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Olá, sejam bem-vindos a mais um Giro Ambiental. O Idarsa sigla paraa inteligência de dados para automação de relatórios socioambientais. É um projeto que utiliza inteligência artificial para identificar automaticamente espécies de peixes na Amazônia. A tecnologia promete tornar o monitoramento ambiental mais rápido e preciso, além de ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade da região. E para explicar como esse sistema funciona e de que forma ele pode contribuir também para a conservação ambiental, eu converso hoje com Danilo Costa, que é gerente executivo de operações do Instituto Atlântico. Danilo, seja muito bem-vindo ao Giro Ambiental. Muito obrigada. Um prazer tá aqui falando para vocês e falando de um tema que é muito bacana, né? falando da conservação do nosso meio ambiente. Para começar, eh, para começar, Danilo, eu já dei uma deixa, mas eu queria que você explicasse melhor para quem tá em casa o que é o Idarça e como também surgiu a ideia para desenvolver esse projeto. O IDSA, ele é um projeto que surgiu ah do programa de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Norte Energia. é um programa que é regulado pelo PDI ANEL, que é a reguladora do setor elétrico, em parceria com o Instituto Atlântico. E a gente tem eh em nosso rol de pesquisadores eh bolsistas de universidades, principalmente da Universidade Federal aqui do Ceará. Eh, esse projeto ele visa atender a uma demanda socioambiental da usina da Norte Energia, né, que ela fica localizada no complexo do Belo Monte, ali no Rio Xingu, no Pará. E esse projeto ele atende duas grandes vertentes. Imagina que ao longo de uma usina existem várias eh vários programas socioambientais sendo tocados junto com pescadores, junto com a comunidade local. E a ideia é concentrar esse volume de dados que vem de todas essas frentes num único lugar, tratar esses dados para que a tomada de decisão em cima deles seja mais facilitada. E como é que a gente faz isso no Idarça? A ideia é a gente utilizar inteligência artificial para analisar todo esse volume de dados, compilar e trazer informação de forma muito mais rápida e muito mais assertiva pro time da Norte Energia que faz a tomada de decisão e apoiar eh a toda as ações que eles vão tomar. Esse projeto também tem uma frente muito legal, que é o sistema de transposição de peixes, mais conhecido na região como escada de peixe. É um canal eh de mais ou menos um pouco mais de 1 km onde a Norte Energia criou para que os peixes em processo de migração de um de uma parte mais baixa para outra pra parte mais alta do rio ali onde tá a barragem. Eh, e esse projeto, uma das frentes desse projeto é monitorar a migração desses peixes. Como é que vai funcionar esse processo de migração? Câmeras são instaladas dentro de um de uma unidade como se fosse um vidro, um painel, onde os peixes estão passando ali dentro do canal. E essa câmera, ela fica filmando ali 24 horas. a a passagem dos peixes. E aí a gente consegue monitorar a quantidade de peixes que estão passando, a quantidade de espécies que estão passando, como é que tá a turbidez, né, a coloração ali da água. Isso tudo impacta também na leitura da das espécies que estão passando por lla. E você já falou um pouco e também eh o nome do projeto já traz eh a inteligência artificial no próprio nome. Eu queria que você explicasse um pouco na prática como essa tecnologia tá sendo utilizada. Você falou que é com uso de câmeras e ele monitora os peixes e a partir disso e captura imagens. É isso. Quase isso. Vou tentar explicar aqui de forma um pouco mais mais didática. Eh, quando a gente nos seres humanos, né, a gente tá tentando, a gente se depara com algo novo que a gente não conhecia, alguém vai explicar pra gente o que que é aquela coisa, certo? A mesma coisa com a inteligência artificial. a gente tá vai pegar imagens de vários peixes e a ideia inicialmente é a gente monitorar algo em torno de 60 espécies de peixes diferentes. E a gente vai treinar a inteligência artificial para ela reconhecer primeiro isso aqui é um peixe, OK? Então ela passa a reconhecer que aquele tipo de animal é um peixe. E aí a gente vai pra classificação daqueles peixes. Ah, esse aqui é um pirarucu, esse aqui é um peixe A, esse aqui é um peixe B. E a gente vai treinando os algoritmos de de inteligência artificial com as imagens daqueles peixes. Depois que a gente treina a inteligência artificial, ela vai, a gente vai conectar isso nas câmeras, nos vídeos que são gravados e vai ela vai ficar lendo os vídeos, identificando, identificando. Opa, encontrei um peixe. Esse peixe é da categoria tal. E aí ele monitora a quantidade de peixes que estão passando, tanto subindo quanto descendo. Ah, monitora as espécies. E é possível identificar com isso quais são as espécies que estão mais passando em direção de subida ou de descida. Ah, avaliar dentro de determinado momento, ô, tá faltando espécie que tá que deveria estar passando e não tá passando. Porque é que isso tá acontecendo? Então, a a companhia consegue adotar medidas para melhorar a o atendimento na região por conta disso, né? E você já falou que o local onde tá aplicada essa tecnologia atualmente é no Rio Xingu. E eu queria que você explicasse por esse local foi escolhido. É por conta da biodiversidade presente ali. Ah, a usina de Belo Monte, ela tá presente ali no Rio Xingu há aproximadamente 50 anos. Eh, e ela, toda a usina, quando ela é implantada, querendo ou não, ela impacta toda a região que ela tá no entorno. A nossa legislação brasileira obriga que todas as empresas do segmento eles monitorem todas as ações socioambientais ao redor que foram impactadas pela usina. Então, a Norte Energia elas têm, elas precisam reportar informação tanto pra sociedade que tá ali ao entorno quanto pro governo. Eh, e uma das e uma das necessidades que tem ali no rio Xingô é a migração dos peixes, porque eles atendem a comunidades ribeirinhas tanto na parte baixa, eh, quanto na parte alta da barragem. E e essa monitoração é importante porque preserva espécies. Os peixes quando eles vão fazer a desova, eles têm que subir pra parte mais alta para fazer todo esse processo. E e se não houver um monitoramento para saber se essa essa navegação, essa migração dos peixes estão acontecendo, é possível que haja eh extinção de espécies. Então esse monitoramento é importante para garantir que a perpetuidade dessas espécies que são locais ali da região, que é uma biodiversidade muito vasta, ela continue sem nenhum problema. Certo? E Danila, agora vocês estão implementando essa tecnologia, mas anteriormente como que era feito esse monitoramento? Ele era 100% humanizado? 100% humanizado. Eh, eu eu comentei, né, que vai ter um algoritmo que vai tá ali olhando os vídeos que são gravados 24 horas. Hoje quem faz isso é um conjunto de pessoas. As pessoas vão, pegam as gravações e ficam ali olhando os vídeos para para identificar a quantidade de peixes que estão passando, para identificar quais as as espécies. E esse é, por ser um trabalho manual, a probabilidade de você falhar, ela é grande. E um outro ponto, isso é feito por amostragem. Usando a tecnologia, ele vai ler o vídeo por inteiro, ele não vai olhar por amostragem. Então, a assertividade ela vai ser muito maior. Eh, mas a ideia não é substituir humano nesse processo. E esse é um ponto importante que eh a gente precisa entender quando a gente fala inteligência artificial. Eh, o humano dentro de todo esse contexto, ele é extremamente importante porque nós é que conhecemos os detalhes, nós é que conhecemos as espécies, nós é que alimentamos. Então, mesmo com a a inteligência artificial fazendo ali aquele trabalho que tende a ter uma assertividade superior a 90%, é preciso que depois haja uma validação do humano, nem que seja por amostragem, opa, a Ia tá conseguindo fazer a captura das informações de forma assertiva e tá trazendo de fato informação relevante pra gente. Então, a isso vai permitir um monitoramento quase que em tempo real. né? Os vídeos vão continuar sendo gravados. Eh, vai permitir uma maior assertividade para contar exatamente quantos peixes estão passando nas duas direções e contar todas as espécies que estão passando ali. E nessa implementação, vocês notaram algum desafio com uso da inteligência artificial? Porque no Rio acaba sendo ali uma água turva algumas vezes, né? Tem algum desafio para conseguir fazer esse monitoramento de forma correta? Precisa? tem os desafios, eles são muitos, né? É um projeto de pesquisa e todo projeto de pesquisa ele vem com vários desafios embotidos. Então imagine que a há determinados momentos que a água vai est cristalina, que é muito fácil você perceber o que tá ali eh dentro dela, mas há momentos que a água ela vem com a coloração mais escura, né? Ela vem com um certo nível de turbidez. E não só isso, a depender do fluxo da água, ela vem também com sujeira, né, com com plantas, com outras coisas que vê navegando por ali junto com os peixes. Isso tudo é desafio pra inteligência artificial conseguir capturar o que é que é peixe e o que é que não é peixe e aí fazer a classificação da melhor forma possível. E tem outro ponto que vai permitir também h e não é alvo desse projeto, mas toda a tecnologia vai permitir um um desenvolvimento futuro, né? Vai habilitar que isso seja eh feito no futuro. Eh, identificar vazão de água, identificar nível do rio e outras várias eh várias informações que podem ser coletadas ali de todas aquelas imagens, né? Porque o vídeo ele ele é uma sequência de muitas imagens. Então, no final das contas, a gente tá analisando frames de imagens e você já falou um pouco sobre isso, mas por que é tão importante é identificar corretamente essas espécies que vivem eh no Rio? Que tipo de informação também esse trabalho pode fornecer para pesquisadores e órgãos ambientais para conseguir entender eh tanto as espécies de peixes da região quanto a saúde do ecossistema também, se está saudável para aqueles peixes? O o primeiro ponto, como mencionei, eh conseguir monitorar como é que tá o fluxo de peixes. A população local, ela vive também da pesca. Eh, e ter a a essas espécies todas ali é importante paraa população local. Eh, garantir a perpetuidade de todas essas espécies também é um fator muito importante. É, é preciso que haja o fluxo migratório e a partir do momento que o hidác for implantado, ah, vai permitir a identificação dessas espécies que estão migrando da parte mais alta pra parte da parte baixa pra parte alta para fazer a desova. e o inverso, né, todo o processo de migração de ida e de vinda. E esse tipo de tecnologia, ela já está sendo utilizada em outros países, certo? Eh, e o que torna esse projeto brasileiro diferente e inovador referente aos outros em relação aos outros? Essa é uma é uma excelente pergunta. Esse projeto ele é inovador no país porque não tem nenhuma outra organização desenvolvendo isso. Ele já existe em outros países, mas com uma amplitude menor. O que que eu quero dizer com isso? O máximo de espécies que eh durante todas as pesquisas que nós fizemos é de 15 espécies sendo monitoradas. Na ali na bacia do Xingu tem um volume imenso de espécies. A Norte Energia já catalogou algo em torno de 168 espécies, no mínimo. Eh, e a ideia é que o projeto ele trabalhe com mais ou menos 60. Ou seja, a gente tá falando de um projeto que no mínimo ele vai entregar ali para Norte Energia o monitoramento quatro vezes maior do que outras outras pesquisas sendo feitas em outros em outros países. Eh, é uma biodiversidade muito grande e isso torna o desafio do projeto muito maior do que o que a gente tem em outras em outros países. A tecnologia ela muito similar que é a tecnologia de reconhecer ali, não só peixes, né, mas qualquer tipo de objeto que tá passando. Mas a forma com que ela é implementada, que ela é treinada é diferente aqui dentro do nosso contexto, certo? E olhando para o futuro, né, essa tecnologia, ela pode ser aplicada, atualmente ela está no rio Xingum, mas futuramente ela pode ser aplicada em outros rios, outros biomas, quem sabe. Pode, pode sim. Ela uma vez que ela estiver madura, né, entregue, tiver em operação, todo o resultado da pesquisa, porque além das entregas do produto final que vai ter, que é uma solução de inteligência artificial, a gente tem várias pesquisas, artigos sendo trabalhados e que eles vão poder evoluir várias frentes para qualquer outra qualquer outra eh concessionária que tenha a características similares. Então, o produto ele pode ser sim implantado em outras usinas, mas sempre precisa de adaptações. O contexto de cada usina é diferente. o o o núcleo do sistema, ele pode ser implantado, mas vai precisar treinar com a espécies da região, treinar com com a característica de água da reunião da de cada região, mas o o sistema em si, ele é plenamente replicável, não só dentro do Brasil, para qualquer localização que tenha características similares. Eh, Danilo, algo mais sobre essa tecnologia que você queira acrescentar? Vou trazer um um aspecto geral aqui da tecnologia. Eh, a gente fala muito em a, e eu vou reforçar esse ponto, a inteligência artificial, ela não vem para substituir o ser humano em todo esse processo. Ela é complementar, ela acelera a leitura de um volume muito grande de dados, que a gente não tá falando só de peixes, a gente tá falando de números, a gente tá falando de dados que são coletados em torno de todo o complexo ali da barragem, né? E ela vem acelerar toda a tomada de decisão para que uma vez a gente conhecendo muito bem ali o meio ambiente que tá envolvido, a gente possa preservar cada vez mais esse meio ambiente e dotar e e e dotar ali a a norte energia de ah informações rápidas para tomada de decisão e ajudar toda a comunidade que tá ali ao entorno daquele complexo. Perfeito, Danilo, muito obrigada. pela sua participação, por compartilhar com a gente esse trabalho tão importante. Eu que agradeço, é um tema muito importante. Obrigada. Eu agradeço também a sua companhia. Espero no próximo giro ambiental. Até lá. O Brasil tem avançado na destinação correta de resíduos eletrônicos. De acordo com a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos, mais de 230 toneladas desses materiais já foram coletadas e encaminhadas para tratamento e reciclagem. O volume corresponde ao peso de mais de 200 estátuas do Cristo Redentor e inclui aparelhos inteiros, componentes eletrônicos e diversos materiais reaproveitáveis. O resultado está ligado à implantação do sistema de logística reversa previsto pelo decreto federal número 10.240 de 2020, que determina que os produtos descartados retornem à cadeia produtiva de forma ambientalmente segura. เฮ