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Olá, está começando mais um Giro Ambiental. O Brasil vive um momento de crescimento na construção civil, que é um dos setores que mais impulsionam a economia e geram empregos no Brasil. Mas você já parou para pensar no impacto ambiental por trás desse avanço? A produção do cimento tradicional, essencial para obras e edificações, é também uma das grandes responsáveis pela emissão de gás carbônico na atmosfera. E no programa de hoje vamos conhecer uma pesquisa da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, que está desenvolvendo o cimento ecológico, que é uma alternativa sustentável. E para conversar com a gente sobre esse assunto, essa tecnologia e os impactos positivos que ela pode trazer para o meio ambiente e também para a sociedade, recebemos o professor Carlos Eduardo Marmorato. Professor, seja bem-vindo. Muito obrigado, Camila. Muito obrigado a todos aí pelo convite. Ah, eh, um agradecimento especial aí à TV Câmara Campinas pela oportunidade de estar falando desta pesquisa. Professor, para começar, eh, como eu citei no início, né, a construção civil é um dos setores que tem mais avançado no Brasil. E por que o cimento tradicional, ele é considerado um problema pro meio ambiente? É, o cimento tradicional, ele é o segundo material mais consumido pela humanidade. O primeiro material mais consumido é a água. O segundo é o cimento tradicional da construção civil. e ele utiliza duas matérias primas básicas, uma dela é o calcário, que é uma rocha. E no seu processo de produção exige a queima. Isso é um processo eh conhecido, né, eh internacionalmente por utilizado por todas as indústrias. Esse processo de queima dessa rocha carbonática, mas a o consumo dos combustíveis faz com que tenha emissão de gás carbônico para a atmosfera. Então, Camila, eh, para se ter uma ideia, para produzir 1 kg de cimento tradicional para a nossa construção civil, cerca de 600 a 700 g de gás carbônico é liberada pra atmosfera. Então, o impacto eh em termos de emissões de gases poluentes causadores do efeito estufa, ele é muito grande. O Brasil tem cerca de 60 milhões de toneladas de cimento produzidas ao ano. Então, em torno de 60% desse total em massa é a quantidade que é emitida de gás carbônico paraa atmosfera. Então, o que eh a construção civil se preocupa, evidentemente, é mitigar, minimizar essas emissões. E professora, o senhor coordena, né, atualmente uma linha de pesquisa na Unicamp há cerca de 6 anos que cria uma alternativa, né, para esse ccimento tradicional. Poderia explicar pra gente um pouco mais sobre sua pesquisa? Perfeito. Assim, o primeiro foco da pesquisa é ter um cimento alternativo, ou seja, se nós diversificarmos os tipos de cimento que podem ser empregados, isso favorece para a construção civil. Eh, o cimento que nós estudamos, que é o cimento magnesiano, inclusive nós lançamos um livro no final do ano passado que integra todas as pesquisas que nós fizemos nesses últimos anos. Ele é derivado das rochas magnesianas. Evidentemente, o processo de produção se assemelha muito a ao cimento convencional. No entanto, para produzir esse cimento, você emite menos emissões de gás carbônico relacionado ao cimento Portland, que é o cimento tradicional. Então, se eu estou emitindo menos eh eh gás carbônico, eu consigo mitigar os impactos ambientais. E esse cimento, Camila, e a todos que estão aqui nos acompanhando, ele é um cimento que permite adições e cinzas, ou seja, resíduos de outras indústrias. Nós temos, por exemplo, no estado de São Paulo, né, uma grande produção de de cana de açúcar que o bagaço dela é queimado, se transforma numa cinza. Então, uma das isto para efeitos de produção de energia elétrica, né, por meio das termoelétricas. Então, uma das pesquisas nossas foi utilizar a cinza da cana do açúcar em conjunto com esse cimento magnesiano. Então, além de eu ter uma matriz, vamos dizer assim, que já na sua origem ponto de partida, emite menos gás carbônico para atmosfera, eu ainda consigo incorporar resíduos de outras fontes. E esse cimento magnesiano, ele é feito de óxido de magnésio, é isso? Isso. E a origem dele é o óxido de magnésio. E ele sai das rochas eh de carbonato de magnésio. O Brasil, aliás, é uma das rochas mais abundantes que tem é o carbonato de magnésio. Outra origem do magnésio, né, do óxido de magnésio, é marinha. Nós temos muito óxido de magnésio, na verdade, muito magnésio, né, presente no mar. Então, é possível também extrair. Já existe produtos comerciais feitos dessa origem, mas evidentemente aquele que compõe um menor custo é oriundo das rochas de carbonato de magnésio. E hoje, com esse avanço da pesquisa, eh, o senhor pode dizer que esse esse cimento alternativo, né, ele já tem uma resistência comparável com o cimento tradicional? Esse cimento, Camila, ele a o foco de utilização dele, isso é importante, nós estamos passando eh para toda a comunidade, é que nossa construção civil, ela utiliza muitos muito material, né? Ela consome muito material para se verticalizar, para produzir nossos espaços, né? Residência, imóveis, etc. Então, eh, nós temos que associar sempre os materiais que nós estamos utilizando a sistemas construtivos que não precisam, por exemplo, ao término da sua vida útil, ser demolido e esse material ser encaminhado para aterros. E é um desperdício de material. Então, eh, um dos principais focos quando a gente associa sustentabilidade aplicada na construção civil é sempre nós estarmos associando os nossos materiais a sistemas construtivos que permitem, por exemplo, a montagem e a desmontagem. Isso é muito importante. Então, nós chamamos sistemas construtivos a seco, que difere um pouco do da nossa ovenaria convencional. Então esse cimento magnesiano, ele é destinado para produção especialmente de placas, né, chapas, painéis. E com isso eu faço, né, a fixação dessas placas num quadro que é no que é um pórtico e com isso eu produzo painéis e por meio dos painéis eu consigo produzir nossos ambientes construídos. Então assim, como não são as mesmas aplicações diretas do cimento convencional, mas é para produção de elementos construtivos e esses elementos construtivos serem aplicados num sistema construtivo, eh, que nós chamamos mais industrializado. É importante nós também implementarmos o maior nível de industrial industrialização na nossa construção civil para assim nós estarmos associando essas tecnologias. a a a menores impactos ambientais. Sim, professor, o senhor já citou um pouco sobre isso, mas o grupo também de pesquisa também desenvolveu a primeira placa plana magnesiana do Brasil, né? E você falou um pouco sobre essa aplicação, onde ela pode ser aplicada, é diferente o uso dela? Perfeito, Camila. Então, assim, exatamente, a primeira placa plana produzida por meio dessa tecnologia no Brasil. Então nossa nossa pesquisa começou, evidentemente, analisando os materiais, fazendo esse o cimento, incorporando resíduos para para depois transformar esse cimento num elemento construtivo. E esse elemento construtivo principal, né, é a placa plana. Para quem é legal, né, ou para quem participa da construção civil, é fácil fazer uma analogia, por exemplo, com gesso acartonado, né, onde eu tenho uma placa de gesso acartonado que eu faço a fixação num painel. Eh, então o cimento magnesiano na forma de uma placa, na forma de uma chapa, ele pode ser aplicado dentro de construção a seco. E nós, dentro da faculdade de engenharia civil, arquitetura e urbanismo, conseguimos fazer a transferência desse noal para o mercado. Então, já foi feita a transferência desse noal, né, por meio da agência nova, eh, agência de inovação da Unicamp para o mercado e tá disponível para todos. Perfeito. Eh, professor, na pesquisa vocês também citam sobre o déficit ambiental, né? Eh, desculpa, habitacional, que também essa pesquisa, ela pode ajudar eh a reduzir esse déficit no país. Com certeza. Tudo que é tecnologia que possa ser transformada num sistema construtivo, numa unidade habitacional, nós diversificamos as possibilidades e damos, né, o o possibilidade maior, vamos dizer assim, para, por exemplo, o poder público estar fazendo eh eh moradias populares por meio, né, eh dos seus programas e tanto o governo, né, um órgão público, quanto a iniciativa privada, Quanto ele tem uma maior possibilidade de uma opção de escolha, né, ele vai optar por aquela que evidentemente tem melhor custo benefício. E num país como o nosso, que tem um um grande déficit habitacional, eh nós disponibilizarmos tecnologias que nós chamamos tecnologia apropriada, né, que é a tecnologia que melhor se apropria para aquela situação. Isso é um ganho. E e voltando um pouquinho na questão do sistema construtivo ser industrializado, montado e desmontado, isso permite, por exemplo, até para a população de baixa renda, eh, verticalizar, construir a sua moradia por meio de um simples processo construtivo de montagem, né? Ou seja, ele mesmo pode construir por meio de comprando as os seus da mesma forma, mas a forma de verticalização é diferente e construir isso porque é um sistema mais leve também. Quando a gente utiliza placas planas, quando a gente utiliza painéis, nós estamos fazendo com os sistemas construtivos tenha menor densidade, menor peso do que o tradicional. Então isso facilita, impulsiona a nossa construção civil, disponibilizando uma tecnologia que melhor se adequa à nossa realidade. Sim. E se essa tecnologia for usada em grande escala, né, qual seria o impacto ambiental pro Brasil? muito Camila, pelo seguinte, eh, como eu mencionei anteriormente, eh, todos os insumos que nós utilizamos, né, na em todas as indústrias são extraídos da natureza. Então, quando nós pensamos em ser sustentável, nós temos que mitigar o consumo de materiais, diminuir o consumo de materiais e aumentar a vida útil daquilo que tá sendo produzido. Eh, então, por exemplo, se eu vou fazer uma uma construção tradicional com tijolos, isso é tirado, né, do solo, o tijolo, um solo argilo arenoso que é calcinado. Se eu for produzir o cimento, eu também tiro, né, as rochas calcárias, tiro a argila da natureza, o próprio minério de, né, de ferro transformando em aço. Então, sempre tô extraindo da natureza uma quantidade de insumos muito grande. Agora, se eu pego esse insumo e faço ele num sistema construtivo convencional, que que nós chamamos de sistema construtivo convencional? é ovinaria da maneira com que, né, predomina na nossa construção civil em todo o Brasil, ou seja, produzir por meio de alvinaria, de tijolos, de blocos. Esse é um sistema, Camila, que não permite desmontagem, não é? Por exemplo, se eu não quero, se eu quero dar uma outra, eu quero ampliar ou se eu quero eh usar aquela área para uma construção maior, eu vou precisar fazer demolição. E tudo isso, de certa forma, acaba indo para terro sanitário e muito pouco indo para processo de reciclagem. Ou seja, o sistema tradicional, ele é um sistema que consome muito, muito material e desperdiça muito material. Agora, o que nós propomos, né, além do cimento ser alternativo, associado a menores emissões de gás carbônico, que isso esteja atrelado a sistemas industrializados que permite montagem e desmontagem. Assim, se a minha obra, né, perdeu a sua serventia por algum motivo ou precisa ser trocada de lugar, ela pode ser desmontada e montada em outro local. E se a pessoa que fez aquela obra, né, não tem mais interesse para aqueles materiais, ele pode doar e uma pessoa construir seu imóvel, a sua moradia com os mesmos materiais, simplesmente fazendo desmontagem e montagem. Então é muito importante que nós, em termos de tecnologia para construção civil, além de usar materiais associados a menores emissões de gás carbônico, nós mitigando o consumo de materiais e também utilizando sistema construtivo que permite montagem e desmontagem e não demolição. E professora, a gente sabe que a pesquisa continua, né? Quais são os próximos passos para essa pesquisa sobre o cimento sustentável, ecológico? na construção civil, né, na na engenharia civil, a gente sempre busca por maiores resistências mecânicas. Isso, evidentemente, quando você ganha maior resistência mecânica, você consegue otimizar eh as dimensões dos elementos, né? Então, a capacidade importante, evidentemente, do material em termos de resistência mecânica, ela sempre também é uma das prioridades. Então, o que nós eh fizemos foi resgatar uma tecnologia muito esquecida, aprimorar essa tecnologia e todo o processo de aprimoramento é constante. Então nós estamos hoje nesse momento, né, entrando na questão da nanotecnologia, que é para fazer por meio, né, deste deste eh novos materiais que possam ser adicionados em nível nanotecnológico. Um deles, Camila, é o grafeno. Nós já começamos os estudos com grafeno, que é uma adição, né, em termos de nanotecnologia para melhorar as propriedades do cimento magnesiano como um todo, não só do ponto de vista de resistência mecânica, mas sempre pensando em durabilidade. Quanto maior, quanto melhor for o material em questão de desempenho, durabilidade, mais ele tá associado aas questões, né, aos quesitos de sustentabilidade aplicada na construção civil. Então, o próximo passo é nós sairmos também da parte micro microscópica, vamos dizer assim, e partir paraa nanotecnologia, o que nós iniciamos este ano. Então, já fica o convite aqui pro senhor voltar quando tiver novidades referente à pesquisa. Eu agradeço, Camila, agradeço a todos da TV Câmara Campinas pela possibilidade de estar divulgando o nosso trabalho. É sempre muito importante nós aproximarmos as pesquisas científicas da sociedade. Nós aqui na faculdade de engenharia civil, arquitetura e urbanismo, buscamos, evidentemente, fazer essa aproximação, porque nós, evidentemente, né, nosso país é um país em construção e as tecnologias precisam estar disponível cada vez mais rápido para a sociedade. Então, agradeço esse canal de comunicação, agradeço o convite, estou à disposição sempre. Perfeito, professora. A gente agradece. Muito obrigada pela sua participação e por compartilhar com a gente essa pesquisa que é tão importante pro futuro da construção civil e também pro meio ambiente. E o giro ambiental não acaba por aqui. Você continua com a gente para conferir mais informações e curiosidades sobre o meu ambiente. Até o próximo programa. Pesquisadores descobriram que cobras e lagartos possuem mutações genéticas. que eliminam produção de grelina, hormônio responsável por sinalizar a fome. Ao analisar 112 espécies, o estudo confirmou que esses animais perderam a capacidade biológica de sentir a urgência de se alimentar. Além da ausência desse hormônio, houve também a perda do GM MBOAT4, que seria responsável pela ativação química no organismo desses répteis. Essa adaptação permite que esses predadores suportem jejuns prolongados sem o estresse metabólico da fome constante. O mecanismo é estratégico para animais com dietas irregulares, garantindo assim que eles sobrevivam por meses até encontrarem a próxima presa em ambientes onde o alimento é escasso.