, e aí acabou permitindo então tirar todo esse volumoso da dieta dos animais. Uma dieta completa, só com ingredientes concentrados, a dieta completamente seca, né? E isso facilitou muito o manejo dos animais, porque você pode fazer uma reposição eh semanal, às vezes até menos, dependendo do tamanho do do comedor automático ou da eh da do número de animais que você tem para alimentar. Mas o fato é que reduz muito o custo operacional, o custo de infraestrutura, o custo da não não necessita de áreas para você produzir essa forragem. E com isso, então, como o metano ele vem da degradação da fibra e essa dieta reduziu a fibra, a fermentação ruminal, né, do volumoso, reduziu substancialmente também a emissão de metano, certo? E, professor, por que esse metano, né, que é emitido pelos gados, ele é tão prejudicial pro meio ambiente? É essa, na verdade a pecuária não é a vilã, né? a gente tem uma um um consenso público mesmo por conta dos dados do IPCC, que o metano ele tem uma perturbação no ambiente, né, de de 28, 26, 30 vezes mais do que o dióxido carbônico, que seria um equivalente. Mas a gente tem, às vezes, as pessoas pedem pra gente comparar com carro, a vaca com carro. E a gente tem que entender o seguinte, que a a os animais umantes eles estão eh comendo o capim que foi sequestrado, foi captado esse carbono da atmosfera através da fotossíntese. Então nós estamos fazendo uma ciclagem desse carbono. A vaca vai fermentar isso no rumen e vai produzir alimentos nobres como a carne, o leite. Então é um ciclo. Nós não estamos com isso inserindo eh eh carbono na atmosfera, né? diferente de quando você tá queimando carvão, combustível fóssil, que aí sim você tá adicionando um carbono. E essa relação de 30 vezes que aquece mais do que essa equivalência com dió carbono, ela tem sido muito discutida porque os físicos explicam que numa condição normal a gente tem um gás na atmosfera que chama hidróxido, que ele é um detergente, ele limpa toda a sujeira que a gente joga na atmosfera e até esse metano atingir a estratosfera Ou seja, na na toposfera tem uma uma camada de ar de 7 km. Esse em condições normais, esse hidróxido, esse hidróxido limpa o CH4, o metano ele reage e o metano simplesmente desaparece em menos de 100 dias. Então não há problema. O problema é quando você tem monóxido de carbono nessa mesma coluna de ar, ocupando todos esses hidróxidos. E dessa forma o metano ele vai subindo, ele leva 100 dias até atingir uma camada acima da toposfera, da troposfera, passando pra estatosfera acima de 7 8 km. Aí nessa camada superior, na estratosfera, não tem hidróxido para limpar. E ali sim esse metano vai ficar 12 anos para até ele ele ser eh eh completamente degradado. Então essa conta aqui é de equivalência do do metano com dióxido carbono considera esse período de perturbação que na verdade tem uma ah uma reação eh onde você tem muito dióxido carbono na atmosfera. Então, às vezes, até tem alguns filmes da NASA numa uma tecnologia muito recente que mostram o metano passando paraa estratosfera em locais onde não tem gado, não é proporcional essa emissão de metano com as regiões onde tem maior densidade de rebanho. por exemplo, na Etiópia, onde você tem grande densidade de de gado e você tem pouca emissão porque não tem dióxido de carbono, não tem monóxido de carbono eh ocupando esses hidróxidos. Então, esse metano simplesmente ele é ele é limpo na atmosfera antes de ir pra estratosfera. Em 100 dias ele desaparece. É importante a gente mencionar isso e esclarecer isso para que as políticas públicas sejam definidas. com eh um bom conhecimento de causa, né? O o gado, a pecuária faz parte de um sistema de produção de alimento sustentável. Ele faz parte desse ciclo. A gente tá só eh transformando o carbono, não estamos criando o carbono, né? O metano tem sim mais o mais eh poder de aquecimento do que o dióxido de carbono, né? Mas, mas essa equivalência a gente tem que considerar não só o que se emite, mas como também a concentração de outros gases na atmosfera, principalmente de de monóxido de carbono, que vem da queimada de floresta, de queima de combustível fóssil. Então, se eles estiverem na mesma coluna de arupando esse hidróxido que limparia o metano, o metano escapa e vai paraa estratosfera, onde tem menos hidróxido e ali ele permanece por mais tempo, certo? E professor, na prática, você já falou um pouco sobre essa dieta, que ela é uma dieta seca, né? É isso. Eh, ela tem algum efeito também eh no bem-estar desse animal, desse gado? Eh, não. O gado eh pode comer essa dieta, né? É, é, é, sou um pouco estranho. Falar, como é que a gente vai alimentar ruminante sem forragem, né? Mas esse que foi o grande achado assim, né? Porque eh o Dr. Márcio ele é um engenheiro florestal, também tem conhecimento em química. Então ele conseguiu desenvolver uma molécula para reduzir esse esse problema metabólico. O animal pode comer sem ficar com o sem ter problema de distúrbo e ela sendo seca, ela permite que seja utilizada, ela não estraga. Então você deixa no comedouro automático por dias, o gado vai comendo o e a dieta vem caindo e você não precisa voltar. Então reduz muito o custo operacional no confinamento, justamente por ela ser seca, né? Ela ela não estraga e o gado fica com saudável. Nós tivemos trabalhos aqui com alimentando os animais durante 300 dias, sem forragem, sem problemas de distúrbio metabólico, inclusive depois fizemos análises de fígado na carne, sem resíduos de antibiótico. Não tem antibiótico nessa dieta. E e no tratamento controle, a gente tava usando alguns ionófros, virgenemicina, onde pode ser detectado no fígado dos animais eh eh uma uma quantidade dentro do limite permitido, mas ela é detectável lá. A dieta do Dr. Márcio não tem antibiótico, não tem eh ionóforo, eh nem monenzina, nem virgem e ela permite essas vantagens operacionais. E professor, eh, essa carne também do animal com essa dieta, ela fica diferente, tem um sabor diferente? Vocês citam isso na pesquisa também. ela teve uma coloração eh mais vermelha e uma uma textura, uma maior marciez, que a gente faz um teste de de eh de sisaleamento, né, para ver o corte da carne, qual que é a pressão que você precisa para fazer o corte na carne. Então ela ela foi mais macia também que o controle, teve mais essa vantagem da qualidade da carne, eh essa questão da maciez e da coloração da carne também foi favorável. E essa solução, ela já tá disponível ou ainda precisa de mais testes para ser usada assim amplamente? Ela tá validada, já tem mais de 300.000 cabeças usaram o ano passado, né? principalmente no Mato Grosso, ele eh já tá no comércio disponível. Eh, as pesquisas demonstram, então ela tá disponível. Se o produtor decidir alimentar os animais sem forragem, ele tem realmente essa opção eh confiável e disponível, certo? E no caso também existe alguma limitação ou algum risco com esse tipo de dieta? Ela é segura? Ela é segura. Ela não não risco assim pra saúde do animal não tem um normalmente o Dr. Márcio acompanha e faz e ele tem os técnicos habilitados para explicar como que é a utilização, né, a adaptação da dieta e não não há problema algum em termos de eh segurança alimentar, nem segurança para eh em termos de saúde pros animais, né? É claro que a decisão é do do proprietário, né, do pecuarista, ele vai ele deve considerar as vantagens, né, e enfim, mas eh restrições não existem. Professor, eh para encerrar o programa, é o que você espera é dessa pesquisa pro futuro, né? Essa solução pode mudar também a forma como a pecuária ela é vista pela sociedade? Eh, pode mudar a forma como é tratado esses animais também? É, é sempre bom. A gente tem várias opções, né, para reduzir o o metano. A gente já comentou como essa tecnologia foi desenvolvida. Tem várias outras tecnologias que também mitigam a emissão de metano, né? você tirando a forragem, inclusive nós fizemos um trabalho com a mesma, eu eu incluí a forragem na dieta do Dr. Márcio Jorge para isolar o efeito da molécula que ele desenvolveu, que ela sequestra hidrogênio. Hidrogênio é a matéria prima paraa formação de metano no rumen. Então a molécula dele faz o mesmo papel do metano, ela sequestra o hidrogênio. eu pus a mesmo o mesmo nível de fibra nas dietas para isolar o efeito da molécula e ela reduziu 40% emissão de metano. Então e e essa redução de mais de 70% por kg de carne produzido é uma combinação do efeito da molécula e do efeito da retirada da fibra na dieta, né? Existem várias outras formas de de você eh eh contribuir, né, com esse com um sistema mais eficiente, com menor impacto ambiental. Eh, mas certamente essa é uma contribuição substancial e significativa. Agora, pro futuro, eu acho que eh depende muito de da da escolha do produtor, né, da conscientização, da situação de cada propriedade para tomar a melhor decisão, né? A gente a o o metano é bom comentar que ele é uma perda de energia. Então, quando a gente reduz o metano, a gente tá melhorando a eficiência da utilização de energia dos alimentos, né? Então tem outras formas também de melhorar a eficiência produtiva dos animais. Certo? Perfeito. Eh, conversamos então com o pesquisador Geraldo Balieiro sobre essa dieta inovadora que pode transformar a pecuária, reduzindo significativamente a emissão de metano e contribuindo para o combate às mudanças climáticas. Professor, muito obrigada pela sua participação e por compartilhar com a gente esse conhecimento, essa pesquisa tão importante. Eu agradeço a oportunidade, um prazer estar com vocês. Disponha, estamos disponível. Perfeito. Obrigada também pela sua audiência. O Giro Ambiental segue com as informações e curiosidades do meio ambiente. Até o próximo programa. O zoológico de São Paulo, em parceria com o Senas da Unesp, realizou a primeira transfusão de sangue entre onças pintadas no Brasil. A doadora foi Juana, de 4 anos, que forneceu cerca de 800 ml de sangue para Jack, uma onça de 18 anos em tratamento contra a doença renal crônica. A coleta aconteceu no Hospital Veterinário do Zoológico e a transfusão foi feita em Botucatu. Segundo os especialistas, os dois animais responderam bem ao procedimento considerado inédito no país.
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