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Giro Ambiental | Planta Considerada Extinta é Redescoberta no Litoral de São Paulo
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Giro Ambiental | Planta Considerada Extinta é Redescoberta no Litoral de São Paulo

15 views Publicado 22/07/2026 HD · 14:38
Resumo editorial

Uma planta considerada extinta há mais de 100 anos foi redescoberta no litoral norte de São Paulo, na Ilha dos Alcatrases, onde é endêmica. O episódio entrevista Gabriel Sabino, biólogo e mestre em Botânica, que explica como a redescoberta ocorreu, o significado da classificação de extinção e a relevância da descoberta para a conservação da Mata Atlântica. Em ambientes insulares, uma única espécie pode ter importância crítica para o ecossistema, fornecendo recursos para outras espécies como polinizadores.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

Em setembro de 2024, uma expedição à Ilha dos Alcatrazes, no litoral norte de São Paulo, encontrou 19 indivíduos de Begonia larorum, espécie sem registro desde a coleta original de 1920 e classificada como extinta no plano de manejo da unidade de conservação a partir de 2016. O biólogo Gabriel Sabino, mestre em Botânica e participante da 14ª expedição à ilha, relata que o primeiro exemplar apareceu em fevereiro daquele ano, antes da confirmação da população com flores e frutos.

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Olá, sejam muito bem-vindos ao Giro Ambiental. O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do planeta e mesmo com tantos estudos realizados, a natureza ainda é capaz de surpreender. Recentemente, uma planta que era considerada extinta há mais de 100 anos foi redescoberta no litoral norte de São Paulo. E para explicar como essa descoberta aconteceu e o que ela representa para a ciência, eu converso hoje com Gabriel Sabino, que é biólogo e mestre em botânica. Gabriel, seja muito bem-vindo ao Giro Ambiental e muito obrigada por aceitar nosso convite. Olá, muito obrigado, obrigado pelo convite. Começar, eu queria que você contasse pra gente eh que planta é essa, porque essa essa redescoberta chamou tanta atenção da comunidade científica. Eh, essa espécie se chama begonia larorum, né, que é uma das espécies de begônia. e ela tava eh desaparecida, né? Eh, ela era um grande mistério paraa gente, porque ela só tinha coleta da década de 1920, eh, e depois nunca mais tinha sido localizada e na ilha dos alcatrases, onde ela é endêmica, né? Ou seja, ela só ocorre nessa ilha. E essa begonha, como você acabou de falar, ela era considerada extinta há mais de 100 anos, né? E como uma espécie de planta pode receber essa classificação? Qual o processo para isso? Em geral, uma espécie considerada extinta depois que ela passa muito tempo sem ser eh vista em campo, né? A gente tem algumas categorias de extinta, né? Às vezes a gente eh tem ela em cultivo, né? por exemplo, fora do ambiente de onde ela nativa, e ela recebe a categoria de extinta na natureza, né? Ou seja, a gente tem ela em cultivo, né? Eh, mas ela é extinta na natureza ou, ou seja, de onde ela é nativa. Eh, essa essa espécie ela era considerada extinta a partir do plano de manejo, né, desses eh d na desse parque que a partir de 2016 passou a ser uma unidade de conservação eh nacional a nível nacional. E depois e eh oficialmente ela tava considerada como criticamente ameaçada, mas no plano de manejo, depois dos esforços de campo, ela foi considerado eh extinta, né? E você participou diretamente eh dessa expedição, né? Como que foi esse trabalho da busca até a confirmação? a gente encontrou essa espécie no contexto de um levantamento florístico realizado na ilha, né? E como a gente é biólogo, a gente é bastante curioso sobre eh o que já foi tinha sido eh feito na ilha, né? Eh, a gente ia atrás dos registros históricos de coletas antigas, né? Daí sempre aparecia essa espécie na begônia, eh, larorum, eh, como um uma um mistério mesmo, né? A gente fazia a gente, então até que a gente foi encontrar ela só no 14º, na 14ª expedição pra ilha, né? Eh, a gente pegava esses registros eh de planta, são plantas secas e prensadas, né? A gente estudava ela para ela não passar despercebida durante esses campos. eh essas expedições de levantamento sistemático da flora, né, da da ilha. Até que em 2024 a gente descobre um indivíduo, né, tem até um vídeo da gente, um amigo meu conseguiu captar o momento que eu que a gente eh percebeu que ela tava por lá, né, a espécie. Eh, foi um êxtase meio eh, foi foi uma grande alegria assim pra gente, né? Contaram primeiro um indivíduo, depois que encontraram um grupo. É isso. Isso, exatamente. Daí no isso em 2024, em fevereiro, a gente descobre eh em setembro, desculpa, a gente descobre uma população maior aí sim com indivíduos eh eh com muito mais indivíduos, né? acho que foram eh foram 19 indivíduos, alguns já com flores e frutos, né? Daí a gente, além de ser muito legal, né? E eh reencontrar uma espécie, a gente pode dizer que a ilha, o ambiente da ilha foi capaz de eh sustentar essa população depois mesmo depois de mais de 100 anos, né? Sem sem ela ser registrada. Eu queria te questionar exatamente sobre a ilha. essa ilha de Alcatrases, eh, o que esse local tem de especial, de diferencial para conseguir manter essas plantas vivas? Bom, ela é uma uma das ilhas mais eh continentais, né, ou seja, que fazem parte da plataforma eh continental mais isoladas do Brasil. Isso por si só é uma vantagem, porque ela acaba escapando assim, né, de de impactos mais eh frequentes, antrópicos. Apesar de que mesmo assim ela já teve um histórico aí, né, de ocupação, né, antrópica e treinamento militar, eh, algo atras é basicamente um topo de uma montanha, né, que a depois do das últimos da última era glacial, ela acabou sendo isolada do resto do continente e eh hoje em dia ela é uma ilha continental verdadeira, né? E a formação geológica dela é muito interessante. Ela parece um como se fosse aquele aquelas aquelas rochas eh do pão de açúcar, do corcovado, a gente chama de Inselberg, né, que é uma palavra alemã que significa ilhas de montanhas. E esses ambientes eh de afloramentos rochosos, mesmo no continente, eles são considerados ambientes insulares, né? Porque todo o entorno, né, a paisagem do entorno é completamente diferente da dessa paisagem. Então, a gente encontra muitas espécies endêmicas eh nesses ambientes. Então, por isso que a gente acaba brincando que a ilha dos alcatrases, ela é considerada uma ilha de uma ilha. Então, tem dois isolamentos, né? uma porque ela é Wincelberg e outra porque ela já eh foi separada do restante do continente e e daí promove um novo isolamento, né? Falou que é um local insulares. O que seria isso para quem tá em casa compreender isso? Um um um local insular é um local que tem uma característica de ilha, né? Eh, e durante você falou que essa ilha ela foi habitada durante um tempo, eh, sofreu impactos provocados pela ação humana. Eh, no caso, isso pode ter contribuído para que a espécie da planta que a gente tá falando, eh, praticamente desaparecesse? Isso pode ter uma contribuição humana também, um fator humano. Certamente. E a ilha eh, tentaram, né, na década de 1910 eh colocar um um colocaram um eh alocaram, né, uma família eh do faroleiro que cuidava do farol e de uma ilhota, eh que fica ao lado da ilha principal. Mas isso foi descontinuado, né? não durou muito tempo. Eh, posteriormente a Marinha usou a ilha como um ponto de treinamento, né? Eh, de tiro. Em 2000, na eh em no começo dos anos 2000, ela sofreu um grande incêndio, né? cerca de 20% da área total da ilha sofreu um incêndio muito grande. Então, certamente, né, esse esse esse tipo de ação eh acaba limitando as populações que vivem nessa ilha, né? Sim. E depois dessa redescoberta, né, o que, eh, vocês, como pesquisadores conseguiram descobrir sobre essa begônia que era praticamente desconhecida, já que tinha tanto tempo que estava eh extinta. a gente conseguiu ter eh eh ter acesso, né, às características eh morfológicas de uma forma melhor. foram esse trabalho que a gente eh publicou, a gente mostra, né, a o ambiente onde ela vive, as características dela eh eh morfológicas, né? e também eh possibilitou que a gente faça um esforço de conservação tanto no local, né, no sentido de monitorar se tem algum outras espécies eh exóticas que poderiam tá eh competindo localmente eh por espaço com ela, mas também trazer eh algum algumas alguns propagos, né, alguns propáos, algumas mudas para fazer o cultivo fora do ambiente. Porque caso futuramente essa espécie entre, né, sofre algum risco, a gente tem a chance de reintroduzir ela no ambiente nativo. Então, é, são esforços de conservação eh importantes para que essa espécie ainda continue vivendo naquele ambiente. Então vocês trouxeram essa espécie paraa Unicamp para continuar estudos com ela? Exatamente. Daí a gente pode eh a gente tem a chance de eh fazer estudos genéticos também, né, para fazer comparações com as espécies mais próximas do continente e também eh a eh fazer estudos da sobre a fisiologia dessa planta, como que ela funciona, né? Ah, como que eh essa parte não sou eu que faço, mas ampliar o conhecimento que a gente tem para poder ter um conhecimento melhor sobre ela e poder reintroduzi-la, né, no ambiente, por exemplo, se fazer esforços mesmo, eh, no sentido da conservação dessa espécie. Entendi. E além da preservação que a gente acabou de citar, né, que outras contribuições essa descoberta ela pode trazer paraa ciência? para estudos também sobre a Mata Atlântica. Eh, descobrir e descrever espécies novas, né, em ambientes eh em informações naturais, eh, mostra o quanto eh a Mata Atlântica eh eh ainda tem, né, de novidades, né, paraa ciência, né, para a a eh mostra o quanto a gente tem uma essa flora tão rica, né, né? a gente tem a maior flora, a flora com maior, maior número de espécies do mundo, né? E a cada ano a gente descobre, eh, descreve espécies que não que não eram registradas, né? Isso mostra em um em um contexto de ambiente de ilhas, né, um ambiente insular, eh a importância de uma espécie ela é muito maior do que em um ambiente continental, porque às vezes você tem eh uma espécie eh de planta que oferece recursos, né, no caso, a begonia oferece pólen para uma eh para uma variedade ade espécies de eh polinizadores, né, que consomem esse pólen, que não tem nenhum outra espécie lá que possa, por exemplo, substituir a a essa essa, digamos, e eh e esse recurso, né? Então, se você pede ela no ambiente, às vezes você tá desencadeando um problema e no local, de forma de tal forma que esses eh insetos que dependem de de determinadas espécies podem também serem extintas, né? Gabriel, eu agradeço a sua participação aqui conosco por compartilhar essa descoberta tão importante com a gente. Muito obrigada. Muito obrigado. Eu agradeço também a sua audiência. Continue conosco que agora você vai acompanhar as curiosidades do meio ambiente. Até mais. Pesquisadores do MIT descobriram que as sementes conseguem perceber as vibrações produzidas pela chuva e utilizam esse estímulo como um sinal para iniciar a germinação. Durante experimentos com sementes de arroz. Os cientistas observaram que as vibrações causadas pelo impacto das gotas de água aceleram significativamente o surgimento dos brotos. A descoberta revela um mecanismo de percepção sensorial das plantas, até então desconhecido e sugere que as sementes desenvolveram ao longo da evolução formas sofisticadas de identificar quando o ambiente está adequado para o crescimento.
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