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[música] [música] Olá, sejam muito bem-vindos ao Giro Ambiental. No programa de hoje, a gente vai conhecer a história de um homem que transformou uma área degradada na zona leste de São Paulo em uma verdadeira floresta urbana. Com muita persistência, amor pela natureza e trabalho diário, ele já plantou mais de 40.000 árvores às margens do córego Tiquatira, que fica na vila São Geraldo, na divisa entre os distritos da Penha e do Cangíba. E para contar essa trajetória pra gente, recebemos hoje o aposentado Hélio da Silva, conhecido como plantador de árvores. Seu Hélio, seja muito bem-vindo ao Giro Ambiental e obrigada por aceitar nosso convite. Obrigado a vocês aí. o veículo de comunicação é um é o é o elo que liga a pessoa com a sociedade. Então, muito obrigado por pelo convite. Seu Hélio, antes da gente eh começar a falar sobre seu trabalho de reflorestamento aí na zona leste, eu queria que o senhor contasse pra gente como que era essa região do Tatira quando você começou a frequentar o local. Bom, eu moro nessa região há mais de 66 anos. Eu tenho 75 anos, mas eu vim para São Paulo, do interior aí aos 8 anos de idade. Então eu moro nessa região, resido nessa região. Fui um empresário bem-sucedido na minha vida. Criei empresas, inclusive fui executivo, viajei o mundo inteiro. Mas eu percebi uma degradação muito grande nessa região que eu moro, zona leste de São Paulo, 6 milhões de habitantes. Ao lado do parque hoje tem 1 milhão de habitantes. E eu vi uma degradação, era entúo, minescracolândia, depósito de lixo, comerciantes tomando conta. E eu resolvi num ato de cidadania, num ato de amor à cidade que eu moro, de mudar a situação. Disso, nós estamos falando lá em 2003, quando pouca gente falava em plantar árvore no mundo, eu já estava plantando árvores no mundo, né? Então eu comecei lá em 23 de novembro de 2003. E em quanto tempo o senhor conseguiu transformar essa região? Eu ainda tô transformando essa região. Eu planto árvore desde 2003. Nós estamos em 2026 há praticamente 23 anos. Eu planto. Antes eu plantava só sábado e domingo em função da minha atividade profissional, mas agora nos últimos 5 anos eu tô praticamente diariamente lá. Então, na realidade eu repatriei aquilo que era dela, aquilo que era Mata Atlântica, né? E plantar árvore lá na na no sítio, na fazenda, é mais fácil. Agora, plantar no meio da cidade de São Paulo, no coração da cidade de São Paulo, que já são 44.500 00 árvores, tudo mata atlântica, mais de 170 espécies, é um pouquinho mais eh difícil, se é muita resiliência, muito trabalho, mas fundamentalmente muito amor. E é o que eu faço com a com nossas queridas. Sim. E seu Hélio, como que foi o início desse processo também? Eh, como do que o senhor contou paraos seus familiares, suas próximas de você, que você iria e iniciar essa trajetória? Qual que foi a reação deles também? A reação não não só dos familiares, mas dos amigos, de comerciantes, de toda a comunidade. Foi fo foi não não vai fazer isso porque você vai contrariar, embora fosse uma área pública, você vai contrariar interesses de da comunidade, interesses de comerciantes e por aí vai. E isso me motivou a continuar, me motivou a fazer, né? O que é difícil. Pouca gente fazem. O que é fácil, muita gente faz. Então aquilo foi foi o gatilho para eu continuar em frente. E eu vi o que tava acontecendo no mundo, isso há mais de 20 anos atrás. E foi esse gatilho. E eu fui aí pro lado da região de vocês aí em Pirascaba, Limeira e comprei 200 mudas de Mata Atlântica, plantei e algum tempo depois destruíram as 200. E a turma que me desanimou falou: "E agora?" Eu falei: "Agora é fácil, vai 400 árvores". E foi assim, eu fui aí outra vez, retornei, comprei 400 árvores e algum tempo depois destruíram também as 400 árvores. E aí a Tuna falou: "E agora você vai desistir?" Eu falei: "Nunca vou desistir." Aí eu falei: "Agora vai 5.000 árvores". Aí eu comecei a plantar 5.000 árvores e a minha atividade profissional me aproximou muito do governador de São Paulo, Geraldo Alm na ocasião, do José Serra, era o prefeito da cidade e outras autoridades. E num dia, dia 5 de junho, dia mundial do meio ambiente de 2005, eu consegui trazê-los aqui para essa área até então abandonada, degradada, não era parque. e plantamos árvores junto, que fazia parte daquelas 5.000 árvores. E aí eles falaram para mim, se até 2008 tiver plantado aqui essas 5.000 árvores que você tá se referindo, nós vamos criar em São Paulo o primeiro parque linear. E foi feito isso daí, de modo que em 2008 já existiam as 5000 árvores da Mata Atlântica e se criou aqui o primeiro e o maior parque linear da cidade de São Paulo. Hoje o quarto parque linear do mundo hoje. Certo. E seu Hélio também eh no caso para você como que foi eh foi muito difícil. Você contou que teve dificuldades duas vezes, que as mudas que você plantou foram destruídas e o que naquele momento fez o senhor não desistir? O que te motivava a continuar tentando fazer esse parque linear acontecer? O que me motivou basicamente foi que eu não consultei minha cabeça, eu consultei o meu coração e o coração falou: "Vai em frente que eu te suporto". Quando a gente consulta a cabeça, ela coloca um monte de dificuldade, problemas, tal. O ser humano é assim, né? Ele cria dificuldade, ele ele faz do problema um elástico e vai puxando esse elástico. Ele engrandece o problema. E o problema às vezes é tão pequeno, né? Mas quando você capeia esses problema, a sua missão, a sua jornada com amor, você vai em frente, né? E a turma fala: "El, mas deu muito trabalho?" Eu falei: "Não, deu muito prazer". E dá muito prazer ainda de contribuir, de ser um cidadão, né? E isso daí na minha cabeça chama amor. E quem tem amor vai em frente. A turma fala: "Você trabalha todo dia?" Eu falo: "Não, eu tenho prazer todos os dias de plantar as áreas. Eu continuo plantando as inclusive aí em Campinas". Sim. E o senhor também mantém um registro detalhado de cada árvore plantada eh no parque. Eh, de onde vê essa preocupação em catalogar todo seu trabalho? Essa essa preocupação veio numa na seguinte comparação, imaginação. Já pensou, Camila, se o nossos avós, bisavós, mantesse um diário escrito lá, a gente teria tudo acesso? Como é que era a vida deles, que que eles faziam? Ele plantava café, algodão, ia nadar no rio. Seria maravilhoso a gente ter esses diários aí. Esse dia eu fui no IAC aí de Campinas, eu vi alguns diários, algumas anotações lá, quando a rainha Elizabeth foi visitar o IAC, Dom Pedro e por aí vai, né? Então são alguns registros. Eu fiz questão de deixar tudo registrado eh por escrito. Eu tenho um diário manuscrito de 214 folhas já. o dia que eu plantei, que espécie que eu plantei, qual é a latitude, a longitude, o sentido entre a rua A e a rua B, que vai servir agora para escrever um livro autobiográfico. Já existe, lançamos agora em dezembro um livro infantil, lindo, contando a história, o por criado o parque, como foi criado o parque e o que que o parque agregou para as crianças, para a comunidade, para o comércio lá. e já saiu. É um livro que faz muito sucesso nas escolas, porque ele é bem infantil. E agora, esse foi, nós estamos em dezembro, agora no mês de eh maio, começo de junho, nós estamos lançando um segundo árvore, um segundo livro infantil. O primeiro é o sonho de Hélio e o segundo vai ser o plantador de árvore. Ou seja, deixar isso e mostrar paraos nossos queridas, nossas queridas crianças e os adultos também. Qual é a mensagem? Uma mensagem de amor e uma mensagem que é possível fazer e provar que uma andurinha sozinha fazerão sim com amor e com resiliência e com trabalho e com ato de cidadania. Sim. E seu Hélio, além de plantar as mudas no Parque Linear, o senhor também procurou estudar sobre as espécies de árvores, espécies naturais da Mata Atlântica também para trazer pro local. Qual que foi a importância pro senhor aprender sobre esse processo? Porque também atualmente o senhor é palestrante, também dá palestras sobre esse plantil. É fundamental quando você vai fazer alguma coisa, você tem pelo menos informações básicas, né? Por exemplo, quais são as espécies da massa atlântica? Aqui eu já plantei mais de 170 espécies da massa atlântica. Então é fundamental que você tenha essa noção. Plantar árvore é bom, mas não pode sair igual maluco, plantando qualquer árvore por aí. A árvore às vezes imprópria para calçadas, imprópria para parques. Então tem que ter uma noção básica daquilo que você tá fazendo. E a batida é a certa, no lugar certo e da espécie certa, né? Isso é fundamental. E quando se planta uma árvore, tem que pensar nela daqui 20 anos, daqui 30 anos, para onde vai as raízes, para onde vai a copa e fundamentalmente qual vizinho que ela quer. Eu pergunto para minhas que vizinho que você quer aqui? Então eu pergunto para um pé de Jequitibá, por exemplo, e lá já existe mais de 13 Jequitibá, não tinha nenhum. O jequitibá é uma árvore longeva, mais de 3.000 anos, né? Xixá e outra. E eu pergunto, que que vocês querem de vizinhas aqui? Há algum tempo atrás eu medi a altura média do parque das árvores, dá em torno de 20 m. Então eu já tô plantando muitas centenas de árvores chamado mulateiro. Ela vai até 40 m de altura e ela vai ser uma espécie de guardiãs do parque e não vai atrapalhar nenhuma outra árvore. Então é fundamental que tudo aquilo que você vai fazer, você estuda, você pergunta, você vai lá no mato e pergunta lá para pro candango, pro citiante, que árvore que é aquela. E é assim que se aprende, né? Eu sou formado em administração de empresas, pós-graduado em propaganda e marketing, mas é fundamental que você aprenda com aquela pessoa simples do mato. Eles são os verdadeiros professores. O restante é técnica, então tem que aliar o conhecimento com a técnica. E com o passar dos anos, quais mudanças eh o senhor começou a perceber eh no ambiente, no parque? Começou a surgir mais animais, mais aves na região? Como que foi? Grosso para você ter uma ideia, ao redor do parque a zona leste de São Paulo, moram seis Campinas aqui. Ou seja, Campinas tem 1 milhão, 1 milhão 150.000 habitantes. Na zona leste de São Paulo tem 6 milhões. Só na zona leste, São Paulo tem 12, metade mora na zona ao redor do parque, ali nos bairros mora 1 milhão de pessoas. recentemente eh mediram temperatura lá, o parque eh reduziu a temperatura para esse 1 milhão de pessoas, basicamente em 5º, né? Então aquilo que era 35 passou a 30. E fundamentalmente e o parque pelo pessoal do Bird, o observador de pássaros, já catalogaram lá 65 testes de pássaros. É fundamental que tenha vida. Então o meu objetivo e tá escrito no meu diário, além de atrair pessoas, foi atrair pássaros também, né? Foi atrair insetos, né? E tem um dogma que insetos é praga. [risadas] Não, só existe uma praga no planeta. E desculpe, é o ser humano. Ele é o topo da cadeia, ele é o destruidor, ele é o egoísta. O restante, quando tem muito inseto, é descontrole biológico. Aí tem que cuidar. E uma das maneiras que cuida é pássaros. Eles se alimentam daquilo lá. Então nós reduzimos, evoluiu toda a região com comércio, com moradias. E é isso daí. Esse é o ato de legado. Eu fui um empresário bem cedino, ganhei dinheiro e tô gastando dinheiro. Não conto com recurso nenhum de ninguém. Eu tô aplicando aquilo que eu ganhei aqui. Então, em vez de gastar lá em medicamento, em calmantes, em rivotriloso da vida, eu vou aí em Limeira e compro minhas mudas certa e planto no lugar certo. É muito gratificante isso daí. E o que falta no mundo, Camila, e pessoal que tá, que está assistindo e nos ouvir, é um pouco de generosidade, é um pouco de amor, é é mais veludo e menos lixa, veludo, veludo, menos lixo. Hoje o homem, tudo isso que tá acontecendo no mundo hoje, a culpa é do ser humano. Tem a digital de ser humano lá. 50% dos problemas do planeta é cíclico, é o próprio ciclo do planeta. Mas os outros 50% é a digital do homem, né? Ele fala em progresso. Progresso. Que progresso é esse? Eu faço muitas palestras e o mundo vai gastar trilhões de dólares para consertar o que o homem fez de 150 anos para cá. É isso. E aí eu me questiono, isto é progresso? Que progresso é esse? Que progresso é esse que destrói? Destrói. A massa frânica está destruída em 88%, só sobra 12. moram hoje onde era massa atlântica 175 milhões de brasileiros. Isso é progresso com destruição. Ou seja, o homem não harmonizou, né? Faltou amor e falta amor ainda. E também o senhor já falou um pouco sobre os livros lançados, né, os livros eh infantis e também a biografia que vem aí sobre a sua história. Queria que você falasse um pouco sobre como que é para você eh ter essas a sua história, sua trajetória contada em livros também. A minha história é linda, porque eu vou nas escolinhas de escolinhas de periferia, escolinhas aí nessas periferias de Campinas, por exemplo, aí onde as crianças, Camila, vão na escola para comer. Eles não vão para aprender. Eu fui um deles quando eu vim para São Paulo. Então é muito gratificante. É muito gratificante você pegar uma criança e e pedir para ler o livro. Essa criança lê o livro pelos amiguinhos dele lá e você fica observando lá. é linda, é coisa bonita. E eles falam: "Olha, o senhor ela existe, viu? Não é só televisão, não, ela existe. Vão lá, me abraçam tudo." E e eu tenho muitos depoimentos que vários deles fal: "Eu queria ser igual ao senhor". Aliás, o nosso objetivo é criar mes, hélio, é criar hélios para daqui 50 anos, 100 anos, 200, não importa. Vocês imaginem meus pés, os pés de jequitibá que eu plantei, crian eh daqui crianças que vão chegar daqui 50, 100, 200, 500, 1000, 2000 anos vão usufruir desses kitbaz aí de que a longevidade é 3.000 anos. Então é esse essa mensagem de amor e essa mensagem que é possível fazer. É sim. Qual, seu Hélio, pra gente finalizar, qual que é o próximo passo? O senhor pretende continuar plantando árvores no parque Linear, continuar incentivando pessoas também para fazer como você? Eu continuo plantando árvore lá. A minha meta isso tá no meu diário lá de 23 de novembro de 2010 era plantar 50.000 árvores. Tô em 44,500. Cabe e eu num plano solar. Aí em Campinas eu fui fazer uma palestra num colégio chamado grátis, alguma coisa aí. emira planta em valinhos, onde me chamam, planto ar em escola. As escolas hoje estão com a carência de ar, a viersa, principalmente frutias de baixo não são muito altas não. Então eu continuo fazendo isso, Camila. É uma jornada e eu eu falo que eu tô aqui nesse planetinha num pit stop. Aliás, o ser humano fez um pit stop aqui nesse planeta. Se der sorte, ele vai até 80, 90 anos. E nós só temos essa casa aqui. Daqui a pouco a gente parte da onde a gente da onde a gente veio, que é lá do pó das estrelas. E na nossa única casa é essa. E nós estamos com condomínio atrasado. Nós estamos judiando do planeta. Eu costumo brincar que o ser humano não deu certo no planeta. O burro já deu certo. O burro camelo, jumento já carregaram a humanidade nas costas. E o ser humano continua aí matando, eh, sendo egoísta, não cumprimentando o vizinho dele. Esse ser humano continua aí ruim, tá chegando a conta, tá chegando boleto agora, ou melhora ou melhora. E eu faço a minha parte e com muito prazer, com muito, com muita dedicação. Então, tá faltando generosidade e fraternidade. Hélio, muito obrigada pela sua participação aqui conosco e principalmente pelo exemplo. A história do senhor mostra como que a dedicação é importante para transformar a paisagem, o cenário de onde a gente vive. As pequenas atitudes são grandes eh atitudes, né? Papa Francisco já falava, não espere muita coisa de grandes eventos, confie na nos pequenos grupos, confie nas ações individuais. E eu faço isso daí com muito prazer, né? tem a minha rede social, plantador de árvore. É só acessarem lá e você vê lá um exemplo bacana, um exemplo de vida e um exemplo de de amor acima de de tudo. Então eu fico à disposição para palestra, para escolas e fiquem à vontade. Perfeito. Mais uma vez obrigada e obrigada também pela sua audiência. O Giro Ambiental fica por aqui e até o próximo programa. Tubarões nas barramas foram encontrados com traços de cafeína, analgésicos e até cocaína no organismo. O estudo analisou 85 animais perto da ilha de Eleutera e identificou contaminação em 28 deles. A cafeína foi a substância mais comum seguida por paracetamol e diclofenaco. Em um filhote de tubarão limão, os pesquisadores também detectaram cocaína, o que indica exposição recente. Segundo os cientistas, a contaminação está ligada ao esgoto e à presença humana nas áreas costeiras. Correntes marinhas também podem levar esses resíduos químicos para regiões distantes. [música] [música] Ha imigração em massa passou a ocorrer a partiro.